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sábado, 4 de outubro de 2025

Festa de final de ano na empresa: como se comportar?

A festa de final de ano na empresa é, para muitos, um rito de passagem, um momento de celebração e descontração. Contudo, sob uma perspectiva estratégica e visionária, é crucial compreender que este evento vai além da confraternização. Ele se configura como um palco para o aprimoramento do seu posicionamento profissional e a consolidação da sua marca pessoal. Em um cenário corporativo cada vez mais dinâmico, onde a percepção vale tanto ou mais que a competência técnica, a forma como você se comporta neste ambiente de aparente informalidade pode desbravar novos horizontes para a sua carreira.

Ricardo Dalbosco, Doutor e renomado palestrante sobre comunicação multigeracional e marca pessoal, enfatiza que "todo ponto de contato é uma oportunidade de influência ou perda de oportunidades". Esta máxima se aplica com particular intensidade às festas de final de ano. Não se trata de uma pausa para o descuido, mas sim de uma extensão do seu ambiente de trabalho, onde as regras não são suspensas, mas sim reconfiguradas. A autoridade cega, aquela baseada apenas em hierarquia, cede espaço à autoridade com coerência, que se manifesta na integridade e na comunicação estratégica, mesmo em momentos de relaxamento. 

A festa é, antes de tudo, um ecossistema social complexo. O ambiente profissional contemporâneo valoriza o indivíduo que compreende o "porquê" de suas ações e que se posiciona de forma consciente. Lhe exige uma inteligência emocional apurada e uma comunicação não violenta, não apenas para evitar gafes, mas para construir pontes e fortalecer laços.
 

Pense estrategicamente em cada interação:

  • Aparência: A vestimenta deve espelhar a sua marca pessoal e o alinhamento com o tipo de evento e a cultura da empresa. É a sua armadura, não a sua fantasia. Mesmo em um ambiente descontraído, o alinhamento com o negócio e o respeito pelo evento são inegociáveis. Busque projetar profissionalismo, sem ser rígido (caso o ambiente aceite isso).
  • Networking: Este é o momento ideal para conversar com colegas de outras áreas, com a liderança ou mesmo com novos colaboradores, de uma forma mais leve. Aborde estes encontros como investimentos em sua rede de contatos. Pratique a escuta ativa, demonstrando genuíno interesse pelas pessoas.
  • Moderação e autoconsciência: O consumo de álcool e a efervescência do momento podem prejudicar a sua marca pessoal. Exceder-se pode corroer a percepção construída ao longo de meses, transformando uma oportunidade de destaque em um tropeço de imagem. E calma: poderão ter outros momentos na sua vida e na sua privacidade para “encher a cara”. Não é porque é de graça que você precisa tomar todas.

 

Festa de final de ano para as diferentes gerações 

Este evento festivo se torna ainda mais relevante ao considerarmos as distintas perspectivas geracionais. A Geração Z, por exemplo, preza pela autenticidade e pela conexão com o propósito da organização. Se a celebração não refletir esses valores, pode parecer desprovida de significado. Já a Geração Y (Millennials) busca experiências e reconhecimento, utilizando o momento para fortalecer laços e vislumbrar novas oportunidades de crescimento e colaboração. 

A Geração X, por sua vez, valoriza a eficiência e a qualidade das interações, aproveitando a ocasião para um networking estratégico e equilibrado. Em contrapartida, os Baby Boomers encaram a festa como um rito fundamental para a consolidação da união e da identidade da equipe. A compreensão dessas nuances é fundamental para aumentar o engajamento de todos e para alinhar os valores individuais com os da empresa. 

Adicionalmente, devemos considerar a influência da formação educacional primária. Os ensinamentos adquiridos no ambiente familiar sobre limites, o consumo consciente de álcool e as normas de convivência social se manifestam de forma acentuada nestes momentos de descontração. A maneira como cada indivíduo demonstra moderação e respeito aos seus pares e às hierarquias revela um arcabouço comportamental que, embora frequentemente velado no cotidiano corporativo, emerge na festa como um componente distintivo da sua marca pessoal. Portanto, a celebração também funciona como um espelho da capacidade do profissional em integrar seus princípios educacionais aos valores da cultura organizacional. 

Nas festas de final do ano, planeje sua participação, execute suas interações com intencionalidade e avalie cada ação estrategicamente, considerando o impacto a longo prazo em sua trajetória profissional. Implemente soluções eficazes para demonstrar sua capacidade de se adaptar, de se conectar e de manter a excelência, mesmo em contextos informais. 

Portanto, em vez de ver a festa como um mero encerramento de ciclo, encare-a como uma abertura para o próximo, um momento para solidificar sua influência, inspirar confiança e reforçar o propósito de sua marca pessoal no vasto universo corporativo. 

E você, já presenciou vexames e falta de bom senso em festas de final de ano na empresa?
 



Ricardo Dalbosco - Palestrante referência em “Comunicação entre gerações” e o “Profissional do Futuro”, sendo estrategista de marca pessoal, destaque nacional e com experiência em projetar marcas pessoais de profissionais de sucesso de quatro continentes, além de marcas corporativas. É Doutor com foco em influência digital, escritor Best-Seller, conselheiro de empresas, vencedor de prêmios, além de colunista e consultado por diversas mídias de renome nacional e internacional. É o maior formador de LinkedIn Top Voices e Creators no Brasil, trabalhou em diversos lugares pelo mundo e é considerado o profissional de confiança de vários executivos, empresários e board members no país.

Para palestras, entrevistas e podcasts sobre o tema, contatar:
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Entre telas e sonhos: por que tantas crianças querem ser youtuber — e o que isso diz sobre o futuro do trabalho

Falta de referências presenciais e rotina digitalizada explicam a ascensão do “criador de conteúdo” no imaginário infantil; especialistas alertam para limites de tela e estímulos a projetos de vida mais plurais


As aspirações profissionais da infância mudaram. Se em décadas passadas “médico”, “professor” e “astronauta” dominavam o imaginário, hoje o posto de “trabalho dos sonhos” com frequência é ocupado por “youtuber” ou “influenciador”. Em levantamento recente com 910 jovens de 12 a 15 anos nos EUA, quase um terço escolheu “ser YouTuber” como primeira opção de carreira; sinal de uma tendência que ganha força com a centralidade das plataformas de vídeo na vida de crianças e adolescentes.

A popularidade do YouTube entre adolescentes ajuda a explicar o fenômeno: 93% usam a plataforma, e cerca de um sexto afirma usá-la “quase o tempo todo”, segundo pesquisa do Pew Research. 

Para a psicóloga especialista em saúde mental e neurociência do comportamento, Laís Mutuberria, a leitura clínica desse desejo passa menos por “moda” e mais por quais adultos e experiências estão ao alcance cotidiano das crianças e adolescentes. “O criador de conteúdo se torna o adulto visível no dia a dia digital, acessível e aparentemente recompensado com liberdade e reconhecimento. Quando a infância convive pouco com profissionais de áreas diversas, de pesquisadoras a artistas e técnicos, o repertório de futuro se estreita”, diz. 

Laís ressalta que o apelo do atalho também pesa. “A mensagem implícita é: trabalhar pode ser divertido, sem horários rígidos ou longos anos de formação. Isso conversa com um mundo acelerado, em que a recompensa imediata vale mais que o processo”, afirma. 

Segundo Mutuberria, os youtubers simbolizam um estilo de vida que combina entretenimento, liberdade e reconhecimento imediato — aspectos que ressoam com desejos universais da infância, como brincar, ser notado e sentir-se valorizado. Para muitas crianças, esses influenciadores representam a promessa de um atalho para o sucesso, reforçada pelo imaginário social contemporâneo. No entanto, essa expectativa contrasta com a realidade de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente.

O que mostram os dados

  • Uso intenso de plataformas: YouTube é o aplicativo mais difundido entre adolescentes, com uso “quase constante” para parte deles.
  • Infâncias cada vez mais conectadas: entre 0 e 8 anos, o tempo de tela gira em torno de 2h30 diárias, com posse de dispositivos crescendo já na primeira infância, segundo o censo 2025 da Common Sense Media.
  • Exposição importa: evidências da OCDE indicam que conversas estruturadas sobre carreiras e contato com profissionais ampliam expectativas e melhoram o preparo para o trabalho.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda limites claros de telas: de 6 a 10 anos, no máximo 1 a 2 horas/dia; de 11 a 18, 2 a 3 horas/dia, sempre com supervisão, e sem “virar a noite”. Para a primeira infância, as diretrizes da OMS aconselham evitar telas até 1 ano e limitar a 1 hora aos 2 anos. 

“Quando a rotina extrapola esses limites, vemos efeitos práticos: piora do sono, agitação, queda de atenção e ansiedade mais alta — fatores que empobrecem a curiosidade pelo mundo fora das telas e reduzem o interesse por profissões que exigem construção gradual de competências”, diz Mutuberria.
 

O risco do repertório estreito

Relatórios internacionais vêm apontando que adolescentes tendem a concentrar ambições em um conjunto pequeno de ocupações, fenômeno que pode limitar escolhas e inovação no longo prazo. Ampliar repertórios — por meio de visitas técnicas, feiras de profissões, mentorias e contato com pessoas de áreas pouco conhecidas — tem efeito demonstrado na qualidade das decisões vocacionais. 

Para a psicóloga Laís Mutuberria, o universo infantil tem se restringido cada vez mais às telas, o que limita o contato social e empobrece a curiosidade das crianças em relação ao mundo ao seu redor, incluindo o interesse pelas diferentes profissões. Nesse cenário, a figura do youtuber surge como projeção de futuro idealizado: um caminho rápido, fácil e promissor. 

“Do ponto de vista clínico, preocupa que muitas dessas referências digitais carregam conteúdos superficiais, sem aprofundamento, e reforçam valores ligados ao imediatismo. Esse desejo de recompensa instantânea enfraquece a tolerância à frustração e o apreço pela construção gradual de competências que seriam exigidas em outras profissões.”, afirma Laís. 

“Projetos de vida plurais nascem de experiências plurais”, afirma Mutuberria. “A internet é valiosa, mas não substitui brincar ao ar livre, conviver com diferentes adultos, ver alguém amar o que faz no mundo real.”

O que famílias e escolas podem fazer

  • Limitar e qualificar o tempo de tela, seguindo SBP/OMS, com acordos claros de horários e supervisão ativa.
  • Oferecer referências presenciais: convidar profissionais para conversas, visitar laboratórios, oficinas, hospitais, estúdios e fábricas; promover projetos mão na massa.
  • Valorizar o processo: incentivar atividades que envolvam esforço continuado (música, esportes, robótica, clubes de ciências).
  • Discutir o “trabalho por trás da tela”: planejamento, roteiro, edição, métricas, direitos autorais e riscos — desfazendo a ideia de que sucesso digital é só “sorte”.
  • Diversificar o imaginário: ampliar acesso a livros, museus, naturezas e culturas locais; aproximar crianças de profissionais que amam o que fazem.

“Querer ser youtuber não é um problema em si”, diz Laís. “O desafio é garantir que esse sonho conviva com outras possibilidades, com limites saudáveis de uso de tecnologia e com experiências que cultivem paciência, curiosidade e cooperação. É isso que sustenta escolhas melhores, na internet e fora dela”. 

“A diversidade de profissões, responsável por garantir inovação, cuidado e respostas a problemas sociais complexos, corre o risco de perder espaço diante do fascínio pelo entretenimento digital. Se as novas gerações deixarem de se interessar por carreiras científicas, educacionais ou ligadas à liderança social, a sociedade pode enfrentar um empobrecimento nas perspectivas coletivas”, conclui Laís Mutuberria. 


Laís Mutuberria - psicóloga possui mais de uma década de experiência em psicoterapia clínica e supervisão profissional, atendendo adultos e adolescentes no modelo online. Graduada pela UFU, especializou-se em Análise Transacional (Unat Brasil) e Neurociência do Comportamento (PUCRS), além de acumular formações em Psicologia Positiva, Hipnose Ericksoniana, PNL, TCC e Educação Sistêmica. Sua abordagem transteórica e humanizada combina diferentes técnicas para adaptar os tratamentos às necessidades individuais de cada paciente. Além da prática clínica, ministra cursos, palestras e eventos voltados ao bem-estar e à saúde mental.


Especialista em criminologia Vicente Garrido lança publicação sobre psicopatas integrados à sociedade

Em Um psicopata entre nós, seu primeiro livro lançado no Brasil pelo selo Paidós, da Editora Planeta, o autor espanhol analisa como indivíduos com traços psicopáticos afetam famílias, empresas e até nações inteiras.

 

Este livro desenvolve todas essas ideias em um estilo que visa ser de fácil compreensão e, ao mesmo tempo, rigoroso em seu conteúdo. Se eu tiver sido bem-sucedido, você o lerá com uma mistura de emoções diferentes: interesse, fascinação, indignação e, em alguns momentos, horror. Mas, antes de tudo, quero que você sinta esperança, energia e coragem” (p.21)

Vicente Garrido em
Um psicopata entre nós

 

As produções literárias e audiovisuais ajudaram a criar um mito em torno da figura do psicopata: personagens manipuladores, extremamente inteligentes, alheios à sociedade e, sobretudo, criminosos praticantes de atos hediondos. Mas nem todos os psicopatas seguem essa fórmula, de acordo com o renomado criminologista e psicólogo espanhol Vicente Garrido, uma das maiores autoridades no assunto. Em Um psicopata entre nós, sua primeira publicação lançada no Brasil pelo selo Paidós, da Editora Planeta, o autor se debruça sobre o conceito de “psicopata integrado” – terminologia utilizada para indivíduos que, mesmo sem empatia e capazes de manipulação e exploração, podem transitar nos ambientes familiares, profissionais e até públicos sem serem percebidos dessa maneira. 

Com base em mais de duas décadas de pesquisas e por meio de casos notórios ou aqueles acompanhados pelo especialista em sua prática clínica, Garrido faz uma anatomia da mente psicopata integrada à sociedade. Estima-se que 1% da população mundial tenha esse diagnóstico, e 5% esteja dentro do que o autor chama de espectro da psicopatia, com maior ou menor incidência dos traços psicológicos característicos desse perfil. Muitos deles são justamente indivíduos integrados à vida cotidiana, mas que, a depender de sua posição de poder, podem representar um grande risco a quem os cerca. “Na realidade, a maioria dos psicopatas são do tipo integrado, o que significa que, embora tenham uma personalidade com as características típicas da psicopatia, nunca houve – por seu círculo de relacionamento ou pelo Estado por meio de sua identificação como criminosos – nenhum processo de identificação como tal” (pp. 29-30), escreve Garrido. 

Ao longo de seis capítulos e um epílogo, o livro apresenta: o perfil psicológico dos psicopatas, diferenciando-os de outros tipos como o sociopata, e sua capacidade de manipulação; os impactos nos relacionamentos afetivos e familiares; a presença de líderes psicopatas em empresas e organizações; a relação entre psicopatia e política, incluindo figuras como Donald Trump e Vladimir Putin, além de estratégias para identificar e neutralizar esse comportamento, inspiradas em pensadores como Viktor Frankl, autor de O homem em busca de um sentido, livro que impactou profundamente os estudos de Garrido. 

Frankl, um médico judeu sobrevivente ao Holocausto, seria, segundo Garrido, a antítese ao perfil psicopata – característico de alguns de seus algozes na guerra, a exemplo do médico alemão Josef Mengele, apelidado de Anjo da Morte. Após sobreviver a Auschwitz – o único de sua família –, Frankl lança seu livro como enfrentamento à depressão e ao horror. Garrido busca nas práticas terapêuticas desenvolvidas pelo médico judeu alguns ensinamentos valiosos para identificarmos e sobrevivermos a essas “personalidades obscuras”. “Em resumo: Frankl nos incentiva a agir. Talvez você precise de um tempo para meditar, refugiar-se emocionalmente e refletir, não há dúvida. Mas, em seguida, você terá de tomar a vida em suas mãos” (p. 229). 

Com linguagem acessível, fundamentada em dados, pesquisas e anotações clínicas, Garrido oferece diagramas e instrumentos para que leitores reconheçam padrões de comportamento e possam compreender os mecanismos de poder e destruição associados à psicopatia, desenvolvendo, nesse processo, estratégias para se proteger de indivíduos que podem destruir vidas de forma invisível.
 

FICHA TÉCNICA

Título: Um psicopata entre nós – Um guia para detectar e se proteger dos psicopatas integrados na família, no trabalho e na política
Autor: Vicente Garrido
ISBN: 978-85-422-3808-2
Páginas: 304 pp.
Preço livro físico: R$ 69,90
Editora Planeta | Selo Paidós
 

SOBRE O AUTOR

Vicente Garrido é psicólogo, criminologista e professor catedrático de Educação e Criminologia na Universidade de Valência, na Espanha. Especialista em psicologia criminal, perfis de criminosos e delinquência juvenil, é referência internacional nesses temas. Autor de diversos livros, atua também como consultor e comentarista na rádio, na TV e na imprensa. Um psicopata entre nós é seu primeiro livro publicado pelo selo Paidós da Editora Planeta.
 

SELO


Vício em apostas online: psicólogo explica sinais, vício cruzado e onde buscar ajuda

Freepik
Classificada pela OMS como transtorno mental, a dependência em jogos digitais atinge milhões de brasileiros e cresce entre jovens; após polêmica com Neymar, negada pelo jogador, especialista orienta famílias

 

A dependência em apostas online é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como transtorno mental e preocupa especialistas e famílias no Brasil. Levantamentos indicam que quase 40% dos apostadores têm risco de desenvolver o problema e que, entre adolescentes de 14 a 17 anos, 55% já estão em zona de risco. O assunto das apostas ganhou destaque após um jornalista afirmar que Neymar Jr., do Santos, estaria consumindo álcool e narguilé com frequência e jogando online, alegações negadas pelo atleta, que informou que adotará medidas judiciais. 

Segundo o psicólogo Leonardo Teixeira, especialista no tratamento do vício e em psicologia do esporte, o vício em apostas funciona de forma semelhante à dependência em álcool ou drogas. “Cada vitória libera dopamina, o neurotransmissor do prazer. O cérebro passa a querer repetir essa sensação, mas exige apostas cada vez mais frequentes ou de valores maiores”, explica.

Além do risco entre jovens, a Associação Brasileira de Psiquiatria registra aumento superior a 300% nos atendimentos ligados a apostas nos últimos anos. Já o Instituto Locomotiva (2024) aponta que 86% dos apostadores acabam endividados e 64% ficam com o nome restrito.

 

Vício cruzado: quando um hábito reforça o outro  

O vício cruzado ocorre quando mais de uma dependência aparece ao mesmo tempo, por exemplo, apostas, álcool, narguilé e energéticos. De acordo com Teixeira, um comportamento potencializa o outro e dificulta a recuperação. “Em vez de aliviar a pressão, a pessoa fica ainda mais vulnerável”, afirma. 

O psicólogo lembra que a pressão em atletas de alto rendimento pode servir de gatilho para buscar válvulas de escape. 

“O atleta de alto rendimento é cobrado para sempre ser o melhor. Clube sob pressão, calendário intenso, expectativas. Essa pressão impacta a saúde mental e pode refletir em outros hábitos. É importante entender que, acima de tudo, eles também são seres humanos, submetidos a cobranças intensas”, completa.

 

Sinais de alerta  

Alguns indícios podem revelar que o jogo deixou de ser lazer e se tornou problema: 

·         Preocupação constante com apostas;

·         Escalada: necessidade de arriscar valores maiores para sentir prazer;

·         Prejuízo financeiro: dívidas, empréstimos ou uso de dinheiro da família;

·         Ocultação: mentiras para esconder gastos ou tempo jogando;

·         Impacto funcional: queda no desempenho escolar, profissional ou social.

 

“Muitos acreditam que é ‘falta de vergonha na cara’. Esse mito é perigoso, porque atrasa a busca por ajuda. Estamos falando de um transtorno sério, reconhecido pela medicina”, reforça o psicólogo.


 

Onde buscar ajuda 

 

O tratamento está disponível em serviços públicos de saúde, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), em grupos de apoio como os Jogadores Anônimos (JA) e também na rede privada. Em plataformas licenciadas, ative autoexclusão e limites de depósito/tempo. Em situação de crise, ligue 188 (CVV) ou procure a UPA/PS.

 

Além do atendimento clínico, Teixeira tem se dedicado a ampliar o acesso à informação e disponibiliza conteúdos gratuitos em seu canal no YouTube, com conscientização e dicas para quem enfrenta esse tipo de vício e para familiares. 

"O vício tem tratamento. É possível, sim, retomar o controle da vida e reconstruir vínculos familiares”, conclui.

 

Tênis de corrida não faz milagres: Especialista alerta que falta de mobilidade é a principal causa de lesões em corredores


Milhões de brasileiros praticam corrida de rua, mas uma dor crônica ou uma lesão inesperada muitas vezes interrompem o treino. O problema, na maioria dos casos, não está no tênis ou na falta de um equipamento de ponta, mas em um fundamento esquecido: a mobilidade articular.

O alerta é de Rodrigo Perez, educador físico e autor do livro A Arte da Longevidade. Com 25 anos de experiência internacional na Austrália, ele defende que investir em um corpo funcional é mais importante do que em tecnologia esportiva. “Não existe tecnologia que compense um corpo disfuncional. O tênis pode amortecer o impacto, mas se o tornozelo, o quadril e a coluna não se movem bem, a corrida vai gerar uma sobrecarga que leva à lesão. A base não é o equipamento, é o corpo”, afirma Perez. 

Lesões comuns como fascite plantar, síndrome da banda iliotibial e dores no quadril, segundo o especialista, estão diretamente ligadas a essa falta de mobilidade. "A maioria das lesões de corrida tem origem no desequilíbrio mecânico. Fascite plantar, por exemplo, muitas vezes vem de tornozelos rígidos. Quando uma articulação principal não cumpre sua função, outra parte do corpo compensa, e é aí que a dor aparece", explica.

Muitos confundem mobilidade com alongamento, mas a diferença é crucial. “O alongamento trabalha o músculo de forma passiva. Mobilidade é controle ativo da articulação, envolvendo músculos, tendões e até o sistema nervoso. É treinar o movimento com consciência”, detalha Rodrigo. A boa notícia é que a prática é acessível a todos, inclusive sedentários ou pessoas acima do peso, que podem começar com movimentos simples, sentados ou com apoio.

Para corredores recreativos, a recomendação é clara: dedicar 10 minutos a exercícios de mobilidade antes e depois da corrida já é suficiente para prevenir a rigidez e melhorar a técnica. O foco deve ser em três áreas prioritárias. “Quadril, tornozelos e coluna torácica são as 'dobradiças' do nosso corpo. O tornozelo absorve o impacto, o quadril gera potência e a torácica garante a postura. Quando estão limitadas, o corpo dá sinais como dor na lombar ou joelhos sobrecarregados”, alerta.

Vivendo na Austrália, onde a mobilidade é parte integrada do treino de atletas e amadores, Rodrigo traz uma visão global para a realidade brasileira. “O diferencial que trago ao Brasil é mostrar que não é preciso ter uma estrutura de ponta. Basta ter educação do movimento e constância. Meu livro, A Arte da Longevidade, traduz essa visão para que qualquer pessoa possa ter acesso a resultados profundos com práticas simples”, conclui.


Rodrigo Perez - terapeuta, educador físico e autor do livro A Arte da Longevidade. Residente na Austrália há 25 anos, é especialista em performance humana e traduz conceitos da ciência do esporte em ferramentas práticas para saúde e prevenção de lesões no público geral

 

Pensamentos intrusivos: como lidar com eles sem travar uma guerra interna?

Renata Fornari, especialista em autoconhecimento, explica como acolher e transformar esses pensamentos que vêm “do nada” 


De repente, sem aviso, surge um pensamento estranho: “e se eu morrer agora?” ou “e se eu perder o controle e causar um acidente?”. Esse tipo de ideia repentina, geralmente contrária aos valores e desejos da pessoa, é chamado de pensamento intrusivo. Nos últimos meses, o termo “pensamentos intrusivos” tem ganhado destaque em entrevistas e depoimentos de celebridades, despertando a curiosidade do público. Apesar de não serem reais, podem abalar a percepção da realidade, gerar ansiedade e até culpa. 

Esses pensamentos são mais comuns do que se imagina, especialmente em momentos de estresse, cansaço ou ansiedade. E, segundo especialistas, o problema não está no pensamento em si, mas em como reagimos a ele. 

É o que explica Renata Fornari, especialista em autoconhecimento e autoamor, e única formadora do Método Louise Hay® no Brasil: “A primeira coisa é não brigar contra, não ficar bravo com o pensamento intrusivo. O sofrimento vem justamente da guerra que a gente trava contra ele. Quanto mais você tenta brigar, calar ou expulsar um pensamento, mais força ele ganha”. 

Renata destaca que o caminho é acolher e criar uma distância saudável. “Quando penso ‘e se eu morrer agora?’, eu não nego o medo. Eu acolho: ‘ok, esse pensamento veio me visitar, não significa que ele é verdade, nem que eu desejo isso, é só um pensamento’. E como Louise Hay sempre dizia: um pensamento pode ser mudado. Então eu escolho pensar: ‘eu confio na vida, meu corpo é naturalmente saudável, eu estou segura aqui e agora’. Pergunte-se sempre: que outro pensamento eu posso colocar no lugar que vai me produzir um efeito diferente?”, indica a especialista. 

Essa prática, segundo ela, reduz a intensidade do pensamento e abre espaço para a tranquilidade. “Eu acolho, respiro e me lembro: ‘isso não me define, é só uma nuvem passando’. Nós temos que entender que nós somos como o sol e os pensamentos são como nuvens que passam, nós podemos observar e escolher não nos apegarmos a nenhum deles e não nos identificarmos com eles. Quanto mais amor-próprio eu construo, menos preciso lutar com os meus pensamentos. Eu crio confiança interna, e é dali que a paz começa”, finaliza Renata Fornari. 

Acolher é diferente de concordar. É entender que esses pensamentos são parte da estrutura mental humana, mas que, se causam dor, precisam ser cuidados. Práticas como atividade física, sono de qualidade e relaxamento ajudam a diminuir sua intensidade. Com pequenos gestos de autocuidado, é possível recuperar o equilíbrio e cultivar uma relação mais saudável com a própria mente.


84% dos brasileiros sofrem com ansiedade financeira: Psicanalista indica seis práticas de reprogramação mental

 Especialista explica como crenças herdadas limitam a prosperidade e detalha processo para transformar a relação com o dinheiro


Oito em cada dez brasileiros convivem com algum tipo de sofrimento ligado às finanças, de acordo com levantamentos recentes sobre endividamento e saúde mental. A realidade é que 70% já perderam o sono preocupados com dívidas, 65% escondem suas dificuldades financeiras e 45% sentem culpa ao pedir ajuda monetária, segundo dados do Serasa. A pressão não afeta apenas o bolso: sintomas como insônia, irritabilidade, dificuldades de concentração e isolamento social estão cada vez mais associados à ansiedade financeira.

Para a psicanalista e especialista em reprogramação mental Elainne Ourives, a raiz do problema vai além da gestão de orçamento. “O dinheiro não é só número em planilha, é energia. As crenças herdadas da família e registradas no subconsciente criam uma vibração de escassez que mantém as pessoas presas ao medo. Enquanto esse padrão não for ressignificado, o ciclo de ansiedade continua”.

Pesquisas em psicologia apontam que crenças limitantes formadas na infância, como “dinheiro é difícil de conseguir” ou “não mereço ser rico”, moldam decisões na vida adulta e podem se perpetuar por gerações. Estudos da epigenética reforçam que memórias emocionais de escassez podem ser transmitidas entre pais e filhos, impactando a relação com o dinheiro mesmo quando a situação econômica muda.

Segundo Elainne, o caminho para superar a pressão econômica passa pela reprogramação interna. Isso inclui identificar crenças inconscientes, ressignificar experiências passadas, adotar novos padrões mentais e alinhar emoções com ações práticas. “Quando você muda sua vibração em relação ao dinheiro, não atrai mais experiências de carência, mas de prosperidade. A transformação começa dentro”, explica.

Autora de dez livros best-sellers e criadora da Técnica Hertz, metodologia que combina neurociência e física quântica na reprogramação da frequência vibracional, Elainne já formou mais de 260 mil alunos em 40 países. Para ela, a libertação da representa não apenas equilíbrio emocional, mas também a abertura para uma vida mais próspera e saudável.

Na visão da especialista, existem práticas para obter a cura quântica para a ansiedade financeira e transformar a realidade interna:

  1. Identifique suas crenças limitantes – escreva pensamentos recorrentes sobre dinheiro e reconheça os medos mais profundos.
  2. Ressignifique o passado e os traumas financeiros – compreenda a origem de experiências de escassez sem buscar culpados.
  3. Reprograme o subconsciente com novas crenças – substitua padrões de medo por afirmações positivas, repetidas com emoção.
  4. Eleve sua frequência vibracional – pratique gratidão, visualize abundância e adote hábitos que transmitam prosperidade.
  5. Aja de forma inspirada e alinhada – organize suas finanças, busque aprendizado e aproveite oportunidades que surgirem.
  6. Pratique o desapego consciente – confie no processo e evite a ansiedade excessiva pelo resultado imediato.

“Quando você transforma a forma como enxerga o dinheiro, liberta-se do medo e cria espaço para a prosperidade. Não é apenas sobre pagar contas, mas sobre cocriar uma vida de equilíbrio e abundância”, pontua Ourives.

 


Elainne Ourives - Treinadora mental, psicanalista, cientista e pesquisadora nas áreas da Física Quântica, das Neurociências e da reprogramação mental; autora best-seller de 10 livros; mestra de mais de 300 mil alunos, sendo 120 mil deles alunos do treinamento Holo Cocriação de Objetivos, Sonhos e Metas, a mais completa metodologia de reprogramação mental, cocriação e manifestação de sonhos do mundo; formada pelos maiores cientistas do mundo, tais como Jean Pierre Garnier Malet, Tom Campbell, Gregg Braden, Bob Proctor, Joe Dispenza, Bruce Lipton, Deepak Chopra e Tony Robbins; multiplicadora do Ativismo Quântico de Amit Goswami; certificada pelo Instituto HeartMath; única trainer de Joe Vitale no Brasil. Autora Best Seller dos livros: DNA Milionário® (2019); DNA da Cocriação® (2020); DNA Revelado das Emoções® (2021), Cocriador da Realidade (2022); Algoritmos do Universo (2022), Taqui-Hertz® (2022), O Meu Ano de Gratidão (2023), Gene da Juventude (2023), Visualização Holográfica (2023) e DNA do Dinheiro (2024). É ainda idealizadora do Movimento “A Vida é Incrível”, lançado para ajudar a libertar o potencial máximo das pessoas na realização de seus sonhos; e criadora da Técnica Hertz® - Reprogramação da Frequência Vibracional, que surgiu a partir de descobertas da física quântica e do estudo aprofundado das mais poderosas terapias energéticas e emocionais do mundo.
https://elainneourives.com.br
Instagram @elainneourivesoficial

 

IA e saúde mental de jovens: promessa, riscos e caminhos éticos


Nos últimos meses, diversos estudos, incluindo uma pesquisa do Conselho Federal de Psicologia, apontam um aumento exponencial na utilização de ferramentas conversacionais de Inteligência Artificial Generativa (GenAI) como suporte emocional e companheiros virtuais para jovens. 

Segundo o relatório ‘Talk, Trust, and Trade-Offs: How and Why Teens Use AI Companions’ (Conversa, confiança e conversações: como e porque adolescentes usam IA como companhia’, em tradução livre), 72% dos adolescentes já usaram IA como companhia pelo menos uma vez, e mais da metade (52%) são usuários regulares que interagem com essas plataformas pelo menos algumas vezes por mês. 

Em resumo, esses jovens recorrem a essas plataformas para buscar aconselhamento sobre relacionamentos, traumas, autoestima ou até mesmo como companhia em momentos de isolamento ou ansiedade. 

Agentes altamente personalizados, com nomes, linguagem humanoide e capacidade de leitura de ambiente têm contribuído para esse fenômeno de criação de aparente vínculo com uma tecnologia digital. 

Essa preferência por interações mediadas por Inteligência Artificial (IA) acende um alerta sobre o papel dessas tecnologias na formação do vínculo, da confiança e da percepção de suporte emocional, o que torna imperativo que sua implementação seja feita com responsabilidade, transparência e governança adequada. 

A humanização desses agentes, como vimos, tem contribuído para a popularidade dessa tecnologia no apoio emocional. Porém, é fundamental garantir que essa aproximação seja pautada por uma comunicação transparente com o usuário e por frameworks de explicabilidade, que permitem entender a lógica por trás das respostas e recomendações do sistema, fortalecendo o controle clínico. 

Além disso, é essencial que se preservem sigilo e segurança de dados, criando mecanismos que acionem o human-in-the-loop, conceito que, em IA e Machine Learning, designa um profissional humano para participa ativamente do processo de tomada de decisão, supervisão ou validação dos resultados produzidos por algoritmos. Essa abordagem garante segurança e ética no uso de sistemas automatizados, especialmente em áreas sensíveis como saúde. 

Ainda que o uso de tecnologias digitais possa contribuir para o agravamento de problemas de saúde mental, a Inteligência Artificial, se utilizada de forma ética e regulada, tem potencial para transformar esse cenário. Em países como os Estados Unidos, por exemplo, ela já é parte integrante do sistema de saúde mental, oferecendo desde triagens automatizadas até suporte remoto 24 horas por dia. Essa experiência revela tanto potencial quanto limites e riscos, sobretudo quando importada sem adequada adaptação à realidade brasileira. 

Já no Brasil, a escassez de profissionais de saúde mental é um desafio relevante. Dados do Conselho Federal de Psicologia e do Ministério da Saúde apontam uma grande desigualdade na distribuição de psiquiatras e psicólogos, com uma média de poucos profissionais por habitante, especialmente em regiões remotas e populações vulneráveis. 

Além disso, o país também enfrenta altas despesas com internações psiquiátricas e intervenções de saúde, dificultando ainda mais o acesso ao tratamento para a maioria dos jovens e suas famílias. 

Nesse cenário, soluções digitais podem ajudar na triagem precoce dos atendimentos, além da redução da burocracia no sistema de saúde, bem como na capacitação de profissionais, escolas e famílias para lidarem com crises emergentes. É fundamental, porém, que esse uso seja balizado por uma ética rigorosa, envolvendo supervisão clínica, regulação adequada e o reconhecimento de que a IA nunca substituirá o diálogo humano, a escuta empática e a responsabilidade ética inerentes à prática clínica. 

A experiência norte-americana oferece lições importantes: a dependência excessiva de IA, em um sistema fragmentado que prioriza o lucro e a eficiência, pode reforçar exclusões e gerar respostas automáticas inadequadas, especialmente em situações graves de crise. 

Além disso, o contexto populacional dos Estados Unidos difere bastante do brasileiro, com um sistema de saúde predominantemente privado, enquanto o SUS é o pilar do atendimento universal no país. Com isso, importar o modelo dos EUA sem uma crítica cuidadosa e sem adaptações pode ampliar desigualdades e reforçar vulnerabilidades. 

Qualquer tentativa de incorporar a IA na saúde mental brasileira deve respeitar as particularidades culturais, socioeconômicas e estruturais do país. A tecnologia, portanto, deve atuar como complemento, promovendo mais acesso e eficiência, sem substituir o fundamental vínculo de confiança entre profissional e paciente. 

Caminhar nessa direção exige uma construção coletiva, com participação de profissionais de saúde, gestores públicos, sociedade civil e especialistas em ética, tecnologia e políticas públicas. Assim, é possível transformar dados em ações concretas e humanas, que respeitem a diversidade social brasileira, promovam o cuidado integral e reforcem a relação de confiança entre pacientes e profissionais. 

No campo da saúde, ainda não se inventou nada que possa substituir o trabalho clínico da escuta, da responsabilidade e da relação entre paciente e profissional. O uso responsável da IA é uma oportunidade de avançar na prevenção, no acesso e na qualidade do cuidado, desde que aliado à coragem, ética e reflexão constante. Nenhum algoritmo sustenta silêncio, contradição ou ambivalência, elementos essenciais na prática clínica humanizada, que só o contato e a relação humana podem oferecer.
  


Adriane Barroso - psicóloga e psicanalista especializada em saúde mental adolescente

Ana Barroso - sócia e Head de Design da A3Data, consultoria especializada em dados e Inteligência Artificial, parceira Advanced da AWS (Amazon Web Services).

 


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