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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Estudo mapeia desafios e aponta diretrizes para a restauração do Cerrado

Área conservada de Cerrado no Parque Nacional Chapada
dos Veadeiros, em Goiás (
foto: Natashi Pilon/Unicamp)
Pesquisadores da Unicamp e colaboradores analisaram dados de 82 áreas, distribuídas por cinco Estados e o Distrito Federal. Resultados indicam que, para recuperar a grande biodiversidade do bioma, é preciso combinar várias técnicas restaurativas, além de preservar o que ainda não foi destruído 

 

 O Cerrado já perdeu cerca de 70% da sua cobertura original. Savana mais biodiversa do mundo, detentora de 33% de toda a biodiversidade brasileira, berço das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul, o Cerrado é hoje também o bioma mais ameaçado do Brasil. Salvar o que resta, por meio de ações de preservação, é necessário e urgente. Mas não é suficiente. É preciso também restaurar.

O grande problema é que o Cerrado é muito difícil de ser restaurado. Nas últimas décadas, várias alternativas de restauração foram testadas. Mas nenhuma se mostrou totalmente efetiva. Para entender o potencial de cada uma delas e a possibilidade de serem consorciadas em uma estratégia de conjunto, uma pesquisa apoiada pela FAPESP compilou um amplo conjunto de dados de 82 áreas distintas, distribuídas por cinco Estados e pelo Distrito Federal. Os resultados do estudo foram divulgados no Journal of Applied Ecology.

“Comparamos o quanto essas áreas em restauração estavam similares às áreas conservadas, preservando as fisionomias de campos e savanas predominantes no bioma. E, em cada área, avaliamos a eficácia das técnicas de restauração passiva [regeneração natural] e ativa [semeadura, plantio de mudas de árvores, transplante de plantas, raízes e solo]”, conta Natashi Pilon, professora do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e primeira autora da pesquisa.

O estudo investigou 712 espécies, típicas do Cerrado bem preservado. Dessas, 338 (47%) não foram encontradas em nenhum dos locais em restauração. Como se isso não bastasse, de 520 espécies registradas exclusivamente em locais de restauração, 70% não eram típicas do Cerrado. Em outras palavras, espécies que deveriam estar presentes nas áreas restauradas não estão, e espécies que não deveriam estar presentes estão.

“Nos projetos de restauração, espécies que não são características do Cerrado estão sendo introduzidas. É o caso das ruderais [que crescem espontaneamente em terrenos baldios]. Embora nativas do Brasil, essas espécies não são características de nenhum bioma específico. E comprometem a estabilidade do ecossistema em restauração a longo prazo”, sublinha Pilon.

Os limites da regeneração natural

O Cerrado é muito diversificado. Um dos objetivos do estudo foi entender como cada tipo de planta responde às diferentes técnicas de restauração, considerando capins nativos, ervas, subarbustos (plantas que se assemelham a ervas, mas possuem lenho abaixo do solo), arbustos, trepadeiras e árvores.

“Verificamos que, em áreas onde somente a regeneração natural foi adotada, a quantidade de espécies típicas não aumentou com o tempo. Esse resultado mostra que muitas espécies possuem limitações para colonizar áreas degradadas. E que simplesmente deixar que o Cerrado se recomponha por si mesmo não permitirá recuperar a biodiversidade perdida”, conta Pilon.

A Figura 2 (ver abaixo), derivada do estudo, apresenta, graficamente, a eficácia de cada técnica de restauração em relação ao tipo de planta. Note-se que a restauração passiva permite a conservação de um número limitado de espécies típicas – geralmente árvores e arbustos que apresentam alta capacidade de rebrota. Ainda assim, a recuperação dessas espécies lenhosas depende de quanto o solo foi modificado e se ainda existem raízes capazes de rebrotar. Quanto às técnicas de restauração ativa, a figura mostra que a semeadura e o transplante de plantas e solo conseguem recuperar maior diversidade de espécies típicas, cada técnica sendo favorável para um tipo específico de planta.


Síntese das principais formas de crescimento do Cerrado que
cada técnica de restauração é capaz de recuperar
(
imagem: Natashi Pilon/Unicamp)


“Cada componente desses ecossistemas complexos desempenha um papel importante para sua resiliência e funcionamento. Assim, uma restauração efetiva precisa considerar todos esses fatores. Por exemplo, capins nativos alimentam as queimadas e controlam a densidade de espécies lenhosas, processo natural em ecossistemas savânicos. A diversidade de ervas regula a dinâmica de polinizadores, mantendo suas populações na paisagem e fornecendo recursos para as abelhas se alimentarem durante todo o ano. Subarbustos e arbustos rebrotam e colonizam depressa a área após perturbações naturais e são altamente resilientes a perturbações antrópicas. Além disso, armazenam grande quantidade de carbono abaixo do solo por meio de suas estruturas subterrâneas bem desenvolvidas. Assim, uma restauração bem-sucedida, com o objetivo de recuperar a biodiversidade e/ou os serviços ecossistêmicos, deve considerar a reintrodução de todas as formas vegetais encontradas em áreas conservadas do Cerrado”, resume a pesquisadora.

Considerando as diferentes técnicas de restauração ativa e os diversos tipos de plantas, o estudo mostrou que, para capins nativos, a semeadura direta, a transposição de solo superficial e o transplante de material vegetal permitiram aproximar-se da proporção encontrada no ecossistema conservado, de 18%. Para ervas típicas, proporções aproximadas à encontrada em ecossistema conservado, também de 18%, foram obtidas apenas por meio de transposição de solo superficial ou transplante de material vegetal. Em áreas onde a restauração foi feita pelo plantio de árvores, não foram registradas gramíneas nativas típicas, sendo esta a pior técnica de restauração avaliada.

Para subarbustos, apenas a técnica de transplante recuperou espécies típicas em proporções próximas à encontrada em ecossistemas conservados, de 24%. Para arbustos, a proporção foi semelhante à referência, de 14%, na maioria das técnicas analisadas, exceto a transposição de solo superficial e o plantio de árvores, que apresentaram valores muito inferiores. Já a proporção de árvores mostrou-se maior do que nos ecossistemas conservados na maioria das intervenções de restauração analisadas.

“Com base nesses resultados, podemos concluir que, para uma restauração efetiva do Cerrado, não existe uma panaceia. Uma única técnica de restauração isolada não será capaz de trazer todos os componentes que garantam a resiliência e o funcionamento do bioma. Além disso, as técnicas com melhores resultados – semeadura e transplante – são altamente dependentes de áreas conservadas para aquisição de sementes e material vegetal [plantas inteiras e raízes]. Assim, políticas e estratégias que promovam a conservação são tão ou mais urgentes do que a restauração propriamente dita”, sintetiza Pilon.

E acrescenta: “Quando se fala em Floresta Amazônica, o discurso é ‘vamos preservar’. Mas, em relação ao Cerrado, o discurso muda para ‘vamos restaurar’. Nosso estudo mostrou que, embora imprescindível, a restauração não é fácil. E depende da preservação. Apesar de toda a destruição, ainda existe muito Cerrado a preservar, principalmente na faixa norte, na área do Matopiba [acrônimo que denomina a região que se estende por porções dos Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia]. O desafio é que essa área está sendo fortemente impactada pela expansão agrícola, a exemplo do que já ocorreu em Goiás e no Mato Grosso”.

O estudo em pauta recolheu dados dessa área, bem como de outras partes do Cerrado. A pesquisa de campo foi realizada em propriedades particulares e em várias unidades de conservação, como a Estação Ecológica Santa Bárbara, a Floresta Estadual de Assis, a Estação Ecológica e Experimental de Itirapina e a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itararé, no Estado de São Paulo; o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e o Parque Nacional de Emas, em Goiás; o Parque Municipal do Pombo, no Mato Grosso do Sul; e o Parque Estadual do Guartelá, no Paraná. O trabalho foi apoiado pela FAPESP por meio de três projetos (19/07773-120/09257-8 e 19/03463-8).

O artigo Challenges and directions for open ecosystems biodiversity restoration: an overview of the techniques applied for Cerrado pode ser acessado em: https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2664.14368

 


José Tadeu Arantes
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/estudo-mapeia-desafios-e-aponta-diretrizes-para-a-restauracao-do-cerrado/50182


Com guerra e desaceleração da China, 2024 é incerto para o Brasil

Thinkstock
Embora inflação e juros estejam cedendo, desempenho da economia brasileira para o próximo ano vai depender de fatores externos e do aquecimento do consumo

 

O Brasil deve terminar o ano de 2023 com desempenho positivo da economia. As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano variam de 2,89% - pelas expectativas atuais do mercado financeiro - a 3,1% - segundo previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

A melhora das condições econômicas atuais é influenciada pela alta das exportações do agronegócio e da indústria extrativa, além de alguns fatores internos, como a melhora da renda e do mercado de trabalho, elementos que estimulam o consumo.

No entanto, para o próximo ano, ainda há muita incerteza segundo o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que destaca alguns aspectos que podem interferir de forma negativa e positiva na economia do país no próximo ano:

Guerra no Oriente Médio: entre os fatores negativos para o próximo ano está a guerra entre Israel e o Hamas, que não tem previsão de fim e já impacta de forma moderada o preço do petróleo. 

Mesmo os países envolvidos no conflito não sendo grandes exportadores da matéria-prima, um eventual alastramento da guerra para outros países, como o Irã, um dos principais produtores de petróleo e financiador dos Hamas, pode levar a uma redução nas exportações da matéria-prima, impactando o seu preço no mercado internacional.

O aumento no preço do petróleo é sentido em toda a cadeia produtiva, uma vez que ele entra na composição do frete. Afeta também o Comércio, que depende cada vez mais de entregas por meio do e-commerces. O combustível mais caro é um fator de pressão inflacionária, que acaba inibindo o consumo. 

Desaceleração da economia chinesa: a China, segunda maior economia do mundo e principal parceira comercial do Brasil, é outra interrogação para 2024 segundo o economista da ACSP. A economia do país asiático está em desaceleração, problema agravado pela alta taxa de desemprego entre os mais jovens e pela queda de desempenho do setor imobiliário.

De acordo com George Magnus, economista do Centro Chinês da universidade de Oxford, a China é responsável por 40% do crescimento mundial. Ou seja, qualquer problema na economia do país asiático afeta diretamente a economia global.

A desaceleração da China é um grande problema para o Brasil, já que o país asiático é o principal comprador de produtos agrícolas brasileiros. A possível redução da demanda chinesa pode resultar em baixa nos preços das commodities e, consequentemente, uma redução no PIB brasileiro, já que hoje o agronegócio é o setor que mais influencia o crescimento da economia por aqui.

Inadimplência das famílias: a elevada inadimplência é outra preocupação para o Brasil em 2024. “A inadimplência é enorme, as pessoas não conseguem pagar contas básicas, como água e luz”, comenta Ruiz de Gamboa. 

A proporção de famílias endividadas no país vem diminuindo, mas ainda é bastante elevada. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), em outubro, 76,9% das famílias brasileiras carregavam dívidas, sendo que desse total, 29,7% estavam inadimplentes. 

“Um dos fatores que contribui para essa inadimplência elevada é a alta taxa de juros. As pessoas atrasam o pagamento da fatura e os juros que incidem transformam a dívida em uma bola de neve, não conseguem sair dessa situação”, diz o economista da ACSP. 

Ruiz de Gamboa lembra que, mesmo com as recentes reduções na Taxa Básica de Juros (Selic) feitas pelo Banco Central (BC), ela ainda está elevada, em 12,25% ao ano. Para 2024, a expectativa do mercado financeiro é que a Selic caia para 9,25% ao ano, mas o impacto dessa redução da taxa na economia não é imediato.

A inadimplência pode ser uma das principais preocupações para o lojista em 2024, diz o economista, porque ela reduz o ímpeto de consumo. 

Aumento na renda: mas nem tudo no horizonte de 2024 é ruim, segundo Ruiz de Gamboa, que destaca a importância das políticas de transferência de renda do governo e a melhora do mercado de trabalho, que devem ajudar o consumo no próximo ano.

Esses fatores implicam no aumento da confiança do consumidor, que pelo Índice Nacional de Confiança (INC), elaborado pela ACSP, registrou a quinta alta seguida no mês de outubro, ao avançar 4,8% sobre o resultado de setembro.  

Vale lembrar que a confiança do consumidor é um importante termômetro para as vendas do comércio. 

Inflação: um outro elemento de otimismo para 2024 é a inflação, que segundo Ruiz de Gamboa, deve ficar sob controle, apesar de fatores externos, como a guerra entre Israel e o Hamas, que pressionam os preços. 

O economista da ACSP diz que as perspectivas para o próximo ano são de que a inflação se mantenha estável, estando dentro da meta estipulada pelo BC, de 3%, podendo oscilar entre 1,75% e 4,75%.

“A inflação está sob controle, o que pode facilitar a redução dos juros ao longo do próximo ano”, diz. “Com a queda dos juros, o consumo é estimulado, assim como os investimentos no país”, complementa.

 

Rebeca Ribeiro
https://dcomercio.com.br/publicacao/s/com-guerra-e-desaceleracao-da-china-2024-e-incerto-para-o-brasil


O legado das Organizações Sociais para o Sistema Único de Saúde (SUS)


Com o final da pandemia, o Sistema Único de Saúde (SUS), deixou um legado importante para a saúde pública brasileira. Para trazer um histórico, antes do SUS, o acesso à saúde era basicamente um ato de caridade. Por isso que a gente ouve tanto falar de organizações como as Santas Casas, instituições apoiadas pela igreja, por exemplo. Quando o Sistema ainda não existia, o cidadão tinha que contratar um plano de saúde privado ou ser um profissional formal, com carteira de trabalho assinada, para assim ter acesso ao Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), responsável pela assistência médica aos trabalhadores que contribuíam com a Previdência Social. Quer dizer, quem não praticava essa contribuição estava à margem do acesso ao serviço público de saúde. 

Com a criação do SUS o atendimento passou a ser universal no país, ou seja, todos os brasileiros passaram a poder acessar o serviço público de saúde em qualquer parte do território nacional. Então, o SUS é o acesso ao direito de ter um cuidado, assistência, reabilitação, a ter uma atenção profissional sobre a saúde do cidadão público. 

Hoje, olhando em perspectiva, observo que essa data se torna ainda mais especial depois dos desafios da pandemia que vivemos. Quando a covid-19 começou, há pouco mais de três anos, um grande desafio se colocava para os sistemas de saúde do mundo inteiro: como cuidar de tanta gente de forma simultânea. Como abrigar tantas pessoas necessitando de medicamentos, cuidados, respiradores? Como gerenciar custos e buscar formas de entregar mais com menos? 

Em meio a uma das maiores crises sanitárias da história, entidades civis e governos uniram forças e as Organizações Sociais de Saúde (O.S.S.) se consolidaram como importantes contribuidoras para dar vazão às demandas da população, equalizando custos e fornecendo o melhor atendimento em um momento delicado da vida. 

A rapidez em criar leitos, em buscar soluções para lidar com uma grande quantidade de internações, o foco em salvar vidas, as alternativas para vacinar a maior quantidade de pessoas no mínimo de tempo, assim como iniciativas de otimização de gestão e que diminuísse a pressão dos custos do sistema, são alguns dos legados que ficaram da união entre o SUS e as O.S.S., que se consolidaram como uma alternativa viável na saúde pública. 

E essa constatação não é uma avaliação subjetiva. Uma pesquisa da Planisa, empresa de gestão financeira na área da saúde, que avaliou a gestão de custos de agentes públicos, indicou que as OSS´s diminuíram despesas administrativas para 6,5% da receita total, enquanto nos estabelecimentos privados a relação ficou em 8,9%. No quesito produtividade, as OSSs alcançaram uma taxa média de ocupação de 79%, ante os 65% dos beneficentes e 62% dos privados. 

Para além da melhora da gestão de custos, pesquisas também avaliam a melhora e a qualidade dos serviços nas OSS. Um posicionamento do Tribunal de Contas da União (TCU), baseado em um levantamento pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross), em parceria com a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), o Instituto Ética Saúde (IES) e a Organização Nacional de Acreditação (ONA) colocou que dentre os 40 melhores hospitais públicos do país, 39 são geridos por esse tipo de Organização. 

A boa produtividade e a economicidade também foram apontadas, segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. De acordo com o órgão, essas instituições se mostram até 52% mais produtivas e 32% mais econômicas em relação aos serviços de administração direta. Com isto posto, fica claro o papel das OS´s nos desafios e oportunidades inerentes ao sistema. 

E uma das principais ajudas é na gestão de planejamento. O trabalho organizado e sistemático de gestão é um dos grandes desafios do sistema público. E um dos trabalhos das OS´s é trazer métricas, sistemas, planejamentos que olhem para isso, que digitalizem, integrem dados, mas que também qualifiquem as pessoas para lidar com essa questão. 

A formação de profissionais é outro grande desafio, aliás. As OS´s podem contribuir muito no engajamento do profissional para a saúde pública, e isso é essencial principalmente na atenção básica, além de oferecer cursos, formação, treinamento, trazer progressão de carreira, trazer visão humanizada para eles, que são fatores que diminuem por exemplo, os turnovers dentro da saúde. 

E temos um último ponto que, acredito, seja o que demandará mais esforços daqui para a frente. Um ponto que precisará de um esforço coletivo, como já aconteceu no combate à pandemia, que é o estabelecimento da cultura do cuidado. O SUS não pode ser um órgão destinado a apagar incêndios, resultado de uma cultura muito hospitalocêntrica. Pelo contrário, a cultura do cuidado é um trabalho muito importante, de vigilância em saúde, de prevenção de doenças crônicas, com uma demanda de olhar para os postos de atenção básica, especialmente. 

É por esse motivo, que para os próximos 30 anos, será essencial fortalecermos a atenção básica, a cultura do cuidado e a vacinação. Precisamos entender que o SUS e as OS´s não são concorrentes, mas sim fortes aliados na missão de criar mais alcance, atender com qualidade um maior número de pessoas, ampliar o acesso aos direitos e fortalecer cada vez mais essa rede, aproximando a saúde pública da ponta. Que esse legado só aumente. E viva o SUS!

 

Ian Cunha - superintendente do Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) e especialista nos segmentos de tecnologia, saúde e administração pública.

 

Governo de SP abre inscrições para curso online de Libras

Curso é gratuito e já qualificou cerca de 23 mil pessoas de mais de 400 municípios do Estado de São Paulo; vagas são limitadas

 

Na próxima sexta-feira (10), às 10h, o Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) abre as inscrições para o curso básico online e gratuito da Língua Brasileira de Sinais (Libras) para adultos, adolescentes e crianças.

 

Para os adultos, serão cinco turmas do Curso Básico: duas com aulas às segundas, quartas e sextas-feiras a noite; duas com aulas às terças e quintas-feiras a noite, e uma aos sábados pela manhã. Já para as crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos, a Secretaria abrirá a segunda turma do Curso de Libras Teens, com as aulas aos sábados pela manhã. As aulas serão ministradas por professores surdos.

 

O conteúdo programático contempla os seguintes temas: O que é a Libras; Identidade surda; Cultura surda; Comunicação: surdo x ouvinte; Regionalismos na libras; Sistema de notação da libras; Alfabeto manual; Sinais pessoais; Cumprimentos/saudações; Condições climáticas; Advérbios de tempo e calendário; Singular e plural; Animais; Expressões faciais; Materiais escolares e de escritório; Pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos e interrogativos; Números: cardinais e quantidades; Dias da semana; Família; Sentimentos; Horas/duração; Ambientes da residência; Localidades; Direção/perspectiva; Meios de transporte; Profissões; Documentos; Verbos; Configurações de mão.

 

O curso tem o total de 40 horas por turma, divididas em 30 horas ao vivo pela plataforma Zoom, e 10 horas de atividades extras. É necessário o uso de câmera durante as aulas. Para obter o certificado de participação, é preciso ter frequência mínima de 75% das aulas ao vivo, e atingir média final 5,0 ou superior.

 

Os cursos de Libras acontecem mensalmente e têm vagas limitadas. O público em geral pode se inscrever. A iniciativa tem como objetivo ensinar Libras a pessoas sem deficiência auditiva para que elas estejam habilitadas a se comunicar com as pessoas surdas que vivem no Estado de São Paulo.

 

Serviço – Inscrições para o Curso de Libras Básico de novembro/2023

Formulários de inscrição por turma serão abertos ao público em 10 de novembro, às 10h, no site da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência: www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br.


Comércio e Serviços já perderam pelo menos R$ 1,3 bilhão pela falta de luz em São Paulo

Só setor de Serviços teve prejuízo de R$ 930 milhões entre sexta-feira e terça (7); FecomercioSP expressa preocupação com próximas chuvas

 
Nos cinco dias em que ficaram parcialmente sem energia elétrica, os setores de Comércio e Serviços da cidade de São Paulo perderam, pelo menos, R$ 1,3 bilhão em faturamento bruto, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
 
O montante considera os impactos causados na proporção de negócios de ambos os setores que tiveram cortes de fornecimento e que precisaram fechar as portas desde sexta-feira (3), dia do vendaval e das chuvas que afetaram a capital paulista, até terça-feira (7). Considerando que regiões da metrópole e do entorno ainda permanecem às escuras, os prejuízos serão ainda maiores no orçamento do mês.
 
Pelos cálculos, os Serviços foram os mais prejudicados: as empresas do setor afetadas pela interrupção de eletricidade – precisando fechar as portas – já deixaram de receber R$ 930 milhões nesses cinco dias de funcionamento parcial. O Comércio, por sua vez, perdeu R$ 465 milhões em vendas no mesmo período – considerando apenas as lojas que ficaram sem luz e deixaram de operar por causa disso. A análise da Federação levou em conta o aumento natural de faturamento aos fins de semana, quando consumidores costumam ir às compras.
 
Apenas no sábado, dia seguinte à tempestade, os Serviços perderam R$ 370 milhões em receitas, enquanto o Comércio ficou com um prejuízo de R$ 185 milhões [tabela 1].
 

 

INICIATIVAS

Desde a sexta-feira (3), a FecomercioSP tem orientado o empresariado afetado pelo apagão em São Paulo sobre como gerir os estoques, coordenar o fluxo de trabalho, replanejar o orçamento do mês e principalmente lidar com os prejuízos já contabilizados.
 
Além disso, a Federação mantém contato desde então com o Poder Público pelo reestabelecimento imediato do fornecimento de energia elétrica à população – tanto quem ainda está sem luz como os negócios que foram mais afetados.
 
A Entidade enviará nesta quarta-feira (8) ofícios à Prefeitura de São Paulo, ao governo do Estado, à Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e à Enel, empresa fornecedora de eletricidade na capital paulista, reforçando a urgência de retomar o serviço imediatamente.
 
Mais do que isso, os documentos vão expressar a preocupação da FecomercioSP com as típicas chuvas de verão, a partir de dezembro, que, pela intensidade das precipitações e dos ventos, podem causar mais prejuízos aos setores do Comércio e dos Serviços – já afetados pela crise da segurança pública, principalmente no centro da cidade, e com o fraco desempenho econômico do ano.


 
REPARAÇÃO AOS PREJUÍZOS

Negócios afetados devem procurar, primeiro, vias administrativas em busca de compensações financeiras pelos prejuízos nos dias sem luz. Apenas caso elas não sejam suficientes, a FecomercioSP orienta a prosseguir por vias judiciais.
 
Empresas que tiveram avarias em equipamentos elétricos, por exemplo, podem pedir ressarcimento para cobrir custos de conserto às próprias concessionárias, segundo resolução de 2021 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que regula o setor. O procedimento pode ser feito diretamente pelos canais de atendimento ou pelos portais na Internet.
 
Isso vale também para empreendimentos que tiveram prejuízos em matérias-primas, como supermercados e padaria que perderam itens de alimentação, ou a rede hoteleira, que ficou sem condições de prestar seu serviço nesses dias, por exemplo.
 
Por determinação legal, as empresas de fornecimento de energia elétrica têm prazos específicos para religação do fornecimento em situações de interrupção, como o momento atual. Caso eles não sejam cumpridos, é possível buscar indenizações por meio de processos judiciais.
 
A FecomercioSP tem atuado junto à ANEEL e ao Procon-SP em busca de desburocratizar os procedimentos obrigatórios para quem pretende seguir com essas solicitações. A orientação é que os empresários(as) também procurem o Procon-SP em busca de informações sobre esse direito.
 
Por fim, caso se avance por vias jurídicas, é importante lembrar a necessidade de comprovação das tentativas de resolução pelos meios administrativos – e do insucesso delas.

 
FecomercioSP

Educação e inteligência artificial: como a tecnologia pode ajudar na acessibilidade e a inclusão dos pequenos

Especialista comenta a aplicação da inteligência artificial na educação, seja para alunos ou professores, e a importância de orientar seu uso

 

A adesão à inteligência artificial (IA) está dia após dia mais presente nos mais diversos setores, e a relação das pessoas com a tecnologia também tem se estreitado: um estudo da KPMG aponta que 56% dos brasileiros confiam nela. Com tantos segmentos implementando-a, o da educação não poderia afastar essa tendência. Seja para auxiliar os estudantes ou os professores, a IA é capaz de facilitar o aprendizado e a rotina escolar.  

O ChatGPT, para citar apenas um dos diferentes tipos de IA, pode ser um aliado na personalização do aprendizado. Com ele, é possível facilitar e reforçar ainda mais o ensino personalizado com conteúdos de interesse que ajudem crianças e adolescentes a aprenderem mais rápido e com mais entusiasmo sobre diversos temas.  

Uma alternativa é dar o comando para o ChatGPT criar uma história sobre um assunto que o aluno tenha mais interesse, como um conto sobre fadas e animais, para ajudá-lo a aprender a ler de forma mais lúdica e certeira. Dessa forma, as crianças aprendem no seu ritmo e conseguem aprimorar suas habilidades em questão, seja a leitura, a escrita ou o raciocínio.  

“A inteligência artificial chegou para ressignificar muitos dos processos já existentes e acreditamos que na educação, principalmente, seu uso será e está sendo muito proveitoso. O ideal é utilizá-la como um complemento ao aprendizado, para facilitar o desenvolvimento e permitir explorar novas tecnologias; mas sempre incentivando o uso de ferramentas offline de forma que os jovens exercitem a criatividade e o raciocínio lógico”, comenta Henrique Nóbrega, diretor fundador da Ctrl+Play, escola de programação e robótica para crianças e adolescentes. 

Outro ponto importante da inteligência artificial na educação é sua capacidade de fornecer acessibilidade para os estudos de pessoas com deficiência. Certos programas, como o “Seeing AI”, possibilitam que deficientes visuais consigam ler textos e reconhecer objetos. Essa opção garante adaptabilidade conforme o histórico da criança e, sobretudo, inclusão no ensino e conhecimento. 

Orientar além do operacional é também um ponto-chave para que os pequenos compreendam a dimensão dessa tecnologia e seu uso, para que assim entendam as limitações da ferramenta e saibam que as respostas a comandos dados nem sempre serão verídicas. “O mais fundamental nesse processo é explicar aos pequenos o que a IA pode fazer, explicar do que se trata e incentivar um uso consciente e seguro”, comenta Henrique. 

Não só para as crianças, mas a inteligência artificial também se torna muito importante para auxiliar os professores. Ela pode melhorar a eficiência das atividades, promover automação de tarefas e até mesmo acelerar a produção de relatórios e diagnósticos de acompanhamento dos alunos, ajudando nas metodologias pedagógicas aplicadas no dia a dia. 

“A IA está intrínseca no cotidiano e futuro de todos, então não há porque afastar esse conhecimento das crianças. Pelo contrário, é preciso ensinar sobre ela para que uma compreensão sobre tecnologia mais aprofundada e crítica seja introduzida desde cedo, aos poucos”, comenta o diretor da escola.


Ctrl+Play

 

6 pilares de estratégia que podem ajudar no seu negócio em 2024


No cenário em constante evolução dos negócios modernos, a capacidade de executar estratégias de forma eficaz não é apenas uma vantagem competitiva, é uma necessidade. Ter um sistema que apoie a execução das estratégias do seu negócio é sobre transformar planos estratégicos em tarefas realizáveis e resultados mensuráveis.

 

Neste sentido, uma boa estratégia é o uso do Framework de Execução de Estratégia (SEF), que não é um conceito novo. Tem suas raízes nas teorias iniciais de gestão estratégica, que enfatizavam a importância de alinhar as operações diárias com os objetivos gerais dos negócios.

 

Porém, à medida que o ambiente de negócios se tornou mais complexo e dinâmico, a necessidade de uma abordagem mais estruturada e sistemática para a execução de estratégias se tornou evidente, por isso, esse framework aborda essa necessidade, fornecendo um roteiro claro para a execução de estratégias.

 

No entanto, como tudo na vida, não há uma solução única para todos. A implementação do SEF pode apresentar desafios significativos, especialmente em organizações com culturas arraigadas ou estruturas rígidas, exigindo muita energia e disposição dos envolvidos para a mudança.

 

Começamos com uma pergunta para reflexão: Como a sua organização aborda atualmente a execução de estratégias?

 

A importância dos pilares do SEF

 

O conceito de execução estratégica não é novo. Tem sido um pilar da gestão de negócios desde o início do século XX, quando pioneiros como Henri Fayol enfatizaram pela primeira vez a importância de alinhar as operações diárias com os objetivos gerais dos negócios. 

 

No entanto, a complexidade do ambiente de negócios atual tornou a execução estratégica mais desafiadora do que nunca.

 

No passado, as empresas frequentemente operavam em ambientes relativamente estáveis, onde as mudanças eram lentas e previsíveis. Os planos estratégicos poderiam ser estabelecidos com anos de antecedência, e as organizações tinham tempo de sobra para alinhar seus recursos e processos adequadamente. Mas na era da agilidade, o planejamento de longo prazo se tornou impraticável.

 

Essa mudança nos trouxe uma série de problemas. Muitas organizações têm dificuldade em traduzir seus planos estratégicos em ações realizáveis e resultados que possam ser mensurados. Lidam com recursos desalinhados, prioridades conflitantes e falta de responsabilidade clara. Mesmo quando conseguem executar suas estratégias, frequentemente falham em medir seu desempenho ou adaptar seus planos em meio a constantes mudanças.

 

O SEF divide o processo em seis pilares: Alinhamento Estratégico, Alocação de Recursos, Medição de Desempenho, Gerenciamento de Mudanças, Gerenciamento de Riscos e Melhoria Contínua. Ao abordar esses pilares, as organizações podem garantir que seus planos estratégicos sejam traduzidos eficazmente em ações e resultados.

 

Na prática, listo as principais recomendações com base em cada um desses pilares. Confira:

 

1. Intenção Estratégica: Articule claramente os objetivos de longo prazo e as estratégias de sua organização. Isso deve ser um processo colaborativo que envolva todos os níveis da organização.

 

2. Alocação de Recursos: Alinhe seus recursos com a intenção estratégica. Isso pode envolver a realocação de recursos de áreas que não estejam alinhadas com sua estratégia.

 

3. Medição de Desempenho: Estabeleça objetivos claros e mensuráveis e acompanhe o progresso em direção a eles. Use um conjunto sustentável de indicadores de desempenho que reflitam todos os aspectos críticos do desempenho da sua organização.

 

4. Gerenciamento de Riscos: Identifique riscos potenciais e desenvolva estratégias para reduzi-los. Isso deve ser um processo contínuo, não uma atividade única.

 

5. Alinhamento Organizacional: Garanta que todas as partes de sua organização trabalhem em direção aos mesmos objetivos. Isso pode envolver mudanças na estrutura, cultura e processos.

 

6. Gestão de Mudanças: Gerencie as mudanças se comunicando abertamente, envolvendo os colaboradores no processo de mudança e fornecendo o treinamento e o suporte necessários.

 

É importante saber que essa jornada está cheia de desafios. Esses desafios podem variar desde a resistência à mudança, falta de recursos, até o desalinhamento entre diferentes partes da organização. No entanto, são possíveis de serem superados.

 

O futuro da execução estratégica provavelmente envolverá uma ênfase maior na agilidade e adaptabilidade. À medida que o ritmo das mudanças continua a acelerar, as organizações precisarão ser capazes de ajustar suas estratégias de forma rápida. Com foco no alinhamento, comunicação e medição, esse framework pode desempenhar um papel crucial nesse processo.

 

Rebello - Gestora de Projetos e Estrategista de Negócios Angélica

 

SP lidera ranking de estados com mais fábricas utilizando bioinsumos

Projetos de engenharia desenhados para o setor alimentam produção ecossustentável

 


 

O mercado de insumos agrícolas biológicos viu um aumento de vendas de 67% em um ano, na safra 2021/22, de acordo com relatório do Farm Trak, estudo divulgado pela Kynetec. O setor tem passado por um crescimento considerável, consistente e recente, que especialistas apontam estar relacionado ao “momento de experimentação” de produtores. Seja por motivos ecossustentáveis ou econômicos, a procura por soluções que usem agentes biológicos ao invés de químicos para proteger lavouras tem aumentado. Obviamente, outros setores têm aproveitado essa expansão, entre eles o da engenharia.

 

Os bioinsumos trazem uma novidade para o agro. São microrganismos usados para combater pragas, insetos e fungos. Onde antes seriam usados defensivos químicos (cada vez mais combatidos, com países proibindo seu uso), são implantados agentes biológicos que não deixam resíduos nem tem passivos ambientais. A redução de químicos tem importantes impactos ambientais. O uso de bioinsumos tem sido estimulado até pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, como fator relevante para solução da crise global de alimentos a longo prazo.

 

“As aplicações de biológicos na agricultura são diversas”, comenta o engenheiro de bioprocessos Eduardo Leite. “Temos no mercado produtos usados como biofungicidas, bionematicidas, bioinseticidas promotores de crescimento, entre outros. Os bons resultados atraem cada dia mais produtores: segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), em 2023 foram registrados 15 novos produtos biológicos para agricultura”. O Brasil conta hoje, de acordo com o MAPA, com mais de 100 matrizes fabricantes de bioinsumos registradas. “O que observamos no mercado atual é a busca por novos produtos sempre priorizando a eficiência no campo”, afirma Leite. São Paulo lidera o ranking com 47, seguido pelo Paraná, com 18, e Minas Gerais com 13. E é também nesses estados que outro mercado relacionado tem mostrado significativo crescimento: o de engenharia.

 

Com a efervescência do setor, projetos que levam em consideração o uso de agentes biológicos têm sido cada vez mais procurados. “Já desenvolvemos muitos layouts industriais em áreas como fertilizantes e defensivos químicos”, explica José Carlos Gerolin, diretor técnico da Gerolin Engenharia, citando os produtos químicos usados para combater pragas das plantas. “É relativamente recente, mas significativa, a busca por projetos pensados para fábricas que utilizarão agentes biológicos”, complementa. A Gerolin atua em todo o Brasil construindo estruturas para o mercado de insumos biológicos.

 


Desafios

 

Por ser recente, o setor de insumos agrícolas biológicos ainda tem pouca legislação. São necessários cuidados específicos no trato de bioinsumos, porque seu uso indevido pode levar a desequilíbrios ambientais. Alguns projetos de lei estão em tramitação na Câmara dos Deputados, por exemplo, demonstrando o avanço do setor – e os diferentes cuidados necessários. “Como estamos falando de microrganismos, temos um grande cuidado em relação à biossegurança, e nosso layouts são pensados em cima disso”, explica Gerolin.

 

As grandes empresas precisam criar novos padrões de sanitização, limpeza, processo e segurança, diferentes do que se faz hoje para os agentes químicos, seguindo as necessidades particulares dos bioinsumos. “Todo nosso trabalho é baseado em reduzir ao máximo a chance de contaminação dos bioprocessos, então temos projetos, por exemplo, com salas limpas nas quais estão instalados filtros de até 0,22 micras, dispostos em um layout otimizado com barreiras de segurança biológica”, destaca o engenheiro citando os equipamentos de retenção de partículas contaminantes.

 

Uma das tendências é o “on farm”, no qual os bioinsumos são produzidos na própria estrutura agrícola em que será utilizado. Porém, esse formato requer uma atenção especial dos fornecedores de inóculos e meio de cultura para as unidades ‘on farm’, para o monitoramento do desenvolvimento dos microorganismos, assim como suas concentrações ideiais. José Carlos destaca ainda que esse formato de produção, sem os cuidados e acompanhamento de um profissional habilitado não é o mais indicado, uma vez que pode apresentar mais riscos de contaminação.

 

Existem poucas empresas no Brasil fornecedoras de bioinsumos para produções “on farm” que possuem capacidade técnica para produzir e monitorar o desenvolvimento biológico nas propriedades. Por isso, as diferentes etapas de proteção de um layout são necessárias, e as formas mais seguras ainda são as de buscar outros formatos diferentes para a produção “on farm” que assegure a eficiência de uso. 

Questões legais serão decisivas para o avanço tanto dos bioinsumos quanto da engenharia especializada no setor. “O Ministério da Agricultura e Pecuária ainda trata muitos bioinsumos como se fossem defensivos químicos, mas existe uma diferença enorme entre um produto com microrganismos e um defensivo convencional”, completa o engenheiro.


Como o Brasil conseguiu quebrar a Starbucks?

O Brasil com sua rica cultura de café e paixão pela bebida, pode parecer um terreno fértil para qualquer marca de café, especialmente uma gigante global como a Starbucks. No entanto, a realidade é que o mercado brasileiro provou ser um ambiente notoriamente desafiador para os negócios, mesmo para uma marca de renome internacional. O pedido de recuperação judicial da SouthRock Capital, empresa que administra a Starbucks no Brasil, lança luz sobre os obstáculos que a marca enfrentou no país e nos leva a questionar: como o Brasil conseguiu "quebrar" a Starbucks? 

 

Crise Econômica Brasileira: Uma Xícara Amarga  

A crise econômica que abalou o Brasil nos últimos anos desempenhou um papel crucial no declínio da Starbucks no país. Com a recessão econômica, muitos brasileiros se viram forçados a apertar o cinto financeiro. Isso incluiu cortar gastos supérfluos, como um café de uma marca internacional. Além disso, a desvalorização do real em relação ao dólar tornou os produtos da Starbucks ainda mais caros para os consumidores locais, criando um sabor amargo em cada xícara. 

 

Concorrência Acirrada: A Dança das Cafeterias  

O Brasil é um país que abraça sua paixão pelo café, e isso se traduz em um mercado altamente competitivo. Nos últimos anos, diversas marcas de café locais emergiram, oferecendo produtos de alta qualidade a preços mais acessíveis. Muitas dessas marcas conseguiram conquistar a confiança dos consumidores, criando uma dança agitada no cenário das cafeterias. O tradicional "cafezinho" ganhou novos ritmos e sabores. Marcas como Kopenhagen, Nespresso, Havana e The Coffee se expandiram e conquistaram a preferência dos consumidores em busca de experiências premium.  

 

Problemas Internos de Adaptação: Um Cardápio Desafinado  

Além dos desafios externos, a Starbucks enfrentou problemas internos que a impediram de se encaixar perfeitamente no mercado brasileiro. A empresa falhou em sintonizar seu cardápio com o gosto local. Manteve o mesmo cardápio e estratégia de marketing usados em outros países, o que resultou em uma experiência desconexa para os consumidores brasileiros, que muitas vezes preferem sabores e opções diferentes. 

 

A Pandemia do Coronavírus: Quando a Tormenta Chegou  

A pandemia do coronavírus, que afetou o globo, também lançou sua sombra sobre a Starbucks no Brasil. As medidas de isolamento social reduziram drasticamente o tráfego de clientes nas lojas físicas, forçando a empresa a uma rápida adaptação a novos formatos de atendimento, como o delivery. No entanto, essas mudanças, embora corajosas, não conseguiram compensar as perdas de receita. 

 

Endividamento Elevado: Uma Sombra Antes da Tempestade  

Um desafio adicional que a Starbucks no Brasil enfrentou foi o endividamento elevado. Antes mesmo da pandemia, o grupo já estava em uma situação financeira delicada devido à expansão da marca no país. O crescimento rápido demandou grandes investimentos, e o endividamento se acumulou, lançando uma sombra sobre a empresa. Com a falta de crescimento de receita, a tempestade perfeita estava se formando. 

 

Uma Lição de Café Amargo  

A história da Starbucks no Brasil serve como um lembrete de que mesmo as marcas globais podem encontrar obstáculos inesperados em mercados altamente competitivos e em constante mudança. A paixão do Brasil pelo café é uma tradição que requer respeito, inovação e adaptação para sobreviver e prosperar.  

Para a Starbucks se recuperar e reconquistar seu lugar no coração dos brasileiros, será fundamental uma adaptação estratégica ao mercado local, a oferta de produtos mais alinhados às preferências dos consumidores, investimentos em tecnologia e inovação, além da busca por eficiência operacional. O mercado de café no Brasil continua a ser robusto e apaixonado, e, com a estratégia certa, a Starbucks ainda pode encontrar seu lugar entre os amantes do café no país. No entanto, esse processo exigirá uma abordagem cuidadosa e sensível às nuances do mercado brasileiro, onde até mesmo uma xícara de café é carregada de história e tradição. 

 

Fonte: André Charone - Mestre em Negócios Internacionais


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