A pandemia
revelou, além de novos formatos de trabalho, a necessidade de uma importante
competência: captar o que o corpo fala do outro lado da câmera e o que cada
gesto revela
O trabalho do consultor em governança corporativa
exige muitas habilidades e competências para realizar o objetivo de
diagnosticar os negócios e construir estratégias personalizadas com foco em
resultados e sustentabilidade. O profissional que vai lidar com sócios e
proprietários de empresas deve não somente ter uma visão de negócio, ou seja,
estar com a leitura em dia sobre os diversos assuntos relacionados aos
universos de economia, política e negócios em geral, mas também ter um lado
voltado à psicologia, para entender melhor sobre o comportamento humano e o que
cada sinal corporal pode revelar.
Até antes da pandemia surgir e acabar por conduzir
a instituição de novos formatos de trabalho, como a adoção em massa do sistema
homeoffice, as reuniões presenciais eram mais do que comuns. No mesmo espaço
físico, o consultor preparado para entender o que cada gesto corporal diz era
capaz de perceber tranquilamente se um cliente ficou confortável ou não, se
mexeu na cadeira, coçou a cabeça ou está com os pés nervosamente chacoalhando
por debaixo da mesa.
Porém, em uma reunião online, a situação muda.
“Esses sinais não são tão claramente perceptíveis”, afirma Eduardo Valério, CEO
da GoNext, consultoria em governança corporativa e sucessão, acostumado com os
compromissos virtuais de negócios nos últimos 18 meses, assim como seus
consultores. Mesmo assim, recomenda ele, é preciso estar atento às menores
ações. “Um sinal preocupante é quando o vídeo de algum participante está
desligado, demonstrando uma eventual distração ou desinteresse.”
Mas como o consultor pode notar desconfortos,
nervosismo, interesse, segurança e comprometimento em uma reunião remota entre
sócios de uma empresa, e melhorar suas percepções, para então ter o melhor
diagnóstico sobre uma consultoria para a qual está atuando? Veja a seguir
5 sinais que podem ajudar a decifrar o que se passa com o cliente na hora da
reunião virtual.
Boca
Levar frequentemente os dedos à boca, como roer as
unhas ou morder as pontas dos dedos, demonstra ansiedade e também indica
relutância. Tapar a boca e coçar o nariz enquanto fala demonstra insegurança ao
que está falando e o consultor preparado pode suspeitar de que o cliente está
escondendo o jogo. Assim como as palavras bem articuladas e faladas calmamente,
com pausar e respiração tranquila transitem credibilidade e autoridade.
Braços
A posição dos braços cruzados costuma ser associado
a irritação, defesa ou falta de interesse. Segundo estudos sobre linguagem
corporal, a maioria das pessoas que faz este gesto durante uma reunião está
desconfortável.
Cabelos
O ato de mexer nos cabelos transmite a mensagem de
uma pessoa insegura e tímida, por mais que ela pareça muito desinibida.
Mãos
Se o cliente não estiver com as mãos mais soltas,
eventualmente gesticulando, preferindo não deixa-las aparentes ou dando a
impressão de que não sabe o que fazer com elas, pode ser um sinal de
insegurança. Porém, se uma das mãos estiver tocando o queixo, ela pode estar
indicando uma tomada de decisão.
Olhos
O olhar sempre voltado para baixo indica
desinteresse e falta de foco. Da mesma forma quando o cliente desvia o olhar
constantemente e demonstra estar prestando atenção em mais de uma coisa ao
mesmo tempo. Por outro lado, ao encarar a câmera e reagir ao que é falado,
demonstra maior interesse e comprometimento.
Novos modelos
Mesmo as reuniões online de 18 meses atrás, antes
da pandemia, eram muito diferentes das atuais. Como aponta Eduardo Valério,
desde os aspectos tecnológicos, os quais todos tiveram que melhorar suas redes
internas de wi-fi e internet, melhoria de computadores e câmeras, ao
aperfeiçoamento de pautas, mais enxutas e objetivas.
Da mesma forma, as atitudes dos participantes. “O
comportamento dos seus integrantes foi modificado na medida do aprimoramento da
própria reunião”, diz o executivo. Na análise de Valério, a tendência é que as
reuniões presenciais sejam para temas mais complexos, que as tornarão mais
longas. “As virtuais serão mais curtas, frequentes e para assuntos mais
objetivos.”
Modelo este que se adequa, por exemplo, ao trabalho
de monitoramento da consultoria em governança.
A recomendação do CEO da GoNext é que o consultor
em governança corporativa sempre prepare da melhor maneira possível a reunião
online e em três etapas: pré, durante e pós. “É importante ainda o consultor
sempre se programar previamente quanto à dinâmica, o material a ser apresentado
e, sobretudo, o cuidado com o tempo. Ele deve ter sempre o controle do ritmo da
reunião”, aponta Valério.
De acordo com ele, essas e outras características,
são essenciais para o profissional transmitir confiabilidade e tranquilidade ao
seu interlocutor. “O papel do consultor durante a apresentação de um
determinado tema é prover seu interlocutor (cliente) de segurança e clara
orientação sobre o tema em debate. Ele é visto como o facilitador e provedor do
caminho, para a solução do problema, que é o objeto da contratação dos seus
serviços”, avalia.
GoNext Governança & Sucessão
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