Com temperaturas
instáveis e ar mais seco, a estação favorece infecções e crises alérgicas.
Especialista explica como se proteger de rinites, sinusites, gripes e outros
incômodos respiratórios típicos do período
Com a chegada do outono, muitos já sentem os
efeitos da mudança de estação na própria respiração: espirros matinais, nariz
entupido, dor de garganta e aquela tosse insistente. E não é coincidência. A
oscilação térmica e o ar seco característicos dessa época do ano criam um
cenário perfeito para o surgimento — ou agravamento — de doenças
respiratórias.
“As mudanças bruscas de temperatura, com dias mais
amenos e noites frias, favorecem a proliferação de vírus respiratórios, como os
da gripe e do resfriado”, explica o otorrinolaringologista Dr. Arnaldo Tamiso,
do Hospital Paulista, referência em saúde de ouvido, nariz e garganta. “Além
disso, o ar seco resseca as mucosas do nariz e da garganta, que são nossas
primeiras barreiras de defesa. Isso nos torna mais vulneráveis não só a vírus,
mas também a alérgenos como poeira e ácaros.”
Segundo o especialista, essa combinação pode
desencadear ou piorar quadros como rinite, sinusite e outras infecções do trato
respiratório. Entre os sintomas mais comuns relatados no outono estão coriza,
espirros, obstrução nasal, dor de garganta, tosse (seca ou com secreção), dor
de cabeça e mal-estar geral. “Se os sintomas persistirem por mais de uma
semana, forem intensos ou acompanhados de febre alta e falta de ar, é
fundamental procurar atendimento médico”, alerta.
Crianças e idosos
As reações às mudanças de temperatura podem variar
bastante conforme a idade. Crianças, com o sistema imunológico ainda em
desenvolvimento, são mais vulneráveis a infecções virais — especialmente em
ambientes fechados, como escolas. Já os idosos, muitas vezes com imunidade comprometida
e comorbidades como doenças cardíacas ou pulmonares, podem evoluir para quadros
mais graves, como pneumonia.
“Nos adultos, os quadros tendem a ser mais brandos,
mas ainda assim impactam bastante na qualidade de vida e na produtividade,
especialmente nos casos de rinites e sinusites recorrentes”, afirma o
médico.
De qualquer forma, ele enfatiza que crianças ou
adultos que ficam frequentemente doentes devem ser investigados para um
tratamento adequado. “Existem desde medicamentos que melhoram a imunidade até
procedimentos cirúrgicos que podem ser indicados para melhorar a via aérea”,
complementa.
Medidas simples
A boa notícia é que pequenas atitudes podem ajudar
— e muito — a manter a saúde respiratória em dia durante o outono. Nesse
sentido, o Dr. Tamiso recomenda:
- Manter
a vacinação em dia, especialmente contra gripe e pneumonia (para grupos de
risco);
- Lavar
as mãos com frequência, com água e sabão, por pelo menos 20 segundos;
- Evitar
aglomerações e locais fechados;
- Deixar
os ambientes sempre bem ventilados;
- Evitar
exposição à fumaça de cigarro e poluentes;
- Ter
uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras;
- Beber
bastante água para hidratar as mucosas;
- Vestir-se
adequadamente, protegendo-se do frio, especialmente nas primeiras horas do
dia e à noite;
- Lavagem
nasal com soro fisiológico;
- Uso
de umidificadores no ambiente.
Umidificadores, lavagem nasal
e hidratação
O especialista ressalta, no entanto, a importância
de usar o umidificador com cautela. “Ele deve estar sempre limpo para não se transformar
em fonte de fungos e bactérias”, diz. Já a lavagem nasal, segundo ele, é um
recurso eficaz para remover secreções, poeira e alérgenos, além de aliviar a
obstrução nasal. E quanto à ingestão de líquidos, não há segredo: manter-se bem
hidratado facilita a eliminação de secreções e o bom funcionamento do sistema
respiratório.
Hospital Paulista de Otorrinolaringologia
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