A fundamentalidade do CEO para uma empresa vai
muito além da sua contribuição técnica. Essa é uma cadeira que, quando
qualificadamente ocupada, é capaz de inspirar os times, direcionando-os em prol
de seu melhor desempenho possível e os engajando em suas funções. Contudo, uma
onda crescente de demissões destes profissionais está sendo notada, o que, caso
permaneça sendo registrada, pode ocasionar em impactos severos para todos os
membros do negócio.
Em dados divulgados pela pesquisa Challenger, Gray
& Christmas, mais de 1.400 executivos deixaram seus postos ao longo deste
ano. Pode parecer uma quantia pouco significativa, mas o total representa um
aumento de quase 50% em relação a 2022, o mais alto desde que esse índice
começou a ser monitorado em 2002. Ainda, foi constatado que o motivo da saída
de quase 1/3 destes talentos foi a aposentadoria – em um ponto que também
merece ser melhor compreendido.
Todos nós, em algum momento de nossa trajetória,
iremos nos aposentar. Mas, é importante destacar que, normalmente, essa é uma
decisão tomada em comum acordo entre as partes, uma vez que, caso o executivo
não deseje se aposentar, ele pode continuar trabalhando em outras frentes. Isso
fez com que, ainda segundo o estudo, 17% dos CEOs tenham se movimentado para
posições maiores como, por exemplo, para conselhos de administração.
É complexo atrelar o motivo desta rotatividade a um
único fator. Contudo, em um mercado extremamente dinâmico como o do nosso país,
muito pode ser relacionado a esses dados o desafio destes executivos em se
manterem atualizados e oxigenados em suas áreas de atuação. Afinal, essa é uma
cadeira que demanda muita energia de realização e enfrenta pressões enormes
diariamente visando a conquista dos resultados estipulados.
Muito sempre é esperado de um CEO em termos de
direcionamento, inspiração, proximidade e domínio de mercado – o que, com
certeza, torna essa cadeira exaustiva. Então, é “compreensível” observarmos
este aumento de pedidos de desligamentos destes executivos no mercado, seja por
parte deste profissional ou pela empresa, o que também pode ser completamente
comum de ser visto e, inclusive, vem sendo significativamente notado nos
últimos anos.
No Brasil, vimos, recentemente, uma série de
turbulências em empresas nacionais em questão de ética e compliance, o que,
inevitavelmente, contribui para que o CEO acabe ficando muito vulnerável e,
geralmente, sendo demitido – seja ele culpado ou não. Isso porque, em teoria,
ele é o responsável pelo que ocorre internamente e deveria acompanhar ou evitar
que algo de errado acontecesse.
Seja por questões ideológicas, de conduta, método
ou de resultados, a qualidade e desempenho deste executivo vem sendo
acompanhada com a crescente transparência e proximidade nos últimos anos, em
uma quebra de privacidade que nos permite ter uma maior clareza dos motivos que
podem justificar essa rotatividade registrada no mercado.
Por mais justificáveis que certos pedidos de
desligamento possam ser, este é um tema que deve ser devidamente analisado para
que as empresas consigam ter um melhor alinhamento das expectativas com estes
profissionais e, com isso, “segurar” bons CEOs em seu time.
É claro que todo negócio sempre irá cobrar seus
profissionais em termos de resultados. Por sua vez, também é importante lembrar
que essa urgência pode fragilizar a relação entre as partes. E, além de metas
financeiras, as empresas devem sempre se lembrar que estes talentos são seres
humanos, os quais possuem suas fraquezas, inseguranças e que também merece
apoio em sua rotina corporativa.
Este é um olhar crucial para a retenção destes
executivos, mantendo um alinhamento claro quanto ao que é esperado e conversas
cada vez mais construtivas em prol de relações mais longevas. Todos esses
fatores, quando prezados desde o recrutamento deste profissional, tornará este
processo mais assertivo em termos de valores, comportamento, estilo de
pensamento, visão de negócio e de vida.
Não há como negar a importância desta cadeira para
o bom funcionamento de qualquer negócio. Portanto, uma análise criteriosa dos
momentos de entrada, execução e saída de um CEO, é possível ter uma visão bem
completa e um diagnóstico mais acurado das razões que podem levar ao seu
desligamento e, com isso, adotar ações antecipadas que contribuam para sua
retenção, felicidade e produtividade na empresa.
Wide
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