Pesquisar no Blog

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Ilicínea: um destino mineiro a ser descoberto entre serras, fé e cachoeiras

Celeste Oliveira

Município mineiro revela atrativos naturais, culturais e religiosos que encantam visitantes em busca de experiências autênticas.


Ilicínea, município do Sul de Minas Gerais com cerca de 12 mil habitantes, desponta como um destino a ser descoberto por viajantes que buscam natureza, cultura e hospitalidade. Localizada a aproximadamente 300 quilômetros de Belo Horizonte, a cidade integra o entorno do Complexo Hidrográfico de Furnas, o que garante fácil acesso aos principais pontos da represa e às cidades vizinhas, como Capitólio, Boa Esperança, Carmo do Rio Claro e Guapé. 

Além disso, servido por estradas federais, estaduais e municipais, o lugar tem posição estratégica que permite o deslocamento rápido para os principais polos turísticos e econômicos da região.

O destino preserva um cotidiano tranquilo, com fortes raízes rurais que ainda marcam o modo de vida e o imaginário de seus habitantes. O comércio local concentra-se nas tradicionais Rua Direita, Rua 15 de Novembro e Rua do Comércio, onde o visitante encontra padarias, mercearias, lojas e serviços que refletem o ritmo acolhedor das pequenas cidades mineiras.

A religiosidade é um traço marcante da identidade local. As igrejas históricas, muitas situadas na zona rural, e as romarias e procissões que ocorrem ao longo do ano evidenciam a devoção popular. No cume da imponente Serra do Serrote, que domina o horizonte urbano, encontra-se a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do município. O local se tornou ponto de peregrinação, especialmente durante o feriado da Sexta-Feira da Paixão, atraindo fiéis e visitantes para um dos pontos de contemplação mais simbólicos da cidade.

Celeste Oliveira

Ecoturismo

A natureza é o grande espetáculo de Ilicínea. Montanhas, trilhas e cachoeiras formam paisagens que representam o melhor do Sul de Minas. Entre os principais atrativos estão a Cachoeira do Buracão, com suas quedas d’água e trilhas acessíveis, e a Cachoeira do Timburé, ideais para quem busca lazer e contato direto com o meio ambiente. A Serra do Fusca e o Parque Pref. João Alvarenga de Oliveira, onde ficam as Lagoas Seca de Cima e de Baixo, completam o cenário, revelando um destino com potencial para o ecoturismo e o turismo de aventura.


Trade fortalecido

Entre os nomes que vêm impulsionando o desenvolvimento turístico do município, destaca-se Adriana Vitor, empreendedora e presidente do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR). Nascida em Campinas, filha de pais mineiros, ela fixou residência em Ilicínea em 2015 e desde então atua como protagonista do setor. Iniciou sua trajetória como gestora da única pousada da cidade (@pousadarecantodosaracas) e hoje é sócia do Restaurante TremBãO da Praça (@trembaodapracailicinea) e CEO da empresa Bem Te Vida Tour (@bemtevida_tour), dedicada à assessoria em gestão e receptivo turístico.

Formada na área química, Adriana incorporou conceitos de preservação ambiental e destinação de resíduos como diferenciais de seus empreendimentos. Sua formação complementar como Bombeira Civil e o curso em Gestão de Turismo (EAD) reforçam o compromisso com a segurança e a profissionalização do setor. Em 2018, ela participou da fundação da ACOTI – Associação Comercial, Turística e Industrial de Ilicínea e, em 2020, integrou a criação do COMTUR, atuando desde então na formulação de políticas e estratégias voltadas ao fortalecimento da economia turística local.

O trabalho simboliza uma nova fase para o turismo na cidade, marcada pela valorização das potencialidades naturais e culturais, pelo incentivo ao empreendedorismo e pela gestão responsável dos recursos.

O trabalho de Adriana simboliza uma nova fase para o turismo em Ilicínea, marcada pela valorização das potencialidades naturais e culturais, pelo incentivo ao empreendedorismo e pela gestão responsável dos recursos.

Como parte dessa evolução, o município vem trabalhando em parceria com a Edersul – Empresa de Desenvolvimento Regional do Sul de Minas, voltada ao fortalecimento econômico e social da região. A adesão reforça o compromisso de Ilicínea com o crescimento sustentável e a integração regional. 

Na última semana, foi realizada uma reunião para incluir o destino na Rota do Café e das Águas do Sul de Minas Gerais, uma iniciativa que propõe um conjunto de experiências turísticas que unem o café, as águas e as paisagens naturais, permitindo combinações personalizadas conforme o interesse dos visitantes. O projeto visa estimular o turismo como vetor de desenvolvimento econômico e valorização cultural em todo o território sul-mineiro.

Mais informações: @prefeituradeilicinea

 

Crescimento da população idosa reforça a importância de projetos sociais voltados para o público 60+

Aumento da expectativa de vida traz desafios para a garantia de direitos. Organizações da sociedade civil passam a destinar recursos para projetos com pessoas idosas

 

A proporção de idosos na população brasileira só cresce. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de pessoas com 60 anos ou mais quase duplicou de 2000 a 2023. O percentual saltou de 8,7% para 15,6% em 23 anos.

 

Paralelamente, observa-se um recuo no número de nascimentos, que foi de 3,6 milhões, em 2000, para 2,6 milhões em 2022, e deve cair para 1,5 milhões, em 2070, enquanto a expectativa de vida cresce. Em 2000, a média era 71,1 anos em 2000, saltou para 76,4 anos no último censo e deve chegar aos 83,9 anos em 2070. Todos esses dados mostram uma inversão da pirâmide etária do Brasil, que migra de uma base para um topo mais volumoso.

 

Esse movimento de crescimento da população idosa deixa um alerta para diversos setores da sociedade. No consumo, a indústria prateada já é uma realidade, desenvolvendo produtos e serviços adequados para as pessoas com 60 anos ou mais. Na área da garantia de direitos básicos, esse aumento da expectativa de vida traz outros desafios.

 

Projetos sociais voltados para pessoas idosas têm se mostrado uma resposta relevante. Segundo dados do Mapa das OSCs do Ipea, mais de 6 mil organizações no Brasil desenvolvem atividades com foco na população idosa. Essas iniciativas vão desde centros de convivência até programas de assistência, saúde preventiva, atividades culturais e apoio psicossocial.

 

Em São Paulo, a ASA é uma organização da sociedade civil com mais de 80 anos, que oferece serviços de educação e assistência social para pessoas em situação de vulnerabilidade social em diversas etapas da vida.

 

Em uma das 12 unidades de atendimento, o foco é na qualidade de vida da pessoa idosa. O Centro Dia para Idoso (CDI) oferece um espaço de convivência de atenção diurna para pessoas acima de 60 anos, em vulnerabilidade social, com grau de dependência leve e moderada, que devido a sua condição, necessitam de amparo técnico e acompanhamento da equipe multidisciplinar.

 

As ações desenvolvidas envolvem exercícios físicos, terapêuticos, além de atividades que potencializam as relações sociais, autonomia, o fortalecimento das capacidades cognitivas e dos vínculos familiares. São realizadas atividades como oficinas de informática, atividade física, yoga, artesanato, pintura, entre outros. O espaço é conveniado a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS).

 

 

ASA - organização da sociedade civil, que oferece serviços de educação e assistência social para pessoas em situação de vulnerabilidade social, em diversas etapas da vida, visando oportunidades de desenvolvimento pessoal com respeito e dignidade.



Reta final de preparação para o Enem 2025: confira dicas para chegar bem no dia das provas, segundo especialista


É fundamental que o candidato nesta reta final tenha uma boa gestão do tempo, consolidando também o momento de descanso

 

Nos dias 9 e 16 de novembro, exceto algumas cidades no Pará com provas marcadas para os dias 30 de novembro e 7 de dezembro - por causa da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP30)-, milhões de estudantes participarão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Atualmente, a prova é a principal forma de entrar em um curso superior. A prova conta com 180 questões objetivas, divididas em quatro áreas de conhecimento: Linguagens, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e Matemática..

Segundo o professor do Colégio Marista de Brasília, Aldo Cavalcante de Almeida, neste momento, faltando poucas semanas para a prova, é preciso consolidar tudo que já foi estudado e direcionar para os assuntos que são recorrentes no Enem. “É fundamental praticar por meio de questões e dividi-las em blocos de áreas diferentes, para contribuir na identificação dos padrões de erros e acertos. Isso ajuda muito o estudante a entender os assuntos que precisam ter mais atenção ”, comentou. 

Aldo também lembra que a criação de resumos e mapas mentais ajudam muito a melhorar o desempenho nos estudos e no trabalho ao organizar ideias, facilitar a memorização e a compreensão de informações complexas, estimular a criatividade, aumentar a produtividade e simplificar o planejamento e a transmissão de conhecimentos. 

Além da prova objetiva, os candidatos terão de escrever uma redação sobre um tema de interesse social. No ano passado, o tema da redação foi "Desafios para a valorização da herança africana no Brasil". 

“É necessário treinar a redação, assim o candidato incrementa seu repertório e aumenta a segurança na argumentação, alcançando melhores resultados, tendo em vista que a redação frequentemente tem um peso significativo na pontuação final”, disse o docente.

Ainda de acordo com o especialista, é fundamental que o candidato nesta reta final tenha uma boa gestão do tempo, incluindo também o momento de descanso, pois o sono consolida a memória, a concentração, reduz o estresse e a ansiedade, aumenta a capacidade de raciocínio e criatividade, e permite que o cérebro consolide e armazene o conhecimento de forma eficaz, transformando informações temporárias em memória de longo prazo.


Colégio Franciscano Pio XII realiza bênção de animais e plantas no dia 08/10, em São Paulo

Ação é uma tradição de mais de 25 anos da instituição que aproxima famílias da escola e contará com a presença da ONG "Amora” com pets em busca de um novo lar

 

Para comemorar o dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais e da ecologia, celebrado em 04 de outubro, o Colégio Franciscano Pio XII, instituição de educação localizada no bairro do Morumbi, em São Paulo, realiza, no próximo dia 08 de outubro, às 11h30 e às 13h30, a bênção de animais e plantas. Todos os estudantes do ensino infantil ao ensino médio do Colégio são convidados a participar e, junto às suas famílias, levar seus bichos de estimação para serem abençoados. Além disso, a ONG "Amora", parceira do Projeto de Vida do Ensino Médio, levará pets para adoção, e os alunos ainda realizarão o "Pedágio Solidário” de ração, destinado à ONG.

 

A ação, que já é uma tradição no Pio XII há mais de 25 anos, terá sua cerimônia de abertura com o frei Florival Mariano de Toledo - OFM e, na sequência, a bênção será iniciada na quadra coberta do Colégio. As dezenas de animais do rancho do Colégio também receberão a bênção do frei. “Esta data é importante para lembrar de São Francisco e difundir alguns dos mais importantes lemas franciscanos, como o cuidado com os animais e com a natureza. Temos certeza de que este momento ficará guardado na lembrança de todas as crianças”, afirma Maria Aparecida Rocha Scognamiglio, coordenadora da Pastoral e responsável pela bênção de animais do Colégio Franciscano Pio XII.

 

Dentre os tipos de animais levados pelos estudantes nos últimos anos estão cachorros, gatos, pássaros, tartarugas e até espécies mais exóticas, como salamandras e lagartos. Como nem todos podem levar bichinhos de estimação, pois alguns são de grande porte, o Colégio sugere que levem uma foto para receber a bênção.

 

“É sempre um momento muito emocionante e importante para os alunos, pois receber a bênção implica no despertar da sensibilidade perante a vida. E as crianças demonstram cada vez mais o desejo de participar e transmitir aos seus familiares esse sentimento”, conclui Maria Aparecida.

 

Regeneracionismo: um novo pacto civilizatório para tempos de colapso


Vivemos tempos de múltiplos colapsos: ambiental, mental, social, econômico. E não há tecnologia capaz de nos salvar de um modelo mental incoerente e fragmentado. O que nos trouxe até aqui já não nos serve mais. Está na hora de um novo paradigma. Um que nos reconecte com a vida — dentro e fora de nós. Chamo isso de Regeneracionismo.


O começo da razão e o preço do progresso

No século XVIII, o Iluminismo representou uma virada histórica. Contra os abusos do poder monárquico e da religião institucionalizada, emergiu a valorização da razão, da ciência, da liberdade de pensamento. Esse novo modelo mental permitiu avanços extraordinários: soberania popular, separação dos poderes, investimento em pesquisa, liberdade civil e educação pública.

A Revolução Industrial foi filha desse paradigma. A lógica da produção e da eficiência — da escala, da padronização e da maximização dos lucros — passou a comandar a vida social. Criaram-se escolas para formar operários, engenheiros e gestores: excelentes na execução de instruções — instruções e regras ainda criadas por poucos e seguidas por muitos. O diploma tornou-se senha de acesso à ascensão social. O mérito, medida de valor humano. A competição, norma silenciosa. À medida que a ciência avançava, também avançavam as técnicas de produção em massa, e setores inteiros se expandiam — da indústria farmacêutica à aeroespacial, passando por transportes, cosméticos e tantos outros.

Por décadas, tudo parecia funcionar. Mas os efeitos colaterais estavam apenas sendo adiados.


O império da fragmentação

Hoje, os sintomas são impossíveis de ignorar. Crises ambientais, desigualdade crescente, exaustão psíquica, polarização social, guerras. Cidades onde não se pode caminhar. Ar e água contaminados. Alimentos com baixa qualidade nutricional e repletos de agrotóxicos. Escassez de vínculos afetivos. Estamos cercados de objetos, mas afastados uns dos outros da natureza, do sentido. As monoculturas ressecam o solo, assim como o excesso da cobrança por produtividade resseca nossa vitalidade.

E há algo ainda mais perverso em curso: a fragmentação é sistematicamente induzida. “Dividir para conquistar” foi uma das estratégias de guerra mais eficazes da história — e ainda hoje é aplicada. Quanto mais polarizados estivermos, mais vulneráveis ficamos às estruturas de poder que concentram decisões e recursos nas mãos de poucos. A fragmentação é útil para os que comandam e lucram com o sistema, porque nos enfraquece. Desarticula a inteligência coletiva. Sabota a deliberação cidadã.


Um modelo mental em crise

Chamamos de modelo mental o conjunto de crenças, valores e pressupostos — muitas vezes inconscientes — que orientam a forma como percebemos o mundo, tomamos decisões e estruturamos nossas instituições. No campo dos Sistemas Compassivos, esse termo ganha um significado ainda mais profundo: trata-se da lógica oculta que molda os padrões de pensamento, comportamento e relação de uma sociedade inteira. E, como todo sistema, ele pode entrar em colapso quando deixa de promover a integração, diferenciação e colaboração, entre suas partes.

Hoje, o modelo mental dominante está em crise. Ele nos ensinou a competir, a separar, a explorar, a acelerar. Agora, precisamos de um novo campo de percepção — um novo jeito de pensar, de sentir e de agir no mundo.


O paradigma regenerativo

Diante desse cenário, não basta resistir. É preciso regenerar. Não apenas ecossistemas — mas modos de viver, educar, produzir, consumir, se relacionar. Precisamos de um modelo mental que compreenda a vida como sistema interdependente. Um paradigma que promova a integração: de saberes, de culturas, de territórios, de gerações.

Esse novo paradigma é o Regeneracionismo.

Ele não nasce de uma ideologia, mas da escuta profunda e do entrelaçamento de conhecimentos diversos — ancestralidade, saúde, educação, ecologia, economia, tecnologia, apenas para mencionar alguns. O Regeneracionismo emerge tecido por grupos transdisciplinares que, diante da urgência do colapso, decidiram se reunir para responder, juntos, à pergunta mais essencial do nosso tempo: para onde vamos enquanto sociedade?

Há duas premissas fundamentais nele presentes: coerência e compaixão.

Coerência entre aquilo que sabemos, sentimos e fazemos — entre o que defendemos em nossos discursos e o que praticamos em nossas decisões, sejam elas políticas, econômicas ou pessoais.

E compaixão não como sentimentalismo, mas como inteligência relacional: a capacidade de reconhecer a dor do outro como legítima, de compreender que o diferente me ensina, e que é na escuta do outro que minha visão de mundo se alarga.


Um novo pacto civilizatório

O Regeneracionismo nos convida a criar espaços de escuta segura para crianças, povos originários, pessoas neurodivergentes, populações vulneráveis e negligenciadas — todos os que historicamente foram silenciados. É um chamado para reconectar aquilo que o paradigma anterior separou: razão e emoção, ciência e sabedoria ancestral, indivíduo e coletivo, humano e natureza.

É também um convite à responsabilidade. Se compreendêssemos que nossa identidade se estende além dos limites da pele, que nossas relações moldam o cérebro e o mundo, não sustentaríamos mais um modelo ganancioso, individualista e extrativista. Nós nos importaríamos mais, compareceremos mais, seríamos mantenedores da harmonia do sistema.

A pergunta que se impõe é clara: vamos continuar divididos — e, portanto, frágeis — ou vamos nos reintegrar em torno de um novo pacto civilizatório?

O Regeneracionismo não é uma utopia futurista. Ele começa agora. Em cada gesto que repara, que escuta, que conecta, que escolhe a vida.

 

Tatiana Guimarães é Economista, fundadora da Pen Educação, do Instituto Holo Sapiens (ICT para a regeneração social) e do movimento “The Future We Create”. Master Practitioner em Sistemas Compassivos pelo MIT Systems Awareness Lab. Tatiana Guimarães é fundadora da Pen Educação e do Movimento The Future We Create, que teve seu primeiro evento em São Paulo no dia 09 de setembro de 2025.


Inteligência artificial que fala a língua do povo: Getúlio AI explica o que a CLT não deixa tão claro

 

freepik

Plataforma gratuita ajuda a traduzir direitos trabalhistas em linguagem simples e acessível

 

Quando trabalhadores brasileiros se deparam com termos jurídicos, prazos confusos ou verbas rescisórias, muitas vezes a sensação é de que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi escrita em outro idioma.  

É exatamente para quebrar essa barreira que surgiu o Getúlio AI, uma plataforma gratuita que se propõe a “traduzir” o que a lei trabalhista não explica de forma clara, orientando quem mais precisa.

 

O que é o Getúlio AI? 

O Getúlio AI é uma ferramenta de inteligência artificial voltada a esclarecer direitos trabalhistas para o público, com linguagem simples, interface acessível e uso gratuito. Com base na CLT, jurisprudência atualizada e revisão por advogados, a plataforma responde a dúvidas comuns como:

·  Aviso prévio, seguro-desemprego e verbas rescisórias após demissão;


·  Contratos encerrados antes do prazo; direitos nesses casos;


·  Adicionais de insalubridade, noturno, férias, atrasos salariais;


·  Andamento de processos trabalhistas, com previsão de fases, valor da causa, movimentações;

Além disso, o Getúlio AI também permite consultar processos trabalhistas pelo número, obter dados públicos sobre empresas (via CNPJ), acompanhar o histórico de casos, gráficos e cálculos (ex: FGTS, 13º salário), e o melhor: tudo isso sem custos. 

 

Por que o Getúlio é inovador?

 

A legislação trabalhista brasileira é extensa, cheia de exceções e difícil de entender. Muita gente não tem familiaridade com os termos técnicos, não sabe até onde vão seus direitos e não pode pagar por orientação jurídica. O resultado disso? Dependência de informações informais e que nem sempre estão corretas. 

 

Por isso, o Getúlio AI funciona como uma ponte: oferece acesso rápido e gratuito à informação confiável, com base legal. Isso ajuda os trabalhadores a tomarem decisões mais conscientes. 

Segundo dados da plataforma, os temas mais buscados são:  

·  Contratos encerrados antes do prazo; 


·  Adicionais de insalubridade e noturno; 


·  Andamento de processos; 


·  Atrasos salariais e descontos indevidos; 


·  Direitos em férias, feriados e demissões; 


·  Dúvidas sobre atestados médicos.  

Essas buscas mostram que há muitas dúvidas em momentos de transição, como após uma demissão ou rompimento de contrato.

 

Como usar o Getúlio AI corretamente?

 

Para usar a plataforma, basta acessar o caminho: https://getulio.ai/ e digitar o número do seu processo ou sua dúvida específica que, em poucos segundos, as respostas chegarão.

 

Vale destacar que, apesar de seus benefícios:

 

·  o Getúlio AI não substitui um advogado. Em casos mais complexos ou de litígio (quando já há processo judicial ou há necessidade de ação), o apoio jurídico especializado continua sendo essencial;

·  ele dá orientações com base na lei e em dados públicos, mas nem todos os casos são iguais. Algumas situações têm detalhes específicos, como acordos regionais ou decisões da Justiça, que podem não estar totalmente cobertos pela plataforma.

·  também é importante verificar prazos legais, pois a CLT e a jurisprudência estabelecem limites que, se ultrapassados, podem gerar perda de direitos.


O que dizem os usuários?

 

Usuários relatam que a plataforma traz mais clareza em processos que antes pareciam nebulosos. Frases como “linguagem de fácil compreensão, ferramenta assertiva” ou “consigo acompanhar o processo, coisas que meu advogado não fala” aparecem em relatos. 

 

Além disso, quem não tem contato frequente com advogados ou mora em lugares com pouco acesso à orientação jurídica pode se beneficiar muito do Getúlio AI. A ferramenta ajuda a evitar que direitos sejam perdidos por falta de informação e ainda apoia na hora de escolher o melhor caminho a seguir.

 

“A CLT é a base do direito trabalhista no Brasil, mas nem sempre quem vive o dia a dia do trabalho entende seus detalhes. O Getúlio AI democratiza o acesso à informação, de forma clara, acessível e gratuita”, afirma Arthur Bouzas, responsável pelo projeto.

 

Enquanto for necessário decifrar a lei para entender direitos básicos, inovações como essa tendem a ser não só úteis, mas essenciais.

 

Além da vigilância: como a IA transforma o monitoramento em inteligência operacional

 

Com a chegada da inteligência artificial, o tradicional monitoramento de vídeo está passando por uma mudança importante, deixando de ser apenas uma ferramenta reativa voltada exclusivamente para a segurança e passando a ser uma solução estratégica e proativa que promove a eficiência operacional. Isso está acontecendo porque a IA está melhorando a experiência do cliente e ao mesmo tempo do próprio negócio, com seu suporte nas previsões mais acertadas para a tomada de decisão. 

Ficou claro que o vídeo com Inteligência Artificial evoluiu para se tornar um novo ‘sensor’ estratégico, assim como qualquer outro sensor de IoT. O que há de diferente é que a IA conectada ao vídeo "compreende" e decifra contextos mais complicados, transformando imagens em ações automáticas, além das ferramentas adicionais como percepções e previsões. 

Hoje em dia, a IA passou a analisar, por exemplo, o comportamento dos consumidores dentro de uma loja. Com o recurso do people counting se faz a contagem de pessoas, quantificando o fluxo em diferentes lugares e horários. Deste modo é possível identificar quais produtos precisam receber mais atenção e necessitam de ações para reposicioná-los ou impulsioná-los. 

O tempo de permanência nas filas, agora registrado digitalmente, tornou-se um importante indicador de gargalos no atendimento e pode sugerir a realocação de funcionários. Naqueles picos de movimento no varejo, a IA tem a capacidade de alertar a equipe para abrir mais caixas, e desta forma diminuirá o tempo de espera e naturalmente vai melhorar a experiência do consumidor.

 

Processos produtivos 

Na indústria a manutenção preditiva e a segurança operacional conseguiram ganhos consideráveis para o seu dia a dia a partir do uso desse novo instrumental. Agora o sistema de vídeo com IA consegue identificar riscos operacionais, sinais sutis de desgaste e falhas que devem surgir em breve. Nos processos de produção será usual a detecção em tempo real de desvios ou anormalidades, o que reduzirá as perdas consideravelmente. 

A IA tem ainda a capacidade de analisar a coloração ou o formato de uma peça e avisar da necessidade de manutenção antes que ocorra uma falha deste componente. Isso evita paradas de produção não previstas. 

Na segurança operacional, a IA detecta também a presença de pessoas não autorizadas ou a permanência excessiva de alguém no local. Além disso, consegue fazer o reconhecimento do uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI), assegurando a conformidade com as normas de segurança contra acidentes de trabalho. 

Em empresas de logística e supply chain as soluções de TI vão elevar mais a eficiência das operações. As contribuições estão na agilização e saída de veículos, além de outras tarefas. No monitoramento das docas o giro de cargas será melhor e serão evitados congestionamentos. No rastreamento de pessoas e ativos, o controle de movimentações internas terá um aumento considerável. A vantagem será sobretudo na melhoria da precisão logística e na redução do tempo ocioso. 

Todas essas novidades só foram possíveis por meio da IA e pelos avanços na visão computacional em real time e emprego de dashboards analíticos integrados à operação. Haverá nesse conjunto de benefícios a redução de custos com sensores e hardwares, e a possibilidade de análise do vídeo com IA na borda (local mais próximo da fonte de dados ou do usuário, onde ocorre o processamento e o armazenamento de informações), sem depender de nuvem. O aumento da demanda por eficiência baseada em dados também ajudou na adoção desse recurso digital e na mudança do comportamento organizacional como um todo.

 

Desafios 

A IA em monitoramento de vídeo é muito promissora, mas terá pela frente o enfrentamento de vários desafios tecnológicos, operacionais e sobretudo éticos. O primeiro deles na área técnica é a necessidade de ter um “cenário” com boa iluminação, enquadramentos dos takes com ângulos adequados e imagens sem obstruções que prejudiquem a captação durante a gravação do vídeo. Será vital a integração entre plataformas para que todos os sistemas, especialmente aqueles predecessores, que se comuniquem satisfatoriamente, o que pode exigir investimentos em adaptações ou substituições. 

A infraestrutura robusta é outro aspecto que não pode ser desconsiderado, porque o processamento em tempo real exige um hardware potente, principalmente quando utiliza arquiteturas híbridas como a borda (edge computing) mais a nuvem. Será um desafio manter também o desempenho à medida que cresce o número de câmeras e sensores. Se torna mais uma situação desafiadora a questão da latência baixa, ou seja, o tempo de atraso entre o envio de uma solicitação e o recebimento de uma resposta em uma rede ou aplicação. 

As novas questões de privacidade e ética vão ser desafiadoras. Será necessário observar e ponderar o excesso de vigilância para que não ocorra invasões de privacidade, principalmente em locais de trabalho e espaços públicos. Há o risco ainda do chamado viés algoritmo, quando os dados usados para treinar os modelos são enviesados e por isso o sistema acaba tomando decisões erradas, discriminatórias e até injustas. 

Um procedimento que nem sempre é adotado, mas que será imprescindível é atuar com consentimento e transparência. Vai ser preciso deixar claro como os dados são coletados, analisados e armazenados pelo sistema. 

Vai ser preciso cautela em algumas questões dentro dos desafios operacionais e humanísticos. A IA também erra e pode gerar alarmes improcedentes ou deixar passar eventos críticos. São os chamados casos falsos positivos/negativos, que precisam ser suprimidos devidamente. Portanto, será imperativa a capacitação de equipes profissionais, em que os operadores terão que entender melhor como interpretar os alertas gerados pela IA e como agir com base neles. 

Na realidade, há também organizações que ainda resistem à automação por considerar que certas atividades são atribuições de seres humanos ou também por desconfiança operacional. Sendo assim, será absolutamente necessária uma mudança da cultura da organização que pretende trocar sua tecnologia e avançar no seu modus operandi e modus vivendi. 

O futuro terá que reconhecer a convivência entre modelos híbridos, combinando o processamento local com a nuvem a fim de equilibrar a escalabilidade e velocidade. Todas as mudanças terão que ser regidas segundo as determinações de normas técnicas vigentes, visando a garantia da compatibilização entre todos os sistemas.

 


Emerson Douglas Ferreira - administrador e especialista em inteligência de negócios e inovação com inteligência artificial, auxiliando empresas e executivos na tomada de decisão e transformação digital, atuando na área de TI desde 1989; É CEO e fundador da Meeting Soluções Estratégicas.
Mais informações eferreira@meeting.com.br

 

Vamos conversar sobre o futuro da sala de aula?


Ao longo dos meus 47 anos de docência, nunca me considerei um professor excelente. Sempre me vi como mediano, com aulas muito boas, outras aceitáveis e algumas — quero crer que a minoria — francamente chatas, para ser generoso comigo mesmo. Procurei seguir dois princípios norteadores: manter-me atualizado e respeitar os alunos, tratando-os como jovens letrados, com domínio básico da leitura e escrita. Por essa razão, minhas aulas nunca se limitaram a repetir didaticamente o que estava no livro-texto. Sempre procurei agregar valor, ir além do que os estudantes poderiam ler e aprender sozinhos, oferecendo-lhes sínteses de vários materiais, interpretações, conexões, provocações. Alguns gostavam, mas sei que muitos prefeririam receber a matéria bem mastigada.

No tempo dos diapositivos, talvez até porque fossem caros, usava-os com parcimônia, apenas como guia; mais tarde, com o PowerPoint, mantive a lógica de trabalhar com bullets curtos, sem cair na tentação de transformar o material em aula pronta. Mantive o estilo de tentar informar e transferir o máximo possível de conhecimento sobre a matéria. A despeito das limitações, em geral sentia-me satisfeito com meu próprio desempenho.

Isso mudou. Nos últimos anos — sobretudo durante e depois da pandemia — tenho tido a impressão de que minhas aulas envelheceram. Tenho refletido que o papel da sala de aula já não é o mesmo, mas que eu e meus alunos seguimos jogando o mesmo jogo de sempre. Talvez por comodidade, talvez porque ainda não saibamos como jogar diferente.

A sala de aula já vinha, há tempos, sendo desafiada por mudanças profundas no modo como o conhecimento circula e se torna acessível. A posição tradicional do professor como mediador exclusivo entre aluno e informação começava a se fragilizar, abrindo espaço para novas formas de aprender e ensinar.

Corro o risco de projetar minha própria experiência, mas tenho a impressão de que muitos docentes não se atualizaram para esse novo contexto. A maioria de nós, professores, permaneceu confortável no velho formato — seja por conveniência, seja por falta de preparo para explorar os novos recursos. E não foram apenas os docentes: grande parte dos estudantes também seguiu jogando o mesmo jogo de sempre, repetindo práticas de estudo que já não dialogam com o ambiente em que vivem.


Da sala de aula tradicional ao ensino digital

Durante séculos, a sala de aula tradicional foi concebida como o espaço privilegiado da transmissão de conhecimento. O professor ocupava o centro da cena, no papel de detentor do saber. Cabia a ele selecionar o que ensinar, organizar a sequência, explicar os conceitos e resolver as dúvidas. Os estudantes, por sua vez, eram receptores — não raramente passivos — cuja tarefa principal era ouvir, anotar e, depois, reproduzir. O livro-texto era o eixo dessa engrenagem: trazia o conteúdo autorizado, que o professor explicava e complementava. Esse modelo fazia sentido em um contexto de escassez relativa de informação. O acesso ao conhecimento estava limitado pelos acervos das bibliotecas — preciosos, mas restritos — e pelo repertório do professor.

É preciso reconhecer que esse modelo tinha suas virtudes. Ele estruturava o aprendizado em bases disciplinares, cultivava a lógica cumulativa do conhecimento e reforçava a importância do esforço intelectual. Muitos de nós fomos formados nesse ambiente, e dele herdamos a capacidade de pensar de modo sistemático. Não se trata de demonizar o passado, mas de reconhecer os limites de um formato que cumpriu seu papel em determinado contexto histórico.

A partir do fim do século XX, esse arranjo começou a ser corroído pela cultura digital. A internet abriu fronteiras de acesso à informação, digitalizou acervos, colocou bases científicas à distância de um clique e multiplicou os recursos disponíveis para estudo. As bibliotecas físicas deixaram de ser o único repositório confiável; plataformas online, repositórios de artigos e vídeos didáticos começaram a competir com o livro-texto e com o professor. O celular consolidou essa mudança: a informação passou a caber na palma da mão do estudante. Mas essa abundância trouxe também efeitos ambíguos: em vez de estimular leitura profunda, consolidou-se muitas vezes uma cultura de atalhos — resumos prontos, videoaulas simplificadas, respostas rápidas — que expandiu para o ensino superior a lógica dos cursinhos preparatórios, transformando o estudo em treino para provas, em vez de um caminho de formação crítica e aprofundada.


Da digitalização à Inteligência Artificial

É nesse cenário que a Inteligência Artificial se insere. Não é uma novidade absoluta — pesquisas e aplicações da IA existem há décadas —, mas foi a combinação de avanços técnicos recentes com a popularização dos chamados Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs, na sigla em inglês) que transformou a paisagem. O lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, simboliza essa virada: de repente, milhões de pessoas passaram a ter acesso cotidiano a uma ferramenta capaz de produzir textos, resumos, análises, códigos e até argumentos acadêmicos em segundos.

Os LLMs, como explicará proximamente minha colega Ivete Luna aqui mesmo no JU em sua coluna Entre Dados e Fatos, representam um salto qualitativo no modo como interagimos com a informação. Eles não apenas armazenam ou recuperam conteúdos, mas são capazes de gerar linguagem natural em resposta a perguntas, organizando, reinterpretando e, até certo ponto, criando conhecimento. É essa mudança que massificou a IA e trouxe para dentro da sala de aula um ator novo, inevitável e transformador, cuja presença e participação é impossível ignorar.

A pergunta que me tenho feito é a seguinte: se o conhecimento está em toda parte, acessível facilmente para quem quiser acessar, e a IA se torna uma parceira do ensino e do aprendizado, qual é a função da sala de aula? Se o professor se limitar a repetir conteúdos disponíveis em livros textos e em qualquer site ou a reproduzir explicações que a IA faz melhor, mais rápido e de forma personalizada, a sala de aula — a aula — tal como a conhecemos perde sentido. Se o professor se limitar ao papel tradicional de transmitir conhecimento, será facilmente substituível.

O novo papel possível é outro: ser mediador, curador, provocador de perguntas, crítico das respostas fáceis. O professor deixa de ser o guardião do conhecimento e passa a ser o orientador do processo de construção, ajudando os estudantes a navegar em meio ao excesso de informações, a avaliar a confiabilidade das fontes e a cultivar a capacidade crítica. O problema é que ainda não sabemos muito bem como desempenhar esse papel.

O estudante, por sua vez, precisa assumir o protagonismo do aprendizado. Não basta mais decorar, copiar ou reproduzir. É preciso perguntar, desconfiar, elaborar. E esse é talvez o ponto mais desafiador: nem sempre os estudantes estão preparados para esse papel, e muitas vezes o professor tampouco sabe como estimulá-los nesse caminho.


A sala de aula como hub de habilidades do século XXI

Nesse novo cenário, a sala de aula deixa de ser apenas um local para a transmissão de conteúdo. Ela se transforma em um espaço de formação e troca, voltado ao desenvolvimento de competências intelectuais, sociais e éticas — pensamento crítico, comunicação, colaboração e responsabilidade — necessárias para crescer intelectualmente e enfrentar os desafios do mundo novo que já é realidade. É o espaço onde o conhecimento, hoje acessível em qualquer lugar e a qualquer momento via IA, se converte em sabedoria. O professor, em vez de simplesmente expor a teoria, propõe desafios e projetos que os alunos precisam resolver usando a IA como ferramenta. O tempo em sala de aula, antes dedicado à exposição, passa a ser gasto em debates, apresentações de projetos e discussões de casos de estudo, onde a interação humana e a colaboração são o foco principal.

Isso nos leva a uma questão ainda mais profunda: o que é possível ensinar na sala de aula que a IA não pode? A resposta não está na informação em si, mas nas habilidades humanas essenciais. A sala de aula se torna o espaço para desenvolver a empatia, a capacidade de trabalhar em equipe em problemas complexos, a criatividade original e a comunicação eficaz. O professor, agora, é o mediador não apenas do conhecimento, mas também das relações interpessoais, do desenvolvimento de caráter e do senso ético — competências que a IA, por mais avançada que seja, não pode replicar.

A presença da IA também exige uma revolução nos métodos de avaliação. Se antes a prova era o meio de verificar a memorização do conteúdo, hoje essa abordagem se torna obsoleta. A IA pode responder a perguntas de prova em segundos. O novo jogo exige uma avaliação que vá além da simples reprodução. É preciso criar atividades que exijam a aplicação do conhecimento, a análise de situações-problema e a produção de algo original — um projeto, uma análise crítica, um debate oral — em que a IA seja usada como ferramenta, e não como resultado final. A verdadeira avaliação passa a ser a capacidade do aluno de utilizar a IA de forma inteligente para demonstrar sua própria compreensão e criatividade.

A sala de aula não acabou e não vai acabar. Mas, para seguir relevante, precisa se reinventar radicalmente — não só no plano tecnológico, mas sobretudo no cultural e pedagógico.

A pergunta que fica, e que proponho compartilhar com meus colegas e estudantes, é simples e incômoda: estamos preparados para jogar o novo jogo? E, mais do que isso: estamos dispostos a redefinir o que a sala de aula significa e qual é o nosso papel dentro dela?



Antônio Márcio Buainain - membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do CEA/IE/Unicamp e do INCT/PPED

Conselho Científico Agro Sustentável - CCAS
Mais informações no website: Link.
Facebook:Link
Instagram: Link
LinkedIn:Link

 

Dia das Crianças: como envolver os pequenos na economia doméstica

Ensinar as crianças sobre como lidar com o dinheiro é um presente para a vida toda

 

O Dia das Crianças, comemorado no dia 12 de outubro, não precisa ser apenas uma data de consumo e gastos extras no orçamento familiar. A data também pode ser uma oportunidade para ensinar valores importantes e desenvolver a consciência financeira dos pequenos. Com criatividade e diálogo, as famílias podem transformar esse momento em uma experiência que une diversão, responsabilidade e aprendizado. 

Envolver as crianças na economia doméstica desde cedo contribui para que elas cresçam entendendo o valor do dinheiro, a importância de escolhas conscientes e o impacto que pequenas atitudes têm no dia a dia da casa. Isso se torna cada vez mais importante em um cenário de inflação persistente, informalidade no emprego e aumento do endividamento: de acordo com levantamento da Serasa, 78,2 milhões de brasileiros estão inadimplentes. 

Para Amerson Magalhães, economista da Crefaz, instituição financeira focada no público que não tem acesso ao crédito tradicional, é possível sair do sufoco com organização, disciplina e ajuda de todos os integrantes da família, incluindo as crianças. “Muita gente acredita que só consegue economizar quando sobra dinheiro. Mas, na verdade, é a economia que cria essa sobra. Mesmo valores pequenos, como de um chiclete, quando acumulados com constância, viram um colchão financeiro importante”, afirma. 

O executivo listou algumas formas práticas de incluir as crianças da casa nesse processo:


1. Ofereça uma mesada educativa

Pode ser mesada ou “semanada”, o importante é explicar para a criança que aquele valor é limitado, para que ela aprenda a tomar decisões de consumo. “A mesada é um instrumento pedagógico poderoso e precisa vir acompanhada de diálogo, para que a criança entenda que o dinheiro não é infinito e precisa ser usado com planejamento”, explica Magalhães.

 

2. Envolva as crianças nas compras

Levar os pequenos ao mercado pode se transformar em uma aula prática. Mostre preços, compare produtos e explique como a família escolhe determinadas marcas ou quantidades. Quando a criança vê, na prática, que dois produtos podem ter preços diferentes, ela começa a desenvolver noções básicas de consumo consciente.


3. Crie uma “Caixinha dos Sonhos”

Incentive a criança a guardar parte do dinheiro para conquistar algo que queira. Um cofrinho ou pote transparente pode ser usado para visualizar o crescimento da economia destinada a um passeio ou brinquedo. “Esse exercício ensina que não é possível ter tudo de imediato. Guardar um pouco a cada semana para alcançar um objetivo mostra, na prática, o valor da paciência e do planejamento”, destaca o economista.

 

4. Ensine a evitar desperdícios

Mostre que apagar a luz ao sair do quarto ou fechar a torneira ao escovar os dentes também impacta no orçamento e no planeta. “Educação financeira não se restringe ao dinheiro em si. Quando a criança entende que reduzir desperdícios gera economia, ela passa a ter uma visão mais ampla sobre responsabilidade com recursos”, destaca Magalhães.

 

5. Invente brincadeiras

Brincar de “loja em casa” ou com jogos de tabuleiro com dinheiro de mentira ajuda a introduzir conceitos de troca, poupança e investimento. Aprender brincando é fundamental, principalmente para as crianças menores. Por meio das brincadeiras, elas absorvem conceitos importantes sem que pareça uma obrigação.

 

6. Estimule doações

Envolver os filhos em doações de roupas, brinquedos ou alimentos é uma forma de ensinar empatia e mostrar que compartilhar também faz parte da economia doméstica. Afinal, prosperidade também tem a ver com doação e não com o acúmulo de coisas. Faça disso um hábito para incentivar o consumo sustentável.

 

7. Converse sobre dinheiro

De maneira simples, explique para a criança como a família organiza o que ganha e o que gasta. Isso ajuda a criar uma consciência coletiva e envolve todos no controle de gastos da casa. “Falar sobre dinheiro ainda é tabu em muitas famílias. Mas quando todos participam do planejamento financeiro, as chances de sucesso aumentam. E cada meta alcançada deve ser comemorada”, conclui Magalhães. 

A dica extra do economista da Crefaz é dar o exemplo: avalie sua relação com o dinheiro, faça escolhas conscientes e seja uma referência para as crianças da casa. Elas aprendem muito mais pelo que veem do que pelo que escutam. Oferecer às crianças o conhecimento sobre como lidar com o dinheiro é um presente para a vida toda e o Dia das Crianças pode ser o ponto de partida para esse aprendizado em família.

 

Posts mais acessados