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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Quando a “depressão” é, na verdade, bipolaridade tipo II: o diagnóstico oculto por trás de muitos tratamentos que não funcionam

 

Você conhece alguém que hora está tranquilo e de repente está bravo e irritado? Isso pode ser bipolaridade tipo II e, ao contrário da imagem que o cinema e as séries ajudaram a construir — de explosões emocionais extremas, euforia fora de controle e episódios que exigem internação — existe um tipo de bipolaridade muito mais sutil, silenciosa e frequentemente confundida com depressão comum.

“É mais comum do que se imagina que pessoas com diagnóstico de depressão, ao longo do tratamento, descubram que na verdade vivem com transtorno bipolar tipo II. Isso acontece porque os episódios depressivos das duas condições são praticamente indistinguíveis”, explica o médico psiquiatra Dr. Diego Tavares.
 

A bipolaridade que não parece bipolaridade

O médico conta que transtorno bipolar tipo II é frequentemente subdiagnosticado porque sua fase de "alta", conhecida como hipomania, não apresenta comportamentos extremos ou incapacitação severa, como ocorre na fase maníaca da bipolaridade tipo I. Em vez disso, são períodos em que a pessoa se sente mais produtiva, acelerada ou impulsiva, mas sem chamar atenção ou causar grandes prejuízos.

“São fases em que a pessoa parece estar em um ‘ótimo momento’. Ela dorme menos, tem muitas ideias, sente-se criativa, inicia vários projetos com entusiasmo e pode até melhorar o rendimento no trabalho ou nos estudos. Isso confunde o paciente, que não percebe aquilo como um sintoma”, explica a psiquiatra.
 

Quando o antidepressivo piora o que deveria tratar

Outro sinal de alerta é a resposta aos antidepressivos. Pessoas com bipolaridade tipo II podem até ter uma melhora inicial com o uso dessas medicações, mas com o tempo param de responder, oscilam muito ou até pioram os sintomas depressivos ou ansiosos.

“Há um percentual significativo de pacientes diagnosticados com depressão resistente a tratamento que, na verdade, têm um transtorno bipolar ainda não identificado. E nesse caso, o tratamento precisa ser completamente diferente”, alerta a especialista.
 

Por que o diagnóstico é tão difícil?

Porque a maioria das pessoas associa o transtorno bipolar apenas à forma mais intensa com surtos evidentes; 

Porque os próprios pacientes não relatam o problema como algo fora do normal — muitas vezes, acham que estavam simplesmente "vivendo uma boa fase";

Porque muitos profissionais ainda focam apenas nos sintomas depressivos sem investigar oscilações de humor prévias; 

Porque existe estigma e desconhecimento, tanto entre pacientes quanto entre familiares.
 

É preciso olhar para o todo, não apenas para a tristeza 

A chave para um diagnóstico assertivo está na análise cuidadosa da história emocional de cada um, incluindo fases de euforia, impulsividade e alterações de energia. “A pessoa pode passar anos tratando uma depressão que nunca melhora completamente, sem saber que está lidando com outra condição, mais complexa, mas também tratável”, reforça o psiquiatra.


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