A conscientização
sobre as doenças que afetam a glândula tireoide e a importância do diagnóstico
precoce são fundamentais para prevenir complicações futuras
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca
de 750 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com alguma patologia
tireoidiana e, desse total, aproximadamente 60% desconhecem essa condição.
A tireoide é uma glândula endócrina localizada na
parte anterior do pescoço. Ela desempenha um papel crucial na regulação do
metabolismo e no funcionamento de órgãos vitais como cérebro, coração, fígado,
rins, intestino e sistema nervoso. Seus principais hormônios, a
tri-iodotironina (T3) e a tiroxina (T4), atuam desde o desenvolvimento fetal
até a velhice, influenciando funções como crescimento, temperatura corporal,
humor, memória, peso e fertilidade. As doenças tireoidianas mais comuns incluem
o hipotireoidismo, caracterizado pela baixa produção de hormônios; o
hipertireoidismo, quando há produção excessiva; além de bócio, nódulos e câncer
de tireoide.
No DB Diagnósticos, apenas no primeiro trimestre de
2025 foi realizado, em média, 1,4 milhão de exames por mês relacionados à
avaliação da tireoide. Mantendo esse ritmo, estima-se um aumento de 3% no
número total de exames até o final do ano. A diferença entre os gêneros também
chama a atenção: as mulheres realizaram quase três vezes mais exames que os
homens — aproximadamente 3 milhões contra pouco mais de 1 milhão,
respectivamente. A maior parte dos exames foi realizado por adultos com mais de
22 anos, com destaque para a população idosa (acima de 66 anos), que concentra
um volume expressivo de procedimentos.
O médico patologista clínico do DB Diagnósticos,
Dr. Carlos Aita, alerta: “as alterações na tireoide podem fazer com que a
glândula libere uma quantidade menor ou maior dos hormônios, impactando a
concentração, fertilidade, humor, peso, ciclo menstrual, crescimento e
desenvolvimento, memória e controle emocional. A tireoide é uma glândula de
extrema importância para o bom funcionamento do corpo, por isso a importância
de cuidados e exames periódicos para a detecção de qualquer anomalia referente
a ela”.
As causas das disfunções variam. O hipotireoidismo
tem como principal causa a doença de Hashimoto, enquanto o hipertireoidismo é
frequentemente provocado pela doença de Graves — ambas condições autoimunes.
Medicamentos como amiodarona, iodo, lítio e imunoterápicos também podem
interferir no funcionamento da glândula.
Em relação aos nódulos tireoidianos, a Sociedade
Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) estima que até 60% da
população brasileira poderão apresentar nódulos em algum momento da vida. No
entanto, apenas cerca de 5% desses casos são malignos. A exposição prévia à
radiação na região do pescoço e histórico familiar de câncer aumentam o risco
de malignidade.
Diagnóstico e exames
A realização de consultas periódicas e exames de
check-up é essencial para a detecção precoce de alterações na tireoide.
Mulheres que estão no início da menopausa devem ter atenção redobrada e
realizar com mais frequência exames como o ultrassom da tireoide, especialmente
se houver histórico familiar de problemas na glândula.
“Após uma avaliação médica, o especialista
responsável pode solicitar diversos tipos de exame, laboratoriais e de imagem,
para confirmar ou afastar a presença de alguma alteração na glândula. Entre
eles: prova de função tireoidiana, punção aspirativa, ultrassonografia,
cintilografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética”, complementa
o Dr. Carlos.
Tratamento
O tratamento para distúrbios da tireoide varia
conforme o tipo e a gravidade da condição. No hipotireoidismo, a reposição do
hormônio T4 é a abordagem mais comum. O hipertireoidismo pode ser tratado com
medicamentos que reduzem a produção dos hormônios, terapia com iodo radioativo
ou cirurgia para remoção parcial ou total da glândula.
A maioria dos pacientes com nódulos não precisa de
intervenção, mas a retirada pode ser indicada em alguns casos. Em situações de
câncer de tireoide, o tratamento depende da gravidade do tumor e pode incluir
cirurgia, iodoterapia e acompanhamento contínuo.
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