Quimioterapia ou radioterapia impactam a saúde
ocular e precisam de acompanhamento oftalmológico adequado
Neuropatias, olhos secos e inflamações estão entre os possíveis efeitos colaterais verificados em pacientes submetidos a certos tipos de quimioterapias e à radioterapia. O oftalmologista Franklin Cangussu, responsável pelo novo serviço oftalmológico do Centro de Oncologia Campinas (COC), reforça que o monitoramento oftalmológico é essencial para minimizar os riscos e combater os efeitos. “Exames periódicos detectam precocemente qualquer alteração ocular e, em caso de ocorrência de efeitos colaterais graves, há soluções como ajuste ou troca da medicação”.
Neste 7 de maio, data em que é celebrado o Dia do Oftalmologista, o significado da saúde ocular ganha destaque em razão do fato de que acompanhamento e cuidados reduzem riscos e evitam complicações. O oftalmologista oferece importantes orientações para a melhora da rotina do paciente oncológico, como a indicação de uso de óculos com filtro UV, que protegem contra a fotossensibilidade causada por certos tratamentos, e a necessidade de rigor na higiene ocular, para evitar infecções, especialmente se o paciente estiver imunossuprimido.
Franklin Cangussu lista algumas das principais intercorrências oftalmológicas às quais os pacientes oncológicos são suscetíveis. “Medicamentos quimioterápicos podem reduzir a produção lacrimal, causando irritação, sensação de areia nos olhos e visão embaçada; podem ocorrer uveítes (inflamação na úvea), conjuntivites químicas e episclerites”, exemplifica.
Segundo ele,
certos quimioterápicos e o uso prolongado de corticoides, em alguns casos, são
capazes de acelerar o desenvolvimento da catarata. “A toxicidade de alguns
quimioterápicos pode afetar o nervo óptico, levando à perda de visão parcial ou
total; é possível também alterações nos vasos sanguíneos da retina, semelhante
à retinopatia diabética, e ceratopatia tóxica, que leva à erosão da córnea e
dor ocular”.
Embora não exista um protocolo universal para conduta oftalmológico, há diretrizes que auxiliam pacientes oncológicos, reforça o médico. A indicação é para realização de avaliação oftalmológica antes do início do tratamento oncológico (especialmente se houver histórico prévio de doenças oculares). O paciente também deve ser encaminhado ao oftalmologista ao primeiro sinal de problema visual.
Exames oftalmológicos regulares durante o tratamento, especialmente se houver sintomas visuais, ajudam a diagnosticar efeitos colaterais antes que se agravem. Ainda deve ser realizado um monitoramento específico para pacientes que fazem uso de medicamentos de alto risco para os olhos, como:
• Tamoxifeno (câncer de mama):
Avaliação da retina e mácula regularmente.
•
Inibidores da tirosina quinase (câncer hematológico): Monitoramento de
neuropatia óptica e oclusões vasculares.
• Radioterapia na região da cabeça e pescoço: Acompanhamento para prevenir e tratar ceratopatia por exposição.
“Os tratamentos
oncológicos podem impactar a saúde ocular de várias formas, mas o
acompanhamento oftalmológico adequado ajuda a minimizar esses efeitos. A
colaboração entre oncologistas e oftalmologistas é fundamental para garantir um
tratamento seguro e preservar a visão dos pacientes”, finaliza.
Centro Oftalmológico
O Centro de Oncologia Campinas, em continuidade ao programa de expansão da rede multidisciplinar de atendimento, traz um novo serviço integrado, o de oftalmologia clínica e oncológica. O COC passa a oferecer a seus pacientes, em parceria com o Instituto de Oftalmologia Cangussu (IOC), desde exames periódicos até avaliações complexas e preventivas, além de cirurgias e assistência em geral para toda a população e não só para pessoas com câncer.
O Serviço de Oftalmologia Clínica e Oncológica se soma aos outros já existentes de endoscopia digestiva, nutrição, psicologia, exames laboratoriais, educação física, odonto-oncologia, radioterapia, quimioterapia e oncologia clínica para fortalecer o atendimento multidisciplinar do centro.
“O novo serviço tem como propostas prevenir e cuidar dos efeitos colaterais dos tratamentos oncológicos, mas também realizar o acompanhamento oftalmológico convencional e ainda diagnosticar tumores oculares. O COC continuamente busca por profissionais e especialidades que contribuam para a detecção precoce e o tratamento do câncer e que também tratem da saúde geral das pessoas”, enfatiza o oncologista Fernando Medina, diretor do Centro de Oncologia Campinas.
O diretor executivo do COC, Jair Rotoli Júnior, salienta que o COC se empenha na ampliação do escopo de especialidades a fim de colaborar de todas as maneiras possíveis com seus pacientes. “Ao ampliarmos nossa equipe multidisciplinar, permitimos que nossos pacientes possam realizar todos os tratamentos e procedimentos que necessitam em um mesmo lugar, com equipes altamente qualificadas e preparadas, que conversam entre si e realizam um atendimento humanizado”, detalha.
COC - Centro de Oncologia Campinas
Rua Alberto de Salvo, 311, Barão Geraldo, Campinas.
Telefone: (19) 3787-3400.
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