Pesquisar no Blog

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Inteligência artificial agêntica ajuda executivos a desvendarem a revolução silenciosa dos dados


Estamos em um momento histórico na governança corporativa. A convergência entre EPM (Enterprise Performance Management) e Inteligência Artificial Agêntica marca um divisor de águas na forma como entendemos liderança. Após décadas de uso dos dados apenas como bússola, vivemos hoje a possibilidade de reinventar o próprio conceito de liderança orientada por informação.

         

A gestão de desempenho corporativo sempre funcionou como ponte essencial entre estratégia e execução, em diferentes etapas de planejamento, no orçamento, previsões e análises de performance. Por muito tempo, o EPM funcionou como um retrovisor que registrava o passado e sustentava a conformidade com processos rígidos e manuais. Agora, trabalha em um ciclo contínuo, com a estratégia orientando ações e as ações alimentando ajustes em tempo real.

         

Importante destacar, entretanto, que, nesse novo contexto, o executivo do futuro não será apenas um analista de planilhas. Caberá a quem ocupar esse posto atuar como um maestro estratégico, capaz de reger agentes digitais que operam 24 horas por dia, identificando oportunidades invisíveis à concorrência. Essa nova liderança abandona o modelo puramente data-driven e avança para o data-inspired, onde nasce o verdadeiro diferencial competitivo. Se antes a pergunta era “atingimos as metas?”, atualmente a questão que define vencedores passa a ser: “quais sinais fracos indicam mudanças de paradigma que meus concorrentes ainda não enxergam?”.

 

Análises de mercado mostram que os grandes talentos das principais empresas ainda gastam até 45% do seu tempo em tarefas repetitivas e de baixo valor, como limpeza de dados, reconciliações manuais e relatórios estáticos. Enquanto alguns ainda agendam reuniões para discutir problemas, o novo líder já implementou soluções. Com os agentes autônomos encarregados de atividades operacionais, o talento humano pode se dedicar ao que realmente cria vantagens competitivas, como decisões estratégicas, inovação disruptiva e liderança mobilizadora.

 

Os ganhos dessa transformação são profundos. Com a inteligência artificial, insights surgem em horas e não mais em meses. As decisões são executadas em dias e superam concorrentes que ainda aguardam relatórios mensais. Assim, as organizações inovadoras deixam de reagir ao mercado e passam a antecipar movimentos.

 

A inovação também muda de patamar. Agentes digitais descobrem correlações antes inalcançáveis pela análise tradicional, desde tendências sociais conectadas a vendas reais, passando por padrões climáticos associados à cadeia de suprimentos, até o sentimento do consumidor alinhado a preços globais. As empresas inteligentes deixam de seguir tendências e passam a criá-las. Assim, o risco corporativo ganha nova abordagem, e o monitoramento regulatório em tempo real evita multas bilionárias. As análises de cenários globais antecipam crises e os líderes estão preparados para neutralizá-las na origem.

 

O maior valor, contudo, está na realocação da genialidade humana. As máquinas passam a realizar a maior parte da carga analítica pesada. O executivo foca no que define vencedores, ou seja, em interpretação estratégica, visão de futuro, ética empresarial e coragem para decidir sob incertezas. A IA agêntica funciona simultaneamente como ferramenta e colega de trabalho. Como ferramenta, escala eficiência e como colaboradora, ela aprende, adapta-se, acumula experiência e amplia criatividade. Quem compreende essa integração vence, e quem encara a tecnologia apenas como forma de cortar custos tende a se tornar irrelevante.

 

Segundo a consultoria Mckinsey, 59% das organizações globais já possuem um roadmap robusto de implementação da GenAI, pautado pela criação de valor e viabilidade. As empresas que ainda não iniciaram esse movimento caminham para perder espaço de mercado.  Não se trata mais de decidir se vale investir em EPM agêntico. A verdadeira questão que definirá o futuro é: “posso aceitar ficar para trás enquanto concorrentes operam com velocidade, clareza e criatividade inéditas?”


A liderança do futuro não administra apenas a realidade existente, mas cria oportunidades e novas realidades. As ferramentas já estão disponíveis e o potencial está aberto. Resta a cada executivo decidir se está pronto para essa transformação.

 

Rogério Escudero - especialista em gestão e consultoria em análise de negócios, gestão de contas e sucesso do cliente, arquitetura empresarial e da informação, estratégia e desempenho corporativo, inteligência de negócios, analytics, tecnologia e inovação de processos, PMO e gerenciamento de projetos. Atualmente é head de SAP na Leega Consultoria.


Fagulha da revolução: 2025, o ano em que a IA saiu do papel


O ano de 2025 será lembrado como o momento em que a Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma realidade tangível e operacional. Se nos anos anteriores vivemos o hype e a especulação, este foi o ano da execução, onde a tecnologia finalmente “saiu do papel". 

 

O mercado de trabalho começou a sentir o impacto não de uma ferramenta experimental, mas de uma infraestrutura que passou a permear processos, decisões e estratégias corporativas, marcando o início de uma transição irreversível de promessa para prática.

 

Essa mudança foi impulsionada por um salto qualitativo impressionante nas tecnologias de IA generativa. Superamos a fase da curiosidade misturada com frustração, onde as ferramentas entregavam resultados "pela metade" ou pouco confiáveis. 

 

Em 2025, a tecnologia atingiu um nível de maturidade onde a entrega não é apenas satisfatória, mas frequentemente superior ao padrão básico esperado. A IA deixou de ser um brinquedo de experimentação para se tornar um motor de eficiência, capaz de executar tarefas complexas que eliminam retrabalho e redefine os padrões de qualidade.

 

Neste cenário, a ascensão dos agentes autônomos representa a mudança mais drástica para a realidade profissional. Diferente dos chatbots passivos que aguardam pedidos e comandos, esses agentes começaram a atuar proativamente, tomando decisões e executando sequências de tarefas. Essa autonomia é o que está verdadeiramente remodelando certas estruturas das empresas, permitindo que a automação saia de tarefas repetitivas e entre em fluxos de trabalho cognitivos.

 

Apesar dessa sofisticação técnica, a forma como interagimos com a IA ainda vive um paradoxo. A tecnologia tornou-se extremamente acessível e fácil de conectar ao dia a dia, mas a maioria das pessoas ainda a utiliza com uma mentalidade antiga, tratando a IA mais como um "Google turbinado" do que como uma entidade conversacional. 

 

Ainda estamos aprendendo a pedir, a dialogar e a extrair o verdadeiro potencial de uma máquina que, em grande parte, entende contexto e nuance. Porém, seu uso é muito limitado a perguntas e respostas simples, a construir textos básicos ou organizar dados, no dia a dia das empresas. 

 

É aqui que o conceito de "co-piloto para todos" precisa ser examinado com olhar crítico. A verdadeira questão que 2025 trouxe não é se temos um co-piloto mas, sim, quais fricções reais ele está eliminando nos processos de trabalho.

 

Como escrevi em outro artigo, um relatório da iniciativa Networked AI Agents in Decentralized Architecture (NANDA), do MIT, mostrou que a maioria das empresas investindo pesado em IA ainda não teve aumento de faturamento. 

 

Apenas 5% dos programas piloto de IA conseguiram alguma aceleração das receitas de forma notável. Foram empresas que escolheram um ponto problemático, trouxeram parceiros com novas ferramentas e agentes de IA e resolveram essa fricção de seus processos. 

 

Enquanto isso, a maioria das iniciativas ficou estagnada, o que gerou pouco ou nenhum impacto mensurável. Implementar alguma solução de IA generativa não foi suficiente, principalmente, por falhas na integração corporativa, incluindo o treinamento dos colaboradores.

 

Ou seja, o valor dessa revolução não está em usar a IA para tarefas triviais, como pedir uma mensagem de final de ano para enviar aos parceiros e clientes, mas em aplicá-la para remover gargalos burocráticos, trabalhosos e cognitivos que travam a produtividade. 

 

O profissional do futuro identifica onde a IA pode assumir o peso, liberando espaço para a criatividade e a estratégia humana.

 

Afirmo que a revolução começou. Porém, diferentemente das rupturas caóticas do passado, ela está sendo feita de forma progressiva e consistente, como uma fundação sólida sobre a qual o futuro do trabalho está sendo construído. 2025 provou que a IA veio para ficar. Não para substituir o humano, mas para elevar a régua do que somos capazes de realizar.

 

Henrique Calandra - fundador do WallJobs, empresa de tecnologia brasileira que oferece soluções automatizadas para contratos de estágio, autor do livro “Inteligência Artificial Generativa para Iniciantes", colunista da ABStartups e palestrante de grandes ecossistemas como InovaBRA e Distrito.


Morar nos EUA exige mais do que um sonho

Para quem tem vontade de morar nos Estados Unidos, mudança exige planejamento e cuidados com detalhes burocráticos

 

O desejo de morar nos Estados Unidos continua presente na vida de muitos brasileiros que buscam novas oportunidades acadêmicas, profissionais e pessoais. Essa vontade costuma surgir a partir de referências de amigos, familiares, filmes ou das redes sociais, mas transformar o sonho em realidade exige preparo, clareza e disciplina. De acordo com estimativas do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), cerca de 1,9 milhão de brasileiros vivem nos Estados Unidos, formando a maior comunidade brasileira no exterior — mais de 40% de todos os brasileiros que residem fora do país. 

“Todo mundo paga um ‘pedágio’ para morar fora do Brasil. Ele pode ser financeiro, emocional ou comportamental e, na maioria das vezes, envolve os três”, afirma Carlos Eduardo Guimarães, brasileiro que vive há sete anos nos EUA. Ele é reitor da AGTU, instituição criada para democratizar o acesso ao ensino internacional e que oferece programas de mestrado em português, espanhol e inglês. Guimarães destaca que o erro mais comum entre quem decide dar esse passo é não conhecer a própria realidade financeira. “Entender seu orçamento, balanço pessoal e comportamento em relação ao dinheiro é fundamental. Contudo, o grande desafio não está no dinheiro em si, e sim nas escolhas e no hábito de planejar”, ressalta. 

É justamente nesse ponto que muitos se surpreendem: R$ 10 mil no Brasil podem representar um padrão de vida confortável em diversas cidades, mas, nos Estados Unidos, esse valor convertido muitas vezes não cobre sequer o aluguel e as despesas básicas em boa parte dos estados. “Ou seja, não é apenas sobre ter recursos, e sim sobre compreender o custo estrutural e estar financeiramente preparado antes da mudança”, pondera Guimarães. Segundo ele, muitos brasileiros subestimam aspectos essenciais do processo e acabam enfrentando dificuldades que poderiam ser evitadas. “Disciplina e pesquisa profunda antes de mudar de país são indispensáveis, e grande parte das pessoas não se dá conta disso. Muitos ignoram o real custo de vida, os impostos estaduais, o preço da saúde e até fatores regionais que afetam o orçamento, como clima, deslocamento e a dinâmica de cada cidade”, explica. 

Para além das finanças, a preparação exige também uma linha do tempo realista, que respeite todas as etapas do processo. Não é possível resolver tudo em poucos meses: cada categoria de visto possui exigências e prazos específicos, o que impacta diretamente o planejamento financeiro, emocional e logístico. Quanto mais estruturado for esse processo, menor o risco de frustrações ao chegar aos Estados Unidos. “É essencial saber se a pessoa realmente controla suas finanças ou se é controlada por elas. Isso significa mapear receitas, considerar a possibilidade de múltiplas fontes e detalhar todas as despesas — moradia, transporte, alimentação, lazer, educação. Só assim é possível calcular o índice de poupança e compreender o patrimônio líquido, evitando que o ‘sonho americano’ se transforme em frustração”, reforça o reitor. 

“Estamos estruturando na AGTU um curso específico para brasileiros que desejam morar nos Estados Unidos, justamente para orientar esse planejamento financeiro e comportamental que faz tanta diferença na adaptação”, acrescenta. Mesmo quem acredita ter pesquisado tudo costuma se surpreender com os primeiros custos. Entre os pontos mais sensíveis está o sistema de crédito americano, que funciona de forma muito diferente do brasileiro. Sem o Social Security Number (SSN), equivalente ao CPF, o recém-chegado não consegue construir histórico de crédito e, por isso, praticamente tudo precisa ser pago à vista: aluguel, móveis, carro, eletrônicos e até serviços básicos. 

A mudança também exige preparo emocional e comportamental. Guimarães conta que viveu isso ao se mudar com os filhos pequenos para os Estados Unidos. Enquanto as crianças se adaptaram rapidamente ao ambiente escolar, os adultos enfrentaram desafios maiores. “Uma experiência internacional verdadeira só acontece quando há disposição para mergulhar na cultura local, evitando o isolamento em grupos exclusivamente brasileiros. É preciso se abrir para a nova rotina, mesmo quando tudo parece estranho”, afirma. 

Ao final, o reitor reforça que toda jornada internacional começa com um sonho, mas é o preparo que determina se ele se sustenta nos primeiros anos fora do país. Para quem está iniciando a organização da mudança, ele recomenda ter controle absoluto do orçamento, reunir um capital inicial consistente para o primeiro ano — idealmente 30% maior do que o previsto, lembrando do “pedágio” inevitável — e adotar uma mentalidade de longo prazo, entendendo que a adaptação cultural, emocional e financeira é um processo gradual. Para Guimarães, essa combinação é o que transforma o desejo de morar nos Estados Unidos em uma experiência realmente bem-sucedida. 

Confira abaixo algumas dicas do especialista:

 

1.   Planeje como se fosse de verdade. 

Sim, parece óbvio, mas muita gente começa o processo achando que mudar para os EUA é só “organizar documentos e arrumar as malas”. Não é. Exige cronograma, etapas bem definidas, pesquisa profunda sobre vistos e uma boa dose de realismo financeiro.

 

2.   Conheça o custo de vida antes do susto. 

Aluguel, saúde, impostos estaduais, transporte, clima e alimentação variam muito de estado para estado. É básico pesquisar, mas você se surpreenderia com a quantidade de pessoas que só descobrem isso morando lá. Planeje 30% a mais do que acredita que vai gastar.

 

3.   Faça as contas que você já sabe que precisa fazer. 

Montar reserva financeira (de três a seis meses do custo de vida projetado), entender a cotação do dólar, projetar os primeiros seis meses e calcular custos extras não é um conselho novo. Mas é justamente a “dica óbvia” que, se ignorada, vira o maior motivo de frustração ou retorno precoce ao Brasil.


Inclusão performática


Vamos imaginar uma cena corriqueira? A copa toda moderna de uma empresa de ponta. O perfume do café preenche o ar, enquanto conversas sobre projetos e metas se misturam à música ambiente. Nas paredes, pôsteres coloridos celebram a "diversidade". Nos perfis de redes sociais da companhia, selos de "great place to work" e fotos de equipes sorridentes e aparentemente plurais. Tudo parece em harmonia com o discurso da inclusão. 

No entanto, a realidade é outra por trás dessa fachada. É o processo seletivo que, sob o pretexto de uma meritocracia torpe, perpetua barreiras invisíveis. São as rampas que levam a lugar nenhum... São softwares inacessíveis... 

Essa é a inclusão performática: aquela que se contenta com a aparência, mas não mexe na estrutura! 

No Brasil, a Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência representou um avanço civilizatório inegável. Contudo, mais de três décadas após sua promulgação, seu cumprimento ainda é visto por muitos como mais um custo burocrático. É só um item a ser “ticado” em uma planilha de RH. Ela persiste não sendo entendida como o que realmente é: um piso mínimo de dignidade e um portal para a inovação. 

A pergunta que precisamos fazer não é se as cotas estão sendo preenchidas, mas como. Um trabalhador contratado para ser inutilizado ou subutilizado, para evitar multas, é a evidência de uma sociedade que aprendeu a simular a justiça, mas ainda resiste a praticá-la. 

O debate precisa ir muito além dos percentuais. A verdadeira barreira não está na deficiência, mas no capacitismo estrutural que molda nossos ambientes de trabalho, nossas escolas e nossas cidades. Sabe a cultura organizacional que valoriza um único perfil de produtividade, ignorando a riqueza que a diversidade de corpos e mentes pode oferecer? 

De qualquer ponto de vista, mas principalmente a partir da economia política, a exclusão é simplesmente uma péssima estratégia. Ambientes verdadeiramente diversos são comprovadamente mais criativos, resilientes e capazes de solucionar problemas complexos. Ignorar talentos por conta de preconceitos não é apenas uma falha ética; é um erro gerencial que gera prejuízos. 

Porém, a questão é muito mais profunda que a lógica utilitária. No cerne de tudo, está a dignidade. Está a capacidade de enxergar a potência onde o preconceito só vê a falta. É reconhecer que a experiência de uma pessoa com deficiência não é uma tragédia a ser superada, mas uma perspectiva única e valiosa sobre o mundo. Está em compreender que acessibilidade não é um favor, mas um direito que viabiliza todos os outros. 

A inclusão real, portanto, não é um checklist. É um processo contínuo e desconfortável de escuta, de adaptação e de transformação cultural. Começa quando a liderança entende que seu papel não é "ajudar os coitados", mas remover as barreiras que a própria organização criou. Acontece quando a equipe aprende a colaborar de formas novas e flexíveis. E se consolida quando uma pessoa com deficiência não é apenas contratada, mas ouvida, promovida e vista em sua inteireza humana e profissional. 

Precisamos ter coragem para ir além da planilha. Precisamos trocar o silêncio da mesmice pelo som vibrante de ideias diversas, de experiências múltiplas e de talentos plenamente realizados. É preciso “take the risk”!

A verdadeira inclusão não se mede em percentuais, mas na qualidade do encontro humano que ela provoca. E é nesse encontro, e em nenhum outro lugar, que a beleza de um futuro mais justo começa, de fato, a ser enxergada.

 

André Naves - Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP; Cientista Político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Comendador Cultural, Escritor e Professor (Instagram: @andrenaves.def).


Como usar o 13º salário para organizar a vida financeira, investir com consciência e começar 2026 no azul

Adriana Melo, especialista em finanças e tributação, aponta caminhos práticos para aproveitar o benefício sem cair em ciladas de fim de ano

 

Com a chegada da primeira parcela do 13º salário, milhões de brasileiros enfrentam o mesmo dilema: usar o dinheiro para pagar dívidas, investir ou aproveitar as festas de fim de ano? Em um período marcado por gatilhos de consumo, sensação de “vida nova” e uma avalanche de ofertas, decisões impulsivas podem comprometer não apenas dezembro, mas todo o início do próximo ano.

 

Segundo a especialista em finanças e tributação Adriana Melo, a prioridade é clara: quem tem dívida, tem prioridade. “O melhor uso do 13º é quitar ou negociar as dívidas mais caras, aquelas com juros elevados e que corroem o orçamento mês após mês. Muitas vezes também vale olhar para dívidas que trazem desconforto emocional, como dever para familiares, porque quitar isso traz alívio financeiro e psicológico”, explica.

 

Ainda assim, Adriana reforça que o equilíbrio é essencial. Presentes, encontros e ceia fazem parte da vida, mas transformar dezembro em um delírio financeiro pode gerar consequências sérias. “Comprar emoção parcelada e receber ansiedade à vista é uma das maiores armadilhas desta época. Entrar em novos parcelamentos, especialmente já endividado, só aumenta a bola de neve e compromete o início do ano, marcado por despesas como IPTU, IPVA, material escolar e reajustes”, alerta.

 

Por isso, antes de pensar em investir, o foco deve ser na organização e na construção de uma reserva mínima. “Sem essa proteção, qualquer imprevisto vira mais dívida cara. O 13º deve ser usado para recuperar fôlego, não para acelerar ainda mais o descontrole financeiro”, destaca.

 

Para quem já está com tudo em ordem, o cenário é mais favorável. Com juros elevados no país, a renda fixa surge como porta de entrada ideal para iniciantes, oferecendo previsibilidade, segurança e bom rendimento. Segundo Adriana, investir com coerência exige entender três pilares — objetivo, prazo e tolerância ao risco — e evitar impulsos típicos de fim de ano. “Investimento exige constância e estratégia, não pressa. Começar com produtos simples e diversificar conforme o conhecimento aumenta é mais valioso do que investir rápido”, afirma.

 

Independentemente da situação financeira, o 13º só rende de verdade quando é usado com planejamento. A Black Friday é um dos principais perigos e onde muitos já comprometem o benefício antes de recebê-lo. “Se a compra não cabe no planejamento, nem com desconto, ela deixa de ser oportunidade e vira cilada”, diz Adriana. Divisões práticas, como destinar parte do valor para celebrações, parte para os gastos de janeiro e parte para reserva ou investimentos, ajudam a manter o equilíbrio.

 

Pensando nisso, Adriana reuniu três caminhos práticos para aproveitar o 13º salário com consciência financeira:

 

1. Priorize dívidas, especialmente as mais caras


“A regra número um é clara: quem tem dívida, tem prioridade. O melhor uso do 13º é quitar ou negociar as dívidas mais caras, aquelas com juros elevados e que corroem o orçamento mês após mês. Muitas vezes também vale olhar para dívidas emocionais, como dever para familiares, porque quitar isso traz alívio financeiro e psicológico. Entrar em novos parcelamentos só aumenta a bola de neve e compromete o início do ano. Para quem tem dívidas, este não é o momento de investir, mas sim de organizar e montar uma pequena reserva", comenta.

 

2. Se for investir, foque em coerência e não em impulso


“Se a pessoa está com a vida financeira organizada, sem dívidas e com uma reserva mínima, faz sentido pensar em investimentos. Com juros elevados, a renda fixa é o ponto de partida ideal, com boas opções no Tesouro Direto e aplicações atreladas ao CDI. A escolha deve considerar objetivo, prazo e tolerância ao risco. Investimento não é sobre pressa, e sim sobre constância, estratégia e coerência com a realidade financeira de cada pessoa", completa a especialista.

 

3. Planeje o uso do 13º para que ele realmente renda


“O 13º rende quando é usado com planejamento, e isso começa até antes de dezembro, na Black Friday. Se a compra não cabe no planejamento, o desconto não transforma a decisão em oportunidade. Uma divisão prática ajuda muito: 33% para celebrar sem exageros; 33% para despesas de janeiro (IPVA, IPTU, material escolar); e 34% para reserva de emergência ou investimentos, caso não haja dívidas. O benefício também pode ser uma ótima oportunidade para negociar dívidas com desconto ou aproveitar o cenário de juros altos para investir em renda fixa. No fim das contas, a verdadeira liberdade financeira vem de começar janeiro sem pagar pela vida que você fingiu ter em dezembro", conclui Adriana Melo.

 



Adriana Melo - mentora financeira, especialista em finanças e tributação, com mais de 20 anos de experiência em finanças corporativas, planejamento, controladoria e uma especialização estratégica em tributação - diferencial raro entre executivos da área. Com passagens por empresas como Gartner, Ferrero, Votorantim e CNH Capital, ela atua com foco em geração de valor, eficiência fiscal e tomada de decisão estratégica, sendo reconhecida pela capacidade de traduzir complexidades financeiras em soluções práticas e sustentáveis para o crescimento das organizações.
Casa Tout: https://www.instagram.com/casa.tout/

 

Férias na rede estadual começam nesta sexta (12) e escolas abrem as portas para almoço em janeiro

Período de descanso para mais de 3 milhões de estudantes do Ensino Fundamental e Médio segue até dia 2 de fevereiro

 

O ano letivo termina nesta sexta-feira (12) para os mais de 3 milhões de estudantes matriculados nas escolas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP). A partir do dia 15 de dezembro, responsáveis e alunos do Ensino Fundamental e Médio podem consultar as notas do quarto bimestre no aplicativo e site Sala do Futuro. Para 2026, a volta às aulas está marcada para 2 de fevereiro.

 

Mesmo sem aulas, pelo terceiro ano seguido, as unidades estaduais permanecerão com as portas abertas no próximo mês e vão oferecer almoço para alunos da rede de segunda à sexta-feira, das 11h às 13h30, entre os dias 5 e 30 de janeiro. Para evitar desperdício, a Seduc-SP orienta que as famílias interessadas registrem o pedido na própria escola ou na SED (Secretaria Escolar Digital) até 12 de dezembro. 

 

Ao longo do mês de férias, os nutricionistas da Educação mantêm as orientações às equipes das escolas de um cardápio com opções balanceadas. Participam da iniciativa unidades em municípios com distribuição “centralizada”. Ou seja, com contratos de cozinheiras e compras de insumos diretamente sob responsabilidade do governo estadual.

 

“O cardápio das férias de janeiro segue o cuidado com os grupos nutricionais oferecidos às crianças, adolescentes e adultos que estudam na rede. No recesso do meio do ano, em julho, foram servidas nove mil refeições em todas as regiões do estado”, afirma o secretário da Educação, Renato Feder. 

 

Resultado das matrículas 


O mês de janeiro também é o período para fazer a matrícula — para quem hoje estuda em escolas particulares, em outros estados ou quer retornar às salas de aula — e conferir o resultado da pré-matrícula e do pedido de transferência de unidade realizado em setembro. O cadastro e a consulta podem ser feitos na SED (em “consulta pública de matrícula”), nos postos do Poupatempo ou nas escolas. Alunos que estão na rede paulista em 2025 têm a vaga garantida e renovada automaticamente para o próximo ano. 


Ataque global dispara mais de 40 mil e-mails de phishing que imitam Microsoft SharePoint e serviços de assinatura eletrônica

Imagem ilustrativa – Divulgação
Check Point Software
Pesquisadores da Check Point Software identificam uma campanha de phishing em que cibercriminosos se passam por serviços de compartilhamento de arquivos e assinatura eletrônica para distribuir iscas com tema financeiro que simulam notificações legítimas

 

O mundo hiperconectado facilitou como nunca a troca de documentos, a aprovação de transações e a conclusão de fluxos financeiros críticos com um clique. Plataformas de compartilhamento digital e de assinatura eletrônica, amplamente usadas em bancos, no mercado imobiliário, no setor de seguros e nas operações corporativas, tornaram-se essenciais para a agilidade das organizações modernas. Contudo, essa mesma conveniência abre espaço para a ação de cibercriminosos. 

Os pesquisadores de segurança de e-mail da Check Point Software acabam de descobrir uma campanha de phishing em que atacantes se passam por serviços de compartilhamento de arquivos e assinatura eletrônica para distribuir iscas com tema financeiro parecendo notificações legítimas. Neste incidente, os cibercriminosos enviaram mais de 40.000 e-mails de phishing direcionados a aproximadamente 6.100 empresas ao redor do mundo nas últimas duas semanas. Todos os links maliciosos foram direcionados por meio do endereço [https[:]//url[.]za[.]m[.]mimecastprotect[.]com], aumentando a confiança ao imitar fluxos de redirecionamento já conhecidos.

 

Funcionamento da campanha 

Os cibercriminosos exploraram o recurso de reescrita de links seguros da Mimecast, usando-o como uma cortina de fumaça para que seus links parecessem legítimos e autenticados. Como o Mimecast Protect é um domínio confiável, essa técnica permite que URLs maliciosas evitem os filtros automatizados e reduzam a desconfiança dos usuários. 

Para ampliar a credibilidade, os e-mails copiaram visuais oficiais dos serviços (logos da Microsoft e de produtos Office), usaram cabeçalhos e rodapés no estilo do serviço e botões “revisar Documento”, além de falsificarem nomes de exibição como “X via SharePoint (Online)”, “eSignDoc via Y” e “SharePoint”, combinando de perto com padrões autênticos de notificação.

 

Variação relacionada: phishing estilo DocuSign usando um método de redirecionamento diferente 

Paralelamente à grande campanha envolvendo o MS SharePoint e serviços de assinatura, os pesquisadores também identificaram uma operação menor, porém relacionada, que imita notificações do DocuSign. Assim como o ataque principal, tal operação imita uma plataforma SaaS confiável e utiliza infraestrutura legítima de redirecionamento, mas a técnica usada para mascarar o destino malicioso é significativamente diferente. 

Na campanha principal, o redirecionamento secundário funciona como um redirecionamento aberto, deixando a URL final de phishing visível na sequência de consulta, mesmo estando envelopada por serviços considerados confiáveis. Na variante com tema da DocuSign, o link passa por uma URL do Bitdefender GravityZone e depois pelo serviço de rastreamento de cliques da Intercom, com a verdadeira página de destino totalmente encoberta atrás de um redirecionamento com identificação exclusiva. Essa abordagem oculta completamente a URL final, tornando a variante que imita o DocuSign ainda mais camuflada e difícil de ser detectada.

 

Imagem 1: Exemplo de um e-mail de phishing interceptado pelos pesquisadores da Check Point Software

Imagem 2: Exemplo de e-mail de phishing da variante com temática DocuSign usada na campanha


Escala e padrões da campanha 

A campanha mirou majoritariamente organizações nos Estados Unidos, Europa, Canadá, Ásia-Pacífico e Oriente Médio (a América Latina ficou fora do recorte por apresentar volume considerado irrelevante pelos pesquisadores). O foco principal recaiu sobre consultoria, tecnologia e construção/imobiliário, mas houve impacto adicional em saúde, finanças, manufatura, mídia e marketing, transporte e logística, energia, educação, varejo, hospedagem e viagens, além do setor público. 

Esses setores são alvos atraentes porque rotineiramente trocam contratos, faturas e outros documentos transacionais, tornando iscas que imitam compartilhamento de arquivos e assinatura eletrônica altamente convincentes e mais propensas a ter sucesso. 

Dados da telemetria da solução Check Point Harmony Email mostraram que mais de 40.000 e-mails de phishing foram direcionados a aproximadamente 6.100 empresas nas últimas duas semanas e a distribuição por região é a seguinte:

 

Estados Unidos: 34.057

Europa: 4.525

Canadá: 767

Ásia: 346

Austrália: 267

Oriente Médio: 256 

Observação: A distribuição regional reflete onde os dados dessas empresas estão hospedados na infraestrutura da Check Point Software, e não necessariamente sua localização física. 

Os pesquisadores já haviam documentado campanhas semelhantes de phishing em anos anteriores, mas o diferencial deste ataque é mostrar como os cibercriminosos conseguem reproduzir com facilidade serviços confiáveis de compartilhamento de arquivos para enganar usuários, reforçando a necessidade de vigilância constante, sobretudo quando e-mails trazem links clicáveis, remetentes duvidosos ou conteúdo fora do padrão no corpo da mensagem.

 

Orientações de proteção para empresas e usuários finais

As organizações e os indivíduos também devem tomar medidas proativas para reduzir riscos. Algumas formas de se proteger incluem:

  1. Trate sempre com cautela links incorporados em e-mails, sobretudo quando forem inesperados ou transmitirem senso de urgência.
  2. Prestar muita atenção aos detalhes do e-mail, como discrepâncias entre o nome exibido e o endereço real do remetente, inconsistências na formatação, tamanhos de fonte incomuns, logos ou imagens de baixa qualidade e qualquer coisa que pareça fora do comum.
  3. Passar o mouse sobre os links antes de clicar para inspecionar o destino real e garantir que ele corresponda ao serviço que supostamente enviou a mensagem.
  4. Abra o serviço diretamente no navegador e procure o documento por conta própria, em vez de clicar em links enviados por e-mail.
  5. Educar funcionários/colaboradores e equipes regularmente sobre novas técnicas de phishing para que entendam como padrões suspeitos se apresentam.
  6. Usar soluções de segurança como detecção de ameaças por e-mail, mecanismos antiphishing, filtragem de URLs e ferramentas de reporte pelo usuário para fortalecer a proteção geral.

  


Follow Check Point
LinkedIn, X (formerly Twitter), Facebook, YouTube and blog.


Check Point Software Technologies Ltd


Aviso legal relativo a declarações prospectivas
Este comunicado de imprensa contém declarações prospectivas. Declarações prospectivas geralmente se referem a eventos futuros ou ao nosso desempenho financeiro ou operacional futuro. As declarações prospectivas neste comunicado incluem, mas não se limitam a, declarações relacionadas às nossas expectativas quanto ao crescimento futuro, à ampliação da liderança da Check Point no setor, à valorização para os acionistas e à entrega de uma plataforma de cibersegurança líder do setor para clientes em todo o mundo. Nossas expectativas e crenças em relação a esses assuntos podem não se concretizar, e os resultados reais ou eventos futuros estão sujeitos a riscos e incertezas que podem fazer com que os resultados ou eventos reais sejam significativamente diferentes dos projetados. As declarações prospectivas contidas neste comunicado também estão sujeitas a outros riscos e incertezas, incluindo aqueles descritos de forma mais completa em nossos arquivos junto à Securities and Exchange Commission (SEC), incluindo nosso Relatório Anual no Formulário 20-F arquivado na SEC em 2 de abril de 2024. As declarações prospectivas contidas neste comunicado são baseadas nas informações disponíveis para a Check Point na data deste documento, e a Check Point se isenta de qualquer obrigação de atualizar qualquer declaração prospectiva, exceto quando exigido por lei.

 

Como a ausência de saneamento básico agrava os impactos das mudanças climáticas no Brasil

A Cop 30 terminou e vai gerar muitos debates ainda sobre as mudanças climáticas e o saneamento básico no Brasil

  

A falta ou insuficiência de saneamento básico (que engloba o fornecimento de água, tratamento de esgoto, limpeza urbana e gestão de resíduos sólidos, além da drenagem e gestão de águas pluviais), e como o saneamento básico é um dos pilares mais eficientes de mitigação de riscos climáticos, sua falta torna consideravelmente o Brasil mais suscetível aos efeitos das alterações climáticas, intensificando suas consequências adversas. Cidades com redes deficientes sofrem muito frente a eventos extremos (chuvas intensas, ondas de calor e estiagens prolongadas). 

A implementação de soluções, por sua vez, exige um sólido planejamento a longo prazo, investimentos e a convergência das políticas de saneamento com as políticas de planejamento urbano e gerenciamento de riscos e catástrofes. Como temos 26 Estados e um distrito, e um total oficialmente de 5.570 municípios, o consenso e alinhamento ficam mais complicados. Há muitos interesses e necessidades diferentes, que devem ser considerados e analisados profundamente. 

Mas o que fica evidente é que a carência de saneamento básico no Brasil aumenta os impactos das mudanças climáticas porque deixa as cidades mais vulneráveis a enchentes e deslizamentos, e aumenta a incidência de doenças que se agravam com o calor e chuvas intensas. Em períodos de seca diminui a disponibilidade de água potável e multiplica danos materiais, elevando os custos econômicos. No entanto, o que mais entristece é que lamentavelmente penaliza desproporcionalmente as populações mais pobres. 

O que tem ficado evidente e não se pode ignorar é que o saneamento básico insuficiente aumenta os danos causados por eventos climáticos extremos. Naqueles períodos de chuvas intensas e inundações a inexistência de coleta e tratamento de esgoto contribui expressivamente para a propagação das inundações, que misturam águas pluviais, esgoto bruto e lixo. O resultado é a contaminação de rios e mananciais utilizados como fontes de água potável. 

O contato com água contaminada eleva consideravelmente o risco de surtos de doenças transmitidas pela água, como leptospirose, cólera, hepatite A e diarreias graves. Essas mazelas sobrecarregam o sistema de saúde público. 

Entre outras funções o saneamento básico é a principal barreira contra muitas doenças. Se ele não for utilizado adequadamente, potencializa bastante o risco de saúde associado às mudanças climáticas. Com o aumento das temperaturas globais, a população fica mais vulnerável a muitas moléstias, principalmente por causa do crescimento de vetores como o mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, zika e Chikungunya. 

Por sua vez, os sistemas de drenagem ineficientes não conseguem dar vazão ao volume de água das chuvas mais fortes (mais frequentes e intensas), o que resulta em alagamentos que comprometem a infraestrutura de abastecimento e tratamento de água e esgoto. O problema pode até levar à interrupção dos serviços em certas ocorrências. 

Nos períodos de secas prolongadas e ondas de calor causadas pelas mudanças climáticas existem outros desequilíbrios ambientais. A competição e escassez por água pode se tornar preocupante, porque a estiagem diminui consideravelmente o volume nos mananciais. E a falta de tratamento de esgoto, agrava a escassez porque reduz a quantidade de água que poderia ser tratada e reutilizada, para usos não potáveis ou para reintrodução em corpos hídricos como rios, lagos, aquíferos ou lagoas, que podem ser naturais ou artificiais, porém são essenciais para a vida e para o uso humano. 

A qualidade da água é sem qualquer hesitação uma das mais prejudicadas. A redução do volume de água nos rios eleva a concentração de poluentes gerados nos esgotos não tratados. Por causa das altas temperaturas, a proliferação de algas tóxicas e outros microrganismos se torna um ambiente favorável para seu aumento, tornado a água remanescente mais difícil e cara de ser tratada, e muitas vezes inviável para o consumo humano. 

Uma das principais medidas de adaptação às mudanças climáticas é a construção de infraestrutura de saneamento básica avançada e compatível com as reais necessidades de uma comunidade ou de uma população maior. Sua falta impede que elas se preparem adequadamente para o futuro provocado pelas mudanças climáticas. 

Lamentavelmente a ausência de saneamento básico torna a população bem mais vulnerável às adversidades climáticas, transformando situações que poderiam ser controladas em crises de saúde e meio ambiente, e em alguns casos até de grandes proporções. 

A vulnerabilidade social causada pela desigualdade está muito ligada ao saneamento precário. Aquelas populações sem acesso ao saneamento básico, geralmente residem em áreas de ocupação informal e de risco (como encostas e margens de rios). Por essa razão, as pessoas ficam mais vulneráveis aos desastres climáticos e suas consequências interferem na saúde de todos os moradores da localidade. A fragilidade da infraestrutura também afeta de maneira desproporcional as pessoas. É crucial, portanto, investimentos em soluções de saneamento resiliente e adaptativo para reduzir a vulnerabilidade social no Brasil. 

O transtorno se estende para outros aspectos, porque muitas infraestruturas urbanas já instaladas também apresentam problemas, porque diversos sistemas de saneamento existentes também podem estar fragilizados. Em certos locais em que o saneamento já está presente, a infraestrutura do lugar pode não estar preparada para enfrentar adequadamente os novos eventos climáticos extremos, como tornados, grandes tempestades ou até ondas de calor. Se tornou urgente por isso, segundo alguns estudiosos, que se realize um planejamento de saneamento e climático bem mais profundo para antever nos próximos anos cenários climáticos extremos, a fim de se evitar colapsos no abastecimento de água e tratamento de esgoto. 

O website Think Global Health, do Conselho de Relações Exteriores e Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME), afirmou em sua matéria ‘COP30 e as consequências climáticas de ignorar o saneamento básico’ que o clima e o saneamento se cruzam e as mudança climáticas e as condições sanitárias têm uma relação bidirecional. O veículo considerou que a Cop 30 se tornou um momento crítico no qual todos os países deviam participar das soluções para as mudanças climáticas e o saneamento. 

Na visão daquela publicação, as políticas de saneamento devem priorizar sobretudo os grupos mais vulneráveis — mulheres, meninas, pessoas com deficiência e populações deslocadas — com financiamento específico e indicadores para monitorar o progresso. Além disso, são necessários urgentemente sistemas de dados confiáveis e sensíveis ao clima para orientar os investimentos, evitar duplicação de esforços e garantir o máximo impacto. O site defende ainda que o governo deve apoiar as comunidades na criação conjunta de soluções. Há exemplos de países da Ásia meridional, em que a liderança local multiplica o impacto desse trabalho.  

Segundo Think Global Health, o Plano de Ação de Saúde na COP 30 oferece um roteiro para conciliar clima e saneamento, mas só terá sucesso se o saneamento for claramente definido em suas metas, além do financiamento e sistemas de monitoramento. 

Hoje em dia, pela nossa perspectiva, é essencial para o poder público brasileiro ampliar o acesso ao saneamento básico com infraestrutura adaptada às mudanças climáticas, ou seja, seria o foco no investimento no chamado ‘saneamento resiliente’, aquele em que o ecossistema tem plena capacidade de retornar à condição original de equilíbrio após suportar alterações ou perturbações ambientais. Deste modo, as condições sanitárias essenciais precisariam estar integradas às estratégias de adaptação climática, com especial atenção na saúde pública e na justiça social. 

 

Engº Francisco Carlos Oliver - diretor técnico industrial da Fluid Feeder Indústria e Comércio Ltda., especializada em tratamento de água e de efluentes por meio de soluções personalizadas. www.fluidfeeder.com.br


Testamento de emergência expõe disputa entre autonomia da vontade e segurança jurídica

Para especialista, novo modelo flexibiliza formalidades em situações extremas, mas pode ampliar litígios e exige rigor judicial na validação


A aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), do modelo de testamento de emergência abre uma inflexão relevante no Direito de Família ao flexibilizar requisitos formais que, historicamente, condicionam a manifestação de última vontade no Brasil. Para Wagner Oliveira Pereira Junior, advogado da Michelin Sociedade de Advogados e pós-graduado em Direito de Famílias e Sucessões pela PUC/PR, a proposta responde a uma demanda concreta da sociedade: permitir que, em contextos extremos, o indivíduo consiga registrar sua vontade sem depender das solenidades tradicionais.

“O rigor formal sempre foi visto como garantia de segurança jurídica. Mas, em situações de doença súbita, calamidades ou restrições de liberdade, essas formalidades simplesmente se tornam inviáveis. O resultado é que muitas pessoas morrem sem testamento, e a sucessão acaba regida por regras que não refletem seus verdadeiros desejos”, afirma o advogado.

Segundo ele, a medida tende a reduzir os casos de sucessão legítima decorrentes da impossibilidade de testar, ampliando o acesso a um planejamento sucessório minimamente compatível com a realidade de cada família. Entretanto, a flexibilização não está isenta de desafios.

“A dispensa de testemunhas fragiliza, em um primeiro momento, a prova da autenticidade e da lucidez do testador. Mas esse aparente risco é compensado pela exigência de confirmação judicial em até 90 dias, que transforma o testamento de emergência em um ato informal na origem, mas submetido a um crivo posterior muito rigoroso”, explica Wagner.

Ele destaca que caberá ao Judiciário verificar a veracidade das circunstâncias excepcionais, a capacidade do testador no momento da elaboração e a ausência de vícios que possam comprometer a vontade expressa. Para o especialista, esse controle é o elemento central para equilibrar autonomia e segurança.

Os cenários em que o instrumento tende a ser mais acionado incluem emergências médicas graves, catástrofes naturais, pandemias, confinamentos forçados e até viagens de risco. A amplitude dessas hipóteses, porém, exige cautela.

“Se a modalidade emergencial começar a ser usada fora de contextos realmente extraordinários, haverá risco real de banalização. Isso pode aumentar disputas judiciais, facilitar fraudes e comprometer a previsibilidade das relações sucessórias”, alerta.

Por isso, Wagner defende que a futura lei, e a jurisprudência que se formará, definam critérios claros sobre o que configura “emergência” e reforcem o caráter extraordinário do instituto.

“A proposta busca corrigir uma lacuna importante, mas sua efetividade dependerá de uma aplicação responsável. É preciso assegurar que o mecanismo sirva para proteger a última vontade, não para criar atalhos que enfraqueçam o sistema sucessório”, conclui. 



Fonte: Wagner Oliveira Pereira Junior, advogado da Michelin Sociedade de Advogados, pós-graduado em Direito de Famílias e Sucessões pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).


Posts mais acessados