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quinta-feira, 8 de maio de 2025

Lipedema: confundida com obesidade, doença atinge 12% das mulheres no Brasil

A endocrinologista Dra. Nathalia Ferreira explica as causas, sintomas e formas de tratamento da condição

 

Caracterizada por um acúmulo anormal de gordura nas pernas e braços, o lipedema é uma doença comumente confundida com a obesidade ou sobrepeso comum. Prevalente em 12% das mulheres no Brasil, essa condição se diferencia da obesidade por ser uma gordura visivelmente marcada por fibrose, isso é, pelo seu aspecto de “casca de laranja” ou “grãos de arroz”, além de um acúmulo significativo de nódulos que se assemelha às celulites.

Segundo a endocrinologista Dra. Nathalia Ferreira, o lipedema também não responde a dieta e exercícios físicos. “Muitas pacientes se sentem frustradas por não obterem resultados mesmo com uma alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, porque a gordura do lipedema tem características diferentes da gordura comum. Um dos sinais de alerta é a desproporção corporal evidente: tronco magro e pernas ou braços excessivamente volumosos”, explica a médica.

Outros sintomas frequentes incluem sensação de peso nas pernas, inchaço ao longo do dia e facilidade para formação de hematomas. A dor é um dos principais indicadores — diferentemente da obesidade, que geralmente não causa desconforto direto na gordura acumulada. “Muitas pacientes relatam dor mesmo com toques leves, além de dificuldade para encontrar roupas e sapatos confortáveis devido à diferença de medidas entre as partes do corpo”, comenta Dra. Nathalia.

 

Como é feito o diagnóstico do lipedema

O diagnóstico ainda é predominantemente clínico, feito a partir da observação dos sintomas e histórico da paciente. Em alguns casos, exames de imagem como ultrassonografia podem ser utilizados para descartar outras condições, como linfedema. A baixa conscientização sobre a doença faz com que muitas mulheres convivam por anos com o lipedema sem saber, frequentemente recebendo diagnósticos equivocados de obesidade ou má circulação.

Embora não tenha cura, o lipedema pode ser controlado com uma combinação de abordagens. O tratamento inclui desde o acompanhamento com profissionais como endocrinologistas, nutricionistas e fisioterapeutas, até terapias de compressão, drenagem linfática e, em casos selecionados, cirurgias como a lipoaspiração específica para retirada da gordura doente. “O diagnóstico precoce é fundamental para evitar o avanço da doença e melhorar a qualidade de vida das pacientes”, reforça a endocrinologista.

A conscientização sobre o lipedema é essencial para quebrar estigmas relacionados ao peso e promover um olhar mais sensível e preciso à saúde da mulher. Identificar os sinais precocemente permite não apenas um tratamento mais eficaz, mas também contribui para o bem-estar físico e emocional de quem convive com a condição. “Muitas vezes, o reconhecimento da doença é o primeiro passo para que essas mulheres deixem de se culpar e comecem a se cuidar com o apoio certo”, conclui a médica.

 

Dra. Nathalia Ferreira - Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Dra. Nathalia Ferreira possui Mestrado em Endocrinologia na USP de São Paulo e o título de Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Além disso, a médica possui ainda um curso de Especialização em Ultrassonografia de Tireoide e se apresenta como a autora de dois Ebooks: “Mãe, estou virando mocinha?” e “Receitas saudáveis e práticas”.


10 de maio - Conscientização mundial sobre o Lúpus

Lúpus Eritematoso Sistêmico: entenda o que é a doença que acomete principalmente as mulheres

 A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) estima que o Lúpus afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, principalmente mulheres jovens. É também uma das principais causas de internação hospitalar entre as doenças reumáticas

 

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) ou simplesmente Lúpus é uma doença inflamatória, autoimune e crônica, cuja principal característica é a ampla variedade de suas manifestações clínicas. Frequentemente, se manifesta em mulheres jovens, com idade entre 20 e 45 anos, podendo comprometer também adolescentes.  Embora a maioria das pessoas apresentem manifestações cutâneas e articulares, os sintomas podem surgir em diversos outros órgãos, de forma lenta e progressiva (meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão.

 Por ser uma doença complexa e por vezes de difícil diagnóstico, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) alerta que o controle e o tratamento começam pela conscientização do paciente sobre a doença e seus sintomas. “Pode ser uma doença de fácil manejo, de fácil controle, mas pode vir a ser uma doença de muita gravidade. Por isso, fundamental procurar um médico rapidamente”, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez. De acordo com ele, o médico fará não só uma avaliação do diagnóstico e sim da gravidade, de acordo com a manifestação e o órgão envolvido. 

A precocidade do diagnóstico é extremamente importante para um tratamento adequado, e pode determinar uma melhor resposta clínica”, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). No Brasil, não há números exatos da prevalência da doença. A SBR estima que o Lúpus já afeta entre 150 mil e 300 mil pessoas no país.

Um de seus indicadores mais preocupantes é a inflamação dos rins (nefrite) que pode chegar a estados muito graves e levar ao desenvolvimento de demais complicações. A doença também pode causar importantes inflamações nas membranas do coração e pulmão.

São reconhecidos dois tipos principais de Lúpus: um exclusivo de pele ou Lúpus cutâneo, que tem como sintomas manchas na pele (geralmente avermelhadas ou eritematosas), principalmente nas áreas que ficam expostas à luz solar (rosto, orelhas, colo e braços) e o outro Lúpus sistêmico, no qual múltiplos órgãos podem ser acometidos, além de quadros cutâneos e articulares. Alguns sintomas gerais do Lúpus são emagrecimento, febre, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros, são específicos de cada órgão acometido, como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação na pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins. 

De acordo com o reumatologista Dr. Odirlei Andre Monticielo, coordenador da Comissão de LES, da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), o tratamento do Lúpus depende muito do tipo de manifestação apresentada pela doença e deve ser individualizado. “O foco é tentar controlar a atividade de doença, prevenindo a perda de função dos órgãos e evitando danos irreversíveis ao paciente”, afirma o especialista.

Ele explica também que a pessoa com Lúpus tem, habitualmente, fases em que apresenta mais sintomas, chamados de `períodos de atividade´ da inflamação e, outros momentos, nos quais a pessoa fica sem nenhum tipo de manifestação da doença, chamado de `período de remissão´.


Sintomas do LES

O Lúpus pode apresentar sintomas em vários órgãos, sendo esses decorrentes de uma inflamação, ocasionada por um desequilíbrio no sistema imunológico da paciente, fazendo com que ela produza uma quantidade aumentada de anticorpos. O aparecimento da doença depende de uma herança genética, isto é, existe uma predisposição genética, mas que pode ser desencadeada por fatores ambientais como a radiação ultravioleta, infecções virais, dentre outros.

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), desencadeia sintomas, que podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (meses) ou mais rapidamente (em semanas). Nas fases iniciais do LES, os sintomas que mais incomodam são desânimo, cansaço e perda de apetite. A maioria das pessoas com LES na sua fase inicial apresentam dor nas juntas, às vezes, também com inchaço. Além disso, podem também apresentar quadros cutâneos da doença, principalmente no rosto e em áreas expostas ao sol, que agravam sobremaneira as lesões. Na pele do rosto, a pessoa pode ficar com marcas e por isso, estigmatizada, o que determina diminuição da autoestima, principalmente para as mulheres.

Qualquer outro órgão ou tecido pode ser envolvido pela inflamação que ocorre no Lúpus, mas alguns são particularmente preocupantes. Um grande problema da doença, que afeta aproximadamente 50% dos pacientes, é a inflamação nos rins, que não determina dor, mas leva a uma perda da sua função, com perda de proteínas na urina, inchaço nas pernas e no rosto, hipertensão arterial e, nos casos mais graves levar a insuficiência renal com necessidade de hemodiálise.


Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico do LES é feito pelo reconhecimento dos sintomas e sinais da doença pelo médico, em associação com alguns exames laboratoriais. É importante a avaliação de alguns exames gerais, como hemograma e os que medem a função renal, além de alguns exames mais específicos que confirmam a possibilidade de lúpus, como a identificação dos distúrbios imunológicos próprios da doença (presença de autoanticorpos no sangue). Neste sentido, é extremamente importante a avaliação do reumatologista para ajudar e confirmar a possibilidade da doença. 

São importantes no manejo do Lúpus as medidas de proteção da radiação solar (com o uso de fotoprotetores), suspensão do tabagismo quando presente, afastamento de condições de estresse, alimentação balanceada, repouso adequado e atividade física regular. Além disso, o uso de medicamentos que controlem a atividade de doença, previnam reativações e diminuam o acúmulo de danos são fundamentais.

Na atualidade, ainda não é possível falar em cura do Lúpus, mas em controle da doença. A maioria dos pacientes irá precisar de um acompanhamento regular, a cada três ou seis meses com um reumatologista, pois, em caso de uma reativação dos sintomas da doença, esses devem ser controlados logo no início, permitindo que a pessoa rapidamente reequilibre o seu sistema imunológico e recupere sua saúde.

É consenso entre os especialistas da SBR que quanto mais se conhece sobre os mecanismos envolvidos no desenvolvimento do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), maior a chance de controle da doença e maior a chance de se ter medicamentos com maior eficácia e menos efeitos adversos.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) disponibiliza gratuitamente uma cartilha com foco no esclarecimento e orientação sobre a doença Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), com linguagem simples e informativa para leigos. O material para download está disponível no site: www.reumatologia.org.br

 Cenário da doença:

  • Estima-se que entre 150 mil a 300 mil pessoas no Brasil têm Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES).
  • A prevalência da doença é mais alta em mulheres, principalmente, na faixa etária entre 20 e 45 anos. Porém pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e etnicidade.
  • São reconhecidos dois tipos principais de Lúpus: exclusivo de pele ou Lúpus cutâneo, que tem como sintomas o de manchas na pele (geralmente avermelhadas ou eritematosas) e Lúpus eritematoso sistêmico, no qual múltiplos órgãos podem ser acometidos.
  • O diagnóstico do LES é feito pelo médico reumatologista, que reconhece os sintomas característicos da doença, com associação a exames específicos, principalmente os distúrbios imunológicos próprios da doença.
  • O melhor controle da doença depende da conscientização do paciente e sua adesão ao tratamento proposto.
  • O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) não é contagioso.

 

Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)
www.reumatologia.org.br
@sociedadereumatologia
@reumatologinsta


Dia das Mães reforça a importância dos cuidados bucais mesmo após a chegada dos filhos

Com a rotina transformada pela maternidade, manter hábitos simples de higiene oral se torna essencial para a saúde e também para o exemplo que será passado às crianças


Entre sonecas curtas e noites mal dormidas, a saúde bucal das mães pode facilmente ser deixada em segundo plano. Com a chegada de um bebê, as prioridades mudam e a dedicação quase integral aos cuidados com a criança muitas vezes compromete a atenção com a própria saúde. No entanto, manter uma rotina mínima de higiene bucal é mais do que uma necessidade pessoal: trata-se de um modelo de comportamento que será observado pelos filhos.

Segundo um levantamento do National Institutes of Health (NIH), cerca de 5% das mulheres apresentam sintomas persistentes de depressão pós-parto por até três anos após o nascimento do bebê — condição que pode afetar diretamente a disposição para cuidados básicos, incluindo a saúde da boca. Diante desse cenário, adotar uma rotina prática e possível de ser mantida diariamente se torna ainda mais relevante.


Pequenos hábitos fazem a diferença

Para o Dr. José Todescan Júnior, especialista em Prótese Dental, Odontopediatria e Endodontia, manter a consistência é mais importante do que seguir uma rotina rígida ou baseada em número de repetições. “Mais do que quantas vezes se escova ou passa o fio dental, o fundamental é garantir a remoção eficaz da placa bacteriana. Isso pode ser feito em momentos estratégicos, como enquanto o bebê dorme ou durante o banho da criança. É uma adaptação que exige flexibilidade, mas que é plenamente viável”, orienta.

Além disso, o uso de escovas com cerdas macias, pastas com flúor e o acompanhamento profissional são fundamentais mesmo nesse período de transição. Todescan reforça que, em caso de dificuldades emocionais, como quadros de exaustão ou tristeza profunda, o acompanhamento com profissionais de saúde também deve incluir orientações sobre o autocuidado. “Cuidar da boca é também cuidar da saúde mental. A sensação de estar negligenciando a si mesma é comum entre mães, e manter pequenos hábitos de autocuidado ajuda a recuperar o senso de identidade e bem-estar”, afirma.


Cuidar de si é ensinar pelo exemplo

O momento da escovação pode ainda se tornar uma ferramenta educativa para os filhos. Quando a criança observa a mãe cuidando dos próprios dentes, tende a repetir esse comportamento com naturalidade. “Envolver o filho, mesmo que apenas como espectador no início, já é um passo importante. A escovação conjunta, mais tarde, cria vínculos e normaliza o cuidado com a boca como parte da rotina da casa”, explica o especialista.

Consultas regulares também não devem ser esquecidas. Todescan recomenda que as mães tentem agendar os atendimentos em horários que permitam contar com apoio de familiares, amigos ou cuidadores. “Manter o acompanhamento profissional é essencial para evitar que pequenos problemas evoluam. Com organização e suporte, é possível preservar a saúde bucal sem sobrecarregar ainda mais a rotina”, pontua.

Manter os cuidados com a boca mesmo diante da intensidade do puerpério é um gesto de saúde e responsabilidade. “A maternidade exige muita entrega, mas isso não deve significar anulação pessoal. Cuidar dos dentes, mesmo que em ações simples, é uma forma de zelar pelo próprio bem-estar e ainda ensinar os filhos, desde cedo, a fazerem o mesmo”, conclui. 



José Todescan Júnior - Atuando com excelência na área de Odontologia há mais de 33 anos, José Todescan Júnior é especialista em Prótese Dental, Odontopediatria e Endodontia pela USP. Membro da IFED (International Federation Esthetic Dentistry) e da Associação Brasileira de Odontologia Estética e membro da ABOD (Associação Brasileira de Odontologia Digital), ele acredita que o profissional que se aperfeiçoa em diversas áreas pode escolher sempre o melhor para os pacientes. Para mais informações, acesse o LinkedIn.

Clínica Todescan
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Inflamação no cérebro induzida por dieta rica em gordura atrai células imunes de todo o corpo

A inflamação no hipotálamo ocorre poucos dias após
a ingestão excessiva de gordura e está associada ao
 desenvolvimento de doenças metabólicas
 (
imagem: NIA/NIH)
Em testes com roedores, pesquisadores observaram que o sistema imunológico tenta amenizar os danos da alimentação ao hipotálamo – que no longo prazo podem levar ao desenvolvimento de obesidade. Os animais em que a migração dessas células foi inibida tiveram maior ganho de peso, mais acúmulo de gordura e piora de marcadores metabólicos 

 

Diversos estudos já mostraram que o consumo de dieta rica em gordura induz uma resposta inflamatória no hipotálamo, umas das regiões do cérebro. A inflamação ocorre poucos dias após a ingestão excessiva de lipídeos e está associada ao desenvolvimento de doenças metabólicas, como a obesidade. É então que um tipo de célula imunes residente no cérebro, chamada micróglia, desempenha um papel importante na resposta inflamatória.

Em estudo publicado na revista eLife, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colaboradores detalharam como as células de defesa são atraídas para o cérebro no contexto de inflamação induzida por dieta hiperlipídica.

A investigação ocorreu no âmbito do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP. Também contou com apoio da Fundação por meio de outros dois projetos (17/22511-8 e 21/00443-6).

“Neste trabalho, estudamos como o cérebro responde a uma alimentação rica em gorduras, típica das dietas modernas ocidentais, nas quais o consumo de fast-foods e ultraprocessados é bastante frequente”, diz Natália Ferreira Mendes, pesquisadora do Departamento de Medicina Translacional da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

No estudo, o grupo descobriu que as micróglias não são as únicas células de defesa envolvidas no processo: outras células imunes, que vêm de fora do cérebro e expressam um receptor chamado CXCR3, também são recrutadas para o cérebro quando consumida uma dieta rica em gorduras. O “reforço” parece ter um papel benéfico, ajudando as micróglias a atenuar o processo inflamatório e prevenindo o desenvolvimento da obesidade.

“Descobrimos esse potencial papel anti-inflamatório dessas células por meio de um experimento em que bloqueamos o recrutamento”, explica Mendes. “As células imunes são atraídas por substâncias secretadas em locais distantes do corpo, onde ocorre a inflamação, e se dirigem rapidamente para lá. Em termos simples, é como se alguém acionasse um spray de perfume em um cômodo distante da sua casa e você fosse direcionado para lá pelo cheiro. O que fizemos foi impedir que esse ‘cheiro’ fosse percebido e, com isso, muitas células não conseguiram chegar ao local inflamado.”

Verificou-se então que os animais em que as células de defesa não conseguiram chegar ao hipotálamo ganharam mais peso, acumularam mais gordura e apresentaram piora de vários marcadores metabólicos e bioquímicos. O grupo também conseguiu identificar que as células imunes recrutadas são muito diferentes quando comparados machos e fêmeas, o que pode influenciar como indivíduos de sexos distintos reagem à qualidade da dieta e como o sistema imunológico contribui para o ganho de peso e o desenvolvimento de doenças relacionadas.

O estudo, assim, ajudou a compreender melhor o papel das células de defesa, a importância do receptor CXCR3 como um sinalizador para que possam chegar até o hipotálamo durante a inflamação e como podem impactar o metabolismo em um contexto de inflamação induzida por dieta.

A dieta utilizada no estudo é rica em gordura, principalmente a saturada, encontrada em alimentos de origem animal, como carnes vermelhas e laticínios, e em alguns alimentos de origem vegetal, como o óleo de coco. Ela tem consistência sólida ou pastosa em temperatura ambiente, o que a torna uma escolha atrativa para a indústria alimentícia, que a utiliza para melhorar a textura, a consistência e a palatabilidade dos produtos.

“O consumo dessa dieta aumenta a concentração de ácidos graxos livres no sangue, uma das formas pelas quais a gordura é transportada pelo corpo. Esses ácidos graxos chegam ao hipotálamo, uma área do cérebro que é particularmente vulnerável”, detalha Mendes.

Diferentemente de outras regiões cerebrais, o hipotálamo faz contato com uma área chamada eminência mediana, que não apresenta barreira hematoencefálica. Tal barreira age como uma “muralha”, protegendo o cérebro de substâncias nocivas presentes no sangue. Na eminência mediana, os vasos sanguíneos possuem "fenestras" – grandes poros ou buracos na estrutura dessa muralha – que permitem a entrada de várias moléculas, como os ácidos graxos livres, que rapidamente alcançam o hipotálamo. Além disso, o hipotálamo está localizado ao redor do terceiro ventrículo, uma área por onde circula o líquido cefalorraquidiano. Isso o torna ainda mais vulnerável a oscilações nas concentrações de substâncias desse líquido. Por isso, a ingestão excessiva de gordura é rapidamente detectada pelo hipotálamo e resulta na ativação das micróglias para tentar controlar os danos causados pelos ácidos graxos.

Quando a ingestão elevada de gordura é mantida ao longo do tempo, porém, as micróglias não conseguem manter o controle da situação sozinhas. É aí que entram as células imunes convocadas de outras partes do corpo.


Desdobramentos

A partir dos resultados obtidos, várias questões surgem para futuras investigações. Uma das abordagens do estudo foi um mapeamento abrangente do material genético tanto das micróglias quanto das células recrutadas para o cérebro. “Esse tipo de análise gera um banco de dados valioso, que pode ser acessado por pesquisadores de todo o mundo para investigar genes-alvo envolvidos em diferentes condições fisiológicas e patológicas”, afirma a pesquisadora.

“Com isso, fornecemos a base para que muitos projetos de pesquisa possam ser desenvolvidos, não apenas para entender melhor o papel das micróglias e demais células imunes recrutadas no contexto da obesidade e da inflamação no hipotálamo, mas também para explorar as diferenças observadas entre fêmeas e machos. Estudar a origem dessas diferenças no material genético – considerando aspectos como programação metabólica, alterações hormonais, efeito dos nutrientes da dieta, entre outros – é um campo que ainda precisa ser explorado em mais detalhes.”

Mendes ressalva que, embora os achados do grupo sejam pioneiros ao mostrar como as células imunes periféricas que expressam o receptor CXCR3 são atraídas para o cérebro no contexto da inflamação induzida por dieta rica em gordura, ainda existem muitas questões em aberto. “Por exemplo: como essas células recrutadas se comunicam com as células residentes, como micróglias e neurônios, entre outras? Quais são os efeitos de longo prazo do recrutamento dessas células no cérebro? Qual o destino dessas células após atenuar o processo inflamatório? Existem estímulos hormonais/neurais periféricos que ajudam a direcioná-las para o cérebro? Essas questões precisam ser exploradas para que possamos entender completamente os mecanismos envolvidos e desenvolver abordagens terapêuticas mais eficazes”, avalia.

De todo modo, a descoberta de uma via específica de recrutamento dessas células para o cérebro abre uma nova possibilidade terapêutica, com o potencial de desenvolver fármacos para tratar a obesidade e comorbidades associadas, como diabetes tipo 2.

Além de Mendes, assinam o paper Licio Augusto Velloso e Eliana Pereira de Araújo, do Laboratório de Sinalização Celular (LabSinCel) do OCRC e supervisores do estudo; Ariane ZanescoDayana C. da Silva e Jonathan F. Campos (LabSinCel); Cristhiane Aguiar e Pedro de Moraes-Vieira (Laboratório de Imunometabolismo do Instituto de Biologia da Unicamp); Gabriela Rodrigues-Luiz (Universidade Federal de Santa Catarina); e Niels Olsen Saraiva Câmara (Universidade de São Paulo).

O artigo CXCR3-expressing myeloid cells recruited to the hypothalamus protect against diet-induced body mass gain and metabolic dysfunction pode ser lido em: https://elifesciences.org/articles/95044.  



Ricardo MunizAgência
 FAPESP
https://agencia.fapesp.br/inflamacao-no-cerebro-induzida-por-dieta-rica-em-gordura-atrai-celulas-imunes-de-todo-o-corpo/54669


Deseja ser mãe mais tarde? Veja 6 dicas para se preparar para uma gestação saudável após os 40 anos

Arnaldo Cambiaghi, especialista em reprodução assistida, conta como os avanços nos tratamentos, podem ajudar mulheres com idade avançada a engravidar


No mês em que celebramos o Dia das Mães, muitas mulheres também olham para o futuro e se perguntam: ainda é possível realizar o sonho da maternidade depois dos 40? A resposta é sim. Com os avanços da medicina e o número crescente de mulheres que optam por adiar a maternidade, a gravidez em idade mais avançada tornou-se uma realidade possível e cada vez mais comum. As clínicas de reprodução assistida estão desenvolvendo tratamentos como alternativas para essas mulheres, com protocolos personalizados e técnicas modernas de fertilização in vitro (FIV), eficazes para quem enfrenta baixa reserva ovariana ou qualidade reduzida dos óvulos, assim aumentando as chances de gravidez.

Com o envelhecimento natural dos ovários, as chances de gravidez diminuem, e fatores como a queda na qualidade dos óvulos e o aumento de alterações cromossômicas nos embriões tornam-se desafiadoras. No entanto, novos protocolos para estimulação ovariana, com o uso de hormônio de crescimento (GH) e de suplementos como DHEA, melatonina, coenzima Q10, entre outros, têm aumentando a quantidade e a qualidade dos óvulos coletados, o que representa um passo importante para mulheres que adiaram o sonho de ser mãe.

Técnicas complementares como o Teste Genético Pré-Implantacional (PGT-A), a incubadora com tecnologia Time-Lapse e a Inteligência Artificial também trazem benefícios ao selecionar os embriões mais saudáveis com maior chances de implantação embrionária, promovendo gestações saudáveis. Além disso, procedimentos experimentais, como a reativação de “folículos dormentes” que eram incapazes de produzir embriões de qualidade e a recepção de óvulos doados, se apresentam como alternativas de sucesso. A escolha entre óvulos frescos ou vitrificados permite ao casal uma adaptação à rotina de tratamento e eleva as taxas de gravidez para até 70%.

Neste contexto, a medicina reprodutiva amplia ainda mais as possibilidades de concretização da maternidade para mulheres maduras, ressaltando que a idade avançada não precisa ser um empecilho para ter filhos.

O especialista em medicina reprodutiva Arnaldo Cambiaghi dá dicas para mulheres que desejam engravidar após os 40 anos, especialmente para aquelas que não congelarem seus óvulos previamente:

1- Exames de rotina: Antes de iniciar as tentativas de gravidez, é essencial fazer uma avaliação médica completa para identificar possíveis condições de saúde que possam impactar a gestação.

2- Avaliação da reserva ovariana: Com o passar dos anos, o número de óvulos capazes de produzir uma gestação saudável diminui progressivamente. Isso ocorre porque as mulheres não produzem mais óvulos durante a sua vida, elas nascem com um número de óvulos definido que vai diminuindo até a chegada da menopausa.

3- Análise genética do embrião: Após os 40 anos, a incidência de síndromes cromossômicas é muito maior, a síndrome de Down, por exemplo, pode ser até 30 vezes maior nesse grupo de mulheres, quando comparamos com mulheres de 30 anos. Nesse sentido, quando é realizada a análise genética do embrião em mulheres 40+, a gravidez é muito mais segura, pois com essa técnica é possível garantir à mulher ou ao casal a máxima chance de ter um filho com uma condição genética ideal.

4- Alimentação equilibrada: Uma alimentação equilibrada e a hidratação são essenciais. A dieta mediterrânea, pode ser uma opção, rica em frutas, legumes, cereais integrais e gorduras saudáveis.

5- Hábitos saudáveis: A prática regular de exercícios físicos, como caminhadas ou ioga, melhora a saúde cardiovascular e o bem-estar geral. Além de evitar o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e da cafeína.

6- Acompanhamento médico: O pré-natal para gestantes após os 40 requer atenção especial, com exames de ultrassom e testes específicos para possíveis anomalias genéticas. Além disso, a avaliação da pressão arterial e dos níveis de glicose são essenciais para prevenir complicações.

A maternidade após os 40 anos exige preparação, mas com os cuidados adequados, tratamentos de reprodução assistida e acompanhamento médico, é possível ter uma gestação segura e bem-sucedida. Arnaldo Cambiaghi afirma: “cada etapa desse processo deve ser vista como parte de um projeto compartilhado, unindo a saúde, o bem-estar e o desejo do casal”.

 

Arnaldo Cambiaghi - ginecologista obstetra, formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Autor de livros direcionados a médicos e mulheres na área de reprodução humana, como "Ser ou não Ser (In)Fértil — Eis as questões e as respostas", atua com Infertilidade conjugal, Reprodução Humana, Fertilização In Vitro e Cirurgia Endoscópica. Cambiaghi se prepara para o lançamento de mais um livro “ AME Seus Ovários”. Em sua abordagem, acredita que o respeito à ética são extremamente importantes para que se alcance um bom resultado em qualquer tipo de tratamento. A atenção, a conversa, a alegria de ajudar os pacientes, juntamente com o apoio da ciência e o interesse em cada caso, tornam o tratamento muito mais eficiente.

 

"Mães in Vitro": técnica permite que mulheres com dificuldades para engravidar se tornem mães


Divulgação

Fertilização ocorre em laboratório e microscópio trinocular invertido garante análise do procedimento de maneira segura e tecnológica


O desejo de ter um filho é o sonho de diversas famílias no Brasil e no mundo, mas, por diversos motivos, muitas mulheres não conseguem gerar seus filhos de maneira natural, seja pelo estilo de vida ou outros fatores. A idade é um dos principais motivos para que isso aconteça, já que a quantidade de óvulos diminui após os 35 anos e perde a qualidade aos 38, mas o tratamento oncológico ou a endometriose também fazem com que o processo se torne mais difícil. No Brasil, foram realizados mais de 56 mil procedimentos de produção laboratorial de células germinativas e embriões humanos em 2023, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Uma das mulheres que hoje comemora o Dia das Mães graças aos avanços tecnológicos é Daniele da Rosa Silva. Mãe de gêmeos, que hoje estão com sete anos de idade, ela conta que ao tentar engravidar e não conseguir, descobriu que possuía endometriose. Antes de realizar a fertilização in vitro (FIV), o casal tentou todos os tipos de técnicas disponíveis, como a ovulação, indução à ovulação, coito programado e até inseminação artificial. 

“Eu fiz a fertilização in vitro três vezes. A primeira não deu certo, a segunda eu engravidei e o embrião fixou, mas ele não se desenvolveu, então eu tive uma gravidez anembrionária e tive que fazer uma curetagem. Na terceira que veio os meus filhos, os gêmeos”, conta. Para ela, o processo foi difícil, principalmente na questão psicológica, já que as tentativas de engravidar faziam parte da rotina há oito anos. 

“O processo foi doloroso e bem difícil. Sofri muito psicologicamente e o corpo sofre porque a gente toma muito hormônio e injeção. Para você fazer a indução à ovulação, você tem que tomar três injeções por dia na barriga. E depois que você faz a transferência dos embriões, você fica por três meses tomando injeção intramuscular de progesterona para não perder a gestação. Então, em todos os processos eu tive que fazer. Eu inchei e engordei, além da questão financeira, que é muito cara e eu paguei por três vezes”, relembra Daniele. 


Na FIV, óvulos e espermatozoides são selecionados

Há diversas maneiras e técnicas para que a gravidez possa ocorrer, entre as mais famosas estão a inseminação artificial (IA), em que os espermatozoides são colocados direto no útero para que encontrem o óvulo e a fecundação ocorra, e a FIV, que a fecundação ocorre em laboratório, ou seja, o espermatozóide é selecionado e injetado dentro do óvulo e, após a formação do embrião (junção entre o espermatozoide e o óvulo), ele é transferido para o útero.   

“No primeiro momento é a estimulação da ovulação para que a mulher tenha mais folículo e mais óvulos, assim aumentando o nosso resultado. Depois é realizada a aspiração do folículo e enviado para embriologia olhar os óvulos, avaliar e classificar. Da mesma forma, é feita a coleta dos espermatozoides para que seja possível injetá-lo no óvulo após uma seleção adequada. Após isso, ocorre a transferência para o útero. O que diferencia essa técnica é que vamos selecionar o óvulo e os espermatozoides um por um, o que acaba maximizando o resultado”, explica Alessandro Schuffner, médico especialista em medicina reprodutiva.

A dificuldade para engravidar não é exclusiva de Daniele, pois conforme o aumento da idade, a reserva de óvulos diminui, dificultando que uma gravidez futura ocorra, independente da técnica. Mas, de acordo com o médico, o tratamento pode ser adaptado para que o quadro seja revertido. “Quando a mulher tem uma baixa reserva ovariana, modificamos o protocolo de estimulação da ovulação com  medicamentos e doses diferentes, exatamente para adaptar a essa característica da mulher”. 

Dentre os fatores que influenciam no sucesso da reprodução assistida, está o potencial reprodutivo máximo de uma mulher, que em algumas, pode decair antes mesmo dos 35 anos e condições como o ovário policístico. Os fatores masculinos também podem ser relacionados, como a varicocele, que é a dilatação da veia do testículo e pode diminuir a qualidade do espermatozoide.


Microscópio invertido permite análise do processo

Uma das condições que garante maior sucesso da FIV, além da seleção dos óvulos e espermatozoides, é a seleção do embrião para a transferência. “No terceiro dia de desenvolvimento do embrião, por exemplo, é contado quantas células ele tem e se são homogêneas - blastômeros. referimos levar o embrião até o quinto dia, porque a gente sabe que a metade não chega lá; então, essa metade é o embrião que engravidaria menos porque tinha alguma coisa acontecendo do ponto de vista plasmático nuclear”, ressalta Alessandro, responsável técnico de uma clínica de reprodução assistida.

Para fazer a seleção, um dos instrumentos utilizados é o Microscópio Invertido. Ele permite que as amostras sejam observadas em seu meio de cultura, sem a necessidade de preparar as amostras com a coloração, como conta o médico: “O microscópio é primordial porque ele fica mais próximo do gameta, do óvulo e do espermatozoide, então essa análise é bem mais sucedida. Além dos equipamentos, há softwares que podem ser acoplados à tecnologia do microscópio invertido e que, sem dúvida alguma, vieram para ser um grande impacto na área da reprodução”. 

A Kasvi, empresa brasileira dedicada a oferecer as melhores soluções para pesquisa, ciência, diagnósticos, estudos e novas descobertas, lançou recentemente o Microscópio Biológico Trinocular Invertido. O equipamento permite que as amostras sejam observadas através de um sistema de ótica infinita, produzindo imagens com total nitidez em todo o campo visual e a possibilidade de acoplar câmeras e kit de fluorescência.

“Quando falamos de fertilização in vitro, abordamos uma análise que é realizada em placas e até em frascos de cultivo celular, por se tratar de células sensíveis é importante a redução da manipulação. Logo, ter um aparelho para que se possa analisar diretamente nesses locais, facilita a rotina do laboratório e garante ainda mais a segurança e estabilidade da fertilização. Outro ponto seria a necessidade de uma micromanipulação e para isso necessita-se uma visão ampliada, nítida e de alta resolução, fato este que nossas objetivas infinitas de longa distância poderão fornecer”, destaca Nathalia Nascimento, Assessora Científica da Kasvi.

 


Kasvi - empresa brasileira dedicada a oferecer as melhores soluções para pesquisa, ciência, diagnósticos, estudos e novas descobertas.


São Bernardo Plaza oferece atendimento gratuito de mamografia para mulheres

Em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo, shopping recebe a Carreta de Mamografia nos dias 8 e 9 de maio


No mês em que comemoramos o Dia das Mães, o São Bernardo Plaza Shopping, localizado no ABC Paulista, em parceria com a Prefeitura de São Bernardo do Campo, oferecerá atendimento gratuito de mamografia por meio da Carreta de Mamografia - Amiga do Peito. A ação será realizada nos dias 08 e 09 de maio, quinta e sexta-feira desta semana.

O projeto tem o objetivo de incentivar as mulheres da cidade a colocarem os exames periódicos em dia. Serão distribuídas 40 senhas no período da manhã e 40 senhas no período da tarde para a realização dos exames. A unidade móvel funcionará das 7h às 17h no estacionamento do shopping ao lado do Acesso A. Ao longo do período, a carreta realizará até 80 mamografias por dia, conforme capacidade do mamógrafo. 

“A realização do exame de mamografia, bem como a detecção precoce do câncer de mama é de extrema importância para a saúde da mulher e por isso, o São Bernardo Plaza Shopping quer fazer parte da campanha de conscientização. Fechamos uma parceria com a prefeitura para a vinda da Carreta de Mamografia - Amiga do Peito para incentivarmos as nossas frequentadoras a se cuidarem e realizarem o exame preventivo; e desse modo, acreditamos que vamos conseguir ajudar a todas”, afirma Bruna Habinoski, Gerente de Marketing do shopping.

Para realizar o exame é necessário residir em São Bernardo do Campo e apresentar documento com foto. Mulheres com até 39 anos e a partir de 75 anos devem comparecer com o pedido médico em mãos. Já as que estão na faixa etária de 40 a 74 anos, não necessitam de pedido.


Dia do Profissional do Marketing: 8 especialistas compartilham suas apostas para os próximos anos

Do omnichannel às tendências para o marketing de afiliados: os temas que devem ganhar destaque na evolução do setor


Em um cenário marcado por transformações aceleradas e consumidores cada vez mais exigentes, o marketing vive um momento de redefinição. Estratégias centradas na experiência, integração entre canais, inteligência artificial e conexões humanas estão entre os pilares que devem ganhar força nos próximos anos. Nesse contexto desafiador, o dia 8 de maio é uma data importante para o setor, uma vez que é celebrado o Dia do Profissional de Marketing. Especialistas de diversas áreas apontam as principais apostas para o futuro do setor — tendências que não apenas refletem mudanças de comportamento, mas também redesenham o papel do marketing como motor de inovação, relacionamento e impacto social. Confira!


  1. Omnichannel deixa de ser tendência e se torna exigência, aponta Carolina Fernandes, CEO da Cubo Comunicação

A integração total entre canais físicos e digitais aparece como um dos caminhos mais promissores para marcas que desejam se manter competitivas. Segundo Carolina Fernandes, CEO da Cubo Comunicação e host do podcast “A Tecla SAP do Marketês”, realizado em parceria com o Pinterest, o conceito de omnicanalidade será fundamental nos próximos anos. “Consumidores esperam experiências fluídas entre o online e o offline. A omnicanalidade não é apenas estar presente em múltiplos canais, mas sim garantir uma jornada integrada, coerente e personalizada”, afirma. “Isso envolve permitir que uma compra comece em um canal e termine em outro, manter a consistência da comunicação em todos os pontos de contato e adotar tecnologias como IA e chatbots de forma estratégica para otimizar a experiência.”, finaliza a especialista.


2. Segmentação inteligente, conteúdo e medição equilibrada no marketing de afiliados, aponta
Bruna Nobre, Diretora de Publisher Partnerships da Rakuten Advertising
No Marketing de afiliados, o engajamento e conversão não são opostos, eles se fortalecem, segundo Bruna Nobre, Diretora de Publisher Partnerships da Rakuten Advertising. “Hoje, o mercado conta com ferramentas que  permitem que afiliados utilizem dados próprios para criar campanhas altamente segmentadas, conectando o público certo à oferta certa. Além disso, é importante produzir um conteúdo estratégico, considerando que o consumidor não quer apenas saber o que comprar, mas por que comprar. Mensagens bem posicionadas e conteúdos relevantes tornam a conversão um passo natural. Por fim, uma medição equilibrada pode otimizar a análise de uma campanha, que não precisa se basear exclusivamente em cliques, mas olhar para métricas como tempo de engajamento e taxa de recompra”, analisa a diretora.

3. Personalização e gamificação com Inteligência Artificial como diferencial competitivo, aponta Nara Iachan, CMO da Loyalme by Cuponeria

A Inteligência Artificial deve ganhar ainda mais protagonismo nas estratégias de fidelização nos próximos anos. Com ela, as marcas conseguem analisar hábitos de consumo, preferências e até comportamentos preditivos em tempo real, garantindo um diferencial competitivo essencial. Aliada a essa tecnologia, a gamificação seguirá como uma poderosa ferramenta de engajamento, incentivando os clientes a interagir com a marca de forma lúdica e recompensadora. “A IA está revolucionando a fidelização, ao permitir conexões mais profundas e entregas contínuas de valor. Clientes bem compreendidos tendem a ser mais fiéis, engajados e ainda ampliam a interação com a marca, recomendando para novos consumidores. Investir em soluções de fidelização, como a gamificação é muito mais rentável e deve estar na estratégia de marketing de toda empresa”, destaca a CMO.

 

4. ESG e branding regenerativo, por  Isabel Sobral, sócia e diretora de ESG & Negócios Sustentáveis da FutureBrand São Paulo

A visão ESG deve estar incorporada ao branding nos próximos anos, incluída entre os atributos da marca ou produto, abrangendo estratégia, expressão, experiência, cultura interna, dados, inteligência, entre outros. “Práticas com foco em ESG tem se intensificado e o tema foi se tornando cada vez mais estratégico, principalmente para marcas. As companhias precisam assumir um papel mais protagonista na agenda de transformação socioambiental. O mercado brasileiro deve estar cada vez mais atento a setores que desenvolvem agendas de impacto social e ambiental, com foco em um futuro mais sustentável e regenerativo para a sociedade como um todo”, explica Isabel Sobral, sócia e diretora de ESG & Negócios Sustentáveis da FutureBrand São Paulo.

 

5. Menos “performance x branding”, por Giovanna Falchetto, coordenadora de Comunicação 

Para a especialista, a falsa dicotomia entre performance e branding limita o potencial da comunicação. “O futuro é sobre orquestrar canais com foco em equilíbrio: retorno imediato e construção de marca andam juntos quando há planejamento inteligente. As marcas do futuro serão narrativas vivas e não apenas logotipos, então a construção de identidade passará por histórias dinâmicas, autenticidade e engajamento contínuo com comunidades segmentadas”, explica Giovanna.

 

6. Uso de IA, pesquisas sintéticas e automatizadas, por Bruno Strassburger, Head de Pesquisa da Neura e Especialista em comportamento de consumo

De acordo com o profissional, a combinação entre IA generativa e análises semânticas vai permitir análises mais aprofundadas e automatizadas no ramo. “Isso tudo possibilita pesquisas qualitativas com escala quase quantitativa. Em vez de ouvir 30 pessoas, as marcas poderão interpretar o conteúdo de milhares de consumidores com atualizações em tempo real. Atrelado a isso, o uso de synthetic users - avatares digitais e simulações de comportamento - vai se consolidar como ferramenta estruturante para testar hipóteses, validar campanhas e antecipar reações do consumidor — antes mesmo da coleta tradicional começar. Com tudo isso, o marketing passará a valorizar mais a curadoria e interpretação do que a coleta bruta. O foco muda da quantidade de dados para a qualidade dos padrões identificados”, reforça.

 

7. Do processo criativo com IA à conversão de resultados, por Renato Fonseca, Diretor de Diretor de Marketing, Dados e Pesquisa da Funcional Health Tech

Ainda falando sobre inteligência artificial, Renato destaca que uma grande oportunidade na área é o uso dessa tecnologia para produzir peças publicitárias com qualidade e agilidade. “Temos observado avanços tecnológicos significativos, com foco na otimização de processos e na redução de custos por meio da IA generativa. Notamos um grande salto de qualidade na geração de imagens e vídeos, o que reduz consideravelmente o tempo e o custo de produção. Indo além, agora é possível pensar em campanhas altamente personalizadas, com experiências hiper segmentadas que aumentam as conversões. É como se pudéssemos customizar o texto e o contexto das peças conforme aquilo que mais impacta — anúncios com ambientações, personagens e abordagens moldadas especificamente para chamar atenção”, explica.

 

8. O futuro (e presente) das marcas está na construção de vínculos, não apenas na venda, diz Junior Sturmer, Head de Marketing e Branding da TruckPag 

 

Durante muito tempo, construir marcas foi visto apenas como criar campanhas bonitas. Hoje, o mercado exige mais: posicionamento estratégico claro e marcas que se conectem de verdade com seus públicos. Segundo Sturmer, quem não construir relevância contínua corre o risco de ser apenas mais uma voz perdida em meio ao barulho: “O futuro pertence às marcas que entendem que confiança e identificação são ativos que precisam ser nutridos todos os dias. Cada vez mais, vemos movimentos que reforçam a importância da comunidade na construção de marca. Nos próximos anos, marcas que conseguirem gerar essa sensação de pertencimento, alinhando propósito e relacionamento real, serão as que sobreviverão e crescerão em meio a mercados cada vez mais dinâmicos”, diz o Head. 


Qual o papel da tecnologia no planejamento de compras no varejo?


Entre os pilares para garantir o sucesso do varejo, está o planejamento de compras. Afinal, mais do que uma simples atividade administrativa, essa é uma estratégia que impacta, diretamente, no desempenho, lucratividade e, principalmente, no crescimento do negócio.

Ano após ano, o setor varejista vem crescendo. Segundo o IBGE, em 2024, as vendas do segmento fecharam com alta de 4,7%, marcando o melhor desempenho desde 2012. No entanto, diferentemente de outros setores, o varejo lida, constantemente, com as sazonalidades do mercado.

Isso é, diariamente, a vertical precisa se organizar levando em conta quais os dias da semana que têm maior alta de vendas, feriados, estações, datas comemorativas, entre outras tendências. Com isso, cabe ao setor a missão de realizar as compras das mercadorias a serem revendidas de forma assertiva, do contrário, este excesso ou falta pode ocasionar prejuízos para o negócio.

No entanto, mesmo compreendendo essa importância, algumas empresas ainda sofrem na hora executar o planejamento de compras, devido a fatores como a falta de visibilidade em tempo real, falta de acesso rápido a informações consolidadas, indicadores desatualizados ou incompletos, mix de produtos mal definidos e utilização do feeling baseado na teoria de “sempre foi assim”.

Diferentemente de outras áreas, o varejo precisa estar preparado todos os dias da semana, pronto para atender ao público a qualquer hora. Esse contexto diminui a margem de erros, ressaltando a importância de investir em uma abordagem precisa e eficiente, algo que pode ser obtido com o uso da tecnologia.

Levando em conta os critérios que envolvem o planejamento de compras do varejo, por meio de recursos tecnológicos, torna-se possível executar ações como previsão de demanda mais precisa com o uso de dados internos, simular cenários de compras, centralizar informações que ajudem no open to buy em tempo real, resultando no melhor equilíbrio para o abastecimento assertivo de itens e produtos a serem revendidos.

Contudo, é preciso enfatizar que a tecnologia é um meio. Ou seja, nenhuma ferramenta tem o poder de solucionar os problemas da empresa, bem como cada negócio possui suas particularidades. Sendo assim, de nada adianta contratar uma ferramenta, sem que ela tenha aderência ao negócio.

Deste modo, é indispensável que o setor busque investir em soluções especializadas na vertical, que entendam o modelo de negócio varejista e auxiliem desde a gestão de verbas, compras, emissão de alertas de melhores e piores produtos, até o agendamento de entregas, grade de produtos, alocação e marcação de preços.

Tendo esse controle bem definido e o apoio da tecnologia, torna-se possível executar um planejamento de compras eficaz, evitando que haja excesso ou ruptura de estoques, uma vez que todas as etapas serão realizadas com base em análises corretas, a fim de guiar para o melhor resultado.

Embora quando falamos sobre o uso de recursos de tecnológicos e suas vantagens, isso brilhe os olhos de todo varejista, para que se tenham resultados de fato, é importante realizar uma mudança cultural na organização. Estamos diante da era da transformação digital, mas alguns negócios ainda têm resistência em mudar – algo que, no atual dinamismo do mundo, se mostra como uma necessidade. Certamente, mudar esse mindset não é uma tarefa fácil, mas com o apoio de uma consultoria especializada, o caminho pode se tornar menos desafiador.

A expectativa é que o varejo continue a crescer e migre, cada vez mais, para uma operação multicanais. Na prática, isso exige que o setor invista em recursos que apoiem no planejamento de compras, de forma que supra a demanda do público, garantindo uma boa experiência para os clientes. Quanto a isso, a tecnologia sempre será uma aliada, mas é preciso começar a preparar, desde já, a jogada e sair na frente com resultados ainda melhores.



Luana Silva - Especialista SAP para varejo e e-commerce da ALFA.
ALFA Consultoria – SAP Gold Partner


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