Com quase metade dos adultos
brasileiros afetados pela pressão alta, especialista do Hospital Alemão Oswaldo
Cruz reforça alerta para diagnóstico e prevenção da doença silenciosa
Neste Dia Mundial da Hipertensão Arterial, celebrado neste sábado,
17 de maio, dedicada à conscientização global sobre a importância da prevenção,
diagnóstico e controle da pressão alta, o Prof. Dr. Álvaro Avezum,
cardiologista e head do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão
Oswaldo Cruz, destaca um novo fator que vem ganhando espaço na abordagem da
doença: a espiritualidade.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipertensão afeta
cerca de 1,28 bilhão de adultos, o que representa 33% da população mundial
nessa faixa etária. Mesmo sendo tão comum, apenas 42% estão em tratamento e 21%
têm a pressão arterial controlada. Diante desse cenário, novas abordagens vêm
sendo estudadas para ajudar no controle da hipertensão.
Publicado em 2024 na revista Global Heart, o estudo FEEL Trial
(Spirituality-Based Intervention in Hypertension: EFfects on Blood PrEssure and
EndotheliaL Function), demonstrou que práticas como gratidão, perdão, otimismo
e propósito de vida podem ajudar a reduzir a pressão arterial e melhorar a
saúde vascular em pessoas com hipertensão leve a moderada.
“A melhora do controle da pressão arterial foi conseguida além do
tratamento medicamentoso e da dieta. Estímulo para exercitar gratidão,
disposição ao perdão, otimismo e propósito de vida influenciam a saúde cardiovascular”,
explica o cardiologista e um dos autores do estudo.
Conhecida como pressão alta, a hipertensão arterial ocorre quando
a pressão nos vasos sanguíneos se mantém igual ou superior a 140 por 90 mmHg
(milímetros de mercúrio). O primeiro número representa a pressão sistólica,
medida durante a contração do coração, enquanto o segundo indica a pressão
diastólica, registrada durante o relaxamento do músculo cardíaco.
O estudo FEEL Trial acompanhou durante três meses 100 adultos com
hipertensão leve a moderada, 51 no grupo de intervenção e 49 no grupo controle.
Os participantes receberam, via WhatsApp, mensagens diárias com vídeos e
reflexões voltadas à espiritualidade e baseados em quatro pilares: perdão,
gratidão, otimismo e propósito de vida.
Ao final do período no grupo que recebeu a intervenção espiritual,
houve redução média de 7,6 mmHg na pressão sistólica de consultório,
representando uma queda de cerca de 6%, além de uma melhora de 7,5% na função
endotelial, marcador importante da saúde vascular. Já no grupo controle, a
pressão se manteve estável.
“A espiritualidade, quando implementada com base em evidências
científicas, pode auxiliar no enfrentamento das situações adversas do cotidiano
e, consequentemente, atenuar estresse, ansiedade, qualidade do sono, dentre
outros fatores e até na adesão ao tratamento. Esses efeitos podem ter impacto
positivo sobre a pressão arterial”, afirma Dr. Avezum.
Embora novos caminhos, como a espiritualidade, ampliem as opções
de tratamento, os cuidados tradicionais continuam indispensáveis. A hipertensão
está associada a fatores como genética, envelhecimento, obesidade,
sedentarismo, alimentação rica em sal e gordura, consumo excessivo de álcool,
tabagismo, diabetes e estresse.
Aspectos ambientais e sociais, como o acesso a serviços de saúde e
o estilo de vida urbano, também contribuem para o desenvolvimento da doença.
Além disso, o não controle adequado da pressão é um dos principais fatores de
risco para doenças cardiovasculares, que lideram as causas de morte evitáveis
no Brasil e no mundo.
“Medidas como atividade física regular, alimentação saudável,
controle do peso, redução do consumo de álcool, parar de fumar e gerenciar o
estresse continuam sendo pilares fundamentais. A espiritualidade surge como um
complemento valioso, não substituindo as medidas de estilo de vida já
confirmadas como eficazes”, enfatiza o Dr. Álvaro Avezum.
Diagnóstico precoce salva vidas
Como a hipertensão é geralmente silenciosa, e, em casos mais
extremos, pode causar dor de cabeça, tontura, visão embaçada e falta de ar,
medir a pressão regularmente é essencial. Em muitos casos, apenas aferições em
consultório não são suficientes. Métodos como MAPA (Monitorização Ambulatorial
da Pressão Arterial) e MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial)
aumentam a precisão do diagnóstico e ajudam a evitar complicações.
"Diagnosticar e controlar a hipertensão salva vidas. Controle
de 10 fatores de risco modificáveis (hipertensão arterial, obesidade abdominal,
tabagismo, força muscular reduzida, diabetes, alimentação não saudável, baixa
escolaridade, sedentarismo, colesterol e depressão), evitaria 70% dos casos de
infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca no
Brasil todos os anos", afirma o cardiologista.
Para o Prof. Dr. Álvaro Avezum, a conscientização é o primeiro
passo para mudar esse cenário: “A hipertensão é prevenível e tratável. A
divulgação de informações baseadas em evidências e implementação na prática de
hábitos saudáveis, é fundamental para aumento da expectativa e da qualidade de
vida da nossa população”.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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