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quarta-feira, 14 de maio de 2025

Maternidade e autismo: entre a culpa, o cansaço e o abandono institucional

Quase 90% das pessoas cuidadoras de crianças com TEA são as próprias mães; 47% delas se sentem culpadas pelas condições da criança


O sonho de ser mãe é algo que acompanha diversas mulheres ao longo da vida. Entretanto, algumas pesquisas mostram que a romantização da maternidade é algo prejudicial para a saúde emocional delas. Conforme a comunidade materna Portal Mommys, 49% das mães entrevistadas se sentem em um “limbo emocional” e 80% disseram estar “exaustas”, mesmo não tendo nenhuma doença mental ou física diagnosticada.

Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, 11 milhões de mulheres são mães solo no Brasil, número quase seis vezes maior do que o de pais solo. Um recorte mais recente do IBGE (2024) aponta que mais de 5,5 milhões de domicílios são chefiados por mães solo com filhos menores de idade — e a maioria dessas mulheres (mais de 60%) vive abaixo da linha da pobreza.

Além disso, 72,4% dessas mães solo vivem em domicílios monoparentais, sendo compostos apenas por elas e seus filhos. Ou seja, não moram com parentes ou agregados que teriam o potencial de ajudar nas responsabilidades familiares e na promoção do equilíbrio entre vida pessoal, família e trabalho. Para quem vive uma maternidade atípica, as responsabilidades podem ser ainda mais complicadas, pois os tratamentos contínuos dos filhos demandam mais tempo na vida dessas mães.

O estudo “Cuidando de quem cuida: um panorama sobre as famílias e o autismo no Brasil”, realizado pela Genial Care, rede de cuidado de saúde atípica especializada em crianças autistas e suas famílias, aponta que 86% das pessoas cuidadoras de crianças com TEA são as próprias mães e 47% delas se sentem culpadas pelas condições da criança.


A importância da rede de apoio

A presença de uma rede de apoio composta pelo pai, familiares, amigos, profissionais de saúde e grupos de apoio pode fornecer um suporte inestimável às mães. Essa rede oferece não apenas conforto emocional, mas também recursos práticos e informações valiosas sobre o autismo. Ao ter uma rede de apoio, as tomadas de decisões ficam mais leves, e é através dessa solidariedade e compreensão que as mães encontram força para enfrentar os obstáculos e celebrar as conquistas de seus filhos, criando um ambiente de apoio essencial para o desenvolvimento e bem-estar de toda a família.

Ao compartilhar experiências e conhecimentos, a rede de apoio ajuda as mães a se sentirem compreendidas e menos isoladas, permitindo-lhes navegar de forma mais eficaz pelos desafios únicos que enfrentam ao criar uma criança com autismo. “Como mãe que sempre trabalhou em período integral, precisei criar uma rede de apoio para poder me concentrar no trabalho sem me culpar ou me preocupar excessivamente com o bem-estar dos meus filhos. Estabelecer uma rotina tanto para mim quanto para eles tem sido muito útil. Lidar com a decisão diária sobre como será o dia deles pode ser cansativo, mas ter um roteiro predefinido facilita bastante, permitindo que eu lide mais facilmente com as exceções, como quando um filho fica doente ou quando há uma festa de aniversário para ir”, comenta a Vice-Presidente de Treinamento e Desenvolvimento da Genial Care, Antonia Mendes.

Para Antonia, o maior desafio que as mães carregam é precisar tomar decisões sem se sentirem culpadas. “E se quisermos dedicar mais tempo à maternidade e abdicar do trabalho? Ou de trabalhar na mesma intensidade que outros? Todas as ações terão uma consequência, e tudo bem. O inverso é verdade: se quisermos nos dedicar integralmente ao trabalho, como mães, perderemos alguns momentos com os filhos, e, temos que estar bem com essa decisão também”, acrescenta.


Burnout materno é real?

O burnout materno é o esgotamento emocional causado pelo estresse prolongado relacionado aos cuidados maternos, combinados com as múltiplas obrigações cotidianas. Alguns dos sintomas são sentimentos constantes de culpa, estresse relacionado à administração do tempo, exaustão mesmo após um período de repouso, sentimento de fracasso e impotência, irritabilidade sem motivo aparente, baixa autoestima, tristeza, medo e insegurança, entre outros. Todas as mães, sendo elas cuidadoras ou não, podem passar pelo cansaço mental, mas é importante reconhecer o impacto mental e emocional que elas enfrentam ao lidar com as barreiras para conciliar suas responsabilidades familiares e profissionais.

De acordo com o relatório “State of Motherhood 2024”, mais de 70% das mães relataram que sua saúde mental piorou desde que se tornaram mães. No Brasil, a Escola de Saúde Pública da USP revelou que cerca de 40% das mães brasileiras apresentaram sintomas compatíveis com burnout materno nos primeiros anos da maternidade. “A pressão para se adequar a padrões inatingíveis de produtividade e disponibilidade muitas vezes resulta em estresse, ansiedade e sentimentos de inadequação”, declara Ana Tomazelli, psicanalista e presidente do Instituto de Pesquisa de Estudos do Feminino e das Existências Múltiplas - Ipefem.


Maternidade atípica e os desafios do diagnóstico e tratamento

Ingrid Monte, de 43 anos, é mãe de Pedro, um menino de 8 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos dois anos de idade. Ela relata que o caminho até o diagnóstico precoce foi longo e difícil — e, após ele, surgiram novos obstáculos, como o alto custo do tratamento adequado.

“Conseguir o diagnóstico do Pedro já foi um desafio. Quando finalmente veio, percebi que o tratamento seria outro problema. As terapias variam de R$ 80 a R$ 350 por hora, e muitas crianças precisam de 20 a 30 horas semanais. Além disso, é necessário montar uma equipe multidisciplinar com profissionais como neuropsicóloga, terapeuta ocupacional e fonoaudióloga. Em casos mais complexos, há ainda intervenções como equoterapia e musicoterapia”, conta Ingrid.

A realidade da maternidade atípica no Brasil vai além do acesso ao diagnóstico e aos cuidados clínicos. Segundo Ingrid, mesmo os direitos garantidos por lei nem sempre são respeitados. Um exemplo é a presença de um acompanhante terapêutico nas escolas, direito previsto para alunos com TEA, mas que muitas vezes não é cumprido pela rede pública de ensino. “Na prática, faltam profissionais capacitados para oferecer esse suporte na escola. Isso compromete o desenvolvimento e a socialização da criança”, desabafa.

Entre as políticas públicas voltadas ao tema, a Lei Romeo Mion (Lei nº 13.977/2020) garante a emissão da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, instrumento que assegura prioridade no atendimento e no acesso a serviços públicos e privados. A norma leva o nome de Romeo, filho do apresentador Marcos Mion, e representa um marco importante na luta por mais visibilidade e respeito aos direitos das pessoas autistas e suas famílias.


O mercado de trabalho e as mães de crianças com deficiência

De acordo com Antonia Mendes, hoje o mercado de trabalho tende a oferecer mais oportunidades para quem pode se dedicar de maneira integral ao trabalho. “Isso implica que a mãe de uma criança atípica pode aceitar isso e ter que montar uma rede de cuidado para seu filho, (que não é simples e se não houver apoio da família pode ser caro), ou ela vai procurar oportunidades de trabalho que proporcionem uma rotina mais flexível, mas isso diminuirá o leque de oportunidades possíveis e muitas vezes pode ter um impacto financeiro negativo”, relata.

Para avançar na carreira, é comum que as empresas esperem um desempenho em alto padrão e uma dedicação consistente. O que muitas mães passam ou escutam é que “se sua maternidade é atípica, ou não, a impede de se dedicar assim, pode ser que outra pessoa na empresa vá avançar antes de você”, informa a vice-presidente.

Dados recentes reforçam o alerta das especialistas. Relatórios nacionais e internacionais mostram que mães de crianças com deficiência enfrentam uma taxa de desemprego duas vezes maior que a média. Ainda que haja avanço na pauta da diversidade, o recorte da maternidade atípica continua invisível em muitas políticas corporativas, o que agrava a sobrecarga dessas mulheres.

Em 2024, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontou que o Brasil apresenta uma das maiores lacunas de empregabilidade entre mulheres com filhos com deficiência e mulheres sem filhos. Já no Congresso Nacional, está em debate o projeto de lei que institui o “Estatuto da Mãe Cuidadora”, que prevê jornada de trabalho flexível e prioridade em processos seletivos públicos e privados — medida que visa garantir dignidade e autonomia para essas mulheres.

Antonia Mendes e Ana Tomazelli concordam que as mães que desejam trabalhar e contribuir para o sustento da família não deveriam enfrentar penalidades ou restrições devido à sua condição parental. “É fundamental que as empresas e instituições adotem políticas inclusivas que reconheçam e valorizem a maternidade, garantindo igualdade de oportunidades e tratamento justo para todas as mulheres, independentemente do estado civil ou da parentalidade”, finalizam.

 

Genial Care
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Dengue continua em alta no Brasil: apesar de queda nos registros, mortes são preocupantes em SP, PR e MG


As ocorrências prováveis da doença caíram 75% em
comparação com o mesmo período do ano passado

Crédito: NIAID

Dados de 2025 mostram redução nos índices, mas circulação de novos sorotipos e baixa adesão à vacina alarmam autoridades e especialistas 

 

O Brasil enfrenta um cenário ambíguo no combate à dengue em 2025 — e isso é ainda mais preocupante porque a falsa sensação de segurança causa redução nas medidas de combate e prevenção. As ocorrências prováveis da doença caíram 75% em comparação com o mesmo período do ano passado — totalizando 1.196.005 casos entre janeiro e abril —, sendo mais da metade registrada em São Paulo, com mais de 680 mil comunicações formais. Em Minas Gerais, os registros ultrapassam 127 mil e no Paraná, 96 mil. As mortes seguem em patamar elevado, especialmente nesses três estados.

Segundo dados do Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, atualizado até 5 de maio, o país contabilizou 805 vítimas fatais. São Paulo lidera, com 568 confirmações, seguido pelo Paraná, com 60, e Minas Gerais, que soma 57 mortes. Nos três estados, os índices superam as médias anteriores e acendem alerta sobre a gravidade da situação.

Ainda de acordo com a pasta, há hoje no Brasil 80 municípios prioritários no enfrentamento à doença. Desses, 55 estão em São Paulo, 14 no Paraná e 11 distribuídos entre Bahia, Goiás, Rio Grande do Norte, Acre e Pará, abrangendo todas as regiões do território nacional. Considerando o volume total de notificações, 73% estão concentradas em São Paulo, Paraná e Minas Gerais — estados que também respondem por 86% das mortes.


Sorotipos mais agressivos e novo cenário epidemiológico

A preocupação dos profissionais da saúde não se limita aos números absolutos. O que chama a atenção é o retorno do sorotipo 3 da dengue, que não circulava com força no Brasil há mais de 15 anos. Essa variante tem potencial para causar quadros clínicos mais severos, sobretudo em pessoas que já foram infectadas anteriormente, o que aumenta a probabilidade de complicações. No estado paulista, 72% dos registros em 2025 estão associados a esse tipo.

Até agora, o sorotipo 3 foi identificado em pelo menos 11 estados: Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Pará, Roraima, Maranhão, Piauí e São Paulo — este último considerado o mais crítico devido à alta densidade populacional e à concentração de 73,4% dos diagnósticos.

Além disso, foram detectadas ocorrências do tipo 4 em território paulista — outro fator que contribui para o agravamento do cenário. A presença simultânea dessas variantes aumenta o risco de surtos mais intensos e tem impacto direto na taxa de letalidade.


Vacinação ainda enfrenta resistência

Desde o ano passado, o Ministério da Saúde vem aplicando o imunizante em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, nas regiões com maior risco. No entanto, a adesão segue abaixo do esperado. Em municípios como Ribeirão Preto (SP), apenas 36,6% do público-alvo recebeu a primeira dose, e a taxa de retorno para a segunda, prevista três meses após a inicial, é ainda mais preocupante, com cobertura de apenas 16%.

No Paraná, a campanha foi estendida a 218 municípios, incluindo Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel. Apesar da disponibilidade, a ação esbarra na desinformação e na desconfiança de pais e responsáveis. O impacto dessa baixa cobertura já pode ser observado na elevação das internações e no aumento das complicações decorrentes da doença.


Especialista alerta para importância da vacina e prevenção

A médica pediatra do Departamento de Saúde Escolar dos colégios da Rede Positivo, Andrea Dambroski, reforça que a vacinação é uma das principais estratégias no controle da enfermidade, especialmente entre o público infantojuvenil. “A imunização é uma ferramenta crucial na prevenção da dengue. Além de reduzir o risco de transmissão, ajuda a evitar formas mais sérias da doença e contribui para a proteção coletiva”, destaca.

A médica também enfatiza a relevância das medidas cotidianas de proteção, que dependem exclusivamente das famílias — como evitar o acúmulo de água em áreas externas. O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, prolifera em locais com água parada. “É fundamental eliminar criadouros, usar repelentes, manter caixas d’água bem vedadas e não acumular lixo. Essas ações simples fazem grande diferença na contenção dos focos”, afirma Andrea.

Em caso de suspeita, a recomendação é atenção redobrada aos sintomas e busca imediata por atendimento. “Febre alta, dores no corpo, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele são sinais de alerta. Diante desses indícios, procure um posto de saúde para diagnóstico e tratamento adequados”, orienta. “A conscientização da população, o fortalecimento das campanhas públicas e a adesão ao imunizante são fundamentais para evitar uma nova escalada da epidemia”, completa.

 

Colégio Positivo


Check-ups regulares: aliados essenciais na prevenção de doenças silenciosas

Condições como hipertensão e diabetes estão entre as doenças que mais causam mortes no Brasil


Realizar um check-up anual é fundamental para prevenir doenças e garantir qualidade de vida. No entanto, grande parte da população ainda não prioriza essa prática. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70% dos brasileiros não realizam check-ups anualmente. A realização desses exames é essencial para a identificação precoce de potenciais problemas de saúde, especialmente no caso de doenças que inicialmente podem ser silenciosas, como hipertensão e diabetes. 

Essas condições podem não apresentar sintomas em seus estágios iniciais e, se não tratadas, podem evoluir para complicações graves. Além disso, estão entre as doenças que mais causam mortes no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Entre as oito doenças específicas com maior mortalidade no país estão: infarto agudo do miocárdio, pneumonia, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de pulmão e insuficiência cardíaca. Muitas delas podem ser diagnosticadas precocemente por meio de check-ups regulares, evitando consequências mais graves.


A importância da prevenção

Dra. Suellen Torres, clínica médica do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), ressalta a importância desse acompanhamento preventivo. "Os check-ups são essenciais para a prevenção de doenças, pois algumas podem ser silenciosas no início”, afirma. Segundo a médica, hipercolesterolemia (colesterol alto), trigliceridemia, pré-diabetes, diabetes inicial, hipertensão e HIV estão entre as principais doenças silenciosas que podem ser identificadas em um check-up. “Se não diagnosticadas e tratadas precocemente, condições como hipertensão, diabetes e colesterol, por exemplo, podem evoluir para complicações graves, como infartos e acidentes vasculares cerebrais”, diz. 

A detecção precoce é possível por meio de exames laboratoriais, físicos e avaliação clínica detalhada. Além disso, exames de rotina podem revelar outras alterações, como distúrbios da tireoide (hipotireoidismo e hipertireoidismo) e anomalias no eletrocardiograma que sugerem doenças isquêmicas do coração.


Frequência e adoção de hábitos saudáveis

Segundo a médica, a frequência ideal para a realização dos exames depende do perfil do paciente. Indivíduos saudáveis devem realizar check-ups anuais, mas, em alguns casos, pode ser necessário um acompanhamento mais frequente. Por isso, é fundamental que cada situação seja avaliada individualmente pelo médico.

Além da prevenção, o check-up também promove a conscientização sobre a saúde e reforça a importância do autocuidado. Segundo Dra. Suellen, adotar hábitos saudáveis é um passo essencial para reduzir a incidência de doenças silenciosas e melhorar a qualidade de vida. Entre as principais recomendações, estão a prática de atividade física regularmente, manter uma alimentação balanceada rica em frutas, verduras e legumes, ter um sono reparador de 6 a 8 horas por noite, manter-se hidratado e evitar o consumo de tabaco e bebidas alcoólicas.

 


Hospital Evangélico de Sorocaba

Você sabe o que é baby blues?



Maio Furta-Cor é para sensibilizar a população
para a causa da saúde mental materna
Divulgação Maio Furta Cor

Neste Maio Furta-Cor médica explica a condição que afeta as mães no puerpério


Vontade de chorar, desânimo, ansiedade irritação, melancolia, insegurança, dificuldade de concentração, alterações de humor, dificuldade para dormir são alguns dos sintomas do baby blues, uma condição que afeta muitas mulheres após o parto. Este é um tema essencial para ser discutido no Maio Furta-Cor, mês que é conhecido por ser das mães e por esse motivo foi escolhido, desde 2021, para sensibilizar a população para a causa da saúde mental materna. O Furta-Cor é uma tonalidade que se altera de acordo com a luz que recebe, não tendo uma cor absoluta. No espectro da maternidade não é diferente, nele cabem todas as cores. 

A médica psiquiatra Lisa Pena, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica a condição. “O baby blues é uma reação emocional transitória e muito comum, até esperada nos primeiros dias após o parto, pois a sua manifestação ultrapassa 70% das mulheres que dão à luz, independente da via de parto. Tem íntima relação com as intensas mudanças hormonais do período, à privação de sono e à adaptação ao novo papel materno. Os sintomas podem ter início logo após o parto e costumam cessar em até duas semanas, tendendo a se resolver espontaneamente”. 

Ela, que é especialista em saúde mental da mulher, pontua como aqueles que cercam essa mãe podem notar que ela está passando por um baby blues. “O parceiro, familiares e amigas podem perceber que a mulher-mãe está mais sensível, chorosa, irritada ou ansiosa, com comportamentos diferentes do seu habitual. Ela pode parecer sobrecarregada ou dizer que não está se sentindo como esperava sentir. Esses sinais, quando leves e passageiros, são comuns. O importante é observar se os sintomas diminuem com o tempo ou se começam a se intensificar, o que exigirá avaliação profissional”.

 

Não é depressão

Lisa Pena ressalta que o baby blues é diferente da depressão pós-parto. “A principal diferença está na intensidade, duração e impacto dos sintomas. O baby blues envolve oscilações do humor dentro do mesmo dia, choro fácil, irritabilidade e sensação de sobrecarga, mas a mulher permanece sem prejuízos para cuidar de si e do bebê. Tais sintomas aparecem já nos primeiros dias e melhoram gradualmente, em até 15 dias após o parto. Já a depressão pós-parto se caracteriza por sintomas mais intensos e duradouros, como a tristeza persistente, choro frequente, perda do interesse e prazer, sentimentos de culpa, de desesperança, que pode inclusive dificultar a conexão com o bebê e, em casos mais graves, até cursar com pensamentos de morte - como por exemplo o de que todos, inclusive o bebê, ficariam melhor sem a presença da mesma”.  

A psiquiatra destaca como quem rodeia a mãe pode auxiliá-la no baby blues. “O apoio emocional e prático faz grande diferença. Estar presente, ouvir sem julgar, ajudar com o bebê ou com tarefas da casa, tarefas externas, garantir que a mulher-mãe tenha tempo para dormir (oferecendo suporte noturno, mesmo que de maneira intermitente) e também de praticar o seu autocuidado em coisas simples: tomar banho adequadamente, comer com calma e por que não até ir ao salão? Tudo isso contribuirá para o bem-estar materno. Validar os sentimentos, sem minimizar ou romantizar o puerpério e a maternidade, é um ato de amor e zelo”. 

Muitas mães não querem deixar passar esses sentimentos negativos para o bebê, a médica que pode ser acompanhada pelo perfil @lisapena.psiquiatra, ressalta que esse é um medo muito comum, mas não se pode deixar levar por ele. “É importante lembrar que acolher as próprias emoções e buscar apoio já é um gesto de proteção e cuidado com ambos. Relações afetivas seguras não dependem de perfeição, mas de presença, vínculo e verdade, a qual se constrói com o tempo e tendo saúde. Uma mãe que cuida de si está cuidando, também, do seu bebê, da sua família e da sociedade”. 

De acordo com Lisa Pena, normalmente não é preciso um tratamento para o baby blues. “Na maioria dos casos, ele passa naturalmente, sem a necessidade de tratamento medicamentoso. No entanto, a psicoterapia é sempre bem-vinda, inclusive com a abordagem em psicologia perinatal, pois será fundamental oferecer escuta qualificada e acolhedora, além de descanso e suporte efetivo à nova mãe. O acompanhamento com uma equipe de saúde especializada pode ajudar a garantir que os sintomas não estejam evoluindo para algo mais sério. A atenção a este momento pode fazer toda diferença à prevenção de adoecimentos crônicos.

 

Doença celíaca tem tratamento, mas requer dieta rigorosa

 Gastroenterologista do Seconci-SP explica os cuidados para manter o controle da doença


A doença celíaca é uma condição autoimune causada pela intolerância ao glúten, mesmo em pequenas quantidades, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada e centeio. Por ocasião do Dia Mundial da Conscientização sobre a Doença Celíaca (16 de maio), o gastroenterologista do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), Moacir Augusto Dias, explica que as respostas imunes ao glúten levam a uma reação inflamatória na mucosa do intestino com atrofia das vilosidades.

“A doença atinge cerca de 1% da população e é mais prevalente nos países da Europa, Norte da África, Oriente Médio, Índia e Norte da China. Há uma predisposição genética para sua ocorrência, apesar de poder estar associada a outros distúrbios autoimunes, como diabetes tipo I e tireoidite autoimune. A doença celíaca pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum em crianças. E é mais frequente em mulheres, na proporção de dois a três casos para um em homens”, afirma o especialista.

Quadros de diarreia, com fezes volumosas, dor abdominal, inchaço, desconforto, perda de peso sem motivo aparente, fadiga e dor nas articulações são alguns sinais de alerta, que devem levar a pessoa a procurar um médico. “Tudo começa com um exame clínico, quando serão avaliados os sintomas e o histórico do paciente. São solicitados também exames de sangue e, em alguns casos, endoscopia com biópsia da segunda porção do duodeno, que permite avaliar a presença de lesão na mucosa intestinal”, descreve dr. Dias.


Controle e tratamento

A inflamação e as lesões no intestino delgado comprometem a capacidade de absorção dos nutrientes, o que pode levar à deficiência de minerais, como o cálcio e de vitaminas do complexo B, além das vitaminas A, D, E e K.

A forma mais eficaz para controlar a doença e evitar complicações é seguir uma dieta sem glúten e fazer um acompanhamento médico regular, especialmente no início do tratamento. “Podem ser prescritas medicações para auxiliar no tratamento. Quando ocorre na fase adulta costuma ser mais branda. De toda a forma, é fundamental avaliar a resposta ao tratamento, pois a doença celíaca pode ter um impacto significativo na qualidade de vida da pessoa”, destaca o gastroenterologista.

 

Estudo destaca a espiritualidade como aliada no controle da hipertensão arterial

Com quase metade dos adultos brasileiros afetados pela pressão alta, especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça alerta para diagnóstico e prevenção da doença silenciosa

 

Neste Dia Mundial da Hipertensão Arterial, celebrado neste sábado, 17 de maio, dedicada à conscientização global sobre a importância da prevenção, diagnóstico e controle da pressão alta, o Prof. Dr. Álvaro Avezum, cardiologista e head do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, destaca um novo fator que vem ganhando espaço na abordagem da doença: a espiritualidade. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipertensão afeta cerca de 1,28 bilhão de adultos, o que representa 33% da população mundial nessa faixa etária. Mesmo sendo tão comum, apenas 42% estão em tratamento e 21% têm a pressão arterial controlada. Diante desse cenário, novas abordagens vêm sendo estudadas para ajudar no controle da hipertensão. 

Publicado em 2024 na revista Global Heart, o estudo FEEL Trial (Spirituality-Based Intervention in Hypertension: EFfects on Blood PrEssure and EndotheliaL Function), demonstrou que práticas como gratidão, perdão, otimismo e propósito de vida podem ajudar a reduzir a pressão arterial e melhorar a saúde vascular em pessoas com hipertensão leve a moderada. 

“A melhora do controle da pressão arterial foi conseguida além do tratamento medicamentoso e da dieta. Estímulo para exercitar gratidão, disposição ao perdão, otimismo e propósito de vida influenciam a saúde cardiovascular”, explica o cardiologista e um dos autores do estudo. 

Conhecida como pressão alta, a hipertensão arterial ocorre quando a pressão nos vasos sanguíneos se mantém igual ou superior a 140 por 90 mmHg (milímetros de mercúrio). O primeiro número representa a pressão sistólica, medida durante a contração do coração, enquanto o segundo indica a pressão diastólica, registrada durante o relaxamento do músculo cardíaco. 

O estudo FEEL Trial acompanhou durante três meses 100 adultos com hipertensão leve a moderada, 51 no grupo de intervenção e 49 no grupo controle. Os participantes receberam, via WhatsApp, mensagens diárias com vídeos e reflexões voltadas à espiritualidade e baseados em quatro pilares: perdão, gratidão, otimismo e propósito de vida. 

Ao final do período no grupo que recebeu a intervenção espiritual, houve redução média de 7,6 mmHg na pressão sistólica de consultório, representando uma queda de cerca de 6%, além de uma melhora de 7,5% na função endotelial, marcador importante da saúde vascular. Já no grupo controle, a pressão se manteve estável. 

“A espiritualidade, quando implementada com base em evidências científicas, pode auxiliar no enfrentamento das situações adversas do cotidiano e, consequentemente, atenuar estresse, ansiedade, qualidade do sono, dentre outros fatores e até na adesão ao tratamento. Esses efeitos podem ter impacto positivo sobre a pressão arterial”, afirma Dr. Avezum. 

Embora novos caminhos, como a espiritualidade, ampliem as opções de tratamento, os cuidados tradicionais continuam indispensáveis. A hipertensão está associada a fatores como genética, envelhecimento, obesidade, sedentarismo, alimentação rica em sal e gordura, consumo excessivo de álcool, tabagismo, diabetes e estresse. 

Aspectos ambientais e sociais, como o acesso a serviços de saúde e o estilo de vida urbano, também contribuem para o desenvolvimento da doença. Além disso, o não controle adequado da pressão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, que lideram as causas de morte evitáveis no Brasil e no mundo. 

“Medidas como atividade física regular, alimentação saudável, controle do peso, redução do consumo de álcool, parar de fumar e gerenciar o estresse continuam sendo pilares fundamentais. A espiritualidade surge como um complemento valioso, não substituindo as medidas de estilo de vida já confirmadas como eficazes”, enfatiza o Dr. Álvaro Avezum.
 

Diagnóstico precoce salva vidas

Como a hipertensão é geralmente silenciosa, e, em casos mais extremos, pode causar dor de cabeça, tontura, visão embaçada e falta de ar, medir a pressão regularmente é essencial. Em muitos casos, apenas aferições em consultório não são suficientes. Métodos como MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) e MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial) aumentam a precisão do diagnóstico e ajudam a evitar complicações. 

"Diagnosticar e controlar a hipertensão salva vidas. Controle de 10 fatores de risco modificáveis (hipertensão arterial, obesidade abdominal, tabagismo, força muscular reduzida, diabetes, alimentação não saudável, baixa escolaridade, sedentarismo, colesterol e depressão), evitaria 70% dos casos de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca no Brasil todos os anos", afirma o cardiologista. 

Para o Prof. Dr. Álvaro Avezum, a conscientização é o primeiro passo para mudar esse cenário: “A hipertensão é prevenível e tratável. A divulgação de informações baseadas em evidências e implementação na prática de hábitos saudáveis, é fundamental para aumento da expectativa e da qualidade de vida da nossa população”. 




Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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Tecnologia tem aumentado a Vida útil das próteses ortopédicas

Cirurgia melhora a qualidade de vida de pacientes que sofrem de desgastes nas articulações 

 

Uma boa notícia para quem sofre com dores e desconfortos nas articulações e que já “flerta” com a possibilidade de se submeter a uma cirurgia de prótese ortopédica. O aprimoramento tecnológico e uso de novos materiais têm garantido maior vida útil a esses equipamentos, o que expande o acesso a artroplastia - procedimento anteriormente indicado majoritariamente pacientes idosos - também para jovens adultos.  

Especialistas estimam que, até 2032, a substituição de joelhos por próteses deve aumentar em 673% e, nos casos de quadril, pode chegar a 174%. Segundo o ortopedista e traumatologista, cirurgião de joelho e coordenador da Residência em Ortopedia e Traumatologia do Hospital Evangélico de Belo Horizonte (HE), Glauco Almeida Passos, não há mais como falar em idade mínima para esse tipo de cirurgia. 

“Embora se tente adiar a cirurgia de prótese em adultos com idade abaixo de 50 anos devido à vida útil dos equipamentos e necessidade de substituição no futuro, é importante que cada caso seja avaliado individualmente pelo ortopedista, considerando-se o grau de desgaste da articulação, a deformidade articular existente e as necessidades da pessoa. Dependendo da dor e das limitações, a cirurgia pode ser feita em adultos mais jovens para o alívio da dor, melhora os movimentos e da qualidade de vida”, ressalta.


Próteses

Na artroplastia, as próteses ortopédicas são usadas para substituir articulações que perderam sua função devido a doenças degenerativas como artrose e artrites, fraturas graves, desgaste natural e/ou condições congênitas que afetam joelho, quadril, ombro, tornozelo e cotovelo (uso mais raro), e que causam dores e desconfortos, comprometem a mobilidade do corpo e, consequentemente, a qualidade de vida. 

Segundo o médico, próteses de quadril e joelho podem durar de 15 a 25 anos, ou até mais, dependendo do tipo de equipamento, do paciente e dos cuidados após a cirurgia. “Os avanços tecnológicos têm prolongado a vida útil das próteses. Os materiais usados para a confecção dos equipamentos empregam metais especiais, cerâmicas e plásticos de alta qualidade que têm uma resistência maior a desgastes. O encaixe também está melhor, o que aumenta a precisão da cirurgia e reduz atrito e desgaste na peça”, frisa.

Por outro lado, as novas técnicas cirúrgicas usadas pela especialidade da Ortopedia e Traumatologia também reduzem danos a ossos e músculos, o que ajuda a manter a prótese firme e durável por mais tempo. Na cirurgia robótica, por exemplo, o procedimento é realizado com auxílio de um robô semiautônomo, o que garante maior precisão no alinhamento da prótese, redução do tempo da cirurgia e do período de recuperação pós-operatória, entre outros.


Cuidados

Para que a cirurgia de prótese seja bem-sucedida e o equipamento tenha sua funcionalidade preservada por mais tempo, o ortopedista Glauco Passos recomenda alguns cuidados importantes antes e depois do procedimento. Confira as dicas.


Antes da cirurgia:

Seguir as orientações médicas: fazer os exames pedidos e informar sobre qualquer problema de saúde.

Preparar o corpo: manter um peso saudável e, se possível, fortalecer os músculos com fisioterapia.

Parar de fumar: o cigarro dificulta a cicatrização e aumenta o risco de infecções.

Controlar doenças como diabetes ou pressão alta, para evitar complicações durante e depois da cirurgia.

 

Depois da cirurgia:

Fazer fisioterapia: essencial para recuperar os movimentos e fortalecer os músculos ao redor da prótese.

Prevenir quedas: usar bengalas ou andadores no início e manter a casa segura (sem tapetes soltos ou obstáculos).

Tomar os medicamentos corretamente, principalmente os antibióticos e remédios para dor.

Evitar movimentos bruscos ou atividades de impacto, como correr ou pular, para não desgastar a prótese.

Manter o peso ideal: o excesso de peso força a prótese e pode diminuir sua durabilidade.

Fazer consultas de revisão com o ortopedista: mesmo sem dor, é importante verificar se está tudo bem com a prótese.

   


Hospital Evangélico de Belo Horizonte - HE


Pesquisas apresentadas no maior congresso de genética médica dos EUA relacionam o uso de fentanil à malformação fetal

Estudos endossados pela American College of Medical Genetics and Genomics apontam uma nova síndrome associada à exposição pré-natal ao opioide que é "febre" nos EUA e cresce no Brasil


Duas pesquisas apresentadas no último congresso da American College of Medical Genetics and Genomics, que ocorreu em Los Angeles, apontam uma nova síndrome associada à exposição pré-natal ao fentanil. A utilização da substância é uma epidemia nos Estados Unidos, representando mais de 75% das mortes por overdose no país em 2023, segundo o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, na sigla em inglês), e seu uso vem crescendo no Brasil. A droga pertence à classe dos opioides sintéticos e é indicada, principalmente, para tratamento de dores moderadas a intensas, além de ser associada a outros medicamentos para manter efeitos da anestesia durante procedimentos operatórios.

Os estudos sugerem que a nova síndrome tem características clínicas e bioquímicas que lembram outra condição genética rara, a Síndrome de Smith-Lemli-Opitz (SLOS), que causa múltiplas anomalias congênitas e deficiência intelectual. É caracterizada pela deficiência da enzima 7-desidrocolesterol redutase (DHCR7), essencial para a síntese de colesterol.

“A característica compartilhada na pesquisa entre todos os pacientes afetados foi a exposição pré-natal a opioides não prescritos, particularmente fentanil. Isso levou os pesquisadores a proporem que o fentanil interfere no metabolismo do colesterol durante o desenvolvimento fetal”, explica Guilherme Yamamoto, Head de Inovação Genômica e Bioinformática da Dasa Genômica.

A síndrome do fentanil fetal foi identificada em bebês com baixa estatura, microcefalia, características faciais distintas e anomalias congênitas. Em um dos estudos, conduzidos por 14 pesquisadores de oito instituições do Estados Unidos¹, as malformações congênitas observadas incluíram fenda palatina, pés equinovaros (pés tortos congênitos) e anomalias genitais. As características nos membros superiores e inferiores incluíram polegares curtos e largos (levemente aduzidos), prega palmar única, e sindactilia leve dos 2º e 3º dedos do pé (esta forma de sindactilia também típica da SLOS). Além disso, os bebês apresentavam hipoplasia do corpo caloso, uma condição em que o corpo caloso, que liga os dois hemisférios cerebrais, não se desenvolve totalmente, resultando em uma estrutura menor.

As descobertas clínicas nesses pacientes foram sugestivas de SLOS e, como na síndrome, estudos bioquímicos realizados logo após o parto indicaram anormalidades no metabolismo do colesterol, especificamente elevações de 7-deidrocolesterol (7-DHC) ou 8-deidrocolesterol (8-DHC).

Na segunda pesquisa, conduzida por profissionais ligados à Mayo Clinic, foi feita uma revisão retrospectiva de resultados de testes realizados de dezembro de 2023 a agosto de 2024 que identificou 15 casos confirmados de exposição pré-natal ao fentanil com elevações nas concentrações plasmáticas de 7-DHC e/ou 8-DHC².

A revisão foi feita com seis bebês do sexo masculino e nove do sexo feminino, com uma idade média de uma semana (variando de 1,2 dias a 8,6 semanas). “Foram fornecidos achados clínicos para 8 dos 15 pacientes, que exibiram as mesmas características da Síndrome de Smith-Lemli-Opitz, incrementando as evidências de que o fentanil pode interferir nas enzimas envolvidas na biossíntese do colesterol. Outras drogas, como trazadona e aripiprazol, também mostraram interferência na biossíntese de colesterol de maneira provavelmente semelhante, causando elevações de 7-DHC e 8-DHC", diz Yamamoto.

Segundo o médico não existem testes genéticos específicos para identificar a presença de fentanil no organismo ou a exposição no feto no passado, pois a detecção dessa substância é feita por exames toxicológicos (como testes em urina ou sangue). No entanto, testes farmacogenéticos podem analisar variantes em genes como CYP3A4, CYP3A5 e OPRM1, que influenciam a resposta, metabolismo e risco de efeitos adversos ao uso de fentanil e outros opioides. “Esses exames ajudam a prever como cada pessoa pode reagir ao fentanil, mas não detectam o uso da droga em si”, completa. É possível que no futuro, além dos marcadores bioquímicos de 7-DHC e 8-DHC uma análise epigenética (de metilação) nas crianças afetadas consiga detectar uma assinatura de exposição a esta droga, assim como o teste de Perfil de Metilação para Doenças Genéticas já faz para exposição fetal ao Valproato (uma droga que também pode causar múltiplas malformações fetais, em semelhança ao fentanil, mas por diferentes vias)

 

Fentanil no Brasil

As internações relacionadas ao uso de opioides no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentaram nos últimos anos, segundo pelo Ministério de Saúde. Em 2023, foram registradas 1.934 hospitalizações. Nos anos anteriores, foram: 1.676  (2022), 1.242 (2021), 958 (2020), e 1.265 (2019).





Referências

1- A novel syndrome associated with prenatal fentanyl exposure , acesso em https://www.gimopen.org/article/S2949-7744%2823%2900843-9/fulltext

2- Impact of pren https://www.gimopen.org/article/S2949-7744%2823%2900843-9/fulltext atal fentanyl exposure on sterol analysis for Smith-Lemli-Opitz syndrome in newborns, acesso em

 

Técnica que seleciona embrião compatível para doação de medula óssea enfrenta desafios na América Latina

Tipagem do antígeno leucocitário humano (HLA) ajuda a identificar doadores de medula óssea, com 25% de chance de dois irmãos serem completamente compatíveis. O teste genético pré-implantação para doenças monogênicas (PGT-M) permite a seleção de embriões saudáveis compatíveis com HLA de irmãos afetados. No entanto, seu uso na América Latina permanece limitado por fatores como falta de conhecimento e custos

 

Nos últimos anos, a medicina reprodutiva avançou significativamente, permitindo não só a prevenção de doenças genéticas hereditárias antes do nascimento do bebê, mas também a identificação de embriões compatíveis para doação de medula óssea a um irmão afetado. Isso é possível graças à técnica conhecida como tipagem do antígeno leucocitário humano (HLA), que permite identificar doadores compatíveis com HLA, mesmo antes do nascimento. Somado a isso, o teste genético pré-implantação para doenças monogênicas (PGT-M) permite identificar embriões livres da doença e compatíveis com HLA de irmãos afetados, reduzindo assim o risco de rejeição por parte do receptor.  

Isso porque o corpo está cheio de células com marcadores únicos – chamados HLA - em sua superfície. Esses antígenos ajudam o sistema imunológico a reconhecer quais células pertencem ao organismo e quais são intrusos, como vírus ou bactérias. “A tipagem do HLA possibilita descobrir a impressão digital de nossas células”, explica Daniela Lorenzi, assessora científica do laboratório Igenomix Argentina, do Vitrolife Group.

Daniela Lorenzi é a autora principal de estudo que apresentou uma revisão dos casos de tipagem HLA na América Latina e avaliou o sucesso clínico em termos do número de embriões disponíveis para transferência para o útero materno em tratamentos de Fertilização In Vitro (FIV). Por seu caráter inovador, a pesquisa foi selecionada para apresentação oral na 22ª edição da Conferência da Sociedade Internacional de Diagnóstico Genético Pré-implantação (PGDIS), realizada em abril em Leuven, na Bélgica. O evento é dedicado à discussão e apresentação de avanços na área da genética pré-implantacional, com foco em diagnóstico e tecnologias aplicadas à reprodução assistida. 

O transplante de células-tronco hematopoiéticas, também conhecido como transplante de medula óssea, consiste em um tratamento no qual as células sanguíneas doentes ou deficientes são substituídas por células saudáveis, restabelecendo assim o sistema imunológico e a produção de sangue. Desta forma, é indicado para doenças que afetam a produção de células sanguíneas como leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, anemias graves (especialmente anemia aplástica), lúpus, doenças metabólicas como a síndrome de Hurler; alterações genéticas hereditárias como a doença de falciforme, entre outras.

Na prática, o sistema imunológico reconhece as proteínas HLA como marcadores que pertencem à pessoa. Se houver incompatibilidade, o sistema imunológico do receptor pode atacar as células do doador (rejeição) ou as células do receptor podem atacar as células do doador. “A probabilidade de se ter um irmão HLA idêntico é de cerca de 25%, enquanto a chance de encontrar um doador não relacionado com a família por meio de registros nacionais e internacionais é extremamente pequena”, explica Daniela Lorenzi.


ENTENDA CADA PASSO

  1. O PGT-M pode ser utilizado em transplantes de medula óssea para garantir a compatibilidade HLA entre o doador e o receptor, e assim evitar a rejeição do enxerto. O PGT-M auxilia na seleção de embriões com perfil genético mais adequado para o transplante, otimizando as chances de sucesso do procedimento. O DNA do casal e dos membros da família são analisados para identificar a mutação genética causadora da doença. Para prevenir a mutação no futuro bebê (que poderá ser doador compatível) é preciso realizar uma Fertilização in Vitro (FIV), que permite o acesso aos embriões do casal.
  2. Após confecção de uma sonda para análise exclusiva da família, no laboratório de genética, as células biopsiadas do embrião são analisadas para identificar aqueles livres de doença hereditária.
  3. O embrião livre da mutação será selecionado, para permitir que o bebê nasça livre da doença genética hereditária.
  4. Embrião saudável é transferido ao útero para nascer livre da mutação genética responsável pela doença hereditária. As futuras gerações, a partir desse bebê, estarão livres do risco da hereditariedade da doença evitada.


AVANÇOS E DESAFIOS NA AMÉRICA LATINA - Embora o primeiro caso bem-sucedido de tipagem HLA por meio de teste genético pré-implantação para doenças monogênicas (PGT-M) em um embrião para fins terapêuticos tenha ocorrido em 2001 e, desde então a técnica tenha evoluído significativamente, o conhecimento sobre esse avanço na medicina é limitado.Com o objetivo de revisar os casos de tipagem HLA na América Latina e avaliar o sucesso clínico em termos do número de embriões disponíveis para transferência para o útero materno em tratamentos de Fertilização In Vitro (FIV) estudo apresentado no PGDIS 2025 apresentou os dados coletados entre 2017 e 2024.

De 944 casos realizados no Brasil e Argentina, 68 foram HLA compatíveis, o que representa 7,2% dos casos, em um total de 44 pacientes. Os ciclos de PGT-M/HLA foram realizados nos laboratórios da Igenomix na América Latina, sendo 66 do Brasil e 2 da Argentina. Nenhum caso de tipagem HLA foi registrado no Chile, Peru, México e Colômbia. A média de idade  materna das participantes foi de 34,9 anos.

Para os procedimentos de tipagem HLA, houve apenas 6 ciclos de PGT-M, principalmente para leucemia. Em relação aos casos de tipagem HLA, com exclusão de doenças monogênicas, os casos foram realizados principalmente para doenças autossômicas recessivas (94% para o gene HBB). Ao todo, foram analisados 35 blastocistos. Deles, 22,9% (8/35) eram compatíveis com HLA, mas apenas 8,6% (3/35) também eram euploides (com número correto de cromossomos), evidenciando a importância da análise complementar no embrião para avaliação de cromossomos (teste de PGT-A), com o objetivo de prevenir falhas de implantação e perda de embriões.

O trabalho também mostrou que nos casos de tipagem HLA combinada com exclusão de doenças monogênicas, apenas 11,5% (50/434) eram euploides e adequados para transferência. No geral, o número médio de embriões analisados por casal foi de 10,6, sendo que 53 embriões (11,3%) eram adequados para a transferência: 30 casais (68,2%) tinham pelo menos um embrião para a transferência. Paralelamente, 14 casais (31,8%) não conseguiram transferência de embriões e abandonaram o tratamento ou a reprodução assistida.

A conclusão dos autores é que o PGT-M pode ser valioso para alcançar uma gravidez com compatibilidade HLA em um filho afetado. “É muito significativo que 30 casais, ou seja, 68% de nossa amostra, tiveram pelo menos um embrião para transferir. Demonstra que este tipo de investigação pode ser uma opção muito valiosa para o futuro de muitas famílias. Todavia, a baixa taxa de indicação na América Latina, comparado com a média mundial, é preocupante”, alerta Daniela Lorenzi.

Com exceção do Brasil, o uso se mostrou limitado na América Latina, possivelmente devido principalmente à falta de conhecimento sobre sua disponibilidade, mas também aos custos dos tratamentos de fertilização in vitro e testes genéticos, à necessidade de muitos embriões para garantir uma compatibilidade adequada e às questões éticas relacionadas à seleção de embriões. 



Igenomix

Vitrolife Group


Moda perigosa: especialista alerta para os riscos de remover os cílios por questões estéticas

Reprodução Redes Sociais


 Trend nas redes sociais pode causar danos irreversíveis à proteção dos olhos, segundo o oftalmologista Dr. Marcello Colombo, diretor do Hospital Visão Laser, referência em oftalmologia no Brasil


Uma nova tendência estética vem ganhando força nas redes sociais e acendendo o sinal de alerta entre médicos oftalmologistas: a retirada dos cílios – tanto os superiores quanto os inferiores – por questões puramente visuais. A prática, compartilhada por influenciadores digitais que começou fora do país, está sendo reproduzida tanto por adolescentes quanto por jovens adultos, o que preocupa especialistas em saúde ocular. 

Para o médico oftalmologista Marcello Colombo, diretor do Hospital Visão Laser, que classificou a prática como “irresponsável” após assistir a um dos vídeos de retirada dos cílios, lembra que a opção é puramente estética e perigosa. “Os cílios não estão ali por acaso. Eles são a primeira linha de defesa dos nossos olhos contra poeiras, poluentes e corpos estranhos. Tirar os cílios é como abrir a porta da sua casa e retirar a tela de proteção da janela”, alerta. 

A função dos cílios vai além do fator estético. Eles atuam como uma verdadeira barreira protetora, ajudando a evitar irritações, infecções e até lesões mais graves nos olhos. “Ao remover os cílios, a pessoa pode comprometer a sensibilidade ocular e tornar os olhos muito mais vulneráveis. É um risco desnecessário, especialmente para quem ainda está em fase de desenvolvimento”, reforça o médico.

Nas redes sociais, o conteúdo tem sido propagado como uma forma de "abrir o olhar" ou “suavizar o rosto”. No entanto, a busca por um padrão de beleza imposto por filtros digitais pode acabar trazendo consequências irreversíveis à saúde visual. 

“É fundamental que pais e responsáveis fiquem atentos a esse tipo de conteúdo consumido por crianças e adolescentes. Muitas vezes, por influência digital, os jovens tomam decisões sem entender o impacto na saúde”, diz o oftalmologista. 

O alerta vale também para profissionais da beleza, salões e estúdios de estética: promover ou realizar esse tipo de procedimento pode representar um risco legal e ético, além de comprometer a saúde do cliente.


Visão Laser

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