Pesquisar no Blog

segunda-feira, 7 de junho de 2021

ESTUDO DA CORONAVAC RECEBEU APOIO DE R$ 32,5 MILHÕES DA FAPESP

Parceiros desde 1962, o órgão já concedeu 1.134 auxílios à pesquisa e 1.458 bolsas ao Instituto Butantan

 

A terceira fase do ensaio clínico da CoronaVac no Brasil, que testou a eficácia da vacina em cerca de 13 mil profissionais de saúde, contou com o apoio de R$ 32,5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Parceira do Butantan desde o ano de sua fundação, em 1962, a FAPESP já concedeu 1.134 auxílios à pesquisa (54 em andamento) e 1.458 bolsas (82 em andamento) à instituição. 


O sucesso da pesquisa da CoronaVac levou à aprovação emergencial da vacina pela Anvisa em de janeiro de 2021 e, atualmente, de cada dez pessoas vacinadas no Brasil, sete recebem a vacina do Butantan*. O suporte financeiro da FAPESP foi estendido para outros projetos voltados ao combate da pandemia. Entre eles, o Projeto S, ensaio clínico realizado em Serrana (SP) para avaliar a eficiência da vacinação em nível populacional; o soro anticoronavírus feito a partir do plasma de cavalos, que tem o objetivo de amenizar os sintomas da doença em pessoas infectadas; e a ButanVac, a primeira vacina contra a Covid-19 produzida integralmente no Brasil. 


O Instituto Butantan implementou ainda uma Rede de Alerta para detectar as variantes emergentes do SARS-CoV-2 no Estado de São Paulo, o que resultou na descoberta da variante de Sorocaba em março deste ano, e está estudando como o coronavírus age em diferentes tipos de células humanas (dos neurônios às células do sistema imunológico, entre outras). A pesquisa em questão tem o intuito de descobrir novas estratégias terapêuticas contra a doença. “Em linhas gerais, ao descobrir o alvo do vírus, podemos desenvolver uma molécula que reverta esse fenômeno”, diz Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Butantan. Esse é o primeiro passo, de acordo com Tavassi, para o desenvolvimento de um antiviral. 


Todas as amostras colhidas dos voluntários, tanto dos moradores de Serrana quanto dos profissionais de saúde que participaram da fase 3 da CoronaVac, serão armazenadas futuramente no Centro de Recursos Biológicos Butantan (CRBB), outro projeto que recebeu o apoio da FAPESP. Chamado pelos cientistas do Butantan de biobanco, trata-se de um biorrepositório de células e microrganismos com o objetivo de centralizar o armazenamento de linhagens celulares humanas e animais, assim como manter um “backup” das cepas utilizadas na produção de imunobiológicos do Instituto. 


A pesquisadora Ana Marisa explica a importância desse avanço para a saúde pública. “Isso significa que já teremos as células para a produção de um antígeno (vírus, bactérias, etc.) ou o próprio antígeno para a criação de uma vacina, só para citar um exemplo. Desta forma, nossa resposta será mais rápida diante de uma nova pandemia”, afirma a cientista. “De 1962 para cá, os projetos fomentados e apoiados pela FAPESP no Butantan resultaram em benefícios diretos à população. Não só à do estado, como à de todo o país. Por isso, só temos a agradecer”, conclui Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan. 

 


*Fonte: Veja/Ministério da Saúde/11.05.2021

 

Os processos ligados às pesquisas citadas estão disponíveis na Biblioteca Virtual da FAPESP. Para mais informações, entre em contato com: imprensa@butantan.gov.br



De 15 países, Brasil possui maior intenção de vacinação contra Covid-19

Pesquisa da Ipsos aponta que 93% dos brasileiros tomariam a vacina caso tivessem oportunidade


No Brasil, pouco mais que 9 entre cada 10 pessoas (93%) estão dispostas a se vacinar contra a Covid-19 caso tenham a oportunidade. Este é o maior índice entre 15 países avaliados na pesquisa Covid-19 Vaccination Intent, realizada pela Ipsos com 9.890 entrevistados. Considerando todos os respondentes a nível global, o percentual de pessoas que tomariam a vacina é de 71%.

Esta é a quarta edição realizada do levantamento. Em julho de 2020, 88% dos brasileiros disseram que se vacinariam caso tivessem a chance. O índice diminuiu dez pontos percentuais em dezembro do mesmo ano, chegando a 78%. Em fevereiro de 2021, o percentual de pessoas dispostas a se vacinar foi de 89% e, em abril – o dado mais recente –, aumentou 4 pontos percentuais.

Os países cujos participantes demonstram maior interesse em se vacinar, além do Brasil, são o México (88%) e a Espanha (83%). Por outro lado, os russos (41%), norte-americanos (46%) e franceses (58%) são mais desconfiados no que diz respeito à vacinação. A pesquisa mostrou que, no geral, as pessoas que mais hesitam se vacinar tendem a ser mulheres, jovens, pessoas com renda mais baixa e pessoas com menor nível de escolaridade. Entre os brasileiros, o perfil é de pessoas com renda mais baixa e com menor nível de escolaridade.

 A pesquisa on-line foi realizada com 9.890 pessoas, sendo 856 brasileiros, com idades entre 16 e 74 anos em 15 países. Os dados foram colhidos entre 22 a 25 de abril de 2021. A margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.




Ipsos

www.ipsos.com/pt-br


Trauma ocular pode causar glaucoma e levar à cegueira

Festas juninas e férias escolares aumentam o risco de acidentes que podem causar danos oculares



Embora as festas juninas não devam acontecer em 2021, a prática de soltar fogos de artificio faz parte da cultura brasileira, sendo comum nos meses de junho e julho.

Entretanto, é uma atividade extremamente perigosa, pois pode levar à morte ou a sequelas irreversíveis. Perda de membros e danos permanentes na visão, por exemplo, são resultados bastante prevalentes.
 
Segundo dados do Data SUS, 1 em cada 4 acidentes com fogos de artifício acaba em óbito. Entre os sobreviventes, as lesões se concentram no rosto e nas mãos.
 
“As férias de julho, aliadas à necessidade de permanecer em casa, também merecem atenção. Isso porque, a maioria dos traumas oculares em crianças ocorre no ambiente doméstico”, alerta Dra. Maria Beatriz Guerios, oftalmologista especialista em glaucoma.   


 
Trauma oculares em números

  • 1,6 milhões de pessoas em todo o mundo perderam a visão devido a um trauma ocular
  • 2,3 milhões de pessoas apresentam baixa visão bilateral por trauma
  • 19 milhões de pessoas têm cegueira unilateral ou baixa visão por trauma
  • Cerca de 40% dos traumas oculares ocorrem na infância
  • A maior parte das lesões oculares em crianças acontece entre os 2 e 6 anos

 
Convivendo com o perigo


De acordo com Dra. Maria Beatriz, dentro de casa há muitos perigos e a criança pode não ter a noção do que é uma brincadeira segura.

“Um acidente com bola, por exemplo, pode ser potencialmente perigoso. Outros riscos estão ligados a brincadeiras de luta, uso de armas de água com jatos mais fortes, estilingues, objetos que simulam espadas, lápis, canetas e tesouras”.
 
Os pets, como cães, gatos e pássaros, também podem estar envolvidos em acidentes oculares. “É preciso redobrar a atenção e os cuidados quando há crianças dentro de casa, principalmente nas férias ou em tempos de isolamento social”, diz a médica.


 
Glaucoma por trauma ocular


Apesar dos ferimentos oculares serem comuns, felizmente, na maioria dos casos, são lesões menores e não exigem internações ou cirurgias.

“Entretanto, uma das consequências pode ser o desenvolvimento do glaucoma secundário, chamado assim uma vez que a doença ocorre devido à lesão causada pelo trauma”, alerta Dra. Maria Beatriz.
 
“O glaucoma traumático cursa com aumento da pressão intraocular (PIO). Aqui vale dizer que o trauma pode ser desde um soco, batida, bem como por ferimentos cortantes ou penetrantes. A elevação da PIO causa danos irreversíveis no nervo óptico, cujo consequência mais severa é a perda definitiva da visão”, explica a oftalmologista.  


 
Manifestações do Glaucoma Traumático


Ao contrário dos glaucomas primários, há alguns sinais e sintomas presentes no glaucoma por trauma.

  • Dor no olho - pode ocorrer imediatamente após o ferimento
  • Sensibilidade à luz
  • Visão turva
  • Hemorragia e inflamação no olho
  • Aumento da PIO



Alerta


Há pacientes que permanecem assintomáticos por muito tempo, até que a perda da visão progrida para uma fase mais avançada. Por isso, por menor que seja o trauma, o ideal é procurar um Oftalmologista.


 
Diagnóstico e Tratamento


O diagnóstico do glaucoma é complexo. Preferencialmente, é recomendado consultar um oftalmologista especialista em glaucoma. Além do exame clínico, são solicitados exames complementares. O exame da gonioscopia deve sempre ser realizado nestes casos.
 
“O tratamento do glaucoma visa evitar a progressão da doença, que é crônica. Isso significa que uma vez instalado, não há cura. O tratamento é contínuo. O foco é controlar a pressão intraocular para evitar mais danos ao nervo óptico”, comenta Dra. Maria Beatriz.
 
O glaucoma pode ser tratado com colírios ou cirurgias e isso sempre será uma decisão do oftalmologista que acompanha o paciente.


 
Prevenção

  • Fogos de artificio nunca são seguros, portanto, a melhor maneira de prevenir acidentes é não usá-los
  • Crianças jamais devem manipular fogos de artificio, de nenhum tipo
  • Nas férias, redobre a atenção com as crianças em casa
  • Para as crianças maiores, vale uma conversa para alertar sobre o perigo de algumas brincadeiras
  • Para famílias com pets, é preciso orientar os pequenos para que evitem encarar o animal ou fazer brincadeiras que deixem o pet muito próximo ao rosto

 

Médico explica o Lipedema: falta de conhecimento e luta por tratamento gratuito

Junho é o Mês da Conscientização Mundial do Lipedema. Estima-se que 5 milhões de mulheres no Brasil tenham a doença e não sabem;

 

Uma campanha foi criada pelo primeiro centro de referência da doença no país para lutar pela democratização do acesso ao tratamento, tanto pelo SUS quanto pelos convênios médicos

 

Junho é o mês da conscientização do Lipedema, uma doença progressiva pouco conhecida, causada por acúmulo de gordura em regiões específicas do corpo como braços, pernas e quadris, que provoca sofrimento físico e psicológico. Estima-se que cerca de 5 milhões de mulheres no Brasil tenham a doença e não sabem. Para preencher esta lacuna foi lançado o Instituto Lipedema Brasil (www.institutolipedemabrasil.com.br), o primeiro centro de referência do tema no país, com o objetivo de desenvolver pesquisas e levar conhecimento, ensino e informação, e mudar a realidade dessas mulheres. 

Segundo o diretor do Instituto Lipedema Brasil, dr. Fábio Kamamoto – um dos médicos pioneiros no tratamento da doença no país – o centro de referência foi criado para transformar uma realidade social seja por meio de ações seja por meio da legislação brasileira. E logo após seu lançamento, já deu início ao seu processo de transformação social: o Instituto está divulgando uma campanha, no Mês de Conscientização do Lipedema, para mobilizar a população para que haja democratização do acesso ao tratamento da doença no país, como já acontece em outros países como os Estados Unidos.

Tratamento gratuito, sim! – Pelo fato de a doença ser pouco conhecida, não só pelas pessoas, mas também pela classe médica, ainda não há tratamento gratuito para o Lipedema. Por isso, o Instituto Lipedema Brasil criou uma campanha para angariar 300 mil assinaturas para seguir com um Projeto de Lei, que vai lutar pelo tratamento gratuito pelo SUS e pelos convênios médicos. 

“Com esta campanha, queremos mostrar para estas 5 milhões de mulheres que o Lipedema é uma doença e que elas não estão sozinhas”, comenta Kamamoto. Um dos problemas do Lipedema é o diagnóstico equivocado. Segundo estudo brasileiro recente, apenas 9% dos médicos consultados estavam aptos a fazer o diagnóstico da doença, que costuma ser confundida com obesidade em 75% das pacientes ouvidas no estudo. 

Projeto pessoal - Incomodado com a realidade do Lipedema no Brasil, o Dr. Fabio Kamamoto, diretor do Instituto Lipedema Brasil, é o responsável pela idealização e execução deste projeto inédito, que luta para mudar esse cenário. Para que o Instituto seja o maior centro de referência e excelência no Brasil, Kamamoto reuniu uma equipe multidisciplinar, composta por fisioterapeutas, cirurgiões e nutricionistas para que, juntos, possam confortar as 5 milhões de mulheres com a doença e orientá-las. “Para você, inconformado como nós do Instituto, para você Mulher com Lipedema, colegas Médicos, familiares: Essa luta é nossa”, finaliza o especialista.

 

O que é o Lipedema?

 


O Lipedema é uma doença progressiva causada por acúmulo de gordura em regiões específicas do corpo como braços, pernas e quadris, que provoca sofrimento físico e psicológico. É confundida muitas vezes com obesidade, por falta de conhecimento e de informação da classe médica. O Lipedema atinge quase que exclusivamente o público feminino, pois está associado a um padrão hormonal feminino. A doença deverá ser incluída no próximo Código Internacional de Doenças (CID 11) em 2022. Atualmente, há dois tipos de tratamento para o Lipedema, o clínico - com técnicas que amenizam a dor (por meio de dietas anti-inflamatórias e exercícios físicos), e o cirúrgico, que remove as células de gordura.

 

 

JUNHO VIOLETA

 

https://www.youtube.com/watch?v=1g1lMqNwvY4





Desvendando tabus sobre dentes do juízo

É só falar de dentes do siso em qualquer conversa que logo surgem muitas dúvidas e opiniões. Tem quem extraiu, quem segue com eles intactos e até aqueles que nunca ‘tiveram’. O tal dente do juízo é cercado de questões e cada pessoa tem uma experiência para contar, mas o que se sabe sobre ele não é nenhum mistério e sim ciência. 

Quem desvenda as histórias mais comuns sobre os terceiros molares, como são tecnicamente chamados esses dentes, é o cirurgião-dentista e professor Cássio Edvard Sverzut, integrante da Câmara Técnica de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP). 


Quando o dente do siso deve ‘nascer’?


Geralmente, a erupção desses dentes acontece entre os 17 e 25 anos de idade, mas também pode ser depois disso. “Acredita-se que o nome dente do juízo ou do siso é devido ao fato de que, na maioria das pessoas, ele tende a erupcionar nessa faixa etária, quando estaríamos adquirindo juízo ou amadurecimento”, explica o especialista. 

O próprio termo siso já remete a isso, pois, na Língua Portuguesa, significa boa capacidade de avaliação e bom senso. 


Por que tem gente que não tem dente do siso?


Isso acontece porque os dentes do siso tendem a desaparecer por agenesia, um processo evolutivo devido às mudanças no estilo de vida dos seres humanos. “Não precisamos mais dos terceiros molares, apenas dos primeiros e segundos molares. Com essa evolução, nossas arcadas dentárias diminuíram de tamanho ao longo das gerações, não tendo mais espaço para todos os dentes. Alguns estudos recentes observaram que a agenesia de pelo menos um dos dentes do siso aconteceu em 20% a 25% da população em geral”, comenta. E, como os terceiros molares são os últimos dentes permanentes a erupcionar, eles acabam ficando sem espaço. Além da herança genética, que é um outro fator que colabora para a falta de espaço, pois o tamanho da arcada pode ser “herdado” dos progenitores. “Mesmo quando há espaço suficiente, a erupção dos dentes do siso pode variar muito. Ele pode não nascer, como comumente é dito, ou erupcionar parcialmente, e é aí que ocorre parte dos problemas”, completa.

  

Problemas mais comuns


Cárie, doença periodontal, inflamação por pericoronarite, reabsorção da raiz do segundo molar, tumores, erupção parcial ou não erupção devido à falta de espaço na arcada dentária são alguns dos problemas relacionados aos terceiros molares. Essas condições podem surgir uma vez que o dente é o último da boca, o que dificulta a visualização pelo paciente ou mesmo pelo profissional, levando à higienização inadequada e incidência de cárie maior do que os demais dentes das arcadas. Dependendo da gravidade, é possível que haja a indicação de extração, o que leva a mais um tópico dos temas discutidos sobre os dentes do siso


Os dentes do siso podem “empurrar” os dentes da frente?


Outra questão muito comentada é de que os dentes do siso ‘empurram’ os demais dentes ao erupcionar. “Muitas pessoas têm os dentes da frente das arcadas (incisivos) fora da posição, o que tecnicamente é chamado de apinhamento dentário anterior, e isto pode ocorrer durante a época de erupção dos dentes do siso. Por este motivo, eles acabaram, já que se creditava a eles esta ocorrência”, argumenta. Mas, estudos atuais mostram que pessoas que nasceram sem os dentes do siso ou removeram eles antes do período de erupção também tiveram esse problema. “Portanto, se os dentes do siso participam desse processo em algum momento, essa participação não é relevante quando comparada aos outros fatores”, completa. O que não mais justifica a indicação da remoção dos dentes do siso para se evitar o apinhamento dentário anterior.


Extrair ou não extrair: eis a questão


A remoção do dente do siso, assim como de qualquer outro dente, depende da avaliação e indicação profissional. Entre os exemplos indicativos, como os problemas citados, o cirurgião-dentista fala sobre a cárie. “Um dente do siso que esteja com pequena cárie é menos difícil de ser removido quando comparado ao mesmo dente com cárie extensa ou com infecção grave. Por isso é importante que, ao ter indicação, a remoção seja realizada. Caso contrário, o procedimento terá que ser feito no futuro e, possivelmente, em piores condições”.

Se a extração é impedida por medo, existem alternativas, como a sedação consciente ou por anestesia geral, para solucionar problemas bucais e garantir o conforto e segurança do paciente. Já o total de dentes a ser removido depende da situação: se o paciente tiver os quatro dentes do siso com indicação de remoção, a quantidade de extração por sessão dependerá do posicionamento dos dentes e do tipo de anestesia. “Um dente em posição vertical (normal e erupcionado) tem menor dificuldade de remoção quando comparado ao dente em posição horizontal (deitado). Isso deve ser levado em consideração, bem como a quantidade de anestesia permitida para aquele paciente por procedimento cirúrgico, pois há um limite de injeção de anestesia local que não pode ser ultrapassado. Se for utilizada a anestesia geral, é possível remover todos os quatro dentes do siso em uma única sessão, mas, nesse caso, a cirurgia deve ser realizada em hospital”, detalha. 

A recuperação pós-cirúrgica, tanto para anestesia local quanto geral, está diretamente relacionada aos fatores locais e sistêmicos de cada paciente. “Um fator local é a cárie e um fator sistêmico é a idade. Por exemplo, pacientes jovens geralmente se recuperam mais rápido e têm um pós-operatório melhor com menos complicações quando comparados a pacientes adultos”, conta. 

Além disso, todas as demais condições do paciente precisam ser avaliadas de forma criteriosa. “Em pacientes sem nenhum problema de saúde e com dentes em posição vertical e erupcionados, a extração pode ser feita pelo cirurgião-dentista clínico geral habilitado. Entretanto, para dentes nas demais posições, por exemplo, a horizontal, e para pacientes com problemas sistêmicos, por exemplo, hipertensão arterial, diabetes, que tenham sofrido infarto ou façam uso de medicações, a recomendação é realizar a remoção com um profissional especializado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial”, sugere.

Em todos os casos, somente a avaliação e atuação de um profissional da Odontologia levará ao sucesso do procedimento, seja para tratar do dente do siso, monitorar seu impacto na saúde bucal do paciente ou realizar a extração. 

 


Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP)

www.crosp.org.br


Vacina e anafilaxia: conheça a segurança dos imunizantes para alérgicos

Semana Mundial da Alergia – de 13 a 19 de junho

 

A Dra. Nathalia Coelho Portilho Kelmann, especialista do Departamento Científico de Anafilaxia, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), respondeu às principais dúvidas sobre a segurança das vacinas existentes hoje no Brasil.

Anafilaxia – Esteja Ciente, Esteja Preparado, Salve Vidas é o tema da Semana Mundial da Alergia, que acontece de 13 a 19 de junho, organizada pela WAO – Organização Mundial da Alergia e replicada pelas sociedades médicas associadas em todo o mundo. No Brasil, a ASBAI é a responsável pela campanha.

 

1- As vacinas que temos atualmente no Brasil são seguras?

Sim, são seguras. Em raros casos podem causar doença ou evento adverso pós-vacinação (EAPV). Um estudo de 2005 mostrou que dos eventos adversos com reação sistêmica apenas 13,4% correspondiam a reações de hipersensibilidade, ou alegria propriamente dita, sendo que o quadro mais temido, que é a reação anafilática, é estimada que ocorra 1 por 10.000 a 1 por 1.000.000 de doses das vacinas mais comumente aplicadas.


2 - Alguma vacina pode provocar anafilaxia?

Toda vacina tem potencial de causar uma reação de hipersensibilidade (alérgica), que pode ocorrer, principalmente, por seus componentes estabilizadores como gelatinas, meios de cultivo dos organismos como proteínas alimentares, antibióticos, preservativos, entre outros, e de maneira menos incomum pelo componente ativo da vacina. Porém, esse tipo de evento vacinal é raro, ficando em torno de 0,65 a 1,53 por milhão de doses aplicada.


3 - Quem é alérgico a ovo pode se vacinar?

Algumas vacinas são derivadas de material de ovo embrionado, sendo algumas delas cultivadas em fibroblasto de frango, como de sarampo ou SCR, e, portanto, com uma quantidade desprezível de proteína do ovo. Sendo assim, pode ser administrada com segurança para os pacientes alérgicos a ovo.

Já as vacinas de gripe, podem conter uma quantidade maior de ovo, devido a seu cultivo, em fluidos de ovos embrionado de galinha. Porém, hoje em dia, as comercialmente disponíveis costumam ter uma quantidade menor, e podem ser administradas aos pacientes alérgicos com segurança. Aqueles que apresentam quadros anafiláticos graves devem receber a vacina ficando 30 minutos em observação.

No caso da vacina de febre amarela, que contém uma quantidade maior de proteína do ovo, por ser cultivada diretamente em ovos embrionados da galinha, devem ser avaliadas individualmente pelo especialista, podendo ainda sim ser administrada após testes com a vacina negativo ou na forma de doses crescentes e supervisionaras fazendo o sistema imune tolerar, quando o benefício para o indivíduo superar os riscos da vacinação, levando em conta se ele morar ou circular com frequência em áreas endêmicas. Ainda assim, nesses casos, a vacinação deve ser sempre realizada por alergistas especialistas e em ambientes apropriados para tratar uma possível reação.


4 - E quem é alérgico ao leite, pode?

Para algumas vacinas que podem conter a proteína do leite de vaca como estabilizador, vai depender do perfil de sensibilização e do limiar de alergia à proteína do leite de vaca de cada alérgico. A vacina acelular de difteria, tétano e coqueluche pode usar quantidade mínima de caseína bovina.

Em 2014, algumas fabricações (da Índia) de vacina tríplice viral apresentaram traços de alfalactoalbumina (proteína do soro do leite). Ainda assim é importante sempre comunicar a possibilidade de reação ao local aplicador da vacina e se certificar da leitura da bula com todos os componentes da vacina. O movimento “Põe no Rótulo” tem lutado para que os rótulos de medicamentos apresentem de maneira clara os principais alérgenos para facilitar a identificação desses componentes. Nesse caso, a vacinação está indicada com fabricantes que não tenham o componente na sua preparação.


5 - A vacina da COVID pode causar anafilaxia?

Na maioria das vacinas contra a covid-19 não há a presença de componentes classicamente relacionados à reação vacinal, porém o polietilenoglicol (PEG) foi descrito como um agente raro de anafilaxia e por um componente amplamente utilizado em vários produtos da indústria de cosméticos, medicamentos e alimentícia, sendo apontado como o provável suspeito das vacinas que o contém (aqui no Brasil, ele está contido na vacina recém aprovada da Pfizer-Biontech).

Algumas vacinas utilizam o hidróxido de alumínio como adjuvante, como é o caso da Coronavac, amplamente utilizada na vacinação do País, porém é um componente mais raro ainda de reação anafilática.


Os casos de anafilaxia são raros. Um estudo americano mostrou, em dezembro de 2020, seis casos em mais de 500 mil doses aplicadas, sendo reconhecidos e tratados imediatamente. Portanto, até o momento, sem relato de mortes por quadro anafilático durante vacinação.


6- Existe alguma contraindicação para vacinas?

As contraindicações para receber a vacina são, principalmente, reação de hipersensibilidade já conhecida por algum componente da vacina. Ainda assim, em alguns casos no qual a reação é alimentar e não tem outra substituição sem o componente suspeito, é possível fazer temporariamente o sistema imunológico tolerar a vacina em doses crescentes e supervisionado por uma equipe especializada e treinada até chegar na dose total da vacina. Outras contraindicações gerais são: indivíduos imunossuprimidos receberem vacinas de bactérias ou vírus vivo atenuado. Algumas vacinas são contraindicadas para grávidas e indivíduos que recebem doses altas de corticoide. 


7 - A orientação é sempre se vacinar?

Sim, sempre que possível. O esforço é em prol da vacinação sempre levando em consideração a história prévia de cada indivíduo e o risco/ benefício de cada situação. Vacinas salvam vidas e quando grande parte da população está vacinada, ajuda, indiretamente, a proteger aqueles que não podem se vacinar, reduzindo a circulação de vírus e bactérias que podem ser contagiosos e letais.

 


ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia

 Podcast: https://auv.short.gy/ASBAIpodcast

https://www.facebook.com/asbai.alergia

https://www.instagram.com/asbai_alergia/

https://www.youtube.com/?gl=BR&hl=pt

Twitter: @asbai_alergia

www.asbai.org.br


As variantes do coronavírus e as implicações clínicas

Infectologista do curso de Medicina da Unicid, Dr. Reanto Grinbaum, explica os aspectos da infecção pelo Sars-CoV2 e suas variantes


O infectologista Dr. Renato Grinbaum e docente do curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional, avalia os aspectos clínicos do coronavírus e explica como são os processos desde a infecção pelo vírus, como a covid-19 age nas células, quais os aspectos de recepção e como se dão as mutações do vírus, além de avaliar as manifestações das variantes e as formas eficazes de tratamento. Confira:


A INFECÇÃO

Segundo o especialista, trata-se de um vírus de pouca complexidade, estruturado a partir da proteína S (Spike), com duas formas de infecção, a leve e a severa. A forma severa é dividida ainda em duas fases, sendo a primeira, com manifestação de cinco a sete dias, com uma grande quantidade de vírus circulantes, em que o paciente apresenta sintomas de baixa intensidade, sintomas que desaparecem em aproximadamente 85% das pessoas. Entre 15 a 20% desses pacientes, a partir do quinto ao sétimo dia até o 14º, há o recrudescimento desses sintomas, fase em que o paciente começa a sentir os problemas mais temidos, como: dispneia, sepse, com possível necessidade de UTI.

O especialista explica que para essa primeira fase não existe tratamento disponível. “Nós não temos nenhuma droga que seja verdadeiramente eficaz. Há um estudo sobre a ivermectina, por exemplo, que é o estudo mais conclusivo, o qual mostra que não há benefício clínico em termos de diminuição de mortalidade e de eventos severos, e o mesmo ocorre para outras drogas”, explica Grinbaum.

Do ponto de vista clínico, o infectologista argumenta que diante da evolução de sintomas no paciente, a partir de alguns fatores imunológicos, é possível realizar algumas intervenções que são consideradas eficazes, como o uso de imunoglobulina rica em IgM precocemente, corticoides, como o dexametasona ou o metilprednisolona, e mais recentemente, o tocilizumabe, como uma alternativa segura e que diminui o risco de intubação e o tempo de internação.

 “As intervenções são: observação na fase inicial, monitorização clínica e de exames laboratoriais, e a partir do momento que se tem uma deterioração laboratorial que antecede a deterioração clínica, é possível realizar essas intervenções e de imunomodulação, a qual procuramos deter a atividade do sistema imune inato”, explica.

 

RECEPTORES E SEVERIDADE

Diante da dinâmica da imunologia da doença, Grinbaum destaca que quem conhece sepse, inclusive sepse bacteriana, conhece covid e que o conhecimento de imunologia da patogênese da sepse foi crucial para o enfretamento da doença.

“Quando um invasor chega no organismo, vários sistemas o reconhecem, e uma resposta imunológica é liberada, como citocinas específicas para esse agente. Um dos sistemas mais importantes é o toll-like receptors (TLR), que sinaliza para as células se protegerem desse invasor. Entre os vários problemas que ocorrem com a covid severa, é que aproximadamente 10% dos pacientes desenvolvem anticorpos cod terfero 1, e reconhecem de forma menos eficaz ou mais lenta, esse vírus. O principal fator que leva à severidade, é a ligação do vírus, que ao entrar na célula, exerce o seu efeito e infundir o seu material genético, causando infecção, através da proteína S, que se liga “batendo” em um receptor de membrana”, esclarece o infectologista.

Outro ponto levantado pelo médico, é que em indivíduos com comorbidades, o vírus tem uma facilidade em adentrar às células, pois esses indivíduos têm uma alta expressão de Enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2). “O ECA2 está envolvido em uma séria de processos fisiológicos, e quando o vírus se liga ao ECA2, ele faz uma regulação negativa desse receptor e tem a sua ação inibida. Isso leva a vários efeitos, como vasoconstrições, fibrose, trombose, entre outras reações. É uma infecção sistêmica.

 

VARIANTES

Sobre variantes, o infectologista e docente do curso de Medicina da Unicid, Dr. Renato Grinbaum, explica que elas são fenômenos naturais, e que todos os seres vivos dispõem de variantes, pois possuem variações genéticas acumuladas a partir de muitas gerações.

“A diversidade é a origem da vida. O ser humano é muito complexo, com uma mutação pouco perceptível, e o vírus, que é menos complexo, dispõe de mutações que mudam expressivamente. Em relação ao coronavírus, somos nós quem desenvolvemos uma seleção artificial. Isso ocorre com todos os patógenos. Os organismos muito complexos têm mais dificuldades para produzirem variantes. Quanto mais deixamos o vírus replicar, mais chance tem de uma variante aparecer, isto é, quanto mais gente replicar e demorarmos para ações efetivas para conter a pandemia, mais variantes teremos. Precisamos fazer a lição de casa. A principal causa de transmissão é a partir das vias respiratória, com a aproximação entre pessoas”, ressalta.

Por fim, Grinbaum avalia que no Brasil, há uma combinação perigosa, com um nível de transmissão alto, grande número de contaminados e frequência de mutações elevadas, combinadas ainda com uma taxa lenta de vacinação e contaminados que infectam pessoas já vacinadas, e disso surgem as variantes.

“As variantes do Sars-CoV2 são inúmeras. As mutações conferem em vantagem seletiva e a principal se dá quando se altera a proteína de ligação, como citado no ECA2. Não há diferenciação de gravidade entre países, que existe, é uma detecção maior entre alguns países e outros, devido ao maior ou menor grau de investimento em ciência, por exemplo”.

 

Variantes de interesse: com marcadores genéticos que indicam alteração em receptores de ligação, neutralização por anticorpos reduzida, diminuição da eficácia terapêutica, impacto diagnóstico ou potenciais aumento da transmissibilidade ou patogenicidade. Portanto, as mutações ocorrem na proteína S.

 

Variantes preocupantes: variantes com evidência demonstrada de aumento de patogenicidade, transmissibilidade, redução de resposta vacinal ou prejuízo nos exames diagnósticos. Basicamente são cinco variantes classificadas como preocupantes e como várias mutações. As principais são: a variante britânica, a sul-africana e a brasileira-japonesa.

Os cuidados ainda são o distanciamento social e a higienização frequente das mãos, finaliza.

 

 


Dr. Renato Grinbaum - Renato atua como médico infectologista. Doutorado em Clínica Médica. Atualmente é Professor da Universidade Cidade de São Paulo. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica, atuando principalmente em: residência, infectologia, infecção hospitalar e antimicrobianos.

UNICID - unicid.edu.brCampus Pinheiros - Tel: (11) 3030-4000, Rua Butantã, 285, São Paulo, CEP: 05424-140

Campus Tatuapé – Tel: (11) 2178-1200, Rua Cesário Galeno, 448/475, São Paulo, CEP: 03071-000Telefone: 3003-1189 para capitais e regiões metropolitanas e 0800 721 5844 para demais localidades 


Dengue, Zika, Chikungunya e Covid-19: Especialista destaca semelhanças e diferenças entre as doenças

A médica especialista em gastroenterologia e hepatologia, Dra. Suzete Notaroberto explica também os fatores de risco e formas de se prevenir 

 

Há pouco mais de um ano o Brasil enfrenta uma pandemia de Covid-19 e, ao mesmo tempo, vê o aumento no número de casos de Dengue, Zika e Chikungunya. O fato de existirem semelhanças entre alguns dos sintomas de cada doença mostra o quão importante é entender as diferenças entre ambos para assim se prevenir e procurar o atendimento médico quando necessário.

 

As quatro doenças são causadas por vírus e, em três delas, a transmissão se faz por um vetor: o mosquito Aedes Aegypti, responsável pelos casos de Dengue, Zika e Chikungunya. O mosquito não é natural do nosso país, porém o clima tropical brasileiro propicia a sua reprodução. Já o vírus da Covid-19, o Sars-Cov-2, é transmitido de pessoa a pessoa, o que facilita a propagação pelo ar.

 

A Covid-19 é uma doença respiratória que muitas vezes pode gerar outras complicações, enquanto as doenças transmitidas pelo mosquito geralmente ficam na corrente sanguínea. Entretanto, por mais que tenham transmissões diferentes, os sintomas iniciais tendem a ser semelhantes, como febre e um quadro gripal.

 

De acordo com a médica especialista em gastroenterologia e hepatologia, Dra. Suzete Notaroberto, as três doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti apresentam manifestações no trato gastrointestinal, mas os sintomas são um pouco diferentes, o que ajuda na identificação.

 

"Em casos de dengue, o paciente pode vir a sentir febre; dores nas articulações, mais frequente nas mãos e pés, com possível inchaço; dor muscular, dor de cabeça e atrás dos olhos, apresentar erupções cutâneas pelo corpo, acompanhadas de coceira, entre outros. No caso do zika vírus, pode haver um predomínio de conjuntivite: um quadro de vermelhidão e inchaço nos olhos, sem secreção. Em gestantes o quadro é preocupante, havendo o risco de microcefalia. Já em Chikunguya, as dores articulares podem vir a durar até seis meses e a dengue pode evoluir para um quadro grave", disse.

 

A especialista ainda ressalta que os quadros de Covid-19 podem apresentar sintomas leves como perda de olfato e paladar, seguindo até quadros graves de insuficiência respiratória. A doença geralmente se manifesta como uma gripe comum, podendo evoluir para o acometimento pulmonar em vários graus, até mesmo a morte. A Covid-19 também pode provocar sintomas no aparelho digestivo como dor abdominal, náuseas, vômito, diarreia e hepatite.

 

Duração de cada sintoma e fatores de risco

 

Em tempos de coronavírus, ir ao atendimento médico na primeira manifestação de sintomas não é recomendado, por isso fique atento ao tempo de persistência de cada sintoma. Em casos do Dengue, a pessoa pode demorar entre três a 15 dias para manifestar os primeiros sintomas como dores nas articulações e febre, enquanto que a Chikungunya de dois a 12 dias, e Zika de três a 12 dias. Já com a Covid-19, os sintomas podem se manifestar com cinco dias após exposição ao vírus Sars-CoV-2, embora esse prazo possa se estender por até duas semanas. Os primeiros sinais podem ser febre e perda de olfato e paladar.

 

Dra. Suzete explica que cada doença pode apresentar uma pior evolução em pessoas com comorbidades, principalmente em casos de Dengue e Covid-19. "É importante ressaltar que as principais comorbidades são: doenças pulmonares, cardíacas, problemas na tireoide, doenças renais, obesidade, cirrose, diabetes, hipertensão arterial, câncer, entre outras descritas pelo Ministério da Saúde", finaliza.

 


Como ter um diagnóstico e prevenção

 

A melhor forma de prevenção das quatro doenças continua sendo a conscientização. A ação conjunta da população com os órgãos públicos pode resultar na queda de infecções das doenças em determinadas regiões. No caso da Dengue, Zika e Chikungunya, a melhor alternativa é evitar a reprodução do mosquito transmissor, e para isso cada um pode colaborar eliminando locais com água parada frequentemente, bem como se protegendo com uso de repelente. No caso da Covid-19, o distanciamento social, uso de máscaras e higienização recorrente das mãos com água e sabão e/ou com álcool em gel são as medidas mínimas para atenuar as infecções pela doença. Vale lembrar também que deixar os ambientes abertos para a circulação do ar é também uma alternativa eficaz.


 

Como é o tratamento

 

Infelizmente não há medicamento cientificamente comprovado que garanta a proteção contra todas as doenças citadas, por isso a palavra adequada é "prevenção". Entretanto, caso os sintomas sejam fortes, o atendimento médico é essencial. Apenas com monitoramento de especialistas será possível mensurar o tempo de tratamento e evitar riscos maiores para a saúde.


Lista de sequelas de covid-19 aumenta a cada dia

Crédito: Freepik

Estudo aponta pelo menos oito áreas que podem ser comprometidas pela infecção e que vão de sequelas cerebrais a dermatológicas


Alta hospitalar, um sopro de esperança para milhões de brasileiros que conseguiram superar a covid-19 desde que a pandemia começou. De acordo com o Ministério da Saúde, já são mais de 14 milhões de recuperados, um número que reflete as altas taxas de contaminação pelo Sars-Cov-2 no país. Mas o que vem depois que a doença vai embora? As sequelas deixadas pela covid-19 ainda estão sendo estudadas pela ciência e vão muito além das consequências respiratórias e pulmonares, como fadiga e falta de ar.

Alguns estudos apontam que cerca de 80% dos pacientes de covid-19 que se recuperam apresentam algum tipo de sintoma até quatro meses depois da infecção. Para a nefrologista e professora de Clínica Médica da Universidade Positivo (UP), Mariane Rigo Laverdi, uma das características mais marcantes da doença é que suas sequelas não se limitam ao sistema respiratório, mas atingem diversos sistemas. “A sequela pulmonar, que é a mais conhecida, pode até ser a mais grave, mas não vem sozinha. O paciente que teve covid sai do hospital muito debilitado, até mesmo desnutrido. Fadiga intensa, fraqueza e perda de força muscular são comuns por ficar muito tempo em repouso, o que impacta na redução da funcionalidade do paciente. Sem contar as sequelas psicológicas, que são muito significativas”, explica.

A “tempestade inflamatória” causada pelo vírus libera uma série de substâncias que atacam órgãos variados e dificulta a recuperação. Uma revisão de literatura publicada pela revista Nature apontou pelo menos oito áreas que podem ser comprometidas pela infecção e que vão de sequelas cerebrais a dermatológicas. “O paciente sobreviveu ao covid não vai estar de volta ao trabalho e à sua rotina prévia habitual tão logo saia do hospital. Ele precisa recuperar sua funcionalidade e isso exige um esforço multidisciplinar no pós-alta”, afirma Mariane.

Sequelas se espalham por várias partes do organismo

Crédito: Freepik
No Brasil, ainda não há estudos que detalhem os sintomas mais comuns entre os “recuperados”, mas, de acordo com pesquisadores de universidades da Suécia, Estados Unidos e México, os cinco sintomas de covid prolongada mais recorrentes são a fadiga (58%), dor de cabeça (44%), problemas para manter a atenção (27%), queda de cabelo (25%) e falta de ar (24%). Para chegar a esses resultados, eles avaliaram estudos feitos sobre o tema com 48 mil pacientes.

Além das sequelas mais comuns, há quem desenvolva perda de olfato e paladar que se prolonga por vários meses, dor no peito, tromboses, arritmias, tontura, problemas de memória, embolia pulmonar, insuficiência renal, AVC - e a lista continua. Depressão e ansiedade também fazem parte do leque de possíveis sequelas. As consequências emocionais de pegar covid-19 são extensas, como explica Mariane. “Muitas pessoas começam a ter uma nova visão sobre valores de vida. Isso porque a covid tem uma mortalidade muito alta e os pacientes passam por essa experiencia muito de perto, ao presenciarem outros pacientes ao seu redor não sobreviverem, além do isolamento - principalmente de seus entes queridos - durante o processo mais crítico da doença. Todos esses fatores influenciam muito o lado psicológico do paciente”, avalia. Daí a importância de estar atento não só às limitações físicas do paciente no pós-alta, mas também ao apoio psicológico, afetivo e até psiquiátrico, quando necessário.

Cada um dos sintomas apresentados deve ser relatado aos médicos, que farão o encaminhamento para os tratamentos adequados ou para outros especialistas, quando necessário. “São muitas sequelas, mas o principal no tratamento de todas elas é permitir que o corpo se restabeleça. É importante melhorar o aporte nutricional, iniciar imediatamente fisioterapia - tanto respiratória quanto motora - e ficar atento às questões emocionais. Esses três pilares precisam caminhar juntos para que o paciente recupere a funcionalidade prévia ao internamento”, finaliza a médica.

 

Posts mais acessados