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| Foto de Letícia Rodrigues |
Choro escondido, irritação constante, distanciamento da família. Psicóloga perinatal explica como identificar os sintomas e quando buscar ajuda
A depressão pós-parto não atinge apenas mulheres. Embora ainda pouco discutida, a condição também pode afetar homens nos primeiros meses após o nascimento do bebê. Estima-se que cerca de 10% dos pais apresentem sintomas, número que pode dobrar quando a parceira também enfrenta dificuldades emocionais, segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline.
Fatores como a pressão para ser o “forte da relação”, o medo de falhar como pai e o acúmulo de responsabilidades emocionais podem desencadear um quadro depressivo. “Eles também sofrem no puerpério. Estudos apontam que metade dos homens cujas parceiras apresentam depressão pós-parto também desenvolverão o quadro. A diferença é que eles costumam silenciar a dor, por medo de julgamento”, alerta.
A seguir, veja os
principais sinais da depressão pós-parto em homens e o que pode ser feito.
Por que isso acontece?
Assim como nas mães, a depressão pós-parto em homens pode surgir logo após o nascimento do bebê. Entre os fatores de risco estão o cansaço extremo, as mudanças na rotina, a pressão financeira, a insegurança sobre o papel paterno e a ausência de rede de apoio.
Rafaela destaca que o
histórico de transtornos mentais também pesa. “Homens que já tiveram depressão, ansiedade ou vivenciaram
com suas parceiras perdas gestacionais anteriores estão mais vulneráveis”.
O sofrimento, segundo ela, muitas vezes aparece de forma mascarada, como
irritabilidade, aumento do consumo de álcool, distanciamento familiar ou
negação da dor.
Veja 6 sinais de que a saúde mental do pai pode estar em alerta
Embora cada caso tenha suas particularidades, a psicóloga aponta alguns comportamentos que merecem atenção:
1) Tristeza persistente ou
choro frequente
2) Irritabilidade e
explosões de raiva
3) Falta de interesse pela
rotina familiar ou pelo bebê
4) Insônia ou sono
excessivo
5) Sentimento de fracasso
ou incapacidade
6) Afastamento da parceira
e de vínculos sociais
O que pode ser feito?
O primeiro passo é quebrar o silêncio. Falar sobre o que está sentindo e buscar ajuda profissional são atitudes fundamentais para o cuidado com a saúde mental. O apoio da parceira, familiares e amigos também é importante.
A psicóloga perinatal
aponta que a psicoterapia é indicada nesses casos, e o acolhimento deve
acontecer sem julgamentos. “Ainda
há uma visão de que o pai é o coadjuvante da criação. Quando reconhecemos o pai
como parte ativa no cuidado, também abrimos espaço para que ele se sinta
autorizado a pedir ajuda”.
É possível prevenir?
A participação ativa do homem desde a gestação, nas consultas, conversas sobre o puerpério e momentos de escuta, pode fazer diferença. Ter clareza de que a chegada de um filho transforma a vida de ambos contribui para diminuir os riscos emocionais.
De acordo com Rafaela, fortalecer a rede de apoio, ampliar espaços de escuta e enxergar a saúde mental paterna como parte do cuidado familiar são medidas fundamentais para construir uma paternidade mais saudável, para o pai, o bebê e toda a família.

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