O
dia 13 de setembro é marcado pelo Dia Internacional do Legado Solidário, data
que celebra doações deixadas para organizações sem fins lucrativos em
testamento e nos convida a refletir sobre como podemos transformar o patrimônio
que acumulamos ao longo da vida em para criar impacto duradouro, muito além da
nossa própria existência.
Este
tipo de doação se torna ainda mais relevante diante do cenário mundial atual:
nas próximas décadas, assistiremos à maior transferência de patrimônio da
história. Apenas nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 30 trilhões de
dólares que passarão da geração baby boomer, pessoas nascidas entre
1946-1960 (período pós-Segunda Guerra), para seus herdeiros mais jovens. O
Brasil será o segundo país com o maior volume absoluto de herança a ser
transferida de acordo com o Global Wealth Report 2025.
Essa grande transferência de riqueza acontece em um
cenário marcado por complexidade e desigualdade. Segundo a Oxfam, 1% da
população mais rica concentra cerca de 45% da riqueza global. O Brasil, por sua
vez, ocupa a segunda posição em volume de transferência de patrimônio e, ao
mesmo tempo, está entre os países mais desiguais do planeta, com índice de Gini
de 0,82 (sendo 1 o nível máximo da escala de desigualdade).
Diante desse contexto, surge uma questão central: de que forma os
herdeiros irão utilizar esse capital?
Parte da nova geração já reconhece seu papel transformador e
direciona sua atuação filantrópica para causas como justiça social, mudanças
climáticas e bem-estar coletivo. Ainda assim, há muito a avançar. É nesse
cenário que o Legado Solidário se apresenta como uma oportunidade única para
transformar parte do patrimônio pessoal em educação, saúde e assistência social
para pessoas em situação de vulnerabilidade. Importante lembrar que, embora
exista a ideia de que a doação via testamento possa reduzir o que é destinado
aos herdeiros, na prática o impacto é mínimo: pela legislação brasileira, ao
menos 50% do patrimônio deve obrigatoriamente permanecer com os herdeiros
legais.
Por
isso, deixar uma doação via testamento é adotar uma postura consciente e
solidária, que transforma riqueza em impacto social.
Ao
deixar uma doação em testamento, o doador contribui com ações de efeito
multiplicador conduzidas por organizações responsáveis da sociedade civil, seja
a favor da proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade
social, da geração de renda para mulheres ou da preparação de jovens para o
mercado de trabalho.
Deixar
um Legado Solidário também nos leva a refletir sobre o quanto realmente é
suficiente para uma pessoa viver de maneira confortável, com todas suas
necessidades atendidas e o que pode ser redistribuído em prol do bem comum. Até
que ponto o acúmulo de riqueza contribui para a desigualdade social ou erosão
democrática? Como cidadãos, somos todos responsáveis pelos rumos da sociedade e
cabe a cada um de nós atuar de forma a promover mais justiça e igualdade.
A doação via testamento permite que cada pessoa defina o legado
que deseja deixar ao mundo e de que forma gostaria de ser lembrada. Mais do que filantropia, o Legado Solidário é um
compromisso com os valores que guiam a sua própria história e o seu desejo para
além da vida.
Joanna
Sultanum Calazans - gerente de Filantropia e novas estratégias da Aldeias
Infantis SOS
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