Pesquisar no Blog

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Sarcopenia: a perda muscular que compromete a qualidade de vida na terceira idade

Especialistas da Afya educação médica explicam a condição que afeta milhões de idosos no Brasil e dão dicas de como preveni-la  

 

A sarcopenia é uma condição cada vez mais relevante em um país que envelhece rapidamente, como o Brasil. De acordo com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), estima-se que cerca de 17% dos idosos brasileiros - algo em torno de 5 milhões de pessoas - convivam com a perda significativa de massa e força muscular, muitas vezes sem diagnóstico ou tratamento adequados. Caracterizada pela progressão silenciosa, ela impacta diretamente a autonomia, a qualidade de vida e até a expectativa de sobrevida da população idosa. 

Para a Dra. Marcela Reges, nutróloga da Afya Educação Médica Goiânia, a sarcopenia não deve ser encarada como algo inevitável. O envelhecimento traz mudanças fisiológicas naturais, mas perder massa muscular em excesso não é normal e não é inevitável. A sarcopenia pode e deve ser prevenida ou tratada”, afirma.  

Ela explica ainda que, mesmo com o passar dos anos, é possível manter a força e a vitalidade com medidas simples, como alimentação adequada, prática de exercícios e acompanhamento médico regular. A especialista também destaca que a perda muscular pode ser parcialmente revertida quando diagnosticada precocemente. Segundo a profissional, a combinação de hábitos saudáveis e intervenção multiprofissional ajuda a frear a progressão da condição. 

De acordo com a Dra. Karoline Fioreti, geriatra da Afya Educação Médica Vitória, a sarcopenia se manifesta por sinais como instabilidade de marcha, fraqueza, lentidão para caminhar, dificuldade para subir escadas, levantar-se de uma cadeira ou carregar objetos. “Os sintomas aumentam o risco de queda, além de limitar o convívio social”, enfatiza a médica. 

“Se não houver diagnóstico e tratamento precoce, o idoso pode evoluir para perda progressiva de funcionalidade, maior dependência, isolamento social, depressão e até déficits cognitivos. Afinal, quando alguém perde a mobilidade, perde também a possibilidade de participar plenamente da vida em comunidade, o que impacta sua saúde mental. É um ciclo que precisa e pode ser interrompido com informação e políticas públicas”, alerta. 

“A sarcopenia afeta a vida de milhões de pessoas, especialmente mulheres, aumentando o risco de quedas, fraturas e a dependência. Por isso, é fundamental ampliar o acesso a exames, incentivar programas de exercícios e conscientizar famílias e cuidadores sobre os sinais de alerta”, destaca a nutróloga. 

Para as especialistas, envelhecer não deve significar perder vitalidade. No entanto, é fundamental estabelecer alguns cuidados para garantir a prevenção da sarcopenia. São eles:  

1.   Ingestão proteico-calórica adequada: incluir proteínas em todas as refeições (carnes magras, ovos, peixes, frango, feijão, lentilha, grão-de-bico e laticínios).

2.   Exercícios de força e resistência: treinos com pesos, elásticos ou o próprio peso corporal, sempre com orientação de um profissional.

3.   Atividade física regular: caminhadas, hidroginástica, exercícios aeróbicos e musculação ajudam a manter massa muscular, protegem o coração e melhoram a qualidade de vida.

4.   Avaliação funcional periódica: testes simples de força e equilíbrio ajudam a identificar risco de quedas.

5.   Suplementação quando necessária: whey protein, creatina e aminoácidos essenciais podem ser indicados em casos de ingestão insuficiente.

6.   Vitaminas e minerais: garantir bons níveis de vitamina D, cálcio e antioxidantes.

7.   Sono de qualidade: fundamental para recuperação e manutenção da massa muscular.

8.   Controle de doenças crônicas: tratar diabetes, hipertensão e doenças inflamatórias, que aceleram a perda muscular.

9.   Hidratação adequada: essencial para o metabolismo e função muscular.

10.               Prevenção de quedas: adaptar o ambiente, usar calçados adequados e incluir treinos de equilíbrio.

11.               Hábitos de vida saudáveis: evitar cigarro e álcool, que são fatores inflamatórios.

12.               Estimular a autonomia: incentivar a participação do idoso em atividades cotidianas e sociais.

 

Afya
http://www.afya.com.br
ir.afya.com.b

 

Outubro Rosa: Saúde da mama começa com atenção à pele e hábitos saudáveis

Alterações na pele da mama
Banco de Imagens
Médica especialista em Dermatologia Flávia Villela explica como mudanças na pele podem ajudar no diagnóstico precoce do câncer de mama 

 

Outubro chega com um importante lembrete: o cuidado com a saúde da mulher é diário, mas neste mês, o foco está nas mamas. E a pele pode ser uma das primeiras a dar o alerta. Em tempos em que o câncer de mama segue como uma das maiores causas de morte entre mulheres, identificar sinais precoces é essencial para um tratamento eficaz.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Em 2025, até o final do ano, estima-se que o Brasil registre cerca de 73.610 novos casos da doença, com uma taxa de 66,54 casos para cada 100 mil mulheres. “É importante que as mulheres conheçam o próprio corpo e observem as mamas com regularidade. Algumas alterações sutis na pele podem ser o primeiro indício de que algo não vai bem”, explica a médica especialista em Dermatologia, Flávia Villela.


Quais sinais na pele podem indicar câncer de mama?

Flávia Villela chama atenção para alterações que podem surgir na pele da mama e que merecem avaliação médica, especialmente se forem persistentes ou acompanhadas de outros sintomas. Entre elas:

-Vermelhidão ou manchas que não desaparecem

-Sensação de pele ressecada ou queimada

-Descamação ou feridas ao redor do mamilo e da aréola

-Retração do mamilo ou da pele da mama

-Espessamento da pele, nódulos ou caroços

-Mudança na coloração ou na textura, como aspecto de “casca de laranja”

Além disso, a região mamária também pode apresentar lesões relacionadas a tipos de câncer de pele, como melanoma ou carcinomas, o que reforça a importância de uma avaliação dermatológica cuidadosa. “O combate ao câncer de mama vai além dos exames. A adoção de hábitos saudáveis tem impacto direto na prevenção da doença”, reforça a médica.


Dicas importantes para a prevenção:

Alimente-se com mais consciência
Inclua frutas, vegetais, leguminosas e grãos integrais na rotina. Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, embutidos e bebidas açucaradas ajuda a manter o equilíbrio hormonal e o bom funcionamento do organismo.

Mantenha o corpo em movimento
Atividades físicas regulares auxiliam no controle do peso e reduzem a produção de substâncias inflamatórias.

Gerencie o estresse
O estresse crônico pode comprometer a imunidade. Técnicas de respiração, pausas na rotina e momentos de lazer contribuem para a saúde mental e física.

Exames de rotina
A mamografia é recomendada especialmente para mulheres entre 50 e 69 anos, mas deve ser discutida com o médico conforme o histórico familiar e individual. O acompanhamento regular com um médico é essencial.

“Além de olhar para a doença, é preciso cuidar da pele como um todo. Ela é a nossa barreira protetora e precisa estar fortalecida, especialmente durante fases mais sensíveis. Hidratação adequada, proteção solar e acompanhamento dermatológico ajudam a minimizar os efeitos adversos”, orienta Flávia Villela.

Neste Outubro Rosa, o convite é para que mulheres escutem seu corpo, observem sua pele e adotem uma rotina de autocuidado e prevenção. O diagnóstico precoce ainda é a principal chave para o sucesso no tratamento e ele pode começar por um sinal sutil, visível na pele.


IA na saúde: menos burocracia, mais tempo para o paciente


Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) deixou de ser um tema de pesquisa para se tornar parte da rotina de hospitais, clínicas e operadoras de saúde. Hoje, algoritmos já ajudam a acelerar diagnósticos, prever agravamentos clínicos e organizar filas de atendimento — impactando tanto o SUS quanto a saúde suplementar. Ainda assim, persistem dúvidas e mitos, especialmente o receio de que a IA substitua médicos ou desumanize o cuidado. A experiência prática, no entanto, mostra o contrário: quando bem implementada, a IA simplifica processos, evita a repetição de exames e libera mais tempo para que profissionais se dediquem ao que realmente importa: o paciente. 

Em 2025, diversos estudos e experiências conhecidas da literatura médica reforçam esse cenário. Uma meta-análise realizada a partir de artigos clínicos, por exemplo, demonstrou que sistemas de alerta precoce baseados em IA são capazes de identificar agravamentos clínicos com mais precisão e antecedência do que métodos tradicionais, permitindo intervenções rápidas e melhor uso de recursos hospitalares. Na radiologia, hospitais brasileiros que aplicam IA em raios-X de tórax relatam reduções expressivas no tempo de entrega de resultados e ganhos importantes de eficiência ao priorizar automaticamente casos críticos, como suspeitas de pneumotórax ou consolidações extensas, deixando exames normais para posterior leitura do especialista. Essa lógica não substitui o radiologista, mas garante que o paciente em situação grave seja atendido primeiro.

Outro avanço importante deste ano é a integração da saúde suplementar ao SUS por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Desde agosto estão incorporando registros de atendimentos dos últimos cinco anos, e a partir de outubro a transferência será automática. Isso significa que informações de exames e condutas médicas estarão disponíveis de forma interoperável, reduzindo a duplicidade de solicitações e fortalecendo a continuidade do cuidado. Essa mudança responde a um dos maiores gargalos do sistema: a fragmentação de dados que obriga o paciente a ser o “mensageiro” da própria história clínica, carregando resultados em papel de um serviço para outro.

O problema das filas também tem recebido atenção. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, publicado em fevereiro de 2025, mostrou que 60% dos brasileiros consideram muito longo o tempo de espera para consultas com especialistas e 56% relatam demora para realização de exames. Modelos de IA aplicados à regulação e ao agendamento oferecem uma alternativa real, transformando filas organizadas por ordem de chegada em filas que consideram gravidade e necessidade clínica, priorizando os casos mais urgentes. Essa racionalização impacta diretamente a experiência do paciente, evitando agravamentos e reduzindo a sensação de abandono no sistema.

Não se trata apenas de diagnósticos mais rápidos ou gestão de filas. A IA também tem potencial de aliviar a burocracia. O NHS (National Health Service), no Reino Unido, iniciou em agosto de 2025 projetos-piloto que usam IA para automatizar a elaboração de resumos de alta hospitalar, o que libera leitos mais rapidamente e devolve aos médicos e enfermeiros horas antes gastas com preenchimento de formulários. Esses exemplos mostram como a automação de tarefas administrativas pode se refletir em benefícios clínicos, agilizando fluxos e dando mais tempo para a equipe cuidar diretamente do paciente.

Com isso, é importante desfazer mitos. A IA não substitui o médico: ela apoia a decisão clínica, ao passo que mantém a relação de confiança com o paciente. Além disso, evita a solicitação de exames desnecessários ao integrar dados. Modelos de IA também não são caixas-pretas incontroláveis: existem riscos de viés e falhas, mas esses podem ser mitigados com governança, auditoria e protocolos de segurança. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina discute em 2025 uma resolução específica para balizar responsabilidades e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados colocou informações de saúde entre as prioridades da sua agenda regulatória para 2025–2026, reforçando os cuidados com transparência, privacidade e uso ético de dados sensíveis.

Acho que na prática diária, a transformação é visível. Em pronto-socorro e enfermarias, na execução de exames de imagem, nos fluxos de regulação e também no que tange a gestão administrativa.

Humanizar a jornada, nesse contexto, não é colocar robôs no consultório, mas otimizar processos e extrair o melhor que a tecnologia pode oferecer para que o tempo da equipe médica seja dedicado ao paciente. Com avanços em interoperabilidade, evidências consistentes de predição clínica e pilotos que já mostram ganhos concretos, 2025 marca um ponto de virada: a tecnologia começa a transformar filas e esquecimentos em cuidado contínuo, seguro e centrado na pessoa. O desafio, agora, é assegurar que a implementação seja ética, responsável e guiada pelas necessidades clínicas — para que a inteligência artificial não desumanize, mas devolva humanidade à saúde.

 


André Castilla - médico radiologista, com doutorado em Inteligência Artificial pela USP, e é Chief Medical Officer e cofundador da NeuralMed, empresa brasileira que há 7 anos aplica inteligência artificial para transformar dados clínicos estruturados e não estruturados em decisões que salvam vidas e geram eficiência operacional.

 

STJ e a garantia tratamento contínuo de autismo nos planos de saúde

 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu um passo relevante na proteção dos pacientes ao firmar o entendimento de que operadoras de planos de saúde não podem rescindir unilateralmente o contrato enquanto o beneficiário estiver em tratamento médico essencial. A decisão recente, de alcance amplo, tem impacto direto para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que necessitam de terapias contínuas e multidisciplinares.

 O fundamento da Corte dialoga diretamente com a Constituição Federal: o artigo 196 consagra a saúde como direito fundamental, e o artigo 1º, inciso III, erige a dignidade da pessoa humana como princípio basilar do Estado Democrático de Direito. No caso do autismo, o tratamento é prolongado e envolve diversas especialidades — fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e psicopedagogia. A interrupção abrupta comprometeria não apenas a evolução terapêutica, mas também o desenvolvimento integral do paciente. 

Sob o prisma legal, a Lei nº 9.656/98 (Lei dos Planos de Saúde) obriga a cobertura de todas as doenças listadas na Classificação Internacional de Doenças (CID), o que inclui expressamente o TEA. O Código de Defesa do Consumidor, por sua vez, considera abusivas cláusulas que retirem direitos essenciais dos consumidores, entre elas a restrição ao acesso contínuo a tratamentos indispensáveis. 

A jurisprudência do STJ já vinha se firmando contra rescisões contratuais que prejudiquem tratamentos de doenças graves ou crônicas. No caso do autismo, essa posição ganha ainda mais relevo, pois a interrupção pode gerar danos irreversíveis ao desenvolvimento cognitivo, social e comportamental da criança ou adulto diagnosticado. 

Mais do que uma vitória individual, a decisão reafirma a função social dos contratos e limita a autonomia privada, garantindo que valores constitucionais como a boa-fé e a dignidade humana prevaleçam sobre interesses econômicos das operadoras. Em última análise, o recado do STJ é claro: não há espaço para a lógica puramente mercantil quando estão em jogo a vida, a saúde e a esperança de desenvolvimento pleno de pessoas com autismo.

 

José dos Santos Santana Jr. - advogado especialista em Direito Empresarial e da Saúde e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados


Combinação de computação quântica e clássica apoia diagnóstico precoce de câncer de mama

O câncer de mama foi escolhido como alvo para teste do modelo  computacional
porque é o tipo mais comum entre mulheres no mundo, com 2,3 milhões
de casos e 670 mil mortes registradas em 2022
CDC
reprodução

Redes neurais quântico-clássicas simples conseguem obter bons resultados na classificação de lesões com menos parâmetros computacionais; modelo híbrido foi demonstrado por cientistas da Unesp em simpósio internacional

 

 A computação quântica ainda está em fase inicial de desenvolvimento, mas seus usos potenciais têm sido bastante explorados por pesquisadores. Um estudo recente, realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), propôs um modelo híbrido quântico-clássico para apoiar o diagnóstico de câncer de mama a partir de imagens médicas.

O trabalho foi publicado nos anais do 38º International Symposium on Computer-Based Medical Systems (CBMS), do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE). Nele, os autores descrevem uma rede neural híbrida que combina camadas quânticas com camadas clássicas, utilizando uma abordagem conhecida como “quanvolutional neural network” (QNN). O modelo foi aplicado a imagens de mamografias e ultrassonografias com o objetivo de classificar lesões como benignas ou malignas.

“O que quisemos trazer nesse trabalho foi uma arquitetura muito básica, que utilizasse computação quântica, mas que contivesse um mínimo de aparatos quânticos e clássicos”, conta Yasmin Rodrigues, primeira autora do estudo. O trabalho faz parte de seu projeto de iniciação científica, orientado por João Paulo Papa, professor titular do Departamento de Computação da Unesp, campus de Bauru, que também assina o artigo.

O câncer de mama foi escolhido como alvo para teste do modelo computacional porque é o tipo mais comum entre mulheres no mundo, com 2,3 milhões de casos e 670 mil mortes registradas em 2022. A detecção precoce é crucial para aumentar as chances de cura e sobrevida. No entanto, métodos tradicionais, como a mamografia, dependem fortemente da interpretação humana, o que pode levar a variações no diagnóstico. “Apesar de ser teoricamente simples de acompanhar, a mamografia ainda é um exame cuja interpretação depende muito do profissional que realiza o procedimento”, diz Papa.

O que distingue o trabalho da Unesp de outras iniciativas em inteligência artificial aplicada à saúde é a adoção de uma camada de convolução quântica associada a uma camada clássica. “Assim como a convolução clássica, o objetivo da convolução quântica é extrair características locais de dados estruturados, como imagens. Mas ela o faz aproveitando propriedades únicas dos sistemas quânticos, como superposição e emaranhamento, que possibilitam processar informações com muito mais eficiência e rapidez”, diz Papa. No estudo, a camada quântica, composta por quatro qubits (bits quânticos), substitui a operação tradicional de extração de características das imagens.

“O que fizemos, basicamente, foi passar as imagens por esse circuito quântico de quatro qubits, com operações de rotação e portas lógicas. Isso nos possibilitou obter as medições necessárias. Depois, as imagens seguiram para camadas clássicas simples, que entregaram a classificação final”, detalha Rodrigues.

O estudo não utilizou um processador quântico verdadeiro, mas uma plataforma clássica, como o framework PennyLane, que reproduz o comportamento ideal de um circuito quântico sem ruídos ambientais. Existem poucos computadores quânticos de verdade no mundo. Todos estão em fase experimental e dispõem de um número limitado de qubits, variando de algumas dezenas a pouco mais de um milhar. Requerem salas impecavelmente limpas, isolamento vibracional, blindagem eletromagnética e, na maioria dos casos, resfriamento próximo do zero absoluto (−273 °C). Por isso, seu uso, quando disponibilizado a clientes, é desproporcionalmente caro.

“Simuladores como os que utilizamos funcionam inteiramente em plataformas clássicas, não usam qubits reais, mas dão uma ideia de como os circuitos se comportariam no mundo quântico ideal. São livres de erros, livre de variações do ambiente que afetam bastante os computadores quânticos atuais”, detalha Rodrigues. Segundo ela, apesar de extremamente simples, o circuito quântico simulado já mostrou resultados promissores. “A rede clássica que melhor performou tinha 11 milhões de parâmetros. A nossa, com a camada quântica, tinha cerca de 5 mil. Isso muda tudo”, compara.

Um conceito físico fundamental por trás do modelo é o de superposição. É a superposição que diferencia o qubit do bit clássico. A pesquisadora explica: “Para entender o conceito de superposição é interessante recorrer a uma representação conhecida como esfera de Bloch. Podemos imaginar essa esfera como uma bola de futebol, na qual cada ponto da superfície representa um estado quântico possível. No topo da esfera, o polo norte, temos o estado 0. No polo sul, o estado 1. Todos os outros pontos da superfície correspondem a estados de superposição entre 0 e 1. Quando o sistema está exatamente no polo norte ou sul, temos 100% de certeza de que o qubit está no estado 0 ou 1, respectivamente. Mas, em qualquer outro ponto da esfera, entramos no território probabilístico: o qubit está em uma superposição com probabilidades variáveis de ser medido como 0 ou 1”.

Há muitos estados de superposição possíveis. Por exemplo, o qubit pode estar em um estado que tem 70% de chance de ser 0 e 30% de ser 1, ou qualquer outra combinação. “Por apresentarem esses estados superpostos, os qubits podem lidar com muito mais informações durante o processamento do que os bits clássicos. Essa é uma das razões pelas quais a computação quântica tem tanto potencial para superar a clássica. Ela tem uma capacidade e uma velocidade de processamento incomparavelmente maiores. Mas será preciso superar um grande número de desafios tecnológicos antes que esse potencial possa ser realizado em larga escala. A expectativa é a de que as pessoas possam ter computadores quânticos em casa, como têm hoje computadores convencionais”, sublinha Papa.

No estudo, as informações codificadas nos qubits foram pixels das imagens de mamografia e ultrassonografia. Às vezes, um pixel apenas; às vezes, mais de um. O modelo foi testado com duas bases de dados: BreastMNIST (com imagens de ultrassonografia) e BCDR (com mamografias segmentadas). Mesmo utilizando um circuito com apenas quatro qubits, a rede híbrida obteve desempenho competitivo. No melhor caso, alcançou 87,2% de acurácia no conjunto de teste e 86,1% no de validação. “A ideia foi criar uma arquitetura que poderá ser utilizada e aprofundada em outros estudos”, comenta Rodrigues.

Outras aplicações

Embora o estudo tenha focado o câncer de mama, os autores destacam que a arquitetura desenvolvida pode ser aplicada a outras áreas. Pode, por exemplo, ser usada para análise de lesões cerebrais ou classificação de tecidos em imagens de microscopia. “Estamos dando o primeiro passo em direção a um novo paradigma de computação para diagnóstico médico. É um campo promissor e que tende a crescer muito nos próximos anos”, conclui a pesquisadora.

O estudo foi apoiado pela FAPESP por meio dos projetos 13/07375-0 e 23/14427-8. E de bolsas concedidas a integrantes da equipe: 24/08242-824/00789-8 e 24/00117-0.

O artigo A hybrid quantum-classical model for breast cancer diagnosis with quanvolutions pode ser lido em: www.computer.org/csdl/proceedings-article/cbms/2025/261000a290/284KoGyo4QU.

 


José Tadeu Arantes

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/combinacao-de-computacao-quantica-e-classica-apoia-diagnostico-precoce-de-cancer-de-mama/55916

 

Cinco cuidados fundamentais para quem tem predisposição genética às varizes

Especialista explica como identificar sinais precoces e adotar medidas preventivas para evitar complicações da insuficiência venosa crônica 

 

A insuficiência venosa crônica, condição que pode evoluir para varizes, é um problema frequente na população adulta. Estudo clássico realizado em Botucatu (SP), publicado no International Journal of Epidemiology, apontou prevalência de 47,6% de algum grau da doença em adultos avaliados. Mais recentemente, a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) passou a adotar como referência a estimativa de 38% da população brasileira, sendo 30% entre homens e 45% entre mulheres 

Para a cirurgiã vascular Dra. Camila Kill, mestre em cirurgia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e CEO da rede de clínicas Vascularte, a herança genética é um dos fatores mais determinantes para o desenvolvimento precoce da doença. “Filhos e netos de pessoas com varizes têm risco elevado e devem observar sinais como sensação de peso, queimação, cansaço e câimbras noturnas, mesmo que não haja veias aparentes”.

A médica alerta que esperar por alterações visíveis é um erro comum. “Há pacientes jovens com pernas aparentemente saudáveis, mas já com refluxo venoso avançado detectado no ecodoppler. Quanto mais cedo o rastreamento é feito, menores os riscos e mais simples é o tratamento”, complementa.

Segundo a especialista, o histórico familiar potencializa os efeitos de hábitos nocivos, como sedentarismo, longos períodos sentado ou em pé e uso de anticoncepcionais hormonais. Esses fatores aceleram a evolução da insuficiência venosa e podem resultar em complicações graves, como trombose e úlceras.

Entre as medidas preventivas estão o uso de meias de compressão em atividades prolongadas, prática regular de exercícios físicos, hidratação constante e consultas periódicas. “O cuidado vascular não deve ser adiado. Quanto antes o paciente entender que herança genética é um dado clínico relevante, maiores as chances de evitar intervenções complexas no futuro”, reforça Camila.

A Vascularte, fundada por Camila Kill e pelo cirurgião plástico Christian Ferreira, aposta em técnicas minimamente invasivas como o endolaser, que substitui a cirurgia convencional, dispensa cortes e internação e permite recuperação rápida. A rede tem atraído pacientes com histórico familiar de varizes justamente por oferecer tratamento ambulatorial desde casos iniciais até quadros mais avançados. Hoje conta com três unidades no Brasil e prevê expansão nacional até 2026.

De acordo com a Dra. Camila Kill, existem cinco cuidados para quem tem histórico familiar:

  1. Exames preventivos – Realizar ecodoppler regularmente, mesmo sem sinais aparentes, para identificar refluxo venoso precoce.
  2. Meias de compressão – Utilizar em atividades prolongadas em pé ou sentado, auxiliando no retorno venoso.
  3. Atividade física – Caminhadas, corridas leves e musculação fortalecem a panturrilha e melhoram a circulação.
  4. Hidratação – Beber água ao longo do dia preserva a elasticidade dos vasos e evita espessamento do sangue.
  5. Atenção a sinais sutis – Queimação, câimbras, coceira ou alterações discretas na cor da pele merecem avaliação médica.

 “O histórico familiar é um alerta que não pode ser ignorado. Quem já convive com casos de varizes na família deve compreender que a prevenção começa antes dos sintomas visíveis. O cuidado precoce garante mais qualidade de vida e evita complicações que podem ser graves”, conclui a cirurgiã vascular.

 


Dra. Camila Kill - médica cirurgiã vascular que, desde o início da carreira, dedica-se exclusivamente ao cuidado de pacientes com varizes. É mestre em cirurgia pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. É CEO e fundadora da Lumivie Clinique, clínica especializada em cirurgia plástica e estética localizada em Pelotas (RS), e também da franquia Vascularte, voltada para tratamentos de varizes 100% ambulatoriais e sem cirurgia, com três unidades em funcionamento no Brasil e expansão prevista para 2025. Além disso, é mentora da LMV Club, mentoria voltada para médicos empresários que desejam potencializar suas unidades por meio do desenvolvimento da liderança, gestão e vendas.
Para mais informações, visite o Instagram.


Vascularte
Para mais informações, visite o Instagram.


Dia Mundial da Saúde Mental: Brasil tem terceiro pior índice em ranking mundial

Relatório global avaliou 64 países e concluiu que maioria não recuperou bem-estar psíquico após pandemia da covid-19

 

Desde as medidas de isolamento as milhares de mortes causadas pela covid-19, a população passou a discutir e reconhecer a importância da saúde mental, celebrada no dia 10 de outubro. Dados da OMS apontam que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com transtornos mentais, especialmente ansiedade e depressão. Em 2023, o relatório anual do Estado Mental do Mundo apontou o Brasil com o terceiro pior índice envolvendo a saúde mental dos brasileiros, à frente somente do Reino Unido e da África do Sul.  

Segundo a psicóloga do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, Paula Mattos de Carvalho (CRP 06/99551), a temática não pode ser discutida sem abordar desigualdade econômica. Assim como psicoterapia e tratamentos medicamentosos geram um custo para um país, o não crescimento econômico também irá trazer um peso na saúde mental da população. Com isso, a melhor ferramenta para transmitir conhecimento são simpósios, propagandas e divulgação sobre pesquisas e tratamentos disponíveis através dos meios midiáticos.  

“Após a pandemia do Covid, a busca por acompanhamento psicológico disparou, em especial, pela rede SUS do país. Porém, ainda se tem um problema na ‘aquisição’ deste tratamento, o financeiro. É mais fácil e rápido um profissional da psicologia no quesito particular. E quando a pessoa não tem essa disponibilidade? Aqui temos dois cenários, a rede pública com o CAPS, faculdades de psicologia com o atendimento de alunos supervisionados e demais instituições que cobram um valor simbólico e os convênios médicos. Ambos lotados, com fila de espera e falta de profissionais. O suporte familiar, as conversas sobre assuntos relacionados e apoio social são meios que nos ajudam a lidar, mesmo que superficialmente, as nossas demandas”, comenta.  

Ela ainda enfatiza que, o suporte das empresas é essencial para a administração do rendimento dos funcionários, proporcionando ferramentas que mostrem ao empregado que ele é visto como um todo, um ser bio-psico-social-espiritual, podendo recorrer ao acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico quando avaliado a necessidade. Dados exclusivos do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2024, o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais.   

Outro ponto que, segundo a psicóloga, deve ser observado é a adesão de políticas públicas. O relatório “Mental Health Atlas 2024” da OMS destaca que muitos países ainda gastam cerca de 2% do orçamento de saúde em pautas relacionadas a saúde mental. Com isso, a adesão de novos modelos de atendimento psicológico precisa existir para auxiliar e alcançar a populações em áreas remotas e de baixa renda.  

“Algo que nos beneficiou neste sentido de buscar ajuda profissional foram os atendimentos online. Além de abrir o leque de atendimentos psicológicos, tem a questão financeira que, em casa, você não tem o custo de deslocamento. Em Ribeirão Preto, contamos com os CAPS´s (Centro de Atenção Psicossocial), atendimentos realizados de forma gratuita por alunos de graduação em psicologia supervisionados pelos seus professores e o CVV (Centro de Valorização da Vida), que é uma linha direta com voluntários para acolher no momento de uma crise. Pegando o exemplo de Ribeirão que é uma cidade com, aproximadamente, 700 mil habitantes, há apenas 5 CAPS disponíveis para atendimento gratuito e que, algumas vezes, conta com a falta de profissionais contratados.  A criação de novas políticas públicas e igualdade social são de extrema importância no país”, concluí.  



Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)

 

Infarto, diabetes, câncer: o que pode ser evitado com um check-up

O check-up anual se revela mais do que uma rotina médica:  trata-se
de uma estratégia essencial para transformar números frios em
 histórias reais de longevidade e qualidade de vida.
  
 Envato

Exames periódicos ajudam a detectar doenças silenciosas antes que seja tarde

 

Quantas vidas poderiam ser poupadas se mais pessoas dedicassem algumas horas por ano à própria saúde? A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, todos os anos, cerca de 18 milhões de pessoas com menos de 70 anos morrem em todo o mundo em decorrência de doenças crônicas não transmissíveis, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), câncer, diabetes e enfermidades respiratórias — muitas delas evitáveis ou passíveis de diagnóstico precoce.

No Brasil, as chamadas mortes evitáveis ainda representam um desafio. Embora os índices tenham caído nas últimas décadas, doenças cardiovasculares e cânceres avançados continuam entre as principais causas de óbito entre adultos e idosos. Para especialistas, medidas simples — como aferir a pressão arterial, analisar os níveis de colesterol e glicemia, ou realizar exames como mamografia e colonoscopia — podem significar a diferença entre um tratamento precoce e a luta contra doenças em estágio irreversível.

É nesse contexto que o check-up anual se revela mais do que uma rotina médica: trata-se de uma estratégia essencial para transformar números frios em histórias reais de longevidade e qualidade de vida.


Check-up: mais do que um exame, uma abordagem preventiva

Um check-up de saúde consiste em um conjunto de exames clínicos e laboratoriais voltados à prevenção. Personalizado conforme idade, sexo e histórico médico, ele abrange consultas com diferentes profissionais de saúde, avaliação física e mental, além de orientações sobre estilo de vida.

“Esse tipo de cuidado permite identificar doenças ainda em fases iniciais, quando as chances de tratamento eficaz e cura são muito maiores”, afirma o cardiologista Vinícius Oro Popp, coordenador do serviço de Check-up do Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR).

Entre as condições que podem ser detectadas precocemente estão alterações metabólicas, como diabetes e colesterol elevado. Também é possível rastrear diversos tipos de câncer — como os de mama, cólon, colo do útero, próstata e pulmão — conforme o perfil de risco de cada paciente.


Do diagnóstico precoce à saúde integral

Com um check-up, é possível identificar problemas nas artérias, como aneurisma de aorta abdominal, e, em casos selecionados, avaliar o risco de doença coronariana, que ainda é a principal causa de morte no mundo”, explica o cardiologista.

Já o especialista em clínica médica do Hospital São Marcelino Champagnat, Ricardo Gullit Ribeiro, também destaca a importância de monitorar a função renal: exames simples de sangue e urina podem revelar sinais de falência dos rins antes mesmo do surgimento dos sintomas. Além disso, ele reforça que o diagnóstico precoce de infecções sexualmente transmissíveis — como HIV e sífilis — pode alterar completamente o prognóstico e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.


Prevenção individualizada: um plano para cada fase da vida

As recomendações preventivas variam conforme o sexo e a etapa da vida. “Homens, por exemplo, apresentam maior risco cardiovascular em idade mais precoce. Em média, os infartos ocorrem dez anos antes neles do que nas mulheres”, explica Popp.

Entre as mulheres, exames como mamografia e papanicolau já demonstraram impacto significativo na redução da mortalidade e da incidência de cânceres, especialmente quando realizados de forma adequada e com cobertura ampla. Após a menopausa, cresce também a preocupação com a osteoporose, o que muitas vezes exige avaliação óssea.

No caso dos homens, o rastreamento do câncer de próstata deve ser debatido individualmente, considerando histórico familiar e fatores de risco. “O exame de PSA e o toque retal não são indicados de forma universal, mas podem ser essenciais em alguns casos”, orienta Ribeiro. Ele também recomenda o rastreamento de aneurisma de aorta abdominal, especialmente em homens entre 65 e 75 anos que já tenham fumado: “um ultrassom simples pode salvar vidas”.


O essencial: um plano de cuidado contínuo

Independentemente do sexo, há recomendações que valem para todos: controle da pressão arterial, colesterol, glicemia e peso, atenção à saúde mental, testagens regulares para infecções sexualmente transmissíveis e vacinação em dia. “O mais importante é que cada pessoa tenha um plano preventivo ajustado ao seu perfil, histórico familiar e estilo de vida. Essa é a base de um check-up inteligente”, afirma Popp.


Estilo de vida: o maior aliado da saúde

Por fim, o cardiologista destaca que nenhum exame substitui os benefícios de um estilo de vida saudável. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse e qualidade nos relacionamentos têm impacto direto e comprovado na saúde. “Hoje já há evidências robustas de que vínculos sociais fortes e uma boa rede de apoio são fatores tão protetores quanto manter a glicemia ou o colesterol sob controle”, conclui.

  

Hospital São Marcelino Champagnat


Dia Mundial da Saúde Mental reforça a urgência de cuidar da Saúde do Cérebro

 

No dia 10 de outubro é celebrado o Dia Mundial da Saúde Mental. Nesta data, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Federação Mundial de Saúde Mental (WFMH) unem vozes em mais de 100 países para destacar a saúde mental como parte essencial do conceito de saúde, evidenciando a relevância dos investimentos em cuidados adequados com a saúde do cérebro. 

De acordo com a OMS, 1 em cada 8 pessoas convive atualmente com um transtorno mental, como depressão, ansiedade ou transtorno bipolar. Apesar da alta prevalência, os transtornos mentais ainda não são prioridade em muitas políticas públicas de saúde, o que pode ser reflexo de um dos maiores obstáculos para quem vive com transtornos mentais: o estigma. 

Desinformação e preconceitos históricos perpetuam o estigma, o que pode atrasar a busca por diagnóstico e tratamento, comprometendo o curso dos quadros clínicos. 

As doenças psiquiátricas são erroneamente associadas à fraqueza, ao mau caráter ou à falta de força de vontade, quando, na verdade, são condições médicas que exigem cuidado especializado. Não é exagero observar cenários nos quais o estigma pode ser tão prejudicial quanto a própria condição clínica” - afirma a Dra. Rafaela Silva, psiquiatra e gerente médica da Lundbeck Brasil. 

Em 2022, foi criada a Comissão Lancet para o Fim do Estigma e da Discriminação, que publicou uma atualização em 2024 destacando a necessidade de alinhar as políticas nacionais de saúde mental com os direitos humanos, com ênfase na redução do estigma. 

Para 2025, o compromisso é transformar informação em ação: repensar sobre comportamentos, ações, crenças e valores associados à saúde mental; buscar informações em fontes confiáveis; escutar, sem julgamentos, quem vive com transtornos mentais e apoiar iniciativas para ampliar o cuidado adequado dessas pessoas. Reconhecer sua relevância e agir é um caminho que podemos seguir e ser parte da solução.

 

Primavera verão traz aumento das alergias respiratórias e de pele, alerta otorrinolaringologista

Mudanças climáticas, maior exposição ao ar-condicionado, poeira acumulada e atividades ao ar livre são alguns dos fatores que elevam os casos de rinite, sinusite e até otite externa nesta época do ano


A chegada das estações mais quentes costuma ser sinônimo de dias mais longos, maior convivência ao ar livre e férias escolares. Mas, junto com os benefícios da primavera verão, cresce também a incidência de alergias respiratórias e cutâneas. De acordo com a otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla, da ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial), os quadros de rinite, sinusite e até otite externa são bastante comuns nesse período.

“Muitas pessoas apresentam rinites vasomotoras relacionadas ao uso do ar-condicionado, que resseca a mucosa nasal e desencadeia sintomas semelhantes aos da rinite alérgica clássica. Quando os filtros não são higienizados, o acúmulo de poeira, fungos e ácaros aumenta ainda mais o risco de crises de rinite e sinusite”, explica a médica.

Outro problema típico do verão é a otite externa, conhecida como “otite do nadador”. O quadro é provocado pela umidade persistente no ouvido após banhos de piscina ou mar.

Segundo a especialista, alguns sinais não devem ser ignorados. “É fundamental procurar ajuda imediata diante de falta de ar, chiado no peito, inchaço em lábios, língua ou pálpebras, lesões de pele extensas ou acompanhadas de febre. Esses sintomas podem indicar uma reação alérgica grave, como a anafilaxia, que exige intervenção rápida”, alerta.

Apesar do aumento das crises, é possível adotar hábitos simples que reduzem os riscos:

  • Higienização nasal com soro fisiológico;
  • Limpeza regular dos filtros de ar-condicionado;
  • Manter os ambientes ventilados, reduzindo acúmulo de poeira e fungos;
  • Observar gatilhos de alergia em crianças, como espirros em ambientes externos ou vermelhidão após contato com determinados produtos.

Além disso, para pessoas com pele sensível, a recomendação é optar por protetores solares hipoalergênicos e sem fragrância, repelentes adequados para cada faixa etária e roupas de tecidos naturais, como o algodão. Chapéus e óculos de sol também são aliados na proteção sem necessidade de excesso de produtos químicos.


Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil, Laringologia e Voz; Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo).

 

Posts mais acessados