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sexta-feira, 9 de maio de 2025

Portal Cate passa a contar com cursos de qualificação empreendedora do Mãos e Mentes Paulistanas

Plataforma de cursos da Prefeitura de São Paulo agora abrigará todas as aulas on-line do programa de artesanato e manualidades da Capital.  

 

O Portal Cate, da Prefeitura de São Paulo, começa a oferecer, a partir desta semana, cursos de qualificação profissional voltados aos artesãos e manualistas da Capital. A formação on-line visa à capacitação para participação no Programa Mãos e Mentes Paulistanas. Ao todo, são sete cursos que abordam temas como Modelagem de Negócio, Coleção Organizada, Administração Financeira, Sua Jornada de Impacto, Construindo o Amanhã, Presença Digital que Vende, Trabalho Seguro e Saudável. Com a migração para o portal, os artesãos terão acesso a uma plataforma mais completa e aprimorada, centralizando todos os recursos necessários para o seu desenvolvimento profissional. 

“O Portal Cate evoluiu e agora oferece uma plataforma ainda mais completa para os artesãos e manualistas. Além dos cursos do programa Mãos e Mentes Paulistanas, os usuários poderão acessar e se inscrever em diversas outras formações já disponíveis na plataforma unificada, reunindo tudo o que precisam em um só lugar”, afirma o secretário de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Rodrigo Goulart.  

Dessa forma, além de completar sua formação empreendedora do Mãos e Mentes Paulistanas, os participantes poderão ampliar seus conhecimentos encontrando outros cursos que agreguem o seu caminho de qualificação profissional.

 

O que muda?

A principal mudança com a migração dos cursos do Mãos e Mentes para o Portal Cate é que, a partir de agora, não existe mais a necessidade de esperar que o curso seja liberado para fazer um módulo específico.

Todos estarão disponíveis constantemente na plataforma a qualquer momento. Assim, se falta apenas algum módulo específico para completar a formação empreendedora do artesão, basta acessar e finalizar esta etapa.

Para fazer os cursos, é necessário ter um dispositivo com conexão à internet, que poderá acessá-los 24 horas por dia e durante os sete dias da semana.

 

 

Dúvidas sobre o processo

Caso o interessado tenha feito todos os cursos ou alguns módulos específicos na antiga plataforma EAD, seus certificados estão válidos. 

Os cursos não finalizados, podem ser retomados a qualquer momento e finalizados no novo sistema e, se somarão, aos feitos anteriormente para que você possa aproveitar as oportunidades comerciais do Mãos e Mentes Paulistanas.

 

Portal Cate

O Portal Cate, da Prefeitura de São Paulo, reúne em um só lugar vagas de emprego em diversas áreas da Capital, facilitando o acesso do paulistano ao mercado de trabalho. Além disso, oferece cursos gratuitos, com certificado de conclusão, que auxiliam no aprimoramento profissional e na gestão de negócios. Cada conteúdo está sinalizado com ícones que indicam o eixo de desenvolvimento econômico ao qual pertence, como ‘Gestão, Empreendedorismo e Trabalho’,‘Economia Criativa’, ‘Tecnologia’, entre outros. 

 

Sobre o Mãos e Mentes Paulistanas

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, conta com um programa de apoio ao setor de artesanato e manualidades da Capital, o Mãos e Mentes Paulistanas.

Lançada em 2019, a iniciativa tem como objetivo a melhoria da atividade econômica e social de empreendedores artesanais da cidade. O programa promove diversas atividades que buscam desenvolver o setor de artesanato e manualidades, além de estimular a inclusão produtiva, o acesso ao mercado e a geração de renda dos trabalhadores manuais.

O Mãos e Mentes atua por três eixos principais, como o cadastramento municipal de empreendedores do setor; a promoção de cursos de capacitação empreendedora; e o acesso ao mercado e participação em eventos. 
O programa oferece oportunidades comerciais, como feiras de artesanato e pontos de venda fixos, qualificação empreendedora, entre outros benefícios aos artesãos e manualistas paulistanos. Empreendedores manuais interessados em participar das ações do Mãos

 

Oi, mãe, troquei de número e preciso de dinheiro também: Norton alerta sobre golpes que miram o Dia das Mães

Datas importantes como 11 de maio podem ser exploradas por cibercriminosos, para enganar as mães por meio de mensagens falsas


O próximo domingo, 11 de maio, será celebrado como um dia de emoções, mensagens e cumprimentos calorosos às mães. Uma mensagem sincera pode ser um sinal de afeto, mas nem todos os cumprimentos podem vir com boas intenções. 

Especialistas da Norton, a marca de segurança cibernética da Gen™ (NASDAQ: GEN), alertam sobre um golpe crescente, no qual os cibercriminosos miram as mães e se passam por seus filhos via mensagens de texto ou WhatsApp. O método é simples, mas eficaz: uma mensagem de texto ou no WhatsApp chega ao telefone da mãe dizendo um caloroso "Olá, mãe". O remetente, que diz ser seu filho, informa que mudou de número de telefone e pede que ela o salve. Ele, então, diz estar com uma suposta emergência e solicita uma transferência urgente de dinheiro. Muitas vezes, esse tipo de contato ocorre quando mãe e filho mantêm comunicação à distância e mudanças do número do telefone não são incomuns, o que reduz as suspeitas. 

O tom confiante e a urgência da mensagem buscam gerar uma reação emocional imediata. Assim que a vítima responde e transfere o dinheiro, a fraude é visível: o dinheiro não chega a nenhum dos filhos, mas sim aos cibercriminosos que se aproveitam do carinho e da preocupação de uma mãe que age com urgência. 

"Os golpistas sabem exatamente como manipular o estado emocional das pessoas em datas especiais como o Dia das Mães. Portanto, é essencial estar atento e tomar medidas preventivas para evitar cair nessas armadilhas emocionais e financeiras", afirma Iskander Sanchez-Rola, Diretor de IA e Inovação da Norton. Os especialistas da Norton oferecem conselhos sobre como se proteger contra esses ataques: 

  • Entre em contato primeiro: tente entrar em contato com seu filho, usando um número antigo que você conhece. Isso pode ajudar a descobrir rapidamente um golpe. 
  • Cuidado com a linguagem genérica: preste atenção à linguagem usada na mensagem. Se for criada de forma neutra ou genérica, como "Olá, mãe/pai", e for diferente da maneira como o seu filho costuma escrever para você, tome cuidado. 
  • Questione situações precárias: muitas vezes, a pressão emocional é gerada por mensagens devido a uma emergência financeira. Mantenha a calma e tente entrar em contato diretamente com a pessoa que supostamente foi afetada, em vez de tomar qualquer decisão precipitada. 
  • Pense em uma “palavra de segurança”: antes que um ataque fraudulento ocorra, pense em uma palavra de segurança que permitirá saber que realmente trata-se do seu filho ou de um membro da sua família. 
  • Mantenha-se atualizado: mantenha-se informado regularmente sobre novos golpes e use um software antivírus no seu telefone, como o Norton 360, que oferece proteção online contra mensagens maliciosas e links perigosos, caso você abra ou clique em uma mensagem que contenha um vírus, malware, ransomware ou ataque de um cibercriminoso. 

O Dia das Mães deve ser um momento de alegria. Com conscientização, educação digital e as ferramentas de proteção certas, é possível manter os criminosos cibernéticos longe. 

 

Norton
https://br.norton.com/


Leão XIV

Cardeal Robert Francis Prevost é o novo Papa, e, certamente, explicará a escolha pelo nome Leão XIV. O que primeiro nos vem à mente, é o último Papa Leão, autor da Rerum Novarum, encíclica fundamental na construção da Doutrina Social da Igreja Católica. Na virada para o século 20, Papa Leão XIII voltou seu coração de pastor para a realidade dos trabalhadores, tão necessitados de direitos e dignidade. 

Prevost é agostiniano, ordem religiosa inspirada em Santo Agostinho. Em sua primeira mensagem como Papa, lembrou de um pensamento do santo de Hipona: “Atemoriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Pois para vós sou Bispo; convosco sou cristão. Aquilo é um dever; isto, uma graça. O primeiro é um perigo; o segundo, salvação”. Esse gesto traz sua humanidade e desapego, desejoso de uma Igreja mais acolhedora. 

 

Primeiro bispo norte-americano, mas muito ligado à missão que desempenhou na América do Sul, no Peru. Inclusive muitos já perguntam se ele seguirá a linha de Francisco. Nas suas primeiras palavras, um apelo à paz: “Eu também gostaria que esta saudação de paz entrasse em seus corações, chegasse às suas famílias, a todas as pessoas, onde quer que estejam, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja com vocês! Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante. Ela vem de Deus, Deus que nos ama a todos incondicionalmente. Deus nos ama, Deus ama a todos vocês, e o mal não prevalecerá! Estamos todos nas mãos de Deus”. 

Eu nasci no dia de Santo Agostinho, autor de um grande clássico da literatura mundial: Confissões.  Então, permitam-me terminar com uma oração do santo. Que essa prece possa nos envolver nesse momento de fé! 


“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!

Tarde demais eu te amei!
Eis que estavas dentro, e eu, fora…
Estavas comigo, e eu não estava Contigo…
Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei…
Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!”

 

Osvaldo Luiz - jornalista, escritor e gerente geral do Sistema Canção Nova de Comunicação.


Ferramenta identifica áreas ecologicamente equivalentes para orientar projetos de restauração

Ferramenta teve como sistema de estudo a Mata Atlântica,
um dos biomas mais biodiversos e ameaçados no mundo
(
foto: Clarice Borges-Matos)

Modelo projetado para atender à legislação vigente usa dados de biodiversidade, paisagem e serviços ecossistêmicos e poderá dar suporte a políticas públicas

 

 Com recordes sucessivos de altas temperaturas no mundo e a ocorrência mais frequente de eventos climáticos extremos, a restauração ecológica de áreas degradadas e os novos mercados que a envolvem – como o de carbono e o de biodiversidade – têm ganhado destaque. Nesse cenário, pesquisadores brasileiros desenvolveram uma ferramenta para tornar mais eficazes esquemas de compensação ambiental, uma obrigação legal para minimizar ou reparar danos causados pela ação humana ao meio ambiente.

Chamada de Condition Assessment Framework (nome em inglês para Esquema de Avaliação de Condição Ambiental), a nova ferramenta permite avaliar a equivalência ecológica de uma área a ser restaurada ou protegida em relação à degradada considerando três importantes atributos: biodiversidade, paisagem e serviços ecossistêmicos. Foi projetada para atender com compensações mais precisas às exigências de reserva legal da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (nº 12.651/2012) e teve como sistema de estudo a Mata Atlântica, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados no mundo.

Apontou que a combinação de proteção e restauração é a melhor alternativa para resolver os chamados “déficits de vegetação nativa”, garantindo benefícios ambientais e socioeconômicos. Esses déficits ocorrem quando a cobertura de floresta em uma propriedade está abaixo do mínimo exigido por lei, não sendo suficiente para auxiliar na manutenção da capacidade de funcionamento dos ecossistemas, com biodiversidade e ciclos de água e carbono equilibrados, por exemplo.

Os resultados da aplicação do Condition Assessment Framework mostraram que proteção seguida de restauração conseguiu resolver 99,47% do déficit no bioma Mata Atlântica no Estado de São Paulo, com adicionalidade e custo (US$ 1,29 bilhão) intermediários. Vale explicar que, no contexto ambiental, a adicionalidade ocorre quando os resultados positivos gerados, como a redução de emissões, não teriam ocorrido de outra maneira, ou seja, sem que o projeto específico fosse realizado.

Quando as estratégias são analisadas individualmente, a restauração é a mais eficaz e com maior adicionalidade (98,99% de resolução), porém tem valor elevado (US$ 2,1 bilhões). Em seguida, com eficácia bem menor, ficaram as estratégias de proteção (40,22% e US$ 14,3 milhões) e regularização fundiária em Unidades de Conservação (0,15% e US$ 104 mil).

O modelo, segundo os cientistas, é o primeiro a integrar as demandas atuais de avaliação de equivalência, a partir de um método relativamente simples e de dados espacialmente explícitos analisados em Sistemas de Informações Geográficas (GIS). Flexível, permite adaptação para outros biomas e legislações, mostrando-se uma inovação promissora a ser usada em projetos de compensação e conservação.


Distribuição espacial do déficit de Reserva Legal (RL) em hectares (ha) resolvido em cada hexágono pelas estratégias de compensação aplicadas nos cenários testados. No primeiro cenário, o teste foi apenas da estratégia de proteção da floresta usando somente os excedentes de RL. No segundo, a área de proteção foi o excedente somada às RL de pequenas propriedades (< 4 módulos fiscais). No terceiro e no quarto cenários, as estratégias de restauração e de regularização fundiária em Unidade de Conservação (UC) foram testadas separadamente. Por fim, os últimos cenários testaram formas de proteção seguidas de restauração, apresentando resultados muitos semelhantes e que demonstraram o melhor custo-benefício para compensação de RL


No futuro, pode vir a ser adaptado a créditos de biodiversidade – um novo mercado em formulação que busca financiar iniciativas de conservação, protegendo ou restaurando espécies nativas – e para análise de corredores ecológicos.

A descrição da metodologia está publicada em um artigo na revista Environmental and Sustainability Indicators e os resultados da aplicação do método estão em outro na Environmental Impact Assessment Review.

“Fizemos o teste na Mata Atlântica, avaliando uma região no interior do Estado de São Paulo e outra na parte costeira. Observamos que o método realmente detecta as diferenças ambientais entre áreas. No interior, apesar de mais desmatado, é possível encontrar mais áreas ecologicamente equivalentes do que próximo à costa, onde há muita heterogeneidade ambiental”, diz a pesquisadora Clarice Borges-Matos, primeira autora dos artigos, que à época estava no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e, atualmente, está na Escola Politécnica (Poli) da USP.

Apoiada pela FAPESP por meio do Programa BIOTA e de bolsas (17/26684-4 e 18/22881-2), a pesquisa é parte do doutorado de Borges-Matos, sob a orientação do professor Jean Paul Metzger, que também assina os dois artigos.

“A tese foi focada em como medir a equivalência ecológica e mostrar a possibilidade de fazer uma compensação usando esses critérios. Ao levar a equivalência em consideração, as áreas a serem compensadas terão similaridade com as originalmente devastadas, tanto em biodiversidade como em serviços ecossistêmicos. Por exemplo, se uma mata oferecia o serviço de polinização, é preciso que ele continue existindo em áreas a serem compensadas. A equivalência deve ser tanto em termos de composição de espécies quanto de função ecológica”, explica Metzger à Agência FAPESP.

A legislação

A Lei de Proteção da Vegetação Nativa, conhecida como novo Código Florestal, estabelece regras para uso da terra e proteção ambiental dentro de propriedades privadas, as chamadas reservas legais. Exige que uma parte da área rural seja mantida com vegetação nativa, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente.

Nos Estados da Amazônia Legal, é obrigatório manter a cobertura de vegetação em 80% da área dos imóveis situados na floresta, em 35% no Cerrado e 20% em campos gerais – o mesmo porcentual para o restante do país.

Os déficits na extensão da reserva legal devem ser compensados por meio de proteção da vegetação existente em outra propriedade ou restauração. A única exigência ambiental é que a compensação seja realizada dentro do mesmo bioma onde há o déficit.

Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela equivalência ecológica de espécies e ecossistemas específicos em negociações de compensação de reserva legal. Em um novo julgamento, cinco anos depois, estabeleceu que a equivalência deveria ser estendida a todas as formas de compensação presentes na lei. Essa exigência, no entanto, foi questionada sob argumentos como: falta de definição das formas de mensurar a equivalência ecológica e dos níveis de equivalência a serem buscados.

Em 2024, o STF manteve o bioma como único mecanismo compensatório. Ter apenas esse critério como requerimento ambiental pode levar à implementação das compensações para áreas muito distintas daquelas onde houve a perda de vegetação, já que os biomas brasileiros são muito heterogêneos. Além disso, em algumas regiões, como em São Paulo, é possível que toda ou a maior parte das áreas compensadas fique em excedentes de reserva legal, ou seja, vegetação já existente, com pouca restauração.

A equivalência ecológica é importante não só para assegurar ambientes e recursos aos animais e plantas nativas como para proteger fontes e cursos d’água, conter erosões, além da manutenção de outros serviços ecossistêmicos, entre eles a polinização natural, indispensável para boa parte da agricultura.

“A restauração ecológica tem sido vista como uma questão funcional, não apenas de área. Na hierarquia da mitigação [um esquema aplicado para controlar impactos de empreendimentos sobre o meio ambiente], se não conseguimos evitar o dano, é necessário minimizá-lo e compensá-lo com impacto positivo. Nesse sentido, métricas como essas são muito úteis e poderão ser usadas de várias formas”, completa Metzger, que estuda o tema há anos e participou como autor principal da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

O Brasil reafirmou recentemente a meta estabelecida no Acordo de Paris de restaurar pelo menos 12 milhões de hectares de florestas até 2030 – uma área pouco menor que o território do Amapá. Em outubro de 2024, lançou a revisão do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que define diretrizes para acelerar e dar escala à restauração.

De acordo com a rede MapBiomas, o Brasil teve entre 11% e 25% de sua vegetação nativa suscetível à degradação entre 1986 e 2021 – correspondente a uma área que varia de 60,3 milhões de hectares a 135 milhões de hectares. A Amazônia, por exemplo, somente no ano passado teve a maior área degradada dos últimos 15 anos por causa do aumento dos incêndios. Enquanto no desmatamento a vegetação é totalmente cortada, na degradação há perda gradual, decorrente do fogo, da remoção de árvores selecionadas e dos efeitos das mudanças climáticas.


Na prática

Ao aplicar o método na Mata Atlântica em São Paulo, os pesquisadores concluíram que as regiões mais próximas à costa (sul do Estado) apresentaram atributos com valores mais positivos em termos ambientais e maior heterogeneidade espacial do que as áreas do interior (noroeste), com padrão oposto.

Para a seleção dos atributos de equivalência ecológica foram analisados dados que incluem desde a variedade de espécies de pássaros, anfíbios e árvores até a cobertura florestal e estoque de carbono. Os atributos são inseridos individualmente, permitindo várias análises. E os atributos selecionados são apresentados de forma separada, garantindo transparência e entendimento do que será compensado.

Borges-Matos iniciou os estudos de sua tese fazendo uma revisão bibliográfica sobre as métricas de equivalência ecológica utilizadas em compensações ambientais já desenvolvidas e propostas até 2023. O resultado foi publicado na revista Environmental Management.

No ano em que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) é realizada pela primeira vez na Amazônia, os resultados obtidos na pesquisa ganham ainda mais importância, pois podem ampliar o entendimento de que a integração da equivalência ecológica em negociações traz benefícios sociais, econômicos e ambientais. Além de conservar a biodiversidade e retornar serviços ecossistêmicos perdidos, contribuem para mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, com benefícios para comunidades locais e produtores rurais, avaliam os cientistas.

Os artigos A new methodological framework to assess ecological equivalence in compensation schemes e Combining protection and restoration strategies enables cost-effective compensation with ecological equivalence in Brazil podem ser lidos, respectivamente, em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2665972725000169?via%3Dihub#bib58 e www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195925525001192.



Luciana Constantino
https://agencia.fapesp.br/ferramenta-identifica-areas-ecologicamente-equivalentes-para-orientar-projetos-de-restauracao/54679

 

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Apoio à decisão clínica, melhor experiência do paciente e inteligência artificial despontam como tendências na saúde

Rotina de médicos, gestores e pacientes será impactada pela transformação digital e a presença da IA 


A digitalização da saúde tornou-se essencial para instituições que buscam aperfeiçoar a segurança, a eficiência e a experiência do paciente. Porém, existem critérios que atestam a excelência das operações e se a mudança está sendo real para quem é atendido, como é o caso da certificação da HIMSS. Olhando para o futuro, três temas surgem como propulsores de um cenário de saúde digital no Brasil e no mundo: apoio à decisão clínica, melhor experiência do paciente e inteligência artificial.

 

O apoio à decisão clínica tem se tornado uma das principais tendências da saúde digital no Brasil, impulsionado pelo uso de inteligência artificial e análise de dados avançada. Sistemas de suporte à decisão, integrados a prontuários eletrônicos, permitem que médicos e outros profissionais de saúde tenham acesso a informações mais precisas e em tempo real, reduzindo erros e otimizando diagnósticos e tratamentos. Além disso, o uso de algoritmos preditivos auxilia na identificação precoce de doenças, personalizando o atendimento e tornando a prática médica mais eficiente e segura. 

Outro ponto crucial na transformação digital da saúde é a gestão focada em melhorar a experiência do paciente. Hospitais e clínicas estão adotando soluções tecnológicas para tornar os atendimentos mais ágeis e humanizados, como o uso de chatbots para triagem, agendamentos inteligentes e plataformas digitais que centralizam o histórico médico do paciente. Essas inovações reduzem a burocracia e o tempo de espera, proporcionando um cuidado mais personalizado e acessível. O foco na jornada do paciente tem se tornado essencial para aumentar a adesão aos tratamentos e melhorar os desfechos clínicos. 

"A transformação digital deixou de ser uma opção e converteu-se em uma necessidade para instituições que buscam otimizar processos e garantir o melhor aos seus pacientes. Hoje não falamos mais em engajamento do paciente, mas sim na melhoria da experiência de quem é atendido, inclusive com o auxílio da IA no cotidiano do médico", afirma Paulo Magnus, CEO da MV.

 

Novas diretrizes para HIMSS

Mas, tais avanços não são realizados de qualquer forma e é preciso buscar a excelência. O retrato disso está na HIMSS (Health Information and Management Systems Society), que adotou mudanças nos critérios de sua certificação, buscando reconhecer instituições que utilizam tecnologias digitais de forma avançada. Neste contexto, hospitais e clínicas precisam evoluir ainda mais na maturidade digital para garantir seu reconhecimento e consolidar sua reputação.

As novas diretrizes da HIMSS, presentes desde o Manual 2022, exigem que as instituições atinjam percentuais mínimos de maturidade digital em diversas áreas. A principal diferença entre os níveis 6 e 7 é a implementação de sistemas de apoio à decisão clínica. Além disso, soluções baseadas em inteligência artificial são mais valorizadas pela instituição, que entende que essas tecnologias melhoram desfechos clínicos e reduzem riscos. 

"A digitalização da jornada do paciente e a sua experiência no atendimento são fundamentais para a busca por certificações como a HIMSS. Instituições que investem nessa evolução não apenas elevam sua reputação, mas também impactam positivamente toda a experiência assistencial", destaca Daennye Oliveira, diretora executiva da TechInPulse, empresa do Ecossistema MV responsável pela definição de estratégias, automação de processos, digitalização de documentos e preparação para certificações como a HIMSS. 

A certificação HIMSS é uma das mais difíceis de serem obtidas. Ao alcançar o último patamar, o nível 7, a instituição evidencia mundialmente a excelência na utilização de sistemas assistenciais com a integração de dados para otimização dos processos clínicos e administrativos. Já para obter o nível 6, também muito prestigiado pelo setor, a instituição precisa demonstrar um alto nível de digitalização, com sistemas integrados que suportem a tomada de decisão clínica baseada em dados e garantam a segurança e qualidade no atendimento aos pacientes. 

No Brasil, algumas instituições, com apoio das soluções da MV, líder em softwares para saúde na América Latina, já alcançaram os mais altos níveis da certificação. A Unimed Recife, o primeiro hospital digital da América Latina, conquistou o HIMSS 7 ao concluir sua jornada digital, enquanto o Hospital Geral do Grajaú, em São Paulo (SP) também avançou significativamente em maturidade digital e conquistou o nível 6. Esses casos mostram que a transformação digital é um caminho sem volta para instituições que desejam se destacar em um setor cada vez mais exigente e competitivo.

 

Inteligência artificial como apoiadora na decisão médica

Dentro deste contexto de novas diretrizes e apoio à decisão clínica, surge a presença da inteligência artificial (IA), que vem se consolidando como um pilar essencial no suporte ao profissional e na excelência do atendimento ao paciente. No Brasil, embora o uso da IA na saúde ainda seja incipiente, observa-se um otimismo crescente em relação às suas potencialidades. A pesquisa TIC Saúde 2024 revelou que 17% dos médicos e 16% dos enfermeiros no país já utilizam tecnologias de IA em suas rotinas profissionais, com aplicações que vão desde o suporte a pesquisas até a elaboração de relatórios médicos.

Mesmo não sendo um item obrigatório para uma certificação, ela surge como vetor para a presença de tecnologias avançadas, como o Med.AI da MV. Elas foram desenvolvidas para integrar-se ao Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), automatizando processos burocráticos e auxiliando na tomada de decisões médicas. O sistema agiliza consultas e diagnósticos, transcreve conversas entre médico e paciente, e organiza as informações, reduzindo o tempo gasto com registros e aumentando a qualidade do atendimento.


Silencioso, mas não invisível: por que precisamos falar sobre o câncer de ovário

O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos mais desafiadores que enfrentamos na prática oncológica. Com maior incidência a partir dos 50 anos, é uma doença silenciosa, que costuma evoluir rapidamente e apresenta sintomas discretos, muitas vezes confundidos com alterações gastrointestinais comuns.

Apesar de ser o oitavo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no mundo, e o segundo entre os ginecológicos, ainda temos limitações importantes quando falamos em prevenção e diagnóstico precoce. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 7.310 novos casos por ano até 2025. Em 2020, foram mais de 3.900 mortes pela doença.

A maioria dos casos é do tipo epitelial, originado nas células que revestem o ovário. Os demais derivam das células germinativas, que formam os óvulos, e das células estromais, responsáveis pela produção hormonal. Existem ainda tipos mais raros, como o carcinoma de pequenas células hipercalcêmico, cuja origem celular ainda é desconhecida.

Infelizmente, ainda não contamos com um exame específico de rastreamento, como temos no câncer de colo do útero ou de mama. Quando há sinais, eles costumam surgir tardiamente: inchaço abdominal persistente, dor pélvica ou nas costas, alterações no hábito intestinal, náuseas, perda de apetite e emagrecimento sem causa aparente. Em mulheres após a menopausa, o sangramento vaginal anormal é um alerta importante.

Vários fatores de risco estão associados, como: idade acima dos 50 anos, obesidade, tabagismo, sedentarismo, endometriose, menarca precoce, menopausa tardia, histórico familiar da doença e mutações genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2. Também observamos maior risco em mulheres que nunca tiveram filhos. Por outro lado, estudos apontam que o uso prolongado de anticoncepcional oral pode reduzir o risco de desenvolvimento da doença, provavelmente por reduzir o número de ovulações ao longo da vida.

Diante de sintomas que insistem em aparecer — aquela dor que não passa, o inchaço que incomoda, a sensação de que algo não está bem — é essencial ouvir o próprio corpo e buscar ajuda médica. O caminho até o diagnóstico pode envolver diferentes exames, como análises de sangue, imagens do abdômen e, em alguns casos, uma cirurgia que ajuda a confirmar o que está acontecendo e se a doença já se espalhou para outras partes do corpo. Pode parecer assustador, mas cada passo é importante para cuidar da vida.

O tratamento também é uma jornada que precisa ser trilhada com atenção, acolhimento e respeito aos desejos de cada mulher. A cirurgia habitualmente é o primeiro passo no tratamento e a sua extensão depende do estádio do câncer, do seu subtipo e do desejo dessa mulher ter filhos no futuro. Em muitas situações, a quimioterapia entra em cena antes ou depois da cirurgia, como uma aliada contra o tumor. Tudo é decidido com cuidado, para que a paciente se sinta segura e compreendida em cada escolha.

Apesar de ser um dos tumores ginecológicos com maior índice de mortalidade, o câncer de ovário tem mais chances de cura quando descoberto no início. Por isso, informação, escuta e acolhimento são as nossas maiores armas na prevenção e no enfrentamento da doença. 



Marcela Bonalumi - oncologista da Oncoclínicas&Co
Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com

Mudanças Hormonais, cansaço e cobrança: os motivos por trás da depressão pós-parto

25% das mães brasileiras apresentam sintomas de depressão pós-parto, revela Fiocruz


Alterações hormonais, transformações no campo físico e mental e adaptação à nova rotina com o bebê estão entre os desafios que as mulheres enfrentam no puerpério – período que corresponde aos primeiros meses após o nascimento de um filho.

“É fundamental que as mulheres compreendam que essas mudanças fazem parte de um ciclo natural da vida e que o corpo necessita de um tempo para se adaptar após a gestação, revela a Dra. Iana Carruego, médica ginecologista.

Segundo estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), cerca de 25%das mães brasileiras apresentam sintomas de depressão no período de até 18 meses após o nascimento do bebê.

Além das mudanças fisiológicas, o puerpério pode desencadear emoções intensas, aumentado o risco de depressão e crises de ansiedade. Sentimentos como tristeza persistente, irritabilidade e a sensação de impotência ao cuidar do bebê podem ser sinais de alerta para a saúde mental da mulher. Nessas situações, o apoio da família e dos amigos mais próximos é essencial. O ideal é proporcionar uma rede de apoio para enfrentar esse período com mais segurança e acolhimento.

Dentre as principais razões que podem desencadear a depressão pós-parto estão:

  • Alterações hormonais: após o parto há uma queda brusca nos níveis de estrogênio e progesterona, hormônios que regulam o humor – o que pode acarretar sintomas depressivos.
  • Privação do sono: a rotina exaustiva dos primeiros meses, a exemplo das noites interrompidas de sono, podem levar ao esgotamento físico e mental da mãe, contribuindo para o risco de depressão.
  • Deficiências nutricionais: baixos níveis e ferro, vitamina D, ômega-3 entre outros nutrientes podem afetar o funcionamento do organismo e impactar em significativas oscilações de humor, entre outros fatores.

A importância do acompanhamento psicológico

A ajuda psicológica é fundamental no enfrentamento da depressão pós-parto. É durante o processo terapêutico que a mulher passa a compreender as mudanças ocasionadas nesta nova fase da vida. Além disso, o suporte profissional contribui para prevenir o agravamento do quadro, evitando complicações mais sérias. O tratamento pode incluir terapia individual, terapia familiar e, em alguns casos, acompanhamento psiquiátrico com o uso de medicação – sempre com orientação médica.

Para enfrentar as mudanças do puerpério de maneira positiva, os profissionais de saúde, a exemplo do médico ginecologista, enfatizam a importância de desmistificar o tema e fomentar educação sobre a saúde integral da mulher. Busca por ajuda profissional, mesmo que preventiva, pode ser determinante para evitar a escala dos sintomas e promover uma recuperação mais rápida e eficaz.

Reconhecer e lidar com as transformações físicas e emocionais do puerpério é essencial para que o período pós-parto seja vivido de maneira mais tranquila e consciente. Essa abordagem integrada não só beneficiai as mães, mas também promove um ambiente familiar mais saudável e acolhedor para o bebê.




Dra. Iana Vilasbôas Carruego - CRM 166981. Ginecologista da Clínica Elsimar Coutinho-SP. Formada em Medica generalista pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Casa de Saúde Santa Marcelina-SP, subespecialização em cirurgia ginecológica minimamente invasiva (video e uroginecologia) pela casa de Saúde Santa Marcelina-SP. Pós-graduanda em Ciências da Obesidade e Sarcopenia. Atuação em ginecologia regenerativa e implantes hormonais.


Mais de 300 mil recém-nascidos a cada ano no mundo são diagnosticados com talassemia

 


O Dia Internacional da Talassemia, 8 de maio, é uma convocação à conscientização sobre essa doença genética hereditária que afeta a produção de hemoglobina no sangue. Com formas que variam de leves a severas, a talassemia pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes e o Igenomix, laboratório de biotecnologia do Vitrolife Group, destaca a importância do diagnóstico genético e do aconselhamento reprodutivo como ferramentas essenciais para prevenir a transmissão da doença e promover cuidados personalizados para pacientes e famílias



Nesta quinta, 8, o Dia Internacional da Talassemia / International Thalassaemia Day,  chama a atenção para uma das doenças genéticas mais frequentes  no mundo, cuja detecção precoce pode transformar a qualidade de vida de pacientes e orientar decisões reprodutivas em famílias com histórico da condição. A talassemia é uma doença de origem genética, que afeta a produção de hemoglobina, podendo levar à anemia hemolítica crônica, que se manifesta com palidez, déficit de crescimento e sobrecarga de ferro no corpo.

Entre os desafios está o desconhecimento sobre a doença. De acordo com a Federação Internacional de Talassemia (TIF), mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo são portadoras de alterações em genes relacionados à talassemia, muitas delas sem sequer saber. Conscientização, triagem e educação são fundamentais para a prevenção, o manejo e escolhas informadas. A estimativa é que mais de 300 mil recém-nascidos sejam diagnosticados com a forma grave da doença a cada ano. (1)  No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que 1 a cada mil nascidos vivos possam ser afetados por alguma forma de talassemia.  (2)

A talassemia é uma hemoglobinopatia hereditária causada por mutações em genes responsáveis pela produção das cadeias de globina, componentes fundamentais da hemoglobina. Existem dois tipos principais: a talassemia alfa e a talassemia beta, que variam de acordo com o gene afetado. A alfa é causada por mutações nos genes HBA1 e HBA2 e, dependendo do número de genes deletados (de um a quatro), a condição pode ser assintomática ou potencialmente fatal. Já a beta está associada a mutações no gene HBB e tende a apresentar sintomas mais severos.

Com base na gravidade, a talassemia beta apresenta três subtipos: a forma mais grave da doença é conhecida como talassemia major, também conhecida como anemia de Cooley, na qual o paciente necessita de transfusão de sangue por toda a vida; enquanto a talassemia intermediária apresenta anemia leve; e a doença assintomática com estado de portador é conhecida como talassemia minor. A hemoglobina inadequada leva à anemia hemolítica crônica e se manifesta com palidez, déficit de crescimento e sobrecarga de ferro no corpo. (3)

Embora algumas pessoas com talassemia alfa leve (portadoras silenciosas) levem uma vida normal, formas mais graves, como a Hidropsia Fetal (quando há ausência completa de genes alfa), são incompatíveis com a vida se não houver diagnóstico pré-natal e intervenção médica especializada. Já a talassemia maior, forma grave da beta, requer transfusões de sangue regulares e, em alguns casos, transplante de medula óssea, considerado atualmente a única possibilidade de cura.


A IMPORTÂNCIA DO TESTE GENÉTICO

O papel da genética é central tanto na identificação precoce , conscientização e prevenção da transmissão da talassemia. O diagnóstico precoce da condição por meio de painéis genéticos neonatais ou pré-natais pode mudar significativamente o curso do tratamento, possibilitando intervenções médicas oportunas e acompanhamento multidisciplinar desde o início da vida do paciente.

A especialista Susana Joya destaca que testes como o CGT (Carrier Genetic Test), oferecido pelo Igenomix, investigam variantes genéticas em  até 2200  genes, incluindo os relacionados à talassemia, permitindo uma avaliação abrangente do risco genético reprodutivo. “O rastreamento genético em casais assintomáticos é eficiente para detectar se ambos são portadores de variantes genéticas associadas à doença. Se confirmado pelo teste de portador, esse casal tem 25% de probabilidade, a cada gravidez, de que seus filhos tenham a condição”, explica Susana, bióloga geneticista do laboratório Igenomix Brasil, do Vitrolife Group.

 “Os testes genéticos são ferramentas que podem auxiliar na prevenção e planejamento familiar, se assim for o desejo do paciente. O Teste Genético Pré-Implantacional para Doenças Monogênicas (PGT-M) é umas das possibilidades no planejamento, para os casais que já tem risco genético detectado previamente. E claro, para conhecimento de todas as possibilidades no campo da genética, é recomendável sempre contar com o aconselhamento genético. Em casos de histórico familiar, suspeita clínica ou origens étnicas de maior risco (como mediterrânea, asiática e africana), a sugestão é buscar orientação genética ainda no planejamento familiar, afirma Susana.

O  PGT-M é um estudo realizado em uma biópsia de um embrião gerado no tratamento de Fertilização In Vitro (FIV) e pode ser realizado para condições monogênicas, como as talassemias, incluindo também a análise do antígeno leucocitário humano (HLA) ajuda a identificar os embriões não afetados que são HLA compatíveis com a criança afetada, se o casal já tiver um filho com a condição. O TCTH de tal doador relacionado compatível está associado a menos complicações e melhores resultados do que de um doador haploidêntico relacionado, não relacionado incompatível ou não relacionado compatível. (4) O teste concomitante com o Teste Genético Pré-Implantacional para Aneuploidias (PGT-A) tem o potencial de reduzir perdas gestacionais. (5)


ESTUDO TRAZ NÚMEROS DA TALASSEMIA EM TRÊS DÉCADAS

Um estudo publicado em 2024 na revista The Lancet apresenta dados de talassemia na população mundial a partir de informações extraídas do Estudo da Carga Global de Doenças (GBD). De 1990 a 2019, o número de casos incidentes de talassemia, casos prevalentes, casos de mortalidade e anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) diminuíram 20,9%, 3,1%, 38,6% e 43,1%, respectivamente. A taxa de prevalência global foi maior em homens do que em mulheres e a taxa de mortalidade global apresentou uma diminuição consistente com o aumento da idade. (6)

A conclusão dos autores é que a carga global da talassemia diminuiu significativamente, mas existem disparidades notáveis em termos de gênero, faixas etárias, períodos, índice de desenvolvimento social (IDS), entre outras variáveis. Afirmam que intervenções sistêmicas, que incluem triagem precoce, aconselhamento genético, exames de saúde pré-marital e diagnóstico pré-natal devem ser priorizadas em regiões com IDS baixo e médio-baixo. Além disso, os autores ressaltam que futuros estudos populacionais devem se concentrar especificamente nos subtipos de talassemia e na necessidade de transfusão, e os registros nacionais devem aprimorar a captura de dados por meio da triagem neonatal.


AS MANIFESTAÇÕES DE TALASSEMIA

A forma de a talassemia se manifestar varia amplamente, dependendo do tipo e da gravidade. Um histórico completo e um exame físico podem fornecer várias pistas que, às vezes, não são óbvias para o próprio paciente. (7). Os seguintes achados podem ser observados:

Pele - A pele pode apresentar palidez devido à anemia e icterícia devido à hiperbilirrubinemia resultante da hemólise intravascular. Os pacientes geralmente relatam fadiga devido à anemia como o primeiro sintoma de apresentação. O exame das extremidades pode mostrar ulcerações. A deposição crônica de ferro devido a múltiplas transfusões pode resultar em pele bronzeada.

Músculo-esquelético - A expansão extramedular da hematopoiese resulta em deformações nos ossos faciais e de outros ossos esqueléticos, além de uma aparência conhecida como "face em esquilo”, com ponte nasal pouco significativa (em sela, afundada) associada a padrão facial convexo. 

Cardíaco - A deposição de ferro nos miócitos cardíacos devido a transfusões crônicas pode interromper o ritmo cardíaco, resultando em diversas arritmias. Devido à anemia crônica, também pode ocorrer insuficiência cardíaca evidente.

Abdominal - A hiperbilirrubinemia crônica pode levar à precipitação de cálculos biliares de bilirrubina e se manifestar como dor em cólica típica da colelitíase. A hepatoesplenomegalia pode resultar em elevada quantidade de ferro e de hematopoiese extramedular nesses órgãos. Infartos esplênicos ou autofagia resultam de hemólise crônica devido à hematopoiese mal regulada.

Hepático - O envolvimento hepático é um achado comum em talassemias, particularmente devido à necessidade crônica de transfusões. Insuficiência hepática crônica ou cirrose podem resultar da deposição crônica de ferro ou hepatite viral relacionada à transfusão.

 

Igenomix

Vitrolife Group

 

  Referências bibliográficas

  1. Global Thalassaemia Review 2024. Thalassaemia International Federation (TIF), disponível em https://internationalthalassaemiaday.org/about/
  2. Ministério da Saúde. Doença Falciforme e outras hemoglobinopatias: Diretrizes para o cuidado integral. Brasília: 2018.
  3. Gul Z, Malik M, Uzair U, Baloch A, La QD, Sadiq N, Lo DF. Awareness About Thalassemia Among the Parents of Thalassemic Children in Balochistan: A Cross-Sectional Study. Health Sci Rep. 2025 Apr 18;8(4):e70715.
  4. Yousuf R, Akter S, Wasek SM, Sinha S, Ahmad R, Haque M. Thalassemia: A Review of the Challenges to the Families and Caregivers. Cureus. 2022 Dec 13;14(12):e32491.
  5. Kattamis A, Forni GL, Aydinok Y, Viprakasit V. Changing patterns in the epidemiology of β-thalassemia. Eur J Haematol. 2020 Dec;105(6):692-703.
  6. Tuo Y, Li Y, Li Y, Ma J, Yang X, Wu S, Jin J, He Z. Global, regional, and national burden of thalassemia, 1990-2021: a systematic analysis for the global burden of disease study 2021. EClinicalMedicine. 2024 May 6;72:102619.
  7. Bajwa H, Basit H. Thalassemia. [Updated 2023 Aug 8]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK545151/

Dr. Saulo Nader Explica a Doença dos Cristais que Afastou Jogador do Vitória

O volante Gabriel Baralhas, do Esporte Clube Vitória, foi diagnosticado recentemente com uma condição pouco conhecida pelo nome, mas muito comum na prática: a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) — também apelidada de “doença dos cristais”. O jogador começou a apresentar sintomas durante uma viagem para um jogo contra o Ceará, relatando fortes episódios de tontura e mal-estar, principalmente ao mudar de posição ou movimentar a cabeça.

Segundo os médicos do clube, Baralhas iniciou tratamento no dia 6 de maio e segue afastado dos gramados enquanto se recupera. A ausência do atleta, considerado peça importante na equipe, trouxe à tona uma discussão importante: o que exatamente é essa condição?


Cristais soltos no labirinto

“O nome é complicado, mas a doença é muito mais comum do que se imagina”, explica o neurologista Dr. Saulo Nader, conhecido como “Doutor Tontura” nas redes sociais. “VPPB significa Vertigem Posicional Paroxística Benigna. É a principal causa de vertigem e tontura, e o nome super complexo é um dos empecilhos para as pessoas descobrirem mais sobre ela.”

A origem do problema está no ouvido interno, mais especificamente no sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio do corpo. “Com muita fé, imagine que dentro dos nossos labirintos — que são bem pequenos, caberia em um dedal, para se ter ideia — existem alguns cristais minúsculos grudados em uma espécie de gelatina. Quando esses cristais escapam dessa gelatina e ficam soltos dentro do labirinto, isso gera a crise de tudo girando ou balançando (vertigem) quando a pessoa olha pra cima, deita na cama ou vira de lado, por exemplo.”


Por que os cristais se soltam?

A causa pode ser variada. “Metade das vezes é ao acaso, sem nada provocando — um belo azar. Na outra metade das vezes, por pancadas fortes na cabeça, ficar muito tempo olhando para cima, esportes de grande impacto, osteoporose ou doenças do próprio labirinto”, explica o neurologista.

No caso de Baralhas, não foi divulgado o fator exato, mas a rotina intensa de treinos, deslocamentos e impactos no futebol profissional pode ter contribuído.


VPPB não é labirintite

Um erro comum é chamar qualquer tontura de “labirintite”. Na verdade, esse termo se tornou um apelido popular para uma variedade de condições diferentes. “Embora existam dezenas de doenças que geram o sintoma tontura, tudo acaba sendo chamado de labirintite. Mas, estatisticamente, a doença que mais ocorre provocando tontura é a VPPB. Milhões de pessoas estão agora mesmo com cristais soltos no labirinto sendo tratadas sem sucesso como se fosse uma ‘labirintite’”, alerta o Dr. Saulo.


Tratamento: manobras que parecem mágica

A boa notícia é que a VPPB tem tratamento simples e altamente eficaz. “É uma das mais belas mágicas da medicina. Sem remédios, é possível varrer esses cristais de volta para o lugar deles com uma série estratégica de movimentos com a cabeça e o corpo da pessoa”, conta o especialista.

Essas técnicas são conhecidas como Manobras de Reposicionamento, e a taxa de sucesso é alta: entre 70% e 90% dos casos se resolvem já na primeira aplicação. “Se não for resolvido de cara, outras manobras são repetidas até que o problema se resolva. Parece passe de mágica, mas é ciência.”

No caso de Baralhas, o tratamento já foi iniciado com esse protocolo, e sua recuperação dependerá da resposta individual às manobras. O clube ainda não divulgou prazo para o retorno do jogador.

Enquanto isso, o episódio serve de alerta para um tema muitas vezes negligenciado: nem toda tontura é labirintite — e muitos casos podem ser resolvidos sem medicamentos, desde que corretamente diagnosticados.

 

Mais informações: https://neurologiaepsiquiatria.com.br/


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