Milhões de brasileiros praticam corrida de rua, mas uma dor crônica ou uma lesão inesperada muitas vezes interrompem o treino. O problema, na maioria dos casos, não está no tênis ou na falta de um equipamento de ponta, mas em um fundamento esquecido: a mobilidade articular.
O alerta é de Rodrigo Perez, educador físico e autor do livro A Arte da
Longevidade. Com 25 anos de experiência internacional na Austrália, ele
defende que investir em um corpo funcional é mais importante do que em
tecnologia esportiva. “Não existe tecnologia que compense um
corpo disfuncional. O tênis pode amortecer o impacto, mas se o tornozelo, o
quadril e a coluna não se movem bem, a corrida vai gerar uma sobrecarga que
leva à lesão. A base não é o equipamento, é o corpo”, afirma Perez.
Lesões comuns como fascite plantar, síndrome da banda iliotibial e dores no quadril, segundo o especialista, estão diretamente ligadas a essa falta de mobilidade. "A maioria das lesões de corrida tem origem no desequilíbrio mecânico. Fascite plantar, por exemplo, muitas vezes vem de tornozelos rígidos. Quando uma articulação principal não cumpre sua função, outra parte do corpo compensa, e é aí que a dor aparece", explica.
Muitos confundem mobilidade com alongamento, mas a diferença é crucial. “O alongamento trabalha o músculo de forma passiva. Mobilidade é controle ativo da articulação, envolvendo músculos, tendões e até o sistema nervoso. É treinar o movimento com consciência”, detalha Rodrigo. A boa notícia é que a prática é acessível a todos, inclusive sedentários ou pessoas acima do peso, que podem começar com movimentos simples, sentados ou com apoio.
Para corredores recreativos, a recomendação é clara: dedicar 10 minutos a exercícios de mobilidade antes e depois da corrida já é suficiente para prevenir a rigidez e melhorar a técnica. O foco deve ser em três áreas prioritárias. “Quadril, tornozelos e coluna torácica são as 'dobradiças' do nosso corpo. O tornozelo absorve o impacto, o quadril gera potência e a torácica garante a postura. Quando estão limitadas, o corpo dá sinais como dor na lombar ou joelhos sobrecarregados”, alerta.
Vivendo na Austrália, onde a mobilidade é parte integrada do treino de atletas
e amadores, Rodrigo traz uma visão global para a realidade brasileira. “O
diferencial que trago ao Brasil é mostrar que não é preciso ter uma estrutura
de ponta. Basta ter educação do movimento e constância. Meu livro, A Arte da
Longevidade, traduz essa visão para que qualquer pessoa possa ter acesso a
resultados profundos com práticas simples”, conclui.
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