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terça-feira, 1 de setembro de 2026

No topo dos tepuis: expedição científica inicia coletas na Serra do Aracá


Da esquerda para direita: Renato Sousa Recoder e Taran Grant, do IB-USP,
observam e coletam espécimes de sapos
 (
foto: André Dib/Agência FAPESP)

Com acampamentos montados a 850 e 1.260 metros de altitude, pesquisadores saem em busca de plantas e animais únicos desses ecossistemas remotos, no norte da Amazônia


Na sala de comando do 3º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro em Barcelos, no norte do Amazonas, um grupo de cientistas admirava, no início da tarde de 24 de agosto, um grande painel com a reprodução de uma fotografia aérea em preto e branco do Parque Estadual da Serra do Aracá, com suas cachoeiras gigantes escorrendo por paredões de pedra desnuda e adentrando um vale profundo de floresta densa.

O breve momento de contemplação foi interrompido pelo aviso de um oficial de que deveriam se dirigir a uma área de decolagem no próprio quartel, onde um helicóptero Black Hawk estava a postos para transportá-los justamente para o cenário que viam na imagem capturada em 2019 pelas lentes do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado (1944-2025), para a célebre série Amazônia.

Cerca de uma hora depois da decolagem, a aeronave começou a sobrevoar o imponente platô de um tepui (montanha de topo plano), a 1.260 metros de altitude, onde foi instalado o acampamento principal da expedição. Ao desembarcar, os cientistas puderam ver a imagem real e ter o primeiro contato direto com uma paisagem de campos rupestres, semelhante aos encontrados na Chapada Diamantina, na Bahia, e na Serra do Espinhaço, que se estende por Minas Gerais e Bahia.

O terreno de arenito, caracterizado por afloramentos rochosos e solos alagados, com vegetação baixa e esparsa, não guarda nenhuma semelhança com as paisagens de floresta densa e rios volumosos tipicamente associadas ao bioma amazônico. A viagem de helicóptero até o ponto do acampamento, por exemplo, começou sobrevoando as ilhas fluviais que contornam a região de Barcelos, seguiu por campinaranas (tipo de vegetação da Amazônia que cresce sobre solos de areia branca) cercados pelas águas escuras do rio Negro, depois por um manto verde, denso e contínuo de floresta que se estendia por centenas de quilômetros em todas as direções, até alcançar os paredões rochosos de quartzito da Serra do Aracá, que se erguem abruptamente da paisagem plana da floresta ao redor.

“É uma paisagem amazônica que não tem nada a ver com as florestas e que grande parte das pessoas desconhece”, diz à Agência FAPESP Miguel Trefaut Rodrigues, professor emérito do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e líder da expedição, apontando para o seu entorno, no topo do tepui. A equipe, formada por 16 pesquisadores, pretende passar três semanas em campo, coletando a maior diversidade possível de espécies de fauna e flora da região, além de amostras de água e solo. A expedição é financiada pela FAPESP e realizada com apoio do Exército Brasileiro, responsável pelas operações logísticas e de segurança.



A equipe é composta por cientistas de diversas instituições, incluindo USP, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Jardim Botânico do Missouri (Estados Unidos), Universidade de Toulouse (França), Universidade Autônoma de Madri (Espanha) e Museu de História Natural de Oslo (Noruega) – todos com formação no Brasil e larga experiência em trabalhos de campo na Amazônia. Entre eles estão especialistas em répteis e anfíbios, mamíferos, aves, insetos, plantas e parasitas.


Fim da saga

A chegada ao Aracá marcou o início do fim de uma saga inaugurada há três anos para planejar e executar a expedição, que envolve uma série de desafios logísticos. O plano original previa a instalação de um segundo acampamento na porção mais alta do complexo de montanhas Tulu-Tuloi, do qual a Serra do Aracá faz parte, a 2.070 metros de altitude. O objetivo era gerar dados comparativos com os resultados obtidos anteriormente pelo mesmo grupo de pesquisadores em expedições realizadas no Pico da Neblina, em 2017, e na Serra do Imeri, em 2022.

Em razão da dificuldade de acesso, das condições meteorológicas instáveis e dos riscos de segurança envolvidos na tentativa de pousar um helicóptero de grande porte em uma área de precipícios e com visibilidade variável, porém, a coordenação da expedição e o Exército decidiram realocar o segundo acampamento para um maciço desgarrado da Serra do Aracá, situado a 850 metros de altitude.

“Optamos por substituir esse segundo acampamento para essa montanha, no passado conectada [com o restante da serra], mas que está separada do Aracá”, explica Trefaut. Esse bloco isolou-se fisicamente da serra principal por causa de processos erosivos, afirma Trefaut.

“Uma das perguntas que buscaremos responder por meio dos resultados da expedição é se a biota [comunidades e plantas e animais] de diferentes montanhas são ecologicamente similares e evolutivamente relacionadas”, conta.

Estrutura dos acampamentos

Para garantir a cobertura de coletas de grupos de fauna e flora nas duas áreas, será adotado um sistema de rodízio entre as bases. Durante a primeira semana de expedição, toda a equipe permaneceu reunida no acampamento principal. Após esse período inicial, será implementado um regime de alternância: grupos de pesquisadores serão deslocados para o acampamento secundário, instalado no bloco desgarrado, onde realizarão coletas intensivas por cerca de cinco dias. Ao fim de cada ciclo, a equipe retornará à base principal para dar lugar a um novo grupo de cientistas.


Vista aérea do acampamento principal, onde  a equipe permaneceu
reunida na primeira semana da expedição (
foto: André Dib/Agência FAPESP)


Ambos os acampamentos foram estruturados para prover abrigo, infraestrutura de pesquisa, alimentação e conectividade durante toda a expedição, em meio ao isolamento absoluto. O campo-base foi organizado em sete barracões de lona, enquanto o acampamento secundário terá uma estrutura mais compacta, com três barracas – uma de alojamento para cinco pessoas, conjugada com laboratório; outra para a cozinha, operada por um cozinheiro do Exército; e uma terceira que serve como posto de comando. Ambas as bases contam com internet, rádios e telefones satelitais, além de barracas iglu com isolamento térmico e sacos de dormir que ficarão à disposição dos pesquisadores para vigilâncias de campo e monitoramento de armadilhas.

Além dos pesquisadores, a expedição conta com a participação de 17 militares – em sua maioria da região Norte – para dar suporte aos cientistas nos deslocamentos, abertura de trilhas (picadas), fixação de armadilhas de coleta, no preparo das refeições e no atendimento médico. No batalhão em Barcelos, há uma equipe de busca e salvamento de prontidão para emergências aéreas ou resgates complexos, composta por um sargento-chefe e dois socorristas.


Desafio logístico

A montagem dos acampamentos e o transporte de materiais até o topo da serra exigiram o manejo de toneladas de carga por helicópteros do Exército. “Foram transportadas para os acampamentos cerca de 5 toneladas de materiais, como barracas e camas, sem contar comida e água”, relata o major Jorge Leandro.

Para viabilizar a subida dessa carga para os acampamentos, foi utilizada uma base na comunidade Yanomami de Ajuricaba – a 89 quilômetros da Serra do Aracá – como ponto logístico intermediário, para onde foram transportados insumos por via fluvial, pelo rio Negro, antes do envio aéreo. Toda essa movimentação precisou ser adaptada ao modelo de helicóptero Black Hawk que, conforme explicam os oficiais do Exército, é compacto e possui volume interno restrito, limitando a capacidade de carga interna e exigindo uma matemática rigorosa de peso, combustível e vento.

Além da limitação de peso, a engenharia militar teve de adaptar a implantação das barracas às condições reais e acidentadas do solo. Originalmente, o Exército planejava erguer o acampamento em um platô elevado, plano e seco identificado em voos de reconhecimento feitos no ano passado para localizar áreas mais propícias para pouso e decolagem. Porém, a necessidade de acesso à água levou os militares a deslocarem a base a cerca de 100 metros de um riacho que, por conta da época de menor vazão, tem apenas um filete de água.

Por conta dessa nova localização, as barracas tiveram de ser fixadas diretamente sobre solo de rocha – uma escolha feita pela engenharia militar para evitar o encharcamento e os lamaçais comuns do terreno –, exigindo soluções cuidadosas de amarração por causa dos ventos fortes e do risco de elevação repentina do leito d'água.


Colocação de armadilhas

O primeiro grupo, com dez integrantes, que partiu no primeiro voo da base militar em Barcelos às 10h15, rumo ao Aracá, era composto principalmente por pesquisadores que foram encarregados de empacotar os materiais utilizados na expedição, despachados semanas antes, somando mais de 500 quilos de equipamentos e suprimentos.

Momentos após desembarcar, essa primeira equipe começou rapidamente o processo de reconhecer as embalagens e desembalar as caixas de papelão, plásticas e de isopor, além de malas usadas para acondicionar os materiais e levá-los para a “tenda-laboratório”, para onde serão encaminhadas as amostras coletadas e feitas as análises iniciais.

Logo após a chegada do segundo grupo, composto por mais nove integrantes, às 13h45, eles se organizaram em equipes para iniciar a instalação dos equipamentos de coleta, uma tarefa altamente coordenada que começa como um esforço coletivo para estruturar as frentes de pesquisa de campo. Estava oficialmente aberta a “temporada de coletas”.

Nos primeiros dias de expedição, a maior parte da equipe se mobilizou para enterrar no solo cem baldes plásticos, que funcionarão como armadilhas de interceptação e queda (pitfalls), seguindo trilhas abertas com a ajuda de militares.

Esse método é utilizado para capturar pequenos animais que se deslocam pelo chão, como anfíbios, lagartos, cobras e pequenos mamíferos. O sistema consiste basicamente em enterrar baldes plásticos vazios no solo de forma que suas bordas fiquem totalmente rentes à superfície. Para direcionar os animais até os recipientes, são instalados anteparos ou barreiras direcionais feitas de lona cortada e sustentadas por estacas feitas com madeira.  

 


Essas barreiras de lona conectam os conjuntos de baldes, que podem ser dispostos em diferentes formatos, como em linha reta (“linhão”), em “T” ou em “Y”. A lógica de captura aproveita o comportamento natural das espécies: ao correr ou se deslocar pela mata, o animal encontra o obstáculo físico da lona, tenta contorná-lo e acaba caindo diretamente no balde.

A rotina de monitoramento exige que os pesquisadores revisem as armadilhas diariamente, de preferência na parte da manhã, garantindo que os bichos não fiquem muito tempo presos e expostos ao Sol.

“Apesar da simplicidade do conceito, ele é incrivelmente eficiente, uma vez que nos ajuda a revelar uma fauna que não conhecíamos”, explica Ivan Prates, pesquisador do Museu de História Natural de Oslo, durante a instalação dos primeiros baldes no primeiro dia da expedição.

Esse tipo de amostragem permite registrar grupos de animais que vivem sob o solo ou escondidos no folhiço, e que raramente seriam detectados por buscas ativas convencionais. Além disso, os baldes são distribuídos estrategicamente por múltiplos hábitats porque, segundo Prates, permitem diversificar a amostragem de ambientes.

Próximo aos baldes, a entomologista Gabriela Procópio Camacho, pesquisadora do Museu de Zoologia da USP, instalou armadilhas compostas por copos plásticos descartáveis com uma mistura de água e detergente, enterrados rente ao chão, como os baldes, para a captura de insetos.

“O detergente quebra a tensão superficial da água e permite que os insetos afundem. Caso contrário, se os recipientes contivessem apenas água limpa, os insetos simplesmente pousariam na superfície e voariam embora”, conta Camacho enquanto confere a colocação de um dos copinhos na terra.

Embora o método seja voltado para a captura de insetos em geral – resultando na queda eventual de besouros, grilos, gafanhotos e baratas –, a pesquisadora sublinha que esse tipo de armadilha é especialmente indicado para a coleta de formigas, sua especialidade de estudo.

Para otimizar a amostragem no topo do tepui, as armadilhas são deixadas funcionando por 48 horas, diferentemente do padrão de 24 horas que costuma ser adotado em outras áreas onde Camacho já pesquisou. Como se trata de uma expedição única, a entomologista decidiu estender o prazo de funcionamento por considerar que será uma oportunidade exclusiva. "Como os insetos que eu coleto morrem, deixo acumular e depois volto e recolho tudo de uma vez. Aí tiro eles da água e os preservo em álcool para serem analisados quando retornar para São Paulo”, explica.


Armadilhas passivas

Para capturar pequenos mamíferos terrestres, os pesquisadores utilizam uma estratégia que combina diferentes tipos de armadilhas de amostragem passiva. Uma delas é uma gaiola de captura – uma caixa alongada de metal –, que é distribuída ao longo de trilhas identificadas com fitas coloridas. Em cada ponto de marcação, são colocadas duas armadilhas de tamanhos diferentes – quando uma delas é pequena demais para capturar um animal de maior porte, existe outra ao lado para garantir que seja apanhado.

As gaiolas utilizam uma isca altamente odorífera – uma mistura de amendoim, sardinha e aveia –, com o objetivo de atrair espécies onívoras (que se alimentam tanto de fontes animais como vegetais) e generalistas (que comem uma grande variedade de alimentos). “Colocamos a isca bem no fundo da gaiola porque ela tem uma plataforma que, ao ser pisada pelo animal, libera um pequeno gatilho que fecha a tampa e o prende ali”, relata Alexandre Percequillo, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), enquanto confere se há animais nas gaiolas colocadas no dia anterior.

As gaiolas atuam de modo conjunto com as armadilhas do tipo pitfall, para aumentar o sucesso de amostras coletadas, detalha Ana Paula Carmignotto, professora da UFSCar. "Às vezes, tem espécies que não vão se sentir atraídas pela isca ou vão ter medo de entrar nas armadilhas, mas se elas estiverem forrageando por ali, acabam caindo nos baldes."


A equipe é composta por cientistas de diversas instituições, todos com formação no Brasil, incluindo USP, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Instituto Federal do Amazonas, UFSCar, Universidade de Toulouse (França), Universidade Autônoma de Madri (Espanha), Museu de História Natural de Oslo (Noruega) e Jardim Botânico do Missouri (Estados Unidos), onde trabalha a botânica Jenifer de Carvalho Lopes
(foto: André Dib/Agência FAPESP)


Para o monitoramento de morcegos, pássaros e espécies de difícil visualização, os pesquisadores utilizam redes de neblina e tecnologias de registro passivo. Diferentemente das armadilhas terrestres, as redes para morcegos e pássaros são de captura direta: são instaladas no horário de atividade dos animais e exigem monitoramento contínuo a cada 20 minutos. Paralelamente, são empregados gravadores de bioacústica, que operam passivamente durante a noite, capturando frequências de ultrassom de morcegos e outros animais que emitem som até 384 kHz para posterior comparação com bibliotecas de sonogramas.

Além disso, armadilhas fotográficas (câmeras trap) ativadas por sensores de calor e movimento são fixadas em árvores um pouco acima da altura do joelho, em áreas mais abertas, para evitar falsos disparos causados pela vegetação. Elas funcionam 24 horas por dia para registrar de forma não intrusiva a presença de mamíferos de médio e grande porte, além de pequenos roedores e marsupiais.

No momento em que Carmignotto instalava as câmeras trap, em uma área de vegetação mais fechada do platô, outros pesquisadores participantes chegavam à mesma área na tentativa de também começar a explorá-la.

“Nos primeiros dias de expedições multidisciplinares como essa, é comum encontrar pesquisadores de diferentes especialidades em um mesmo local. Isso acaba atrapalhando um pouco, porque os animais percebem a movimentação, ouvem o som das vozes e do pisoteio, e acabam fugindo desses lugares”, conta a pesquisadora, que também participou da expedição ao Imeri. “Mas, à medida que a expedição vai avançando, os grupos vão se dispersando para diferentes locais de coleta.”

Embora a vegetação do topo seja predominantemente aberta, a grande extensão do platô alimenta a expectativa dos cientistas de registrar uma diversidade de espécies maior em comparação com as expedições anteriores.

Para ler a reportagem anterior sobre a expedição à Serra do Aracá acesse: agencia.fapesp.br/59032.



Elton Alisson, da Serra do Aracá

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/no-topo-dos-tepuis-expedicao-cientifica-inicia-coletas-na-serra-do-araca/59079

 

Abear, MPor, Anac e Aeroportos do Brasil lançam campanha para inibir casos de indisciplina no transporte aéreo

Ação foi motivada pelo aumento de episódios envolvendo passageiros indisciplinados a bordo das aeronaves e nos aeroportos do país

 

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a ABR Aeroportos do Brasil, lança a campanha “Parece exagero. É segurança”, sobre a Resolução nº 800/2026, que trata dos atos de indisciplina no transporte aéreo. Aprovada em março de 2026 pela Anac após amplo diálogo com as companhias aéreas, operadores aeroportuários e a sociedade, a norma estabelece um conjunto de medidas para enfrentar os episódios envolvendo passageiros indisciplinados em voos domésticos e nos aeroportos do país. 

O Brasil registrou 881 casos de indisciplina no transporte aéreo entre janeiro e junho de 2026. Deste total, 154 episódios estão inseridos na categoria 3 da Resolução 800, ou seja, podem comprometer a segurança operacional. Em relação ao mesmo período de 2025, esse tipo de infração teve crescimento de 22%.

Segundo a Abear, atos de indisciplina a bordo ou nas dependências dos aeroportos do país têm crescido ano a ano. No total, 1.764 episódios foram registrados em 2025, quase cinco ocorrências por dia. Esse número representa um aumento de 66% em relação a 2024, quando foram registrados 1.061 casos. 

“Temos observado o aumento de casos de indisciplina no transporte aéreo, o que pode comprometer a segurança da operação e a experiência dos passageiros. São condutas que terminam gerando atrasos ou cancelamentos de voos, provocando ajustes da malha aérea, o que afeta passageiros sem relação com o ocorrido. A Abear entende que é preciso interromper essa tendência de crescimento e, por isso, está lançando, em parceria com diversos atores do setor aéreo, uma campanha para conscientizar os passageiros sobre a importância do respeito às normas de convivência e reforçar o compromisso conjunto com a segurança da aviação, princípio inegociável para as companhias aéreas brasileiras”, afirmou Juliano Noman, presidente da Abear. 

“Essa medida é importante para proteger a segurança do voo, a tripulação e todos os passageiros. Comportamentos indisciplinados, que são minoria, não podem colocar em risco a operação nem prejudicar o ambiente de respeito, tranquilidade e segurança que deve existir a bordo. A nova regulamentação fortalece esse compromisso e estabelece limites claros para comportamentos que afetam a coletividade. Nosso objetivo é mostrar que existem regras a serem cumpridas e, principalmente, que a segurança depende da atitude de cada um”, declarou Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos. 

Divulgada nos veículos de comunicação, plataformas digitais, redes sociais e nos aeroportos do país, a campanha vai reforçar as normas de convivência nos aeroportos e a bordo das aeronaves e as sanções a que estarão sujeitos os passageiros indisciplinados, de acordo com a Resolução nº 800.
 

“O funcionamento dos aeroportos também passa pelo comportamento de cada passageiro. São ambientes de grande circulação, onde um episódio de indisciplina pode afetar não apenas quem está diretamente envolvido, mas trabalhadores, operações e outros passageiros. Por isso, é importante ampliar a conscientização e deixar claro que o respeito às regras é, acima de tudo, uma questão de segurança”, ressaltou Fábio Rogério Carvalho, CEO da ABR Aeroportos do Brasil. 

A norma, que entrará em vigor em 14 de setembro, prevê, para os casos graves e gravíssimos, multa de até R$ 17,5 mil e a proibição de embarcar por até um ano em voos domésticos. Entre as condutas passíveis de sanção estão, por exemplo, o descumprimento das instruções de segurança da tripulação; tentativa de ameaça, intimidação ou agressão contra passageiros, tripulantes ou funcionários que estejam a serviço; fumar a bordo; importunação sexual; falsa ameaça de bomba; e tentativa de acessar a cabine de comando. 

Tiago Faierstein, diretor-presidente da Anac, avaliou que a Resolução 800 é uma mudança de paradigma na relação entre passageiros e companhias aéreas. “Antes de entrar em vigor, um único passageiro indisciplinado poderia atrapalhar a viagem de centenas de outros e não havia consequências”, explicou. Faierstein acrescentou que, com a nova norma, as pessoas vão entender que determinadas ações realizadas dentro de uma aeronave podem não apenas colocar a operação em risco como impactar e atrasar a chegada dos demais passageiros ao destino final. Além disso, se mesmo assim houver infração da norma, as sanções previstas são rigorosas com o objetivo de impedir a recorrência de problemas. 

O diretor-presidente da Anac lembra que há instância recursal e que a Resolução 800 não deve ser compreendida como uma norma punitiva, mas sim uma norma que reforça que todos a bordo de uma aeronave são responsáveis pela segurança operacional durante um voo. 

A nova regulamentação determina que operadores aéreos e de aeroportos adotem medidas progressivas diante de cada situação. Entre essas providências estão: orientação formal ao passageiro sobre as normas de segurança; advertência; contenção quando necessária; acionamento da autoridade policial; retirada do passageiro da aeronave; solicitação de reparação por eventuais danos causados. 

As sanções serão aplicadas considerando sempre um processo que assegure o direito ao contraditório e ampla defesa, com a manifestação do passageiro sob investigação. Nestes casos, o passageiro deverá ser informado sobre a acusação, a sanção prevista para o ato de indisciplina cometido, o valor ou prazo de vigência da sanção, e os canais e prazos para que apresente recurso. Os operadores do setor aéreo deverão manter os registros dos casos por até cinco anos.

O custo invisível da ausência: por que as famílias ainda evitam falar sobre proteção financeira

Preparação deve fazer parte da organização financeira
 familiar, assim como outras decisões de longo prazo
 Divulgação
 

Todo mundo sabe quanto custa manter uma casa. As despesas do mês, a prestação do imóvel, a escola dos filhos, o supermercado, o plano de saúde. Mas poucas pessoas conseguem responder a uma pergunta simples: quanto custaria, para a família, a ausência de quem mantém essa estrutura funcionando? 

Embora a morte e a invalidez façam parte da vida, falar sobre esses temas ainda provoca desconforto. O resultado é que muitas famílias deixam para depois um planejamento que pode fazer diferença justamente no momento em que mais precisam de estabilidade. 

A importância dessa discussão também se reflete nos números do setor. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que, somente nos cinco primeiros meses de 2025, o mercado segurador brasileiro pagou R$ 110,9 bilhões em indenizações, benefícios e resgates, evidenciando o papel da proteção financeira diante de situações inesperadas. 

Para Fábio Pauluk, especialista em Negócios Digitais da Quanta Previdência, o principal desafio não é financeiro, mas comportamental. "As pessoas sabem quanto custa viver, mas raramente sabem quanto custaria a própria ausência para quem depende delas. É uma conversa que costuma ser adiada porque ninguém gosta de imaginar situações como morte ou invalidez, mas justamente por isso ela precisa acontecer antes que seja necessária." 

Segundo o especialista, o impacto da ausência de quem concentra a maior parte da renda da família vai muito além da perda financeira. Em muitos lares, essa pessoa também é responsável por decisões do dia a dia, organização das contas, pagamentos, planejamento e gestão da rotina doméstica. Quando ela deixa de estar presente, a família precisa lidar, ao mesmo tempo, com o aspecto emocional e com uma nova realidade financeira. 

"O problema não é apenas deixar de receber uma renda. Muitas vezes, desaparece também quem organizava a vida financeira da casa, conhecia as contas, tomava decisões e dava segurança para que a rotina continuasse funcionando. É esse impacto silencioso que poucas famílias conseguem dimensionar." 

em comportamento financeiro explicam que esse adiamento é comum. As pessoas tendem a acreditar que acontecimentos graves estão sempre distantes ou que haverá tempo para se preparar no futuro. Esse mecanismo de proteção emocional faz com que decisões importantes acabem sendo postergadas, mesmo quando existem filhos, cônjuges, pais idosos ou outras pessoas que dependem financeiramente daquela renda. 

Para Fábio, mudar essa percepção passa por entender que se preparar para situações de perda também é uma forma de prevenção familiar. O objetivo é criar condições para que, diante da morte ou invalidez de quem concentra parte importante da renda da casa, a família consiga preservar o máximo possível seu padrão de vida e não seja obrigada a tomar decisões financeiras justamente durante o luto. 

O desafio ainda é grande. Segundo dados da Fenaprevi, com base em informações da Susep, apenas 18% dos brasileiros com mais de 18 anos tinham seguro de vida no primeiro trimestre de 2026. No mesmo período, os seguros de pessoas pagaram R$ 4,4 bilhões em indenizações, dos quais 53% foram referentes a seguros de vida.  

“Planejar para essas situações não significa esperar pelo pior. É uma forma de prevenção: reconhecer que imprevistos fazem parte da vida e criar condições para que a família consiga atravessar um momento de perda sem ser surpreendida também por uma ruptura financeira. Algumas conversas são difíceis hoje, mas podem tornar tudo menos difícil mais adiante”, afirma Fábio. 

Para o especialista, essa preparação deve fazer parte da organização financeira familiar, assim como outras decisões de longo prazo. Isso inclui conhecer as despesas da casa, identificar quem depende da renda de cada integrante, organizar documentos e discutir previamente como a família poderia se manter caso uma das principais fontes de renda deixasse de existir. 

Na prática, esse planejamento envolve organizar informações financeiras, facilitar o acesso da família a documentos importantes, discutir sucessão patrimonial e avaliar mecanismos que garantam recursos em situações de morte ou invalidez. A preparação pode ajudar a reduzir a dependência de processos que levam meses ou anos para serem concluídos e evitar que decisões financeiras precisem ser tomadas em meio ao luto. 

Mais do que uma decisão financeira, preparar-se para esses cenários é uma forma de organização familiar. Afinal, o planejamento não elimina a dor de uma perda, mas pode evitar que ela venha acompanhada de uma ruptura financeira justamente no momento de maior vulnerabilidade.


No-code: é o fim do CRM tradicional?


Entre as decisões que mais pesam no crescimento sustentável de uma empresa, a forma como ela gerencia o relacionamento com o cliente ocupa um lugar central. Para dar conta desse desafio, o mercado consolidou as soluções tradicionais de CRM. O problema é que, na maioria dos casos, elas exigem projetos de implementação longos e caros, algo cada vez mais incompatível com o ritmo de decisão que o negócio exige hoje. É nesse vácuo que cresce um modelo que une dois conceitos disruptivos: o no-code e a IA agêntica. 

Para entender onde essa mudança pode chegar, vale olhar para onde tudo começou. As soluções de CRM surgiram ainda na década de 1990, pensadas para organizar dados e históricos de interação que antes viviam espalhados. Deram tão certo que se tornaram uma indústria bilionária: segundo a Mordor Intelligence, a expectativa é que esse mercado movimente quase USD 129 bilhões até 2031, crescendo a uma taxa anual composta de cerca de 8%. 

O CRM tradicional foi, para sua época, um avanço real. Mas a velocidade que o mercado exige hoje é outra, e é justamente aí que a combinação de no-code com IA agêntica encontra espaço. A proposta é simples de entender e difícil de ignorar: o sistema deixa de ser um repositório passivo de informação e passa a participar ativamente das decisões do dia a dia, seja em vendas, suporte, finanças ou qualquer outra área que dependa de dados para agir rápido. 

Na prática, isso muda a relação da empresa com a área de TI. Em vez de depender de projetos e consultorias para qualquer ajuste, as áreas de negócio ganham autonomia para adaptar o sistema conforme a operação pede. É uma mudança real de poder de decisão, e como toda mudança desse tipo, esbarra em barreiras culturais antes de esbarrar em qualquer limitação técnica. 

Essa autonomia costuma esbarrar num medo antigo: o de que a tecnologia substitua as pessoas. Não é isso que acontece. O papel da IA agêntica é assumir tarefas repetitivas e operacionais, aquelas que consomem tempo sem exigir julgamento humano. O espaço que sobra é justamente onde as pessoas fazem diferença: negociação, relacionamento, leitura de contexto, decisão estratégica. 

Existe ainda um problema mais silencioso nos CRMs tradicionais, e talvez o mais caro de todos: a tendência de virarem repositórios estáticos que ninguém mais confia de verdade. Quando o sistema não acompanha o ritmo da operação, a equipe cria suas próprias planilhas paralelas por fora, e a empresa passa a operar com uma sensação de controle que não existe na prática. 

O no-code enfrenta esse problema de frente. Ao entregar aos gestores ferramentas para desenhar e ajustar processos sem depender de terceiros, ele elimina o motivo que levava a essas planilhas paralelas a existir. Com o apoio da IA agêntica, o resultado é uma operação híbrida, em que pessoas e agentes automatizados dividem o trabalho de forma complementar, e não concorrente. 

Dito isso, seria ingênuo tratar o no-code como uma fórmula mágica. Nenhuma plataforma resolve sozinha um processo mal desenhado ou uma cultura resistente a mudar. O fator que separa um projeto bem-sucedido de um investimento desperdiçado continua sendo o mesmo de sempre: a disposição real da organização para transformar como ela trabalha. 

Por isso, o primeiro passo estratégico não é técnico, é de alinhamento. Antes de qualquer implementação, as áreas envolvidas precisam entender o que muda na prática e enxergar o ganho concreto que essa transição traz para o próprio trabalho delas. Contar com quem já passou por essa jornada em outras empresas ajuda a evitar os erros mais comuns e a acelerar o retorno sobre o investimento. 

Toda tecnologia nova provoca um certo desconforto quando chega. Com o no-code, o movimento não é diferente. Mas vale lembrar que inovações como a energia elétrica e a própria internet também representaram, em seu tempo, uma simplificação radical de processos que antes eram complexos e restritos a especialistas. O CRM está passando por um movimento parecido agora. 

No fim, o que está em jogo é um modelo de gestão que entrega mais governança, mais rastreabilidade e mais liberdade para as áreas de negócio decidirem no seu próprio ritmo. Para a liderança em dúvida entre manter o modelo convencional ou migrar para esse novo ecossistema, a pergunta certa não é se a mudança vai acontecer, e sim quanto tempo ela ainda está disposta a esperar pelo retorno. 

Manter o modelo convencional significa continuar tendo mais do mesmo. Migrar para uma solução agêntica significa ganhar uma equipe híbrida e resultados que chegam mais rápido. No fim, a questão não é decretar o fim do CRM tradicional, e sim reconhecer que o caminho já está traçado. 

 


Luis Peixoto - Sales Manager e VP de Tecnologia focada em Creatio da H&CO Brasil.

H&CO
https://www.hco.com/


Itália ultrapassa a França e se torna o destino internacional nº1 dos brasileiros em 2026, aponta Civitatis

 

Reservas de experiências na Itália crescem 40% entre janeiro e agosto de 2026; efeito do Jubileu, mais voos e o avanço de cidades como Florença, Milão e Nápoles explicam a virada
 
As reservas da visita guiada ao Vaticano e à Capela Sistina cresceram 42% em 2026 na Civitatis, na comparação ano a ano
 

A Itália se consolidou como o destino internacional preferido dos brasileiros em 2026. Levantamento da Civitatis, plataforma de reservas de passeios e atividades presente em mais de 160 países, mostra que as reservas de experiências feitas por brasileiros no país cresceram 40% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, movimento que levou a Itália a ultrapassar França, Argentina e Espanha e assumir a liderança isolada, respondendo por quase 15% de todas as reservas internacionais de brasileiros na plataforma. 

O desempenho brasileiro acompanha um ano de recordes para o turismo italiano. Segundo a ENAC, autoridade de aviação civil da Itália, os aeroportos do país movimentaram mais de 229 milhões de passageiros em 2025, alta de 5% sobre 2024, puxada justamente pelo tráfego internacional, que cresceu 8%. Roma Fiumicino se manteve como a principal porta de entrada, com cerca de 50,9 milhões de passageiros - o aeroporto por onde chega a maior parte dos brasileiros que desembarcam no país.
 


Por que a Itália disparou em 2026?

Parte importante da explicação está no legado do Jubileu de 2025, o ano santo católico que atraiu milhões de peregrinos a Roma e manteve a Itália no centro das atenções do turismo mundial, um efeito que segue repercutindo nas reservas de 2026. A esse fator soma-se a ampliação da oferta de voos, como no caso da Latam, que neste ano ampliou para sete voos semanais a rota entre São Paulo e Roma.

O grande motor do crescimento é a capital italiana, que se tornou a cidade mais reservada por brasileiros fora do Brasil, com alta de 42% no período. Entre as experiências mais procuradas na capital estão a visita guiada ao Vaticano e à Capela Sistina, o free tour por Roma e a visita ao Coliseu, Fórum e Palatino, reflexo de um viajante que busca contexto histórico e cultural, e não apenas a foto no ponto turístico.

“O que estamos vendo não é apenas um pico pontual em Roma por causa do Jubileu, mas um amadurecimento do interesse do brasileiro pela Itália como um todo. O viajante que antes limitava o roteiro à capital agora inclui a Toscana, os Lagos do Norte, a Costa Amalfitana e o Sul napolitano. É um turista que quer conhecer o país em mais profundidade”, afirma Alexandre Oliveira, Country Manager da Civitatis Brasil.


Depois de Roma: que destinos os brasileiros visitam na Itália?

O dado que mais chama atenção é o crescimento das cidades secundárias, sinal de um viajante que já conhece o básico e busca aprofundar. Florença cresceu 33%, Milão 31%, Nápoles 29% e Veneza 26%. Cidades menores avançam ainda mais: Sorrento saltou 158% no período. 

Em Milão, os brasileiros têm usado a cidade como base para passeios aos Alpes Suíços, como na excursão a Saint Moritz e passeio no Bernina Express. Em Florença, lideram as reservas o free tour pela cidade e a visita guiada na Galeria da Academia, onde fica a escultura original do David de Michelangelo. Já em Nápoles, o destaque é a excursão à Costa Amalfitana e Pompeia. São roteiros que exigem mais dias de viagem e indicam um turista disposto a permanecer mais tempo no país. 

“A Itália tem uma vantagem rara: cada região oferece uma experiência completamente diferente, do patrimônio histórico de Roma à moda de Milão, da arte de Florença à belíssima Costa Amalfitana. Isso permite que o brasileiro volte ao país várias vezes sem repetir o roteiro, e é exatamente esse comportamento de redescoberta que está impulsionando os números de 2026”, completa Alexandre Oliveira.


Mensalidades escolares devem subir de 7% a 11% em 2027; saiba como negociar

Pesquisa aponta previsão de reajuste em nove em cada dez escolas particulares; educadora explica o que pesa na conta e orienta famílias sobre planejamento e negociação


As famílias com filhos em escolas particulares devem preparar o orçamento para mensalidades mais altas em 2027. Segundo o estudo Mensalidade e Rematrícula 2026-2027, da consultoria Meira Fernandes, nove em cada dez instituições privadas de ensino pesquisadas pretendem reajustar os valores no próximo ano. Entre as que preveem aumento, 80,66% devem aplicar índices entre 7% e 11%.

O levantamento aponta uma combinação de fatores por trás dos reajustes: despesas com salários, contratação e permanência de profissionais, ampliação do atendimento especializado e investimentos em segurança digital. A inadimplência também pressiona as receitas das instituições, que precisam manter pagamentos e serviços mesmo quando há atraso nas mensalidades.

Na prática, uma mensalidade de R$ 2 mil passaria a custar entre R$ 2.140 e R$ 2.220 com os percentuais previstos. Em 12 parcelas, isso representa um gasto adicional de R$ 1.680 a R$ 2.640 por aluno, sem considerar outras despesas escolares.

Para Mariana Ruske, idealizadora e diretora da Senses Montessori School, em São Paulo, o cenário exige planejamento das famílias e transparência das instituições sobre a composição dos valores.

“Quando o número é alto, as escolas também sofrem. Não é do interesse de ninguém aplicar reajustes abusivos. A perda de alunos e a desconfiança das famílias afetam diretamente a sustentabilidade de uma instituição”, afirma.

Segundo a educadora, a definição das mensalidades envolve despesas que precisam ser estimadas antes do início do ano letivo. Salários, encargos, alimentação, manutenção e investimentos pedagógicos entram nessa conta, assim como a previsão de matrículas e a capacidade de atendimento da escola.

“As escolas precisam prever o cenário econômico de mais de um ano à frente. Essa decisão é tomada ainda em setembro, e o valor precisa sustentar todas as contas até dezembro do ano seguinte”, explica.

Mariana ressalta que a inflação geral, isoladamente, não traduz todas as despesas de uma instituição de ensino. O peso da folha de pagamento e a necessidade de manter equipes qualificadas são elementos centrais do orçamento escolar.

“Nosso maior custo é humano. E é justo que professores motivados, preparados e bem remunerados façam parte do investimento que as famílias escolhem para os filhos”, diz.

Para os responsáveis, a orientação é começar a avaliar o orçamento antes da rematrícula. Além da mensalidade, o planejamento deve considerar material, uniforme, alimentação, transporte e atividades extras. Conhecer o custo total ajuda a identificar quanto a família pode comprometer e quais condições precisa discutir com a instituição.

A conversa pode incluir descontos para irmãos, condições de rematrícula antecipada e alternativas de pagamento, conforme a política de cada escola. Antecipar parcelas, porém, só faz sentido se houver vantagem financeira e se a decisão não comprometer a reserva da família.

“O ideal é que as famílias se planejem com antecedência, avaliem as opções e conversem com as escolas”, orienta Mariana.

Na avaliação da diretora, explicar o reajuste e abrir espaço para negociação ajuda a preservar a relação com os responsáveis. Para as famílias, esse diálogo permite tomar decisões com mais informação e menos pressão diante dos prazos de rematrícula.
 

Mariana Ruske - Pedagoga da Senses Montessori School, especializada no método Montessori e fundadora da Senses Montessori School, referência em bilinguismo e educação Montessori no Brasil. Mãe de dois meninos, sua trajetória inclui formações em engenharia e astrofísica antes de encontrar sua vocação na pedagogia, impulsionada pela paixão pelo cérebro humano e seu desenvolvimento. Palestrante e ativista, dedica-se a disseminar informações sobre a proteção infantil contra abuso e violência. Defende que a educação infantil é a base do futuro e vê na Pedagogia Científica de Maria Montessori a ferramenta ideal para um desenvolvimento integral.

 

Estratégia permite abater dívidas de financiamento de imóveis, diz analista

 Analista de mercado imobiliário Daniel Claudino aponta que trabalhadores podem potencializar benefícios das recentes atualizações no teto do FGTS e na modalidade "FGTS Futuro" para reduzir saldo devedor e juros

 

As recentes atualizações nas regras do FGTS, que elevaram o teto para financiamento imobiliário para R$ 2,25 milhões e ampliaram o percentual máximo de financiamento para 80% do valor do imóvel, abrem novas possibilidades para os trabalhadores. Em 2026, com a expectativa de queda gradual da taxa Selic, especialistas recomendam uma estratégia financeira inteligente: utilizar a antecipação do décimo terceiro salário para abater parcelas de financiamentos imobiliários.

 

O analista de mercado imobiliário Daniel Claudino explica que a combinação das novas regras com o planejamento financeiro pessoal pode gerar economia significativa. "Com o novo teto do FGTS, mais famílias podem usar o fundo para amortizar o saldo devedor. Se o trabalhador antecipar parte do décimo terceiro e destinar esse valor para abater parcelas do financiamento, ele reduz o montante principal sobre o qual incidem os juros. Em um cenário de juros ainda altos, mas com tendência de queda, essa é uma estratégia poderosa", afirma Claudino.

 

Com a projeção de que cada queda de 1 ponto percentual na Selic pode recolocar cerca de 160 mil famílias em condições de financiar um imóvel, segundo dados da ABRAINC, a orientação do analista é clara: "Quem já tem financiamento deve usar o décimo terceiro para abater dívida. Quem está planejando comprar, pode usar a antecipação para aumentar a entrada e garantir condições melhores. O momento é de planejamento e ação estratégica."

 

Em 2026, com o mercado imobiliário em fase de retomada e crédito mais acessível, a recomendação de especialistas como Daniel Claudino aponta para o uso consciente dos recursos extras, como o décimo terceiro, aliado às novas regras do FGTS, como caminho para conquistar ou quitar o imóvel próprio com mais vantagens.



Tentativas de fraude de identidade no Varejo crescem 120,7% no 1º semestre, aponta Serasa Experian


  • "Telefonia” registrou alta de 51,4% nas ocorrências e “Serviços”, de 40,2%;
  • Setor financeiro concentrou 61,1% das tentativas de fraude de identidade identificadas no período;

·         “Meios de Pagamento” liderou em volume, com 42,6% de todas as ocorrências.

 

As tentativas de fraude de identidade no Varejo mais que dobraram no primeiro semestre de 2026, com crescimento de 120,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi o maior entre os setores analisados pelo Mapa da Fraude da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil e líder em soluções antifraude. Telefonia aparece na sequência, com aumento de 51,4%, seguida por Serviços, com alta de 40,2%.

 

Apesar do crescimento mais acentuado nesses segmentos, o setor financeiro permaneceu como o principal concentrador das tentativas de fraude de identidade. Juntas, as categorias “Meios de Pagamento”, “Bancos e Cartões” e “Financeiras” responderam por 61,1% das ocorrências identificadas no período.

 

“Meios de Pagamento” liderou individualmente, concentrando 42,6% de todas as tentativas de fraude de identidade. Na sequência aparecem “Telefonia”, com 22,1%, e “Bancos e Cartões”.

 

“A fraude de identidade não está restrita às instituições financeiras. Ela pode ocorrer na contratação de uma linha telefônica, na abertura de uma conta, na solicitação de crédito, no credenciamento de um estabelecimento ou no cadastro para acessar diferentes serviços”, explica o Diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude, Leandro Bartolassi. “Com a migração de mais jornadas para o ambiente digital, cresce também a necessidade de validar identidades por meio de diferentes camadas de proteção”, completa o diretor da datatech.



Metodologia

O levantamento do primeiro semestre de 2026 do Mapa da Fraude considera exclusivamente ocorrências detectadas durante processos de cadastro e validação de identidade, também chamados de onboarding. Não estão incluídas fraudes transacionais identificadas posteriormente em compras, pagamentos, transferências ou outras movimentações. A participação dos setores foi calculada sobre o volume geral de 2.860.957 tentativas registradas no primeiro semestre de 2026. A categoria “Outros” reúne atividades ainda em processo de consolidação na base e, por essa razão, sua variação anual não foi utilizada como indicador de tendência.

 

Experian
experianplc.com


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