Opinião
No dia 27 de julho é comemorado,
no Brasil, o Dia do Pediatra
Nos últimos anos temos visto as
prefeituras, principalmente fora do eixo da capital, referirem dificuldade para
preencherem seus postos de trabalho com pediatras. Isto é um fato real, e tem
relação direta com os valores de remuneração oferecidos para o desempenho da
atividade. Na capital, quem remunera adequadamente, consegue preencher seus
postos de trabalho. O que pode oferecer uma prefeitura, além do salário, para
vincular um pediatra a sua cidade? Não possuímos nenhuma política de fixação ou
plano de carreira médica. Se o salário não for atrativo, provavelmente a vaga
não será ocupada por profissional qualificado.
A
exclusão do pediatra da atenção básica, em âmbito nacional, foi uma política
inadequada do governo federal. Isso tem trazido risco e prejuízo para
população, principalmente às de menor renda. Vivemos um cenário, que quem
atende nos Postos de Saúde, são profissionais recém egressos das Universidades,
sem a formação idealizada de médico de família. A Sociedade Brasileira de
Pediatria tem pautado essa discussão com frequência junto ao Ministério da
Saúde. A troca de governo sempre gera a expectativa que avanços possam ocorrer
e que essa política possa ser revista ou remodelada.
Acreditamos que a racionalização do recurso
é de extrema importância para viabilizar nosso Sistema Único de Saúde.
Entretanto, qualquer processo de racionalização na área da saúde, não pode
passar por desqualificação assistencial. Uma leitura correta de indicadores
pode fundamentar essa necessidade de revisão. Reconhecemos dificuldades, mas
vejo um cenário mais otimista para pediatria. A não submissão para fontes de
remuneração inadequadas, sinalizam outras opções de mercado. Os recém-egressos
da Residência Médica de Pediatria têm partido de maneira imediata para o
mercado de trabalho, seja na capital ou no interior. A prova disso é o
crescente desinteresse pela formação complementar em áreas de atuação. Assim,
temos a expectativa que a pediatria passa por um processo de transição em
termos de mercado. Bons pediatras não têm tido dificuldade de inserção profissional
e tem conseguido remuneração diferenciada, quando comparados aos seus pares de
especialidades clínicas. Acho que começamos um processo de valorização da nossa
atividade, que deve trazer um realinhamento de remuneração e de função na
cadeia assistencial da população.
Sérgio Amantea - Presidente da Sociedade de
Pediatria do Rio Grande do Sul.
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