Educadores esclarecem dúvidas comuns sobre estudar
fora do Brasil e mostram que o sonho pode ser acessível
Estudar
fora do Brasil é um desejo recorrente entre muitos jovens — e também entre seus
familiares. A ideia de viver em outro país, cursar uma universidade
internacional e aprimorar a fluência em outro idioma carrega, além de muito
entusiasmo, uma série de dúvidas e suposições. Afinal, é preciso ser bilíngue?
As universidades exigem notas altíssimas? Preciso saber desde já qual carreira
quero seguir?
Para
responder a essas e outras questões, quatro educadores de escolas bilíngues
esclarecem o que é mito e o que é verdade quando o assunto é fazer faculdade no
exterior. Confira abaixo:
1. Mito: é preciso muito dinheiro para estudar fora
É
comum imaginar que estudar no exterior seja um privilégio apenas para famílias
com alto poder aquisitivo. No entanto, essa ideia nem sempre corresponde à
realidade. “Existem opções de universidades em países com custo mais acessível,
além de diversas instituições que oferecem bolsas de estudo, com base em mérito
acadêmico, engajamento social, esportes ou talentos específicos, que cobrem
totalmente ou parcialmente a estadia e alimentação do aluno”, explica Samuel
Ferreira Gama Junior, consultor de carreiras da Escola Bilíngue
Aubrick, de São Paulo/SP.
2. Verdade: é preciso se preparar com antecedência
O
planejamento é indispensável. Os processos de admissão no exterior geralmente
começam de um a dois anos antes do início das aulas, e envolvem provas, cartas
de recomendação, entrevistas e produção de redações. “Quanto mais cedo o aluno
começar a se informar e a se preparar, maiores serão suas chances. O processo é
criterioso, mas possível para quem se organiza”, afirma o educador da Aubrick.
3. Verdade: é preciso ser bilíngue no idioma do país
Para
ingressar em uma universidade estrangeira, é fundamental que o aluno apresente
um nível adequado de proficiência no idioma (seja o inglês, espanhol, francês
ou outros) por meio de exames como TOEFL, IELTS ou DELF, capaz de garantir sua
participação ativa em aulas, avaliações e interações acadêmicas. Ao mesmo
tempo, é importante destacar que essa proficiência será naturalmente ampliada
ao longo da vivência internacional, por meio da exposição a diferentes
situações, vocabulários e contextos que enriquecerão sua fluência.
“Nesse
sentido, ter estudado em uma escola de currículo bilíngue não representa
somente uma preparação essencial, mas também abre portas para a admissão e
assegura uma adaptação mais tranquila e produtiva na vida universitária
internacional”, explica Renata Bonacin, coordenadora do IB-DP do colégio Progresso
Bilíngue, de Campinas/SP.
4. Mito: é preciso ser um aluno excepcional
Muitos
acreditam que apenas estudantes com notas perfeitas podem conquistar uma vaga
fora do país, mas isso não é verdade. As universidades estrangeiras costumam
adotar um olhar bastante holístico sobre o candidato, considerando aspectos que
apontam sobre as contribuições que ele trará para a instituição. “Mais do que
apenas um bom boletim, os Admissions Officers (comitês de admissão) valorizam
habilidades desenvolvidas e comprovadas pelo candidato, tais como criatividade,
liderança, engajamento e perseverança em projetos sociais ou esportivos,
capacidade de trabalhar em equipe”, afirma a coordenadora IB do Progresso.
5. Verdade: cada país e universidade tem seu processo de admissão
Não
existe um modelo único de seleção para ingressar em universidades no exterior.
Os critérios, prazos e exigências variam bastante de acordo com o país e a
instituição. “Alguns lugares priorizam provas padronizadas; outros dão mais
peso a entrevistas ou cartas de intenção. Por isso, é essencial conhecer bem o
processo específico de cada universidade pretendida”, orienta Marilda Bardal,
coordenadora de relações internacionais e institucionais da Escola
Internacional de Alphaville - EIA,
de Barueri/SP.
6. Mito: só vale a pena estudar fora se for em uma universidade famosa
Embora
universidades renomadas como Harvard, Oxford ou Stanford sejam muito
prestigiadas, a experiência internacional vai além do nome da instituição.
“Estudar fora amplia a visão de mundo, desenvolve autonomia, abre portas para
redes internacionais e proporciona crescimento pessoal. Mesmo em instituições
menos conhecidas, os benefícios são significativos”, reforça Marilda, da EIA.
7. Mito: estudantes brasileiros não recebem assistência para adaptação
“Universidades
estrangeiras, especialmente em países com tradição de receber estudantes
internacionais, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Austrália,
entre outros, geralmente têm uma abordagem bem estruturada e acolhedora para
tratar esses alunos”, acrescenta Marilda. Ela elenca alguns aspectos
importantes de como elas costumam tratar os estudantes internacionais:
escritório de apoio ao estudante internacional, programas de orientação e
integração, apoio acadêmico especializado, alojamento e vida no campus, apoio à
carreira e estágios, comunidade e clubes, saúde mental e bem-estar.
8. Verdade: dá para trabalhar e viajar enquanto estuda
A
possibilidade de trabalhar durante os estudos varia conforme o país e o tipo de
visto, mas sim, é uma realidade em muitos destinos. “O trabalho no campus de 20
horas semanais permite não só complementar a renda, mas também desenvolver
habilidades profissionais e praticar o idioma em situações reais. E ainda é
possível aproveitar finais de semana e o recesso escolar para viagens e
imersões culturais”, afirma Ana Cláudia Gomes, counselor do colégio Brazilian
International School – BIS, de São
Paulo/SP.
9. Mito: é preciso escolher a carreira ou o curso antes
Em
vários sistemas educacionais de países no exterior, os estudantes ingressam na
universidade se declarando indecisos quanto ao curso que vão seguir e só depois
de um ano decidem sua especialização. “Isso dá ao jovem mais tempo para
amadurecer sua escolha profissional, explorando diferentes possibilidades antes
de definir o caminho. É uma abordagem muito benéfica para quem ainda está em
dúvida”, conclui Ana Cláudia, do BIS.
Ana Cláudia Gomes - mestre em Comportamento
Organizacional pela University of Nevada (EUA), Pós-graduada em Bilinguismo
pela Faculdade Singularidades, bacharel em Língua Inglesa e Literatura e em
Pedagogia, além de possuir certificações em tradução simultânea e
aconselhamento educacional. É especialista em orientação acadêmica e aplicação
para universidades internacionais, com sólida experiência como coordenadora
pedagógica e docente em escolas bilíngues, tendo liderado projetos de formação
docente, análise de dados educacionais e desenvolvimento curricular.
Marilda Bardal - graduada pela Universidade de São Paulo,
atuou como professora de Ciências, Matemática, Biologia e Química, e também
como Pedagoga com habilitação em Administração Escolar e Supervisão Escolar nas
redes pública e privada de ensino. Atua na área da Educação há mais de quatro
décadas; e atualmente, exerce as funções de diretora substituta e coordenadora
de relações internacionais e institucionais na Escola Internacional de
Alphaville.
Renata Bonacin - doutora em Química pela Universidade de
São Paulo (USP), tendo realizado parte de sua pesquisa de doutorado na Rutgers
University (New Jersey, EUA). Apaixonada pelo sucesso estudantil, e com mais de
uma década de experiência no International Baccalaureate Diploma Programme
(IB-DP), Renata é coordenadora do IB-DP e do Programa Bilíngue dos Anos Finais
do Ensino Fundamental do Colégio Progresso Bilíngue Cambuí. Ao longo de sua
trajetória, também atuou como professora de IB Chemistry e coordenadora do
Extended Essay, dando suporte aos alunos do IB na busca por excelência
acadêmica e por sucesso em seus processos de candidatura a universidades
internacionais e brasileiras.
Samuel Gama - mestre em Educação (University of
Chichester, UK), pós-graduado em Psicopedagogia (Instituto Singularidades); e
bacharel em Língua e Literatura Portuguesa e Inglesa (Faculdades Metropolitanas
Unidas) e Administração (The University of British Columbia, Canadá). Com mais
de 15 anos de experiência, já ocupou cargos de gestão acadêmica, além de ter
atuado como mentor de professores e formador em inovação pedagógica e
examinador internacional do British Council. É conselheiro universitário de
carreiras e orientador educacional do Ensino Médio na Escola Bilíngue Aubrick.