Pesquisar no Blog

terça-feira, 3 de junho de 2025

Escoliose: descubra os tipos e causas dessa doença que afeta a coluna

Conhecida popularmente como "coluna em S", doença causa desvio de postura e dores excruciantes 

 

A escoliose é uma doença que afeta a coluna vertebral alterando o seu alinhamento natural. A patologia provoca um desvio para o lado direito ou esquerdo do corpo e pode vir acompanhada de maior ou menor grau de rotação tridimensional da coluna vertebral. 

 No mês de junho, a ortopedia veste a cor verde para unir esforços em prol da conscientização sobre a escoliose. A pessoa afetada pela doença convive com o desnivelamento do tronco, mais perceptível nos ombros e cintura. Em casos de rotação da coluna, essa deformidade também é notada na irregularidade da caixa torácica. Segundo dados da OMS, a escoliose afeta entre 2% a 4% da população mundial.

 O Dr. André Evaristo Marcondes, ortopedista e especialista em coluna do Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, diz que a escoliose é avaliada em graus, sendo que nos estágios iniciais ela é quase imperceptível. “A partir de 40, 45 graus de inclinação, indicamos o tratamento cirúrgico, para corrigir o alinhamento postural e evitar danos a outros órgãos do corpo, como coração e pulmões que, nesta etapa, são comprimidos", diz.


 Saiba mais sobre a doença

A escoliose pode ser dividida em diferentes tipos. A partir do diagnóstico precoce, a ser realizado de forma simples por um especialista, medidas podem ser adotadas para evitar o agravamento do problema. Conheça os diferentes tipos e características a seguir:  

  • Idiopática: Escoliose Idiopática do Adolescente (EIA) é caracterizada pelo desvio progressivo da coluna (conhecida popularmente como coluna em "S"). 
  • Congênita: malformação vertebral de múltiplos tipos, presentes ao nascimento, com progressão da deformidade e associadas a doenças neuromusculares;
  • Degenerativa: afeta adultos e é caracterizada por uma degeneração que progressivamente acomete os segmentos da coluna de forma desigual. Pode deixar a pessoa com um grave desvio da coluna no plano coronal (visto de frente) com o tronco totalmente descompensado e caído para um lado. Neste cenário, a patologia pode causar dores torturantes na coluna lombar e torácica;
  • Neuromuscular: apresenta progressão da curva deformante e tendem a ter indicação cirúrgica, pois no caso dessas patologias, é o desequilíbrio muscular que desenvolve a deformidade; ou seja, o desequilíbrio traciona um lado diferente do outro, causando, na grande maioria das vezes, uma deformidade progressiva que não vai parar ou diminuir com o término do crescimento, tendendo a progredir a deformidade de maneira contínua e irrestrita;
  • Escoliose pós-traumática: pode surgir após um trauma grave ou fratura na região da coluna vertebral. Seu aparecimento é mais comum após acidentes envolvendo carros ou motos.

Vale destacar que esta é uma doença progressiva que afeta mais de seis milhões de brasileiros. É muito importante seu diagnóstico precoce que é feito de modo simples e pode minimizar a sua evolução.

O cirurgião de coluna afirma que ela pode ser diagnosticada precocemente permitindo o tratamento adequado. "Diante de qualquer discrepância, o paciente deve ser encaminhado ao especialista em coluna para acompanhamento e uso de coletes ortopédicos, se for paciente jovem. Este simples gesto pode evitar a sua evolução, que afeta jovens e pessoas de mais idade. Seu diagnóstico causa dores, prejudica a autoestima, além de alterar o desempenho do indivíduo em vários aspectos biomecânicos e de qualidade de vida", finaliza o especialista.

  

Dr. André Evaristo Marcondes – Ortopedista Especializado em Coluna – Mestre em Saúde Pública Global pela University of Limerick (Irlanda), possui especialização em Cirurgia de Coluna, em Ortopedia e Traumatologia, e graduação em Medicina pela Universidade de Marília. Preceptor do Grupo de Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Medicina do ABC. É membro da North American Spine Society (NASS), Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Fez residência médica em Ortopedia e Traumatologia no Hospital do Servidor Público Municipal (SP) e, atualmente, atende no Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, AACD e Grupo C.O.T.C. Centro de Ortopedia, Traumatologia e Coluna. Instagram: @dr.andrecoluna | dicasdrcoluna.com.br


3 de junho: Dia da Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil

Como um programa de Educação Alimentar e Nutricional pode mudar o panorama da obesidade infantil dentro das escolas

 

Nesta terça-feira, 3 de junho, acontece o Dia da Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil, um problema de ordem global, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo dados da instituição, estimam-se que existam 75 milhões de crianças obesas no planeta e no Brasil, de acordo com a Federação Mundial da Obesidade, até 2035 haverá 20 milhões de crianças e adolescentes obesos ou com sobrepeso. 

Segundo a professora e pesquisadora do Centro Universitário São Camilo, Ana Paula de Queiroz Mello, a obesidade infantil é reconhecida como um grave problema de saúde pública, com riscos tão complexos quanto os observados na fase adulta, incluindo possíveis agravamentos psicológicos e físicos, em especial déficits de estatura em referência à idade, cujos efeitos podem se estender por toda a vida.  

Para levar o conhecimento sobre alimentação equilibrada no ambiente escolar, para combater a obesidade infantil, foi criado um programa inovador liderado pelas docentes e pesquisadoras Ana Paula de Queiroz Mello, do Centro Universitário São Camilo, e Nágila Raquel Teixeira Damasceno, da Faculdade de Saúde Pública da USP, que têm se destacado na formação de integrantes da comunidade escolar que envolve desde agentes de organização escolar, merendeiras, professores, coordenadores, supervisores até diretores. 

Com criatividade e dedicação o programa demonstra como a educação pode ir além das salas de aula, alcançando resultados positivos. 

A iniciativa passou a ter o intuito de incentivar a alimentação saudável entre estudantes do Ensino Básico e do Ensino Fundamental das escolas públicas vinculadas à Secretaria de Educação de São Paulo, por meio do Programa de Educação Alimentar (PEDUCA), que integra Ciência, Escola e Saúde e que oferece curso de formação a todos os servidores.

“A abordagem da alimentação, considerando não apenas os aspectos biológicos, mas também os culturais, sociais e ambientais, além de integrar a Educação Alimentar e Nutricional de forma estruturada, contínua e inserida nas disciplinas regulares no ano letivo, é essencial para conscientizar e empoderar os estudantes a fazerem escolhas alimentares mais saudáveis”, afirmou a professora Ana Paula Mello.

 

Educar para Nutrir na prática dentro das escolas

Um exemplo claro do impacto da iniciativa vem da Escola Benedito Lázaro, em Itu (SP). Segundo o vice-diretor, Fabiano Vasconcelos Vieira, a transformação do cardápio escolar, saindo do tradicional macarrão com salsicha para refeições mais nutritivas, fez toda a diferença. “A alimentação anterior era pobre e havia pouco interesse dos alunos pela comida. Antes servíamos apenas 300 pratos e depois da modificação do cardápio passamos a oferecer mais de 700 pratos nos dois turnos. Percebi que os alunos passaram a procurar saber o que seria servido na merenda. Antes não tinham vontade de comer na escola e agora repetem as refeições”, disse o gestor. 

Vieira explicou que na área pedagógica foi feita uma horta com os alunos do oitavo ano e, durante as disciplinas de Ciências, Química e Biologia, passou-se a falar sobre a composição dos alimentos, a tabela nutricional e a importância da nutrição para o nosso corpo, além de distúrbios alimentares. “Foi um programa muito rico que incentivou os alunos a procurar a merenda escolar”. 

Na EMEI Antônio Lapenna, na Vila São Silvestre, Zona Leste da capital paulista, a professora Edineide Gomes leva o conhecimento adquirido no PEDUCA para os pequenos de 4 a 6 anos. Com duas refeições diárias, ela enfrenta o desafio de apresentar alimentos essenciais que frequentemente não estão presentes na dieta das crianças fora da escola. “A facilidade dos ultraprocessados está impactando a saúde deles. Temos crianças com carências nutricionais e, ao mesmo tempo, aumento preocupante da obesidade infantil”, afirmou. 

Para estimular a alimentação mais saudável, Edineide inicia debates sobre hábitos alimentares simples. "Perguntamos: O que você gosta de comer? Com seus pais, você vai à feira ou ao supermercado? Sabe de onde vêm os alimentos? Essa abordagem tem resgatado a história alimentar dos povos originários e contextualizado a realidade alimentar do Brasil, promovendo conhecimento sobre o ciclo dos alimentos, desde a semente até a mesa”, explica. A professora ressalta que, com o tempo, notou-se aumento no consumo das refeições e redução no desperdício. "As crianças agora se preocupam mais em comer para crescer e ter energia para brincar", concluiu.

 

Educação Alimentar em todo Brasil  

Na última sexta (30), o Ministério da Educação divulgou uma Nota Técnica sobre a inclusão da Educação Alimentar e Nutricional no currículo Pedagógico das escolas em vários níveis. Para a professora e pesquisadora do Centro Universitário São Camilo, Ana Paula Mello, a iniciativa reforça que a formação de hábitos saudáveis deve ser parte integrante do processo educacional. Neste sentido, a professora acredita que a conscientização da comunidade escolar irá estimular práticas que valorizem a alimentação como direito e componente fundamental para o desenvolvimento pleno das crianças e dos adolescentes.

 

Centro Universitário São Camilo


GLP-1: Remédio para emagrecer também pode ajudar a tratar SOP e sintomas da menopausa, apontam estudos

Envato
Medicamentos inicialmente voltados para o tratamento do diabetes tipo 2 demonstraram benefícios significativos na saúde feminina, especialmente durante o climatério e a menopausa 

 

Conhecidos por seu efeito no controle do peso e no tratamento do diabetes tipo 2, os agonistas do GLP-1 — como os medicamentos semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) — vêm sendo apontados como promissores aliados da saúde ginecológica. Estudos recentes indicam que essas medicações podem ter impactos positivos em condições como síndrome dos ovários policísticos (SOP), resistência à insulina, sintomas da menopausa e até na prevenção de doenças cardiovasculares em mulheres.

“O GLP-1 é um hormônio intestinal que regula o apetite e os níveis de açúcar no sangue, mas seus benefícios vão muito além disso, especialmente para as mulheres”, afirma Alexandra Ongaratto, médica especializada em ginecologia endócrina e climatério e Diretora Técnica do Instituto GRIS, o primeiro Centro Clínico Ginecológico do Brasil. “A medicina está começando a entender como esses medicamentos podem ser úteis para condições hormonais e metabólicas que afetam diretamente a saúde feminina”, cita.


SOP, menopausa e peso: uma conexão importante

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, estima-se que 6 milhões de mulheres convivam com essa condição. Entre os sintomas estão irregularidade menstrual, acne, excesso de pelos e, muitas vezes, dificuldade para engravidar. O sobrepeso e a resistência à insulina costumam agravar o quadro.

“A resistência à insulina é um dos pilares da SOP, e os agonistas de GLP-1 ajudam a reduzir esse problema”, explica Alexandra. “Além disso, auxiliam na perda de peso, o que impacta diretamente na melhora dos ciclos menstruais e na fertilidade dessas pacientes.”

A médica também aponta que muitas mulheres perimenopáusicas ou na menopausa enfrentam ganho de peso e alterações metabólicas difíceis de controlar. Nesses casos, o uso de agonistas de GLP-1 pode contribuir não apenas com a balança, mas também com a regulação hormonal.

“Na menopausa, o metabolismo desacelera, há um aumento da gordura abdominal e muitas mulheres se sentem frustradas por não conseguir emagrecer com dieta e exercício. Esses medicamentos oferecem uma nova possibilidade de abordagem, inclusive com potencial para melhorar sintomas como ondas de calor, embora mais estudos sejam necessários”, completa a médica.


Impacto cardiovascular e prevenção

Outro benefício dos agonistas de GLP-1 é a redução do risco cardiovascular, que se torna especialmente relevante após a menopausa, quando as mulheres perdem a proteção natural dos hormônios estrogênicos. De acordo com o Ministério da Saúde, doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras.

“Esse efeito cardioprotetor, associado à perda de peso e ao controle da glicose, coloca os agonistas de GLP-1 como uma estratégia de saúde preventiva em mulheres de alto risco, mesmo que ainda não tenham diabetes diagnosticado”, ressalta a médica.


Uso deve ser supervisionado

Apesar das promessas, o uso de medicamentos como Ozempic e Wegovy deve ser feito com cautela e sempre sob orientação médica. O uso off-label, ou seja, fora das indicações aprovadas, ainda é comum e precisa ser discutido individualmente, com avaliação dos riscos e benefícios.

“Não é uma solução mágica, e os efeitos colaterais existem. Náuseas, constipação e possíveis impactos em outros sistemas do organismo precisam ser acompanhados. Mas com acompanhamento adequado, essas drogas estão se mostrando ferramentas importantes na saúde da mulher”, conclui Alexandra Ongaratto.

 

Instituto GRIS


Obesidade infantil exige ações precoces para garantir o desenvolvimento saudável

Junho marca dia de conscientização sobre a questão e especialistas da Santa Casa de Misericórdia de Chavantes destacam a necessidade de ações precoces para garantir a saúde das crianças

 


A data de 3 de junho é marcada como Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, uma data que reforça a urgência de alertar a sociedade sobre o tema, que vai muito além do excesso de peso e pode comprometer o desenvolvimento juvenil.

De acordo com dados recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), em 2025, 6,84% das crianças brasileiras de 0 a 5 anos apresentaram peso elevado para a idade. Já entre as crianças de 5 a 10 anos, o percentual sobe para 13,55%, o que significa que mais de 228 mil crianças nessa faixa etária estão acima do peso ideal.

“A obesidade infantil não afeta apenas a aparência ou o peso corporal, mas compromete seriamente o desenvolvimento saudável da criança”, afirma a Dra. Michele Alves, pediatra da Santa Casa de Misericórdia de Chavantes. Ela destaca que os principais problemas de saúde associados incluem distúrbios metabólicos, como aumento do risco de diabetes tipo 2, colesterol alto e resistência à insulina, além de doenças cardiovasculares, problemas ortopédicos e distúrbios respiratórios.

Além dos riscos físicos, há também impacto no desenvolvimento motor e emocional. “Embora qualquer fase da infância possa ser afetada, a primeira infância e a pré-adolescência são especialmente críticas. Quanto mais cedo o problema for identificado e tratado, maiores são as chances de reverter ou minimizar seus impactos ao longo da vida”, reforça.

A médica também chama a atenção para a influência do ambiente no surgimento da obesidade infantil. “Observo nos atendimentos que tanto a genética quanto o ambiente influenciam, mas o ambiente tem um peso mais determinante na maioria dos casos. Alimentação inadequada, sedentarismo, hábitos de sono prejudiciais e o excesso de tempo diante de telas favorecem e sustentam a obesidade”, explica.


 

Acompanhamento nutricional na infância

Segundo a nutricionista Carla Borges, da Santa Casa de Misericórdia de Chavantes, os erros alimentares mais comuns na dieta das crianças brasileiras são o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, a falta de frutas e legumes, a introdução precoce de alimentos sólidos e o uso excessivo de sal e açúcar. “Refrigerantes, sucos industrializados, salgadinhos, biscoitos recheados e embutidos impactam negativamente a saúde infantil”, diz.


Dra. Carla ainda orienta que, quando a criança rejeita frutas e vegetais, o mais indicado é criar um ambiente alimentar positivo e respeitoso, sem imposição. “Envolver os pequenos nas escolhas e preparo dos alimentos, apresentar os alimentos de forma atrativa, estabelecer rotinas de refeições, dar o exemplo e respeitar o tempo da criança são estratégias que ajudam a aumentar a aceitação desses alimentos”, aconselha.

O tratamento da obesidade infantil, segundo as especialistas, deve ser multidisciplinar, com apoio psicológico, pediátrico e nutricional. Carla reforça que é fundamental procurar um especialista sempre que surgirem sinais como seletividade alimentar, mudanças de peso repentinas, deficiências nutricionais, dificuldades na introdução de novos alimentos ou problemas de saúde relacionados à alimentação.


Junho Violeta alerta: Ceratocone já é responsável por 1 em cada 5 transplantes de córnea no Brasil

  

Campanha criada pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia quer ampliar a conscientização sobre a doença silenciosa que pode comprometer severamente a visão, especialmente de adolescentes e jovens.

 

Durante todo o mês de junho, a campanha Junho Violeta, promovida pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), chama atenção para a importância da prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento do ceratocone, uma doença progressiva da córnea que pode levar à perda significativa da visão.

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 20% de todos os transplantes de córnea realizados hoje no país são consequência direta do ceratocone. O dado reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essa condição, que atinge entre 0,5% e 3% da população mundial e é frequentemente subdiagnosticada.

O oftalmologista Dr. Hallim Feres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Prisma Visão, explica que o ceratocone ocorre quando a córnea estrutura transparente e curva na frente do olho se deforma progressivamente, tornando-se mais fina e adquirindo formato de cone. “Essa alteração provoca distorções visuais, sombras e desfocamento, que dificultam atividades simples do dia a dia. Embora não leve à cegueira completa, compromete muito a qualidade da visão. Em casos mais graves, o transplante é necessário, mas a prevenção e o diagnóstico precoce ainda são os melhores caminhos”, afirma.

A condição costuma surgir na adolescência ou início da vida adulta e tem fatores genéticos importantes, o que significa que a predisposição pode ser hereditária. Porém, fatores ambientais também têm papel relevante. “Coçar os olhos com frequência, especialmente por conta de alergias, pode acelerar o afinamento da córnea e o avanço da doença”, explica o especialista.

O ceratocone é classificado em quatro estágios e o tratamento depende da gravidade.

Veja os principais:

-Estágio inicial: Correção com óculos.

-Estágio moderado: Uso de lentes rígidas especiais ou implante de anel intracorneano.

-Casos progressivos: Procedimento de crosslinking, que fortalece a estrutura da córnea com colírio de riboflavina (vitamina B2) ativado por luz UVA.

-Estágio avançado: Transplante de córnea.

Por ser uma doença silenciosa no início, é comum que o diagnóstico aconteça tardiamente muitas vezes quando o paciente já apresenta graus elevados de miopia ou astigmatismo. Por isso, a campanha Junho Violeta reforça a importância da avaliação oftalmológica regular, especialmente em crianças, adolescentes e pessoas com histórico familiar da doença. 

“A recomendação é realizar exames oftalmológicos pelo menos uma vez ao ano. O diagnóstico precoce pode evitar a progressão e reduzir drasticamente os riscos de complicações futuras”, finaliza Dr. Hallim.

 

Dr. Hallim Feres Neto @drhallim - CRM-SP 117.127 | RQE 60732 - Oftalmologia Geral; Cirurgia Refrativa; Ceratocone; Catarata; Pterígio; Membro do CBO - Conselho Brasileiro de Oftalmologia; Membro da ABCCR - Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa; Membro da ISRS - International Society of Refractive Surgery; Membro da AAO - American Academy of Ophthalmology.



Brasil registrou quase 12 mil mortes de idosos por acidentes dentro de casa nos últimos 2 anos

Freepik
Dados do Ministério da Saúde apontam queda como a principal causa; junho é mês de prevenção e a Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico faz o alerta

 

Quem nunca escorregou no banheiro, tropeçou no tapete ou quase caiu ao descer uma escada? Situações comuns do cotidiano que, com o passar dos anos, podem se tornar armadilhas perigosas. Para os idosos, uma simples queda pode representar o início de uma série de complicações, que vão de fraturas complexas a internações, perda da autonomia e até óbito.

De acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, entre 2023 e 2024, o Brasil registrou 11.801 mortes de pessoas idosas por acidentes domésticos, sendo as quedas a principal causa. A faixa etária mais afetada foi de pessoas acima de 80 anos, com mais de 6,7 mil óbitos no período. A pasta lembra que as informações referentes a 2024 são preliminares e sujeitos a alterações. O número, portanto, pode ser ainda maior.
 

Ainda segundo o Ministério, os tipos mais comuns incluem quedas no mesmo nível (4.813 óbitos), escorregões ou tropeços (2.537) e quedas sem especificação (902). 

Quando analisadas internações hospitalares no período entre 2023 e março de 2025, foram contabilizados 328.355 registros de pessoas com 65 anos ou mais internadas por causas relacionadas a quedas.

Com a população envelhecendo cada vez mais e as consequências dessa problemática, o Dia Mundial de Prevenção de Quedas, em 24 de junho, foi instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e incluída no Calendário da Saúde do Ministério da Saúde, com objetivo de alertar sobre riscos de quedas, principalmente entre os idosos.
 

“As quedas em idosos representam um dos maiores desafios para a saúde pública atualmente, devido às suas graves consequências para a qualidade de vida dessa população. Além do risco elevado de fraturas, especialmente de quadril, que podem levar à perda da autonomia e até a mortalidade precoce, as quedas impactam diretamente na capacidade funcional, gerando limitações físicas, dependência e isolamento social”, ressalta o presidente da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), Dr. Robinson Esteves. 

A fratura no quadril é uma condição extremamente séria em idosos, pois além da lesão óssea, pode levar a complicações graves como infecções, trombose e pneumonia, elevando significativamente o risco de mortalidade, que pode chegar a 20% a 30% no primeiro ano após o acidente.


O que fazer quando um idoso sofrer uma queda?

Ao presenciar uma queda, o primeiro passo é manter a calma e verificar se o idoso está consciente. Se estiver, pergunte se sente dor em alguma parte do corpo. Observe se há dificuldade de locomoção ou dor intensa em regiões específicas, sinais que podem indicar fratura. Nesse caso, não o movimente, mantenha-o deitado em uma posição confortável e acione o socorro médico. 

Se a queda parecer leve, ajude o idoso a se sentar e fique ao lado dele até que se recupere do susto. No dia seguinte, observe se surgiram hematomas ou dores persistentes. Caso os sintomas permaneçam ou piorem, leve-o imediatamente ao hospital. 

“Mesmo quando a queda parece simples, os riscos de complicações são altos, principalmente entre os mais velhos. Por isso, todo cuidado é pouco, tanto na prevenção quanto no atendimento imediato”, fala Esteves.


Prevenção

Algumas medidas simples podem fazer toda a diferença na prevenção de quedas dentro de casa, como usar calçados confortáveis e antiderrapantes e nunca andar apenas de meias. Se utilizar bengala, é importante verificar se a borracha da ponta está gasta e, se necessário, fazer a troca. 

“Na questão estrutural, remova fios soltos que cruzam os cômodos e, se possível, troque o piso do banheiro por um modelo antiderrapante. Evite prateleiras de vidro e mantenha a casa sempre bem iluminada, principalmente o caminho até o banheiro durante a noite. Instalar lâmpadas sensoriais pode ajudar a evitar a necessidade de procurar o interruptor no escuro”, recomenda o médico. 

Também é importante adaptar os ambientes com suportes, corrimãos e outros acessórios de segurança no banheiro, sala, corredores e quarto. “E, por fim, a prática regular de atividades físicas deve ser incentivada, pois ajuda a manter a força, o equilíbrio e a mobilidade, fatores essenciais para evitar quedas e preservar a autonomia na terceira idade”, conclui o especialista.


Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico - ABTO



Dia Mundial da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil: Brasil pode ocupar o quinto lugar em ranking mundial

Especialista alerta para os riscos que vão além obesidade


Esta terça-feira (3/6) é marcada pelo Dia Mundial da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil. A data tem o intuito de alertar a população sobre os riscos e cuidados necessários para o combate ao sobrepeso em crianças e adolescentes. 

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) relatam que, em todo o mundo, a população com obesidade, na faixa etária entre cinco e 19 anos, aumentou dez vezes na última década. Se nada for feito, estima-se que a prevalência chegue a 254 milhões de crianças e adolescentes em 2030. Nesse mesmo ano, a perspectiva é que o Brasil ocupe o quinto lugar neste ranking. 

“Para as crianças, a obesidade traz uma série de problemas cognitivos a curto prazo, como baixo desempenho na escola, falta de atenção, má qualidade do sono, bullying e depressão. No decorrer da vida, elas tendem a ser adultos obesos e a desenvolver doenças articulares, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e outras doenças crônicas”, alerta a Dra Maylla Moura Cabral, endocrinologista pediátrica da Atma Soma. 

De acordo com ela, é de extrema importância o acompanhamento regular com o pediatra para identificar precocemente o excesso de peso, receber orientações de hábitos saudáveis e tratamento adequado. 

“É imprescindível estabelecer uma rotina de atividade física consistente, alimentação equilibrada, sono saudável, uso consciente dos dispositivos eletrônicos e acompanhamento multidisciplinar”, recomenda.

 

Estudo revela ligação genética entre TDAH e dor crônica e aponta caminhos para repensar diagnóstico e tratamento

Pesquisa liderada por professor do ICB-USP sugere que a dor crônica pode ter origem neuropsiquiátrica, abrindo caminho para tratamentos integrados com foco no neurodesenvolvimento.


Um estudo liderado pelo professor Diego Rovaris, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), revelou uma ampla sobreposição genética entre o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e a dor crônica de múltiplos sítios. Os resultados, publicados no periódico Biological Psychiatry Global Open Science, sugerem que as duas condições compartilham mecanismos biológicos relacionados ao neurodesenvolvimento, o que pode redefinir a forma como ambas são compreendidas e tratadas na prática clínica. 

O trabalho tem como primeiro autor o pesquisador Nicolas P. Ciochetti, doutorando do laboratório PhysioGen Lab (ICB-USP), e foi realizado em colaboração com instituições como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), no contexto da Rede TDAH Brasil — a maior iniciativa de pesquisa sobre TDAH em adultos da América Latina.
 

Conexão genética – A partir de dados genéticos de larga escala, com amostras que somam até 766 mil indivíduos, os pesquisadores identificaram que a correlação genética entre TDAH e dor crônica é três vezes maior do que entre TDAH e enxaqueca (valores de correlação genética de 0,6 e 0,2, respectivamente). O estudo localizou 12 regiões do genoma compartilhadas entre TDAH e dor crônica, contra apenas uma região comum com a enxaqueca. 

Além disso, mais de 80% das variantes genéticas compartilhadas entre TDAH e dor crônica apresentaram efeitos na mesma direção, ou seja, predisposições genéticas para TDAH também estavam associadas a maior risco de dor. 

“Esses dados mostram que não se pode mais tratar a dor crônica apenas como uma condição somática. Há um componente ligado ao desenvolvimento do sistema nervoso, que se conecta diretamente com a biologia do TDAH”, explica Rovaris. “Isso muda a forma como devemos abordar o diagnóstico e o tratamento de ambos.”
 

Metodologias e validação – O estudo aplicou diferentes abordagens pós-GWAS (estudos de associação por varredura genômica), como LAVA, MiXer, conjFDR e análise de Randomização Mendeliana, para investigar as relações causais e o compartilhamento de variantes genéticas e de vias biológicas. Também foi utilizada uma amostra independente de 1.660 indivíduos brasileiros, o que permitiu validar os achados genéticos e associá-los a características clínicas, como gravidade dos sintomas de TDAH e presença de comorbidades como transtorno bipolar e dependência de substâncias. 

Essa amostra apontou que os escores genéticos de risco para dor crônica estavam associados à gravidade dos sintomas de TDAH, especialmente impulsividade e hiperatividade, e a alterações estruturais no cérebro — como áreas corticais e subcorticais — compatíveis com o que se observa em pessoas com TDAH.

 

Implicações clínicas e terapêuticas – Dois relatos de caso mencionados pelos pesquisadores ilustram o potencial impacto das descobertas: pacientes com dor crônica de longa data tiveram redução dos sintomas de dor após iniciarem tratamento para TDAH. Embora sejam apenas relatos iniciais, eles reforçam a hipótese de que medicamentos usados no tratamento do TDAH podem atuar também sobre os mecanismos que causam dor. 

“Esse estudo abre possibilidades para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas integradas, que considerem simultaneamente a dor e os sintomas do TDAH”, afirma Nicolas Ciochetti. “Ao investigar essas vias biológicas compartilhadas, podemos chegar a estratégias de tratamento mais eficazes para uma população que sofre com múltiplas condições associadas.”
 

Um novo olhar sobre o TDAH – O TDAH é uma condição altamente comórbida, associando-se frequentemente a depressão, transtorno bipolar, ansiedade, transtornos de aprendizagem e uso de substâncias. Nos últimos anos, estudos também vêm indicando sua associação com doenças do sistema imune, obesidade, diabetes tipo 2 e outras condições somáticas. O novo estudo reforça essa visão integrada, ao demonstrar que a dor crônica compartilha bases genéticas com o TDAH tão fortes quanto a depressão, o que pode justificar a alta frequência dessa queixa em pacientes com o transtorno. 

“Estamos propondo uma mudança de paradigma. A dor crônica pode e deve ser considerada também como uma condição de saúde mental em muitos casos”, conclui Rovaris.

Artigo original: Genetic Interplay Between ADHD and Pain Suggests Neurodevelopmental Pathways and Comorbidity Risk, foi publicado na Biological Psychiatry Global Open Science, em 2025


Cobertura vacinal contra Influenza despenca para 31% e acende alerta para avanço de vírus respiratórios no país

Infectologista aponta falha grave na adesão à imunização e aumento expressivo de hospitalizações entre crianças e idosos em todo o Brasil

 

A cobertura vacinal contra a gripe no Brasil atingiu um dos patamares mais baixos dos últimos anos, com apenas 31,93% do público prioritário imunizado até 26 de maio, segundo dados do Ministério da Saúde. O cenário preocupa infectologistas, diante do avanço das internações por vírus respiratórios, especialmente Influenza A e Vírus Sincicial Respiratório (VSR), em crianças e idosos — os grupos mais vulneráveis. 

De acordo com o boletim InfoGripe da Fiocruz, referente à semana epidemiológica 20, o crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foi identificado em 20 das 27 unidades federativas. A Influenza A já responde por quase 70% dos óbitos confirmados por SRAG nas últimas quatro semanas, enquanto o VSR segue afetando de forma agressiva o público infantil. 

Para o médico infectologista Dr. Klinger Soares Faíco Filho, professor adjunto da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, apresentador do InfectoCast a baixa cobertura vacinal reflete uma falha sistêmica. “A população não está deixando de se vacinar por falta de acesso. O que estamos vendo é uma erosão silenciosa da cultura vacinal, agravada por campanhas fracas, ausência de busca ativa e desinformação”, afirma. 

A percepção equivocada de que a gripe é uma doença leve ou inevitável, segundo o especialista, também contribui para o descaso com a imunização. “É uma doença imunoprevenível com impacto direto na mortalidade hospitalar. Precisamos reforçar isso com clareza. Sete em cada dez pessoas prioritárias estão sem proteção — isso é inaceitável”, alerta Dr. Klinger. 

O impacto já é evidente no sistema de saúde. Além do aumento das internações, houve elevação na ocupação de leitos pediátricos de enfermaria e UTI em estados como Rio Grande do Sul, Amazonas, Pernambuco e Bahia. “Estamos observando uma alta carga pediátrica, justamente entre os grupos que poderiam estar protegidos com uma vacina gratuita e segura”, destaca o infectologista. 

Outro ponto crítico apontado por especialistas é a dependência de estratégias reativas de vacinação. “Vacinar depois que o surto começa é apagar incêndio com copo d’água. A vacina da gripe leva cerca de duas semanas para gerar resposta imune. Se a cobertura está baixa agora, o impacto em hospitalizações já é praticamente inevitável”, explica o médico. 

A Fiocruz também destaca a persistência da COVID-19 como segunda causa de morte por SRAG entre idosos, mesmo com número absoluto de casos em baixa, representando 8,1% dos óbitos recentes. Isso reforça a importância da integração entre vigilância epidemiológica e ações preventivas coordenadas com a atenção básica. 

Entre as medidas recomendadas estão a reformulação das campanhas de comunicação com foco em risco, ampliação dos horários de vacinação, uso mais eficiente dos dados de vigilância e busca ativa por não vacinados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Estratégia de Saúde da Família (ESF). “Não é só mais uma gripe. É uma epidemia previsível alimentada pela inércia”, resume Dr. Klinger. 

A gripe, vale lembrar, é especialmente perigosa para idosos, crianças pequenas e pessoas com comorbidades. Estudos já demonstraram aumento de até 10 vezes no risco de infarto e AVC nos dias que sucedem a infecção. “Estamos pagando com internações e óbitos o preço da negligência vacinal. É preciso voltar a tratar a vacinação como prioridade estratégica — e não como um evento protocolar do calendário”, finaliza o infectologista.


Maio reforçou prevenção e diagnóstico precoce de três tipos de câncer

Câncer cerebral, de boca e de ovário foram foco das campanhas de conscientização no mês; oncologista da Unimed Araxá destaca sintomas e importância da detecção precoce

 

O mês de maio se consolidou no calendário da saúde como um período de alerta e conscientização para três tipos de câncer que, embora distintos, compartilham o mesmo desafio: o diagnóstico muitas vezes tardio. O câncer cerebral, o câncer de boca e o câncer de ovário são os protagonistas das campanhas de prevenção deste mês, que busca ampliar o conhecimento da população sobre os sinais e fatores de risco dessas doenças. 

De acordo com o médico oncologista clínico da Unimed Araxá, Dr. Gabriel de Oliveira, a incidência de neoplasias malignas tem aumentado progressivamente, e o papel da informação é fundamental para conter essa curva. “Mês a mês são feitas campanhas no sentido de conscientizar a população sobre alguns tipos de câncer”, afirma o especialista. 

O câncer cerebral, segundo o médico, é marcado por sintomas que exigem atenção imediata. “A presença de dores de cabeça de forte intensidade, fora de um padrão habitual da pessoa; crises convulsivas, especialmente em pessoas não portadoras de epilepsia; além de alterações da fala, da força ou do comportamento, devem motivar a visita ao médico para avaliação criteriosa”, explica Dr. Gabriel. 

Outro tipo de câncer que ganha visibilidade em maio é o de boca, frequentemente associado a hábitos como o consumo de álcool e tabaco, além da infecção pelo vírus HPV. “A presença de feridas na boca que não cicatrizam ou caroços no pescoço são sinais de alerta para a procura de serviço de saúde”, destaca o oncologista. Dr. Gabriel também reforça que a vacinação contra o HPV está disponível e é altamente eficaz na prevenção de cânceres relacionados ao vírus, incluindo o de boca. 

Já o câncer de ovário apresenta desafios adicionais por conta da natureza silenciosa de seus sintomas. “É uma doença que tem sintomas com aparecimento mais tardio e não específicos. Dores abdominais, aumento do volume abdominal e, em alguns casos, sangramento vaginal, podem estar associados a essa neoplasia”, explica. Em situações de predisposição genética, medidas preventivas como o monitoramento contínuo e até mesmo a retirada cirúrgica dos ovários podem ser indicadas. “Essas pessoas precisam ser monitoradas com maior atenção”, completa.

 

Alternativa contra a leucemia: tratamento inovador pode entrar no SUS

Terapia que ativa o sistema imunológico já foi aprovada pela Anvisa e está em consulta pública
 

Uma nova terapia capaz de usar o próprio sistema imunológico do paciente para combater um tipo agressivo de câncer no sangue pode estar prestes a ser oferecida pelo SUS. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) abriu uma consulta pública para avaliar se o tratamento da biofarmacêutica Amgen, já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)¹ e com cobertura garantida aos usuários de planos de saúde regulamentados pela ANS, conforme a Resolução Normativa nº 465/2021², será incluído na rede pública de saúde.

A notícia representa uma alternativa para pacientes diagnosticados com Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) — uma doença rara, que afeta tanto crianças quanto adultos e costuma avançar rapidamente, exigindo respostas médicas urgentes. Segundo dados da Leukemia Research Foundation, a LLA representa cerca de 75% das leucemias diagnosticadas na infância³.

A LLA é um tipo raro e agressivo de câncer no sangue que afeta adultos e crianças, sendo mais comum em crianças³. Em muitos casos, a doença apresenta evolução rápida e resistência aos tratamentos convencionais⁴.

O tratamento representa uma mudança de paradigma: em vez de atacar o câncer com quimioterapia tradicional, a terapia estimula as próprias células de defesa do organismo a reconhecer e destruir as células leucêmicas¹. Para muitos pacientes que não respondem bem aos tratamentos disponíveis, essa pode ser uma nova chance de luta.

“Essa terapia já salvou vidas em outros países e agora pode se tornar acessível também para os brasileiros, gratuitamente pelo SUS. É um passo enorme em direção a uma saúde mais moderna, igualitária e eficaz”, afirma Alejandro Arancibia, Diretor Médico da Amgen Brasil.

A consulta pública segue aberta e qualquer cidadão pode participar, inclusive pacientes e familiares. O objetivo é tornar o processo transparente e democrático⁵.



Como participar da consulta pública:

Consulta Pública Conitec/SECTICS nº 29/2025:
Link 
Indicação: Blinatumomabe para o tratamento de pacientes adultos com leucemia linfoblástica aguda de células B, cromossomo Philadelphia negativo e com doença recidivada ou refratária.

Consulta Pública Conitec/SECTICS nº 30/2025:
Link
Indicação: Blinatumomabe para tratamento de pacientes adultos com leucemia linfoblástica aguda de células B, cromossomo Philadelphia negativo, com doença residual mínima positiva.



Disponível de 15 de maio a 03 de junho de 2025.
 

 




Amgen
Amgen.com.br
LinkedIn, Instagram, Facebook e YouTube.



Referências bibliográficas:

1. Bula do medicamento Blinatumomabe – ANVISA. Disponível em: Link
2. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Resolução Normativa nº 465, de 24 de fevereiro de 2021. Disponível em: Link
3. Leukemia Research Foundation. Childhood Leukemia Facts and Stats.Disponível em: Link
4. Terwilliger T, Abdul-Hay M. Acute lymphoblastic leukemia: a comprehensive review and 2017 update. Blood Cancer J. 2017;7(6):e577. Disponível em: Link
5. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Disponível em: Link

SC-BRA-AMG103-00675 | Aprovado em abril de 2025 | Material informativo da Amgen Brasil destinado ao público em geral


Infertilidade atinge 1 em cada 6 pessoas no mundo: conheça as causas, os tratamentos e o papel da medicina reprodutiva

Especialista explica como a ciência tem transformado sonhos em realidade para mulheres e casais que enfrentam dificuldades para engravidar

 

Junho é o mês da conscientização sobre a infertilidade, condição médica que atinge milhões de pessoas em todo o mundo e que, embora comum, ainda é cercada por tabus, julgamentos e silêncio. Segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,5% da população adulta global é infértil, o que representa 1 em cada 6 pessoas. No Brasil, a estimativa é de que 278 mil casais enfrentem dificuldades para engravidar, um número que reforça o caráter de problema de saúde pública.

A infertilidade é definida pela OMS como a incapacidade de engravidar após 12 meses de tentativas regulares sem o uso de métodos contraceptivos. E embora muitas vezes seja erroneamente atribuída apenas às mulheres, especialistas explicam que as causas estão divididas quase igualmente entre fatores femininos, masculinos e mistos.

“Infertilidade não é uma sentença nem culpa de ninguém. É uma condição médica que pode ser investigada, compreendida e, na maioria das vezes, tratada com muito sucesso. O mais importante é buscar ajuda especializada e entender que existe caminho,” afirma a ginecologista e especialista em Reprodução Humana Dra. Carla Iaconelli, referência em tratamentos de fertilidade.


As causas mais comuns de infertilidade

No caso das mulheres, os principais fatores que afetam a fertilidade incluem:

  • Distúrbios hormonais que afetam a ovulação
  • Idade avançada – a fertilidade feminina começa a cair significativamente após os 35 anos
  • Endometriose
  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
  • Obstruções tubárias (nas trompas de falópio)
  • Miomas, pólipos e anomalias uterinas


Nos homens, as principais causas estão relacionadas a:

  • Alterações na qualidade ou quantidade dos espermatozoides
  • Varicocele (dilatação das veias testiculares)
  • Disfunções hormonais
  • Infecções ou traumas
  • Estilo de vida: consumo excessivo de álcool, tabagismo, obesidade, estresse crônico e uso de anabolizantes

“Muitas vezes o casal adia a busca por diagnóstico por vergonha, culpa ou desinformação. Quanto antes investigarmos, maiores são as chances de sucesso no tratamento. A infertilidade não escolhe classe social, orientação sexual ou idade — ela pode acontecer com qualquer pessoa,” explica Dra. Carla.


Avanços e opções de tratamento

A boa notícia é que a medicina reprodutiva avançou significativamente nos últimos anos, tornando possível o sonho da maternidade para mulheres e casais em diferentes contextos.

Entre os tratamentos disponíveis estão:

  • Relação sexual programada: ideal para casos mais simples, com acompanhamento do período fértil.
  • Inseminação intrauterina (IIU): os espermatozoides são processados em laboratório e introduzidos diretamente no útero.
  • Fertilização in Vitro (FIV): o óvulo é fecundado fora do corpo e o embrião transferido ao útero. É o tratamento mais conhecido e com maiores taxas de sucesso.
  • Congelamento de óvulos e embriões: indicado para quem deseja preservar a fertilidade.
  • Doação e recepção de óvulos ou embriões: indicada para mulheres com baixa reserva ovariana, menopausa precoce ou que passaram por tratamentos como quimioterapia.
  • Diagnóstico Genético Pré-implantacional (PGT): permite selecionar embriões livres de doenças genéticas.

“Hoje temos recursos para atender desde os casos mais simples até os mais complexos, com taxas de sucesso que podem chegar a 60% em ciclos de FIV, dependendo da idade da paciente e da qualidade embrionária. Além disso, o congelamento de óvulos é uma opção assertiva para mulheres que querem decidir o melhor momento para ser mãe,” explica a especialista.


Preservar a fertilidade também é um ato de planejamento

A idade ainda é um dos fatores mais impactantes na fertilidade feminina. A partir dos 35 anos, a qualidade e quantidade dos óvulos diminui, afetando as chances naturais de engravidar.

“É importante que a mulher conheça o próprio corpo e entenda que o tempo reprodutivo não acompanha o tempo social. O congelamento de óvulos é uma ferramenta poderosa de autonomia e planejamento. Ser mãe aos 40 é possível — desde que com acompanhamento médico especializado,” destaca Dra. Carla Iaconelli.


Infertilidade é saúde pública – e precisa ser falada com naturalidade

Apesar dos avanços tecnológicos, o acesso aos tratamentos ainda é limitado para grande parte da população. No Brasil, poucos centros públicos oferecem técnicas de reprodução assistida com regularidade, e a alta demanda gera longas filas de espera.

A OMS recomenda que governos ampliem políticas públicas e investimentos em saúde reprodutiva para garantir o acesso universal aos tratamentos de fertilidade — especialmente para casais com menor poder aquisitivo.

“Precisamos falar sobre infertilidade com naturalidade, empatia e responsabilidade. É uma questão de saúde, e não de escolha. A informação é a primeira forma de cuidado,” finaliza Dra. Carla.

 

Dra. Carla Iaconelli - ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. Atua no acompanhamento de mulheres e casais que sonham com a maternidade, oferecendo tratamentos personalizados e humanizados. É referência em técnicas como Fertilização in Vitro, ovodoação e preservação da fertilidade.


Posts mais acessados