Veja como a
ansiedade no trabalho pode afetar sua saúde e comprometer seu desempenho
profissional
A ansiedade no trabalho interfere diretamente na
qualidade de vida e no sucesso profissional de um indivíduo, e quase sempre
também reflete na relação com os colegas e gestores.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram
que
o Brasil é o país com mais pessoas ansiosas em toda América Latina. Isso
deixa claro que a ansiedade é um problema de saúde grave e que impacta
negativamente todos os aspectos da vida, mas principalmente o ambiente de
trabalho.
Vale lembrar, no entanto, que a ansiedade é
considerada um sentimento normal, até certo ponto. Em níveis adequados, ela nos
prepara para decisões importantes, ficamos alertas em situações de risco.
Porém, quando ultrapassa o limite do aceitável, a
ansiedade passa a ser uma doença e diminui significativamente a qualidade de
vida. O trabalho e as tarefas do dia a dia se tornam difíceis de executar,
fazendo o indivíduo se sentir desmotivado, incapaz e insatisfeito com a própria
vida.
Tudo isso causa um impacto direto sobre a
produtividade, uma vez que a ansiedade também envolve uma mudança na atenção,
nos fazendo sentir ameaçados por qualquer motivo – ou mesmo sem motivo.
Por essa razão, pessoas ansiosas encontram
dificuldade para manter o foco em uma única tarefa. Qualquer alteração no
ambiente, por menor que seja, tira a concentração, tornando-as distraídas. A
memória também é afetada pelo transtorno de ansiedade.
Considerando todos esses fatores, fica claro como a
ansiedade afeta o rendimento e a produtividade no trabalho, mesmo que a pessoa
não seja, de fato, incapacitada para as atividades laborais.
Neste artigo, vamos abordar as principais causas da
ansiedade no trabalho e como esse problema deve ser encarado, tanto por
colaboradores que sofrem com a doença como pelos gestores, que ficam em vias de
perder grandes talentos profissionais por falta de conhecimento para tratar a
questão.
Principais causas
da ansiedade no trabalho
O trabalho é parte fundamental na vida das pessoas,
mas existe atualmente uma onda de transtornos mentais desencadeados pela
cobrança excessiva por produtividade, pela alta concorrência entre os
profissionais e, claro, pela insegurança diante da instabilidade econômica
vivida no Brasil.
A situação, todavia, se torna insustentável, pois a
pressão no trabalho aumenta a ansiedade, que piora o desempenho e faz com a
pressão aumente. É uma bola de neve devastadora e que parece impossível
controlar.
Os motivos que desencadeiam a ansiedade no trabalho
também podem ser externos, mas a maioria dos casos aponta para questões
relacionadas ao excesso de tarefas e à falta de reconhecimento.
É isso que mostra uma pesquisa realizada pela
empresa de recrutamento e seleção Robert Half, que ouviu trabalhadores em
13 países. Conforme os dados do levantamento, 42% dos profissionais brasileiros
convivem com estresse e ansiedade frequentes causados pelo trabalho, enquanto a
média dos demais países é de 11%.
Os profissionais que têm uma carga de trabalho
extenuante se tornam mais propensos a desenvolver um transtorno de ansiedade,
pois seu volume de tarefas vai além do que conseguem entregar. Assim, acabam
desenvolvendo medo, insegurança e baixa autoestima, preocupados com a
possibilidade de uma demissão.
Da mesma forma, aqueles que se sentem
desvalorizados acabam desmotivados e constantemente insatisfeitos, sentindo-se
desimportantes em sua atuação.
Mas, além do trabalho em excesso e da falta de
reconhecimento, outros fatores podem desencadear um transtorno de ansiedade no
trabalho, como por exemplo:
- excesso de responsabilidade;
- prazos curtos que não podem ser cumpridos;
- metas inalcançáveis;
- busca constante por resultados.
Podemos observar que os principais aspectos em
torno da ansiedade no trabalho são o reflexo da falta de bem-estar no ambiente
corporativo, já que, infelizmente, nas últimas décadas houve uma certa
precarização das condições de desempenho da atividade laboral em muitas áreas.
Embora diversas empresas já estejam tomando
consciência do quanto a satisfação dos funcionários reflete no desempenho e na
produtividade – beneficiando todas as partes envolvidas no processo – sabemos
que ainda existe um grande preconceito e falta de empatia com aqueles que
apresentam problemas de saúde mental.
Como prevenir e
controlar a ansiedade?
Sabemos que a ansiedade é algo difícil de se
evitar, pois muitas vezes ela surge entre problemas que vão além do nosso
controle. No entanto, algumas atitudes simples podem diminuir a suscetibilidade
a esse tipo de transtorno.
Viver uma vida saudável, sem preocupações mentais
desnecessárias pode parecer utópico, mas a prática do autocuidado pode fazer
uma grande diferença na saúde física e mental de um indivíduo, prevenindo
diversas doenças.
A dica é: separe um tempo pra você. Todos
precisamos de uma dose de individualidade, e com tantas coisas à nossa volta
cobrando atenção, é muito comum que fiquemos em último lugar na nossa lista de
prioridades.
Mas isso é algo a ser mudado. Procure atividades de
que goste, algum hobby, atividade física, terapia alternativa. Se dê a
oportunidade de experimentar coisas novas e descobrir o que lhe satisfaz. No
entanto, não deixe de descansar. Você pode, inclusive, praticar o autocuidado
passando algum tempo em repouso, ouvindo uma música ou lendo.
Uma alimentação natural e balanceada também é
fundamental, tanto para prevenir quanto para tratar a ansiedade, pois os
alimentos têm influência direta no organismo, interferindo nos hormônios e
neurotransmissores. E isso também vale para a prática de exercícios físicos.
Quando o transtorno já é realidade
Como já vimos, a ansiedade no trabalho pode ser
muito incapacitante e prejudicar vários aspectos da vida de uma pessoa,
atingindo também as pessoas à sua volta. Por isso, o portador do transtorno de
ansiedade precisa se perceber nessa condição e procurar todos os meios
possíveis para tratar o problema.
Além de tentar de estabelecer limites para si, o
indivíduo deve construir uma visão positiva da situação em que se encontra e
jamais se comparar aos outros. Contudo, a busca por ajuda especializada é
essencial, pois muitas vezes é preciso intervir com o uso de medicamentos, que
devem ser prescritos pelo psiquiatra.
Junto a isso, a psicoterapia deve fazer parte do
tratamento, para que a pessoa consiga encontrar respostas para suas questões,
cuidando do aspecto emocional e aprendendo a lidar com o ambiente de trabalho
que lhe causa desconforto.
Saber identificar quais são os gatilhos para sua
ansiedade pode ajudar a descobrir e evitar potenciais zonas de perigo e agir de
maneira mais tranquila diante de algumas situações.
O papel das
corporações no combate à ansiedade
As consequências da ansiedade no trabalho não
afetam apenas os colaboradores. Nesse caso, patrão e empregado perdem muito,
uma vez que o trabalhador ansioso tem sua produtividade diminuída, deixa de ter
clareza e atenção, perdendo parte de sua visão estratégica.
Com a queda no ritmo, caem também os resultados, e
isso influi diretamente no crescimento da empresa. Sem contar no quanto os
relacionamentos no ambiente corporativo podem ser prejudicados.
Dessa forma, é fundamental que o gestor esteja
atento à presença da ansiedade em membros da equipe e, caso seja necessário,
procure auxiliar seus funcionários a contornar o problema e reverter o quadro.
Ao definir um planejamento com metas possíveis, os
gestores também ajudam a controlar a ansiedade dos funcionários, e tornar o
trabalho mais fluido.
Atender a necessidade tanto do profissional, quanto da
empresa, pode ser o primeiro passo para a diminuição de ansiedade no trabalho.
Por isso, é necessário que a empresa invista em
bem-estar corporativo. Afinal, quem trabalha motivado e feliz, trabalha mais e
melhor!
Tatiana Pimenta -
CEO e fundadora da Vittude. É engenheira formada pela UEL com MBA executivo
pelo Insper. Executiva com 15 anos de experiência profissional em empresas como
Votorantim e Arauco do Brasil. Apaixonada por psicologia e comportamento
humano, faz psicoterapia pessoal há 7 anos. Também é maratonista amadora,
palestrante, leitora voraz e colunista de comportamento, inovação e
empreendedorismo.


