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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Ansiedade e depressão são consequências da pandemia para 67% dos casais


Já distúrbios alimentares e abusos de álcool, medicações ou drogas foram apontados por 15 e 12%, respectivamente, segundo pesquisa do Instituto do Casal (IC) com 709 pessoas.
No levantamento online, ansiedade (53%) e depressão (14%) foram mencionadas como principais sequelas do isolamento para a relação a dois. A análise abordou homens e mulheres de 18 a 51 anos entre 30/05 e 05/06.

O período tenso também trouxe distúrbios alimentares para 15% das pessoas. E perturbações do sono atrapalharam 30% delas. Outros reflexos lembrados são os abusos de álcool com 10% e de medicações e drogas que, juntas, tiveram pouco mais de 2%. As porcentagens somam mais de 100%, pois era possível escolher mais de uma alternativa.

Os números são um indicativo da conjuntura atual. “Vivemos um momento em que o cenário é de incertezas, com mais perguntas do que respostas” , avalia Denise Figueiredo, especialista em Terapia de Casal e Família e cofundadora do IC. Como enfrentar essa situação? “É preciso focar no presente, não no futuro. Fazer o melhor em cada uma das atividades a que se propõe. Se você ficar pensando no que está por vir, a ansiedade possivelmente vai aumentar e a sensação de falta de controle pode impactar”, acrescenta.


Mais

O estudo do IC, organização que se dedica a práticas, estudos e educação em relacionamentos e sexualidade humana, também tratou do impacto do distanciamento social nos conflitos de casais. E mostra que as principais causas para brigas relatadas são: uso excessivo do celular (33%), divisão das tarefas domésticas (32%) e excesso de críticas (31%).

Seguidas de falta de romance no casamento (26%), rotina no casamento (26%), ausência de diálogo (24%), excesso de tempo dedicado ao trabalho, virtual ou presencial (23%), escassez de dinheiro ou dívidas acumuladas (20%), criação ou educação dos filhos (19%) e porque eu reclamo demais ou estou sempre insatisfeito com alguma coisa (19%). O somatório das porcentagens superam 100%, pois era possível selecionar mais de uma opção.


Paralelo

O IC comparou o diagnóstico recente com outro de mesmo formato feito em 2018. Com 708 respostas, o levantamento online anterior também apresentava os maiores motivos de conflito.

O que mudou? A opção uso excessivo do celular foi do terceiro para o primeiro lugar. “No atual contexto, é provável que os casais tenham flexibilizado os valores quanto ao uso do celular, pois é por meio dele que estão se conectando com o trabalho, amigos, família. Essa flexibilização, sem limites, tornou-se um conflito e precisa ser administrado”, analisa Marina Simas, cofundadora do IC e especialista em Terapia de Casal e Família.

A alternativa divisão de tarefas domésticas também subiu no ranking. Em 2018, ficou em quinto e agora foi vice-líder. Outra a ganhar destaque foi a escolha por excesso de críticas: passou da quarta para terceira colocação. Já, a falta de diálogo caiu da segunda para sexta posição.


Frequência

A pesquisa feita durante o isolamento abordou ainda a regularidade dos desentendimentos. A opção para quem disse ter conflito ao menos uma vez por semana teve 30% das escolhas. Enquanto a alternativa mais de uma vez por semana representou 20%. Seguida de raramente temos conflitos (19%), pelo menos uma vez por mês (14%) e, uma vez por dia ou mais (10%).


Soluções

Além disso, a avaliação tratou a forma com que casais procuram resolver contendas. De acordo com os resultados, 60% preferem conversar no mesmo dia sobre o problema, sem deixar para depois. Já 35%, só resolvem a briga após alguns dias e 2% consultam um terapeuta para solucionar a situação. E quando a quarentena acabar? Rever os amigos é o desejo de 91% das pessoas. Viajar ficou com a preferência de 18% delas e sair com 7%.




Fontes: Denise Figueiredo e Marina Simas
Sobre: O Instituto do Casal é uma organização que se dedica às práticas, estudos, pesquisas, educação e disseminação de informações relevantes sobre relacionamentos e sexualidade humana.
Website: institutodocasal.com.br
Instagram: @institutodocasal
facebook.com/institutodocasal/

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