A pandemia da Covid-19 impactou fortemente a
indústria brasileira; em um momento onde começava a apresentar sinais de
recuperação. Analisando o resultado da pesquisa "Indicadores Conjunturais
da Indústria Brasileira de Máquinas e Equipamentos" referente ao mês de
abril de 2020, juntamente com os dados da sondagem realizada no nosso setor
sobre os impactos da Covid-19, os números deste mês vieram fortemente
influenciados pelas restrições impostas pela pandemia.
Em abril/2020 a indústria de máquinas e equipamentos
registrou queda de 27% no seu faturamento. Isto anulou todo o crescimento
acumulado pelo setor no primeiro trimestre de 2020 que passou a acumular queda
de 6,5%, em relação ao mesmo período de 2019.
O recuo ocorreu tanto nas vendas realizadas no mercado
interno (-28,5%) quanto no mercado externo (-41,6%) na análise interanual.
A sondagem que fizemos no início do mês de maio, no
entanto, revelou que as empresas têm observado restrições de abastecimento, mas
que este não é o fator preponderante para a redução da atividade durante este
período de quarentena.
O que tem levado alguns fabricantes de máquinas e
equipamentos a paralisarem ou reduzirem suas atividades são outros fatores:
cancelamento ou adiamento de projetos de investimento unilateralmente por parte
dos seus clientes em razão da incertezas de ordem política e econômicas e a
restrição da mão de obra em razão das políticas de afastamento adotadas pela
própria empresa.
Diante deste cenário de crise, acreditamos que além
das medidas internas adotadas pelas empresas, a indústria necessita de
políticas públicas de curto prazo para minimizar os impactos sobre a demanda e
a oferta mencionados, ou seja, ações que envolvem crédito, carga tributária,
infraestrutura, governança da cadeia produtiva, gestão de custos e questões
trabalhistas.
Com relação às políticas de longo prazo destacamos
os seguintes desafios estruturais pelo lado da demanda: estabelecer dinâmica de
crescimento sustentável, manter e criar empregos, políticas fiscais e
tributárias harmonizadas com políticas monetárias, regime macroeconômico
coerente com desenvolvimento. Do lado da oferta, para além de reduzir o Custo
Brasil necessitamos de descentralizar o sistema financeiro, melhorar o suporte
às pequenas e médias empresas, desonerar o investimento produtivo, financiar a
modernização do maquinário nacional, reduzir burocracia, financiar as
exportações e fortalecer o sistema nacional de inovação tecnológica.
Em contrapartida, a pandemia também revelou um lado
positivo da indústria, a capacidade de responder rapidamente às dificuldades
enfrentadas, o que poderá levar a uma transformação digital sem precedentes e
sem volta. Uma tratativa inteligente da crise requer soluções ágeis e embasadas
que prezem pelo entendimento entre funcionários, clientes, fornecedores e
demais agentes da cadeia produtiva. Junto a sociedade, uma cooperação em torno
de um objetivo comum de superação das dificuldades sanitárias, econômicas,
políticas e sociais. Que estes aprendizados se multipliquem e orientem a nossa
retomada pós pandemia.
Porque será necessário, findada a crise, estimular
a demanda. Dificilmente este papel será exercido pelo setor privado após longo
período de descapitalização.
O Governo precisará urgentemente retomar os
investimentos públicos nas obras de infraestrutura, que estão paradas deste o
início da crise da “Operação Lava Jato”, priorizando aquelas que já não
dependem mais de projetos ou de licenciamentos. Também precisará priorizar a
aprovação do Marco do Saneamento e do novo Marco Legal das PPP e concessões
públicas para abrir espaço a iniciativa privada investir.
São medidas que, se bem coordenadas, poderão
garantir a sustentabilidade das empresas e famílias durante a crise e alavancar
os investimentos intensamente, tão logo a crise chegue ao fim.
João Carlos Marchesan - administrador de empresas,
empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ
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