A deficiência de mecobalamina pode causar manifestações neurológicas irreversíveis se não tratada a tempo. A anemia perniciosa, também conhecida como doença de Biermer, é um processo autoimune caracterizado pela destruição da mucosa gástrica, sendo muito frequente em idosos e uma das principais causas de deficiência de B12 nesta faixa etária
A vitamina B12 é fundamental para o
funcionamento saudável do corpo, pois é responsável pela formação de células
vermelhas do sangue, necessária para as funções do sistema nervoso e
neurológicas, sendo cofator de diversas enzimas primordiais ao organismo,
inclusive na produção de DNA. No entanto, a realidade tem números que assustam:
estudos mostram que a prevalência de deficiência de mecobalamina varia entre
20% a 60% da e os idosos são um grupo de risco para tal.
A causa mais comum para esta ocorrência é a perda
do fator intrínseco produzido pelas células parietais, associada a um tipo de
gastrite (gastrite atrófica), que resulta na má absorção da deficiência de B12.
Além disso, os idosos costumam ingerir menos carne, fonte de B12,
por problemas de mastigação e deglutição. Por isso, o tema precisa ser
tratado como um caso de saúde pública, tendo em vista que cerca de 60% dos
casos resultam da má absorção da mecobalamina a partir da dieta; entre 15% e
20% são decorrentes da própria anemia perniciosa, e os demais estão associados
a uma dieta insuficiente e às doenças hereditárias do metabolismo.
Estudos mostram que a deficiência de B12 é um
achado dos mais frequentes em pacientes com demência, variando entre 29% a 47%
dos pacientes com sintomas demenciais. Até mesmo em pacientes idosos saudáveis
tem sido observado uma correlação entre o nível de B12 e a função cognitiva.
Vale lembrar que a demência causada por deficiência de B12 é considerada uma demência
reversível se tratada a tempo, com a reposição de mecobalamina. Portanto,
em pacientes com sintomas demenciais, a deficiência de B12 é um diagnóstico
diferencial importante a ser lembrado.
Os diversos sintomas da carência de mecobalamina
“Com um quadro clínico variável, alguns pacientes
podem apresentar fraqueza, parestesias (sensação de formigamento), dores nos
nervos (neuropatias), declínio cognitivo (levando a um quadro de demência),
entre outros. O déficit da B12 também pode ocorrer para quem faz uso
de inibidores da bomba de prótons (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol),
antibióticos e antagonistas do receptor de histamina H2 (cimetidina,
ranitidina)e a metformina (medicamento para diabetes) E, por quem sofre com
má-absorção, como no caso de gastrite atrófica, crescimento excessivo de
bactérias no intestino, doença de Crohn, doenças inflamatórias e cirurgias
intestinais”, esclarece Dra. Rita de Cássia Salhani Ferrari, médica geriatra e
responsável pelo núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Marjan
Farma. “Exatamente por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir
e impedir a progressão desses distúrbios. Dessa forma, recomenda-se uma
avaliação médica evoluindo para exames que avaliam a deficiência de B12
no organismo” conclui.
Tratamento indolor, por via sublingual e na forma
ativa
“Atualmente, para a suplementação da mecobalamina,
existe o tratamento parenteral (injeções intramusculares), método que causa
dores agudas e muitas vezes leva as pessoas à negligência. No entanto, o método
mais eficaz, inclusive no quesito custo x benefício, está na medicação via
sublingual de forma ativa, que oferece absorção imediata, um alívio aos
pacientes idosos, principalmente se forem muito magros, tiverem dificuldade de
deglutição ou distúrbios de coagulação”, explica a especialista.
Dra Rita de Cássia Salhani Ferrari - médica geriatra formada pela Universidade Federal de São Paulo, Fellowship no Geriatric Medicine Program na University of Pennsylvania, responsável pelo departamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Marjan Farma.
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