Pessoas tentando se passar por outras: adulteração da foto do portador original foi a forma mais utilizada por fraudadores
É cada vez maior o número de pessoas
que usam os meios digitais para adquirir produtos e ter acesso aos serviços de
bancos, fintechs, corretoras, empresas de entretenimento, entre outras. Com a
pandemia, isso aumentou ainda mais e fez crescer o aumento de fraudes
eletrônicas.
Focada em prevenir fraudes no meio
digital, a Combate à Fraude fez um levantamento das principais
artimanhas usadas por fraudadores para se passarem por outras pessoas e tirar
proveito disso. A startup de tecnologia tem mais de 50 clientes e atende a
empresas de todos os tamanhos.
Segundo a startup, grande parte dos
golpes digitais em empresas é decorrente do uso de documentação irregular. Isso
porque, em posse de um documento falso ou montado, um fraudador pode abrir
contas em bancos, contratar empréstimos pessoais, solicitar cartões de
crédito, entre outras ações.
Neste ano, a forma mais comum de
tentativa de fraude de identificação no país foi a adulteração
da foto do portador, ou seja, o golpista substitui a foto
original do portador pela sua. Um ponto importante é que isso ocorre mesmo
quando a Biometria Facial é utilizada como forma de prevenção. Neste caso,
o fraudador consegue fraudar a prova de vida usando um vídeo em alta
resolução ou ainda, máscaras de silicone. Estas, inclusive, foram muito
utilizadas pois, mesmo sendo caras (em torno de R$ 10 mil), o golpista consegue
fraudar várias empresas em questões de horas.
Leonardo Rebitte, CEO da Combate à
Fraude, explica que durante um processo de registro online, o mais comum é
a empresa solicitar a confirmação da identidade do usuário pedindo que ele faça
o upload de uma foto de si mesmo (selfie) no aplicativo, segurando um documento
de identificação.
De acordo com o CEO da startup, há
empresas que possuem bases de dados com faces já validadas via biometria
facial. Além disso, é possível consultar a base do Denatran através do Serpro.
Segundo Rebitte, o problema é quando uma face não consta em nenhum repositório,
aí só a documentoscopia (análise forense do documento de RG) consegue validar
ou não uma identificação pessoal.
“Uma fraude como essa pode causar sérios
problemas para uma empresa. O prejuízo é grande e a responsabilidade por
reembolsar as pessoas lesadas, utilizadas como laranjas nessas operações
fraudulentas, é a da companhia, seja ela um banco, uma fintech, uma empresa de
varejo ou até mesmo um órgão do governo como o INSS”, diz Rebitte.
O segundo tipo de fraude mais utilizado
foi a impressão de documentos falsos, como RG e CNH,
com dados autênticos (o CPF bate com o nome, data de nascimento e o nome dos
pais). Essa forma se difere da simples adulteração de dados do portador
porque o papel é forjado e o documento já é impresso com a foto do
falsificador. Segundo Rebitte, é muito comum haver a impressão em massa de diferentes documentos de
identidade com dados distintos e a foto do golpista.
Por fim, o terceiro recurso ilegal mais
usado pelos fraudadores é a adulteração de dados nos documentos de
identificação. Em posse de um documento original, o fraudador
substitui algumas informações como nome da mãe, data de nascimento, data de
expedição, entre outras, para ter em mãos um documento com uma foto de uma
outra pessoa, mas com as informações adulteradas.
R$ 45 milhões de fraudes evitadas
Só em 2020, a Combate à
Fraude evitou 45 milhões de reais em tentativas de fraudes para seus
clientes, que são em sua maioria bancos e fintechs de todos os portes. De
acordo com o diretor de marketing da startup, Victor Fernandes, 40% dos
casos de fraudes geram processos judiciais. “Para quantificarmos em dinheiro
quando uma fraude é evitada, somamos à perda do valor do produto ou
serviço um provável processo judicial” explica Fernandes.
Tecnologia avançada contra fraudes
A solução antifraude da Combate à
Fraude combina tecnologias como Machine Learning e Inteligência Artificial com
um sistema de checagem digital de dados que permite a aprovação de cadastros de
forma confiável e em poucos segundos, automatizando toda a análise documental.
Segunda a empresa, sua tecnologia reduz em 90% a chance de fraudes em
aprovações de cadastros online e aberturas de contas digitais.
O processo de documentoscopia usa
inteligência artificial para comparar o documento apresentado pelo usuário com
milhares de outros do mesmo Estado e ano de emissão, procurando inconsistências
em mais de 200 pontos de atenção por segundo no documento.
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