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quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Gestão na nuvem é um risco à segurança?

Garantir a segurança. Essa vem sendo uma preocupação constante de líderes e gestores. Isso porque, ao mesmo tempo que reconhecem a importância de migrar para o ambiente digital e investir em recursos que garantam máxima eficiência como a nuvem, por exemplo, também existem receios se, de fato, essa tecnologia é segura. Afinal, como proteger dados armazenados de forma online?

Por mais que a gestão na nuvem não seja uma novidade no mercado, seu uso vem ganhando maior adesão nos últimos anos. Não à toa, as projeções do Gartner indicam que, ainda em 2025, é esperado que 85% das empresas estejam utilizando a computação em nuvem.

Esse forte interesse das organizações em investir no uso da nuvem se dá, principalmente, pelo fato de que esse serviço é um tipo de tecnologia que permite o armazenamento de dados e informações da companhia, sem a necessidade de um ambiente físico, com acesso de qualquer lugar.

Contudo, mesmo diante dos benefícios ofertados, antes de aderir a qualquer tipo de serviço, é fundamental compreender como funciona o ambiente compartilhado. Além disso, cada uma das versões (pública e privada) possuem especificidades que precisam ser analisadas para definir qual tem melhor aderência ao negócio. Outro ponto importante, sem dúvidas, também é o investimento na capacitação do time, uma vez que a equipe será a responsável por administrar as operações.

Isso é, vemos uma grande preocupação das organizações com os ciberataques que vem crescendo. Só o Brasil, de acordo com Relatório de Inteligência de Ameaças da NetScout, é o segundo país mais atacado do mundo. Naturalmente, existe a preocupação em investir na maior proteção. Quanto a isso, tecnologias como sistemas de varredouras, proteção de Workloads, unificação de IDs, Firewall de aplicações web, APIs, criptografia, Disaster Recovery, backup, entre outros recursos, ajudam a proteger o ambiente em nuvem.

Por sua vez, é importante chamar atenção para outro aspecto. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 95% dos incidentes de segurança cibernética ocorrem devido a erro humano. Ou seja, os ataques podem acontecer tanto devido a falhas sistêmicas quanto à falta de entendimento dos níveis de acesso dos colaboradores. Sendo assim, de nada adianta investir em medidas de segurança, sem que a equipe tenha o conhecimento técnico necessário para utilizar a ferramenta de forma correta e sem expor a organização a riscos.

Na prática, a gestão em nuvem é uma medida segura, entretanto, sua eficácia está atrelada a diversos fatores e à forma como é gerenciada. Deste modo, é crucial aderir ao serviço de fornecedores confiáveis, bem como implementar medidas de segurança e ter controle das configurações de acesso dos usuários.

Certamente, administrar todas essas medidas não é uma tarefa simples. Por isso, contar com o apoio de um time especializado no serviço é mais uma medida protetiva que a empresa pode tomar. Afinal, o time técnico irá ajudar desde a migração segura para o ambiente, localizar brechas que podem expor a organização à riscos, até treinar os usuários para que utilizem a tecnologia seguindo regras e instruções que garantam uma operação segura.

A gestão em nuvem deixou de ser, há muito tempo, uma tendência, e se tornou uma necessidade das organizações. Desta forma, é fundamental que invistam na adequação da estrutura, acompanhando a evolução tecnológica, mas simultaneamente também prezem por iniciativas de conscientização com o time, por meio de ações de treinamento, workshops, palestras, vídeos informativos entre outros recursos.

À medida que a transformação digital avança, as empresas que já utilizam o sistema em cloud estarão à frente nessa jornada. A nuvem, sem dúvidas, é uma alternativa segura e eficiente para atravessar esse cenário, mas garantir sua segurança vai além do que aplicativos de proteção, e envolve aqueles que continuam sendo o centro de toda revolução tecnológica: as pessoas. 



Eliezer Moreira - sócio-diretor de Data Center na SPS Group.
SPS Group


Vilanizar a pejotização é ignorar o peso da carga tributária

Thinkstock
“Como uma empresa de pequeno porte consegue competir, sustentar-se e sobreviver diante de encargos trabalhistas excessivos? É inconcebível!”

 

Parece uma anedota: quase diariamente nos deparamos com mais notícias negativas em relação à economia e ao trabalho no Brasil, mas é a realidade estampada por todos os lados. Para os empresários, a cada medida, surge uma surpresa desagradável e muita insegurança; para os trabalhadores, a incerteza.

Insisto em dizer que as pautas debatidas no Congresso se interligam e, juntas, têm impactado negativamente a economia e o desenvolvimento do País. Como é o caso da pejotização, que agora foi suspensa, temporariamente, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que alega que o tema está gerando um aumento de processos no STF.

Vejo a pejotização como uma oportunidade para o trabalhador brasileiro. Tem sido cada vez mais comum profissionais serem contratados por empresas, via regime PJ. E isso tem acontecido porque a carga tributária sobre a folha de pagamento é absurdamente elevada.

Segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os encargos trabalhistas, com apenas um funcionário, correspondem a até 183% do salário bruto do profissional. Agora, imagine uma empresa que tenha em sua folha de pagamentos, por exemplo, 30 funcionários CLT.

Os encargos sociais e obrigações trabalhistas são compostos por férias (fração de 11,11%), 13º salário (fração de 8,33%), FGTS (8%), INSS (20%), sem contar os contratos de trabalho que contêm adicional de insalubridade, noturno e de periculosidade, além dos custos relacionados a outros benefícios oferecidos pelas empresas.

Como advogado tributarista, questiono: como uma empresa de pequeno porte consegue competir, sustentar-se e sobreviver diante de encargos trabalhistas excessivos? É inconcebível!

É muito simples entender a lógica da pejotização. As pessoas precisam trabalhar, as empresas não têm caixa suficiente para arcar com esses encargos trabalhistas, embora necessitem da mão de obra. E qual é a solução? Pejotizar.

Muitos trabalhadores preferem atuar nessa modalidade de contratação, pois recebem seus proventos sem descontos e, com isso, podem até negociar valores de remuneração maiores com o contratante, uma vez que essas empresas não terão que arcar com o alto custo da folha de pagamentos. Sendo assim, a margem de ganho para o profissional é maior e as despesas da empresa menores.

Aqui, quero destacar outro ponto crucial da pejotização: o Simples Nacional. Com a Reforma Tributária e a possível exclusão do Simples Nacional, muitos desses profissionais serão prejudicados e terão que arcar com encargos maiores. O que pode acarretar o aumento do desemprego e a informalidade no Brasil. Afinal, sem o Simples Nacional, esses trabalhadores não conseguirão sustentar uma tributação equivalente a uma empresa com um faturamento maior.

Com isso, a grande conquista do Simples Nacional, uma oportunidade que o regime tributário do Microempreendedor Individual (MEI) trouxe para sociedade, pode extinguir-se. Reformas estruturais são urgentemente necessárias. O poder público simplesmente cria e dita regras sem sequer conhecer a fundo a realidade do funcionamento dos processos na prática.

A pejotização para os pequenos não existe por serem hipossuficientes, já para aqueles que têm uma renda maior, por serem hipersuficientes, diminui a informalidade, garantindo que as pessoas sigam trabalhando formalmente e gerando receita para si e para o crescimento econômico do Brasil. 



Roberto Mateus Ordine
Advogado e presidente da ACSP

Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/vilanizar-a-pejotizacao-e-ignorar-o-peso-da-carga-tributaria

 

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio


Justiça para quem não teve perspectiva: o que é a perda de chance no Direito Médico?

Imagine alguém que procura ajuda médica por sentir que algo não está bem. Recebe um diagnóstico genérico: estresse, cansaço, ansiedade. Volta para casa tentando acreditar que é apenas isso. O tempo passa, os sintomas se intensificam, e só meses depois descobre-se algo muito mais grave — um câncer, por exemplo — já em estágio avançado, com chances de cura severamente reduzidas. Situações assim se repetem em consultórios, hospitais e serviços de emergência por todo o país. 

É nesse contexto que surge uma das teses jurídicas mais sensíveis e relevantes do direito médico: a perda de uma chance. 

Essa teoria representa a ideia de que, por falha na conduta do profissional de saúde ou da instituição hospitalar, o paciente foi privado da oportunidade real de alcançar um desfecho melhor — seja a cura, uma sobrevida maior, uma melhora significativa no quadro clínico ou até mesmo a chance de evitar sequelas. O que a Justiça reconhece aqui não é a certeza do que teria acontecido, mas sim a probabilidade concreta e razoável de que o paciente teria uma perspectiva mais favorável se tivesse recebido o atendimento correto no momento adequado. E perder essa possibilidade, por si só, já é um dano. 

No campo médico, essa teoria se aplica com especial força justamente porque muitas vezes não é possível afirmar com exatidão qual teria sido o resultado ideal. Busca-se, portanto, proteger o paciente contra o apagamento dessa chance — contra o fato de que o tempo, que poderia ter sido decisivo, foi negligenciado. Exames que não foram solicitados, encaminhamentos que não aconteceram, sinais clínicos ignorados ou mal interpretados. Tudo isso pode representar a perda de uma chance real de cura ou de controle da doença. 

É importante diferenciar essa situação do chamado “erro médico clássico” — aquele em que a conduta do profissional resulta diretamente no dano. Na perda de uma chance, a lógica é diferente: o que se questiona não é a certeza do nexo entre a falha e o resultado final, mas sim a supressão de uma possibilidade real de um desfecho melhor. Trata-se de proteger aquilo que foi impedido de acontecer, não apenas aquilo que efetivamente ocorreu. 

O Poder Judiciário já reconhece essa tese em diversas decisões. Tribunais têm entendido que, quando um paciente é privado de uma chance real por conduta médica inadequada, há dever de indenizar. Nessas situações, não se exige a prova absoluta do que teria ocorrido, mas sim a demonstração de que existia uma expectativa concreta e plausível de um resultado diferente. A prova pericial é essencial nesses processos, pois é ela que permite medir o grau dessa chance perdida e a extensão do dano. 

Do ponto de vista prático, quem vivencia uma situação semelhante — ou tem alguém próximo nessa condição — precisa agir com atenção. É fundamental preservar toda a documentação médica: receitas, laudos, prontuários, registros de consultas e exames. Ter uma linha do tempo clara dos acontecimentos também ajuda: quando surgiram os sintomas, quando o atendimento foi procurado, o que foi dito, o que deixou de ser feito. E, acima de tudo, é essencial procurar um advogado com experiência em direito médico, que possa avaliar com sensibilidade e técnica se o caso configura uma perda de chance juridicamente reconhecível. 

Muitos pacientes e familiares ainda têm receio de judicializar esse tipo de situação — seja por não quererem confrontar o sistema de saúde, seja por estarem emocionalmente abalados. No entanto, é importante compreender que buscar justiça não é vingança. Não se trata de transformar dor em lucro, mas sim de garantir dignidade à dor vivida, responsabilizar falhas que não podem se repetir e dar voz a quem foi silenciado por omissões inaceitáveis. 

Há situações que ajudam a ilustrar como a perda de uma chance pode ser reconhecida juridicamente. Imagine, por exemplo, uma paciente que chega ao hospital com sintomas típicos de infarto, mas não é encaminhada para atendimento especializado e é liberada sem exames. Horas depois, ela vem a óbito. Ainda que não se possa afirmar com certeza que ela sobreviveria com o cuidado adequado, é possível sustentar que foi privada da chance de lutar por sua vida — e essa oportunidade perdida tem valor jurídico.

 Em outro caso, uma criança dá entrada no pronto-socorro com sintomas que poderiam indicar meningite, mas o caso é tratado como uma gripe comum. O diagnóstico correto é retardado, comprometendo o tratamento. Se houver elementos que demonstrem que a intervenção precoce aumentaria significativamente suas chances de recuperação, a ausência dessa intervenção pode configurar perda de uma chance. 

Esses exemplos mostram que o Judiciário pode, de forma fundamentada, reconhecer que houve supressão concreta da oportunidade de um desfecho melhor, mesmo que o resultado final permaneça incerto. 

A perda de uma chance, portanto, é uma forma de a Justiça reconhecer que nem sempre a vida segue o curso que era possível, e que há dores que não podem ser ignoradas só porque o futuro é incerto. No campo da saúde, tempo e atenção salvam vidas — ou podem tirá-las. E quando a conduta médica retira do paciente a oportunidade de tentar, lutar ou escolher, há um desequilíbrio que precisa ser reparado. 

Buscar reparação nesses casos é um passo duro, mas necessário. Não para reescrever o passado, mas para fazer com que ele seja ouvido. Porque, em última análise, a perda de uma chance é também a perda de um direito fundamental: o direito de viver com dignidade, sendo tratado com respeito, atenção e responsabilidade.

 

José dos Santos Santana Jr. - advogado especialista em Direito Empresarial e da Saúde e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados

 

Nova chance: estudantes com nota igual ou menor de 5 fazem prova de recuperação do 1º semestre hoje (6)

 

Avaliações vão substituir a menor média no boletim em todas as disciplinas do Currículo Paulista, além dos itinerários formativos do Ensino Médio técnico e profissional

 

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) aplica, nesta quarta (6) e quinta-feira (7), as provas de recuperação do 1º semestre de 2025. As unidades têm autonomia para organizar as datas por ano e série. Podem participar alunos do 4º ano do Ensino Fundamental à 3ª série do Ensino Médio com notas iguais ou menores de cinco nos dois primeiros bimestres letivos. Caso haja necessidade, a Seduc-SP definiu para sexta-feira (8) a data de repescagem em toda rede.

 

As avaliações vão substituir a menor nota no boletim do 1º semestre em todas as disciplinas do Currículo Paulista, além dos itinerários formativos do Ensino Médio técnico e profissional. Serão ao todo 15 questões de língua portuguesa e matemática e 10 questões para os demais componentes.

 

Após o recesso escolar, entre 23 de julho e 5 de agosto, as escolas organizaram atividades de aprofundamento. Durante o período, o foco das aulas foi na revisão de conceitos fundamentais e na aplicação de estratégias didáticas que promovam uma melhor compreensão dos conteúdos previstos para o 1º semestre.

 

Além dos estudantes com média igual ou menor de cinco, todos os alunos dos anos e séries, mesmo com notas acima de cinco, podem fazer as provas de recuperação e serão beneficiados com as atualizações do boletim escolar.

 

Para o 2º semestre, as aulas preparatórias estão previstas para o período entre 24 de novembro e 5 de dezembro. As provas serão nos dias 8 e 9 de dezembro — a repescagem no dia 10 de dezembro. 

 

Segundo ano da iniciativa 


A recuperação foi aplicada pela primeira vez em agosto de 2024 com foco na recomposição da aprendizagem antes do início dos dois bimestrais finais do ano letivo. No ano passado, após as provas, 297,5 mil alunos melhoraram notas na recuperação do 1º semestre. A disciplina com melhor índice de acertos nas provas foi a de geografia, seguida por sociologia. No total, 857 mil estudantes participaram das provas de recuperação. Desses, 34,7% dos estudantes avaliados garantiram a melhor nota em ao menos uma disciplina entre todas as do Currículo Paulista.


terça-feira, 5 de agosto de 2025

Adiar a cirurgia de catarata desequilibra o metabolismo

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Pesquisa revela que o aumento da produção de melatonina após a cirurgia melhora de várias condições. Entenda. 

 

A doença que mais cresce no Brasil e no mundo é a catarata, opacificação do cristalino que tem como maior causa o envelhecimento. Se você já passou dos 60, cansou de trocar os óculos, tem dificuldade de dirigir contra o sol e insiste em adiar a cirurgia de catarata, saiba que pode estar cavando a síndrome metabólica que pode lhe trazer complicações como infarto ou AVC (Acidente Vascular Cerebral), doenças que chegam sem fazer qualquer alarde. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier que também é membro do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) e da ASCRS (American Society of Cataract and Refractive Surgery) a síndrome metabólica não tem sintomas óbvios. É caracterizada por, pelo menos, três dessas alterações:

  • Hipertensão arterial – acima de 13/8 mm/Hg;
  • Acúmulo de gordura na barriga;
  • Triglicerídeos acima de 150 mg/dl
  • Glicemia acima de 100mg/dl ou diagnóstico de diabetes;
  • Colesterol HDL abaixo de 40 mg/dl em homens e 50mg/dl em mulheres

Uma evidência disso foi revelada em pesquisa publicada no JAMA Ophthalmology por pesquisadores da Nara Medical Scholl of Medicine (Japão) sobre os efeitos da cirurgia de catarata na saúde.

 

A pesquisa

A pesquisa reuniu 169 pacientes do hospital universitário NARA com diagnóstico de catarata, opacificação do cristalino, e sem outras doenças nos olhos. Dos participantes, 97 eram homens e 72 mulheres com idade média de 75 anos. Parte passou pela cirurgia de catarata e parte formou um grupo de controle. Todos foram acompanhados durante 3 meses após a cirurgia de catarata e submetidos à coleta diária de urina pela manhã, para avaliar a concentração de melatonina. 

Os pesquisadores observaram que o grupo operado da catarata apresentou concentração bem mais elevada de melatonina na urina que o grupo controle. Por isso concluíram que a maior entrada de luz nos olhos após a cirurgia de catarata, aumenta a produção da melatonina, hormônio indutor do sono. 

Queiroz Neto explica que a melatonina é um hormônio indutor do sono que alinha nossas funções biológicas no período de 24 horas, conhecidas por ciclo circadiano. “A falta deste hormônio faz pessoas com mais de 60 anos perderem o sono conforme o cristalino vai ficando opaco pela catarata”, pontua. O especialista esclarece que a produção da melatonina depende de dois fatores: Ambiente escuro durante a noite e quantidade de luz azul que penetra nos olhos durante o dia para estimular as células ganglionares da retina a produzirem um pigmento chamado melanopsina. 

Por isso, trocar o dia pela noite e usar o celular que emite luz azul antes de dormir provoca queda na produção deste hormônio. Já quem adia a cirurgia de catarata e recorre às cápsulas de melatonina pode até dormir, mas desequilibra o organismo e corre maior risco na cirurgia, por causa do enrijecimento do cristalino.

 

Efeito cascata

Queiroz Neto ressalta que por ser essencial à indução ao sono, a melatonina tem importante papel no combate à depressão. Também tem ação antioxidante, além de regular a produção do cortisol, adrenalina e insulina. Por isso quando sua produção cai o resultado é a síndrome metabólica. A cirurgia de catarata, ressalta, é um procedimento indolor, feito com anestesia local e a recuperação é rápida. sempre feita primeiro em um olho e após uma semana no outro. O paciente deve usar rigorosamente os colírios indicados pelo cirurgião. Muitos já referem melhora no estado emocional após operar o primeiro olho. Isso porque, as cores ficam mais vibrantes e o qualidade de sono tem melhora imediata.

O oftalmologista afirma que tanto o cortisol quanto a adrenalina são hormônios responsáveis por nosso estado de vigília que atingem níveis elevados quando a melatonina é insuficiente. Já a insulina produzida pelo pâncreas, regula os níveis glicêmicos na corrente sanguínea e sofre queda quando a concentração de melatonina é menor. 

O excesso de cortisol, explica, predispõe ao ganho de peso e ao colesterol alto que altera os delicados vasos no fundo do olho, além de e dobra o risco de desenvolver a degeneração macular, maior causa de perda irrecuperável da visão caracterizada pela degradação da porção central da retina, responsável pela visão de detalhes. É também um dos principais fatores de risco do infarto e outras complicações cardíacas, salienta. 

Outro efeito do aumento do cortisol elencado por Queiroz Neto é a elevação da glicemia que também pode ser causada por uma deficiência da produção de insulina pelo pâncreas ou resistência das células à insulina, alterações que provocam o diabetes tipo 1 e tipo 2. Após 10 a 15 anos convivendo com o diabetes pode surgir a retinopatia diabética, importante causa de perda da visão, mesmo quando a glicemia é bem controlada. A boa notícia é que se a retinopatia for descoberta no início, dificilmente leva à perda da visão. O tratamento com aplicações de laser e injeções tem alcançado bons resultados quando o diagnóstico acontece no início. Portanto, todo diabético deve consultar o oftalmologista anualmente e até em períodos menores conforme indicação médica. 

O especialista explica que a adrenalina ou hormônio do estresse em alto nível acelera o coração, aumenta a pressão arterial e o risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral). A hipertensão arterial força o sistema cardíaco, pode causar alteração na retina e rins. Todas estas alterações podem ser detectadas por exame de fundo de olho periódico. Prevenir é melhor que remediar, finaliza.

 

Quando a dieta vira armadilha: os perigos por trás da restrição alimentar sem orientação

Reprodução internet
Entre riscos invisíveis e promessas de percas de peso velozes, modismos alimentares acendem alerta sobre saúde física e mental

 

Em tempos de redes sociais, em que a estética funciona como critério de aceitação, estar fora do ideal estético virou motivo de incômodo não só para mulheres como também para os homens. Cabelos perfeitos, dentes alinhadíssimos, pele impecável e corpos esculturais, esses são os requisitos indispensáveis para se enquadrar. Com isso, não faltam dietas que prometem emagrecimento imediato. O problema? Quando seguidas sem acompanhamento de um profissional, podem causar prejuízos reais à saúde física e mental.

A nutricionista Nathália Ribeiro Rodrigues explica que o pensamento ainda é errôneo em relação a como comer e emagrecer. “Muita gente acredita que comer menos leva a mais resultado. Mas esse tipo de prática ignora as particularidades de cada corpo e pode desencadear efeitos colaterais sérios, ainda que muitas vezes silenciosos”, alerta.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com excesso de peso e desse total, 650 milhões são consideradas obesas. Só no Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE) mostram que 60,3% da população adulta está com sobrepeso, um número que cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Diante desse cenário, é compreensível que o desejo por emagrecimento rápido alimente modismos, mas nem por isso deve ser normalizado.

Para a especialista, é preciso desmistificar a ideia de que saúde se resume à balança. “Dietas muito restritivas até podem apresentar perda de peso rápida no início, mas costumam ser insustentáveis e perigosas a médio e longo prazo. O corpo responde com queda de energia, desequilíbrio hormonal, prejuízos digestivos e até transtornos alimentares silenciosos”, explica.

Entre os modismos mais nocivos, Nathalia cita as dietas de jejum prolongado sem acompanhamento, protocolos cetogênicos adotados por conta própria, detox com base apenas em líquidos e o consumo exagerado de suplementos sem prescrição. “O maior problema está na forma como a dieta é seguida. Executá-las sem qualquer orientação profissional e o maior risco”, afirma.

Divulgação

 

 Riscos físicos de dietas sem orientação

Deficiências nutricionais: Dietas que eliminam grupos alimentares como carboidratos, gorduras ou legumes podem causar carência de vitaminas, minerais e proteínas, resultando em anemia, fraqueza, queda de cabelo e unhas frágeis.

Metabolismo desacelerado e efeito sanfona: A restrição calórica intensa ativa respostas adaptativas do corpo, reduzindo a taxa metabólica basal. Isso torna a manutenção da perda de peso difícil, e favorece o reganho, muitas vezes com mais massa do que antes.

Perda de massa magra e comprometimento de funções físicas: O consumo reduzido de nutrientes e energia enfraquece músculos e impacto em atividades diárias.

Compulsão alimentar e transtornos: Dietas rígidas tendem a gerar ansiedade, frustração e episódios de compulsão. Não é raro que pessoas desenvolvam anorexia, bulimia ou comportamentos alimentares disfuncionais como resposta à privação.

Sintomas psicológicos: Isolamento, culpa e insatisfação corporal são comuns entre quem segue regimes rígidos. Estudos apontam aumento da irritabilidade, depressão e ansiedade, particularmente entre quem não tem suporte profissional.

 

O que realmente funciona: escolhas consistentes, não extremas

A busca por um corpo saudável não precisa (nem deve) passar por sofrimento. O segredo está na constância e não na privação. Nathalia orienta que um plano alimentar eficaz deve considerar:

Realidade individual: rotina, metabolismo, histórico de saúde e preferências;

Equilíbrio nutricional: carboidratos, proteínas e gorduras boas em proporções ajustadas;

Alimentação com prazer: comer bem não é comer pouco e sim comer certo;

Hidratação, sono e atividade física: emagrecimento não depende só do prato.

Nathalia reforça ainda que não existe fórmula mágica. “O processo é pessoal, progressivo e, acima de tudo, sustentável. Quando o emagrecimento respeita o corpo, ele acontece com saúde e permanece”, conclui.




Nathalia Maria Ribeiro Rodrigues - nutricionista clínica formada pela PUC Goiás, atua com foco em nutrição funcional, emagrecimento, nutrição estética e esportiva. Possui formação internacional como Coach em Nutrição Esportiva pela Link Education (EUA). Com abordagem integrativa e individualizada, acompanha pacientes com foco em resultados sustentáveis e melhora da qualidade de vida.


Dia Nacional da Saúde: conheça 5 sinais e sintomas do câncer em crianças e adolescentes

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Em 5 de agosto, é celebrado o Dia Nacional da Saúde. Aproveite a data para observar se o seu filho apresenta sinais e sintomas que possam indicar tumores. Afinal, quando se trata de crianças e adolescentes, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e é a chave para um tratamento menos agressivo e mais eficaz. 

Diferentemente do adulto, para o qual a adoção de hábitos saudáveis e a não exposição a agentes cancerígenos (radiação solar, substâncias químicas, poluição) diminuem o risco de desenvolvimento do câncer, os tumores infantis raramente são ligados a estilo de vida e fatores ambientais. Dessa forma, de modo geral, não há como prevenir a doença, mas sim detectá-la logo no início. 

Muitos sinais e sintomas das neoplasias infantis são semelhantes aos de doenças comuns da infância. Por isso, os pais devem ficar atentos a mudanças de comportamento nas crianças e a possíveis indícios de tumores. Em caso de suspeita, devem levar o filho a um pediatra, que irá avaliar a necessidade de encaminhá-lo a um oncologista”, explica Dr.ª Monica Cypriano, diretora médica assistencial do Hospital do GRAACC, referência no tratamento do Câncer Infantil, especialmente os de alta complexidade..

Estes são os principais sinais e sintomas do câncer infantojuvenil:

1. Febre persistente

Aumento da temperatura corporal sem causa aparente e que não melhora mesmo com a prescrição de antibióticos ou outros medicamentos

2. Dor de cabeça persistente

A dor pode ser noturna, forte a ponto de acordar a criança, ou aparecer de manhã, ao se levantar, ou mesmo ser acompanhada de vômito ou de sinais neurológicos.

3. Distúrbios visuais

Inchaço em um dos olhos, olho torto ou estrabismo. Verifique, também, se aparece um reflexo branco no olho da criança em fotografias tiradas com flash.

4. Dor óssea persistente

Com duração de mais de um mês, a dor nos ossos tem aumento progressivo. Também é importante observar a ocorrência de dor ou inchaço nas articulações sem causa conhecida.

5. Alterações na aparência

Preste atenção a estes sinais: gânglios aumentados (ínguas) por período superior a três semanas; inchaço nas gengivas, amolecimento repentino dos dentes com perda dentária anormal para a idade; aumento do tamanho de um ou dos dois testículos; barriga inchada ou endurecida; perda de peso recente ou manchas roxas na pele sem causa conhecida; aparecimento de inchaço, nódulo, “bola” em alguma parte do corpo sem relação com trauma; e desenvolvimento puberal muito adiantado para a idade 

Outros sinais e sintomas são convulsão sem febre; fraqueza ou paralisia de um lado do rosto ou corpo; falta de ar sem histórico de febre, asma ou alergia; presença de sangue na urina e pressão alta. 



Hospital do GRAACC


Morte encefálica não é coma: entenda o diagnóstico e por que ele é essencial para a doação de órgãos

 

Tomografia de cerebro normal

Embora muitas vezes confundida com o coma, a morte encefálica é uma condição distinta, definitiva e legalmente reconhecida como morte. O esclarecimento sobre esse tema é essencial, principalmente quando se trata da doação de órgãos, já que é nesse estado e somente nele, que a doação de múltiplos órgãos se torna possível. Este texto busca explicar, de forma clara e embasada em dados oficiais, o que é a morte encefálica, como ela é diagnosticada, por que ela não é sinônimo de coma e por que a compreensão dessa diferença pode salvar vidas.

 

O que é a morte encefálica e por que ela não é coma? 

A morte encefálica é a perda completa e irreversível das funções do cérebro e do tronco encefálico. Isso significa que o paciente não tem mais reflexos neurológicos, não reage a estímulos e, principalmente, não consegue respirar por conta própria. Mesmo com a aparência de um corpo ainda aquecido, com batimentos cardíacos e ventilação mecânica, o indivíduo está clinicamente e legalmente morto.

Já o coma é um estado de inconsciência profunda, mas com possibilidade de reversão. No coma, o cérebro ainda apresenta algum nível de atividade e funções vitais, o que significa que o paciente pode despertar ou evoluir para diferentes estágios, dependendo da causa e da extensão da lesão. Na morte encefálica, não há retorno. O cérebro já não exerce nenhuma de suas funções, e os exames comprovam isso de forma objetiva.

 

Como é feito o diagnóstico de morte encefálica? 

 

Tomografia de cerebro em morte encefálica


No Brasil, o diagnóstico segue critérios rigorosos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina por meio da Resolução CFM nº 2.173, de 2017, e também pela legislação federal, através da Lei nº 9.434, de 1997, regulamentada pelo Decreto nº 9.175, de 2017.

Para que a morte encefálica seja confirmada, é necessário cumprir três etapas fundamentais:

  1. Avaliação clínica detalhada, realizada por dois médicos diferentes, sem relação com a equipe de transplantes, com especialidade em neurologia ou neurocirurgia. Essa avaliação confirma a ausência de reflexos do tronco encefálico, como a resposta das pupilas à luz, movimentos oculares, reflexo de tosse, entre outros. 
  1. Teste de apneia, que verifica se o paciente tem capacidade de respirar de forma espontânea. Com a suspensão da ventilação mecânica, se não houver esforço respiratório e o nível de gás carbônico ultrapassar um valor crítico sem que a respiração retorne, o teste é considerado positivo para morte encefálica. 
  1. Exame complementar obrigatório, como eletroencefalograma (que identifica atividade elétrica cerebral), Doppler transcraniano (que avalia fluxo sanguíneo cerebral), cintilografia ou arteriografia cerebral. Todos têm como objetivo comprovar, por vias técnicas, que não há mais funcionamento cerebral.

Esses exames devem ser realizados com intervalo mínimo de tempo entre as avaliações, respeitando a idade do paciente e as normas da resolução. Só após a conclusão de todas essas etapas é emitido o Termo de Declaração de Morte Encefálica, documento legal que atesta o óbito.


Por que ainda existe confusão com o coma?

A confusão entre coma e morte encefálica é comum, especialmente entre familiares que veem o paciente com sinais vitais mantidos artificialmente. O fato de o corpo estar aquecido e de os aparelhos indicarem batimentos cardíacos e respiração, mesmo que induzidos, contribui para a falsa impressão de que o paciente está vivo e pode melhorar. Parte dessa percepção se dá porque, cultural e biologicamente, o batimento do coração é associado à vida, é um dos sinais mais visíveis e emocionais de que alguém ainda está ali. Soma-se a isso o apego, a esperança e o desejo de recuperação, que são absolutamente humanos.

No entanto, essa sensação é ilusória: o funcionamento cardíaco só persiste graças ao suporte contínuo de aparelhos. Sem eles, o corpo não manteria sozinho nenhuma função vital. A ausência total de atividade cerebral, comprovada por exames e protocolos médicos rigorosos, é o que determina a morte encefálica. Portanto, embora os sinais vitais artificiais transmitam a ideia de vida, a realidade neurológica e legal é de morte completa e irreversível. "Sabemos que esse é um dos momentos mais difíceis para qualquer família. Ver um corpo ainda aquecido, com o coração batendo, traz a sensação de que existe alguma chance. Mas é justamente nesse instante tão doloroso que a medicina precisa entrar com clareza e empatia. A morte encefálica é irreversível, e quando bem compreendida, pode transformar essa dor imensa em um gesto de amor ao próximo. É quando a vida, mesmo na ausência, pode continuar por meio da doação de órgãos”, explica o neurocirurgião Dr. Denildo Veríssimo.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 20% da população brasileira compreende corretamente o que é a morte encefálica. Essa desinformação pode gerar angústia, resistência à doação de órgãos e dificuldade de aceitação por parte da família. Em muitos casos, a recusa familiar é o maior obstáculo para a efetivação da doação, mesmo após o diagnóstico técnico e legal de morte.


Morte encefálica e a doação de órgãos

A morte encefálica é a única situação em que a doação de múltiplos órgãos, como coração, fígado, rins, pâncreas e pulmões é viável. Isso porque os órgãos continuam irrigados e oxigenados por um curto período, graças ao suporte da ventilação mecânica e dos cuidados intensivos.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 5.800 notificações de morte encefálica em 2021, das quais 1.451 resultaram em doadores efetivos. No entanto, o índice de recusa familiar ultrapassa 40%, o que limita o potencial de salvar vidas por meio da doação. Compreender que a morte encefálica é, de fato, morte e não uma etapa do coma, é fundamental para a tomada de decisão consciente e solidária.


A importância da informação clara e técnica

O diagnóstico de morte encefálica é feito com base em protocolos científicos, éticos e legais. Todos os profissionais envolvidos são treinados e agem com responsabilidade e empatia. Não há espaço para erro ou precipitação. A confiança nesse processo deve ser reforçada com informação de qualidade, para que famílias estejam preparadas para lidar com essa realidade de forma serena e consciente.

Mais do que um dado técnico, a morte encefálica é um momento delicado que exige acolhimento, escuta e informação. E, quando compreendida com clareza, pode se transformar em uma oportunidade de continuidade de vida para outras pessoas. 



Dr. Denildo Veríssimo - Com uma carreira que combina excelência técnica, paixão pela ciência e um compromisso inegociável com o cuidado humanizado, o Dr. Denildo Veríssimo representa uma nova geração de médicos que enxergam além do bisturi. Sua atuação é guiada pelo conhecimento, mas também pela empatia, pelo desejo de aliviar a dor — física e emocional — e pela certeza de que cada paciente carrega uma história única. Em sua rotina entre centros cirúrgicos, consultórios e salas de aula, ele equilibra precisão técnica com escuta ativa, conectando ciência e propósito em cada decisão clínica. Para ele, Medicina não é apenas diagnóstico ou procedimento — é presença, responsabilidade e respeito. Em um cenário cada vez mais tecnológico e acelerado, Dr. Denildo reforça, com exemplo diário, que o toque humano continua sendo o maior diferencial da medicina. E que a verdadeira transformação acontece quando o saber se alinha com a sensibilidade.
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Violência contra médicos: a face mais cruel do colapso na saúde

Opinião

 

A Medicina é, por definição, um ofício a serviço da vida. Amparada pelo Código de Ética Médica, exige dedicação, zelo máximo pelo paciente e autonomia para agir conforme a ciência e a consciência. Não há espaço para descuido. Apenas para a entrega diária em prol da saúde. Para isso, os profissionais precisam de condições adequadas, remuneração justa e respeito, inclusive o direito de recusar situações que coloquem em risco sua integridade ou a dos pacientes. 

Essa premissa, porém, tem sido sistematicamente violada. Nas últimas décadas, a saúde pública no Brasil vem se deteriorando: subfinanciamento crônico, falta de planejamento e ineficiência transformaram hospitais e unidades básicas em cenários de caos. Embora a Constituição garanta saúde como direito de todos e dever do Estado, a população não tem suas necessidades atendidas e, em desespero, reage — muitas vezes de forma violenta — contra os próprios profissionais que sustentam o sistema com sacrifícios pessoais. 

Médicos, enfermeiros e técnicos enfrentam jornadas extenuantes, sobrecarga e falta de recursos em ambientes degradados. Além dessas condições, encaram uma escalada inadmissível de violência: agressões físicas, insultos, ameaças e até homicídios. Um levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) revela uma ferida aberta: todos os dias, 12 médicos, em média, são vítimas de algum tipo de violência no Brasil. 

É fundamental compreender que os médicos não são culpados pelo colapso do sistema. São, junto aos pacientes, as maiores vítimas dele. Atacar profissionais da saúde apenas agrava o sofrimento coletivo e ameaça o pouco que ainda funciona. Combater a violência é tão urgente quanto exigir políticas públicas eficazes, investimentos adequados e condições dignas para todos. 

As entidades médicas — Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Sindicato Médico do RS (SIMERS), Conselho Regional de Medicina do RS (CREMERS) e CFM — têm atuado de forma incansável e vigilante diante dessa “idiossincrasia social”: os efeitos perversos da incapacidade do Estado em oferecer condições para que os profissionais cumpram sua missão com qualidade e dignidade. Nesse contexto, a criação do Observatório de Combate à Violência contra Profissionais de Saúde, junto à Secretaria de Segurança Pública do RS, é um passo importante. A iniciativa visa gerar dados concretos e promover ações para enfrentar essa grave ameaça às relações entre médicos e pacientes. 

É hora de devolver aos médicos e aos demais profissionais da saúde o respeito, a proteção e o reconhecimento que lhes são devidos. Porque cuidar de quem cuida de nós é também uma forma de salvar vidas.

  

Dr. Ricardo Moreira Martins - Diretor do Exercício Profissional da AMRIGS

Dr. Carlos Humberto Ceresér - Membro do Conselho de Representantes da AMRIGS

 

A amamentação é desafiadora, mas pode ser tranquila com apoio e orientação profissional


Fissura, dor no seio, desconforto, noites mal dormidas; mães em
amamentação precisam de orientação profissional e apoio emocional da família. 
Shutterstock

Fissuras, dor no seio, noites mal dormidas, falta de apoio emocional estão entre os obstáculos que as mães passam na amamentação

 

 

O Agosto Dourado é o mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação. Todos os anos, fala-se muito dos benefícios do leite materno, da nutrição ideal que oferece ao bebê e da conexão emocional com a mãe. Mas o que pouco se comenta, e precisa ser dito, são os desafios reais e, muitas vezes, dolorosos enfrentados por quem amamenta. 

Fissuras, dor, ingurgitamento, pega incorreta, noites mal dormidas e falta de apoio emocional estão entre os obstáculos que muitas mães enfrentam silenciosamente, enquanto tentam manter a amamentação. 

“A dor ao amamentar, principalmente no início, não é rara. Fissuras nos mamilos podem surgir quando a pega não está correta, e isso compromete não só a saúde física, mas também o emocional da mulher”, alerta a mastologista Alessandra Amatuzzi, do CDM - Centro de Doenças da Mama, no Eco Medical Center. 

Ela explica que a prevenção e o conhecimento são as melhores maneiras de evitar os desconfortos. As dicas são: hidratar as mamas, evitando cremes na aréola e mamilo, usar um sutiã adequado para amamentação, que não aperte ou machuque as mamas e tenha boa sustentação, aplicar o próprio leite nos mamilos antes e após a mamada, permitir que as mamas sequem ao ar livre e, principalmente, garantir que o bebê abocanhe não só o mamilo, mas a aréola toda. “Corrigir a pega é mais eficaz do que apenas usar pomadas. Isso trata a causa e evita que a dor volte”, reforça. 

O leite materno é uma das melhores formas de tratar as fissuras, pois conforme a dermatologista Gisele Keiko Machado Shimizu, ele tem efeito cicatrizante, hidrata e combate bactérias. Pomadas com lanolina pura são úteis nas fissuras mais profundas. Não há necessidade de remover a pomada para amamentar. 

Em casos de muita dor, inchaço ou vermelhidão, diz Gisele, podem ser necessárias medicações via oral, tópicas e a terapia com luz local. Não devem ser usadas pomadas com corticoides, perfumes ou álcool.

 

Conchas e bicos de silicone

O uso de conchas e bicos de silicone, embora populares, requer orientação. “As conchas ajudam o mamilo a não encostar na roupa durante o processo de cicatrização. E os bicos podem ajudar na pega, principalmente nas mulheres com mamilos planos ou invertidos. Mas se mal utilizados, podem criar um ambiente úmido que favorece fungos (cândida mamária) e infecções (mastite). Ambos devem ser lavados com sabão e higienizados a cada amamentação”, destaca a mastologista. 

Nunca se aconselha o desmame total por dor ou fissura. O aconselhado é adaptar e manter a amamentação com uma das mamas enquanto a outra cicatriza. 

Não há nada que possa ser feito na gravidez para “fortalecer” a pele e o mamilo, muito menos para “treinar” ou estimular os bicos, como as duchas que antigamente eram indicadas, ou os banhos quentes, demorados e com sabonetes agressivos, orienta a dermatologista. As próprias mudanças hormonais da gestação já preparam o mamilo, aumentando a elasticidade e lubrificação naturalmente.

 

Leite materno: melhor alimento

A nutricionista materno-infantil Sarina Giongo também enfatiza os mitos que atrapalham esse processo. 

“É comum ouvirmos que leite fraco existe, que o seio pequeno produz pouco leite, que bebê que mama muito chora por fome ou que mulher com mamilo invertido não consegue amamentar. Nada disso é verdade. Tudo isso desinforma e desmotiva. Cada mãe deve ser acolhida e orientada corretamente”, defende. 

Mesmo diante da dor e das dúvidas, os benefícios da amamentação continuam sendo vastos, tanto para o bebê quanto para a mãe. “O leite materno é riquíssimo em fatores imunológicos. Ele protege contra infecções e diarreias, reduz o risco de obesidade, diabetes e alergias. É um alimento completo para os bebês e ainda contribui para o desenvolvimento emocional do bebê, graças ao contato visual e afetivo com a mãe”, explica Sarina. 

A pediatra Alessandra Vieira, do Eco Medical Center, complementa que os impactos positivos se estendem por toda a infância, até para a vida adulta. 

“Crianças amamentadas têm menos infecções respiratórias e diarreias, menor risco de alergias e um desenvolvimento cognitivo mais robusto. O contato pele a pele na primeira hora de vida (golden hour), por exemplo, melhora o desenvolvimento da fala, da respiração e até a regulação emocional do bebê”, afirma.

 

45% dos bebês são amamentados nos 6 primeiros meses

Os dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), divulgados em 2023, mostram que 45,8% dos bebês brasileiros com menos de seis meses são amamentados exclusivamente. A meta da OMS é atingir 50% até 2025 e 70% até 2030. A amamentação, segundo o Ministério da Saúde, deve ser exclusiva até os 6 meses, e continuar até 2 anos ou mais, com alimentação complementar. 

Além dos benefícios ao bebê, a mãe também colhe frutos importantes. Segundo a nutricionista Sarina Giongo, amamentar contribui para a recuperação pós-parto, favorece a perda de peso, atua como método contraceptivo natural nos primeiros meses e reduz o risco de câncer de mama, útero e ovário, além de ser uma forma econômica de alimentar o bebê. 

A apojadura é o momento em que o leite “desce” e os seios ficam mais cheios, geralmente 2 a 5 dias após o parto. Isso pode causar ingurgitamento e desconforto. A forma correta de lidar: amamentar em livre demanda (a cada 2 a 3 horas ou quando o bebê sinaliza), usar compressas mornas antes da mamada, ordenhar um pouco antes se estiver muito cheio e manter técnicas de pega para esvaziar bem. 

Quando a mama não é esvaziada por algum motivo, há o acúmulo de leite e consequente ingurgitamento (empedramento) das mamas, que podem levar à infecção (mastite). Nestes casos, por mais dolorido que seja, é essencial esvaziar as mamas e usar um antibiótico se houver mastite, sob orientação médica. 

“Mas é essencial reforçar: não existe maternidade perfeita. O caminho da amamentação pode ser difícil, e está tudo bem pedir ajuda. Apoio familiar e orientação profissional fazem toda a diferença”, conclui a pediatra Alessandra Vieira. 


Eco Medical Center



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