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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Millena Brandão e o alerta silencioso: o que a ciência diz sobre tumores cerebrais infantis?

A morte precoce da atriz mirim Millena Brandão, aos 11 anos, deixou o Brasil em estado de comoção. Uma menina aparentemente saudável, ativa na TV e redes sociais, diagnosticada subitamente com um tumor cerebral de 5 centímetros, que evoluiu para 12 paradas cardiorrespiratórias e morte encefálica em menos de uma semana. Mas afinal, como isso pode acontecer tão rápido? Existe prevenção? Quais são os sinais de alerta?

O neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, membro da Society for Neuroscience dos EUA e doutor em neurociências com pesquisas em genética e cognição, esclarece os principais pontos que envolvem casos como o de Millena.

“A primeira coisa que precisamos entender é que tumores cerebrais em crianças não são raros. Eles representam o segundo tipo de câncer mais comum na infância, atrás apenas das leucemias. E o mais preocupante: eles nem sempre dão sinais evidentes no início", explica o especialista.


Como surgem esses tumores?

Diferente dos tumores em adultos, que costumam ter causas associadas a fatores ambientais ou hábitos de vida, nos casos infantis a causa geralmente está relacionada a alterações genéticas espontâneas, ocorridas ainda durante o desenvolvimento fetal.

“Alguns tumores se formam a partir de células do sistema nervoso central que deveriam parar de se multiplicar, mas não param. Em vez disso, crescem descontroladamente. Isso pode acontecer mesmo sem histórico familiar ou exposição a fatores de risco. É um erro genético que a medicina ainda estuda profundamente”, esclarece Dr. Fabiano.


Sinais de alerta que os pais devem observar

Segundo o especialista, dores de cabeça persistentes e progressivas são um dos principais sinais de alerta. Mas nem toda dor de cabeça é um sintoma de tumor, e isso também precisa ser dito com clareza.

Outros sintomas que merecem atenção:

  • Náuseas ou vômitos matinais sem causa aparente
  • Visão turva ou dupla
  • Dificuldades motoras ou de equilíbrio
  • Alterações de comportamento ou irritabilidade constante
  • Crises convulsivas recentes
  • Sonolência excessiva

“No caso da Millena, a mãe relatou que tudo começou com uma dor de cabeça intensa. Isso, isoladamente, pode passar despercebido. Mas quando se associa à piora clínica rápida, o alerta precisa soar alto”, destaca o neurocientista.


Por que a evolução foi tão rápida?

Tumores cerebrais podem ser classificados entre de crescimento lento (benignos) e de crescimento acelerado (malignos ou agressivos). Em crianças, especialmente entre os 5 e 14 anos, alguns tipos como meduloblastoma, glioblastoma e ependimoma podem crescer em poucos dias, ocupando áreas críticas do cérebro.

"Quando um tumor exerce pressão sobre regiões vitais, como o tronco encefálico, ele pode desencadear crises de pressão intracraniana, comprometer centros respiratórios e cardíacos. Isso explica as múltiplas paradas cardiorrespiratórias no caso da atriz", explica Dr. Fabiano.


Existe prevenção?

Infelizmente, a maioria dos tumores cerebrais em crianças não pode ser prevenida, justamente porque nascem de mutações espontâneas. O que pode — e deve — ser feito é detecção precoce. Isso depende da escuta atenta dos pais, professores e profissionais de saúde.

“Ao menor sinal de sintomas persistentes que afetam o comportamento, o sono ou a consciência da criança, exames de imagem como a ressonância magnética devem ser considerados. O custo é alto, sim. Mas o custo de ignorar pode ser irreparável.”


Finaliza Dr. Fabiano:

“Millena merece ser lembrada não só como uma atriz talentosa, mas como um alerta silencioso para todos nós. É preciso desmistificar o câncer infantil e informar com base científica. Isso salva vidas.”


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