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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Veja 6 sinais de que o puerpério pode afetar a saúde mental do pai

 

Foto de Letícia Rodrigues

Choro escondido, irritação constante, distanciamento da família. Psicóloga perinatal explica como identificar os sintomas e quando buscar ajuda

 

A depressão pós-parto não atinge apenas mulheres. Embora ainda pouco discutida, a condição também pode afetar homens nos primeiros meses após o nascimento do bebê. Estima-se que cerca de 10% dos pais apresentem sintomas, número que pode dobrar quando a parceira também enfrenta dificuldades emocionais, segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline.  

Fatores como a pressão para ser o “forte da relação”, o medo de falhar como pai e o acúmulo de responsabilidades emocionais podem desencadear um quadro depressivo. “Eles também sofrem no puerpério. Estudos apontam que metade dos homens cujas parceiras apresentam depressão pós-parto também desenvolverão o quadro. A diferença é que eles costumam silenciar a dor, por medo de julgamento”, alerta. 

A seguir, veja os principais sinais da depressão pós-parto em homens e o que pode ser feito.

 

Por que isso acontece? 

Assim como nas mães, a depressão pós-parto em homens pode surgir logo após o nascimento do bebê. Entre os fatores de risco estão o cansaço extremo, as mudanças na rotina, a pressão financeira, a insegurança sobre o papel paterno e a ausência de rede de apoio. 

Rafaela destaca que o histórico de transtornos mentais também pesa. “Homens que já tiveram depressão, ansiedade ou vivenciaram com suas parceiras perdas gestacionais anteriores estão mais vulneráveis”. O sofrimento, segundo ela, muitas vezes aparece de forma mascarada, como irritabilidade, aumento do consumo de álcool, distanciamento familiar ou negação da dor.

 

Veja 6 sinais de que a saúde mental do pai pode estar em alerta 

Embora cada caso tenha suas particularidades, a psicóloga aponta alguns comportamentos que merecem atenção: 

1) Tristeza persistente ou choro frequente

2) Irritabilidade e explosões de raiva

3) Falta de interesse pela rotina familiar ou pelo bebê

4) Insônia ou sono excessivo

5) Sentimento de fracasso ou incapacidade

6) Afastamento da parceira e de vínculos sociais

 

O que pode ser feito? 

O primeiro passo é quebrar o silêncio. Falar sobre o que está sentindo e buscar ajuda profissional são atitudes fundamentais para o cuidado com a saúde mental. O apoio da parceira, familiares e amigos também é importante.  

A psicóloga perinatal aponta que a psicoterapia é indicada nesses casos, e o acolhimento deve acontecer sem julgamentos. “Ainda há uma visão de que o pai é o coadjuvante da criação. Quando reconhecemos o pai como parte ativa no cuidado, também abrimos espaço para que ele se sinta autorizado a pedir ajuda”

 

É possível prevenir? 

A participação ativa do homem desde a gestação, nas consultas, conversas sobre o puerpério e momentos de escuta, pode fazer diferença. Ter clareza de que a chegada de um filho transforma a vida de ambos contribui para diminuir os riscos emocionais.

De acordo com Rafaela, fortalecer a rede de apoio, ampliar espaços de escuta e enxergar a saúde mental paterna como parte do cuidado familiar são medidas fundamentais para construir uma paternidade mais saudável, para o pai, o bebê e toda a família.

 


Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo - psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.



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