Psicóloga responde às dúvidas mais
comuns sobre como lidar com a dor e buscar apoio emocional na perda
gestacional, como nos casos de Tati Machado e Micheli Machado
Crédito: Juan Pablo Serrano
Perder um bebê durante a gestação ou logo após o nascimento é uma experiência que envolve mais do que a ausência física. O luto perinatal carrega a interrupção de sonhos, planos e de um futuro já imaginado, além de ser marcado por silêncio e incompreensão.
Casos recentes, como da apresentadora Tati Machado e da atriz Micheli Machado, deram visibilidade ao tema. Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, esses episódios destacam a necessidade de práticas humanizadas e de suporte especializado para famílias que enfrentam essa perda.
A especialista esclarece as
dúvidas mais comuns e orienta sobre como lidar com esse momento delicado.
1) O que é o
luto perinatal?
O luto perinatal ocorre
quando há a perda de um bebê durante a gestação ou logo após o nascimento. Ele
não se restringe à ausência física, mas inclui também perdas simbólicas, como o
luto pelo sexo desejado do bebê, pela impossibilidade de ter o parto planejado
ou por dificuldades na amamentação. Todas essas experiências envolvem a
interrupção de expectativas e precisam ser acolhidas.
2) Como cada
pessoa vive o luto perinatal e quando buscar ajuda profissional?
O luto perinatal é uma
experiência única e profundamente pessoal. Para algumas pessoas, o processo
pode durar semanas, para outras, meses ou até mais tempo. Não há um prazo certo
ou errado para lidar com essa perda, já que cada um tem seu próprio ritmo para
processar a dor e as mudanças que ela traz. O mais importante é observar como o
luto afeta o cotidiano. Se a tristeza começar a interferir na realização de
atividades diárias, houver isolamento prolongado ou pensamentos de
desesperança, pode ser o momento de buscar apoio especializado. Psicólogos e
outros profissionais de saúde mental estão preparados para oferecer acolhimento
e suporte durante esse processo.
3) Como lidar
com a perda de um bebê?
Lidar com a perda envolve
validar os próprios sentimentos e dar espaço para que emoções, como tristeza ou
culpa, sejam vividas sem repressão. Guardar lembranças do bebê, como roupas ou
fotos, pode ajudar a transformar a dor em algo significativo. Apoio psicológico
e a participação em grupos de apoio também são fundamentais para auxiliar no
processo de superação.
4) Quais
práticas ajudam a criar uma despedida significativa?
Hospitais humanizados
permitem que os pais vejam e segurem o bebê, caso desejem, e oferecem a opção
de guardar recordações, como fotos, a marca do pezinho ou um pedacinho de
cabelo. Essas ações ajudam a dar sentido à despedida. Em países como a
Inglaterra, berços refrigerados são usados para que os pais possam passar mais
tempo com o bebê antes do sepultamento.
5) Como os
hospitais podem acolher melhor famílias enlutadas?
Separar mães que
enfrentaram perdas de alas onde estão bebês recém-nascidos é uma medida
fundamental para reduzir o sofrimento. Além disso, o acolhimento humanizado,
com profissionais capacitados e tempo adequado para a despedida, pode aliviar a
dor das famílias.
6) O pai também
sente o luto?
Sim, e ele precisa ser
incluído no processo. Muitas vezes, o pai é pressionado a ser "forte"
para apoiar a parceira, mas ele também vivencia a perda e necessita de espaço
para expressar sua dor. O apoio mútuo no casal é essencial para fortalecer a
relação e facilitar a superação.
7) Existem
outros tipos de luto no período perinatal?
Sim. Além da perda física,
o luto pode surgir em situações como receber um diagnóstico inesperado,
descobrir que o sexo do bebê não era o desejado ou não conseguir amamentar.
Essas perdas simbólicas também geram sofrimento e merecem acolhimento.
8) Por que
evitar frases que minimizem a dor da perda?
Frases como “foi melhor
assim” ou “Deus quis dessa forma” podem parecer inofensivas, mas invalidam os
sentimentos de quem está enfrentando a perda. É importante oferecer escuta
atenta, sem julgamentos, e respeitar o momento de luto.
9) Por que é
importante falar sobre luto perinatal?
Casos
como o de Tati Machado e Micheli Machado mostram como o luto perinatal é mais
comum do que se imagina. Discutir o tema ajuda a romper tabus, validar o
sofrimento das famílias e incentivar práticas de acolhimento mais empáticas e
humanizadas.
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