Onde
estamos e para onde vamos? O Brasil ainda está no jardim de infância quando se
fala em métodos de ensino
As mudanças na dinâmica de ensino fazem com que as
pessoas sejam analisadas individualmente e, como a questão econômica não
permite montar uma escola para cada aluno, a tecnologia faz isso para que eles
possam aprender de maneira mais rápida, com produção de conteúdo em tempo
real.
Isso pode ser visto, por exemplo, no estudo de idiomas.
Já estão disponíveis cursos de diversas línguas que geram gráficos comparativos
da pronúncia de uma pessoa que está começando a aprender com a de uma nativa.
Conforme o aluno vai falando, o quadro vai sendo ajustado e a curva da articulação
fica cada vez mais próxima à nativa, fazendo com que, naturalmente, a pronúncia
seja melhorada. Impressionante o que é possível aprender com uma plataforma que
não seria possível usar em sala de aula.
Alguns alunos se dão bem estudando com vídeos, apenas
vendo e ouvindo, outros não abrem mão de anotações e leituras em voz alta.
Essas diferenças não são aleatórias. Mesmo sem saber, eles estão escolhendo
métodos adequados à personalidade deles, com a melhor maneira de fixar
conteúdos. Visual, auditivo e cinestésico são tipos de aprendizado.
É natural que haja diferenças entre as pessoas também
nas formas de aprender, como em tudo o mais. Existem alunos que em cinco anos
de faculdade não anotam absolutamente nada porque precisam prestar atenção no
que o professor está falando, travar debates mentais com ele e essas
“conversas” os fazem aprender. Outros não conseguem prestar atenção lendo
textos. Começam a ler e acabam dormindo.
No Brasil, o academicismo deixa de lado a
adaptabilidade “ensinar a aprender”. É muito mais inteligente e produtivo
explicar a aplicação da álgebra linear somente se o aluno achar que aquilo é
pertinente a ele e utilizar um método que o faça compreender como utilizar essa
matéria na vida, entendendo o melhor preço para comprar uma bicicleta ou um
apartamento, por exemplo.
O País precisa enxergar a educação como a Coreia do Sul
fez, ensinando o que é prático e necessário. Temos ensino, o que não temos é
aprendizado. E, para que tenhamos o aprendizado, é preciso ter contextualização,
fixação e aplicação.
A profissão de quem está hoje no ensino fundamental
ainda nem existe e é preciso se preparar para isso. A tecnologia vai permitir
que o conteúdo se molde à pessoa, não o inverso. As escolas serão transformadas
em grandes centros de encontro para debates, para troca de experiências e para
utilização de uma estrutura e de equipamentos modernos que não seria possível
ter de forma individual.
Além disso, é preciso lembrar que o aprendizado tem
muito a ver com segurança. Se a pessoa está em um ambiente onde sente-se
acolhida, com pessoas que a apoiam e respeitam, é muito mais fácil aprender.
O que está sendo ensinado no ensino tradicional acaba
sendo pouquíssimo aplicado na vida profissional. O corte “humanas, exatas e
biológicas” só não acabou porque os retrógrados ainda sentam nas cadeiras do
MEC. Os projetos atuais envolvem todas essas áreas juntas.
Na área de tecnologia, por exemplo, metade do que
aprendem na faculdade não serve para nada e metade do que eles teriam que aprender
ainda não é ensinado em nenhum lugar. Nesse segmento, o diploma universitário
não vale nada! Valorizamos os certificados, como os da Oracle e Microsoft, por
exemplo.
Não há necessidade de todo mundo estudar tudo. E assim
o impacto da tecnologia aparece de novo, pois ela auxilia a pessoa a obter
apenas o que quer. Os alunos que não possuem interesse em estatística e álgebra
linear se questionam o motivo pelo qual precisam aprender aquilo.
Uma memória infinita capaz de recuperar qualquer
informação aprendida ao longo da vida já existe com o uso de inteligência
artificial e deep learning. Robôs analisam dados pessoais e é possível
tirar um número maior de conclusões conforme um maior número de dados é
passado, fazendo correlação entre conteúdos. Quanto maior a experiência do ser
humano, mais o sistema operacional adapta a cada um. E novamente as ideias são
conciliadas em tempo real.
Na medicina, o melhor sistema de diagnóstico de câncer
hoje é o Watson da IBM. Outra iniciativa em curso na área médica é o
desenvolvimento de um projeto de realidade aumentada com óculos 3D que permite
a visualização da coluna vertebral, por exemplo, e os procedimentos cirúrgicos
que devem ser realizados. Algo único e necessário para o aperfeiçoamento do
ensino da medicina.
Três grandes áreas estão dominando o mundo:
Inteligência artificial e Deep Learning; Cyber Segurança e Produção de
plataformas. E o Brasil continua engatinhando.
Evandro Reis - professor de Empreendedorismo e Inovação
na FIA/USP, com MBA pela Fuqua School of Business da Duke University (EUA).
Formado em Ciências da Computação pela UniSantos, é também especialista em
Marketing pela Wharton School da Universidade da Pensilvânia. É especialista em
tecnologias como computação na nuvem, mídias sociais, inteligência artificial,
precision marketing e desenvolvimento de software.
Nenhum comentário:
Postar um comentário