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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Novo estudo com Wegovy® revela perda de gordura visceral com preservação da força muscular

  

  • Análise detalhada com ressonância magnética mostra que o tratamento foca na redução da gordura visceral, a mais associada ao risco cardiovascular, enquanto mantém a funcionalidade do paciente, essencial para uma vida ativa e saudável1.
  • Subanálise do estudo STEP-UP apontou uma proporção de perda de 85% de gordura para 15% da massa magra, uma relação superior ao esperado em emagrecimento tradicional (dieta e exercício físico), de 75% X 25%2.
  • Foi identificada redução de 31% da gordura visceral, 25% da gordura total e 6% da gordura intramuscular. A variação na massa magra não foi estatisticamente significativa, e o mais importante: a força muscular foi preservada.

 

Em um avanço que redefine o sucesso no tratamento da obesidade, uma nova subanálise do estudo STEP UP revelou que altas doses de semaglutida no tratamento da obesidade e sobrepeso (Wegovy®) promovem uma perda de peso de alta qualidade, priorizando a redução da massa adiposa e, mais importante, preservando a força muscular dos pacientes. Os resultados avaliados por ressonância magnética, mostram que o tratamento vai além da perda de peso visível, atuando diretamente na composição corporal e na gordura visceral, alvos importantes para o risco de doença cardiovascular.¹ 

O estudo demonstrou que, ao longo de 72 semanas, pacientes tratados com semaglutida 7,2mg e 2,4mg tiveram uma redução de 31% na gordura visceral, o tipo de gordura que se acumula ao redor dos órgãos internos e é um dos principais gatilhos para inflamação e doenças metabólicas. A perda de peso total foi composta por aproximadamente 84,4% de gordura, uma proporção considerada excelente e superior à média de 75% esperada em processos de emagrecimento tradicionais.¹,2 

“Estes dados nos permitem mudar a narrativa sobre o tratamento da obesidade. O objetivo não é apenas reduzir o número na balança, mas sim promover uma perda de peso que se traduza em saúde”, afirma a Dra. Julia Cabral, endocrinologista e gerente médica da Novo Nordisk. “Conseguimos provar que é possível perder peso de forma significativa enquanto se protege o corpo. Reduzir a gordura visceral é uma vitória direta para a saúde do coração, e preservar a força muscular significa garantir que o paciente tenha mais qualidade de vida, energia e autonomia. E ter mais músculo é o nosso combustível: representa como uma pessoa vai envelhecer, garantir uma saúde que garantirá a longevidade.” 

O estudo também abordou uma preocupação comum em processos de emagrecimento: a perda de massa magra. Embora uma discreta redução tenha sido observada - um fenômeno fisiológico esperado em qualquer perda de peso substancial -, a análise mostrou que essa variação não foi estatisticamente significativa em comparação ao grupo placebo. Mais importante ainda, um teste de funcionalidade (sentar e levantar) confirmou que a força muscular dos pacientes foi totalmente preservada 

Esses achados reforçam a obesidade como um fator de risco cardiovascular modificável e posicionam seu tratamento como uma estratégia de prevenção primária.
 

Sobre Wegovy® 

A semaglutida 2,4 mg é comercializada sob a marca Wegovy®. No Brasil, Wegovy® é indicado como complemento a uma dieta com redução calórica e aumento da atividade física para controle de peso em adultos com IMC ≥30 kg/m² (obesidade) ou em adultos com IMC ≥27 kg/m² (sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao excesso de peso. 

Wegovy® também é indicado para pacientes pediátricos a partir de 12 anos de idade com IMC inicial no percentil 95 ou superior para a idade e gênero (obesidade) e peso corporal acima de 60 kg. 

Trata-se do primeiro análogo semanal do GLP-1 aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar pessoas que vivem com obesidade e sobrepeso com ao menos uma comorbidade relacionada ao peso. Aprovada pela Anvisa em janeiro de 2023, a semaglutida 2,4 mg chegou às farmácias brasileiras em agosto de 2024. 

Wegovy® é o primeiro e único tratamento semanal para obesidade e sobrepeso (com comorbidades) que demonstrou, no estudo SELECT, um benefício cardiovascular, com redução de 20% no risco de eventos como morte, infarto e AVC em pessoas com obesidade e doença cardiovascular estabelecida3. Além disso, o estudo STEP UP já demonstrou que uma dose mais alta de Wegovy® (semaglutida 7,2 mg) levou a uma perda de peso de 21% em pessoas com obesidade, com um terço dos participantes perdendo 25% ou mais do seu peso basal4.

 


Novo Nordisk
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Referências:

  1. Hjelmesæth J, Bhat S, Garvey WT, et al. Effect of semaglutide on body composition and proximal muscle strength: The STEP UP trial. Apresentado no 60º Congresso Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD), 2025.
  2. Conte C, Hall KD, Klein S. Is Weight Loss-Induced Muscle Mass Loss Clinically Relevant? JAMA. 2024 Jul 2;332(1):9-10. doi: 10.1001/jama.2024.6586. PMID: 38829659.
  3. Lincoff AM, Brown-Frandsen K, Colhoun HM, et al. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Obesity without Diabetes. N Engl J Med. 2023; 389:2221-2232.
  4. Wharton S, Freitas P, Hjelmesæth J, Kabisch M, Kandler K, Lingvay I, et al. Once weekly semaglutide 7·2 mg in adults with obesity (Step up): a randomized, controlled, phase 3b trial. The Lancet Diabetes & Endocrinology. 2025 Sep; S2213858725002268.
 

Pacientes com depressão com sintomas de ansiedade contam com novos tratamentos que podem apresentar menos efeitos adversos

Alta nas licenças médicas por saúde mental1 reforça busca por novos medicamentos que possam auxiliar na continuidade do tratamento2

 

Tristeza persistente, falta de interesse, cansaço excessivo e sono irregular, mas também medo intenso, tensão e preocupação constante. Essa combinação de sintomas, comum em pessoas com depressão com sintomas de ansiedade, está cada vez mais presente nos consultórios médicos. Estima-se que cerca de 85% das pessoas com depressão também apresentam sintomas de ansiedade, o que reforça a importância de identificar o perfil do paciente e oferecer o tratamento mais adequado2. 

Em 2024, o Brasil registrou aumento no número de licenças médicas por transtornos mentais em uma década: foram mais de 472 mil afastamentos por quadros como depressão e ansiedade, segundo o Ministério da Previdência Social1. Em um cenário de crescimento da demanda por cuidados com a saúde mental1, cresce também a procura por alternativas que possam auxiliar na continuidade do tratamento, com perfil de tolerabilidade favorável3. 

Um exemplo é a vilazodona, produzida no país desde agosto de 20244, que tem ganhado espaço como uma nova opção terapêutica para pacientes com depressão com sintomas de ansiedade5. Com um mecanismo de ação único, o medicamento se destaca por ter baixo impacto em alguns dos principais fatores que levam à interrupção precoce do tratamento: disfunção sexual e ganho de peso6. 

De acordo com o psiquiatra Felipe Lobo, médico consultor da Libbs e supervisor do ambulatório de transtornos de personalidade da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a interrupção prematura da medicação é vista como uma razão significativa para a cronicidade dos sintomas depressivos7. “É preciso entender que nem toda depressão é igual e colocar todos os pacientes em uma mesma linha de tratamento pode acarretar uma piora do quadro”. 

Segundo o especialista, que também é professor do Brazilian Institute of Practical Pharmacology (BIPP), como cada paciente é único, é preciso avaliar de acordo com a faixa etária, estilo de vida e prioridades para que haja uma maior adesão e melhora do quadro de saúde, sem deixar de considerar novas perspectivas de tratamento. 

“Alguns podem ter ansiedade e depressão ao mesmo tempo e isso deve ser considerado. Já outros, doença psicossomática, atrelando dor crônica com depressão, por exemplo. Sexualidade e autoestima também devem ser critérios para a melhor escolha terapêutica”, disse Lobo. 

Uma das causas da depressão é a neurotransmissão deficiente nas sinapses serotoninérgicas (5-HT) centrais. Por isso, um agente capaz de aumentar a transmissão de 5-HT mostra-se eficaz na abordagem antidepressiva8. A vilazodona é um fármaco que se diferencia por seu mecanismo de ação único, combinando a inibição da recaptação de serotonina com o agonismo parcial dos receptores 5-HT1A. Essa atuação nos receptores 5-HT1A contribui para a eficácia do tratamento e está associada à baixa incidência de disfunção sexual e de ganho de peso6.

  




Referências

1. Nações Unidas no Brasil. Brasil: Afastamentos por problemas de saúde mental aumentam 134%. 2025 Disponível em: Link

2. Möller HJ, Bandelow B, Volz HP, Barnikol UB, Seifritz E, Kasper S. The relevance of 'mixed anxiety and depression' as a diagnostic category in clinical practice. Eur Arch Psychiatry Clin Neurosci. 2016;266(8):725-736.

3. Ashton AK, Jamerson BD, L Weinstein W, Wagoner C. Antidepressant-related adverse effects impacting treatment compliance: Results of a patient survey. Curr Ther Res Clin Exp. 2005;66(2):96-106.

4. ANVISA. Consultas. 2025 [internet]. [acesso em 20 ago 2025]. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/

5. Thase ME, Chen D, Edwards J, Ruth A. Efficacy of vilazodone on anxiety symptoms in patients with major depressive disorder. Int Clin Psychopharmacol. 2014;29(6):351-6.

6. Stahl SM. Psicofarmacologia: Bases neurocientíficas e aplicações práticas. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2022.

7. Linden M, Gothe H, Dittmann RW, Schaaf B. Early termination of antidepressant drug treatment. J Clin Psychopharmacol. 2000;20(5):523-30.

8. Ślifirski G, Król M, Turło J. 5-HT Receptors and the Development of New Antidepressants. Int J Mol Sci. 2021;22(16):9015.


Saúde em equilíbrio a cada dose: descubra os benefícios da imunização regular

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No mês em que é celebrado o Dia Nacional da Vacinação, diretor médico e sócio-fundador da Saúde Livre Vacinas ressalta a importância das vacinas para mais qualidade de vida  

 

Em outubro, celebra-se o Dia Nacional da Vacinação (17/10), a fim de conscientizar a população acerca da importância de manter o calendário de vacinação em dia para prevenir doenças, especialmente aquelas que foram erradicadas ou controladas. É também um bom momento para lembrar que vacinar-se é um gesto de cuidado com a própria saúde e com o bem-estar coletivo, contribuindo para uma vida mais equilibrada, ainda mais com a chegada da primavera.

Segundo o Dr. Fábio Argenta, diretor médico e sócio-fundador da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização, os cuidados com a saúde nesta estação devem ser tão importantes quanto no inverno, tendo em mente que as mudanças bruscas de temperatura podem ocorrer em qualquer época do ano, inclusive na primavera e no verão. De acordo com o MetSul, o mês de outubro deve registrar desde tempestades a ondas de calor em diferentes regiões do Brasil. 

“A primavera traz mudanças no clima e na vegetação, marcando o período de florescimento de muitas plantas. Com isso, há um aumento na concentração de pólen no ar, o que pode intensificar alergias e agravar problemas respiratórios. Nesse cenário, a vacinação se destaca como uma importante aliada na prevenção de complicações mais graves causadas por infecções respiratórias, como a gripe, ocasionada pelo vírus da Influenza A, COVID-19, vírus sincicial respiratório (VSR), entre outros”, alerta.

Para promover mais qualidade de vida na época mais florida do ano e em todas as outras estações, Argenta preparou uma lista com pilares essenciais para a saudabilidade. Quando combinados com a vacinação em dia, esses cuidados promovem o bem-estar, ajudando a prevenir diversas enfermidades. Confira:


  • Tenha uma alimentação saudável 

Uma dieta equilibrada ajuda a controlar o colesterol, a pressão arterial e o açúcar no sangue, prevenindo doenças cardiovasculares.

  • Pratique atividades físicas

A prática regular de exercícios físicos contribuem para o fortalecimento do coração, melhora a circulação, reduz o estresse e também ajuda no controle do peso.

  • Faça check-ups regulares

Ir ao médico e realizar exames para saber como está a saúde é uma forma de prevenção, pois, dessa forma, é possível identificar e tratar precocemente fatores de risco, como hipertensão, diabetes, entre outras.

 

Intoxicação por metanol: dr.consulta alerta sobre sintomas, riscos e formas de prevenção

Casos recentes de intoxicação por metanol em São Paulo acenderam o alerta

 

O metanol é um tipo de álcool utilizado em produtos industriais como solventes, tintas e combustíveis. Porém, em situações de fabricação clandestina, pode ser adicionado em bebidas alcoólicas, aumentando drasticamente os riscos para a saúde. A intoxicação pode causar desde alterações visuais irreversíveis até levar o indivíduo a óbito.

Diante desse cenário, o
dr.consulta, empresa brasileira referência em saúde acessível e cuidado primário e secundário de qualidade, te ajuda a entender os sintomas, como age no organismo, pontos de atenção e formas de tratamento.



Como o metanol age no organismo

Ao ser ingerido, inalado ou absorvido pela pele, a substância é metabolizada no fígado e transforma-se em químicos muito agressivos para o organismo humano. O primeiro é o formaldeído, geralmente usado em plásticos e resinas. Depois, se torna ácido fórmico, encontrado na formulação de venenos de algumas formigas.

Quando em excesso, ele leva à acidose metabólica, um grave desequilíbrio do pH sanguíneo. Isso prejudica a oxigenação dos tecidos e pode provocar lesões em órgãos vitais, sua toxicidade afeta o funcionamento das células do corpo, principalmente as do sistema nervoso e da visão. Por isso, o quadro pode evoluir rapidamente para a cegueira permanente.



Por que o metanol é tão perigoso?

Ele pode levar à neuropatia óptica tóxica. Um caso relatado na Revista Brasileira de Oftalmologia mostrou um paciente exposto no ambiente de trabalho (por meio da inalação). Ele apresentou grande redução visual, acidose metabólica e modificações no nervo óptico. O tratamento precoce foi essencial para a recuperação parcial da visão. Além disso, em quantidades maiores, a toxicidade pode afetar todo o organismo, provocando falência de órgãos vitais e até a morte.



Principais sintomas do envenenamento por metanol

Os sinais não aparecem imediatamente, levando cerca de 12 a 24 horas após o contato com a substância, os mais comuns são:
 

- Náuseas, vômitos e desconforto abdominal;

- Dor de cabeça intensa;

- Tontura e confusão mental;

- Alterações visuais (visão turva, sensibilidade à luz e incômodo ocular);

- Perda total da visão (em situações graves);

- Convulsões;

- Coma.
 


Ajuda médica deve ser imediata

A ingestão de metanol é considerada uma emergência médica, portanto, a orientação é procurar imediatamente um pronto-socorro, caso haja suspeitas de contato com a substância. Garantir o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento aumenta as chances de evitar complicações graves. Os testes podem incluir:
 

- Gasometria arterial, que avalia o equilíbrio ácido-base no sangue;

- Dosagem da substância no sangue;

- Procedimentos oftalmológicos para verificar possíveis alterações no nervo óptico.
 


Tratamento para desintoxicar o corpo

As abordagens variam conforme a gravidade do quadro, podendo envolver:
 

- Administração de etanol ou fomepizol, que competem pela enzima metabolizante, diminuindo a formação de ácido fórmico;

- Bicarbonato de sódio, para corrigir a acidose metabólica;

- Hemodiálise, em casos graves, para remover o químico e seus metabólitos tóxicos da circulação.

Situações menos críticas podem exigir acompanhamento clínico e uso de vitaminas do complexo B para auxiliar na recuperação visual.


Como evitar o contato com metanol
 

A prevenção é sempre a forma mais eficaz de preservar a saúde. Dessa forma, é importante considerar:

- Consumir apenas bebidas alcoólicas de origem confiável, verificando rótulos e procedência. Produtos clandestinos ou de baixo custo sem certificação não são recomendados;

- Manter solventes e combustíveis fora do alcance de crianças;

- Em ambientes de trabalho que requerem o manuseio do produto, utilizar equipamentos de proteção individual (EPI), como máscaras e luvas. 

Por fim, é importante reforçar que o metanol é extremamente tóxico mesmo em pequenas quantidades. Assim, estar atento a sintomas e procurar atendimento médico imediato é essencial para reduzir os riscos.


Por que as empresas brasileiras ainda ignoram as necessidades das mulheres na menopausa, e perdem talentos valiosos sem nem perceber?

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Especialista destaca a importância de ambientes corporativos que valorizam saúde, experiência e produtividade das mulheres maduras

 

No Brasil, a falta de políticas corporativas específicas para apoiar mulheres que passam pela menopausa ainda é uma realidade preocupante. Diferentes de países como Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido, onde iniciativas como o selo “menopausa amigável” foram implementadas para fornecer flexibilidade e suporte durante essa fase, já que as empresas brasileiras demonstram pouca ou nenhuma preocupação estruturada com as necessidades desse grupo.

Estudos indicam que muito pouco tem sido feito para combater o estigma e oferecer acolhimento no ambiente de trabalho, o que impacta diretamente a saúde, o bem-estar e a produtividade desses profissionais (Fundação Getúlio Vargas, 2024). A ausência desse suporte reflete uma lacuna grave que faz com que muitas mulheres enfrentem dificuldades que poderiam ser minimizadas com políticas adequadas.


A importância da menopausa amigável

Segundo estudo do Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD), do Reino Unido, empresas que adotam essas políticas, registram aumento na retenção de profissionais femininas e melhoram na produtividade, além de reduzir o absenteísmo e afastamentos relacionados à menopausa. “São organizações que realmente apoiam as mulheres, compreendendo que elas podem precisar sair para consultas e conformidades o momento delicado pelo que estão passando. Infelizmente, isso ainda está muito longe de ser uma realidade na maioria dos lugares. No Brasil, pelo que sei, não há nenhum movimento semelhante, e isso certamente faria uma grande diferença para essas mulheres”, avalia a Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+.

Para celebrar uma trajetória profissional sólida e prolongada, a doutora Ana Maria Passos recomenda atenção integral à saúde. "Com certeza, cuidar bem do corpo e da mente, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, cuidar do sono e do manejo do estresse, além de fazer ajustes hormonais e suplementares o que for necessário para melhorar o funcionamento cognitivo, é fundamental. Com tudo isso, eles vão conseguir ir muito mais longe, mantendo a saúde em dia", orienta o especialista.

Mais do que uma atitude individual, a adaptação dos ambientes de trabalho é decisiva para permitir que as mulheres em plena maturidade profissional mantenham seu desempenho. “O ambiente corporativo, com certeza, deveria apoiar essas mulheres. Empresas com o selo 'menopausa amigável' deveriam oferecer ajuda médica especializada e suporte adequado. Uma mulher que já tem atuação, especialização e experiência deveria ser valorizada, porque ela pode contribuir muito. Experiência é algo que demanda tempo, então é fundamental aproveitar esse potencial, dando o suporte necessário para que continue desenvolvendo suas atividades como sempre fez”, defende a Dra. Ana Maria.

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Avanços científicos ampliam produtividade e longevidade feminina

 

Nas últimas décadas, a ciência avançou no reconhecimento da perimenopausa, período que inicia cerca dos 40 anos, justamente na fase de maior desenvolvimento profissional. Segundo a especialista, o reconhecimento da perimenopausa e o fato de termos ferramentas para diagnosticar essa fase e iniciar o tratamento antes da menopausa representam um grande avanço. Isso permite que as mulheres se mantenham produtivas, porque, caso contrário, elas começarão a apresentar sintomas que impactam tanto na produtividade quanto na carreira.

Além disso, os avanços tecnológicos no tratamento desenvolvidos para prolongar a longevidade das mulheres no mercado de trabalho. "A reposição hormonal com hormônios bioidênticos não causa câncer nem aumenta o risco de AVC ou trombose. Ela combate sintomas como névoa mental, alterações de memória e declínio cognitivo, que estão ligados à falta de estradiol no cérebro, um hormônio importante para a cognição e até associado ao desenvolvimento do Alzheimer", explica Dra. Ana Maria Passos.

 

 

Dra. Ana Maria Passos - Com mais de 19 anos de atuação como Ginecologista e Obstetra em Porto Alegre (RS), a Dra. Ana Maria Passos atende em sua AME Clínica, onde realiza um cuidado integral na saúde da mulher. Com pós-graduação em Nutrologia e em Longevidade Saudável, ela traz um olhar atento à alimentação equilibrada e à suplementação, focando na prevenção e nos cuidados para um envelhecimento saudável. Especialista em saúde da mulher, atua com ênfase em perimenopausa, menopausa, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, gestação e puerpério. Reconhecida por sua abordagem humanizada e atualizada, utiliza suplementação e reposição hormonal para promover o bem-estar feminino, especialmente em mulheres acima dos 40 anos. É uma fonte confiável para entrevistas, artigos e conteúdos sobre saúde feminina, buscando ampliar o acesso à informação e promover qualidade de vida por meio de acompanhamento médico regular e terapias inovadoras.


Síndrome de Pica: conheça o transtorno e faça um teste para saber se você sofre dessa condição

O médico e terapeuta João Borzino explicou o distúrbio caracterizado pelo desejo de mastigar substâncias que não têm valor nutricional


A Síndrome de Pica, também conhecido picanismo, alotriofagia e picamalácia é um distúrbio que se manifesta pelo impulso de mastigar ou consumir substâncias não alimentares seja “inapropriado para o nível de desenvolvimento” da pessoa, e que não faça parte de práticas culturais ou costumes socialmente aceitáveis.

De acordo com o médico e terapeuta João Borzino, a definição de pica exige que o comportamento dure pelo menos um mês, que o ato de ingerir substâncias não alimentares seja “inapropriado para o nível de desenvolvimento” da pessoa.

“Exemplos de substâncias ingeridas incluem terra, argila, gelo, papel, sabão, giz, giz de lousa, cabelos, entre outras. A pessoa sente um impulso ou desejo para ingerir materiais não alimentares de maneira persistente — e isso causa prejuízo à saúde ou ao funcionamento social/psíquico”, esclarece.

João Borzino aponta que a Síndrome de Pica não aparece isolada em todo caso, frequentemente está associada a outras condições médicas, nutricionais ou psiquiátricas. Ele listou algumas associações:

1. Deficiência nutricional

Um dos fatores mais citados é deficiência de ferro, de zinco, anemia ou desequilíbrios minerais. Essas deficiências podem ser causas ou consequências do comportamento.

2. Transtornos do neurodesenvolvimento

o Autismo: crianças com transtorno do espectro autista têm taxas mais altas de comportamento tipo pica.

o Deficiência intelectual / comprometimento cognitivo: em populações institucionalizadas, taxas de pica são mais elevadas.

o Outros atrasos do desenvolvimento: em alguns estudos, crianças com dificuldades de desenvolvimento (DD) mostraram risco aumentado.

3. Transtornos psiquiátricos

Há relatos de casos de pica em pessoas com esquizofrenia, transtornos do controle de impulsos ou transtornos obsessivo-compulsivos, ou em contextos de transtornos alimentares maiores. Um exemplo clínico descrito na literatura: um paciente com esquizofrenia com comportamento de alotriofagia, ingestão de substâncias não alimentares, foi relatado como caso de estudo.

4. Gravidez

Em mulheres grávidas, o comportamento de pica (por exemplo, comer terra ou gelo) é relatado com bastante frequência, possivelmente em relação a carências nutricionais ou mudanças metabólicas.

5. Outras condições médicas

o Distúrbios gastrointestinais ou obstruções intestinais secundárias ao consumo de materiais.

o Envenenamento por metais pesados ou substâncias tóxicas (ex: chumbo, se a tinta ou solo ingerido estiver contaminado)

o Infecções parasitárias ou bacterianas, especialmente quando se ingere solo ou detritos contaminados.

“Em muitos casos, o comportamento de Pica pode ser um sintoma ou manifestação de uma DDDcondição subjacente, e não simplesmente um “capricho estranho”.

condição subjacente, e não simplesmente um “capricho estranho”.

Borzino diz os dados de números de casos são escassos e heterogêneos. “A literatura reconhece que a prevalência de pica na população geral não é bem estabelecida”.

• Em uma corte de crianças australianas, aos 36 meses, cerca de 2,29 % apresentaram comportamento de pica (relatos feitos por pais) — porém, muitos casos não persistem em idades posteriores.

• Em estudos com jovens entre 7 e 14 anos, foi identificada presença de “comportamentos de pica” em 12,31 %, e “pica recorrente” em cerca de 4,98 %.

• Em adultos, um estudo relatou que aproximadamente 1,1 % tiveram comportamentos recorrentes de pica.

• Em populações escolares adolescentes numa região do Sudão, um estudo relatou 30,4 % dos adolescentes como portadores de “sintomas de pica” (embora esse número deva ser interpretado com cautela, dado o método de levantamento).

• Em populações de gestantes, uma meta-análise relata estimativa de prevalência geográfica variada: por exemplo, África ~ 44,8 %, América do Norte e do Sul ~ 23,0 %, Eurásia ~ 17,5 %.

• Em crianças com autismo ou deficiência intelectual, taxas de pica relatadas variam bastante: de 14 % a 36 % em alguns estudos.

“Embora não seja um transtorno extremamente comum na população geral (comparado, por exemplo, a depressão ou ansiedade), há nichos de risco onde sua frequência é muito maior”, esclarece.

João Borizino enfatiza que muitos casos não são reportados — por vergonha, por não reconhecimento, ou por estigmas —, e as definições variam entre estudos, o que limita comparações confiáveis.

Ele diz que tipo de desordem tende a permanecer nos casos clínicos relatados em periódicos. O médico citou alguns:

• O artigo Allotriophagy in a Patient With Schizophrenia: A Case Report descreve um paciente com esquizofrenia que manifestou ingestão de substâncias não alimentares, e vem com detalhes de avaliação clínica.

• Em revisões de pica, são mencionados pacientes que comeram “1.446 objetos” (pregos, parafusos, tampas de colher, etc.) encontrados no estômago de um paciente psiquiátrico.

• Em contextos pediátricos, muitas vezes o relato surge em casos de crianças com autismo ou deficiência intelectual (mas esses são descritos como “casos clínicos”, não figuras públicas).

“Esses relatos servem de alerta: o que parece “estranho demais para ser verdade” às vezes existe, e pode ter consequências físicas graves”.

 

A seguir, João Borzino listou um breve “auto‐check” — perguntas a si mesmo. Ele destaaca que o testenão substitui uma avaliação médica ou psiquiátrica, mas podem despertar uma suspeita.

1. Você sente vontade persistente — por semanas ou meses — de ingerir materiais não alimentares (terra, giz, gelo, papel, sabão, travas de metal, etc.)?

2. Você já comeu (ou mastigou e engoliu) alguma substância que não deveria (por exemplo: terra, argila, gelo, sabão, cabelos, tinta) repetidamente?

3. Esse comportamento não é algo “aceito” culturalmente na sua comunidade (isto é, não faz parte de costumes ou crenças tradicionais)?

4. Essa ingestão causa desconforto, risco ou dano (como dor abdominal, obstrução, náuseas, ferimentos)?

5. Você já foi diagnosticado com deficiência de ferro, anemia, ou deficiências minerais?

6. Você tem autismo, outra condição do neurodesenvolvimento, ou deficiência intelectual?

7. Você tem um transtorno psiquiátrico conhecido (por exemplo, esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo)?

8. Essa vontade é difícil de controlar — ou seja, você sente “impulso” ou “anseio forte” por essas substâncias?

9. Você esconde esse comportamento por vergonha, culpa ou medo de julgamento?

10. Isso está interferindo no seu funcionamento (saúde, alimentação normal, vida social, trabalho)?

Se você respondeu “sim” para muitas dessas perguntas, sobretudo nas primeiras (1 e 2) e na última (10), há motivo para buscar avaliação especializada.


Borzino fez algumas recomendações caso você tenha o transtorno:

1. Procure avaliação médica completa

Antes de qualquer teoria psicológica, faça exames de sangue (hemograma, ferro, ferritina, zinco), testes de metais pesados se houver suspeita (ex: chumbo). Muitas vezes, o comportamento de pica é sinal de deficiência ou intoxicação.

2. Busque um psiquiatra ou psicólogo com experiência em transtornos alimentares ou transtornos do controle de impulsos

O tratamento costuma combinar abordagens — controle do acesso às substâncias (reduzir oportunidade), terapia cognitivo-comportamental, monitoramento médico.

3. Adote intervenções comportamentais e ambientais

Por exemplo: eliminar ou proteger substâncias objetivas (tintas com chumbo, solo exposto, giz solto), substituir com alternativas menos perigosas (ex: gelo em vez de substrato tóxico), reforçar hábitos alimentares saudáveis e nutritivos.

4. Mantenha vigilância constante

Esteja atento(a) nas crises — quando o impulso bater forte, tenha estratégias de distração, suporte de rede (familiares ou amigos que ajudem a conter), diarize episódios para análise com o profissional.

5. Não espere estar “no fundo do poço” para agir

Quanto mais cedo a intervenção, menores os danos físicos (intoxicação, lesões, obstruções) e psicológicos (culpa, isolamento).

6. Cultive a autoresponsabilidade e a honestidade consigo mesmo Reconhecer que comportamentos estranhos não nos definem como “doentes morais” — mas agir para retomar o controle é um ato de coragem. Não se esquive.


COVID-19 acelera envelhecimento vascular, mesmo em casos leves

A boa notícia, destaca o pesquisador da Unesp, é que a rigidez arterial tende  a diminuir com o
tempo, conforme observado entre os participantes do estudo após um ano da infecção
 (foto: Emmanuel Ciolac/FC-Unesp, Bauru)

Estudo em 16 países com sobreviventes da doença indica que vírus impulsiona rigidez arterial, sobretudo em mulheres; em 2025, até setembro, o Brasil registrou quase 312 mil infecções

 

 Mesmo após a recuperação clínica, a COVID-19 pode deixar marcas no sistema cardiovascular. Essa é a conclusão do maior estudo populacional com sobreviventes da doença, realizado com mais de 2 mil pessoas em 16 países, incluindo o Brasil. O trabalho mostrou que todos os participantes que foram infectados pelo vírus apresentaram maior rigidez nas grandes artérias em comparação com aqueles que não foram infectados.

De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal, a infecção por COVID-19 pode acelerar o envelhecimento vascular, com efeitos mais pronunciados em mulheres, especialmente aquelas com sintomas persistentes, independente da gravidade da doença.

Segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde foram notificados em 2025, até 28 de setembro, 311.849 casos de COVID-19 no Brasil.

A investigação, realizada pelo consórcio Cartesian – que juntou esforços de integrantes de 34 centros de pesquisa em todo o mundo –, é a primeira a avaliar os efeitos de longo prazo da COVID-19 na rigidez arterial, um indicador do envelhecimento vascular que pode aumentar o risco de desenvolver insuficiência cardíaca, infarto, acidente vascular cerebral e outras complicações cardiovasculares.

“O estudo mostrou que pessoas que tiveram COVID-19 apresentam maior rigidez das grandes artérias, o que pode indicar envelhecimento vascular e comprometer o fluxo de sangue para o cérebro e outros órgãos”, diz Emmanuel Ciolac, professor da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru – uma das instituições que participaram do consórcio. “Esse efeito foi independente da gravidade da doença ou de fatores como hipertensão, embora estudos com outras populações demonstrem que a pressão alta contribua em parte para esse quadro.”

A investigação realizada foi apoiada pela FAPESP.

A boa notícia, destaca o pesquisador da Unesp, é que a rigidez arterial tende a diminuir com o tempo, conforme observado entre os participantes do estudo após um ano da infecção. “Isso ressalta a importância de programas de reabilitação envolvendo atividade física, por exemplo. São situações, na maioria dos casos, que podem ser reversíveis e, cada vez mais, vemos que é preciso uma atenção de longo prazo nos infectados pela COVID-19”, diz o pesquisador que em uma outra investigação, com um grupo pequeno de participantes e desvinculado do consórcio Cartesian, comprovou os efeitos da prática de exercício físico na reversão da rigidez arterial (leia mais: agencia.fapesp.br/37929).


Trabalho em equipe

No trabalho, os pesquisadores analisaram a saúde vascular de 2.390 pessoas por meio de um exame não invasivo (velocidade da onda de pulso carótida-femoral), que avalia de forma eficiente a rigidez das grandes artérias. Participaram do estudo pessoas infectadas pelo coronavírus entre 2020 e 2022, com diferentes níveis de gravidade: desde pessoas que não foram infectadas; casos leves, que não exigiram internação; até pacientes hospitalizados e tratados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O grupo incluía tanto vacinados quanto não vacinados.

Para explicar o impacto da rigidez arterial na circulação sanguínea e nos demais órgãos, Ciolac usa a analogia de uma bexiga nova. “Ela se expande facilmente ao ser inflada e, quando esvaziada, volta rapidamente ao seu formato original, empurrando o ar para longe. O mesmo acontece com as artérias. Durante a sístole [fase de contração do coração], elas se expandem, atenuando a pressão do sangue nas artérias. Depois, na diástole [relaxamento], elas voltam ao tamanho original e ajudam a empurrar o sangue adiante para os órgãos e tecidos”, diz o pesquisador à Agência FAPESP.

O exame realizado pelos pesquisadores do consórcio Cartesian mede a velocidade com que a onda de pulso (sístole) percorre o trajeto entre a artéria carótida e a femoral. “Quanto mais lento, mais elástica e saudável a artéria está. Quanto mais rápida a velocidade, mais enrijecida e, por consequência, menos eficiente é a distribuição do sangue para os órgãos e tecidos”, explica Bianca Fernandes, bolsista da FAPESP que realizou as análises com a equipe de Ciolac na Unesp.

Com o envelhecimento, é comum que o tecido elástico das artérias seja substituído por um mais fibroso, tornando-as mais rígidas e dificultando a irrigação de órgãos vitais como o cérebro, coração e fígado. “No entanto, identificamos no estudo que, após seis meses de infecção, os participantes apresentavam uma maior rigidez das artérias em comparação com aqueles que não tiveram COVID-19. Houve um envelhecimento acelerado das artérias entre todos os participantes infectados”, afirma.


Homens e mulheres

O estudo também indicou uma diferença nas consequências da infecção de COVID-19 nas artérias a depender do sexo biológico dos infectados. “O impacto foi mais acentuado em mulheres, principalmente entre aquelas que tiveram sintomas persistentes. O grau de rigidez das artérias acompanhou o grau de gravidade da COVID-19, sendo que as que passaram pela UTI tiveram um envelhecimento arterial ainda maior. Já entre os homens, não houve diferença significativa entre quem teve ou não COVID. Isso pode estar ligado ao fato de que os homens tiveram maior mortalidade, o que pode ter influenciado os resultados”, afirma.

Outro achado importante foi que os participantes que tinham sido vacinados apresentaram uma menor rigidez em comparação com os não vacinados.

“O estudo reforça a importância de acompanhar a saúde cardiovascular de quem teve COVID-19, mesmo após a recuperação da doença. É preciso também investigar estratégias específicas para reduzir esse envelhecimento vascular precoce. Porque, embora já se saiba que hábitos saudáveis ajudam a preservar a elasticidade das artérias, ainda é necessário investigar protocolos direcionados para os efeitos da COVID-19 sobre o sistema vascular”, afirma.

O artigo Accelerated vascular ageing after COVID-19 infection: the Cartesian study pode ser lido em: academic.oup.com/eurheartj/advance-article/doi/10.1093/eurheartj/ehaf430/8236450.



Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/covid-19-acelera-envelhecimento-vascular-mesmo-em-casos-leves/56064



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