Levantamento
revela que geração de empregos nas atividades do programa dobrou a média
nacional em 2024 e aponta avanços significativos na recuperação do setor
A retomada dos setor de eventos e turismo,
impulsionada pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE),
resultou em uma geração de empregos formais duas vezes maior que a do restante
da economia brasileira em 2024. O dado faz parte de um estudo
inédito apresentado no Senado Federal, que também revelou que o segmento sofreu
uma queda de 40% na receita em 2020, perdeu 1 em cada 5 empregos formais, e
concentrou metade dos desligamentos no país durante o auge da pandemia da
covid-19. Mesmo com os avanços recentes, o levantamento conclui que a
recuperação plena ainda não foi atingida, reforçando a necessidade de
prorrogação e aperfeiçoamento do programa.
O estudo foi encomendado por entidades
representativas do setor e elaborado pela Tendências Consultoria. A
apresentação ocorreu no Auditório Petrônio Portella, durante a “Missão Brasília
2025”, uma mobilização estratégica de 12 entidades representativas que reuniu
parlamentares, autoridades públicas e lideranças empresariais para debater os
impactos e o futuro do PERSE. A análise se baseou em dados oficiais do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), IBGE, Receita Federal, Banco Central e
da Organização Mundial do Turismo (UN Tourism).
Segundo o levantamento, o programa teve papel
crucial ao oferecer isenções fiscais, facilitação no pagamento de débitos e
apoio financeiro emergencial a empresas do setor cultural, turístico e de
entretenimento, altamente fragilizadas pela pandemia. O setor foi um dos
últimos a apresentar sinais consistentes de recuperação financeira, com
melhorias mais evidentes somente a partir de 2024, conforme dados do Banco
Central sobre crédito e inadimplência.
Revela, também, que a crise enfrentada pelos
setores atendidos pelo programa foi desproporcional em comparação com o
restante da economia. Em 2020, enquanto o PIB nacional registrava crescimento,
a receita dos segmentos beneficiados pelo programa caía drasticamente, e 20%
dos empregos formais foram eliminados, contra apenas 1% na média nacional
“O estudo apresentado no Senado comprova, com
dados objetivos, aquilo que o setor de eventos e turismo já vinha percebendo na
prática: o PERSE foi decisivo para evitar o colapso de milhares de empresas e
empregos. Em 2024, as atividades contempladas pelo programa geraram empregos a
um ritmo duas vezes superior ao da média da economia brasileira,um sinal claro
de que o setor, quando apoiado, tem capacidade de reagir com força, gerar
renda, desenvolvimento e inclusão”, salienta Doreni Caramori Júnior, empresário
e presidente da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (ABRAPE).
E completa: “Ainda assim, os efeitos da pandemia
foram devastadores e seus reflexos ainda estão presentes. Por isso, defendemos
uma avaliação comparativa do PERSE com todos os benefícios concedidos pelo
país. Essa política pública não é um privilégio, é uma resposta proporcional à
crise sem precedentes que atingiu nosso setor. Agora é o momento de consolidar
os avanços, corrigir distorções e criar condições para que a cultura, o turismo
e o entretenimento sigam contribuindo com a retomada econômica e o
desenvolvimento do Brasil.”
Reconhecimento Outras lideranças também destacaram o papel decisivo do programa para a
sobrevivência e reestruturação das atividades: “A hotelaria demorou para voltar
e o PERSE indubitavelmente foi responsável por esse salvamento. Agradecemos a
sensibilidade do Congresso quando atendeu essa política pública”, declarou
Orlando de Souza, presidente executivo do Fórum de Operadores Hoteleiros do
Brasil (FOHB).
Pablo Morbis, presidente do Conselho do Sistema
Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat), reforçou: “Esse é um
momento para sensibilizar todos os nossos congressistas para continuarem
olhando com bastante carinho para o nosso setor. As políticas públicas e
programas de benefício mostram cada vez mais que é possível gerar emprego e
fazer a economia crescer.”
Para Toni Sando, presidente da União Nacional de
CVBx e Entidades de Destinos (Unedestinos), o programa foi essencial: “PERSE da
presença, da gratidão, da recuperação fiscal, do desenvolvimento, dos novos
investimentos, que foram feitos a partir desse programa.” Thiago Borges,
vice-presidente institucional da Resorts Brasil, acrescentou: “A palavra é
obrigado e vamos juntos construir outras políticas públicas, novos incentivos
para que o setor cresça. E para que a gente possa juntos trazer novos benefícios
e cada vez mais empregos para o nosso país.”
Desafios estruturais No plano internacional, o estudo demonstra que políticas semelhantes
foram adotadas por diversos países, em alinhamento com os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Apesar disso, o setor
ainda enfrenta desafios estruturais, como os impactos da Reforma Tributária, a
competitividade com destinos vizinhos na América do Sul e a segurança pública,
que afeta a atratividade turística.
Entre os caminhos para o fortalecimento do setor, o
levantamento destaca oportunidades estratégicas para o Brasil, como o
protagonismo em fóruns globais (G20, COP, Agenda 2030), uma matriz energética
limpa, o potencial natural para ecoturismo e a atratividade crescente do país
em um contexto internacional de instabilidade geopolítica.
A iniciativa é resultado de uma articulação
conjunta das principais entidades do setor: Associação Brasileira de Promotores
de Eventos (ABRAPE), Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil
(Adibra), Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), Sistema Integrado de
Parques e Atrações Turísticas (Sindepat), Resorts Brasil, União Brasileira de
Feiras e Eventos de Negócios (UBRAFE), União Nacional de CVBx e Entidades de
Destinos (Unedestinos), Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e
Turístico do Brasil (ADIT Brasil), Associação Brasileira de Eventos
(Abrafesta), Associação Brasileira de Empresas de Eventos (ABEOC), Brazilian
Luxury Travel Association (BLTA) e Associação Brasileira das Empresas de
Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta).
O estudo pode ser acessado aqui.
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