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sábado, 3 de maio de 2025

Tabagismo e aromaterapia: óleos essenciais no combate ao vício

Entenda como a aromaterapia pode ser útil contra o tabagismo.


O tabagismo é uma das dependências mais desafiadoras de superar, com as taxas de sucesso na cessação variando amplamente conforme o método utilizado e o comprometimento do indivíduo. Abordagens que combinam suporte psicológico, terapias complementares e, em alguns casos, tratamento medicamentoso, tendem a apresentar melhores resultados. Além dos tratamentos tradicionais, a aromaterapia se apresenta como uma abordagem complementar promissora, utilizando óleos essenciais para reduzir a ansiedade, contribuir para o controle da vontade de fumar e promover o bem-estar. Óleos essenciais como os de lavanda (Lavandula angustifolia), hortelã-pimenta (Mentha piperita) e limão siciliano (Citrus limon) são reconhecidos por suas propriedades calmantes e revigorantes, podendo atuar como aliados naturais no processo de controle/abandono do vício.

 A enfermeira e aromaterapeuta Talita Pavarini explica os principais desafios enfrentados por quem deseja parar de fumar e como a aromaterapia pode contribuir nesse processo. “Parar de fumar é um desafio complexo que envolve aspectos físicos, psicológicos e sociais”, afirma Talita Pavarini. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), os principais obstáculos incluem a dependência química da nicotina, que provoca sintomas de abstinência como ansiedade e irritabilidade, além de fatores comportamentais, como as associações entre fumar e atividades cotidianas. Talita acrescenta: “A aromaterapia pode ser uma aliada no combate ao tabagismo, auxiliando na redução da ansiedade e do desejo de fumar.”

Óleos essenciais específicos possuem propriedades que ajudam a minimizar os sintomas de abstinência e promovem o bem-estar durante o processo de cessação, mas muitas pessoas não sabem quais são os mais indicados para esse caso. "O óleo de pimenta-preta (Piper nigrum) atua na diminuição do desejo de fumar e alivia a ansiedade, enquanto o de lavanda (Lavandula angustifolia) promove relaxamento e o óleo de angélica (Angelica archangelica) contribui para o controle emocional, diminuindo a compulsão", indica Talita.

Os benefícios do uso de óleos essenciais como tratamento contra o tabagismo geralmente começam a aparecer rapidamente, embora isso dependa do caso de cada paciente, com alguns experimentando efeitos mais rápidos que outros. "De 5 a 10 dias, alguns efeitos já podem ser notados. Porém, é importante entender quais são os benefícios específicos para cada indivíduo. A ansiedade tende a responder mais rapidamente do que a redução do número de cigarros, devido à dependência química e emocional do ato de fumar. A cessação do hábito varia de pessoa para pessoa, com resultados visíveis a médio prazo. A consistência na aplicação dos óleos é fundamental para alcançar resultados positivos", explica a enfermeira Talita Pavarini.

Além da aromaterapia, outras terapias podem ser combinadas para aumentar a eficácia no combate ao tabagismo, tornando o tratamento mais eficaz, sempre respeitando o tempo e as necessidades de cada pessoa. "A aromaterapia pode ser associada a outras abordagens, como aconselhamento psicológico, programas de cessação do tabagismo, acupuntura, auriculoterapia e Reiki. Todas essas terapias estão disponíveis gratuitamente no SUS", conclui Talita.


O Luto e os novos começos: Como transformar a perda em força para recomeçar

Especialista aponta caminhos possíveis para quem busca seguir em frente após uma grande perda

 

Perder alguém querido é uma das experiências mais difíceis da vida. Mas, apesar da dor intensa, é possível encontrar maneiras de ressignificar a ausência e reconstruir a própria história. A psicóloga, neuropsicanalista e terapeuta do luto Carla Salcedo explica que, embora o processo seja doloroso, ele também pode ser uma oportunidade de transformação. "O luto não é uma fraqueza, mas uma expressão legítima de amor. Quando reconhecemos isso, damos o primeiro passo para voltar a viver com sentido", afirma Carla.

O luto é uma resposta natural à perda e pode se manifestar de formas variadas: tristeza, raiva, culpa, isolamento e até sintomas físicos, como insônia, dores no corpo e falta de apetite. Cada pessoa vivencia esse processo de maneira única, e não existe um roteiro fixo para superá-lo. Segundo Carla, o essencial é permitir-se sentir e acolher as emoções, sem pressa ou julgamentos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o luto prolongado, quando se estende por mais de seis meses com sofrimento intenso e prejuízo funcional, já é reconhecido como um transtorno mental. A condição pode desencadear quadros de depressão, ansiedade e até comportamentos de risco. No Brasil, uma pesquisa do Google Trends revelou que a palavra "luto" foi a mais buscada entre os temas emocionais nos anos de pandemia, mostrando a relevância do assunto para milhões de brasileiros.

A dor que transforma

Embora o luto envolva sofrimento, ele também pode ser um catalisador de crescimento pessoal. Muitos relatos mostram que, após um período de dor profunda, pessoas encontram novos propósitos, redescobrem sua fé, mudam suas prioridades ou criam projetos em homenagem àqueles que partiram.

"A dor da perda pode nos reconectar com o que realmente importa. Às vezes, ela nos convida a viver com mais consciência, mais presença e mais verdade", pontua Carla.

Esse movimento, no entanto, não acontece de forma linear. Avanços e recaídas fazem parte da jornada. Datas comemorativas, músicas, cheiros ou lugares podem trazer lembranças intensas e tudo isso é normal. "Luto não se cura, se integra", diz a especialista. "A ausência se acomoda na nossa história e, com o tempo, aprendemos a conviver com ela".



Dicas para quem está enfrentando o luto

Carla Salcedo reúne algumas orientações práticas para quem está atravessando esse momento:

  • Permita-se sentir: Tristeza, raiva e saudade fazem parte do processo. Não negue as emoções — elas são naturais e precisam ser acolhidas.
  • Busque apoio: Falar com amigos, familiares ou um terapeuta pode aliviar o peso e trazer novas perspectivas.
  • Reorganize a rotina: Retomar atividades simples do cotidiano ajuda a reconstruir um senso de normalidade e pertencimento.
  • Cuide da saúde física: Sono, alimentação e movimentos leves (como caminhadas) também contribuem para o equilíbrio emocional.
  • Respeite seu tempo: Evite comparações com outras pessoas ou com expectativas externas. Cada luto tem seu ritmo.
  • Considere a terapia: O acompanhamento psicológico é um recurso valioso para elaborar a perda e desenvolver estratégias de enfrentamento saudáveis.
  • Rituais de despedida: como funerais, homenagens, cartas, ou mesmo acender uma vela, ajudam o cérebro a assimilar a perda. "O simbolismo do adeus é importante. Ele marca uma transição e pode trazer acolhimento e significado", explica Carla. Além disso, manter viva a memória da pessoa que partiu, seja por meio de histórias, objetos, músicas ou tradições, é uma forma de manter o vínculo afetivo, mesmo após a morte.


Hoje, muitas pessoas encontram também nas redes sociais um espaço para elaborar o luto, seja por meio de textos, homenagens ou grupos de apoio. Essa exposição pode ser positiva, desde que respeite os limites de cada um.

Transformar a dor da perda em força para seguir em frente é um processo longo e, muitas vezes, silencioso. Mas é possível. Para Carla, esse recomeço não significa apagar o passado ou substituir afetos. Ao contrário: trata-se de reconstruir a vida com uma nova perspectiva, onde a ausência coexistirá com novos significados. "Recomeçar não é esquecer. É aprender a viver com a dor sem se paralisar por ela. É descobrir, pouco a pouco, que ainda é possível ser feliz, mesmo sem quem se ama ao lado", conclui.


Você sofre com o passado do seu amor? Entenda a Síndrome de Rebecca

Inspirado no filme "Rebecca", o conceito descreve a sensação de viver à sombra das lembranças de antigas relações, mesmo quando elas já não existem

 

Sentir ciúmes de relacionamentos anteriores do parceiro é mais comum do que se imagina. Esse comportamento tem nome: Síndrome de Rebecca, uma condição emocional em que o passado amoroso do outro se torna uma fonte constante de insegurança, dor e conflitos. Inspirado no filme "Rebecca", do cineasta Alfred Hitchcock — baseado no romance da escritora Daphne du Maurier —, o conceito descreve a sensação de viver à sombra das lembranças de antigas relações, mesmo quando elas já não existem. 

O fenômeno, conhecido também como ciúme retroativo, vem ganhando força em tempos de redes sociais, onde fragmentos do passado se tornam facilmente acessíveis. Para o Pai de Santo Roberson Dariel, especialista em reconciliação de casais e presidente do Instituto Unieb, esse tipo de ciúme pode comprometer a saúde emocional do casal e precisa ser tratado com seriedade.  

"O problema não é o passado em si, mas a maneira como a pessoa lida com ele. A Síndrome de Rebecca é alimentada pela insegurança, pela comparação constante e pelo medo de não ser suficiente. É importante que o casal desenvolva estratégias para fortalecer a relação no presente e evitar que o passado interfira na convivência atual. Superar esse tipo de insegurança passa por autoconhecimento, comunicação aberta e, para quem acredita, também por práticas de reconexão espiritual que ajudem a reorganizar emocionalmente quem sofre com essas memórias antigas”, explica Roberson. 

Um estudo conduzido pelo pesquisador Gary Brase, da Universidade de Sunderland, em 2023, analisou o ciúme em diferentes países e revelou que nações com altas taxas de fertilidade, como o Brasil, tendem a ter homens mais ciumentos em relação à conduta sexual de suas parceiras. Já no contexto brasileiro, uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva em parceria com a QuestionPro mostrou que mais da metade dos homens acreditam que sentir ciúmes é sinal de amor. O levantamento ouviu 1.500 pessoas, entre homens e mulheres com mais de 18 anos, em todo o país. 

Embora sentir ciúmes em algum grau seja natural, a obsessão pelo passado do parceiro pode minar a confiança e impedir a construção de uma relação saudável. “A pessoa que sofre com a Síndrome de Rebecca tende a se fixar em histórias que já terminaram, esquecendo que o que realmente importa é a história que está sendo construída no presente. Se o relacionamento atual é forte, verdadeiro e baseado em respeito, o passado perde a importância”, finaliza o especialista em reconciliação de casais. 



Instituto Unieb - Instituto de Unificação Espírita do Brasil,
Saiba mais aqui!

 

Por que mentimos? Os limites entre a autoilusão e a fraude

shutterstock
Especialista alerta para os impactos de viver em constante dissimulação — e os caminhos para retomar a autenticidade


O que acontece quando a mentira deixa de ser uma escapatória pontual e passa a reger a vida de alguém? Essas questões, que atravessam tanto a psicologia quanto a ética, ganham destaque no livro de Carlos Eduardo Simões, “As mentiras que contam para você – O poder da autoilusão”, publicado pela Literare Books International. A obra parte de um ponto sensível, porém universal: a capacidade que temos de aceitar inverdades – contadas por outros ou, pior ainda, por nós mesmos – como verdades absolutas.

Segundo o autor, “muitas vezes, não é a mentira do outro que mais nos machuca, mas a que repetimos internamente até se tornar um muro invisível que nos impede de avançar”.

O livro é um convite à reflexão. Baseado em pesquisas, estudos e vivências pessoais, Carlos Eduardo mostra como essas falsas verdades moldam decisões, travam carreiras e minam relações. A mentira, nesse contexto, é mais do que um simples desvio ético – ela pode ser um mecanismo inconsciente de proteção, uma autoilusão.

Mas há um limite. E quando ele é ultrapassado, entramos em outro território: o da compulsão, da falsidade ideológica, da mitomania – nome clínico dado ao comportamento compulsivo de mentir. Nesses casos, a mentira passa a ser utilizada como instrumento de manipulação social, e os danos extrapolam o universo do indivíduo.


Mentir pode virar doença?

A psicologia define a mitomania como uma condição em que a pessoa mente com frequência e sem necessidade aparente. Ao contrário da mentira “comum”, que geralmente tem um objetivo claro (evitar punições, agradar, conseguir vantagem), o mitômano constrói realidades paralelas, muitas vezes acreditando nas próprias narrativas.

Esse descolamento da realidade pode trazer sérias consequências – tanto emocionais quanto sociais – e, em casos extremos, envolver até crimes.


Um teatro de 40 anos

Exemplo emblemático dessa fronteira entre mentira e delírio socialmente estruturado é o do juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis, revelado recentemente. Por mais de quatro décadas, ele viveu sob a identidade fictícia de Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, alegando ser descendente de nobres britânicos.

Com essa falsa identidade, ele ingressou na USP, foi aprovado em concurso público e atuou como juiz no Tribunal de Justiça de São Paulo. Tudo começou com um RG falso em 1980 e só veio à tona em 2024, quando tentou tirar segunda via do documento.

A farsa caiu após análise das impressões digitais, revelando que os dois registros – o verdadeiro e o fictício – pertenciam à mesma pessoa. Investigações confirmaram que não há nenhum registro do nome britânico em sistemas oficiais do Reino Unido.

Carlos Eduardo comenta: “O mais impressionante nesses casos não é apenas a construção da mentira, mas o quanto o sistema – social, institucional, emocional – pode se adaptar à farsa. A mentira sustentada por anos deixa de ser apenas uma invenção: ela se institucionaliza.”


Divulgação
 Literare Books International

Entre a autoilusão e a fraude

O livro de Carlos Eduardo Simões não fala de fraudes judiciais ou escândalos criminais, mas nos ajuda a entender como pequenas distorções da realidade – muitas vezes inocentes ou bem-intencionadas – podem virar verdadeiros sistemas internos de autossabotagem. E, em escala maior, podem se transformar em mentiras com impacto coletivo.

“Mentimos por medo, por vergonha, por querer aceitação. Mas também mentimos porque não fomos ensinados a lidar com a verdade de forma madura”, afirma o autor.

No fim, a obra nos convida a um exercício difícil, porém libertador: rever a história que contamos para nós mesmos e identificar quais dessas narrativas são apenas véus sobre a realidade.

Afinal, como Carlos Eduardo resume, “enxergar a verdade pode doer. Mas viver uma mentira dói mais – e por muito mais tempo”.


Você tem síndrome da Mulher Maravilha? 7 atitudes para aprender a lidar com sobrecarga

Pesquisa recente indica que 86% das mulheres consideram ter muita carga de responsabilidade; Marciele Scarton, autora do best-seller “O Grande Poder” lista 7 atitudes para aprender a lidar com a pressão para ser ‘perfeita’

 

Muitas mulheres se sentem pressionadas a serem perfeitas em todos os aspectos da vida: profissionais exemplares, mães dedicadas, esposas atenciosas, amigas presentes, tudo isso enquanto cuidam da própria saúde e bem-estar. Essa “necessidade” de atender com perfeição múltiplas expectativas, muitas vezes irreais, é o que caracteriza a chamada síndrome da Mulher Maravilha, um fenômeno que afeta a saúde mental e emocional de muitas mulheres ao redor do mundo. 

Uma pesquisa realizada pela pela ONG Think Olga mostra que 45% das mulheres brasileiras possuem um diagnóstico de ansiedade, depressão, ou outros tipos de transtornos e 86% consideram ter muita carga de responsabilidades. “Existe um nível de exigência para que as mulheres atendam a padrões que não são possíveis na realidade diária - na vida profissional, em casa, nos relacionamos e até mesmo na vida pessoal e, principalmente, em sua aparência. Elas têm que ter uma carreira de sucesso, ser dona de casa solícita, mãe zelosa, esposa disposta, treinar e perseguir um visual que é inalcançável, tudo com excelência ao mesmo tempo e com ares de plenitude, como se dar conta de tudo isso fosse natural e tranquilo”, observa Marciele Scarton, mentora em desenvolvimento feminino e autora do best-seller “O Grande Poder". 

Isso explica tanto a sensação de sobrecarga quanto de frustração e infelicidade. “É humanamente impossível dedicar-se tão intensamente a todas as áreas ao mesmo tempo . É preciso equilíbrio e isso não significa dedicar sempre o mesmo tempo e a mesma quantidade de energia a cada um dos papéis que desempenhamos. Ao contrário, muito provavelmente em alguns ciclos a carreira vai exigir mais, em outros o foco será a maternidade ou o relacionamento, noutros haverá a vontade de priorizar o autocuidado, e está tudo bem, desde que nunca se deixe nenhum dos papéis importantes para si ao léu”, explica. 

Para Marciele, as mulheres precisam identificar o que realmente desejam, em vez de tentar corresponder aos padrões impostos pela sociedade, libertando-se das pressões externas.

“A sociedade atual, se serve e se beneficia da alta performance feminina a qualquer custo, fazendo recair sobre ela, mascarado de elogio, o estigma de mulher-maravilha, aquela que dá conta de tudo. O problema é que com essa exaltação, as próprias mulheres passam a achar que devem fazer tudo 100% perfeito sempre e a gente sabe que a busca pela perfeição é um encontro com a decepção”, comenta.


Tenho síndrome da Mulher-Maravilha, e agora?

 

Clareie o que é prioridade para você

Pare por um momento e questione o que verdadeiramente importa para você. “Muitas vezes, a pressão vem de tentar atender expectativas externas, que nem sempre refletem o que você realmente valoriza.. Descobrir o que verdadeiramente faz você feliz e realizada é essencial para redefinir seus objetivos”, opina a autora.

 

Encoraje-se para agir conforme as suas vontades

É importante se libertar das exigências da sociedade e se reconectar para assumir e avançar na direção de seus desejos com convicção. “Nem sempre o que a sociedade impõe é o que você deseja e que vai te fazer feliz e é preciso passos de coragem para avançar na direção do que sua essência demanda”.

 

Abandone a busca pela perfeição 

Para a autora, a perfeição é uma meta inalcançável e tentar atingi-la só leva à frustração. Entenda que fazer o melhor possível já é suficiente e que se permitir ser imperfeita, como somos todos, traz ganhos como a liberação de culpas e o recebimento de mais amor incondicional. “Pense nas pessoas que mais a amam. Elas a veem do jeito que você acorda e já a viram furiosa, cansada, magoada, desarrumada e nas suas ‘piores’ versões. Não seria incrível se mais pessoas nos amassem e apoiassem assim com essa facilidade e intensidade? É desafiador, mas vale muito a pena ousar ser quem somos verdadeiramente”.


Pratique a autocompaixão

Seja gentil consigo mesma. Aceite que não é possível agradar a todos ou atender a todas as expectativas. Reconheça seus esforços e conquistas sem se cobrar excessivamente pelo próximo resultado perfeito. Saiba que relacionar seu valor a alto desempenho e realizações incessantes, sentindo-se fracassada quando fica minimamente aquém do que você ou os padrões impostos determinam, caracteriza um padrão de autossabotagem, conhecido como hiper-realizador, que a torna uma pessoa que não pára nunca, afinal sua autoaceitação dependente continuamente do próximo sucesso .
 

Diga mais “nãos” e peça ou aceite ajuda 

A doação, o cuidado com o outro, é algo esperado da mulher; contudo, a receptividade também deve ser cultivada. É imprescindível, para a felicidade, que haja equilíbrio entre doar-se e permitir-se receber. Peça e aceite ajuda, não negue gestos simples de apoio, divida responsabilidades, delegue tarefas.
 

Descanse 

A produtividade feminina tem mais a ver com pausar que com fazer, de modo que, se eu pudesse recomendar um único aspecto para ampliar a performance feminina, seria: descanse! A mulher se sente culpada por descansar. Isso é cultural. No passado recente, aquela que descansasse minimamente, que não estivesse o tempo inteiro trabalhando ou se dedicando a atividades e aos outros, era chamada de preguiçosa, vadia. O descanso é necessário a qualquer ser humano. Só que a mulher faz das tripas o coração. condicionada de que vai ter cada vez mais resultado ao seguir o ritmo. O que é um grande erro. É exatamente porque mulheres estão cada vez mais estafadas, exaustas, cansadas, sem repousar o suficiente que elas começam a perder saúde física e mental.
 

Viva com mais leveza

Será que as exigências são apenas externas ou são nossas também? Não seja tão dura consigo.Liberte-se da pressão de “dar conta de tudo” e abra espaço para mais leveza no seu dia a dia e em sua vida. Proporcione a si mais o que realmente traz alegria e satisfação à sua vida no momento. Essa mudança de perspectiva, segundo Marciele, pode melhorar sua produtividade e a qualidade de seus relacionamentos. 



Marciele Scarton - jornalista, escritora e palestrante natural de Bento Gonçalves (RS). Com uma carreira dedicada ao desenvolvimento pessoal e à liderança feminina, lançou seu primeiro livro, Mulheres do Interior, em 2013, quando percebeu seu potencial para inspirar outras mulheres. Desde então, tem se destacado por abordar o paradoxo da felicidade feminina e as pressões modernas sobre as mulheres. Sua obra mais recente, O Grande Poder: Acesse Sua Força Feminina para Alcançar Tudo o Que Deseja, apresenta uma metodologia prática baseada em sete passos fundamentais para desbloquear o poder feminino.


Corpo, mente e alma: a tríade da alta performance

No mundo esportivo, a busca pela alta performance vai muito além do treinamento físico. O verdadeiro sucesso se constrói a partir de um equilíbrio harmonioso entre corpo, mente e alma. Essa tríade é fundamental para qualquer atleta alcançar resultados excepcionais e manter a saúde mental.

O desenvolvimento do bem-estar psicológico ajuda a se tornar alguém mais resiliente diante das adversidades. Isso significa que, ao invés de se deixar abater por uma derrota ou lesão, o esportista que consegue regular as próprias emoções tem mais chances de aprender com essas experiências e se preparar melhor para o futuro. Esse autocontrole, concentração e motivação são habilidades que podem ser aprimoradas por meio de práticas como meditação e visualização, a fim de atingir o potencial máximo.

Além disso, o lado espiritual não deve ser negligenciado. A aproximação com a fé, por exemplo, pode oferecer uma sensação de propósito. Para muitos atletas, essa conexão é uma fonte de força na superação de momentos difíceis. Nesse sentido, a prática da reflexão pessoal e de valores éticos são formas de crescer espiritualmente e fortalecer a estabilidade emocional.

Hábitos saudáveis também são bons aliados na hora de promover o bem-estar integral, como ter uma alimentação balanceada, exercitar-se regularmente, descansar e cultivar uma rede de apoio, já que relacionamentos significativos fazem toda a diferença ao enfrentar os altos e baixos de uma carreira no esporte.

Um exemplo inspirador desse equilíbrio é Bremer, jogador de futebol da Juventus, na Itália, e da Seleção Brasileira. Ele não apenas se destaca pelo talento em campo, mas também pela mentalidade forte e centrada. O zagueiro demonstra que o sucesso esportivo é resultado de um trabalho contínuo em todas as áreas: sua dedicação ao treinamento físico acompanha um compromisso diário com a própria saúde mental e espiritual, o que reflete no desempenho positivo dele durante todas as competições.

Assim, equilibrar a tríade entre corpo, mente e alma precisa ser uma prioridade de todo jogador que aspira fazer sempre mais um gol na próxima partida, mas também enfrentar os desafios da vida e concretizar sonhos fora dos gramados – uma atitude vencedora que garantiu a ascensão de Bremer, jovem do interior da Bahia, na Liga dos Campeões europeia.


Thiago Linhares - Doutorando em Coaching, especialista em Psicologia Positiva, Psicologia do Esporte e desenvolvimento mental para atletas, além de coautor dos livros “Bom dia, Campeão” e “O zagueiro de aço”.



A influência das práticas sustentáveis na felicidade e saúde mental



Como é possível a sustentabilidade trazer felicidade? Vamos imaginar um cenário onde as pessoas vivem em uma casa totalmente organizada e limpa, isso pode fazer você se sentir bem, já que, com tudo organizado, fica mais fácil de realizar as tarefas do dia a dia e ainda ajudar a comunidade do entorno com atividades e tarefas sustentáveis.

Assim, quem tem uma rotina mais organizada e equilibrada, tem uma mente mais tranquila: menos ansiosa e estressada e com mais qualidade. Quanto mais você organiza tudo, melhor será sua mente e espírito. E isso é sustentabilidade: reequilibrar todas as áreas da sua vida.

Quando iniciam-se essas mudanças e essa busca pelo equilíbrio – tanto dentro da própria casa, quanto internamente, em seu espírito, como fora de casa, em seu entorno, com os vizinhos, amigos e conhecidos – você mobiliza as pessoas que estão ao seu redor, formando toda uma rede, uma teia mais sustentável e equilibrada. Ao tecer essa conexão da sustentabilidade, no médio e longo prazo, colhem-se os impactos positivos que essa mobilização e esse efeito dominó trazem.

Apesar de na teoria ser simples, há alguns desafios para implementar na prática. O primeiro deles que destaco é o cultural. Ao comparecer nas empresas para trazer informações e ações sobre a separação do lixo orgânico para o reciclável, sempre trazendo inovação, os colaboradores achavam uma tarefa chata e morosa. Eu trago aqui como certo tipo de comodismo e de preguiça inicialmente, mas isso são hábitos que vão sendo adotados no dia a dia e depois que insere o hábito diariamente, ele se transforma em uma tarefa automática.

Além disso, durante anos, algumas empresas ignoram práticas ambientais corretas, e optam por alternativas mais baratas e de curto prazo, como descartar resíduos de maneira inadequada. Embora tais ações sejam mais econômicas no início, esse comportamento resulta em sérios problemas ambientais e financeiros em longo prazo.

Implementar programas de coleta seletiva, apesar dos custos iniciais, é um investimento primordial para a sustentabilidade. Isso porque empresas que adotam a cultura da sustentabilidade percebem os impactos positivos: não apenas para o meio ambiente, mas também para a reputação e o bem-estar de toda uma cadeia.


Felicidade: como alinhá-la com o ritmo de vida acelerado?

O ritmo acelerado, principalmente de grandes cidades como São Paulo, focado na busca incessante por dinheiro traz estresse e ansiedade, prejudicando a qualidade de vida, mas ações que promovem equilíbrio e bem-estar podem mudar esse cenário.
Uma lição que apresento aqui vem do Butão, país em que o foco principal está em promover a paz interior, mesmo em meio a rotinas intensas. Assim como os pilotos de Fórmula 1, que conseguem permanecer calmos ao serem entrevistados após uma corrida em alta velocidade, é possível realizar tarefas de forma eficiente mantendo a tranquilidade por meio do equilíbrio. A sustentabilidade é a chave para tudo isso e é um dos caminhos para uma vida menos estressante, mais saudável e feliz, promovendo bem-estar tanto individual quanto coletivo.
  


Caio Queiroz - CEO da Aguama Ambiental.


Brain rot: um alerta para a infância

Imagem ilustrativa



Conteúdo fácil, rápido, fútil, repleto de gatilhos que estimulam consumo e mostram um padrão de vida difícil de alcançar para a maioria das pessoas. E mais: recebido passivamente o dia inteiro. Você sabe exatamente a que estou me referindo, certo? Pois a vida essencialmente digital, pautada na superficialidade, contribui não somente para o adoecimento emocional, como para o que chamamos de “apodrecimento do cérebro”.

O brain rot é definido pela deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa exposta a conteúdos extremamente dinâmicos e de baixa qualidade. Segundo especialistas da Universidade de Oxford, o uso dessa expressão teve um aumento em 230% entre 2023 e 2024. Em 2025, convido os pais a criarem mecanismos para que esse termo caia em desuso.

Na infância, os aspectos cognitivos e emocionais estão em uma espécie de “fase de treinamento” para que desempenhem tarefas mais complexas na idade adulta. A exposição constante às telas traz grandes possibilidades de acarretar o brain rot, que pode inibir as habilidades imprescindíveis para a interação futura nos quesitos acadêmicos, profissionais e, até mesmo, sociais.

Entre as consequências do uso excessivo de dispositivos eletrônicos estão o comprometimento da capacidade de planejamento, organização, resolução de problemas, tomadas de decisão e preservação da memória. Isso porque a quantidade e rapidez da informação digital altera o circuito de recompensas do cérebro e gera uma busca constante por estímulos rápidos e imediatos. Assim, a criança perde motivação para buscar novas experiências e estabelecer conexões reais.

Para evitar o desenvolvimento do brain rot, é necessário que pais administrem o tempo que a criança gasta navegando, rolando mídias sociais, assistindo vídeos e jogando, principalmente antes de dormir.

Os responsáveis também devem ficar atentos ao que o algoritmo entrega para os pequenos, como conteúdos negativos e propagandas de uma vida inalcançável, para que não estimule sensações de ansiedade, autoimagem deturpada ou até mesmo raiva.

Mas, por onde começar? Comece por você! Deixe as telas de lado e vá experenciar a vida com as crianças! Estimular o brincar livre é uma das principais ações que devem estar na lista de prioridades, pois gera o incentivo à interação social e desenvolve grande parte das habilidades necessárias para o futuro.

Na primeira infância, o cérebro está em rápido desenvolvimento, e as conexões neurológicas são moldadas pela interação com o mundo físico. O uso de telas nessa fase pode atrasar e prejudicar muito essa dinâmica.

Meu convite em 2025 é para que a sociedade assuma o compromisso em prol da construção saudável do desenvolvimento emocional, cognitivo e social das crianças, para que a o termo brain rot fique no passado.


Lucas Freire - psicólogo especialista em bem-estar e autor de “O Leão da Bochecha de Balão e a Redescoberta do Play”, livro em que aborda, de forma lúdica, sobre o perigo do excesso de telas na infância.



A importância da neuroeducação no processo de aprendizado


Lembra quando você era bem pequeno e perguntava para sua mãe se poderia ir a uma festa? Ela dizia que não, você logo retrucava com um "Mas, mãe, todo mundo vai.", e ela falava "Você não é todo mundo." E não é mesmo, cada pessoa tem um estilo de aprendizagem único, afinal, aprender é um processo criativo, e este processo, muitas vezes, é dificultado por alguns sabotadores, que são comportamentos que adquirimos na infância a fim de termos necessidades emocionais atendidas.

 

É importante conhecer quem eles são, quais deles se manifestam com maior frequência e perceber quando estão agindo, pois são pensamentos persistentes. Eles nada mais são do que “travas” internas que impedem ou dificultam o aprendizado, e com algumas técnicas de neuroeducação é possível descobrir o motivo destas “travas”. É preciso notar quem é o responsável por elas, empatizar-se, explorar os desejos, navegar pelos valores e inovar, ou seja, agir.

 

Entre esses sabotadores estão a vítima, que sempre fala que não é compreendida por ninguém; o inquieto, que só quer fazer coisas legais; o perfeccionista, que acredita que nada está bom, que poderia fazer sempre melhor; o hipervigilante, que tem tanto medo de falar que nem se arrisca; o hiper-realizador, que quer ocupar as 24 horas do dia, sem descanso; e outros cinco sabotadores, como o hiper-racional, o controlador, o procrastinador, o servil e o crítico.

 

Por natureza, o ser humano é naturalmente inquieto por aprender, e isto está em nosso DNA. Hoje em dia, há uma quantidade absurda de informações disponíveis, e nessa cobiça de saber um pouco de tudo vamos acumulando conhecimento que, muitas vezes, vão apenas ocupar espaço mental, sem que os coloquemos realmente em prática. Conhecimento não é necessariamente poder, conhecimento é poder em potencial, pois se não é colocado em prática, ou não é usado, ele é simplesmente o mesmo que não saber.

 

Por isso, a neuroeducação, uma área de estudo que integra a neurociência, a psicologia, a andragogia e as ciências cognitivas, é tão importante para otimizar o processo de aprendizagem. Ela tem a capacidade de impactar não apenas a vida pessoal, mas também a financeira, a saúde e até mesmo os relacionamentos. Ela está intimamente ligada à autoestima, uma ferramenta necessária para se arriscar ou agir perante o medo. Com a autoestima elevada, é possível lidar com ele de maneira efetiva. A neuroeducação ajuda a entender como o nosso cérebro aprende, memoriza e processa informações. Com esse conhecimento, fica mais fácil criar métodos de ensino que realmente funcionam, deixando o aprendizado mais eficiente e até mais divertido.

 

Somos seres naturalmente procrastinadores e acabamos deixando para depois aquilo que pode ser feito antes, e isso acontece porque nosso cérebro tem sua lei máxima, a LME, Lei do Mínimo Esforço, formando uma trilha neurológica cada vez que repetimos um comportamento e deixando esse caminho cada vez mais fácil e rápido de ser percorrido. Por isso é tão difícil, às vezes, mudarmos um comportamento que já sabemos que é nocivo. Afinal, aquele caminho já está tão fácil e rápido de percorrer e requer tão pouco esforço do cérebro que acabamos por repeti-lo automaticamente.

 

A mudança de comportamento requer a construção de uma nova trilha, começando do zero. Há até um conto chinês que diz que cada um de nós tem dois cachorros, o mau e o bom, e aquele que for mais bem alimentado vencerá a batalha. Com os nossos comportamentos ocorre a mesma coisa.

 

Aprender é algo que nos deixa extremamente vulneráveis porque entramos em contato com as nossas crenças mais limitantes, sentimo-nos sozinhos e achamos que só nós estamos passando por aquela dificuldade. Às vezes, sentimo-nos incapazes e até incompetentes. E é aí que a neuroeducação entra em campo; afinal, o aprendizado é um processo desafiador, mas não impossível.

 

Marcela Miranda - especialista em práticas de aprendizagem acelerada e em Neuroeducação e Programação Neurolinguística (PNL) e autora do best- seller Mente aberta, língua solta


Luto migratório: a dor invisível de quem recomeça em outro país

Mudar de país é mais do que uma decisão logística ou profissional — é também um processo emocional profundo, que envolve perdas simbólicas e reais. Esse fenômeno é conhecido como “luto migratório”, uma experiência comum entre imigrantes, independentemente do destino escolhido.

A psicóloga Maria Klien, especialista em terapia assistida e cannabis medicinal, explica que o luto migratório não se limita à saudade da terra natal.

Se trata de um luto por tudo aquilo que deixamos para trás: vínculos afetivos, referências culturais, idioma, status social e até mesmo a própria identidade. É um processo de adaptação que pode ser doloroso, mas também transformador”, afirma.

Segundo Maria, o luto migratório pode se manifestar em diferentes fases, semelhantes às do luto tradicional: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. “É importante reconhecer esses sentimentos e buscar apoio psicológico quando necessário. A terapia pode ser uma ferramenta valiosa para elaborar essas perdas e construir uma nova identidade no país de acolhimento”, destaca.

A especialista ressalta ainda a importância de manter conexões com a cultura de origem, sem deixar de se abrir para novas experiências. “Manter laços com a cultura natal pode ajudar a suavizar a dor da saudade, enquanto se envolver com a cultura local facilita a adaptação. É um equilíbrio delicado, mas possível”, conclui.

Para Maria Klien, compreender o luto migratório é essencial para acolher e apoiar os imigrantes em sua jornada de adaptação. “Reconhecer essa dor invisível é o primeiro passo para construir pontes de empatia e solidariedade”, finaliza.

 

Maria Klien - exerce a psicologia, se orientando pela investigação dos distúrbios ligados ao medo e à ansiedade. Sua atuação clínica integra métodos tradicionais e práticas complementares, visando atender às necessidades emocionais dos indivíduos em seus universos particulares. Como empreendedora, empenha-se em ampliar a oferta de recursos terapêuticos que favorecem a saúde psíquica, promovendo instrumentos destinados ao equilíbrio mental e ao enfrentamento de questões que afetam o bem-estar psicológico de cada paciente.



Comunicação não violenta: 10 passos fundamentais para fortalecer seu relacionamento

Com foco em técnicas que evitam conflitos improdutivos, as técnicas da CNV apostam em abordagem transparente e objetiva


A não violência é um princípio que rege sociedades norteadas pela cultura da paz. Embora seja uma premissa básica da boa convivência, manter esse estado em sua forma ideal no dia a dia não é uma tarefa fácil. Nem tampouco feitiçaria. É metodologia.

Criado pelo pesquisador e escritor Marshall Rosenberg, o método CNV - Comunicação Não Violenta, difundido pelo seu livro homônimo, provocou uma mudança de mentalidade em universidades, povoados e até empresas nas últimas décadas ao alertar sobre situações que podem parecer corriqueiras mas são violentas - e por isso precisam de cuidado redobrado. Então, por que não reforçar as práticas desse método na vida amorosa?

A Comunicação Não Violenta baseia-se em quatro componentes: observação, sentimentos, necessidades e pedido. Para trazer uma visão desses elementos direcionada à vida a dois, o especialista em relacionamento Caio Bittencourt, do MeuPatrocínio, nos ajuda a decifrar pontos relevantes que a CNV aborda e que podem fazer muita diferença em qualquer estágio de uma relação afetiva.

No amor, o especialista garante que as dicas e técnicas da CNV são capazes de construir pontes e não muros, promovendo mudanças positivas e até resgatando casais de crises que parecem sem saída: “É muito importante construir confiança em um relacionamento, e isso envolve manter a transparência e a honestidade em todos os momentos”, alerta.

O especialista destaca 10 passos que são fundamentais rumo a um relacionamento confiante e saudável:

  • Não existe inimigo no ponto de vista não violento. Não se vê um inimigo. O seu pensamento deve estar focado nas suas atitudes e voltado para entender as suas necessidades.
  • A sua intenção não é fazer a outra parte sofrer; a violência começa quando acreditamos que as outras pessoas nos causam sofrimento e, por isso, merecem ser punidas.
  • Procure os valores que vocês partilham e os desafios que ambos enfrentam; pode ser que haja muito mais coisas em comum entre os sentimentos de vocês do que ambos pensam.
  • Antes de uma conversa franca, tente definir as suas necessidades, nomeie-as; veja se essa necessidade só você pode satisfazer, ou se é realmente um pedido para fazer a alguém.
  • Perceba como você se sente por não satisfazer essa necessidade; sentimentos como a culpa, o medo e a vergonha não são a motivação adequada para que a outra pessoa faça o que nós gostaríamos.
  • Sempre - e isso é um exercício constante - aprenda a separar fatos e opiniões, observando sem julgar ou culpar mas, sim, verificando atentamente o que está acontecendo.
  • É muito importante não dizer nada nas entrelinhas, indiretas são violentas; o sarcasmo é ainda pior.
  • Evite palavras genéricas e dramáticas como “sempre”, “nunca”, “jamais” ou rótulos como “você é assim”; prefira definir o fato ocorrido, descreva o erro e não a pessoa que errou.
  • Lembre-se de que o outro não é responsável pelos seus sentimentos, por isso afirmações como “Sinto isto porque alguém...” ou “Alguém me faz sentir assim” não são úteis para mudar as coisas.
  • Para ajudar objetivamente no dia a dia da relação, concentre-se em uma lista do que fazer e do que não fazer.

“É importante saber que nem todos os dias serão perfeitos, o casal deve trabalhar junto para superar os obstáculos”, finaliza Caio.


Atualizando a profissão

Faz tempo. A senhora vetou Bruna Surfistinha. Assistiu-o, porém, à sua filha, jamais lhe permitiria assisti-lo. Disse de si para consigo: “Saidinha, internet, moda, gastos além da conta; daí para Bruna, um pulo”. Arrancou juramento da garota. A promessa deve ter acabado em perjúrio. “Todo mundo” queria ver o filme, uma causa tipo grande para adeptos de patrulha moral.

A moral ocidental afeta maus olhos para a prostituição. Hipocrisia. A ocupação permanece e se sofistica. Matéria antiga: “Em 2008, em 25% dos casos, as meninas conseguiam clientes por meio do Facebook. Hoje, 83% das profissionais angariam clientes por essa rede social, que deve se transformar, ainda em 2011, no maior serviço de prostituição online do mundo” (Sudhir Venkatesh, Univ. Columbia, Super Interessante, mar, 2011, editado).

A meu ver, adultos podem prestar, se livres e conscientes; qualquer serviço, e cobrar por ele. Homens ou mulheres, o sexo ou o gênero que seja. Serviço sexual inclusive. Com suas peculiaridades, moralismos à parte, é um corpo trabalhando, não vale mais ou menos que outro ofício qualquer. Fala-se em indignidade intrínseca ao serviço sexual. Coisa de moralista.

Há indignidade, estafa, exploração moral e física em enorme rol de serviços prestados por homens e mulheres em todo o Planeta. O veto ao trabalho sexual adulto, livre e seguro é de fundo religioso. O tema faz fervor em um leque que vai da direita reacionária à esquerda puritana. A valoração moral do corpo no trabalho é histórica. Já foi humilhante trabalhar com as próprias mãos; trabalho físico era abominável. A implicância atual é com uma geografia moralizada do corpo: vagina, pênis etc.

Aliás, é relevante relativizar o assunto, compreendendo-o no correr das épocas. É de se saber que pelos tempos houve alguns baixos e muitos altos na posição social das profissionais do sexo. A Bíblia, onde bebem moral os moralistas, registra que Raabe, a prostituta de coração puro, abonada pelos anjos, traindo sua cidade para o bem seu e de sua família, facilitou a tomada de Jericó por Josué, o que estava nos planos de Jeová, o deus semita, hoje cristão.

A mais poderosa delas, embora ascendesse ao poder já em outra função, foi Teodora de Bizâncio, prostituta desde criança, enriquecida, convertida ao cristianismo, casou-se com Justiniano, imperador que governou de 427 a 565 e ditou códigos que submetiam o mundo a Roma. Como imperatriz, não desprezou seu passado, decretando leis que favoreciam mulheres em geral e meretrizes especificamente, inclusive impondo pena de morte a quem praticasse violência sexual.

Em Prostituição: um pouco de história, que edito, está resumido o percurso da anosa atividade: “Na antiguidade, a prostituição era praticada por meninas, quando atingiam a puberdade. No Egito, Mesopotâmia e Grécia, as prostitutas, consideradas sacerdotisas, recebiam honras de divindades. Em Roma, eram admiradas, porém tinham que pagar impostos. Na Grécia, existia um grupo de cortesãs, chamadas de hetairas, que frequentavam as reuniões dos grandes intelectuais. Eram muito ricas, belas, cultas e de extrema refinação; exerciam forte influência política e eram extremamente respeitadas.

Durante a Idade Média, houve a tentativa de eliminar a prostituição, incitada pela moral cristã e por um grande surto de sífilis. Em contrapartida, os casamentos arranjados por interesse reforçaram a sua prática. Em diversas Cortes, o poder das prostitutas era muito grande, tanto que se regulamentou a prostituição. Quando houve a Reforma Religiosa, o puritanismo começou a influir significativamente nos costumes. Somaram-se a sífilis, a igreja católica e a protestante, conseguindo relegar o mister à posição de clandestinidade.

Com o advento da Revolução Industrial, cresceu a prostituição. Muitas mulheres, em condições degradantes de trabalho, prostituíam-se em troca de favores dos patrões e capatazes. Somente em 1899 aconteceram iniciativas para acabar com a escravidão e a exploração sexual de mulheres e meninas. Vinte e dois anos mais tarde, a Liga das Nações mobilizou-se, e a ONU, em 1949. Desde o início do século XX, os países ocidentais vêm descaracterizando a prostituição como atividade criminosa, conforme tipificada no século anterior, quando era explorada pelo crime organizado.

Dada a disseminação de medidas profiláticas e de higiene e o uso de antibióticos, o controle da propagação de doenças sexualmente transmissíveis parecia próximo. Em meados dos anos 1980, porém, a AIDS tornou a prostituição uma prática fatal para prostitutas e clientes”. Os governos tiveram de assumir o assunto. Propagou-se o uso da camisinha. Nessa quadra, uma “guerra ideológica”: católicos vociferam: a doença é uma praga de deus, que se contivesse o pecado do sexo; a Johnson, fabricante de camisinhas, entrou em cena: a transa pode continuar: “use preservativo”. Venceu o capitalismo.

Duas décadas depois, contido o alastramento desse mal, a profissão se renova. O filme Bruna Surfistinha deu uma ideia de a quanto se andava, porque já há novidades: primeiro, na sua forma tradicional, com contato físico, a normatização estatal em alguns países estabeleceu bastante segurança. Exemplarmente, a “Bélgica dá a prostitutas licença maternidade, aposentadoria, contratos formais de trabalho e outros direitos trabalhistas iguais aos de outras profissões, como seguro de saúde, auxílio-desemprego e férias.

A nova lei também estabelece direitos fundamentais para os profissionais do sexo, inclusive o direito de recusar clientes, escolher suas práticas e interromper um ato a qualquer momento, sem temer sofrer sanções do empregador. A medida dá sequência à decisão de descriminalizar o trabalho sexual” (UOL, 01dez24, editado).

Segundo, as relações “prostitucionais” atualizaram o modo de transação do corpo, em grande parte, tirou-o da rua e o pôs na segurança e privacidade dos computadores, com todas as vantagens que a tecnologia oferece. Se ainda a alguém falta acesso a sexo, é bom que saiba: disparado, a maior transação na e pela internet é, justamente, sobre o assunto.

Atualmente, inúmeras matérias de estudiosos do tema dão notícia de que o serviço, gentilmente denominado “job”, transferiu-se, em seu maior volume, para a internet. Analisando o fato social, despido de moralismos, encontro no Jusbrasil: A Prostituição Virtual como uma Nova Forma de Trabalho Sexual (Ana Heloísa de Albuquerque Silva, Francisco Pereira Lima Neto e William Mota de Medeiros). Edito:

“Resumo: Este artigo científico examina a prostituição virtual como uma nova forma de trabalho sexual, caracterizada pela prestação de serviços sexuais remunerados através de meios eletrônicos, como a internet e aplicativos móveis. Investiga as principais tendências, desafios e debates na literatura sobre a prostituição virtual, bem como fornece uma análise crítica das suas implicações sociais, econômicas e políticas.

Os resultados mostram que a prostituição virtual tem sido objeto de crescente atenção por parte de pesquisadores, ativistas e legisladores, que têm discutido suas implicações em termos de direitos das trabalhadoras sexuais, saúde pública, segurança digital, proteção de menores, entre outros temas relevantes.

Conclusão: A prostituição virtual é um fenômeno social complexo que demanda um diálogo aberto e inclusivo entre todas as partes interessadas, a fim de desenvolver políticas e regulamentações que respeitem os direitos humanos e a dignidade dos trabalhadores sexuais, bem como protejam a saúde pública e combatam o tráfico sexual e a exploração”.

Ao cabo, essa prática antiga e trivial, a um só tempo combatida, tolerada e “bem” frequentada, embora à margem das “boas” regiões urbanas, vencidas ideologias religiosas reacionárias, à parte pitiatismos moralistas recalcitrantes, granjeou respeito. Em muitos casos é excelente negócio. A laicidade liberal deu foros legais a essa opção profissional, propiciando-lhe dignidade no exercício da liberdade de trabalhar. 



Léo Rosa de Andrade
Doutor em Direito pela UFSC
Psicanalista e Jornalista


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