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sábado, 4 de outubro de 2025

Tênis de corrida não faz milagres: Especialista alerta que falta de mobilidade é a principal causa de lesões em corredores


Milhões de brasileiros praticam corrida de rua, mas uma dor crônica ou uma lesão inesperada muitas vezes interrompem o treino. O problema, na maioria dos casos, não está no tênis ou na falta de um equipamento de ponta, mas em um fundamento esquecido: a mobilidade articular.

O alerta é de Rodrigo Perez, educador físico e autor do livro A Arte da Longevidade. Com 25 anos de experiência internacional na Austrália, ele defende que investir em um corpo funcional é mais importante do que em tecnologia esportiva. “Não existe tecnologia que compense um corpo disfuncional. O tênis pode amortecer o impacto, mas se o tornozelo, o quadril e a coluna não se movem bem, a corrida vai gerar uma sobrecarga que leva à lesão. A base não é o equipamento, é o corpo”, afirma Perez. 

Lesões comuns como fascite plantar, síndrome da banda iliotibial e dores no quadril, segundo o especialista, estão diretamente ligadas a essa falta de mobilidade. "A maioria das lesões de corrida tem origem no desequilíbrio mecânico. Fascite plantar, por exemplo, muitas vezes vem de tornozelos rígidos. Quando uma articulação principal não cumpre sua função, outra parte do corpo compensa, e é aí que a dor aparece", explica.

Muitos confundem mobilidade com alongamento, mas a diferença é crucial. “O alongamento trabalha o músculo de forma passiva. Mobilidade é controle ativo da articulação, envolvendo músculos, tendões e até o sistema nervoso. É treinar o movimento com consciência”, detalha Rodrigo. A boa notícia é que a prática é acessível a todos, inclusive sedentários ou pessoas acima do peso, que podem começar com movimentos simples, sentados ou com apoio.

Para corredores recreativos, a recomendação é clara: dedicar 10 minutos a exercícios de mobilidade antes e depois da corrida já é suficiente para prevenir a rigidez e melhorar a técnica. O foco deve ser em três áreas prioritárias. “Quadril, tornozelos e coluna torácica são as 'dobradiças' do nosso corpo. O tornozelo absorve o impacto, o quadril gera potência e a torácica garante a postura. Quando estão limitadas, o corpo dá sinais como dor na lombar ou joelhos sobrecarregados”, alerta.

Vivendo na Austrália, onde a mobilidade é parte integrada do treino de atletas e amadores, Rodrigo traz uma visão global para a realidade brasileira. “O diferencial que trago ao Brasil é mostrar que não é preciso ter uma estrutura de ponta. Basta ter educação do movimento e constância. Meu livro, A Arte da Longevidade, traduz essa visão para que qualquer pessoa possa ter acesso a resultados profundos com práticas simples”, conclui.


Rodrigo Perez - terapeuta, educador físico e autor do livro A Arte da Longevidade. Residente na Austrália há 25 anos, é especialista em performance humana e traduz conceitos da ciência do esporte em ferramentas práticas para saúde e prevenção de lesões no público geral

 

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