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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Avanço na oncologia: novo tratamento aumenta a sobrevida de pacientes com câncer gástrico avançado, mostra estudo apresentado na ASCO 2025

Pesquisa DESTINY-Gastric04 contou com participação do oncologista brasileiro, Fábio Franke, da Oncoclinicas; estratégia terapêutica inédita muda conduta e representa marco científico
 

Um novo tratamento acaba de mudar o panorama do câncer gástrico avançado HER2-positivo. Os resultados do estudo internacional de fase 3 DESTINY-Gastric04, apresentados neste fim de semana no congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO 2025), confirmaram que o uso do medicamento trastuzumabe deruxtecana como segunda linha de tratamento traz benefícios significativos em relação ao padrão anterior. 

A pesquisa demonstrou que pacientes tratados com o medicamento viveram, em média, 3,3 meses a mais do que aqueles que receberam a combinação de paclitaxel e ramucirumabe, opção tradicional até então. Além disso, houve melhora em outros desfechos importantes, como controle da doença e resposta ao tratamento. 

“Esses resultados consolidam o trastuzumabe deruxtecana como o novo padrão ouro de tratamento em segunda linha para pacientes com câncer gástrico metastático HER2-positivo”, afirma o oncologista Fábio Franke, líder nacional de pesquisa clínica da Oncoclínicas. “É um avanço expressivo para uma doença que, infelizmente, ainda tem prognóstico bastante reservado em estágio avançado”. 

Franke, que participou do comitê científico do estudo e é coautor da publicação, destaca ainda a importância da presença brasileira em pesquisas que definem o futuro da oncologia no mundo. “Participar da condução e publicação desse estudo mostra a força da pesquisa clínica nacional e o impacto direto que isso pode ter na vida de pacientes aqui no Brasil”, diz.
 

O que é o câncer gástrico HER2-positivo?

O câncer gástrico avançado (ou de junção gastroesofágica) é uma doença agressiva, com taxa de sobrevida em cinco anos de cerca de 7%, segundo a American Cancer Society. Cerca de 15% dos tumores apresentam a proteína HER2, que favorece o crescimento das células cancerígenas e pode ser alvo de terapias específicas. 

Trastuzumabe deruxtecana é um anticorpo conjugado: uma espécie de “cavalo de Troia” da medicina. Ele se liga à proteína HER2 na superfície das células tumorais e libera diretamente um quimioterápico potente no interior dessas células, aumentando a eficácia e reduzindo os danos aos tecidos saudáveis.
 

Entenda o estudo DESTINY-Gastric04

O estudo envolveu 494 pacientes com câncer gástrico ou de junção gastroesofágica HER2-positivo, que haviam apresentado progressão da doença após o tratamento inicial com terapia baseada em trastuzumabe. Eles foram divididos em dois grupos: um recebeu trastuzumabe deruxtecana, e o outro, a combinação padrão de ramucirumabe com paclitaxel.
 

Os resultados mostraram:

  • Sobrevida global: 14,7 meses no grupo trastuzumabe deruxtecana, contra 11,4 meses no grupo padrão.
  • Redução do risco de morte: 30% menor com trastuzumabe deruxtecana.
  • Controle da doença: 91,9% dos pacientes tiveram estabilização ou redução do tumor com trastuzumabe deruxtecana, contra 75,9% no grupo controle.
  • Taxa de resposta objetiva (encolhimento do tumor): 44,3% no grupo trastuzumabe deruxtecana, contra 29,1% com o tratamento padrão.

Embora os efeitos colaterais tenham sido frequentes, como fadiga, náuseas e queda da imunidade, os especialistas consideram o perfil de segurança aceitável, especialmente frente aos benefícios em sobrevida.
 

O que vem pela frente?

Com base nesses resultados, o uso de trastuzumabe deruxtecana deve ser incorporado em diretrizes internacionais como segunda linha preferencial para pacientes com câncer gástrico HER2-positivo metastático. Além disso, novos estudos estão em andamento para avaliar o medicamento como tratamento de primeira linha, o que pode trazer ainda mais esperança para esses pacientes. 

“A oncologia vem avançando de forma acelerada graças à pesquisa clínica. Esse estudo é mais uma prova de como a ciência pode mudar a vida real dos pacientes”, conclui Fábio Franke. 


Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com


Demência em idosos hospitalizados passa despercebida em até 50% dos casos, aponta estudo da FMUSP

 

Nova ferramenta ajuda a revelar demência não diagnosticada em pessoas idosas à beira do leito


A demência é um dos principais desafios de saúde pública no mundo, afetando atualmente cerca de 57 milhões de pessoas, incluindo cerca de 2,5 milhões de brasileiros. Estimativas para 2050 indicam que esse número pode quase triplicar, ultrapassando os 150 milhões de casos em todo o mundo. Um novo estudo liderado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) alerta que, apesar de cada vez mais frequentes, condições associadas ao envelhecimento, como comprometimento cognitivo e demência, frequentemente passam despercebidas pelas equipes de saúde que atuam nos hospitais. 

“Essa situação acontece porque a atenção dos profissionais que atuam no ambiente hospitalar se concentra na identificação e no tratamento da condição aguda que levou à internação, como pneumonia, infecção urinária ou descompensação cardíaca. No entanto, a demência influencia diretamente a resposta a medicamentos, aumenta o risco de delírium, prolonga a internação e dificulta a reabilitação”, explica o Dr. Márlon Aliberti, primeiro autor do estudo e professor colaborador da FMUSP. 

O estudo, publicado na Journal of the American Geriatrics Society, revelou que cerca de dois terços dos pacientes hospitalizados com 65 anos ou mais apresentam algum grau de comprometimento cognitivo, como déficits de memória, e um terço tem diagnóstico de demência. “Essas alterações já estavam presentes antes do problema agudo que motivou a internação. No entanto, entre os casos de demência, aproximadamente metade nunca havia sido diagnosticada, permanecendo desconhecida tanto por médicos quanto por familiares até o momento da hospitalização”, esclarece Dr. Márlon Aliberti. 

Diante desse cenário, os pesquisadores propõem uma solução prática e viável mesmo em contextos com poucos recursos: realizar, ainda nos primeiros dias de internação, uma entrevista à beira do leito com um familiar ou cuidador próximo para avaliar como estava a memória e outras funções cognitivas do paciente antes do episódio agudo que motivou a hospitalização. 

“Essa abordagem permite identificar alterações cognitivas pré-existentes, mesmo quando o paciente está desorientado, com dor ou incapaz de participar diretamente da avaliação. Não se trata de um diagnóstico definitivo, mas de uma triagem eficiente que pode identificar uma possível demência e ajudar no melhor planejamento do cuidado hospitalar. A identificação precoce de comprometimento cognitivo também permite orientar melhor os cuidados após a alta. Por exemplo, se a pessoa vive sozinha, os familiares podem ser preparados para oferecer mais suporte, o que pode, inclusive, evitar novas internações”, detalha a Dra. Claudia Suemoto, professora associada da FMUSP e responsável pela supervisão do estudo.
 

Ferramenta validada em hospitais brasileiros

O novo método foi testado em cinco hospitais de três capitais brasileiras (São Paulo, Belo Horizonte e Recife) e apresentou eficácia superior a 90%. Com os resultados positivos, a abordagem será expandida para toda a rede de instituições que compõem o grupo de estudo CHANGE (sigla em inglês para Creating a Hospital Assessment Network in Geriatrics), da FMUSP. Mais de 250 profissionais já foram treinados para aplicar essa ferramenta, em 43 hospitais públicos e privados de todas as regiões do Brasil e outros quatro países: Angola, Chile, Colômbia e Portugal. 

O estudo foi realizado pelo Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento (LIM-66), sob supervisão da Profa. Dra. Claudia Suemoto em colaboração com a Profa. Dra. Monica Yassuda, docente do curso de Gerontologia da EACH-USP, e com a Dra. Regina Magaldi, da Divisão de Geriatria do HCFMUSP. 

O artigo completo está disponível no Journal of the American Geriatrics Society: doi: 10.1111/jgs.19494 *


Açúcar está diretamente ligado à obesidade, diz especialista


Capaz de provocar vício, alimento é entendido como um dos vilões à mesa do brasileiro

 

O prato do brasileiro é rico em sabores, mas, alguns desses sabores, ainda que agradem o paladar, não convencem muito o resto do organismo. Um exemplo clássico é o açúcar, presente em grande parte dos alimentos industrializados e ultraprocessados, que tem um impacto profundo e muitas vezes subestimado na saúde humana. Seu consumo excessivo está diretamente ligado ao avanço da obesidade, uma das maiores crises de saúde pública no mundo.

Um dos motivos para isso é o efeito que o açúcar exerce sobre o cérebro. Estudos indicam que ele ativa os centros de recompensa de maneira semelhante a substâncias como nicotina e cocaína, criando um ciclo de dependência que estimula o consumo cada vez maior. Um levantamento conduzido pela Universidade de Princeton demonstrou que ratos alimentados com açúcar apresentaram sintomas de abstinência, como ansiedade e tremores, sugerindo que o mesmo pode ocorrer com humanos.

“É um ciclo de dependência. Quanto mais você consome, mais o corpo pede. Isso leva ao aumento do apetite e à dificuldade de controlar a ingestão calórica. É por isso que podemos dizer que o açúcar é um dos principais vilões silenciosos da alimentação contemporânea. Ele não apenas contribui diretamente para o ganho de peso, mas também provoca alterações hormonais que dificultam o emagrecimento, mesmo quando a pessoa passa a ter hábitos mais saudáveis”, explica o médico gastroenterologista Mauro Lúcio Jácome.

Ainda que vilão, o consumo de açúcar no Brasil permanece elevado, com os brasileiros ingerindo, em média, cerca de 80 gramas por dia, o equivalente a aproximadamente 20 colheres de chá. Esse valor supera significativamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que orienta um limite de 25 a 50 gramas diárias para uma dieta de 2.000 calorias.

O problema se agrava quando o açúcar ingerido em excesso é convertido em gordura pelo corpo, principalmente na região abdominal. Quando a glicose no sangue não é utilizada como energia, ela é armazenada sob a forma de triglicerídeos, contribuindo diretamente para o aumento do peso. Além disso, uma vez que a obesidade se instala, a perda de peso se torna um desafio ainda maior. “O corpo cria uma espécie de ‘memória metabólica’. Uma vez obeso, o metabolismo desacelera e a resistência à insulina aumenta, o que dificulta a queima de gordura”, esclarece o médico.

Essa dificuldade para emagrecer foi comprovada por um estudo publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, em 2022. A pesquisa mostrou que, após uma década de obesidade, o corpo tende a manter a homeostase do peso em patamares mais altos, exigindo muito mais esforço para que o indivíduo consiga perder peso de forma sustentável.

Apesar dos riscos associados ao consumo elevado de açúcar, a solução não está necessariamente na sua eliminação total, mas sim na redução consciente e gradual. “O que proponho não é um corte radical, mas uma reeducação alimentar. Ler rótulos, evitar ultraprocessados e escolher frutas no lugar de sobremesas açucaradas já é um grande passo”, aconselha Jacome.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de açúcares livres, aqueles adicionados a alimentos e bebidas, não ultrapasse 10% da ingestão calórica diária. Para um adulto, isso representa cerca de 50 gramas por dia. Diretrizes mais recentes sugerem reduzir esse valor pela metade, para que os efeitos positivos na saúde sejam mais evidentes.

Todavia, reduzir o açúcar traz benefícios que vão muito além da balança. Estudos comprovam que essa mudança de hábito diminui significativamente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, esteatose hepática (gordura no fígado) e até certos tipos de câncer.

Nos últimos anos, o avanço da ciência médica também tem oferecido novas ferramentas no combate à obesidade. Um dos tratamentos que vem ganhando destaque é o uso da tirzepatida, uma medicação injetável que age de forma inovadora no controle do apetite e da glicemia. A tirzepatida atua em dois receptores hormonais (GLP-1 e GIP), promovendo maior saciedade, melhora no metabolismo da glicose e auxílio efetivo na perda de peso. Os estudos mais recentes mostram resultados impressionantes, com pacientes perdendo mais de 20% do peso corporal em tratamentos supervisionados.

Indicada para o tratamento de diabetes tipo 2 e, mais recentemente, aprovada para manejo da obesidade em diversos países, a tirzepatida já está disponível em farmácias especializadas e deve sempre ser prescrita por um médico, após avaliação individualizada.

E para quem já tentou de tudo e ainda encontra obstáculos na perda de peso, é importante saber que existem tratamentos mais avançados, incluindo procedimentos endoscópicos e cirúrgicos que podem representar uma nova chance de recomeçar com mais saúde e qualidade de vida. O caminho pode ser desafiador, mas não precisa ser solitário — procurar orientação médica é o primeiro passo para recuperar o controle sobre o próprio corpo.


Saúde intestinal pode ser chave no controle de doenças autoimunes, aponta especialista

Imagem gerada por IA
Mais de 70% do sistema imunológico está no intestino; desequilíbrios na microbiota intestinal favorecem o surgimento de doenças como lúpus, artrite reumatoide e esclerose múltipla 

 

Muito além da digestão, o intestino exerce um papel fundamental no equilíbrio do sistema imunológico. Segundo a nutricionista Aline Quissak — pesquisadora em nutrição clínica, especializada em imunidade e CEO da plataforma Scanner da Saúde —, cerca de 70% das células imunes do corpo estão localizadas na mucosa intestinal, o que torna esse órgão uma peça central na prevenção e no controle de doenças autoimunes.

“A integridade do intestino e o equilíbrio da microbiota intestinal influenciam diretamente a forma como o corpo responde a agentes internos e externos. Quando essa barreira se rompe, por disbiose ou aumento da permeabilidade intestinal, abre-se caminho para o desenvolvimento de processos inflamatórios que podem desencadear doenças autoimunes”, explica Aline.

Entre as doenças associadas a esse desequilíbrio estão:

  • Tireoidites autoimunes (Hashimoto e Graves)
  • Artrite reumatoide
  • Lúpus eritematoso sistêmico
  • Psoríase
  • Esclerose múltipla
  • Doença celíaca e outras enteropatias autoimunes

De acordo com a nutricionista, a presença de bactérias benéficas como Akkermansia muciniphila, Faecalibacterium prausnitzii, Bifidobacterium longum, Eubacterium hallii e Roseburia spp. tem efeito direto sobre a integridade da mucosa intestinal. “Essas cepas produzem ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que reduzem a inflamação e fortalecem as junções celulares, mantendo a barreira intestinal eficiente”, complementa.


O que fazer nesses casos?

Há diversas estratégias eficazes e validadas por evidências científicas para melhorar a saúde intestinal e, com isso, reduzir o impacto das doenças autoimunes:

  1. Probióticos específicos
  • Faecalibacterium prausnitzii: ação anti-inflamatória (em desenvolvimento como probiótico de nova geração)
  • Bifidobacterium longum BB536: equilibra respostas imunes
  • Lactobacillus rhamnosus GG e GR-1: reforçam a barreira intestinal

  1. Alimentos moduladores da microbiota
  • Inulina e FOS (cebola, alho, chicória): aumentam cepas benéficas
  • Psyllium e grão-de-bico: favorecem F. prausnitzii e Roseburia
  • Chá verde, cacau e frutas vermelhas (ricos em polifenóis): estimulam A. muciniphila

  1. Correção da permeabilidade intestinal

Nutrientes como butirato, glutamina, zinco e vitamina D são recomendados para restaurar a barreira intestinal e reduzir inflamações sistêmicas.

  1. Dieta anti-inflamatória personalizada

A especialista indica a dieta do Mediterrâneo e abordagens plant-based ricas em fibras como aliadas no aumento da diversidade microbiana e no controle imunológico. Alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, glúten (em indivíduos sensíveis) e aditivos químicos devem ser evitados. 


  1. Prebióticos e compostos bioativos com dosagem orientada

Aline destaca a importância de incluir compostos funcionais na dieta:

  • Inulina e FOS: 5 a 10 g/dia
  • Amido resistente: 15 a 30 g/dia (batata resfriada, banana verde)
  • Polifenóis: ≥500 mg/dia (mirtilo, chá verde)

Por fim, a especialista lembra que tudo isso deve ser feito por um profissional capacitado e de forma individualizada. “Modular a microbiota intestinal é uma abordagem clínica que precisa ser feita de forma personalizada, com base em exames de microbioma, sintomas clínicos e objetivos do tratamento. Essa é a chave para promover qualidade de vida e, em muitos casos, alcançar a remissão sustentada das doenças autoimunes”, conclui.

  

Scanner da Saúde - Trata-se do Scanner da Saúde, um software de alta precisão diagnóstica voltado à análise de exames laboratoriais, genéticos e de microbiota intestinal. Para mais informações acesso o site https://dralinequissak.com/home


Infertilidade masculina: desinformação contribui para que homens adiem ou evitem procurar ajuda médica


Quebra de tabus e acesso à informação são ferramentas essenciais no diagnóstico e tratamento precoce;

Especialista comenta sobre avanços na medicina reprodutiva


A infertilidade masculina ainda é cercada por tabus, mas avanços médicos têm ampliado as possibilidades de tratamento e mudado a história de muitas famílias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentam dificuldades para ter filhos. No Brasil, estima-se que aproximadamente 8 milhões de pessoas passam por esse desafio após um ano de tentativas sem o uso de anticoncepcionais. Desses casos, cerca de 40% têm origem na infertilidade masculina, o que equivale a aproximadamente 3,2 milhões de homens brasileiros. 

Apesar dos números expressivos, a infertilidade masculina ainda é um assunto pouco abordado, muitas vezes por desconhecimento ou receio de buscar ajuda. No entanto, especialistas afirmam que, com diagnóstico preciso e tratamentos adequados, muitos casos podem ser resolvidos.
 

Principais causas de infertilidade masculina

A condição pode ser causada por uma série de fatores, que vão desde questões hormonais até o estilo de vida. De acordo com o Dr. Kauy Victor Martinez Faria, urologista e andrologista da clínica VidaBemVinda, unidade do Fertgroup, as causas mais comuns incluem: 

  • Fatores pré-testiculares: comprometimento da estimulação testicular devido a problemas hormonais ou condições sistêmicas, como hipogonadismo, obesidade, diabetes, hipertensão arterial e apneia do sono.
  • Fatores testiculares: alterações diretas nos testículos, como varicocele (dilatação das veias testiculares), criptorquidia (testículo não descido), infecções como orquite e caxumba, traumas ou tumores testiculares.
  • Fatores pós-testiculares: obstruções nos canais que transportam os espermatozoides, como ausência congênita dos canais deferentes, infecções genitais (prostatite, uretrite, epididimite), ejaculação retrógrada e malformações da uretra.

"Muitas vezes, para reduzir os riscos de infertilidade, recomenda-se adotar uma dieta equilibrada, manter um peso saudável, praticar atividades físicas regularmente, evitar o consumo de tabaco e álcool, proteger-se contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e minimizar a exposição a ambientes com altas temperaturas e substâncias tóxicas", complementa o especialista.
 

Diagnóstico e tratamentos disponíveis

O primeiro passo para enfrentar a infertilidade masculina é obter um diagnóstico preciso. Exames como o espermograma, que avalia a quantidade e a qualidade dos espermatozoides, e testes hormonais são essenciais para identificar as causas. Uma vez diagnosticado, o tratamento pode variar de acordo com a causa.

"Para casos de varicocele, por exemplo, a cirurgia pode ser uma solução eficaz. Já em situações de alterações hormonais, a reposição ou regulação dos hormônios pode resolver o problema", explica Kauy. 

Já em situações mais complexas, as técnicas de reprodução assistida, como a Fertilização In Vitro (FIV) e a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI), têm apresentado taxas de sucesso. "Com esses avanços, muitos casais que antes viam a infertilidade como um desafio agora têm a possibilidade real de realizar o sonho da paternidade, graças à combinação de tecnologias de ponta e ao acompanhamento personalizado. Essas inovações oferecem novas esperanças, transformando o cenário em uma jornada viável e cheia de possibilidades", afirma o médico.
 

Como as fake news estão impactando a infertilidade masculina

A desinformação ao redor do tema ainda é um grande obstáculo para quem busca tratamento. Mitos divulgados ao longo dos anos, muitas vezes ampliados pelas redes sociais, contribuem para que muitos homens adiem ou até evitem procurar ajuda médica especializada. “A falta de informações corretas e confiáveis nas plataformas digitais faz com que essas falsas crenças se espalhem rapidamente, dificultando o acesso ao diagnóstico correto e, consequentemente, ao tratamento adequado”, pontua o especialista. 

De acordo com o Dr. Kauy Victor Martinez Faria, os mitos mais comuns costumam ser:

  • "A infertilidade é sempre hereditária" – Nem sempre. Embora fatores genéticos possam influenciar, hábitos e problemas adquiridos ao longo da vida são as principais causas.
  • "Usar roupas apertadas causa infertilidade" – O uso frequente de roupas muito justas pode elevar a temperatura dos testículos, o que pode afetar a produção de espermatozoides, mas não é uma causa direta de infertilidade.
     
  • "Se o homem ejacula normalmente, ele não é infértil" – A fertilidade está ligada à qualidade e quantidade dos espermatozoides, e não apenas à presença de ejaculação.
     
  • "Apenas mulheres devem se preocupar com a idade fértil" – Embora os homens produzam espermatozoides por toda a vida, a qualidade do sêmen tende a diminuir com a idade, reduzindo as chances de uma gestação natural.

“É essencial que os homens tenham acesso a informações confiáveis para que possam tomar decisões sem receios e baseadas em evidências científicas”, destaca.
 

A importância de buscar ajuda

O receio e o estigma ainda afastam muitos homens dos consultórios médicos. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), revelou que 46% dos homens acima de 40 anos só procuram atendimento médico quando apresentam algum sintoma. Entre aqueles que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), esse percentual sobe para 58%. 

No entanto, especialistas reforçam que o problema é mais comum do que se imagina e que o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de sucesso nos tratamentos. 

"É preciso entender que a infertilidade não é uma sentença definitiva. Com os avanços da medicina e o apoio de profissionais qualificados, é possível encontrar soluções eficazes. Além disso, a quebra de tabus e o acesso à informação são ferramentas essenciais para que mais homens busquem tratamento precocemente, aumentando assim as chances de realizarem o sonho da paternidade", conclui Kauy Victor.
 

FERTGROUP

 

Quando a “depressão” é, na verdade, bipolaridade tipo II: o diagnóstico oculto por trás de muitos tratamentos que não funcionam

 

Você conhece alguém que hora está tranquilo e de repente está bravo e irritado? Isso pode ser bipolaridade tipo II e, ao contrário da imagem que o cinema e as séries ajudaram a construir — de explosões emocionais extremas, euforia fora de controle e episódios que exigem internação — existe um tipo de bipolaridade muito mais sutil, silenciosa e frequentemente confundida com depressão comum.

“É mais comum do que se imagina que pessoas com diagnóstico de depressão, ao longo do tratamento, descubram que na verdade vivem com transtorno bipolar tipo II. Isso acontece porque os episódios depressivos das duas condições são praticamente indistinguíveis”, explica o médico psiquiatra Dr. Diego Tavares.
 

A bipolaridade que não parece bipolaridade

O médico conta que transtorno bipolar tipo II é frequentemente subdiagnosticado porque sua fase de "alta", conhecida como hipomania, não apresenta comportamentos extremos ou incapacitação severa, como ocorre na fase maníaca da bipolaridade tipo I. Em vez disso, são períodos em que a pessoa se sente mais produtiva, acelerada ou impulsiva, mas sem chamar atenção ou causar grandes prejuízos.

“São fases em que a pessoa parece estar em um ‘ótimo momento’. Ela dorme menos, tem muitas ideias, sente-se criativa, inicia vários projetos com entusiasmo e pode até melhorar o rendimento no trabalho ou nos estudos. Isso confunde o paciente, que não percebe aquilo como um sintoma”, explica a psiquiatra.
 

Quando o antidepressivo piora o que deveria tratar

Outro sinal de alerta é a resposta aos antidepressivos. Pessoas com bipolaridade tipo II podem até ter uma melhora inicial com o uso dessas medicações, mas com o tempo param de responder, oscilam muito ou até pioram os sintomas depressivos ou ansiosos.

“Há um percentual significativo de pacientes diagnosticados com depressão resistente a tratamento que, na verdade, têm um transtorno bipolar ainda não identificado. E nesse caso, o tratamento precisa ser completamente diferente”, alerta a especialista.
 

Por que o diagnóstico é tão difícil?

Porque a maioria das pessoas associa o transtorno bipolar apenas à forma mais intensa com surtos evidentes; 

Porque os próprios pacientes não relatam o problema como algo fora do normal — muitas vezes, acham que estavam simplesmente "vivendo uma boa fase";

Porque muitos profissionais ainda focam apenas nos sintomas depressivos sem investigar oscilações de humor prévias; 

Porque existe estigma e desconhecimento, tanto entre pacientes quanto entre familiares.
 

É preciso olhar para o todo, não apenas para a tristeza 

A chave para um diagnóstico assertivo está na análise cuidadosa da história emocional de cada um, incluindo fases de euforia, impulsividade e alterações de energia. “A pessoa pode passar anos tratando uma depressão que nunca melhora completamente, sem saber que está lidando com outra condição, mais complexa, mas também tratável”, reforça o psiquiatra.


Veja 6 sinais de que o puerpério pode afetar a saúde mental do pai

 

Foto de Letícia Rodrigues

Choro escondido, irritação constante, distanciamento da família. Psicóloga perinatal explica como identificar os sintomas e quando buscar ajuda

 

A depressão pós-parto não atinge apenas mulheres. Embora ainda pouco discutida, a condição também pode afetar homens nos primeiros meses após o nascimento do bebê. Estima-se que cerca de 10% dos pais apresentem sintomas, número que pode dobrar quando a parceira também enfrenta dificuldades emocionais, segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline.  

Fatores como a pressão para ser o “forte da relação”, o medo de falhar como pai e o acúmulo de responsabilidades emocionais podem desencadear um quadro depressivo. “Eles também sofrem no puerpério. Estudos apontam que metade dos homens cujas parceiras apresentam depressão pós-parto também desenvolverão o quadro. A diferença é que eles costumam silenciar a dor, por medo de julgamento”, alerta. 

A seguir, veja os principais sinais da depressão pós-parto em homens e o que pode ser feito.

 

Por que isso acontece? 

Assim como nas mães, a depressão pós-parto em homens pode surgir logo após o nascimento do bebê. Entre os fatores de risco estão o cansaço extremo, as mudanças na rotina, a pressão financeira, a insegurança sobre o papel paterno e a ausência de rede de apoio. 

Rafaela destaca que o histórico de transtornos mentais também pesa. “Homens que já tiveram depressão, ansiedade ou vivenciaram com suas parceiras perdas gestacionais anteriores estão mais vulneráveis”. O sofrimento, segundo ela, muitas vezes aparece de forma mascarada, como irritabilidade, aumento do consumo de álcool, distanciamento familiar ou negação da dor.

 

Veja 6 sinais de que a saúde mental do pai pode estar em alerta 

Embora cada caso tenha suas particularidades, a psicóloga aponta alguns comportamentos que merecem atenção: 

1) Tristeza persistente ou choro frequente

2) Irritabilidade e explosões de raiva

3) Falta de interesse pela rotina familiar ou pelo bebê

4) Insônia ou sono excessivo

5) Sentimento de fracasso ou incapacidade

6) Afastamento da parceira e de vínculos sociais

 

O que pode ser feito? 

O primeiro passo é quebrar o silêncio. Falar sobre o que está sentindo e buscar ajuda profissional são atitudes fundamentais para o cuidado com a saúde mental. O apoio da parceira, familiares e amigos também é importante.  

A psicóloga perinatal aponta que a psicoterapia é indicada nesses casos, e o acolhimento deve acontecer sem julgamentos. “Ainda há uma visão de que o pai é o coadjuvante da criação. Quando reconhecemos o pai como parte ativa no cuidado, também abrimos espaço para que ele se sinta autorizado a pedir ajuda”

 

É possível prevenir? 

A participação ativa do homem desde a gestação, nas consultas, conversas sobre o puerpério e momentos de escuta, pode fazer diferença. Ter clareza de que a chegada de um filho transforma a vida de ambos contribui para diminuir os riscos emocionais.

De acordo com Rafaela, fortalecer a rede de apoio, ampliar espaços de escuta e enxergar a saúde mental paterna como parte do cuidado familiar são medidas fundamentais para construir uma paternidade mais saudável, para o pai, o bebê e toda a família.

 


Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo - psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.



Festa Junina com segurança: alerta para cuidados com queimaduras, fogueiras e fogos de artifício

Especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz orienta sobre os principais riscos à saúde durante as celebrações juninas

 

As festas juninas encantam pela alegria das quadrilhas, as comidas típicas e o clima, aquecido por fogueiras e lareiras. Mas, para que esse período seja celebrado com tranquilidade, é importante estar atento a riscos comuns dessa época do ano, como queimaduras, acidentes com fogos de artifício e o uso inadequado de aquecedores em ambientes fechados. 

De acordo com a Dra. Letícia Jacome, clínica geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, as comemorações devem ser planejadas com segurança, especialmente quando envolvem crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida. “Festas populares como o São João são momentos de afeto e confraternização. Com atenção aos cuidados básicos, é possível garantir que todos aproveitem com bem-estar e segurança”, afirma. 

As fogueiras são um símbolo das festas juninas, mas estão entre as principais causas de queimaduras neste período. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, em 2024, mais de 34 mil atendimentos por queimaduras foram realizados no país durante os meses de festa junina, sendo as mãos as regiões mais afetadas, com lesões de segundo grau, deformidades permanentes ou até amputações. 

Por isso, é importante lembrar que o fogo deve ser aceso apenas em ambientes abertos e bem ventilados, nunca em áreas internas, varandas ou espaços com cobertura. Mesmo em locais apropriados, é essencial manter uma distância segura e restringir o acesso de crianças e animais ao redor da fogueira. 

O uso de substâncias inflamáveis como álcool ou gasolina para acender o fogo é desencorajado, podendo provocar explosões e queimaduras graves. Em eventos públicos ou privados que utilizam fogueiras, o ideal é que a estrutura seja montada por profissionais capacitados, com acompanhamento e sinalização adequada. 

Outro alerta importante é quanto aos fogos de artifício. Apesar de tradicionais, eles representam um risco sério quando manipulados sem o devido cuidado. “O manuseio de fogos deve ser feito apenas por adultos, sempre com produtos certificados por órgãos competentes. Itens como bombinhas e rojões não devem, em hipótese alguma, ser entregues a crianças”, reforça. 

Para quem deseja uma alternativa mais segura e inclusiva, a recomendação é optar por fogos silenciosos, que reduzem o risco de acidentes e o impacto em pessoas com sensibilidade auditiva, como autistas, idosos e animais de estimação.

 

Uso de aquecedores exige cuidado especial

Junho também marca a queda nas temperaturas em diversas regiões do país. Por isso, o uso de lareiras, aquecedores elétricos ou a gás torna-se mais frequente. No entanto, o uso inadequado desses equipamentos em locais mal ventilados pode provocar a inalação de monóxido de carbono, um gás tóxico, sem odor e potencialmente letal. 

“Jamais durma com lareiras ou aquecedores a gás ligados em ambientes fechados. Sempre mantenha janelas entreabertas para permitir a circulação do ar e desligue os aparelhos antes de dormir”, orienta a especialista.

 

Primeiros socorros para queimaduras: o que fazer

Em caso de queimaduras leves, a orientação é lavar a área afetada com água corrente fria por pelo menos 10 minutos. “Não aplique nenhum tipo de substância caseira como manteiga, pasta de dente ou pó de café. Essas práticas populares podem agravar a lesão e dificultar o tratamento”, explica. 

Se a queimadura apresentar bolhas, dor intensa, pele esbranquiçada ou escurecida, é sinal de maior gravidade e é preciso procurar atendimento médico imediato.

 

Cuidados especiais com crianças e idosos

Crianças pequenas são especialmente curiosas e podem se aproximar de fontes de calor sem perceber o perigo. Já os idosos, por apresentarem pele mais sensível e menor percepção de calor, também estão mais propensos a queimaduras e quedas em ambientes mal iluminados. 

“É essencial manter os ambientes bem iluminados e os itens potencialmente perigosos fora do alcance. Tapetes soltos, fios aparentes e calçados inadequados aumentam o risco de quedas, principalmente entre os mais velhos”, alerta.

 Hospital Alemão Oswaldo Cruz


Queimaduras em crianças: riscos dentro de casa acendem alerta no Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras

Líquidos quentes lideram as causas, e crianças de até 5 anos são as principais vítimas 

 

No próximo dia 6 de junho, o Brasil volta os olhos para um problema que acontece, na maioria das vezes, dentro de casa — e que pode ter consequências graves: as queimaduras. A data marca o Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) para conscientizar sobre os riscos e reforçar medidas de prevenção. 

Dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) indicam que, no Brasil, 1 milhão de pessoas sofre queimaduras, sendo que cerca de 70% ocorrem dentro de casa. Entre as vítimas mais frequentes estão as crianças de 0 a 5 anos, faixa etária que concentra a maior parte dos atendimentos também no Sabará Hospital Infantil, em São Paulo. Segundo dados da SBQ e do Ministério da Saúde, cerca de 400 mil crianças sofrem queimaduras todos os anos no Brasil. Desse total, aproximadamente 30 mil precisam de internação hospitalar. 

No Sabará Hospital Infantil já foram atendidas 41 crianças por queimaduras, sendo que quatro precisaram de internação (uma por eletricidade, duas por água quente e uma por óleo). 

As estatísticas também apontam um dado preocupante: a maioria dos acidentes ocorre dentro de casa, principalmente na cozinha. Líquidos quentes, como água e óleo ferventes, lideram as causas, seguidos por alimentos e bebidas aquecidos, além do contato com superfícies quentes, como panelas, ferros de passar e fornos. 

“Grande parte desses acidentes acontece por descuido momentâneo. As crianças pequenas são muito curiosas e não têm noção do perigo. Por isso, o olhar atento dos adultos é fundamental”, alerta o Dr. Luiz Philipe Molina Vana, coordenador do Centro de Tratamento à Criança Queimada (CTCQ) do Sabará e ex-presidente da SBQ. 

O especialista também chama atenção para épocas do ano em que os riscos aumentam, como nas festas juninas, quando há maior exposição a fogueiras, fogos de artifício e até balões — que, além de ilegais, são extremamente perigosos. “Esses períodos exigem vigilância redobrada, assim como nas férias escolares, quando as crianças passam mais tempo em casa e, consequentemente, mais expostas a acidentes”, explica. 

Para evitar acidentes, os especialistas recomendam cuidados simples, mas que fazem toda a diferença:

  • Nunca deixe crianças sozinhas na cozinha ou perto de fontes de calor.
  • Panelas devem estar sempre com os cabos virados para dentro do fogão.
  • Evite que crianças manipulem líquidos quentes, velas, fósforos ou isqueiros.
  • Produtos inflamáveis, como álcool, devem ser mantidos fora do alcance.
  • Durante as festas juninas, crianças não devem se aproximar de fogueiras nem manusear fogos de artifício.

Em caso de queimadura, a orientação é lavar imediatamente o local com água corrente e procurar atendimento médico. “Não se deve aplicar nenhum tipo de produto caseiro, como pasta de dente, manteiga ou pomadas. Isso pode agravar a lesão. Cuidar de uma criança com queimaduras exige uma estrutura de atendimento multidisciplinar que tenha experiência tanto em minimizar sequelas como também conte com orientação voltada para o aspecto psicológico do acidente”, reforça Dr. Molina. 

O Sabará Hospital Infantil dispõe do CTCQ — Centro de Tratamento à Criança Queimada, primeiro serviço exclusivo em hospital privado no país voltado para crianças e adolescentes vítimas de queimaduras. O centro oferece atendimento emergencial, cirúrgico e acompanhamento multidisciplinar, fundamental para minimizar sequelas físicas e emocionais.


Telas aumentam olho seco entre jovens, diz pesquisa

Brasil vive uma epidemia por ser é o segundo país no mundo que mais gasta tempo nas redes sociais. 

 

Uma nova pesquisa publicada no Science Direct por pesquisadores da Aston University (Reino Unido) mostra que a síndrome do olho seco está em alta entre jovens que fazem uso prolongado das telas. A pesquisa acompanhou por um ano 50 participantes com idade entre 18 e 25 anos que permaneciam 8 horas/dia diante das telas. No final do período 56% apresentaram olho seco e 90% pelo menos um dos sintomas – vermelhidão, sensação de areia nos olhos, coceira, visão embaçada, dor de cabeça no final do dia. 

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, primeiro hospital especializado em Oftalmologia da América Latina, a síndrome do olho seco causada por telas é ainda maior no Brasil. Isso porque, uma pesquisa global da Meltwater revela que o País ocupa o segundo lugar no ranking mundial de tempo gasto em redes sociais, totalizando 9 horas e 15 minutos/dia só nas redes sociais. O primeiro país no ranking é a África do Sul onde a população fica 9 horas e 24 minutos/dia conectada às redes.

 

Como as telas interferem na lubrificação do olho

O especialista explica que o olho seco é uma alteração na quantidade ou qualidade de uma das três camadas da lágrima – aquosa, gordurosa e proteica. “Nossos olhos não foram feitos para fixar imagens próximas por muito tempo como a vida digital impõe, comenta. Por isso, explica, os fatores intrínsecos do olho seco relacionados às telas são: O pouco movimento que fazemos com os olhos em frente aos dispositivos; As 16,7 milhões de cores emitida pela tela que sobrecarregam com toda esta variação de luminosidade os músculos dos olhos; A diminuição do número de piscadas de 20 para 6 vezes por minuto. Queiroz Neto ressalta que crianças deve ser estimuladas a praticar, no mínimo, duas horas de atividades físicas em ambientes externos não só para evitar o olho seco como também a miopia.

 

Outros fatores de risco

Queiroz Neto salienta que o olho seco é multifatorial. Outros fatores de risco associados à condição são: baixa umidade ou aumento da poluição no ar; Permanecer em locais fechados; Ambientes climatizados; Uso contínuo de medicamentos para hipertensão arterial, anti-histamínicos e antidepressivos; Alimentação pobre em ácidos graxos; Baixo consumo de água; Uso de lente de contato; Doenças autoimunes, dermatite atópica ou síndrome de Stevens-Johnson; Menopausa e flutuações hormonais na mulher; Andropausa; Ceratocone e blefarite.

 

Tipos de olho seco e tratamentos

O tipo de olho seco mais frequente é o evaporativo que reponde por cerca de 70% dos casos da doença. O oftalmologista salienta que é causado por uma disfunção em pequenas glândulas localizadas na borda das pálpebras que secretam a camada lipídica da lágrima. “É esta porção da lágrima que mantém a camada aquosa suspensa na superfície do olho para proteger sua superfície das agressões externas”, salienta. O oftalmologista pontua que a disfunção pode ser causada pela obstrução dessas glândulas por excesso de oleosidade na pele, cremes ou maquiagem.

O olho seco também pode ser causado por uma diminuição na produção da camada aquosa causada por alterações hormonais, doenças autoimunes e medicamentos, sendo neste caso mais frequente em idosos.

“O tratamento depende o do diagnóstico e pode ser feto com colírios, pomadas, aplicações de luz pulsada ou implante de plugue no canal lacrimal para manter no olho a camada aquosa. O tipo de tratamento dependo do resultado do exame de imagem que permite visualizar onde está a deficiência” destaca.

 

Prevenção

As dicas de Queiroz Neto para prevenir o olho seco são:

  • Descanse das telas a cada 20 minutos olhando para uma distância de 20 pés ou 6 metros por 20 segundos.
  • Beba 300 ml de água para cada quilo de seu peso.
  • Posicione o dispositivo abaixo da linha dos olhos.
  • Desligue todos os dispositivos 1 hora antes de se deitar.
  • Limpe as pálpebras com um cotonete embebido em xampu neutro toda noite.
  • Evite a exposição de crianças às telas antes de completarem 2 anos.
  • Consulte um oftalmologista regularmente.

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