O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos mais desafiadores que enfrentamos na prática oncológica. Com maior incidência a partir dos 50 anos, é uma doença silenciosa, que costuma evoluir rapidamente e apresenta sintomas discretos, muitas vezes confundidos com alterações gastrointestinais comuns.
Apesar de ser o oitavo tipo de câncer mais
frequente entre as mulheres no mundo, e o segundo entre os ginecológicos, ainda
temos limitações importantes quando falamos em prevenção e diagnóstico precoce.
No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 7.310 novos casos por
ano até 2025. Em 2020, foram mais de 3.900 mortes pela doença.
A maioria dos casos é do tipo epitelial, originado
nas células que revestem o ovário. Os demais derivam das células germinativas,
que formam os óvulos, e das células estromais, responsáveis pela produção
hormonal. Existem ainda tipos mais raros, como o carcinoma de pequenas células
hipercalcêmico, cuja origem celular ainda é desconhecida.
Infelizmente, ainda não contamos com um exame
específico de rastreamento, como temos no câncer de colo do útero ou de mama.
Quando há sinais, eles costumam surgir tardiamente: inchaço abdominal
persistente, dor pélvica ou nas costas, alterações no hábito intestinal,
náuseas, perda de apetite e emagrecimento sem causa aparente. Em mulheres após
a menopausa, o sangramento vaginal anormal é um alerta importante.
Vários fatores de risco estão associados, como:
idade acima dos 50 anos, obesidade, tabagismo, sedentarismo, endometriose,
menarca precoce, menopausa tardia, histórico familiar da doença e mutações
genéticas, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2. Também observamos maior risco
em mulheres que nunca tiveram filhos. Por outro lado, estudos apontam que o uso
prolongado de anticoncepcional oral pode reduzir o risco de desenvolvimento da
doença, provavelmente por reduzir o número de ovulações ao longo da vida.
Diante de sintomas que insistem em aparecer —
aquela dor que não passa, o inchaço que incomoda, a sensação de que algo não
está bem — é essencial ouvir o próprio corpo e buscar ajuda médica. O caminho
até o diagnóstico pode envolver diferentes exames, como análises de sangue,
imagens do abdômen e, em alguns casos, uma cirurgia que ajuda a confirmar o que
está acontecendo e se a doença já se espalhou para outras partes do corpo. Pode
parecer assustador, mas cada passo é importante para cuidar da vida.
O tratamento também é uma jornada que precisa ser
trilhada com atenção, acolhimento e respeito aos desejos de cada mulher. A
cirurgia habitualmente é o primeiro passo no tratamento e a sua extensão
depende do estádio do câncer, do seu subtipo e do desejo dessa mulher ter
filhos no futuro. Em muitas situações, a quimioterapia entra em cena antes
ou depois da cirurgia, como uma aliada contra o tumor. Tudo é decidido com
cuidado, para que a paciente se sinta segura e compreendida em cada escolha.
Apesar de ser um dos tumores ginecológicos com maior índice de mortalidade, o câncer de ovário tem mais chances de cura quando descoberto no início. Por isso, informação, escuta e acolhimento são as nossas maiores armas na prevenção e no enfrentamento da doença.
Marcela Bonalumi - oncologista da Oncoclínicas&Co
Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com
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