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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Vitamina D aumenta a chance de câncer de mama desaparecer com quimioterapia

Após 6 meses de tratamento oncológico e de suplementação,
  43% das participantes  que usaram a vitamina D tiveram o
 desaparecimento da doença com a quimioterapia, ante 24%
 das pacientes do grupo placebo
(
imagem: National Cancer Institute)
Em estudo realizado na Unesp de Botucatu com 80 mulheres acima dos 45 anos, suplementação com baixas doses da substância quase dobrou a resposta ao tratamento

 

Estudo conduzido na Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB-Unesp) mostrou que a suplementação de vitamina D em baixa dosagem pode aumentar a eficácia do tratamento quimioterápico em mulheres com câncer de mama. Com os resultados, a substância desponta como potencial alternativa para drogas de difícil acesso, cujo objetivo também é aumentar a resposta à quimioterapia.

Apoiada pela FAPESP, a pesquisa envolveu 80 mulheres com mais de 45 anos que iriam iniciar o tratamento no ambulatório de oncologia do Hospital das Clínicas da FMB-Unesp. Elas foram separadas em dois grupos: 40 delas tomaram 2.000 UI (unidades internacionais) de vitamina D por dia, enquanto as outras 40 receberam comprimidos placebo.

Após os seis meses de tratamento oncológico e de suplementação, 43% das participantes que usaram a vitamina D tiveram o desaparecimento da doença com a quimioterapia, contra 24% do grupo placebo. Todas as participantes do estudo realizaram a chamada quimioterapia neoadjuvante, quando o tratamento é utilizado para facilitar a cirurgia de retirada do tumor.

“Mesmo com uma amostra pequena de participantes, foi possível observar uma diferença expressiva na resposta à quimioterapia. Além disso, a dosagem usada na pesquisa [2.000 UI por dia] está muito abaixo da dose de ataque para a correção da deficiência de vitamina D, que costuma ser 50.000 UI por semana”, afirma Eduardo Carvalho-Pessoa, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional São Paulo e um dos autores do artigo publicado na revista Nutrition and Cancer.


Imunidade

A vitamina D é um hormônio que atua na absorção de cálcio e fósforo, sendo fundamental para a saúde óssea. Estudos recentes têm destacado que ela também desempenha um papel importante no sistema imunológico, ajudando a combater infecções e doenças como o câncer. No entanto, a maioria dos estudos que relacionam câncer e suplementação de vitamina D utilizou doses elevadas da substância.

A obtenção desse hormônio se dá, sobretudo, por meio da exposição à luz solar e da alimentação. A ingestão diária recomendada para quem não tem carência da vitamina é de 600 UI, enquanto pessoas idosas devem consumir 800 UI por dia. A Academia Americana de Pediatria recomenda 400 UI de vitamina D por dia para bebês. Vale lembrar que o excesso pode ser tóxico e causar vômito, fraqueza, além de dores ósseas e cálculo renal.

A maior parte das participantes do estudo tinha níveis baixos de vitamina D (menos de 20 nanogramas por mililitro de sangue – ng/mL). Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, o recomendado é entre 40 e 70 ng/mL. “Com a suplementação, os níveis aumentaram ao longo do tratamento quimioterápico, o que reforça uma possível contribuição na recuperação das pacientes”, conta à Agência FAPESP Carvalho-Pessoa. "A vitamina D é uma opção acessível e barata em comparação a outras drogas usadas para melhorar a resposta à quimioterapia, algumas delas nem incluídas no rol do Sistema Único de Saúde", acrescenta.

Para o pesquisador, os achados abrem caminho para uma investigação mais aprofundada sobre o papel auxiliar da substância na resposta ao tratamento oncológico. “São resultados animadores que justificam uma nova rodada de estudos com um número maior de participantes. Isso vai permitir um maior entendimento sobre o papel da vitamina D no aumento da resposta ao tratamento quimioterápico e, por consequência, na maior chance de remissão do câncer de mama”, conclui.

O artigo Vitamin D Supplementation Improves Pathological Complete Response in Breast Cancer Patients Undergoing Neoadjuvant Chemotherapy: A Randomized Clinical Trial pode ser lido em: www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/01635581.2025.2480854.

 

Maria Fernanda Ziegler

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/vitamina-d-aumenta-a-chance-de-cancer-de-mama-desaparecer-com-quimioterapia/54947


Dengue avança em São Paulo e acende alerta para prevenção no ano todo

Com a aproximação do inverno, infectologista reforça importância de manter os cuidados para evitar o mosquito transmissor  

 

A cidade de São Paulo enfrenta uma das piores epidemias de dengue dos últimos anos. Até 16 de maio de 2025, foram confirmados mais de 46 mil casos da doença na capital, segundo boletim da Secretaria Municipal da Saúde. A situação é considerada epidêmica, com 389,6 casos por 100 mil habitantes.
 
O número de óbitos também preocupa. Até o momento, 14 pessoas morreram em decorrência da dengue na capital paulista. Metade das vítimas tinha até 34 anos e nenhuma das crianças que morreram havia tomado a vacina Qdenga, disponível na rede pública e privada. Em relação a 2023, o crescimento de casos é de quase 370%.
 

Com a aproximação do inverno, o alerta continua. Mesmo em períodos mais frios, os ovos do mosquito Aedes aegypti podem permanecer viáveis por meses e eclodir quando as condições climáticas se tornam favoráveis. 

“A prevenção deve ser contínua. Mesmo fora do verão, é essencial eliminar focos de água parada e ficar atento aos sintomas”, alerta Luciana Campos, infectologista do Sabin Diagnóstico e Saúde. “O diagnóstico precoce é decisivo para o tratamento adequado, por isso a importância dos exames laboratoriais para detectar o vírus logo nos primeiros dias de infecção.” 

A especialista reforça que a imunização é uma aliada importante na contenção da doença. “O ideal é que todos que estejam no grupo elegível busquem a vacinação, disponível na rede pública e privada. Ela reduz significativamente o risco de formas graves e da reinfecção por sorotipos diferentes”, afirma Luciana.

 

Prevenção: medidas simples podem salvar vidas 

A infectologista reforça a importância de medidas simples e diárias para evitar a proliferação do mosquito. “O Aedes aegypti se desenvolve em ambientes úmidos e quentes, comuns nas regiões com temperaturas elevadas e chuvas intensas, favoráveis à eclosão dos ovos com as larvas do mosquito. Por isso, a atenção constante e a eliminação de focos de água parada são essenciais para evitar o aumento dos casos de dengue”, alerta a médica.

  • Evite o acúmulo de água: elimine focos de água parada em vasos, garrafas, pneus, calhas e outros recipientes.
  • Feche bem os reservatórios de água: tampas e coberturas adequadas evitam que o mosquito coloque ovos.
  • Limpeza de calhas e caixas d'água: mantenha esses locais limpos para evitar que se tornem criadouros do mosquito.
  • Descarte correto de objetos: pneus, garrafas e outros objetos que possam acumular água devem ser descartados de maneira adequada.
     

Sintomas: atenção aos sinais e importância do diagnóstico 

Os sintomas da dengue podem se assemelhar aos de outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como zika e chikungunya, dificultando um diagnóstico rápido. Fique atento aos seguintes sinais:

  • Febre alta repentina
  • Dores no corpo e nas articulações
  • Dor atrás dos olhos
  • Fraqueza e prostração
  • Náuseas e vômitos
  • Dor abdominal

Luciana destaca a importância de procurar atendimento médico assim que os sintomas surgirem. “Buscar um diagnóstico preciso é fundamental para garantir um tratamento adequado e evitar complicações. Exames laboratoriais são essenciais para identificar corretamente qual doença está em questão”, afirma.

 

Exames laboratoriais para diagnóstico da Dengue 

Por meio de exames laboratoriais, é possível confirmar o diagnóstico de dengue de maneira rápida e eficiente.


Testes com resultado em até 1 dia útil: 

  • Antígeno de Dengue (Teste Rápido): indicado para coleta entre o 1º e o 6º dia após o início dos sintomas.
  • Sorologia para Dengue (IgG e IgM): recomendado após o 6º dia de sintomas.


Testes com resultado em até 2 dias úteis: 
 

  • Detecção Molecular do Vírus Dengue (DENVPCR)
  • PCR para Zika, Chikungunya e Dengue (PCRZDC) 
     

Exame avançado com resultado em até 4 dias úteis: 

  • Painel Avançado, capaz de identificar não só a dengue, mas também zika, chikungunya, Mayaro, Oropouche e febre amarela.

Esses exames são fundamentais para garantir que o paciente receba o tratamento adequado, com base no diagnóstico correto.

 
Vacina QDenga®: aliada no combate à Dengue 

Em resposta à crescente demanda por medidas de prevenção, a vacina QDenga®, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, é indicada para pessoas de 4 a 60 anos e tem mostrado excelente eficácia, com 80% de proteção contra a dengue e 90% de redução nas hospitalizações.

A QDenga® utiliza vírus vivos atenuados para estimular o sistema imunológico sem causar a doença, oferecendo uma proteção duradoura. A imunização é realizada em duas doses, com intervalo de três meses. Ela é recomendada para crianças a partir de 4 anos de idade, adolescentes e adultos até 60 anos. São necessárias duas doses, com intervalos de três meses.

 

Grupo Sabin
site


15 dúvidas comuns sobre a doação de sangue

Junho Vermelho conscientiza sobre a importância de ser um doador

 

No Brasil, apenas 1,4% da população doa sangue regularmente, o que equivale a 14 pessoas a cada mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde. Essa baixa adesão pode estar relacionada, em grande parte, à desinformação sobre o processo de doação. 

Para reverter esse cenário, campanhas como o Junho Vermelho ganham força ao longo do mês, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da doação de sangue. Além disso, no dia 14 de junho, celebra-se o Dia Mundial do Doador de Sangue, uma data criada para reconhecer os doadores que ajudam a salvar vidas e incentivar que mais pessoas adotem esse gesto de solidariedade. 

Com o intuito de esclarecer dúvidas e combater os mitos mais comuns, a médica hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), respondeu às principais perguntas sobre o tema.
 

1. Somente maiores de idade podem doar?

Não. Jovens a partir de 16 anos podem doar sangue, desde que estejam acompanhados de um responsável legal e com autorização por escrito.
 

2. O sangue doado pode me fazer falta?

Não. O volume retirado representa menos de 10% da quantidade total de sangue do corpo e é reposto pelo organismo em até 24 horas.
 

3. Existe risco de contaminação ao doar sangue?

Nenhum. Todos os materiais utilizados são estéreis, descartáveis e livres de substâncias que provocam reações imunológicas. Além disso, o doador passa por uma triagem clínica rigorosa antes da doação.
 

4. Doar sangue afina o sangue?

Mito. A doação de sangue não interfere na viscosidade ou na concentração do sangue. Tal mito surgiu da correlação com o procedimento médico de Sangria Terapêutica, que é realizado com volume e intervalos diferentes do realizado na doação de sangue.
 

5. Preciso estar em jejum para doar?

Não. Pelo contrário, o jejum é contraindicado. Recomenda-se fazer uma alimentação leve e evitar alimentos gordurosos e bebidas alcoólicas nas 24 horas que antecedem a doação.
 

6. Quem toma medicamentos pode realizar a doação?

Depende. Alguns medicamentos exigem inaptidão temporária ou permanente do doador. A análise é feita com base na legislação vigente, especialmente a Portaria nº 158, de 4 de fevereiro de 2016, que regula os critérios de segurança para doação de sangue.
 

7. Quem tem tatuagem ou piercing pode doar?

Sim, desde que tenha passado pelo menos 6 meses da realização da tatuagem ou do piercing em pele. Piercings em mucosas, como língua e genitais, impedem a doação enquanto estiverem no local e até um ano após sua retirada.
 

8. Doar sangue aumenta o apetite ou engorda?

Mito. Ao doar sangue você não tem alteração de apetite e não existe relação com engorda ou emagrecimento.
 

9. Se eu doar em nome de alguém, o sangue irá direto para essa pessoa?

Não necessariamente. O sangue doado é encaminhado ao banco de sangue e destinado conforme a compatibilidade sanguínea. A doação em nome de alguém, porém, ajuda a manter os estoques e aumentar as chances de atendimento para esse paciente.
 

10. Quem tem anemia leve pode doar?

Não. A anemia é uma condição que contraindica a doação, pois pode piorar o estado clínico do doador. Apenas pessoas que trataram e se recuperaram da anemia poderão doar, após seis meses do fim do tratamento.
 

11. Quais testes são feitos no sangue doado?

São realizados exames sorológicos para detecção de doenças como HIV, Hepatites B e C, Sífilis, Chagas e HTLV, além da tipagem sanguínea e outros testes importantes para garantir a segurança da transfusão.
 

12. Mulheres podem doar durante o período menstrual?

Sim. A menstruação não impede a doação, mas condições como fluxo excessivo serão avaliadas pela equipe médica no momento da triagem.
 

13. Gestantes e lactantes podem doar?

Não. A gestação impede temporariamente a doação, que só é liberada 12 semanas após o parto ou abortamento. Mulheres em período de amamentação também não podem doar, a menos que tenham passado mais de 12 semanas do parto.
 

14. Doar sangue traz benefícios ao doador?

Sim. Além da satisfação de ajudar a salvar vidas, em alguns estados, como São Paulo e o Distrito Federal, doadores regulares têm direito à isenção de taxas em concursos públicos, além de atestado para se ausentar do trabalho no dia da doação.
 

15. É permitido doar sangue todos os meses?

Não. Homens podem doar sangue até quatro vezes ao ano, com intervalo mínimo de dois meses entre as doações. Já as mulheres podem realizar até três doações por ano, com intervalo mínimo de três meses.
 

Instituto de Oncologia de Sorocaba


Especialista em reprodução assistida esclarece 7 dúvidas sobre o procedimento

O avanço da medicina reprodutiva tem desafiado conceitos estabelecidos sobre vida, morte e família. Entre as possibilidades trazidas por essa área da ciência, uma das mais sensíveis e debatidas é a reprodução assistida post mortem — a técnica que permite a concepção de um filho mesmo após a morte de um dos genitores. 

A prática é permitida no Brasil, mas segue regras específicas e rígidas. De acordo com a Resolução nº 2.320/2022 do Conselho Federal de Medicina (CFM), a reprodução após a morte só pode ocorrer se houver autorização expressa e registrada em vida para o uso do material genético (óvulos, espermatozóides ou embriões) congelados anteriormente. 

A seguir, o presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o médico especialista Dr. Álvaro Cecchin, explica seis pontos fundamentais sobre o tema:

 

1. Como funciona a reprodução assistida após a morte?

Trata-se do uso de óvulos, espermatozóides ou embriões previamente congelados com o objetivo de obter uma gravidez após o falecimento de um dos membros do casal. Para que o congelamento ocorra, é necessário o preenchimento de um termo de consentimento informado no início do tratamento, necessariamente antes da coleta de óvulos ou espermatozoides ou da formação dos embriões, na qual a pessoa (ou o casal) define o destino do material biológico em caso de morte.

A técnica escolhida depende do material disponível:

  • Quando o procedimento é feito com sêmen congelado, pode-se usar inseminação intrauterina ou fertilização in vitro (FIV);
     
  • Já no caso de óvulos congelados, a opção obrigatoriamente será a FIV. 

 

2. É possível realizar o procedimento quando a mulher é a falecida?

Sim. Embora a Resolução do CFM não trate diretamente desse cenário, o entendimento jurídico vigente considera essa possibilidade com base nos princípios constitucionais de igualdade de gênero. Nesses casos, o procedimento pode ser realizado por meio da chamada gestação de substituição ou útero solidário — ou seja, com o uso de um útero de outra mulher. A cedente temporária do útero deve, preferencialmente, ser parente consanguínea de até quarto grau de um dos parceiros. Em casos fora desse padrão, será necessária autorização do Conselho Regional de Medicina. 


3. A técnica é permitida por lei — mas exige consentimento prévio
 

Segundo o CFM, é necessário que o casal assine um documento autorizando o uso do material biológico criopreservado em caso de morte. Sem esse consentimento prévio, a realização do procedimento é vedada. “Trata-se de uma exigência legal e ética. Sem esse registro, os conselhos regionais de medicina podem negar o pedido, mesmo que exista o desejo de dar continuidade à família”, explica Dr. Álvaro. 

 

4. A ausência de documentação pode gerar impasses jurídicos

Sem o consentimento registrado, o destino de embriões e gametas pode se transformar em disputa judicial envolvendo familiares, clínicas e até o Estado. “Já houve decisões judiciais que permitiram o uso do material, mas a falta de uma norma legal específica abre margem para diferentes interpretações”, diz o médico. 

 

5. Os filhos gerados após a morte enfrentam lacunas legais

Do ponto de vista do direito sucessório, o reconhecimento como herdeiro do filho concebido após a morte de um dos pais é uma das questões mais importantes a serem abordadas. Entretanto, o termo de consentimento informado pelo casal ou pela pessoa antes de realizar o congelamento define qual será o destino do óvulo, espermatozoide ou embrião. A judicialização será necessária se houver uma mudança de desejo daquilo que foi previamente consentido. 

 

6. O procedimento levanta questões éticas e emocionais

Mesmo quando legalmente permitido, o uso do material genético após a morte provoca dúvidas. “É ético gerar uma vida sem que um dos pais tenha plena ciência ou participação nessa decisão? Como essa criança será acolhida emocionalmente? Essas são reflexões que não podem ser ignoradas”, aponta o presidente da SBRA. O apoio psicológico para as famílias é recomendado. 

 

7. Responsabilidade e afeto: quando a técnica se transforma em gesto de amor

Apesar dos desafios, a reprodução assistida post mortem pode ser uma forma legítima de concretizar o desejo de parentalidade. “Com planejamento, consentimento e acompanhamento adequado, o procedimento pode representar um gesto de continuidade e amor. Mas precisa ser feito com responsabilidade e dentro dos limites legais e éticos sempre antes de iniciar os procedimentos de congelamento”, conclui Dr. Álvaro.

 

Deborah de Salles



Zumbido não é normal: sintoma afeta milhões de brasileiros

O zumbido no ouvido, também conhecido como Tinnitus, é uma condição que afeta cerca de 28 milhões de brasileiros, segundo dados do Conselho Federal de Fonoaudiologia. Apesar de frequente, muitas pessoas ainda consideram o zumbido como algo normal, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado. 

“O zumbido é um sintoma, não uma doença em si. Ele pode indicar diversas condições subjacentes, como perda auditiva, problemas vasculares, metabólicos ou neurológicos. Ignorar esse sinal pode levar a complicações mais sérias, incluindo impactos na saúde mental”, alerta a fonoaudióloga Dra. Vanessa Gardini, especialista em reabilitação auditiva, da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos, de Sorocaba (SP).

 

Impactos além da audição 

Um estudo norueguês conhecido como HUNT Study, com mais de 51 mil adultos, identificou uma forte associação entre zumbido e perda auditiva e sintomas de ansiedade e depressão. Uma revisão publicada no JAMA Neurology aponta que cerca de 14% da população mundial sofre com zumbido em algum grau, sendo que 2% convivem com formas severas da condição. 

“Muitos pacientes relatam dificuldades para dormir, concentração reduzida e irritabilidade. Esses sintomas podem ser agravados quando o zumbido não é tratado adequadamente, afetando significativamente o bem-estar emocional e social do indivíduo ”, explica Dra. Vanessa Gardini.

 

Diagnóstico e tratamento 

O diagnóstico do zumbido envolve uma avaliação detalhada, incluindo exames auditivos e, em alguns casos, a acufenometria, que ajuda a caracterizar o tipo e a intensidade do som percebido pelo paciente. O tratamento é personalizado e pode incluir terapias sonoras, uso de aparelhos auditivos, mudanças no estilo de vida e acompanhamento psicológico. 

“Cada caso é único. Por isso, é fundamental buscar ajuda profissional ao perceber os primeiros sinais de zumbido. Com o tratamento adequado, é possível reduzir significativamente o incômodo e melhorar a qualidade de vida ”, enfatiza a especialista. 

Para ter mais informações sobre o tratamento da perda auditiva e receber instruções de profissionais da área, acesse o site da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos (proouvir.com.br), siga as redes sociais (@proouvir) ou entre em contato pelo WhatsApp: (15) 3231-6776.


Rotina bem estruturada é aliada no controle do Alzheimer

 Clínica especializada de Sorocaba-SP mostra que atendimento integral e ambientes planejados são diferenciais no cuidado com idosos

 

A rotina estruturada é uma das principais aliadas no tratamento e controle de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. No Brasil, o Ministério da Saúde mostra que há mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas com essa condição e a projeção é que esse número aumente cerca de quatro vezes mais até 2050. Segundo a Associação Brasileira de Neurologia (ABN), o Brasil está passando por uma transição demográfica rápida, com o crescimento acelerado da população idosa sendo apontado como um dos principais fatores desse processo. 

As atividades regulares – assim como a alimentação equilibrada, os estímulos cognitivos e o acompanhamento profissional contínuo – são essenciais para desacelerar a progressão dos sintomas de demência. “O próprio Ministério da Saúde recomenda que cuidadores evitem mudanças bruscas no ambiente e promovam uma rotina saudável bem estabelecida. Isso reduz quadros em que o paciente aparece agressivo ou deprimido, por exemplo, melhorando o bem-estar geral deles”, comenta Reinaldo Escamez, diretor da clínica de idosos Lar Pouso do Beija-flor, de Sorocaba (SP). 

A rotina é, inclusive, um fator que favorece a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se adaptar e modificar-se ao longo da vida, formando novas conexões neurais. Um estudo, de 2023, publicado no periódico The Journal of Physiology, demonstrou que exercícios regulares de curta duração aumentam os níveis de BDNF, uma proteína do cérebro essencial para a sobrevivência, crescimento, diferenciação e reparo dos neurônios. 

Reinaldo explica que o Lar Pouso do Beija-flor foi construído do zero para atender exatamente a essas diretrizes. “Justamente por ser também um lar de idosos, nós temos que oferecer um serviço integral que contemple todas as necessidades do paciente. Por isso, há equipe de enfermagem 24h, farmácia interna, atendimento médico, além das terapias ocupacionais, dos exercícios, atividades lúdicas e de entretenimento, fundamentais na rotina de um idoso, aposentado e indispensáveis na de um paciente com Alzheimer”, comenta. 

O espaço, localizado em uma área reservada de Sorocaba, rodeada pela natureza e com um lago na entrada, oferece aos idosos ambientes especiais, como salas de jogos, cinema e horta, em meio a 10 mil m² de jardins planejados para o convívio e o relaxamento. 

“Por estar localizada em uma área mais reservada, a clínica conta com serviço próprio de transporte, facilitando o deslocamento de residentes e visitas familiares. Pensamos em cada detalhe: a ambientação foi inspirada em uma casa de campo, com móveis de madeira maciça, decoração afetiva, iluminação natural e espaços de convivência. Um lugar onde os idosos são tratados com todo cuidado, carinho e respeito. A rotina e o ambiente acolhedor fazem parte desse zelo”, explica o responsável pelo Lar Pouso do Beija-flor, Reinaldo Escamez.



Lar Pouso do Beija-flor
Endereço: Rua Paulo Varchavtchik, n° 3.600 – Brigadeiro Tobias, Sorocaba/SP
WhatsApp: (15) 997666-3600
Instagram: @larpousodobeijaflor


4 fatos sobre congelamento de óvulos que toda mulher deveria saber

Adobe Stock
Procedimento que cresce constantemente no Brasil pode ser estratégia para quem tem dúvidas sobre a maternidade

 

O congelamento de óvulos deixou de ser um assunto voltado para mulheres que enfrentam problemas de saúde e passou a fazer parte do planejamento de vida de muitas brasileiras. De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o número de ciclos de congelamento de óvulos aumentou 98% de 2020 a 2023, entre mulheres com menos de 35 anos. Essa alta reflete uma mudança de comportamento: elas estão buscando alternativas para postergar a maternidade ou para decidir sobre o assunto em um futuro próximo.

“Números como esse mostram um cenário positivo em que a informação de qualidade, ética e real está chegando nas pacientes. Se cada vez mais mulheres abaixo dos 35 anos buscarem ajuda da reprodução humana para preservar seus óvulos, os resultados positivos serão mais frequentes lá na frente, pois a qualidade deles será melhor”, explica o ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Luiz Fernando Pina, fundador da clínica Baby Center. Segundo ele, quanto antes congelar, mais chances de sucesso. 

O médico elencou 4 fatos importantes sobre a técnica para preservar a fertilidade feminina. Confira:

  1. O relógio biológico é real
    A capacidade ovariana começa a cair de forma mais significativa a partir dos 35 anos. Congelar os óvulos idealmente até essa idade ajuda a preservar a qualidade e amplia as chances de uma gravidez com óvulos próprios, mesmo após os 40.
  2. Se sua mãe teve menopausa precoce, o ideal é congelar mais cedo
    Para quem tem histórico familiar de menopausa precoce, a recomendação é congelar mais cedo, por volta dos 25 anos, pois nesse caso há chances de baixa reserva ovariana já aos 35, por exemplo.
  3. O procedimento é seguro e cada vez mais acessível
    Com os avanços da medicina reprodutiva, o congelamento de óvulos se tornou um procedimento muito seguro, realizado com anestesia leve e retorno no mesmo dia. O custo ainda é um fator decisivo, mas há clínicas que oferecem parcelamentos e condições especiais, facilitando o acesso.
  4. É barato manter congelado
    Embora o procedimento total tenha um custo significativo, manter os óvulos congelados é acessível. A taxa mensal varia de acordo com a região do país, mas em geral não ultrapassa R$ 200.

Congelar óvulos antes dos 35 anos é uma estratégia preventiva, que aumenta muito as possibilidades de gestação futura. “É importante ressaltar que os hábitos de vida da paciente e do parceiro são importantes para o sucesso de uma fertilização, por isso enquanto os óvulos estiverem congelados, a saúde precisa ser preservada”, orienta Pina

Mais do que um plano de prevenção, o médico afirma que o congelamento de óvulos representa autonomia para as mulheres. “Compreender como o procedimento funciona ajuda a tomar decisões conscientes, sem pressa e sem temer o futuro”, finaliza.


Dia dos Namorados: casais podem celebrar a data com passeios românticos e gratuitos em São Pedro (SP

Localizado na Serra de Itaqueri, em frente ao Parque do Cristo, o Parque Marcelo Golinelli possui vários decks para contemplação da paisagem, quiosques e trilhas para caminhada.

Com mirantes, parques e história, cidade oferece cenários ideais para casais renovarem laços e criarem memórias afetivas

 

A Estância Turística de São Pedro (SP), localizada a cerca de 200 km da capital paulista, é conhecida por suas paisagens deslumbrantes, clima ameno de serra e hospitalidade. Neste Dia dos Namorados, a cidade se transforma em um cenário perfeito para casais que desejam celebrar a data de forma especial, conectando-se com a natureza e com o outro, sem precisar gastar.

 

Parque Maria Angelica Manfrinato

O roteiro romântico valoriza o que São Pedro tem de melhor: sua beleza natural, patrimônio cultural e o charme típico do interior paulista. De mirantes panorâmicos a trilhas tranquilas, parques arborizados e experiências culturais, o destino é ideal para quem deseja celebrar o amor e colecionar boas memórias. Confira as sugestões:

 

Pôr do sol no Parque do Cristo Aureliano Esteves

Um dos cartões-postais mais românticos da cidade. Com mirante, capela e uma escadaria decorada com arte urbana, o parque oferece uma das vistas mais deslumbrantes da Serra do Itaqueri. O pôr do sol visto dali é um convite à contemplação.

 

Caminhada no Parque Municipal Maria Angélica Manfrinato

No centro da cidade, o parque encanta pelo charme e estrutura: lago com pedalinhos, fontes de água mineral, pista de caminhada e sombras acolhedoras. Ideal para conversar e registrar bons momentos a dois.

 

Piquenique no Parque Marcelo Golinelli

Localizado em frente ao Parque do Cristo, o espaço é ideal para quem busca sossego e contato com a natureza. Com trilhas leves, vegetação nativa, o parque é um refúgio verde para relaxar, ideal para um piquenique romântico. O casal pode levar toalha, preparar algo especial e aproveitar o clima do interior.

 

Trilha e jardim sensorial no Parque Ecológico Ernesto Baltieri

Para os casais que gostam de vivências diferentes, o parque oferece trilhas leves, um jardim sensorial e exposições que combinam história local e meio ambiente. Um passeio que estimula os sentidos e fortalece a conexão com o outro e com a natureza.

 

Visita cultural ao Museu Gustavo Teixeira

Romantismo também está em boas conversas e descobertas compartilhadas. O museu homenageia o poeta das rosas, Gustavo Teixeira, e apresenta parte da história e identidade de São Pedro. Um programa tranquilo, enriquecedor e cheio de significado para casais curiosos e apaixonados. 

“São Pedro é um destino acolhedor em todas as estações, mas tem um charme especial para casais que buscam tranquilidade, beleza e romantismo. Valorizamos experiências que aproximam as pessoas e mostram o quanto a cidade é rica em natureza, cultura e hospitalidade”, destaca o secretário de Turismo e Cultura, Fábio Pontes Ferreira. 

Além dos passeios gratuitos, São Pedro oferece uma rede diversificada de pousadas, atrativos turísticos para todos os perfis e uma gastronomia rica em sabores regionais, com cafés charmosos e restaurantes com clima intimista.

Para mais informações sobre atrativos turísticos e programação da cidade: www.saopedro.com.br



O dilema da transparência entre o código livre e a IA Aberta


Estamos testemunhando a maneira como a inteligência artificial (IA) está redefinindo o conceito de código aberto, expandindo o debate para além do software tradicional. Modelos de IA, dados de treinamento e a própria governança dessa tecnologia agora ocupam o centro da discussão. O problema é que muitas empresas adotam o rótulo de “aberto” sem, de fato, oferecer a transparência esperada. Isso levanta uma questão essencial: o que realmente significa uma IA aberta?


A resposta está longe de ser simples. A recente controvérsia envolvendo a DeepSeek e a OpenAI reacendeu um debate: quais devem ser as verdadeiras liberdades da IA aberta? Se no início do século o software livre estabeleceu os pilares fundamentais de execução, estudo, redistribuição e modificação, agora precisamos definir um novo conjunto de princípios que guiem a inovação sem comprometer transparência, ética e acessibilidade.

Na teoria, o código aberto na IA deveria garantir liberdade para explorar e modificar tecnologias. Na prática, muitas empresas se aproveitam desse conceito sem oferecer acesso real a dados de treinamento e pesos dos modelos, tornando a abertura superficial. A Open Source Initiative (OSI) propôs a OSAID 1.0, um conjunto de diretrizes para padronizar o que pode ser considerado IA de código aberto. Mas será que isso resolve o problema?

A transparência na IA não se resume ao código. Para um sistema ser realmente aberto, deve-se garantir acesso aos dados que o treinaram, permitir auditorias e oferecer mecanismos de governança claros. Sem isso, a ideia de IA aberta se torna um rótulo vazio.



As novas liberdades da IA

A evolução da IA exige novas liberdades. Especialistas como Ksneia, conselheira da Track Two: An Institute for Citizen Diplomacy, propõem conceitos fundamentais para o futuro da IA aberta. Entre eles, a liberdade de acesso, que garante que modelos e pesquisas sejam acessíveis a todos, promovendo uma inovação descentralizada. Outro ponto essencial é a liberdade para entender, assegurando que os sistemas sejam interpretáveis e não se tornem “caixas-pretas” indecifráveis. Além disso, a liberdade para esquecer permitiria que usuários solicitassem a remoção de determinados dados dos modelos, seja por privacidade ou pela necessidade de atualização das informações.

Os modelos também precisam manter flexibilidade, evitando treinamentos excessivamente restritivos que limitem sua adaptação. O equilíbrio entre inovação e governança será o diferencial para o futuro.

A Open Source Initiative (OSI) está na vanguarda dessa discussão e lançou a OSAID 1.0, um padrão que estabelece critérios mínimos para que uma IA seja considerada realmente aberta. Isso inclui o acesso aos dados usados no treinamento, ao código-fonte do modelo e às configurações do treinamento. No entanto, grandes empresas como Meta e OpenAI promovem seus modelos como "abertos", mas sem liberar informações essenciais, levantando questionamentos sobre a real transparência dessas iniciativas.

Além disso, a governança dos dados usados para treinar IA continua sendo um ponto crítico. Enquanto alguns defendem transparência total, há preocupações legítimas sobre privacidade e uso indevido das informações. A OSI, em parceria com a Open Future Foundation, propôs diretrizes para um acesso mais equilibrado e ético a esses dados, garantindo um meio-termo entre inovação e responsabilidade.

A indústria precisa de uma definição clara do que realmente constitui uma IA aberta. O caso da DeepSeek e sua suposta "destilação" dos modelos da OpenAI expõe os desafios de uma IA que se diz aberta, mas que pode não garantir transparência real. Definir a IA de código aberto requer colaboração e aprimoramento contínuo. É um desafio, mas essencial para impulsionar a inovação sem perder de vista a liberdade e a responsabilidade.

O desafio agora é avançar na definição de um novo conjunto de liberdades para a IA garantindo um equilíbrio entre inovação, transparência e governança. O debate está apenas começando, e as escolhas que fizermos hoje influenciarão o futuro da inteligência artificial. A verdadeira liberdade da IA Aberta não é apenas sobre compartilhar tecnologia, mas garantir que seu desenvolvimento seja feito de forma colaborativa, responsável e acessível a todos.


Marcelo Ciasca - CEO Brasil do Grupo Stefanini.



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