Especialista
alerta que ultrapassar o tempo permitido no visto configura presença ilegal e
pode impedir novas entradas nos Estados Unidos. Veja sete etapas para morar
legalmente no país e saiba como evitar irregularidades no processo imigratório.
Planejar a imigração para os Estados Unidos (EUA)
com etapas bem definidas e dentro da lei é o que permite as pessoas continuarem
com o objetivo de mudar de vida e conquistar o sonho americano. Para Bruno
Lossio e Henrique Scliar, especialistas em Mobilidade Global, imigrar deve ser
encarado como um projeto de vida, com base em três pilares: estratégia,
informação e responsabilidade.
Eles alertam que, sem planejamento e respeito às
exigências legais, o objetivo de morar nos EUA pode resultar em situações
delicadas, como risco de deportação e entraves jurídicos para quem tenta entrar
no país a qualquer custo.
“Está todo mundo desesperado com a imigração no
governo Trump, e com razão. Ficou um dia a mais do que o permitido no seu
visto? Já começa a contar presença ilegal, e isso pode atrapalhar, e muito, a
sua próxima entrada nos Estados Unidos. Agora, se você permanece mais de 180
dias e retorna ao Brasil, o banimento é de três anos. Se fica mais de um ano
fora de status, aí complica de vez: são dez anos de banimento e, em muitos
casos, não entra nunca mais”, alerta Bruno Lossio, especialista em Direito
Imigratório.
Henrique Scliar explica como evitar o improviso e
as atitudes ilegais, que muitas vezes decorrem de desinformação. “É fundamental
compreender que a legislação imigratória americana é extremamente rigorosa, e
qualquer violação, ainda que pareça pequena, pode gerar consequências graves.
Um planejamento bem feito mapeia o perfil do candidato, considerando sua
formação, experiência profissional, objetivos e situação familiar, para indicar
o visto mais apropriado, orientando sobre a documentação necessária, prazos,
limites de atuação permitidos, e estratégias para manutenção do status legal no
país”, afirma.
Os especialistas ainda esclarecem que muitos
problemas ocorrem porque a pessoa só procura ajuda depois de já ter cometido
algum erro e explicam 7 etapas fundamentais tanto para quem está no Brasil
planejando imigrar, quanto para quem já está nos Estados Unidos e deseja
regularizar sua situação.
Eles também listaram as profissões liberais comuns
e extraordinárias que podem conquistar um visto para os EUA.
Análise de perfil
Os especialistas explicam que embora cada caso
possa ser diferente um do outro e possua as suas especificidades, é possível
estabelecer um fluxo básico de etapas que ajudam a organizar o processo
imigratório de maneira legal e segura.
“Um perfil bem mapeado permite construir uma
estratégia realista e personalizada. São pontos fundamentais, a formação
acadêmica, experiência profissional, área de atuação, capacidade financeira,
vínculos familiares e fluência em inglês. Sem essa avaliação prévia, o processo
de imigração vira um jogo de tentativa e erro”, explica Bruno Lossio.
Lossio esclarece que é essencial manter sempre a
transparência documental e a fidelidade às informações fornecidas às autoridades
americanas. “Os sistemas de imigração dos EUA são altamente integrados, e
inconsistências, omissões ou falsificações são detectadas rapidamente”, disse.
Definição da estratégia de
visto
Com o perfil traçado, chega o momento de escolher o
visto mais adequado. “Existem opções como o EB-2 NIW, para
profissionais com formação avançada e projetos de interesse nacional, ou o EB-1A,
para talentos extraordinários, além de vistos de trabalho, estudo ou
investimento. Cada visto exige comprovações específicas. Escolher de maneira
estratégica é garantir não só a entrada legal, mas também a permanência segura
no país”, destaca Henrique Scliar.
Planejamento financeiro
Bruno Lossio ressalta que imigrar para os Estados
Unidos não é apenas mudar de endereço e deve ser colocado como projeto
financeiro, pois o governo americano exige a comprovação de recursos para
garantir que o imigrante tenha meios de se manter sem depender de programas
assistenciais.
“Muitos vistos exigem demonstração de capacidade
financeira consistente. Um planejamento econômico adequado é determinante para
passar segurança às autoridades”, afirma Lossio.
Organização de documentos
Todo o processo imigratório depende de documentação
precisa, completa e verificável. Diplomas, certidões, contratos de trabalho,
declarações fiscais e cartas de recomendação são alguns dos documentos
exigidos.
“Não basta apresentar documentos corretos: é
preciso garantir que estejam bem organizados e alinhados à estratégia de
imigração adotada”, orienta Henrique.
Consultoria jurídica
especializada
Ter o apoio de especialistas qualificados é
essencial. Advogados especializados em imigração dominam não apenas a
legislação, mas também as práticas administrativas e estratégias de resposta a
exigências do governo, como os RFEs (Requests for Evidence).
“Contar com consultoria jurídica desde o início é o
que diferencia um processo fluido de um processo arriscado. Não existe espaço
para improviso quando se trata da legislação americana”, reforça Lossio.
Preparação para entrevistas
Scliar menciona que alguns tipos de vistos exigem
entrevistas no consulado americano ou entrevistas de ajuste de status. “A
preparação para esse momento inclui treino de respostas legítimas, clareza
documental e conhecimento dos limites do seu visto. Muitas negativas acontecem
por falta de preparo para as entrevistas. É preciso agir com segurança,
coerência e transparência em cada etapa”.
Acompanhamento pós-entrada
O planejamento continua depois da entrada nos
Estados Unidos e o descuido nessa fase pode comprometer anos de esforço.
Conforme explica Lossio, após a entrada nos EUA, “é fundamental manter o status
migratório atualizado, cumprir as condições do visto e, se necessário, adaptar
a estratégia imigratória, como mudança ou extensão de status, renovação de
vistos ou ajuste de status para residência permanente”, alerta.
Ele ainda orienta, “outro ponto importante é não
confiar em soluções rápidas, como casamentos arranjados, falsas ofertas de
emprego ou assessorias não qualificadas. A construção de um caminho legítimo,
ainda que demande mais tempo e esforço, é o único meio seguro de estabelecer
residência de forma definitiva e sem riscos de deportação”.
Profissões liberais comuns e
profissões extraordinárias que podem conquistar o visto para morar nos EUA:
No universo de vistos baseados em trabalho e
habilidades profissionais, destacam-se dois grandes grupos. As profissões
liberais comuns (via EB-2 NIW):
Engenheiros (civil, elétrico, mecânico, de
software)
Enfermeiros e profissionais da saúde
Analistas de sistemas e profissionais de TI
Professores e pesquisadores acadêmicos
Arquitetos
Fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais
Advogados (em áreas específicas e para determinados
vistos, respeitando requisitos adicionais)
E as profissões consideradas
extraordinárias (via EB-1A ou O-1):
Cientistas reconhecidos internacionalmente
Pesquisadores com publicações de alto impacto
Artistas, músicos e escritores premiados
Atletas de alto rendimento.
Bruno Lossio é especialista em Mobilidade Global, Direito Internacional e Compliance, com mais de 15 anos de experiência. Atuou em grandes escritórios de advocacia nos EUA, com foco em imigração e mobilidade. Especialista também em planejamento migratório, vistos, green cards e compliance para expatriados. Sócio-fundador da Premium Global Mobility Partner.
Henrique Scliar - especialista em Mobilidade Global, Direito Internacional, Tributação e Expatriação Corporativa, com mais de 10 anos de experiência. Especialista em Direito Tributário pela Universidade Candido Mendes. LL.M em Direito Imigratório pela University of Southern California (USC). Possui ampla vivência em imigração para os Estados Unidos e Portugal. CEO da Premium Global Mobility Partner
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