O volante Gabriel Baralhas, do Esporte Clube Vitória, foi diagnosticado recentemente com uma condição pouco conhecida pelo nome, mas muito comum na prática: a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) — também apelidada de “doença dos cristais”. O jogador começou a apresentar sintomas durante uma viagem para um jogo contra o Ceará, relatando fortes episódios de tontura e mal-estar, principalmente ao mudar de posição ou movimentar a cabeça.
Segundo os médicos do clube, Baralhas iniciou
tratamento no dia 6 de maio e segue afastado dos gramados enquanto se recupera.
A ausência do atleta, considerado peça importante na equipe, trouxe à tona uma
discussão importante: o que exatamente é essa condição?
Cristais soltos no labirinto
“O nome é complicado, mas a doença é muito mais
comum do que se imagina”, explica o neurologista Dr. Saulo Nader, conhecido
como “Doutor Tontura” nas redes sociais. “VPPB significa Vertigem Posicional
Paroxística Benigna. É a principal causa de vertigem e tontura, e o nome super
complexo é um dos empecilhos para as pessoas descobrirem mais sobre ela.”
A origem do problema está no ouvido interno, mais
especificamente no sistema vestibular, responsável pelo equilíbrio do corpo.
“Com muita fé, imagine que dentro dos nossos labirintos — que são bem pequenos,
caberia em um dedal, para se ter ideia — existem alguns cristais minúsculos
grudados em uma espécie de gelatina. Quando esses cristais escapam dessa
gelatina e ficam soltos dentro do labirinto, isso gera a crise de tudo girando
ou balançando (vertigem) quando a pessoa olha pra cima, deita na cama ou vira
de lado, por exemplo.”
Por que os cristais se soltam?
A causa pode ser variada. “Metade das vezes é ao
acaso, sem nada provocando — um belo azar. Na outra metade das vezes, por
pancadas fortes na cabeça, ficar muito tempo olhando para cima, esportes de
grande impacto, osteoporose ou doenças do próprio labirinto”, explica o
neurologista.
No caso de Baralhas, não foi divulgado o fator
exato, mas a rotina intensa de treinos, deslocamentos e impactos no futebol
profissional pode ter contribuído.
VPPB não é labirintite
Um erro comum é chamar qualquer tontura de
“labirintite”. Na verdade, esse termo se tornou um apelido popular para uma
variedade de condições diferentes. “Embora existam dezenas de doenças que geram
o sintoma tontura, tudo acaba sendo chamado de labirintite. Mas,
estatisticamente, a doença que mais ocorre provocando tontura é a VPPB. Milhões
de pessoas estão agora mesmo com cristais soltos no labirinto sendo tratadas
sem sucesso como se fosse uma ‘labirintite’”, alerta o Dr. Saulo.
Tratamento: manobras que
parecem mágica
A boa notícia é que a VPPB tem tratamento simples e
altamente eficaz. “É uma das mais belas mágicas da medicina. Sem remédios, é
possível varrer esses cristais de volta para o lugar deles com uma série
estratégica de movimentos com a cabeça e o corpo da pessoa”, conta o
especialista.
Essas técnicas são conhecidas como Manobras de Reposicionamento,
e a taxa de sucesso é alta: entre 70% e 90% dos casos se resolvem já na
primeira aplicação. “Se não for resolvido de cara, outras manobras são
repetidas até que o problema se resolva. Parece passe de mágica, mas é
ciência.”
No caso de Baralhas, o tratamento já foi iniciado
com esse protocolo, e sua recuperação dependerá da resposta individual às
manobras. O clube ainda não divulgou prazo para o retorno do jogador.
Enquanto isso, o episódio serve de alerta para um
tema muitas vezes negligenciado: nem toda tontura é labirintite — e muitos
casos podem ser resolvidos sem medicamentos, desde que corretamente
diagnosticados.
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