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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Congelar óvulos ou embriões: o que muda, como funciona e por que cada vez mais mulheres estão fazendo isso

 

O avanço da medicina reprodutiva tornou possível preservar a fertilidade com segurança. Mas você sabe a diferença entre congelar óvulos e embriões? E quando cada um é indicado? Entenda agora, com quem vive isso na prática.

 

O desejo de ter filhos não tem data certa para acontecer, mas a fertilidade, infelizmente, ainda tem prazo. A boa notícia é que, graças à medicina reprodutiva, já é possível preservar as chances de uma gestação saudável no futuro com técnicas cada vez mais seguras e acessíveis: o congelamento de óvulos e embriões.

Mas afinal, qual a diferença entre congelar óvulos e embriões? Quando cada técnica é indicada? E como funciona esse processo que parece complexo, mas é mais comum (e necessário) do que muita gente imagina?

 

Congelamento de óvulos: liberdade reprodutiva com planejamento

O ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, Dr. Orlando Monteiro, explica que o congelamento de óvulos é indicado para mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos profissionais, emocionais ou médicos, como em casos de câncer, endometriose ou baixa reserva ovariana precoce.

 

O processo começa com a estimulação dos ovários por meio de hormônios injetáveis, para que produzam mais óvulos do que no ciclo natural. Depois de cerca de 10 a 12 dias de acompanhamento com ultrassons e exames hormonais, os óvulos são coletados por uma punção transvaginal, feita com sedação leve. Os óvulos maduros são então congelados em altíssima velocidade, utilizando uma técnica chamada vitrificação, que evita a formação de cristais de gelo e preserva a integridade celular.

 

A mulher pode manter esses óvulos armazenados por tempo indeterminado, com a possibilidade de usá-los no futuro em uma Fertilização In Vitro (FIV). 


Congelamento de embriões: quando há fecundação antes do congelamento

Dr. Orlando Monteiro, esclarece que no congelamento de embriões, o processo inicial é o mesmo: estimulação ovariana, coleta dos óvulos e fertilização. A diferença é que, após a coleta, os óvulos são fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro ou de um doador, formando embriões que são cultivados por alguns dias até atingir o estágio ideal (normalmente blastocisto). Só então são congelados. 

Essa opção é muito comum em casais que passam por tratamentos de fertilização, especialmente quando há mais de um embrião viável e o casal deseja preservar os excedentes para futuras gestações.

Também é indicada quando não é possível fazer a transferência do embrião no mesmo ciclo (por exemplo, em casos de hiperestímulo ovariano), ou quando há necessidade de testes genéticos antes da implantação.

 

A tecnologia por trás: segurança e eficácia

Tanto óvulos quanto embriões são congelados por vitrificação, método moderno que oferece altíssima taxa de sobrevivência celular após o descongelamento, acima de 90%. Isso torna o procedimento extremamente seguro e eficiente, com resultados comparáveis aos de embriões "frescos". 

No Brasil, não há um tempo máximo legal de armazenamento. Óvulos e embriões podem permanecer congelados por muitos anos, desde que sob responsabilidade de clínicas especializadas.

 

Quais são as chances de sucesso?

A taxa de sucesso da gravidez com óvulos congelados está diretamente ligada à idade da mulher no momento da coleta. Quanto mais jovem, melhores as taxas de sucesso. O ideal é congelar os óvulos até os 35 anos, quando a qualidade e quantidade ainda são favoráveis. 

Já no caso dos embriões, as taxas de implantação após o descongelamento são altas, especialmente se os embriões forem cultivados até o estágio de blastocisto e submetidos a testes genéticos de compatibilidade.

O Dr. Orlando Monteiro conclui: “Congelamento de óvulos ou embriões não é apenas um avanço científico, é um instrumento de liberdade e segurança para mulheres e casais que desejam planejar a maternidade com mais autonomia. Com orientação especializada e diagnóstico preciso, é possível preservar o sonho da gestação sem pressa, sem culpa e com todo o cuidado que esse momento merece.”


Dr. Orlando Monteiro (CRM/SP 73806 | CRM/MS 3256) - Ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana Há mais de 25 anos ajudando mulheres a realizarem o sonho da maternidade. Referência em FIV, inseminação, congelamento de óvulos, histeroscopia e tratamento da endometriose, une experiência, empatia e alta tecnologia para cuidar da fertilidade de forma completa e acolhedora.


Dia da Saúde Ocular: especialista destaca importância da prevenção e do diagnóstico precoce no combate à cegueira evitável

Atenção deve ser redobrada com o avanço da idade e presença de comorbidades como o diabetes

 

Os cuidados com a visão devem ser uma prioridade em todas as fases da vida, mas ganham ainda mais importância diante do envelhecimento populacional e do aumento da prevalência de doenças crônicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo têm algum grau de deficiência visual, sendo que mais de 1 bilhão desses casos poderiam ter sido evitados ou tratados¹. No Brasil, os dados seguem a mesma tendência global: o Censo Demográfico de 2022 do IBGE identificou mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual, o que representa cerca de 3% da população². 

No Dia da Saúde Ocular, marcado em 10 de julho, o oftalmologista Oswaldo Moura Brasil alerta sobre as principais doenças relacionadas à cegueira evitável e medidas que podem contribuir para olhos mais saudáveis. 

“A visão central, responsável por atividades como leitura, reconhecimento de rostos e direção, representa um dos principais indicadores sobre a saúde ocular – especialmente quando falamos sobre a cegueira evitável. A atenção com a visão embaçada e a presença de manchas precisa ser redobrada com o avanço da idade, quando pode haver o desenvolvimento da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI), e em pessoas com diabetes, que tendem a apresentar quadros de Edema Macular Diabético (EMD). Ambas as doenças que afetam a retina e podem comprometer a qualidade de vida dos pacientes, podendo levar à perda permanente da visão”, afirma o Dr. Moura Brasil.

Uma pesquisa recente realizada pelo Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica), sob pedido da farmacêutica alemã Bayer, revelou que, apesar da gravidade das doenças, a falta de conhecimento sobre elas prevalece na população latino-americana: segundo o estudo, 66% das pessoas desconhecem a DMRI, e 76% não sabem o que é a retinopatia diabética, causa do EMD³.

A DMRI é uma condição progressiva associada ao envelhecimento que afeta pessoas acima dos 50 anos de idade. Entre os principais sintomas, estão a diminuição da visão central, presença de mancha escura na área do foco, dificuldade de enxergar tanto de perto quanto de longe4. 

Enquanto o EMD se apresenta como uma complicação da retinopatia diabética, uma consequência do diabetes ao causar danos aos vasos sanguíneos da retina. O Edema Macular Diabético também compromete a visão central, mas devido ao acúmulo de líquido na mácula - região central da retina. Os pacientes costumam ter a visão borrada ou distorcida e alterações na percepção das cores5. 

“Diante de um cenário em que o número de pacientes com risco para doenças oculares graves tende a crescer, é fundamental reforçar políticas de rastreamento e educação em saúde ocular. A prevenção, neste contexto, precisa ser integrada aos cuidados gerais com a saúde do idoso e do paciente crônico”, explica.

No caso dessas e de outras doenças oculares, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações. Atualmente, o tratamento padrão para a DMRI e o EMD, as injeções intravítreas de anti-VEGF, estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Ele reduz a formação de novos vasos sanguíneos anômalos e diminuem o acúmulo de líquido na mácula, melhorando a acuidade visual e prevenindo a progressão das doenças.


Pequenos cuidados que fazem a diferença

Além das visitas regulares ao oftalmologista, recomendadas ao menos uma vez por ano, o Dr. Moura Brasil orienta sobre medidas gerais que contribuem para a preservação da visão:

  • Acompanhamento e controle de doenças crônicas, como o diabetes e a hipertensão;
  • Adoção de uma alimentação equilibrada, com vegetais verdes escuros e legumes;
  • Proteção contra a radiação ultravioleta por meio do uso de óculos de sol adequados;
  • Evitar o tabagismo;
  • Redução do tempo de exposição às telas e pausas frequentes durante o uso de dispositivos eletrônicos.



Bayer
https://www.bayer.com.br/pt/

  

Referências:

  1. World Health Organization. (2019). World Report on Vision. Disponível em: Link Acesso em 26 jun. 2025.
  2. BRASIL. Ministério da Educação. Deficiência visual. Portal MEC. Disponível em: Link Acesso em: 27 jun. 2025.
  3. BAYER. Adesão ao tratamento é a principal proteção para evitar cegueira em pacientes com doenças da retina no Brasil. 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 26 jun. 2025.
  4. CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA. Degeneração macular relacionada à idade. Disponível em: Link. Acesso em: 26 jun. 2025.
  5. SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SANTA CATARINA. Retinopatia Diabética (RD) e Edema Macular Diabético (EMD). Disponível em: Link. Acesso em: 26 jun. 2025.

     

Como higienizar corretamente os itens de casa e prevenir rinite, bronquite e outras doenças respiratórias

Freepik
Especialista da 5àsec explica como evitar a proliferação de ácaros, mofo e outros agentes que agravam crises alérgicas


Com a chegada do inverno, muitos itens que ficaram guardados por meses voltam a ser utilizados. Porém, quando não são higienizados corretamente, podem desencadear crises de rinite, bronquite e outras doenças respiratórias. Além disso, a má conservação favorece o acúmulo de poeira, ácaros, mofo e até resíduos químicos prejudiciais à saúde. Pensando nisso, Marinês Cassiano, especialista têxtil da 5àsec, traz orientações práticas sobre como limpar, armazenar e conservar corretamente os itens de casa mais propensos a acumular sujeira e, assim, manter um ambiente mais saudável.

Vale ressaltar que além dos cuidados com os itens, é essencial ter um ambiente arejado. O recomendado é deixar as janelas abertas em diferentes cômodos para permitir a circulação do ar e instalar ventiladores de teto ou de chão para criar uma brisa cruzada, já que isso ajuda a remover a poeira. 


Itens de cama


Para pessoas alérgicas, o recomendado é trocar as roupas de cama semanalmente, pois isso evita a proliferação de ácaros, mofo, o acúmulo de pelos de animais de estimação e até mesmo a presença de pólen e a poeira do dia a dia. As peças são finas e estão em contato direto com a pele, absorvendo o suor e atraindo bactérias que podem prejudicar a saúde. Para os travesseiros e almofadas, a higienização pode ser feita a cada seis meses em uma lavanderia especializada para serem lavados e secos corretamente, visando não danificar a peça. Para o armazenamento, é importante que sejam guardados em um local limpo, que seja livre de umidade e mofo. Outra dica é armazenar os itens em um saco de TNT que, diferente dos sacos plásticos, permite a circulação de ar, evitando o mau cheiro e o surgimento de fungos. Outra opção é colocar no guarda-roupa os antimofos que podem ser encontrados no supermercado e lavar as peças que estão no armário há muito tempo antes de serem usadas novamente.


Tapetes e cortinas


Os tapetes e as cortinas geralmente acumulam poeira e ácaros, além da sujeira externa que o tapete absorve. As cortinas devem ser lavadas duas vezes no ano, mas caso o local conte com muita poluição, o indicado é lavar a cada três meses. Outra dica é limpar os trilhos, varões e ganchos para não acumular poeira. Para os tapetes, é importante que a limpeza seja feita levando em consideração a composição do item, para não danificar a peça. Materiais mais pesados, por exemplo, podem ser lavados no mínimo duas vezes por ano, já os mais leves, podem ser lavados mensalmente. Caso tenha crianças ou animais de estimação, o ideal é fazer uma higienização semanalmente. Se algum morador for alérgico, a recomendação é não utilizar tapetes pela casa, pois podem ocasionar crises.


Almofadas


Com o intuito de deixar o ambiente aconchegante, as almofadas podem acumular poeiras e ácaros, principalmente se ficam em um local externo. O indicado é lavar a cada três ou quatro meses em uma lavanderia especializada. Muitas pessoas têm o hábito de colocar as almofadas no sol, mas este tipo de exposição pode aquecer o interior e aumentar a proliferação de fungos e ácaros, além de danificar a coloração do item.


Bichos de pelúcia


Os bichos de pelúcia, companheiros inseparáveis de muitas crianças, também são grandes acumuladores de poeira, ácaros e micro-organismos que podem agravar quadros de rinite, bronquite e outras doenças respiratórias. Para manter tais itens higienizados e não prejudicar a saúde dos pequenos, a recomendação é que sejam lavados a cada quatro meses. Também é importante que fiquem em ambientes bem ventilados no mínimo uma vez ao mês, para evitar a proliferação de fungos e ácaros. Uma prática simples, mas ainda pouco conhecida, tem ganhado destaque entre pais e cuidadores: colocar os brinquedos no freezer. Segundo especialistas, a técnica é eficaz para combater os ácaros, que não resistem a temperaturas extremamente baixas. Ao serem expostos ao frio por um período adequado, esses micro-organismos são eliminados, reduzindo significativamente os riscos de alergias.

O procedimento é simples: basta colocar o bicho de pelúcia dentro de um saco plástico bem fechado e deixá-lo no freezer por no mínimo seis horas. O ideal é durante a noite. Após esse tempo, recomenda-se deixar o brinquedo em local arejado até que retorne à temperatura ambiente. " Essa técnica não substitui a lavagem periódica, mas é um complemento útil. Sempre que possível, as pelúcias também devem ser lavadas regularmente, conforme a indicação da etiqueta de cada produto. Para não danificar os bichinhos, o mais indicado é utilizar o serviço de uma lavanderia especializada”, finaliza Marinês Cassiano.


5àsec 
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Idosos têm risco maior de complicações com gripe H1N1

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No inverno, os casos de gripe aumentam; geriatra do Hospital Japonês Santa Cruz alerta para sintomas que precisam de atenção

 

Com a chegada das temperaturas mais baixas, crescem os casos de gripe e, junto com eles, o alerta para a proteção dos idosos. Embora o vírus H1N1 não seja hoje o subtipo mais grave da influenza, ele ainda figura entre os responsáveis por hospitalizações e mortes, especialmente entre pessoas com saúde mais frágil.

De acordo com o Ministério da Saúde, até a 22ª Semana Epidemiológica de 2025 (encerrada em 31 de maio), o Brasil registrou 3.079 casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo vírus Influenza A (H1N1). O número já supera os 2.951 registros do mesmo período de 2024, indicando um aumento de aproximadamente 4,3% nas ocorrências da doença. Além disso, levantamento do InfoGripe, da Fiocruz, indica que a influenza A representa mais de 36% dos casos confirmados e está associada a 72,5% dos óbitos por infecções respiratórias.

“A gripe costuma ser mais perigosa para pessoas idosas, principalmente por uma questão imunológica. Com o passar dos anos, o sistema imunológico passa por um processo natural de enfraquecimento, chamado imunossenescência. Isso deixa o organismo mais suscetível a infecções e menos capaz de reagir de forma eficiente a vírus como o da gripe”, explica a geriatra do Hospital Japonês Santa Cruz, Dra. Sumika Mori.

Segundo a especialista, esse risco é ainda maior quando o idoso convive com doenças crônicas como diabetes, hipertensão ou doenças pulmonares. “Além disso, hábitos de vida pouco saudáveis, como sedentarismo, má alimentação ou estados emocionais fragilizados, podem enfraquecer ainda mais o organismo”, alerta.

A complicação mais comum e grave da gripe é a pneumonia, que pode ser causada pelo próprio vírus ou por bactérias oportunistas que se aproveitam do pulmão inflamado. Os sintomas, nesses casos, são mais intensos, como falta de ar, cansaço extremo, secreção pulmonar, baixa oxigenação e até insuficiência respiratória.

“Mas a gripe também pode piorar doenças que a pessoa já tem. Em pessoas com insuficiência cardíaca, renal, diabetes ou demência, o vírus pode descompensar o estado clínico e causar confusão mental, desidratação, picos de glicemia ou agravamento da função cardíaca e renal”, explica a geriatra. Há, ainda, complicações mais raras, como miocardite (inflamação no coração), encefalite (no cérebro) e rabdomiólise (nos músculos), todas com risco elevado de morte.

 

Prevenção é fundamental

Desde a pandemia de 2009, o H1N1 passou a integrar a composição da vacina anual contra a gripe. A cada temporada, a formulação é atualizada de acordo com as cepas que circularam no inverno anterior do hemisfério norte.

“O H1N1 está contemplado nas vacinas, assim como o H3N2”, afirma Dra. Sumika.

Embora o H3N2 seja, atualmente, o subtipo mais associado a internações e óbitos, todos os vírus influenza podem ser perigosos para os mais vulneráveis. Por isso, a recomendação é que todos se vacinem. “Todas as pessoas devem tomar a vacina de gripe, principalmente na faixa etária geriátrica e com frequência anual”, ressalta a médica.

Ela reforça que a imunização é segura para a grande maioria das pessoas, com exceção de casos específicos. “Só não deve ser aplicada em quem teve reação alérgica grave a uma dose anterior da vacina, quem está com febre alta, infecção importante no momento ou, em casos muito raros, quem teve síndrome de Guillain-Barré após a vacinação. Esses casos devem ser avaliados pelo médico.”

A vacinação contra a gripe segue ativa, com aplicação gratuita pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Até o dia 12 de junho, mais de 36,4 milhões de doses foram aplicadas, com cobertura vacinal de 38,43% entre o público prioritário (gestantes, crianças e idosos).

 

Fragilidade aumenta risco 

Entre as pessoas mais velhas, é fundamental dar atenção especial aos idosos em situação de fragilidade. “Não é só a presença de comorbidades que preocupa, mas um estado geral de fragilidade, caracterizado por fraqueza, cansaço, inatividade física e emagrecimento. Esses são os mais suscetíveis a complicações causadas pelo vírus e, por isso, exigem cuidados redobrados”, pontua a geriatra.


Além da vacinação, o cuidado contínuo com a saúde é essencial. “É muito importante que essas pessoas estejam bem cuidadas do ponto de vista médico, com uso adequado de medicamentos e com as doenças devidamente controladas”, recomenda.

Também é importante evitar locais muito cheios ou o contato próximo com pessoas que apresentem sintomas gripais.

 

Sintomas variáveis

A gripe em idosos pode se apresentar de maneira diferente. “De fato, é comum que os idosos tenham manifestações atípicas. Quanto maior a fragilidade, menos evidentes podem ser os sinais”, explica a médica. Ainda assim, coriza, tosse, espirros, congestão nasal e lacrimejamento costumam estar presentes. 

Outros sintomas, menos evidentes, também devem acender o sinal de alerta. “Em alguns casos, a gripe pode se manifestar com confusão mental, assim como acontece em outras infecções. A febre nem sempre está presente, mas se houver sintomas respiratórios e a pessoa apresentar um declínio no estado geral, como sonolência, falta de apetite ou ficar mais quieta e abatida, isso costuma chamar a nossa atenção”, salienta. Nesses casos, é importante procurar atendimento médico imediato.

  

Hospital Japonês Santa Cruz


Interesse por medicamentos de emagrecimento dispara no Brasil, mas efeitos colaterais e preço geram alerta

Estudo da Timelens mostra que, apesar do interesse por soluções com GLP-1, custo e efeitos colaterais ainda afetam a experiência do público

 

O interesse por medicamentos à base de GLP-1 (hormônio intestinal que regula a glicose e o apetite), como o Ozempic, explodiu no Brasil nos últimos meses, impulsionado principalmente por promessas de emagrecimento rápido. No entanto, um estudo inédito da Timelens, empresa de tecnologia e inteligência de dados para negócios, marcas e creators, revela que, apesar do aumento expressivo nas buscas e interações online sobre o tema, o sentimento predominante nas redes sociais é negativo, refletindo preocupações com os efeitos colaterais e o alto custo desses tratamentos. 

O levantamento mostra a ascensão da semaglutida (comercializada como Ozempic, Rybelsus e Wegovy), que ultrapassou a liraglutida (Saxenda) a partir de 2023 e se consolidou como a substância mais buscada. A partir de 2024, destaca-se também o avanço da tirzepatida (Mounjaro), considerada ainda mais eficaz, que se aproxima do Ozempic em volume de interesse em 2025, apesar do alto custo e da disponibilidade restrita no país. 

As buscas por medicamentos de emagrecimento atingiram o pico em junho de 2024, com uma curva de crescimento acentuada desde 2021. Há uma influência sazonal, com maiores volumes nas estações mais quentes, reforçando a associação entre esses fármacos e a busca pelo "corpo de verão". O termo “dieta do Ozempic” teve alta relevância nas buscas, evidenciando a forte ligação percebida entre semaglutida e emagrecimento. 

No campo das preocupações, usuários procuram por versões mais acessíveis ou genéricas, que ainda não existem devido à patente exclusiva da Novo Nordisk, prevista para expirar em 2026. Eficácia e efeitos colaterais também figuram entre os tópicos mais buscados. Nas redes sociais, o termo mais debatido é justamente “efeitos colaterais”, sendo a chamada “cabeça de Ozempic” (flacidez facial provocada por perda de peso rápida) mencionada em quase 60% das conversas sobre o tema, seguida por queixas de diarreia e vômito. Questões sobre armazenamento, especialmente por se tratar de medicamentos injetáveis, e dúvidas sobre os resultados prometidos também são frequentes. 

O estudo da Timelens, que considerou mais de 2 mil termos de busca no Google e mais de 11 mil interações nas redes sociais, revela que o preço é um dos principais pontos de atenção para quem se interessa por tratamentos com GLP-1. O alto custo das medicações torna o acesso restrito a uma parcela pequena da população, especialmente diante da ausência dessas opções no SUS. No entanto, esse cenário pode começar a mudar com a quebra da patente do Ozempic, prevista para 2026, o que pode ampliar a disponibilidade e reduzir barreiras de acesso ao tratamento.



Timelens
Para saber mais acesse aqui

 

Má qualidade do ar pode piorar síndrome do olho seco

O inverno é, tradicionalmente, um período menos úmido, por isso é importante adotar medidas para evitar secura ocular e outros incômodos


Embora as estações do ano não estejam mais tão bem definidas como há alguns anos, ainda é possível dizer que o inverno é uma estação mais seca. Graças à baixa umidade do ar e à inversão térmica, que dificultam a dispersão de partículas e poluentes, o ar tende a ficar com uma qualidade pior. E isso pode ser sentido por todo o organismo, inclusive pelos olhos. “A poluição do ar afeta a superfície ocular e prejudica a camada protetora, a lágrima. Isso significa que os olhos ficam mais expostos às partículas nocivas que estão dispersas no ambiente”, explica o oftalmologista do Hospital CEMA, Omar Assae. 

Os órgãos de medição de qualidade do ar costumam definir parâmetros que ficam entre “bom”, “moderado”, “ruim”, “muito ruim” e “péssimo”. De acordo com o médico, os efeitos da poluição do ar já começam a ser sentidos quando o ar está ruim. Entre os sintomas que podem ocorrer estão: vermelhidão nos olhos, lacrimejamento, coceira, ardência, cansaço ocular, olho seco, sensibilidade à luz e inchaço nas pálpebras. “As partículas presentes no ar, como poeira, fumaça e os gases tóxicos, são responsáveis por irritar o tecido conjuntivo, o que pode prejudicar a produção e qualidade da lágrima, causando tais sintomas”, alerta o especialista. 

Ele explica que entre as medidas para prevenir problemas oculares quando a qualidade do ar está ruim estão: 

- Aplicar compressas frias nos olhos para reduzir a secura, coceira e inchaço;

- Usar colírios lubrificantes (com recomendação médica);

- Beber bastante água;

- Piscar com frequência, especialmente nos casos de pessoas que ficam muito tempo em frente às telas;

- Buscar ajuda especializada, caso os sintomas persistam por muitos dias.

 

Dr. Omar Assae é oftalmologista do Hospital CEMA
CRM: 87820 RQE: 65596

 

Idosos de baixa renda são os que menos gostam e consomem chocolate no Brasil, revela pesquisa da Nexus

Embora as barras de chocolate sejam preferência dos brasileiros, o consumo de bombons aumenta entre quem ganha menos

 

Dados inéditos de um levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revelam que idade e renda influenciam no gosto e no consumo de chocolate no Brasil. Enquanto 38% dos maiores de 60 anos que ganham até 2 salários mínimos afirmam não gostar do doce, apenas 12% dos idosos de alta renda dizem o mesmo. O comportamento é um registro da pesquisa “A paixão do brasileiro pelo chocolate”, produzida pela Nexus. Nesta segunda, 7 de julho, é comemorado o Dia Mundial do Chocolate. A data marca a chegada do chocolate à Europa no século 15, embora a origem do cacau seja na América Central e do México, segundo historiadores.

Entre os com mais de 60 anos, a rejeição pelo chocolate é ainda maior entre os homens: 42% dos idosos do sexo masculino de baixa renda afirmam não gostar de chocolate, frente 33% das mulheres. Na outra ponta, 54% dos jovens de até 24 anos e que ganham mais de 5 salários mínimos gostam muito de chocolate. O percentual cai para 50% entre os jovens de média renda (que ganham de 2 a 5 S.M) e para 47% nos jovens de baixa renda.

“O aumento considerável no preço do cacau nos últimos anos fez com que os chocolates ficassem mais caros e, consequentemente, menos acessíveis ao público de baixa renda. A pesquisa da Nexus reforça essa conexão entre quem ganha menos e quem também aprecia menos chocolate. Com o chocolate, assim como outros itens de consumo, de certa maneira a questão preço continua moldando gostos. Essa diferença é ainda maior entre os idosos, que tendem a consumir menos doce”, afirma o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.


O quanto você gosta de chocolate?


A pesquisa da Nexus aponta também que os idosos que ganham menos também são os que menos consomem chocolate: 30% afirmam que nunca comem o doce e 49%, consomem raramente. Ao todo, 6% dizem consumir menos de 1 vez por semana, 4% de 2 a 3 vezes por semana e 2% comem chocolate todos os dias. Entre os idosos com maior poder aquisitivo, apenas 8% afirmam nunca comer chocolate e 37%, raramente.

Nos jovens de até 24 anos, 10% dos mais ricos comem chocolate diariamente, frente a 5% dos considerados de baixa renda. Nos dois grupos, 6% consomem chocolate de 4 a 6 vezes por semana.


Com que frequência você consome chocolate?


As barras de chocolate são a preferência dos brasileiros na hora de escolher o formato do doce, mas o consumo de bombons que, na população geral, é a escolha de 39%, aumenta entre quem ganha menos: 44% dos adultos (25 a 59 anos), 42% dos idosos e 37% dos jovens de baixa renda escolhem comprar bombons. O percentual cai para 35%, 31% e 28% respectivamente entre os jovens, adultos e idosos que ganham mais de 5 salários mínimos. As mulheres idosas de baixa renda são as únicas que consomem mais bombons: 51% contra 48% que escolhem as barras.

“Consumido em pequenas doses, os bombons duram mais tempo. Além disso, em menor formato, e  consequentemente mais baratos, um bombom de uma marca de mais qualidade pode ser consumido pelo público de baixa renda com mais frequência do que uma barra”, destaca Tokarski.


Chocolate artesanal é mais consumido entre idosos com mais renda e jovens

O gosto pelo chocolate artesanal é também associado à renda: 34% dos idosos de baixa renda nunca consomem chocolate artesanal. O número cai para 26% entre os maiores de 60 anos que ganham mais de 5 salários mínimos. Nos idosos de baixa renda, 37% afirmaram ainda que comem raramente chocolates artesanais, 21% às vezes, 2% frequentemente e 5% sempre. Entre os idosos de alta renda, 11% afirmam sempre consumir chocolate artesanal.

As mulheres idosas de alta renda são as maiores consumidoras de chocolates artesanais: 28% afirmam que comem sempre e 11%, frequentemente. Já as idosas de baixa renda são as que menos consomem esse tipo de chocolate entre as mulheres. Apenas 4% disseram que comem sempre e 2%, frequentemente.

Além dos mais velhos e mais ricos, os chocolates artesanais são mais consumidos entre os jovens, independentemente da renda: 11% de quem ganha acima de 5 S.M, 10% de quem ganha até 2 salários mínimos e 7% de quem ganha entre 2 e 5 S.M sempre comem o doce.


Com que frequência você consome chocolate artesanal?




Metodologia

A Nexus entrevistou, presencialmente, 2.000 cidadãos com idade a partir de 18 anos, nas 27 Unidades da Federação (UFs) entre os dias 27 e 31 de março de 2025. A margem de erro no total da amostra é de 2pp, com intervalo de confiança de 95%.

 

Tempo de proteger os pets

Una faz campanha para arrecadação de cobertores, camas e roupas para cães e gatos 

 

Até o dia 31 de julho, o Centro Médico Veterinário da Una Linha Verde realiza a Campanha de Inverno Solidário – Aqueça um Pet! O objetivo é arrecadar cobertores, caminhas e roupinhas para pets em situação de vulnerabilidade durante o inverno. Quem participar, terá condições especiais na consulta. 

Os itens mais necessários para os animais são cobertores (tamanho pet), roupinhas para cães e gatos (todos os tamanhos), caminhas ou mantas e toalhas ou tecidos quentinhos.

De acordo com a professora e médica veterinária coordenadora do Centro Médico Veterinário Linha Verde, Jéssica Passos essa é a primeira vez da campanha. “Percebemos que muitas instituições não possuem esses itens. Tudo o que for arrecadado será destinado para as ONGs e parceiros de proteção animal locais, que cuidam de animais resgatados e abrigos comunitários”. 

A professora ressalta que os itens devem estar limpos e em bom estado de uso. “A cada doação, o tutor recebe a condição especial, limitada a um durante toda a campanha", finaliza.
 

Serviço 

Campanha de Inverno Solidário – Aqueça um Pet! 

Local: Centro Médico Veterinário Una Linha Verde

Endereço: avenida Cristiano Machado, nº 11.157, bairro Vila Clóris

Dias: segunda à sexta-feira

Horário: 8h às 17h

Mais informações: 31-97130-6615


Taxa de desconto pode alterar milhões no valuation de uma empresa, alerta economista

Com cenário de juros elevados e incertezas fiscais, cálculo exige precisão técnica e leitura de mercado para evitar distorções

 

Em tempos de juros altos e mercado volátil, calcular o valor de uma empresa com precisão se tornou um desafio ainda maior. A definição da taxa de desconto, etapa essencial no método de valuation conhecido como Fluxo de Caixa Descontado (FCD), é hoje um dos pontos mais sensíveis e decisivos em uma avaliação empresarial.

    “Avaliar uma empresa é tanto ciência quanto arte. De um lado, aplicam-se métodos técnicos reconhecidos por acadêmicos e profissionais. De outro, exige-se sensibilidade para adaptar os números à realidade do mercado”, afirma João Victor da Silva, economista e analista de mercado da Orsitec. 

Segundo o especialista, um dos elementos mais sensíveis no método do FCD — o mais usado para estimar o valor intrínseco de uma empresa — é a definição da taxa de desconto.  Essa taxa tem um papel fundamental na análise de uma empresa, pois ela agrega dois conceitos poderosos: o valor do dinheiro no tempo e o risco de investimento. Quanto maior o risco percebido ou mais escasso o acesso ao capital, maior a taxa — e menor o valor da empresa. “Um pequeno ajuste pode representar milhões de reais de diferença no resultado final”, reforça João Victor.


A importância do modelo certo

O modelo mais tradicional, o Fluxo de Caixa Descontado para Empresa, cujo fator de desconto é o WACC (custo médio ponderado de capital), é ideal para empresas que possuem um alvo para sua estrutura de capital. Mas, quando a estrutura de capital é instável — com variação constante entre capital próprio e financiamentos —, o mais adequado pode ser o modelo APV (Valor Presente Ajustado), que utiliza o custo do capital próprio desalavancado como fator de desconto, portanto, desconsiderando a estrutura de capital para o cálculo de avaliação da emepresa.

Além disso, é necessário definir a moeda (real ou dólar) e o tipo de taxa usada (nominal ou real). “Essas escolhas precisam refletir onde a empresa opera e como ela se financia. Não existe uma fórmula universal”, diz o especialista.


Taxas em alta no Brasil elevam complexidade do cálculo

O cenário atual impõe desafios adicionais. Com a taxa básica de juros ainda elevada e o risco fiscal pressionando o mercado, muitas empresas brasileiras enfrentam um aumento real nas taxas de desconto usadas em avaliações. Segundo levantamento da consultoria Valuup, a taxa média de desconto subiu de 8,6% para 12,3% ao ano nos últimos meses, acompanhando a valorização das LTNs (Letras do Tesouro Nacional). Fonte: Valuup.

“Em um cenário de juros altos e desconfiança fiscal, como o que vivemos hoje, é natural que as taxas de desconto subam. Isso reduz o valor das empresas mesmo quando seus fundamentos continuam sólidos. É preciso mais critério e transparência nos processos de valuation”, avalia o analista da Orsitec.


Cálculos técnicos, escolhas estratégicas

O WACC é estimado a partir do custo da dívida e do capital próprio. Este último é calculado usando o modelo CAPM, que considera três fatores: a taxa livre de risco, o prêmio de risco do mercado e o beta (medida de sensibilidade ao mercado).

Mas cada elemento exige atenção. A taxa livre de risco ideal seria a dos títulos públicos do país onde a empresa opera. No Brasil, porém, esses títulos já embutem risco. Por isso, muitos profissionais usam os Treasuries americanos como referência, adicionando um prêmio de risco-país e a expectativa da diferença de inflação entre Brasil e Estados Unidos. E mesmo isso exige cuidado:
“É um erro comum usar títulos americanos com cupons. O mais adequado são os papéis zero cupom, que não geram risco de reinvestimento”, explica João Victor.

Para empresas privadas, o beta precisa ser construído com base em empresas comparáveis e ajustado à realidade da avaliada. Já o prêmio de risco do mercado pode ser estimado com base em dados históricos ou expectativas futuras, e deve ser coerente com o momento econômico e o tipo de negócio.

Além disso, é comum aplicar prêmios adicionais quando a empresa tem baixa liquidez, é de pequeno porte ou possui falhas de governança. Esses ajustes aumentam a taxa final e, consequentemente, reduzem o valuation.


O custo da dívida também precisa de atenção

Outro erro recorrente, segundo o economista, é considerar apenas contratos antigos com juros defasados. “O custo da dívida deve refletir as condições atuais do mercado. Se a empresa captou crédito barato há anos, esse dado precisa ser atualizado, senão o valuation ficará superestimado”, reforça João Victor.

Quando há títulos da dívida negociados no mercado, o yield atual pode servir de base. Caso contrário, pode-se um custo sintético: soma-se um spread de risco à taxa livre de risco, com base nos indicadores financeiros da empresa.


Mais que números, uma decisão estratégica

Valuation não é só fórmula. É sensibilidade, contexto e responsabilidade. A taxa de desconto precisa fazer sentido técnico, econômico e estratégico. Num ambiente como o atual, ela pode ser decisiva para fechar — ou perder — um bom negócio”, conclui João Victor da Silva.


Agentes de IA impulsionam a tomada de decisão estratégica, mas exigem adaptação cultural, estrutural e de governança

Tragédia mostra os riscos do autocontrole, medida que o governo também pretende estender aos alimentos consumidos pela população brasileira

 

A recente tragédia da morte 645 cavalos que consumiram uma ração contaminada da marca Nutratta Nutrição Animal Ltda mostra os riscos do autocontrole e do baixo efetivo para fiscalização de estabelecimentos agropecuários no Brasil. Só em São Paulo, foram 287 óbitos causados por uma substância capaz de causar falência hepática e sintomas neurológicos irreversíveis em equinos, suínos, bovinos e até cães. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) alerta que o projeto de privatização das inspeções ante mortem e post mortem de animais também pode comprometer a produção de alimentos destinados ao consumo humano. 

Os cavalos morreram após consumirem uma ração contaminada com uma toxina chamada monocratalina, produzida naturalmente por plantas do gênero Crotalaria. Equinos hospedados em haras de seis estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Alagoas – começaram a passar mal. Entre os sintomas, estavam agressividade súbita, desorientação, alterações no sono, dificuldade de locomoção e comportamentos semelhantes à demência. 

“É por isso que nós do Anffa Sindical batemos sempre na tecla de uma fiscalização constante em todos os elos da cadeia da agropecuária. Essa é uma missão de Estado que não pode ser delegada a terceiros, sob pena de causar prejuízos vultuosos para o país”, declarou o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo Macedo. 

A percepção de servidores que atuam no setor é de que a demanda insuficiente de profissionais, aliada à baixa frequência de inspeções em estabelecimentos que contam com autocontrole são fatores que podem aumentar os riscos de tragédias como esta. Isto sem contar as poucas sanções de multa e ações cautelares definidas na legislação. “Nosso setor de fiscalização já passa por uma situação difícil por falta de servidores. E o horizonte, com a proposta de privatização das inspeções, pode piorar ainda mais essa situação”, acrescentou o presidente da Anffa Sindical. 

O temor se deve ao fato de que o governo pretende mudar as regras de inspeções ante mortem e post mortem de animais destinados ao abate e consumo. Na prática, com a proposta, os frigoríficos poderão contratar empresas com profissionais responsáveis por fiscalizá-los, o que configura um grave conflito de interesses. A medida, segundo o Anffa Sindical, representa um risco não apenas à saúde pública interna, mas também ao comércio internacional brasileiro, sobretudo em um momento estratégico para a imagem do país no exterior. 

“A morte dos cavalos é apenas um exemplo dos prejuízos econômicos, afetivos e genéticos que podem advir de uma fiscalização agropecuária deficiente. Estamos falando da proteção à saúde pública, da integridade dos alimentos e da preservação da credibilidade do Brasil como exportador. Não se pode admitir que funções exclusivas do Estado sejam repassadas a terceiros com vínculos diretos com os fiscalizados. O risco de conflito de interesse é elevado, e a saúde da população, seriamente ameaçada”, afirma Janus Pablo Macedo.

 

Guilherme Barreiro - diretor da BRLink e Serviços da Ingram Micro


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