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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Lei 15.377 e NR-1 exigem cuidado permanente com a saúde da trabalhadora nas empresas

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Com mais de 73 mil novos casos de câncer de mama por ano no país, nova legislação e normas ocupacionais pressionam o mercado a substituir campanhas pontuais por programas contínuos de incentivo a exames preventivos

 

O câncer de mama é a neoplasia de maior incidência entre as mulheres no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registrará cerca de 73.610 novos casos por ano até 2025/2026, além de mais de 17 mil novos casos anuais de câncer do colo do útero. Apesar dos números alarmantes, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce eleva as chances de cura para até 95%. No entanto, a rotina de trabalho intensa e a falta de tempo costumam ser apontadas por muitas profissionais como as principais barreiras para o agendamento de exames essenciais, como a mamografia e o Papanicolau. 

Diante desse cenário, a promulgação da Lei nº 15.377 trouxe um marco importante ao transformar a conscientização e a informação sobre a prevenção de doenças em um dever legal das empresas. Se antes o Outubro Rosa se limitava a ações simbólicas — como vestir a empresa de rosa ou distribuir laços no início do mês —, a nova legislação exige que a promoção da saúde deixe de ser um evento esporádico e se consolide como uma prática permanente no ambiente corporativo. 

“Disponibilizar informativos nos murais ou enviar comunicados é importante, mas não suficiente para promover mudanças de comportamento. Construir uma verdadeira cultura de saúde exige manter o diálogo ativo durante todo o ano, reforçando a importância da prevenção, incentivando os colaboradores a cuidar da própria saúde e facilitando o acesso a exames de rotina. O objetivo é fazer com que cada colaboradora perceba que o cuidado da empresa com sua saúde e seu bem-estar é genuíno, acolhedor e contínuo.” destaca  Vanessa Lamego de Almeida, Gerente de Recursos Humanos da Giunti Psychometrics | Vetor Editora.
 

Como a Lei 15.377 e a NR-1 se conectam na prática

A nova legislação dialoga diretamente com as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). Enquanto a NR-1 foca na identificação e gestão dos riscos do ambiente de trabalho — incluindo o estresse ocupacional e os fatores psicossociais —, a Lei 15.377 fortalece a prevenção de doenças gerais e o incentivo ao rastreamento clínico. Juntas, ambas pressionam o mercado a olhar para a saúde do colaborador, e neste caso, principalmente da mulher, de maneira integral, unindo a segurança física e mental ao suporte de saúde preventivo. 

“Essa convergência normativa exige que as empresas abandonem a visão fragmentada da saúde corporativa. Na prática, uma trabalhadora submetida a um ambiente com alto estresse ocupacional ou sobrecarga, fatores que são mapeados pela NR-1, tende a negligenciar seus hábitos de autocuidado e adiar exames de rotina, por exemplo”, explica Vanessa. Ao integrar o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) às ações preventivas da Lei 15.377, o RH e a Medicina do Trabalho passam a atuar nas duas pontas: reduzindo os estressores da estrutura de trabalho e viabilizando o diagnóstico precoce de patologias clínicas antes que evoluam para quadros graves ou afastamentos previdenciários. 

"Quando a empresa incentiva os cuidados preventivos e a realização de exames de rotina, a prevenção deixa de ser apenas uma mensagem institucional e passa a fazer parte de uma cultura de cuidado e valorização da vida ”, finaliza a especialista.


 Vetor Editora


O risco não é o El Niño. É ser surpreendido por ele


Na cadeia de produtos frescos, o tempo não é apenas uma variável operacional: é parte do produto. Frutas, flores, legumes, verduras e ovos não podem esperar indefinidamente por uma rota melhor, por uma negociação mais favorável ou por uma previsão mais precisa. Uma quebra de oferta, uma colheita atrasada ou a perda de qualidade pode atravessar rapidamente o campo, o transporte, a loja e a mesa do consumidor.

Por isso, o maior risco não é simplesmente a ocorrência de um evento climático severo. É descobrir tarde demais quais produtos serão afetados, em que regiões, em qual janela da safra e com que consequência para volume, padrão, custo e prazo de entrega. A pergunta estratégica não é só “o que o clima pode fazer?”, mas “que decisão ainda podemos tomar antes que o impacto se torne irreversível?”

Essa pergunta ganha urgência com o El Niño de 2026/27. O relatório do Serviço Agrícola Estrangeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA FAS), publicado em 13 de outubro de 2026, informa que as projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indicavam a possibilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O período coincide com etapas decisivas de plantio e desenvolvimento de culturas no Brasil. É uma projeção de risco, não uma sentença sobre a safra: intensidade, distribuição da chuva e momento em que o evento se manifesta importam tanto quanto o nome do fenômeno.

E há uma característica que precisa orientar toda resposta: o mesmo El Niño pode significar seca e calor em uma parte do país, excesso de chuva em outra e efeitos diferentes até entre municípios vizinhos. Uma previsão climática nacional, portanto, não é ainda uma previsão de oferta. Para chegar à decisão, é necessário traduzir o sinal climático para a geografia, o calendário e a fisiologia de cada produto — e, depois, para as rotas, os contratos e a demanda.


Cinco regiões, diferentes riscos — e uma mesma cadeia interdependente

O relatório descreve contrastes regionais importantes. No Norte e na Amazônia, a perspectiva de chuva abaixo da média e temperaturas elevadas aumenta o risco de estresse hídrico, queimadas e redução dos níveis dos rios. Isso afeta lavouras e pastagens, mas também pode dificultar o transporte de cargas e comprometer a regularidade logística. No Nordeste, períodos secos prolongados podem reduzir a umidade do solo e pressionar a disponibilidade de água para produção e criação animal. Mesmo quando uma cultura irrigada se beneficia de condições específicas, a segurança hídrica do território continua sendo determinante.

No Centro-Oeste, a irregularidade da chuva pode atrasar a implantação da soja e encurtar a janela de culturas de segunda safra. O relatório destaca Mato Grosso como área particularmente exposta a esse efeito. No Sudeste, embora o padrão de impacto possa ser menos intenso que no Norte e no Sul, temperaturas acima da média e precipitação irregular podem atingir etapas sensíveis de café e laranja, especialmente florada e formação dos frutos. Já no Sul, a combinação de chuva excessiva, umidade e eventos extremos aumenta o risco de alagamentos, doenças, atraso de plantio e colheita, perdas de qualidade e interrupção de estradas.

Essa assimetria é central para frutas e hortaliças. Calor e falta de água podem reduzir tamanho, alterar a floração e comprometer o pegamento; excesso de umidade pode favorecer podridões e doenças, atrasar operações no campo e encurtar a vida comercial. O relatório cita maçã, uva, batata, tomate, cenoura e cebola entre os produtos do Sul potencialmente expostos a atrasos e excesso de chuva. Não existe, portanto, uma resposta única chamada “substituir a origem”: uma alternativa precisa estar no estágio produtivo correto, ter qualidade compatível e conseguir chegar ao destino.


O efeito dominó começa antes de a falta aparecer na gôndola

A agricultura brasileira é marcada por calendários encadeados. Se a chuva irregular atrasa o plantio ou a colheita da soja, a safrinha de milho pode ser semeada mais tarde e ficar mais exposta ao fim das chuvas e ao calor durante o enchimento dos grãos. O algodão de segunda safra também pode perder janela. Esse encadeamento importa para o abastecimento de produtos frescos mesmo quando o produto diretamente afetado não é uma fruta ou hortaliça: milho e farelo de soja são componentes de rações, e alterações em disponibilidade, preço e logística repercutem na avicultura, nos ovos, na suinocultura e na produção de leite e carne.

O USDA FAS observa que o estresse térmico pode reduzir consumo de ração, ganho de peso, produção e eficiência reprodutiva dos animais; temperaturas elevadas também afetam quantidade e qualidade dos ovos. A chuva irregular pode comprometer pastagens e elevar a necessidade de suplementação, enquanto o excesso de umidade pode piorar as condições de manejo e a qualidade da silagem. O resultado chega à cadeia como custo operacional, pressão sobre margens e, potencialmente, maior volatilidade de oferta e preço.

Para o FFLVO, o impacto não se resume a “ter ou não ter” produto. Pode haver mudança no calibre, aparência, teor de água, maturação, vida de prateleira, regularidade de entrega e custo para selecionar, resfriar e transportar. Uma safra nacional razoável pode coexistir com escassez localizada, perdas de padrão comercial ou gargalos em uma rota específica. É por isso que uma leitura agregada do volume anual é insuficiente para quem precisa abastecer lojas e cozinhas todos os dias.


Da previsão à decisão: inteligência que muda a operação

Antecipar exige construir uma visão comum na granularidade certa: produto, região de origem e semana de comercialização. Essa leitura combina previsão meteorológica com estágio da cultura, calendário de plantio e colheita, condição de água e solo, histórico de produtividade, disponibilidade de mão de obra, capacidade de embalagem e refrigeração, situação das estradas e dos rios, encomendas e sinais de demanda. Não basta pôr camadas de informação em um painel; é preciso explicitar o que se sabe, o grau de confiança, o que ainda é hipótese e qual elo pode confirmar ou refutar o sinal.

Em seguida, a informação precisa virar avaliação de consequência. Para cada item relevante, a cadeia deve estimar não só a probabilidade do evento, mas também a exposição da origem, a sensibilidade do produto, o tempo necessário para substituir o fornecimento e o custo de uma decisão tardia. A pergunta deixa de ser “há risco de seca no Centro-Oeste?” e passa a ser, por exemplo: “se o plantio atrasar nesta janela, quais volumes e padrões de milho, ração ou hortaliças ficam mais vulneráveis, em quais semanas, e quanto tempo leva para ativar outra solução?”. Essa tradução evita que uma manchete climática gere alarmes vagos ou, pior, falsa tranquilidade.

Cada nível de risco deve estar associado a um gatilho, a um responsável e a uma ação previamente combinada. Um alerta sem dono e sem consequência operacional é apenas informação. Em um cenário de atenção, a resposta pode ser confirmar a condição de campo e revisar a previsão de colheita; se o risco aumentar, pode ser reservar capacidade de transporte, antecipar a qualificação de uma origem alternativa, ajustar a programação de compras ou proteger a cadeia de frio. A decisão precisa respeitar a confiança da previsão, o prazo de reação e o custo de agir cedo demais — mas não pode esperar que a ruptura seja visível ao consumidor.

A diversificação de origens também precisa ser real, não uma lista de fornecedores no plano de contingência. Uma origem alternativa deve ser validada antes da crise quanto a calendário, água, práticas de qualidade e segurança, volume, embalagem, tempo de trânsito, refrigeração, capacidade de transporte e viabilidade econômica. Além disso, a resposta de uma empresa não pode simplesmente deslocar a escassez para outro comprador ou para uma região já pressionada. Planejar alternativas significa conhecer interdependências e negociar acesso de forma responsável.

Do mesmo modo, a flexibilidade comercial não pode ser improvisada. Varejo, food service, distribuidores e fornecedores podem combinar com antecedência quais substituições de variedade, calibre, origem ou apresentação são aceitáveis sem comprometer segurança e experiência do consumidor. Especificações realistas para períodos de estresse, contratos que reconheçam variações de safra, revisão criteriosa de promoções e comunicação clara sobre sazonalidade ajudam a reduzir desperdício e a evitar que a pressão recaia sempre sobre o produtor ou sobre o consumidor de menor renda.

A resposta inclui ainda financiamento e adaptação estrutural. Seguro rural acessível, crédito e capital de giro compatíveis com ciclos mais voláteis, conservação de solo, manejo eficiente da água, drenagem, recuperação de áreas, variedades adequadas, sombra e água para os animais e infraestrutura de pós-colheita reduzem vulnerabilidades que não se resolvem com uma reunião de emergência. O relatório ressalta que prevenção tende a ser mais eficiente e menos custosa do que a reação depois do dano. Investimentos desse tipo precisam ser avaliados como parte da continuidade do abastecimento, não apenas como custo isolado da propriedade.


Cooperação para proteger o abastecimento — e o acesso

Nenhum elo detém sozinho todos os dados ou todas as alavancas. O produtor conhece o campo e a cultura; o fornecedor de insumos vê a demanda e a disponibilidade; o transportador acompanha rotas e capacidade; o atacado e o varejo observam pedidos, substituições e comportamento de compra. O desafio é transformar esses sinais em uma leitura compartilhada sem expor informação comercial sensível. Dados agregados, definições comuns de risco e fóruns com regras claras de confidencialidade e concorrência podem tornar a coordenação possível.

A IFPA pode contribuir como espaço de conexão entre produção, fornecedores, distribuição, varejo e food service, ajudando o setor a trocar conhecimento, testar padrões e aprender com eventos reais. Um primeiro passo prático é escolher algumas categorias e regiões, estabelecer um calendário de atualização, definir indicadores comparáveis e simular decisões antes de precisar executá-las. A ambição não deve ser prometer previsões perfeitas — isso não existe —, mas reduzir o intervalo entre o primeiro sinal e a decisão útil.

Um piloto pode começar com poucas combinações de produto, origem e janela de oferta, selecionadas pelos elos que conhecem suas exposições. A cada semana, o grupo atualizaria sinais climáticos, estágio da cultura, estimativa de volume e padrão, condição das rotas e alternativas qualificadas; cada risco teria um responsável e uma ação previamente acordada. Depois, a avaliação não mediria apenas se a previsão “acertou”: observaria quanto tempo de antecedência houve, quão rápido a cadeia confirmou o sinal, se as alternativas estavam realmente disponíveis, se o nível de serviço foi preservado e quanto desperdício ou custo extraordinário pôde ser evitado. Esse ciclo transforma experiência dispersa em aprendizagem reutilizável.

Também é importante falar com o consumidor com transparência. Dar visibilidade a produtos em boa fase de oferta e sugerir substituições sazonais pode ampliar escolhas, reduzir desperdício e aliviar pressões pontuais. Mas sazonalidade, sozinha, não resolve insegurança alimentar nem garante preços acessíveis. O acesso depende de abastecimento, renda, eficiência logística, decisões comerciais e políticas públicas. Comunicar bem é parte da resposta; não substitui o compromisso de manter alimentos frescos disponíveis e economicamente acessíveis.

Proteger o abastecimento diante do El Niño não significa eliminar a incerteza nem impedir todo impacto climático. Significa reconhecer que o Brasil enfrenta riscos distintos ao mesmo tempo, acompanhar o que muda em cada produto e região, preparar alternativas viáveis e dividir informação e responsabilidade antes que a crise chegue à gôndola. O desafio é transformar conhecimento em decisão coordenada. É assim que deixamos de apenas reagir ao clima e começamos, de fato, a antecipar seus efeitos sobre o frescor, a qualidade e o acesso.

  

Valeska Ciré - Country Manager da International Fresh Produce Association (IFPA

 

Comunicação que parece inteligência artificial já pode ser um problema para as marca


A tecnologia ganhou espaço na comunicação das empresas, mas a falta de identidade e de cuidado humano pode comprometer a confiança do público.

 

“Em um mundo cada vez mais dinâmico e conectado, acreditamos que a inovação vai muito além da tecnologia: ela está na capacidade de transformar desafios em oportunidades, conectar pessoas e construir experiências que realmente fazem a diferença. Com propósito, excelência e compromisso, seguimos impulsionando soluções inteligentes, valorizando conexões genuínas e construindo um futuro mais humano, sustentável e cheio de possibilidades. Porque, no fim, não é apenas sobre o que fazemos, mas sobre o impacto que geramos.” 

Aposto que você já encontrou um texto parecido com esse na comunicação de alguma empresa e talvez até tenha pensado que foi produzido por inteligência artificial, né?

São expressões repetidas, excesso de adjetivos e frases que parecem bem elaboradas, mas que, na prática, não dizem quase nada... 

O problema é que esse padrão de escrita está tornando a comunicação de muitas marcas praticamente indistinguível, como se todas tivessem a mesma personalidade, os mesmos valores e a mesma maneira de falar. E o alerta é justamente esse: quando uma empresa começa a parecer artificial, mesmo sem a confirmação do uso de IA, a percepção de autenticidade pode ser comprometida e, com ela, a confiança do público. 

A inteligência artificial se tornou parte da rotina de empresas e profissionais, e não há problema nisso, afinal, seria incoerente ignorar uma tecnologia capaz de ampliar a produtividade e facilitar processos. 

A questão é que, na pressa de produzir mais, muitas organizações estão deixando de lado justamente o que as diferencia. Quando uma marca começa a soar artificial, corre o risco de perder algo muito mais valioso do que a originalidade de um texto: sua credibilidade.

 

Confiança em risco

Essa preocupação já encontra respaldo científico. Um estudo publicado em maio de 2026 na revista Computers in Human Behavior: Artificial Humans, com 547 participantes, identificou que comunicações associadas à inteligência artificial foram percebidas como menos confiáveis, autênticas e úteis. 

A pesquisa identificou o chamado AI penalty, ou penalidade da inteligência artificial. Os resultados mostram que a percepção sobre a participação da tecnologia na produção de uma mensagem pode influenciar negativamente sua avaliação, mesmo quando o conteúdo é semelhante. 

Embora o estudo tenha analisado percepções em situações experimentais, e não danos efetivos à reputação de empresas, os resultados apresentam um sinal importante para quem trabalha com posicionamento institucional. Se a associação à IA já interfere na confiança, as organizações precisam olhar com mais atenção para a maneira como estão utilizando essas ferramentas e para a imagem que suas mensagens transmitem ao público.

 

Identidade perdida

O que mais preocupa não é a presença da inteligência artificial nos processos de comunicação, mas a ausência de pensamento humano por trás das mensagens. 

Quando uma empresa utiliza a tecnologia sem conhecer profundamente o assunto, revisar informações ou adaptar a linguagem à própria identidade, abre espaço para uma comunicação padronizada, com textos corretos, mas sem personalidade, e discursos bem-organizados, mas que pouco dizem sobre quem está falando. 

Existe uma contradição nesse comportamento: empresas investem anos para construir diferenciais, desenvolver uma cultura própria e conquistar reconhecimento no mercado, mas permitem que sua comunicação se pareça com a de qualquer concorrente. 

Esse cenário representa um risco reputacional que vai além da estética de um conteúdo, porque uma marca precisa ser reconhecida por aquilo que pensa, faz e defende. Se sua comunicação não consegue transmitir essas características, perde força na construção de autoridade.

 

Critério humano

A solução não é reduzir o uso da inteligência artificial, mas aprender a utilizá-la de maneira mais estratégica, sem terceirizar a responsabilidade pelas mensagens que chegam ao público. A tecnologia pode organizar informações, apoiar pesquisas e acelerar a produção, mas conhecer a realidade de uma empresa, identificar histórias relevantes, compreender diferentes públicos e decidir qual posicionamento assumir exige análise, sensibilidade e responsabilidade humana. 

Esse ponto é especialmente importante na comunicação institucional, na relação com a imprensa e no posicionamento de lideranças, porque não basta produzir um texto bem escrito. É necessário ter algo relevante a dizer, com informações verificáveis e uma perspectiva que represente quem assina aquela mensagem. 

Afinal, a reputação não se constrói apenas com a qualidade da escrita, mas com a consistência entre o discurso e a realidade de uma organização. 

Em um cenário em que produzir conteúdo será cada vez mais simples, construir confiança continuará exigindo coerência e relacionamento. Por isso, o desafio das marcas não será provar que sabem utilizar inteligência artificial, algo que já deixou de ser um diferencial, mas demonstrar que, mesmo com tanta tecnologia disponível, ainda existe uma identidade humana, reconhecível e confiável por trás daquilo que comunicam. 

Porque usar inteligência artificial não é o problema. O problema é deixar que ela apague aquilo que torna uma marca única.

  

Francine Ferreira - Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial. Diretora e fundadora da Expressio Comunicação Humanizada.



Gestor acidental: por que o melhor técnico pode virar o pior chefe

Estudo global com 11 mil líderes mostra que só 9% estão plenamente engajados no cargo; para especialista, a conta de promover sem preparar aparece na rotatividade e na produtividade

 

Apenas 9% dos líderes estão plenamente engajados no próprio cargo, e um em cada quatro não queria a função antes de ser convidado. Os dados são do Global Leadership Forecast 2027, da consultoria americana DDI, divulgado em outubro com respostas de 11.395 líderes e 2.519 profissionais de RH de mais de 50 países. O levantamento reacende o debate sobre o gestor acidental, expressão do Chartered Management Institute, do Reino Unido, para quem chega à chefia por ter sido bom no trabalho técnico, sem preparo para liderar pessoas. 

Para Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S, PhD pela Unicamp e gestor de carreiras, a história se repete em empresas de todos os portes. "O melhor vendedor bate meta todo mês, é promovido e, seis meses depois, o time está pedindo para sair. A empresa premiou o melhor, e ninguém ensinou o novo chefe a fazer o novo trabalho", afirma. 

Segundo a Gallup, só 44% dos gestores no mundo receberam algum treinamento de gestão. O estudo da DDI mostra o efeito disso. Líderes relutantes que receberam coaching têm 1,3 vez mais chance de estar plenamente engajados do que líderes ambiciosos que ficaram sem apoio. "A vontade de liderar pesa menos do que a formação que vem depois da promoção. Gestão é método, e método se aprende", analisa.

 

A conta no Brasil

A taxa de rotatividade do emprego formal subiu de 32,79% em 2024 para 33,64% em 2025, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. "Cada troca custa recrutamento, treinamento e meses até o novo profissional render. Um gestor sem preparo multiplica esse custo", diz Santos. 

A produtividade também patina. Por hora efetivamente trabalhada, ela avançou 0,3% no primeiro semestre de 2026, segundo o Observatório da Produtividade Regis Bonelli, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). "Gestor sem método não organiza o trabalho, não dá feedback e não melhora processo. O time trabalha muito e produz pouco", avalia. 

Os mais jovens observam esse cenário. Segundo a Deloitte Gen Z and Millennial Survey 2026, 76% da Geração Z querem chegar à liderança em algum momento. Ainda assim, só 6% dos jovens profissionais colocam isso como objetivo principal, citando estresse, burnout e responsabilidade excessiva. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que 38,2% dos jovens de 18 a 24 anos ficam menos de um ano no emprego. "O jovem olha para o gestor acidental, sobrecarregado e sem preparo, e decide que não quer aquilo. Antes de culpar a geração, vale olhar um sistema que promove sem formar", comenta Santos. 

O especialista fala da própria trajetória. "Fui promovido todas as vezes por entregar resultado técnico. Dar feedback, avaliar desempenho e recrutar bem viraram rotina só agora, aos 42 anos", relata. Santos recomenda: 

- Para quem virou gestor sem preparo: combinar com cada pessoa do time duas ou três metas claras e a forma de medir cada uma; fazer uma conversa curta de feedback por mês, com fatos, e registrar; 

- Para donos e diretores: criar uma carreira técnica paralela, para que o melhor técnico cresça sem precisar virar chefe, e formar quem vai para a gestão antes da promoção; 

- Para quem tem um gestor acidental: pedir metas claras e feedback com frequência. "Muitas vezes ele não sabe que não sabe, e vai agradecer."

Para Santos, promover sem formar gera duas perdas ao mesmo tempo. "A empresa perde um ótimo profissional e ganha um gestor perdido. O custo aparece no time, na rotatividade e no resultado", finaliza.

  

Virgilio Marques dos Santos - PhD em Engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Master Black Belt em Lean Seis Sigma e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, startup sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Trabalha há 15 anos com desenvolvimento de carreiras, futuro do trabalho e transformação organizacional. É autor do livro "Partiu Carreira", TEDx Speaker e palestrante em temas de gestão, inovação e liderança.


No Brasil, 80% das empresas fora do regime do MEI nascem com apenas um dono

IMAGEM: DC

Para o economista José Roberto Afonso, esse tipo de estrutura empresarial ganhou força com a Lei da Liberdade Econômica, que instituiu a SLU

 

Um movimento estrutural está redefinindo o ecossistema de negócios e a estrutura produtiva no Brasil. O que se vê é que o modelo tradicional de sociedade corporativa vem perdendo espaço para o negócio solo, em que empresas são abertas e geridas por uma única pessoa.

Um estudo recente elaborado pela Finance Consultoria, com base nos dados abertos do CNPJ da Receita Federal (de julho de 2026), indica que 80,2% das empresas criadas no Brasil fora do regime de MEI (microempreendedor individual) no primeiro semestre de 2026 possuem apenas um sócio. Em 2012, essa proporção era de 57,5%. Quando incluídos os MEIs, que, por definição, nascem unipessoais, o que se vê é que 95,5% de todas as novas empresas abertas no país pertencem a um único titular.

De acordo com o economista e especialista em finanças públicas José Roberto Afonso, sócio da Finance Consultoria e um dos autores do levantamento, o país não vive um sobressalto conjuntural, mas sim uma mudança estrutural do próprio modelo de negócios global. Para o especialista, o trabalho por conta própria deixou de ser uma alternativa restrita a atividades de menor remuneração para se consolidar em setores nos quais o capital humano e o conhecimento técnico altamente especializado sobrepõem-se ao capital financeiro.

Entre as empresas abertas fora do regime do MEI, o volume de negócios solo saltou de 160 mil no primeiro semestre de 2012 para 544 mil no mesmo período de 2026, o que representa uma expansão de 3,4 vezes no contingente de novos empreendimentos conduzidos por um único dono.

O estudo mostra que o grande motor para a consolidação dessa segurança jurídica foi a promulgação da Lei da Liberdade Econômica (Lei 13.874/2019), que instituiu a Sociedade Limitada Unipessoal (SLU). No primeiro semestre de 2026, 85,2% dos negócios solo criados foram registrados sob essa modalidade, que dispensou a necessidade de sócios figurativos e garantiu a proteção do patrimônio pessoal do empresário.

Afonso aponta que, longe de representarem estruturas frágeis, esses empreendimentos têm demonstrado expressiva resiliência e longevidade no mercado. A taxa de encerramento das SLUs após 36 meses de atividade é de 17,6%, patamar muito próximo ao registrado por sociedades constituídas por dois sócios (18,8%).

Paralelamente, os indicadores do IBGE confirmam que a mudança ultrapassa a esfera regulatória e reflete uma transformação cultural no mercado de trabalho. De acordo com a PNAD Contínua, o total de trabalhadores por conta própria com CNPJ formalizado saltou 75% em dez anos - passando de 4,2 milhões em 2016 para 7,3 milhões em 2026. O ritmo desse avanço foi cinco vezes superior ao crescimento do emprego formal com carteira assinada no setor privado, que expandiu apenas 14% no mesmo intervalo.

LEIA TAMBÉM: A nova face da classe C: da ascensão pelo consumo ao desejo de autonomia como empreendedor

Ao citar conceitos internacionais como a "startup de si mesmo" e a projeção de "unicórnios de uma só pessoa" (one-person unicorns), impulsionados pelo avanço da inteligência artificial no Vale do Silício, o economista diz encontrar um paralelo direto na economia brasileira. “No entanto, no cenário nacional, a modalidade ganha contornos pragmáticos em áreas de serviços qualificados.”

Ele observa que a denominação de "negócio solo" reflete com muito mais precisão essa dinâmica do que termos pejorativos como "pejotização". O economista avalia que a evolução da tecnologia permite que profissionais altamente especializados, como cientistas de dados, consultores e médicos, criem, escalem e gerenciem seus próprios produtos e serviços sem a necessidade de constituir estruturas corporativas tradicionais com múltiplos sócios.

Há uma forte concentração no perfil desse contingente: 93,6% são Micro e Pequenas Empresas (MPEs), 88,4% são optantes do Simples Nacional e o capital social mediano é de R$ 10 mil.

Antes da legislação de 2019, o empreendedor que desejava proteger seu patrimônio pessoal sem sócios precisava recorrer à EIRELI, exigência que demandava o aporte inicial de 100 salários mínimos (mais de R$ 162 mil). O obstáculo levava à inclusão do chamado "sócio figurativo" - geralmente um familiar com 1% de participação apenas para cumprir exigências burocráticas. Com a consolidação da SLU, o ambiente regulatório passou a retratar a realidade do mercado sem a exigência de capital mínimo.


Estímulos tributários

O economista argumenta que a aceleração nas aberturas de empresas unipessoais no primeiro semestre de 2026 também reflete movimentações no campo fiscal. Houve crescimento de 17,4% para negócios solo contra um crescimento de 8,2% para empresas com dois ou mais sócios. As análises do estudo indicam que as discussões em torno da retenção do Imposto de Renda sobre dividendos (para retiradas superiores a R$ 50 mil mensais por beneficiário) e a transição para o novo modelo de tributação do consumo (com a CBS e o IBS) têm induzido estratégias de planejamento tributário.

Afonso destaca que as incertezas quanto às alíquotas futuras e os incentivos das próprias contratantes para a prestação de serviços autônomos podem estar levando profissionais a constituir estruturas jurídicas próprias. O economista aponta, contudo, a necessidade de aprofundamento nas bases de dados da Receita Federal para identificar se o crescimento absoluto do CNPJ reflete o surgimento de novos empreendedores ou o fracionamento de atividades de um mesmo titular em mais de um registro, o que passa a exigir estruturas contábeis mais complexas.


Proteção social e a 'economia grisalha'

Outro ponto do material chama a atenção para a expansão do trabalho solo que impõe urgência no redesenho das políticas públicas e da seguridade social, desenhadas originalmente para uma estrutura baseada majoritariamente no vínculo empregatício formal - condição que hoje abrange apenas 38% dos ocupados no setor privado.

“O debate público precisa superar rotulações simplistas sobre precarização, e a proteção social deve ser universalizada e desvinculada da carteira assinada, estendendo coberturas essenciais, como previdência, saúde e seguro contra acidentes a todas as modalidades de trabalho.”

LEIA TAMBÉM: ‘MEI é um rito de passagem e não uma carreira fixa’, diz José Roberto Afonso

Ele alerta que, mesmo entre os negócios solo de alta renda, a ausência de um planejamento previdenciário estruturado representa um risco para a manutenção do padrão de vida no longo prazo. O estudo destaca ainda a forte presença da população sênior nesse movimento, já que 43,3% dos trabalhadores com 60 anos ou mais atuam por conta própria.

Nas palavras de Afonso, o envelhecimento populacional impulsiona a chamada "economia grisalha", na qual profissionais experientes e aposentados retornam ou permanecem no mercado atuando como consultores e prestadores de serviços. Para o economista, essa modalidade surge como uma alternativa legítima de sustentação financeira e aproveitamento do capital intelectual na maturidade, exigindo que estatísticas e reguladores reconheçam o trabalho por conta própria como o novo centro da realidade trabalhista brasileira.

 

Mariana Missiaggia

https://dcomercio.com.br/publicacao/s/no-brasil-80-das-empresas-fora-do-regime-do-mei-nascem-com-apenas-um-dono

 

Férias em família: o que conferir no seguro-viagem antes de embarcar

Cobertura médica, necessidades de cada viajante e regras para imprevistos estão entre os pontos que merecem atenção no planejamento das férias
 

Organizar as férias em família envolve escolher o destino, reservar hospedagem, definir passeios e preparar as malas. Mas, antes de embarcar, também é importante conferir se o seguro-viagem escolhido atende às necessidades de todos os integrantes do grupo. A análise das coberturas e das condições da apólice ajuda a entender quais situações estão previstas e como agir caso algum imprevisto aconteça durante o passeio. 

Um dos primeiros pontos a observar é a cobertura para despesas médicas, hospitalares e odontológicas. Em viagens com crianças, é importante verificar os limites disponíveis para atendimentos de urgência e emergência, além dos procedimentos para acionar a assistência. Também vale conferir se todos os viajantes estão incluídos na contratação e se o plano é adequado à duração e ao destino da viagem. 

“Quando o assunto é viajar em família, o planejamento precisa considerar as necessidades de cada pessoa. Antes de contratar o seguro-viagem, é importante comparar as coberturas, entender os limites previstos e verificar as condições de utilização. O objetivo é que todos saibam com quais recursos podem contar caso aconteça algum imprevisto”, afirma Paulo Zamboni, CEO do Seguros Promo. 

O Seguros Promo é uma plataforma de comparação de seguros-viagem que reúne opções de diferentes seguradoras, permitindo que os viajantes consultem preços e coberturas antes de escolher o plano. 

Outro cuidado é considerar as particularidades dos viajantes. Famílias com bebês, crianças pequenas, idosos, gestantes ou pessoas com condições de saúde preexistentes devem verificar se existem regras específicas, limitações ou exclusões relacionadas a essas situações. A leitura das condições gerais ajuda a evitar dúvidas sobre o que está ou não contemplado no plano. 

O roteiro também deve influenciar a escolha. Quem pretende praticar esportes ou realizar atividades de aventura precisa conferir se essas práticas estão cobertas. Em viagens internacionais, é recomendável verificar os limites das despesas médicas e eventuais exigências do destino. Já em roteiros com várias cidades ou países, as datas e os locais informados na contratação devem corresponder ao planejamento da viagem. 

Além da assistência médica, vale avaliar as coberturas adicionais disponíveis, como proteção para bagagem extraviada e despesas relacionadas ao cancelamento ou à interrupção da viagem. Esses itens não estão presentes em todos os planos e podem ter condições específicas para utilização, por isso é importante conferir os limites, as exclusões e os documentos exigidos para solicitar atendimento ou reembolso. 

Por fim, os viajantes devem salvar a apólice e os contatos de emergência em um local de fácil acesso, além de verificar os canais de atendimento e as orientações para acionar a seguradora. Com essas informações em mãos, a família consegue se preparar melhor para lidar com situações inesperadas durante as férias. 

Para facilitar a escolha, a recomendação é comparar diferentes planos e avaliar não apenas o preço, mas também as coberturas oferecidas, os limites de utilização e as condições de cada apólice. A consulta a plataformas de comparação, como o Seguros Promo, pode ajudar nesse processo, permitindo analisar alternativas de acordo com o destino e as necessidades de cada família. Além disso, os viajantes devem salvar a apólice e os contatos de emergência em um local de fácil acesso, verificando os canais de atendimento e as orientações para acionar a seguradora.



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Eleições nos EUA hoje: o que pode mudar para brasileiros que buscam vistos e Green Cards?


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Com vantagem democrata nas pesquisas, disputa pelo Congresso nesta terça-feira (3) pode influenciar o futuro da imigração legal americana. Especialista analisa possíveis impactos para profissionais, estudantes, investidores e famílias.

 

Os Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para definir a composição do Congresso, em uma eleição que poderá influenciar os rumos da imigração legal americana nos próximos dois anos. Para brasileiros que pretendem trabalhar, estudar, investir ou conquistar um Green Card, a nova composição do Congresso poderá influenciar o debate e a eventual aprovação de propostas legislativas relacionadas à imigração legal americana.

 

As pesquisas nacionais indicam vantagem democrata. Levantamento agregado publicado em 30 de outubro pelo US Polling Data apontava 51,7% das intenções de voto para os democratas, contra 43,1% para os republicanos. A diferença, entretanto, não garante o controle do Congresso, que depende dos resultados em estados e distritos específicos. Mais de 54 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente, segundo dados divulgados pela Associated Press na véspera da eleição.

 

Para o advogado de imigração Murtaz Navsariwala, fundador do Murtaz Law, escritório sediado em Illinois, a principal questão não é apenas qual partido sairá fortalecido, mas como a nova composição do Congresso poderá influenciar a legislação e a administração do sistema migratório. “Quando se fala em eleições americanas, o debate sobre imigração costuma ficar concentrado nas fronteiras e nas deportações. Mas existe uma dimensão igualmente importante: o futuro da imigração legal. Estamos falando de profissionais qualificados, pesquisadores, empresários, estudantes e famílias que buscam oportunidades dentro das regras estabelecidas pelos Estados Unidos. O Congresso tem influência sobre a legislação e o orçamento federal, enquanto o Executivo administra a aplicação das normas. O equilíbrio entre esses poderes pode afetar a previsibilidade e o funcionamento do sistema migratório”, explica.


 

Vitória democrata ou republicana: o que muda para a imigração legal?

 

Caso os republicanos mantenham o controle da Câmara e do Senado, Donald Trump poderá encontrar maior apoio político para avançar com propostas relacionadas à fiscalização migratória e à proteção do mercado de trabalho americano.

 

Se os democratas conquistarem uma ou ambas as casas, poderão ampliar a fiscalização sobre as políticas do Executivo, influenciar negociações orçamentárias e defender propostas de modernização do sistema migratório. Entretanto, Trump continuará na Presidência, com competências executivas e poder de veto, o que limita a possibilidade de mudanças legislativas unilaterais. “Não é juridicamente correto presumir que uma vitória democrata tornará a imigração mais fácil ou que uma vitória republicana necessariamente restringirá todas as modalidades de entrada legal. Os Estados Unidos precisam conciliar a proteção de seu mercado de trabalho com a atração de profissionais e investimentos estratégicos. O impacto dependerá das medidas efetivamente aprovadas e de como serão implementadas. Uma mudança na maioria do Congresso pode alterar prioridades políticas, mas não modifica automaticamente os requisitos legais para obtenção de vistos ou Green Cards”, afirma Navsariwala.


 

O que brasileiros que buscam um Green Card devem observar após as eleições?

 

Independentemente de qual partido conquiste o controle do Congresso, brasileiros que pretendem trabalhar, estudar ou obter residência permanente nos Estados Unidos precisarão acompanhar os possíveis desdobramentos legislativos e administrativos da eleição.

 

Para Navsariwala, é fundamental distinguir o resultado eleitoral das mudanças que eventualmente poderão ser incorporadas à legislação migratória. “Para quem busca um Green Card, o mais importante será acompanhar quais propostas relacionadas à imigração entrarão na pauta do novo Congresso e quais efetivamente avançarão no processo legislativo. Mudanças nos limites de vistos, nas categorias de imigração ou em outros requisitos estabelecidos por lei podem ter consequências para profissionais e famílias, mas dependem da aprovação de legislação. O resultado eleitoral, por si só, não modifica as regras existentes. Por isso, é fundamental distinguir propostas políticas de mudanças legislativas concretas e continuar planejando cada processo com base na legislação vigente, sem depender de expectativas partidárias, explica Navsariwala.


 

Quando serão conhecidos os resultados?

 

As primeiras projeções deverão ser divulgadas na noite desta terça-feira (3), após o fechamento das urnas nos diferentes estados, e poderão avançar pela madrugada de quarta-feira (4). Entretanto, disputas apertadas podem adiar por dias ou semanas a definição do controle da Câmara ou do Senado.

 

A certificação oficial seguirá os calendários estaduais, geralmente ao longo de novembro e dezembro. O novo Congresso assumirá em 3 de janeiro de 2027. Até lá, a composição atual continuará exercendo suas funções, e eventuais mudanças na política migratória dependerão de decisões legislativas, administrativas ou judiciais.

 

Para Navsariwala, o principal desafio será acompanhar como o novo equilíbrio político se traduzirá em medidas concretas. “A imigração legal exige previsibilidade, segurança jurídica e planejamento de longo prazo. Independentemente de qual partido controle o Congresso, será importante observar como a nova composição influenciará o debate legislativo e quais propostas conseguirão avançar até se tornarem lei. O impacto dessas eleições sobre a imigração legal não será determinado apenas pelo resultado das urnas, mas também pelas decisões legislativas que vierem depois”, conclui.

 



Murtaz Navsariwala - Advogado especializado em imigração para os Estados Unidos, Murtaz Navsariwala combina formação em Economia e História pela Northwestern University com um título de Juris Doctor (J.D.) em Direito pela Indiana University Bloomington.

Murtaz Law


Fim de ano deve criar 20,5 mil postos de trabalho no varejo paulista; resultado é o pior em seis anos

Desaceleração das vendas e da economia limita contratações; crise das varejistas e mudanças na jornada de trabalho podem pressionar ainda mais a geração de empregos

 

O comércio varejista no Estado de São Paulo deve gerar cerca de 20,5 mil novas vagas com carteira assinada (saldo entre admitidos e desligados) nos meses de outubro e novembro. A movimentação ocorre para atender ao aumento da demanda da Black Friday e do Natal, além dos efeitos do pagamento do décimo terceiro salário.  

De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), os supermercados e as lojas de vestuário e calçados devem concentrar entre 60% e 65% das vagas. Esses negócios estarão divididos principalmente entre vendedores, atendentes, operadores de caixa e repositores. 

Apesar da previsão de contratação ser positiva, o levantamento da Federação aponta para um recuo em relação ao mesmo período do ano passado, quando 23,9 mil postos de trabalho foram abertos. Se confirmada a projeção, a geração de vagas terá o pior desempenho desde 2020 no setor. 

 

Diminuição das vendas limita contratações 

De acordo com a FecomercioSP, dois movimentos ajudam a explicar a queda anual. O primeiro deles é a redução nas vendas. No acumulado do ano até julho, o faturamento real do varejo paulista caiu 6,1%. Em 12 meses, o recuo foi de 3,5%, de acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada pela FecomercioSP, com base em informações da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP). Com a redução do faturamento, a propensão das empresas a contratar também diminuiu. 

O segundo motivo é a forte base de comparação. O varejo paulista atingiu o maior patamar de vínculos celetistas da série histórica em novembro de 2025. Diante da desaceleração da economia e das vendas, o setor tem ajustado seu quadro de funcionários e reduzido a abertura de vagas em algumas atividades. No acumulado do ano até agosto, pouco mais de 11 mil postos foram fechados no varejo do Estado.

 

Jornada de trabalho e crise das varejistas 

Apesar de o levantamento considerar o comportamento recente do mercado de trabalho, a FecomercioSP alerta que alguns fatores podem impactar a dinâmica de abertura de vagas no fim do ano, como a crise financeira de grandes varejistas e os casos de recuperação judicial, que contribuíram para o fechamento de lojas e afetaram os resultados mensais de emprego do setor. Novos fechamentos de lojas, se ocorrerem, podem prejudicar o desempenho geral do segmento e levar o saldo efetivo de postos a ficar abaixo da projeção. 

Outro ponto de atenção, de acordo com a Federação, é o fim da escala 6x1. Ainda que haja um período de transição, atividades que já estavam automatizando funções devem ter uma menor necessidade de contratação temporária. Nos supermercados, por exemplo, algumas empresas intensificaram a instalação de caixas de autoatendimento (self-checkouts), reduzindo a necessidade de operadores de caixa, uma das funções mais demandadas no fim do ano. Além disso, há a elevação do custo da hora trabalhada, o que faz com que as empresas adotem uma postura mais cautelosa em relação às contratações.

 

O que considerar na hora de contratar 

Na avaliação da FecomercioSP, embora boa parte dos trabalhadores contratados para o fim de ano permaneça nos postos por, no máximo, 90 dias, é importante que os lojistas observem o perfil dos profissionais para identificar possibilidades de efetivação. Assiduidade e pontualidade, qualidade do atendimento, cumprimento de procedimentos e produtividade — além do relacionamento com a equipe — são alguns critérios a considerar. 

Também recomenda-se comparar o desempenho do novo funcionário com a média da equipe na mesma função, considerando que o fluxo de clientes durante a Black Friday e o Natal é atípico. Ouvir supervisores e colegas de turno ajuda a avaliar aspectos como atitude, colaboração e capacidade de aprender, além do potencial demonstrado sob pressão. Outra medida é realizar avaliações curtas e documentadas, por exemplo, no 15º e no 30º dia de contrato e na semana que antecede seu término, dando retorno ao funcionário sobre seus pontos fortes e os aspectos que precisam ser aprimorados. Isso permite corrigir eventuais problemas ao longo do período. 

Os lojistas também podem avaliar a possibilidade de efetivação do novo talento e a realocação ou reciclagem do profissional mais antigo, por meio de treinamento e mudança de função ou de escala, o que pode resultar em uma equipe mais produtiva. Afinal, desligamento de funcionários, recrutamento de novos profissionais e novos treinamentos consomem tempo e recursos.


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