“Como uma empresa de pequeno porte
consegue competir, sustentar-se e sobreviver diante de encargos trabalhistas
excessivos? É inconcebível!”
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Parece uma anedota: quase
diariamente nos deparamos com mais notícias negativas em relação à economia e
ao trabalho no Brasil, mas é a realidade estampada por todos os lados. Para os
empresários, a cada medida, surge uma surpresa desagradável e muita
insegurança; para os trabalhadores, a incerteza.
Insisto em dizer que as pautas
debatidas no Congresso se interligam e, juntas, têm impactado negativamente a
economia e o desenvolvimento do País. Como é o caso da pejotização, que agora
foi suspensa, temporariamente, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal,
Gilmar Mendes, que alega que o tema está gerando um aumento de processos no
STF.
Vejo a pejotização como uma
oportunidade para o trabalhador brasileiro. Tem sido cada vez mais comum
profissionais serem contratados por empresas, via regime PJ. E isso tem
acontecido porque a carga tributária sobre a folha de pagamento é absurdamente
elevada.
Segundo estudo realizado pela
Fundação Getúlio Vargas (FGV), os encargos trabalhistas, com apenas um
funcionário, correspondem a até 183% do salário bruto do profissional. Agora,
imagine uma empresa que tenha em sua folha de pagamentos, por exemplo, 30
funcionários CLT.
Os encargos sociais e
obrigações trabalhistas são compostos por férias (fração de 11,11%), 13º
salário (fração de 8,33%), FGTS (8%), INSS (20%), sem contar os contratos de
trabalho que contêm adicional de insalubridade, noturno e de periculosidade,
além dos custos relacionados a outros benefícios oferecidos pelas empresas.
Como advogado tributarista,
questiono: como uma empresa de pequeno porte consegue competir, sustentar-se e
sobreviver diante de encargos trabalhistas excessivos? É inconcebível!
É muito simples entender a
lógica da pejotização. As pessoas precisam trabalhar, as empresas não têm caixa
suficiente para arcar com esses encargos trabalhistas, embora necessitem da mão
de obra. E qual é a solução? Pejotizar.
Muitos trabalhadores preferem
atuar nessa modalidade de contratação, pois recebem seus proventos sem
descontos e, com isso, podem até negociar valores de remuneração maiores com o
contratante, uma vez que essas empresas não terão que arcar com o alto custo da
folha de pagamentos. Sendo assim, a margem de ganho para o profissional é maior
e as despesas da empresa menores.
Aqui, quero destacar outro
ponto crucial da pejotização: o Simples Nacional. Com a Reforma Tributária e a
possível exclusão do Simples Nacional, muitos desses profissionais serão
prejudicados e terão que arcar com encargos maiores. O que pode acarretar o
aumento do desemprego e a informalidade no Brasil. Afinal, sem o Simples
Nacional, esses trabalhadores não conseguirão sustentar uma tributação
equivalente a uma empresa com um faturamento maior.
Com isso, a grande conquista do
Simples Nacional, uma oportunidade que o regime tributário do Microempreendedor
Individual (MEI) trouxe para sociedade, pode extinguir-se. Reformas estruturais
são urgentemente necessárias. O poder público simplesmente cria e dita regras
sem sequer conhecer a fundo a realidade do funcionamento dos processos na
prática.
A pejotização para os pequenos não existe por serem hipossuficientes, já para aqueles que têm uma renda maior, por serem hipersuficientes, diminui a informalidade, garantindo que as pessoas sigam trabalhando formalmente e gerando receita para si e para o crescimento econômico do Brasil.
Roberto Mateus Ordine
Advogado e presidente da ACSP
Fonte: https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/vilanizar-a-pejotizacao-e-ignorar-o-peso-da-carga-tributaria
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