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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

SUS incorpora tratamento avançado do AVC

Divulgação
Portaria que institui a Trombectomia Mecânica foi publicada no Diário Oficial da União

 

O Ministério da Saúde publicou a portaria GM/MS Nº 1.996, que inclui na Tabela de Procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a Trombectomia Mecânica (TM) para o tratamento de Acidente Vascular Cerebral isquêmico agudo (AVC) grave. O AVC isquêmico é o tipo ma is comum da doença e corresponde a 80% dos casos. Os casos graves representam 30% das ocorrências de AVC isquêmico. O anúncio foi feito no dia 24 de novembro pelo secretário da Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Helvécio Miranda Magalhães Junior, durante o Global Stroke Alliance, evento que aconteceu em Punta del Este, no Uruguai e reuniu especialistas e representantes dos Ministérios da Saúde da América Latina. 

“A Trombectomia Mecânica reduz as taxas de mortalidade e as sequelas graves de um AVC catastrófico. É um procedimento seguro, eficaz, com o seu benefício demonstrado no SUS e um grande avanço no tratamento dos pacientes de AVC isquêmico”, celebra a neurologista, presidente da Rede Brasil AVC e da World Stroke Organization (Organização Mundial de AVC), Sheila Ouriques Martins, que liderou, junto ao médico neurointervencionista Raul Nogueira, o RESILIENT, estudo colaborativo da Rede Nacional de Pesquisa em AVC, com financiamento do Ministério da Saúde e que serviu como critério inicial para a seleção de hospitais aptos a realizarem o procedimento, inclusos na portaria. 

“O RESILIENT envolveu 221 pacientes atendidos no sistema público de saúde brasileiro e teve como objetivo atestar que era possível implementar a Trombectomia Mecânica no SUS, com redução do grau de incapacidade (sequelas) e demonstrando a custo-efetividade destes tratamentos para retirada de coágulos entupindo grandes vasos sanguíneos do cérebro que causam quadros graves de AVC”, conta Sheila. 

A Trombectomia Mecânica, que havia sido aprovada em dezembro de 2021 pela Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (CONITEC) depois de apresentados os resultados do estudo RESILIENT, pode ser até 24h de início dos sintomas e aumenta em três vezes a chance de o paciente ser independente após o AVC, por diminuição das sequelas. 

Até então, a única terapia clínica disponível na rede pública era a trombólise que pode ser utilizada até 4h30min do início, opção nem sempre eficiente para os casos mais graves. Até a publicação desta portaria, no dia 27 de novembro, somente quatro hospitais públicos no Brasil (em São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Ceará) ofereciam a TM na rotina e, nesses casos, o tratamento era custeado ou pelo próprio hospital ou pela Secretaria estadual de Saúde. O tratamento custa de R$ 15 mil a R$ 20 mil. 

Em outros países, a Trombectomia Mecânica já havia sido aprovada nos Estados Unidos, países da Europa, Canadá e Austrália, chancelada por diretrizes internacionais e sociedades médicas da área, além de ter eficácia e custo-benefício comprovados por nove estudos clínicos.

 

Como funciona

A Trombectomia Mecânica consiste na desobstrução da artéria cerebral realizada por um cateter que leva um dispositivo endovascular, um stent ou um sistema de aspiração, para remover o coágulo do vaso sanguíneo do cérebro. O estudo RESILIENT mostrou que, com o procedimento, a taxa de recanalização na oclusão de grandes vasos chega a 82%, mais eficiente que o tratamento convencional de trombólise endovenosa, com 30% nestes casos de oclusão de grandes vasos. 

Outro benefício da TM é que ele traz melhora à qualidade de vida do paciente, aumentando a sua capacidade funcional (memória e motora) e dando maior independência no pós-AVC. 

 

Habilitação e custeio 

A portaria, assinada pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, habilitou os primeiros 12 hospitais a utilizar este tratamento e a solicitação pelos gestores estaduais, distrital e municipais do SUS, para a habilitação de novas instituiçõespara a realização do procedimento deverá observar os seguintes critérios: o hospital deve ser habilitado como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia ou como Centro de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia e com o Serviço de Atenção em Neurologia/Neurocirurgia/Tratamento Endovascular. Deverá, ainda, ser habilitado como Centro de Atendimento de Urgência Tipo III aos pacientes com AVC. 

A publicação destaca que fica estabelecido recurso do Bloco de Manutenção das Ações e Serviços Públicos de Saúde - Grupo de Atenção Especializada, no montante anual estimado de R$ 73.956.757,00. “O Fundo Nacional de Saúde (FNS) adotará as medidas necessárias para a transferência dos valores mensais relativos ao procedimento de que trata esta portaria aos Fundos de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios de acordo com a apuração da produção de serviços registrada na Base de Dados do Sistema de Informações Hospitalares - SIH/SUS, mediante processo autorizativo encaminhado pela Secretaria responsável pelo Programa de Trabalho”, explica o documento.

 


Rede Brasil AVC
http://www.redebrasilavc.org.br/


World Stroke Organization (Organização Mundial do AVC)
https://www.world-stroke.org/


No mês em que a estação mais quente do ano começa, SBMN chama a atenção para o diagnóstico do câncer de pele

 Entidade aconselha evitar excesso de exposição solar, mesmo com proteção, e procurar um médico em caso de manchas suspeitas

 

No mês em que a estação mais quente do ano começa no Brasil e o hábito de se expor ao sol aumenta, a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) reforça a importância da campanha ‘Dezembro Laranja’, que se propõe a incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele. 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2023-2025, há cerca de 704 mil novos casos de tumores no Brasil. A exposição prolongada à radiação ultravioleta (UVA) faz com que os tumores de pele sejam os mais frequentes no país, correspondendo a 30% das neoplasias malignas registradas. 

Os melanomas são um tipo de câncer de pele que, apesar de serem menos frequentes, têm um potencial de malignidade dos mais severos e exigem maior atenção ao diagnóstico, além de demandarem tratamento intensificado. Já os chamados não melanoma são os tumores de pele mais comuns, que apresentam baixa letalidade. A faixa etária mais acometida é a de 50 a 69 anos, seguida pela de 70 anos ou mais. 

A Dra. Adelina Sanches, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), afirma que o primeiro diagnóstico pode ser feito a olho nu: “De modo geral, para prevenção e detecção de neoplasias de pele, existem os parâmetros de assimetria, borda, cor e evolução. Ou seja, uma mancha passa a ser suspeita quando é assimétrica, com bordas irregulares, coloração mais escura em diferentes tons e apresentando crescimento rápido ou sangramento” 

Além disso, a Dra. Adelina destaca a medicina nuclear como uma aliada no diagnóstico e monitoramento dos tratamentos da doença, apontando várias técnicas que avaliam o grau de disseminação, ou identificam as metástases, bem como se as terapias aplicadas estão sendo efetivas. "O exame PET-CT rastreia a doença com muita precisão em todo o corpo e avalia a eventual redução da doença após terapias revolucionárias como a imunoterapia". A Diretora da SBMN ainda reforça: "se antes, o melanoma matava pessoas em um horizonte temporal de cerca de seis meses, agora, as especialidades (dermatologia, cirurgia oncológica, oncologia e medicina nuclear) unem esforços para que o paciente viva muitos e muitos anos". 

Por fim, a Dra. Adelina reforça que o câncer de pele possui cura, mas são necessárias medidas para preveni-lo: “Utilizar, diariamente, o protetor solar, com fator de proteção (FPS) 30 ou superior é um fator essencial. Ele deve ser reaplicado a cada três horas, ou mais vezes, se você estiver se molhando ou transpirando. Usar roupas protetoras, como chapéus, óculos escuros e camisetas de manga comprida e evitar exposição prolongada ao sol, especialmente entre as 10h e às 16h, quando a radiação ultravioleta é mais intensa”. A diretora da SBMN finaliza mandando uma mensagem de suma importância: “Hoje o câncer de pele tem cura, portanto, se desconfiar de alguma mancha, procure um médico imediatamente”.

 

Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear - SBMN

 

Meningite é uma ameaça no país: Saiba a importância da prevenção e vacinação em todas as idades

 Banco de fotos
A meningite é considerada uma doença preocupante e de grande relevância para a saúde pública


Embora a meningite seja mais comumente encontrada em homens, é importante destacar que essa doença pode afetar pessoas de qualquer gênero e idade.  

A meningite é uma doença grave que afeta o revestimento protetor do cérebro e da medula espinhal, podendo levar a complicações graves e até mesmo à morte. Para combater essa ameaça, é fundamental compreender os diferentes tipos e formas de meningite, bem como as medidas preventivas e o papel central da vacinação.  

A doença foi primeiramente registrada em 1805, em Genebra na Suíça, quando o médico Gaspar Vieusseux observou um surto na região. No entanto, somente em 1906 a meningite chegou ao Brasil, quando um navio proveniente da Espanha e Portugal atracou no país trazendo imigrantes doentes.  

A meningite é uma doença com uma taxa de mortalidade significativa e pode causar sequelas graves, como surdez, perda de movimentos e danos ao sistema nervoso. As crianças são particularmente vulneráveis a essa doença. Após o tratamento, é fundamental que os pacientes recebam acompanhamento médico por pelo menos seis meses para monitorar seu progresso e garantir uma recuperação adequada. 

 

Tipos e formas de meningite: Conhecendo os riscos 

Os médicos e diretores da Clínica Salus Imunizações, Dra. Marcela Rodrigues e Dr. Marco César Roque, explicam que a meningite pode ser causada por diferentes agentes infecciosos, incluindo bactérias, vírus, fungos e parasitas. Entre os tipos mais conhecidos, destacam-se a meningite bacteriana, viral, fúngica e por parasita. Cada uma apresenta características distintas, sintomas variados e requer abordagens específicas de prevenção e tratamento. 

- Meningite bacteriana: Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae tipo b são algumas das bactérias que podem causar meningite bacteriana. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca e manchas vermelhas na pele. 

“A meningite bacteriana é uma infecção grave que requer atenção médica imediata. Mesmo com o tratamento adequado, a morbidade e mortalidade  associada a essa forma de meningite pode ser elevada. É essencial que a equipe médica esteja atenta e reconheça precocemente os sinais e sintomas clínicos da doença”. Destaca a Dra. Marcela Rodrigues.  

Além dos riscos imediatos, a meningite bacteriana também pode causar prejuízos ao longo prazo. Estudos indicam que essa forma de meningite pode afetar a inteligência e o desenvolvimento das pessoas afetadas. Portanto, é fundamental um diagnóstico e tratamento rápidos e eficazes para minimizar essas possíveis sequelas. 

- Meningite viral: Embora geralmente menos grave do que a meningite bacteriana, a meningite viral ainda representa um risco significativo para a saúde. Essa forma de meningite é causada por vírus, como enterovírus e herpesvírus, e pode ser transmitida através de contato direto com fluidos corporais infectados, como saliva ou muco nasal. 

Os sintomas da meningite viral podem ser semelhantes aos da forma bacteriana e incluem febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e confusão mental. No entanto, na maioria dos casos de meningite viral, os sintomas tendem a ser mais leves e a doença geralmente se resolve por conta própria, sem a necessidade de tratamento específico. 

“Apesar disso, é importante ressaltar que a meningite viral ainda pode levar a complicações graves, especialmente em pessoas com sistema imunológico enfraquecido, como bebês, idosos e indivíduos com doenças crônicas. Em alguns casos, podem ocorrer complicações neurológicas, como convulsões, danos cerebrais e problemas de desenvolvimento”. Informa o Dr. Marco César Roque. 

- Meningite fúngica e por parasita: Menos comuns, essas formas de meningite exigem atenção especial. O combate está relacionado à prevenção das infecções pré-existentes, como evitar áreas endêmicas e tratar adequadamente as infecções fúngicas e parasitárias.

 

 Banco de fotos

Vacinação: Uma arma poderosa contra a meningite 

A vacinação é uma medida fundamental para prevenir a meningite e reduzir a incidência da doença. Existem diferentes tipos de vacinas disponíveis, cada uma direcionada para proteger contra os agentes infecciosos específicos que podem causar meningite. 

No caso da meningite bacteriana, as vacinas mais comuns são as conjugadas, que visam proteger contra os principais sorotipos bacterianos causadores da doença, como Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Neisseria meningitidis (meningococo). Essas vacinas são recomendadas para diferentes faixas etárias, dependendo da vulnerabilidade e risco de exposição. 

Para as crianças, o calendário vacinal geralmente inclui vacinas contra pneumococos e meningococos, sendo administradas em várias doses durante os primeiros anos de vida. Por exemplo, a vacina pneumocócica conjugada 13-valente (PCV13) é recomendada para bebês e crianças pequenas, enquanto a vacina meningocócica conjugada ACWY é indicada a partir dos três meses, com reforços em idades específicas. 

Além disso, a vacinação também é recomendada para adolescentes e adultos, em especial aqueles com maior risco de exposição ou maior suscetibilidade à meningite. Por exemplo, a vacina meningocócica conjugada ACWY é recomendada para adolescentes e jovens adultos, especialmente aqueles que vivem em dormitórios universitários, militares ou em situações de aglomeração. 

É importante seguir as orientações do calendário vacinal estabelecido pelas autoridades de saúde de cada país, pois as recomendações podem variar de acordo com a região e o contexto epidemiológico. Além disso, é essencial manter as vacinas em dia, incluindo eventuais doses de reforço, para garantir uma proteção contínua contra a meningite. 

 

Prevenção e conscientização: O papel de todos nós 

Além da vacinação, é importante ressaltar que a conscientização sobre a meningite e suas formas de prevenção é fundamental. A adoção de medidas de higiene, como lavagem regular das mãos, o uso de repelentes de insetos e evitar o compartilhamento de objetos pessoais, também ajuda a reduzir o risco de infecção. 

Apesar de ser uma doença conhecida há décadas, continua representando um grave problema de saúde com alta taxa de letalidade. No entanto, graças ao avanço da vacinação e de outras medidas preventivas, temos observado uma redução nos casos registrados. Ainda assim, a meningite é considerada endêmica no Brasil e sua facilidade de contágio pode levar a surtos sazonais na população em geral. 

“Consulte o seu médico ou serviço de saúde local para receber orientações personalizadas sobre as vacinas recomendadas para a sua faixa etária. Não podemos negligenciar a importância de estar protegido contra a meningite”. Finaliza a Dra. Marcela Rodrigues.

 


Clínica de Vacinas Salus Imunizações


Fertilidade e câncer: técnicas de reprodução assistida promovem alternativas para realização do sonho da maternidade

Apesar do aumento de diagnósticos da doença em pacientes jovens, novos caminhos podem contornar os desafios de mulheres que desejam ter filhos no futuro
 

Para muitas mulheres, o sonho da maternidade faz parte de um projeto de vida, tornando cada história única. A decisão de ter filhos traz à tona uma etapa importante de planejamento, adaptada à realidade e aos desafios dos futuros pais. 

Um deles, muitas vezes pouco discutido, é a descoberta do câncer de mama durante a idade fértil, que costuma causar apreensão quanto a necessidade de adaptar os planos iniciais e recalcular a rota. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) é estimado que só em 2023 serão diagnosticados 73.610 novos casos da doença no Brasil, que é o tipo mais incidente no público feminino, com exceção do câncer de pele não melanoma. 

Um estudo realizado pelo Instituto do Câncer de São Paulo notou um aumento significativo de diagnósticos de câncer de mama em mulheres com menos de 40 anos. Durante a pesquisa, aproximadamente 500 mulheres jovens foram atendidas e 68% delas já estavam com o tumor em estágio avançado. 

Outra comparação realizada foi sobre o registro da doença em outros países: enquanto nos Estados Unidos 5% das pacientes possuem menos de 40 anos, no Brasil são 15%. “Muitas pacientes jovens nos procuram com o sonho de engravidar. O ideal é que esse planejamento aconteça logo no início do tratamento, pois a quimioterapia, radioterapia e até mesmo cirurgia podem acabar afetando a fertilidade por promoverem lesões nos ovários. Contudo, com o avanço das novas tecnologias, temos alternativas que contornam essa trajetória, como é o caso da preservação de óvulos através do congelamento", explica Edson Borges Jr, Diretor Científico do Instituto Sapientiae – Centro de Estudos e Pesquisa em Reprodução Assistida - e Diretor Médico no FERTGROUP. 

E, indo além do câncer de mama, o especialista ressalta que a orientação para outros tipos de tumores é a mesma e sempre deve ser discutida com uma equipe multidisciplinar. "Independente do tipo de câncer e do tratamento realizado, devemos sempre entender a história de vida daquela paciente e considerar seus sonhos futuros". 

Diante do cenário atual, em que a mulher deixa para engravidar cada vez mais tarde, coincidentemente pode ocorrer de, neste mesmo momento, ela ser surpreendida com um diagnóstico de câncer, o que pode colocar em risco o sonho da gravidez. É o que explica a Dra. Maria Cecília Erthal, especialista em reprodução assistida do Instituto Vida, uma das unidades do FERTGROUP, no Rio de Janeiro.
“Por isso, o acompanhamento da fertilidade deve começar por volta dos 25 anos, muito antes de qualquer possibilidade de diagnóstico de câncer. Esse cuidado pode auxiliar em um congelamento antecipado dos óvulos, que atua como uma forma de preservar desde cedo a fertilidade, caso haja alguma intercorrência no processo”.
 

Um novo caminho 

O objetivo da oncofertilidade é hoje muito mais amplo, deixando no passado a não importância dos prejuízos do tratamento, que muitas vezes impactavam no bem-estar físico, mental e social das mulheres com câncer. 

Apesar do congelamento de óvulos ser a técnica mais comum, há também a possibilidade do congelamento de embriões, do tecido ovariano e da supressão ovariana. "Esse é um processo muito delicado e que deve ser levado em consideração cada possibilidade e os desejos da família. Um olhar que vai além da saúde física, cuidando também da parte emocional daquela paciente, é a chave para que a trajetória seja a mais leve possível dentro de todos os desafios propostos", orienta Maria Cecília Erthal. 

Para a realização do processo de congelamento de óvulos, é inicialmente feito a indução da ovulação através de medicamentos que estimulam o desenvolvimento e amadurecimento dos óvulos. Em seguida, com a paciente sedada, é feita a coleta dos óvulos para posteriormente ser realizada a seleção daqueles que estão saudáveis. Quanto ao congelamento, a técnica é feita com nitrogênio líquido, mantendo os óvulos à disposição da paciente para uma gravidez no futuro. 

“É fundamental que a paciente converse com o seu médico sobre os tratamentos disponíveis para a preservação da fertilidade. Contudo, vale destacar que nem toda paciente submetida ao tratamento oncológico ficará infértil. Isso irá depender do tipo do tumor, localização no corpo, terapias realizadas e sua intensidade”, reforça a médica.
 

ANS pode cobrir o tratamento de preservação da fertilidade para pacientes oncológicas?
 

Apesar de ainda ser um tema bastante discutido, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que as operadoras de planos de saúde possuem a obrigatoriedade de custear a criopreservação (processo de congelamento de óvulos ou sêmen) de pacientes oncológicos até a alta do tratamento de quimioterapia.

Segundo o órgão, é entendido que se o plano de saúde cobre o tratamento, deve prevenir também os efeitos adversos previsíveis - como é o caso da infertilidade. Contudo, após esse período, o tratamento de reprodução assistida deve ser realizado de maneira individual. 

"A paciente que passará pela criopreservação é protegida pelo Código de Defesa do Consumidor. Por isso, caso o plano de saúde apresente uma negativa, é possível recorrer à decisão para que o congelamento seja mantido até o final da quimioterapia", finaliza Edson Borges.

 

FERTGROUP


Mudanças climáticas e saúde ocular: a importância de proteger os olhos em situações extremas

 No Dia do Óptico, o vice-presidente do CROOSP alerta sobre os cuidados em cada ambiente 

 

O ciclo sazonal é uma das principais razões para a variação de temperaturas e condições climáticas ao longo do ano. Influenciando padrões de vento, distribuição de chuvas e a formação de fenômenos meteorológicos, o ciclo altera os ecossistemas, o comportamento de animais, e até mesmo a saúde humana. 

Pelo olhar mais observador de José Eduardo Moura, óptico, optometrista e vice-presidente do Conselho Regional de Óptica e Optometria (CROOSP), as mudanças climáticas afetam a saúde de forma sistêmica, e levando em consideração que a consequência climática é multifatorial, algumas medidas podem evitar os distúrbios oculares, preservando a saúde.

 

Os efeitos dos climas na saúde ocular  

Desde a exposição aos raios ultravioleta em dias ensolarados, até em climas secos ou extremamente úmidos, é preciso se atentar às medidas preventivas e adaptativas para preservar a visão em diferentes condições climáticas.  

Neste contexto, José Eduardo alerta como proteger e garantir a saúde visual em cada um desses ambientes.  

·         O clima seco torna os olhos mais suscetíveis a doenças, devido à desidratação. Uma dieta rica em água,  frutas e verduras é sempre bem-vinda.

·         O clima úmido favorece a proliferação de ácaros que inflamam as mucosas, no caso do olho, a conjuntiva. Arejar o ambiente, aspirar o pó, higienizar as roupas de cama e comer apenas na cozinha, ajudam a não proliferar os bichos.

·         O clima frio altera a umidade do ar e aumenta a concentração de partículas na atmosfera.  As consequências para os olhos são a desidratação, irritação e alergia, que exigem maior número de pestanejos por minuto. É importante manter a hidratação corporal e lubrificação dos olhos. 

·         O clima quente favorece a evaporação das lágrimas e desidratação sistêmica. No caso dos olhos, induz à hipersensibilidade,  à lubrificação insuficiente, além da sensação de corpo estranho, que pode alterar a qualidade da visão. Nesses dias é preciso redobrar o consumo de água. 

 

Outras medidas podem evitar os distúrbios oculares e preservar a saúde, como, lavar sempre as mãos, nunca coçar os olhos, usar os óculos como equipamento de segurança, se exercitar ao ar livre, diminuir o uso de equipamentos eletrônicos, evitar ambientes com ar-condicionado, pois ele tira a umidade do ar e resseca mucosas e, principalmente, manter a imunidade alta.  

 

Sobre o Optometrista - Os profissionais Optometristas tiveram sua atuação reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu ser lícito aos que possuem formação de nível superior realizar a prescrição de óculos e lentes de contato. Em relação aos profissionais técnicos, foi facultado o exercício de todas as outras atividades previstas na Classificação Brasileira de Ocupações.

 

No Estado de São Paulo, o Centro de Vigilância Sanitária isenta o licenciamento de consultórios e gabinetes optométricos; além disso, não há proibição para a atuação de optometristas dentro de óticas. 

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) também reafirma a legalidade de optometristas de nível superior estabelecerem local de trabalho para atender pacientes e que estão autorizados a prescrever óculos e lentes de contato. 

 

Por meio do Ofício Circular n° 4/2023/SEI/GGTES/DIRE3/ANVISA, a ANVISA reiterou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida nos autos da ADPF 131, determinando que todas as autoridades sanitárias do país fossem comunicadas da validade imediata e vinculante da ordem emanada pela Suprema Corte.

 

 

 

CROOSP - O Conselho Regional de Óptica e Optometria do Estado de São Paulo


Riscos da arritmia cardíaca: Quando se preocupar?

 Cardiologista do São Cristóvão Saúde comenta sobre a doença, que atinge mais de 20 milhões de pessoas no Brasil


De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), a doença, caracterizada por um distúrbio no ritmo cardíaco, afeta cerca de 20 milhões de pessoas no Brasil, sendo o motivo de mais de 320 mil mortes súbitas ao ano, no país. 

“O coração bate em ritmo regular”, resume Dr. Fernando Barreto, cardiologista e diretor médico assistencial do São Cristóvão Saúde. A frequência dos batimentos cardíacos depende da atividade que o indivíduo está realizando, se está em repouso ou em exercício e é medida pelo número de contrações do coração, por uma unidade de tempo, geralmente por minuto. De acordo com o especialista, o normal da frequência cardíaca, em média, é de 60 a 100 batimentos por minuto (b.p.m.). “A arritmia se caracteriza quando o ritmo não está regular e/ou a frequência cardíaca está acima de 100 ou abaixo de 60 b.p.m., podendo ser benigna ou requerer investigação e tratamento adequados”, esclarece. 

Ainda segundo o SOBRAC, existem vários tipos de alterações do ritmo cardíaco, sendo as mais comuns a taquicardia, quando o coração bate rápido, e a bradicardia, quando as batidas são muito lentas. Como alerta, é importante conhecer os sintomas, que vão desde uma sensação de palpitação, até tontura, mal-estar e desmaio. O médico cardiologista enfatiza que, em alguns casos, a palpitação pode ser consequência de um momento de estresse passageiro, voltando a frequência cardíaca espontaneamente ao normal, não sendo necessário nenhum tratamento. Sendo assim, a percepção é muito individualizada. 

“São dois tipos de tratamento: medicamentoso, com comprimidos ou medicação na veia, ou através de um procedimento de ablação da arritmia, sendo este realizado em serviço de hemodinâmica, após avaliação e indicação do cardiologista”, explica Dr. Fernando. 

Além disso, na maior parte das vezes, as arritmias são benignas. Contudo, em alguns casos, podem levar a consequências como derrame cerebral (AVC) ou até mesmo à morte, nos casos das arritmias mais graves - embora sejam exceções. 

Busque auxílio médico caso sinta os batimentos do coração mais acelerados, lentos ou irregulares, mesmo em repouso. Desse modo, o especialista poderá identificar, por meio de exames como o eletrocardiograma (ou ECG), a existência de arritmias cardíacas, infarto do miocárdio ou bloqueios do sistema de condução cardíaco.


Grupo São Cristóvão Saúde

 

A importância da suplementação de colágeno na terceira idade

A proteína pode ser estimulada de forma eficaz desde que tenha insumos com eficácia comprovada para o que se propõe


Em um panorama em que o envelhecimento populacional se destaca, a terceira idade emerge como foco de variadas pesquisas e discussões em diversas áreas, dentre elas, a nutrição. E o colágeno, proteína reconhecida por sua função estrutural no organismo, assume um papel significativo no contexto da saúde de indivíduos mais velhos.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira acima dos 60 anos deve dobrar nas próximas décadas, projeção que respalda a necessidade de aprimoramento na compreensão de elementos que garantam um envelhecimento saudável e qualitativo.

O colágeno, constituído por aminoácidos, é a proteína mais abundante no corpo humano, representando cerca de 30% do total de proteínas presentes no organismo. Sua principal função é formar fibras que dão sustentação à pele, ossos, tendões e ligamentos.

No entanto, a produção de colágeno diminui à medida que envelhecemos. A partir dos 30 anos, perde-se gradativamente 1% da proteína por ano. Já após os 50 anos, o corpo começa a perder em um ritmo mais acelerado. Esta queda, intrínseca ao processo biológico de envelhecimento, se reflete na diminuição da elasticidade da pele, no aparecimento de rugas e na vulnerabilidade articular e óssea. A suplementação da proteína pode contribuir significativamente para a redução da degradação óssea e articular, além de promover a melhora da aparência da pele em indivíduos da terceira idade.

A saúde óssea é uma das áreas que despertam especial atenção quando se trata de envelhecimento. A osteoporose, caracterizada pela perda de massa óssea e pela fragilidade esquelética, acomete uma parcela expressiva da população idosa, se tornando um fator de risco para fraturas e quedas. A atuação do colágeno neste cenário é investigada como um possível mitigador da deterioração óssea, em função de sua capacidade de promover maior densidade e resistência aos ossos.

A degeneração articular, por sua vez, também figura entre as condições frequentemente associadas à idade avançada. A suplementação é explorada na pesquisa científica como um agente potencial no auxílio à regeneração da cartilagem, bem como na promoção de uma melhor lubrificação articular, minimizando dores e desconfortos.

Estabelecer uma relação harmônica entre a alimentação e a suplementação de colágeno, sempre sob orientação profissional, figura como estratégia vital para maximizar os benefícios desta proteína no organismo em fase de envelhecimento, contribuindo para uma jornada mais saudável e autônoma na terceira idade.


Como estimular a produção de colágeno nos idosos?

Há diversas formas de estimular a produção: por meio da reposição via suplementação; ao aumentar a ingestão de Vitamina C, através de suplementos e alimentos como laranja, limão, acerola, goiaba e mamão, além de alimentos que contêm colágeno: alguns tipos de carnes, gelatinas, mocotó, peixes com espinhas e escamas e caldo de ossos. A falta de colágeno pode causar um maior desgaste de articulações e flacidez da pele, sintomas esses que se acentuam na terceira idade.

Uma forma de evitar isso é fazendo a ingestão de alimentos ricos nessa proteína, como carnes e gelatinas, assim como de suplementos nutricionais e vitamínicos que têm aminoácidos que estimulam a produção do colágeno”, explica Alessandra Feltre, nutricionista da Puravida.

O mercado de colágenos é amplo, sendo possível encontrar opções para diferentes necessidades, como é o caso dos idosos. O novo Body Support da Puravida foi formulado com body balance, proteína e creatina. Essa combinação com a prática de um estilo de vida equilibrado, contribui para evitar a sarcopenia, redução da gordura corporal, o aumento da massa magra, da força e resistência muscular.

“A grande variedade do produto no mercado pode gerar uma certa confusão sobre as indicações de uso, por isso sempre recomendo que o paciente procure ajuda especializada para esclarecer todas as dúvidas e a melhor forma de suplementar. Em alguns casos, a reposição pode ser feita por alimentação e, em outros, com suplementos com insumos que realmente tragam benefícios para o corpo”, finaliza a nutricionista.

 

Puravida


Ortopedista oferece dicas para retomar atividades físicas em 2024

Dr. Cleber Furlan indica planejamento com acompanhamento profissional e metas mais adequadas às condições específicas de cada corpo

 

Todo ano, nesta época pré-virada do ano, são comuns as promessas de se exercitar mais, perder peso e, para isso se tornar possível, é importante fazer um planejamento adequado. Para o médico ortopedista Cleber Furlan, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, é necessário considerar algumas condições que exigem maior atenção, como pressão alta, diabetes, uma lesão musculoesquelética, osteoarticular, além, claro, de avaliar o sedentarismo e a idade que se encontra o paciente. 

Antes de planejar os exercícios, o primeiro passo deve ser se consultar com médicos especialistas, como cardiologista, checar possíveis lesões osteoarticulares ou musculoesqueléticas com ortopedista, ou então acompanhar os enquadramentos hormonal e nutricional. Todos esses exames médicos vão tornar as promessas de final de ano mais adequadas e menos sofridas.

Quanto aos riscos de uma retomada de atividades físicas sem qualquer planejamento ou orientação profissional, deve-se atentar às lesões que podem frustrar os planos para o próximo ano. “Nesses casos, do ponto de vista ortopédico, a gente avalia se o paciente já tem alguma lesão, se tem algum fator de trabalho ou sedentarismo que levou a uma lesão na coluna, a uma tendinite, e então direciona à atividade física”, explica Cleber Furlan. 

Muitas vezes, o início com esportes sem impacto, como os realizados dentro d’água, ajudam bastante. Após uma avaliação cardiológica, por exemplo, uma atividade de caminhada inicial já ajuda. Não só isso, como a orientação do educador físico, juntamente à parte médica, possibilita um exercício mais adequado ao paciente que deseja retomar as atividades em 2024. 

“Ninguém pode, do dia para a noite, correr uma maratona. Às vezes, é uma maratona para o corpo, que está há muito tempo sem se exercitar, até mesmo uma atividade pequena, de baixo impacto”, alerta o médico especialista.

É comum, ainda, que o uso de academias de musculação sem acompanhamento ou monitoramento de educadores físicos resultem, depois de três a quatro semanas de exercícios, em casos de tendinite ou demais problemas decorrentes de movimentos errados ou impróprios para aquele tipo de corpo, que pode não estar preparado em razão de lesões. Nessa direção, outras pessoas acabam sofrendo fraturas por estresse, não por uma batida ou um trauma, mas por sobrecarga de uma região óssea que, por um excesso de peso ou por pisar errado, acaba pressionando e aumentando o estresse nessas articulações e nos ossos, levando à fadiga e consequente fratura.

 



Cleber Furlan - Médico ortopedista há mais de 20 anos, o Dr. Cleber Furlan é também Mestre em Ciências da Saúde pela FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e Doutorando em Cirurgia pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Furlan é especialista em Cirurgia do Quadril, bem como membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Quadril.

PAPAI NOEL VISITA OS TERMINAIS URBANOS DE SÃO PAULO

O Papai Noel já desembarcou nos Terminais Urbanos de São Paulo. Para alegrar a criançada e divertir os adultos que amam o bom velhinho, os Terminais Pinheiros, Pirituba, Sacomã e Parque Dom Pedro já estão preparados.

 

A partir de quinta-feira, dia 14 de dezembro, as crianças que visitarem esses terminais poderão interagir, tirar fotos e ainda entregar suas cartinhas ao Papai Noel.

 

A ação acontece conforme calendário abaixo, sempre das 14 às 16 horas e visa proporcionar um ambiente de alegria e acolhimento à população. Em meio à rotina dos passageiros e usuários, a concessionária e prestadora de serviços para o transporte urbano busca promover ações que tragam momentos felizes e boas memórias.

 

Confira o calendário oficial das visitas do Papai Noel:

 

Terminal Pirituba: dias 14, 15 e 16 de dezembro – das 14 às 16 horas

Terminal Sacomã: dias 14, 15 e 16 de dezembro – das 14 às 16 horas

Terminal Pinheiros: dias 21, 22 e 23 de dezembro – das 14 às 16 horas

Terminal Parque D. Pedro: dias 21, 22 e 23 de dezembro – das 14 às 16 horas

 

Patrocínio: SP Terminais Noroeste e Socicam


O Melhor Médico

Fui e ainda sou muito fã da série americana “House”. Para quem nunca viu, a série é inspirada em outro personagem excêntrico, Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro, John Watson. Não é nem um pouco por acaso que o melhor e único amigo do Dr Gregory House é o oncologista James Wilson. Homes é House. Ou vice-versa. Watson e Wilson também tem essa correspondência. House, como um Sherlock de jaleco, percebe sintomas e correlações que fogem à percepção de todos os colegas para fazer diagnósticos impossíveis. Um paciente me chama secretamente de Dr House, seja pelo meu conhecimento médico, ou, mais provavelmente, pela boca um tanto dura quando o paciente está atrapalhando seu próprio tratamento, o que é mais frequente do que se pensa. Mas o assunto não sou eu, e sim, o Dr House. Lembro de um episódio em que ele está num avião com a Dra Cuddy, sua chefe na maior parte da série, e um passageiro começa a ter um quadro de náuseas e vômitos, que parece uma intoxicação alimentar e a aeromoça pergunta se tem algum médico a bordo, e lá vai o mal humorado Dr House e Dra Cuddy examinando o cara. A situação fica dramática quando outros passageiros começam a desenvolver os sintomas, e House começa a fazer todo tipo de investigação para tentar descobrir de onde vem esse agente infeccioso e como está sendo transmitido a todos os passageiros e tripulantes do avião. No final do episódio, me perdoem o spoiler, House descobre que não há nenhuma infecção se espalhando, mas uma epidemia psíquica, em que as pessoas se acreditam doentes por auto sugestão. Quando falou no interfone da aeromoça que não havia nenhuma bactéria rara e que estava todo mundo sugestionado, a “epidemia” acabou rapidamente.

Nossa mente produz sintomas, nossas crenças nos fazem adoecer ou melhorar. Nos Estados Unidos tem uma empresa que vende pílulas coloridas de Placebo e declaram que aquilo é um placebo. As pessoas compram, tomam e melhoram. E sabem que aquilo é Placebo.

Estudos com antidepressivos estão cada vez mais difíceis de serem diferenciados de Placebos, pois décadas de informação e propaganda da eficácia de antidepressivos fazem que a pessoa acredite que vai melhorar mesmo tomando uma cápsula de farinha. Os laboratórios e os centros de pesquisa estão disputando a tapa as pessoas que NÃO melhoram quando tomam o Placebo, ou seja, são pouco sugestionáveis.

O livro “Cura”, de Jo Marchant descreve um estudo encantador com pacientes que apresentavam a Síndrome do Colon Irritável, um quadro bastante desagradável e limitante, com episódios de diarreias e dores abdominais que, muitas vezes, limitam a locomoção e a vida pessoal e profissional dos pacientes. Nesse estudo, de 2008, pacientes com essa síndrome passaram por três tipos de tratamento: o primeiro grupo não recebeu tratamento nenhum. O segundo grupo recebeu um tratamento com acupuntura fake, sem relação com sua queixa, e feita por um terapeuta seco que não interagia com os pacientes. O terceiro grupo foi tratado por um acupunturista atencioso e afetivo, que passava bastante tempo na consulta e fazia também aplicações de agulhas sem relação com a queixa intestinal. O primeiro grupo, sem nenhum tipo de tratamento, teve 28% de melhora. O segundo grupo, que recebeu acupuntura de um antipático, teve 44% de melhora. O terceiro grupo, com um médico afetivo e interessado, teve um índice de melhora de, pasmem, 62%. O efeito placebo, presente em todos os que responderam ao tratamento, foi aumentado pela sensação física da agulha e duplicado pela gentileza do profissional de ajuda.

Será que vivemos num tempo em que as pessoas são tão abandonadas às próprias angústias e a um Sistema de Saúde que não dá conta de suas demandas, que o simples fato de participar de um estudo em que passam por triagens, entrevistas e, sobretudo, recebem Atenção de um grupo de pessoas, já produz um resultado positivo em 30% dos pacientes, o que mais que dobra se um profissional atencioso faz o atendimento? O caro leitor, a cara leitora podem imaginar a quantidade gigantesca de recursos que os governos e os Planos de Saúde poderiam economizar apenas enfatizando a coisa mais antiga da prática da Medicina, que consta no Juramento de Hipócrates, que é a relação Médico/Paciente?

O médico hoje é formado e pressionado para ser mais Holmes do que House. Precisa colecionar evidências como um bom detetive faria para tirar suas conclusões e iniciar tratamento. O efeito Placebo é uma distração para o cientista, em busca da precisão absoluta e imparcial do tratamento. Eu sou contra isso? Claro que não. Mas ter tempo e disposição para ouvir e um legítimo interesse em ajudar pode iniciar a cura muito antes de chegar o primeiro resultado de exame. E a relação Médico/Paciente ainda pode ser uma das melhores terapêuticas que temos à mão. Cientificamente falando.  

 

Marco Antonio Spinelli - médico, com mestrado em psiquiatria pela Universidade São Paulo, psicoterapeuta de orientação younguiano e autor do livro “Stress o coelho de Alice tem sempre muita pressa”

 

Traição pode gerar indenização?

Advogado especialista em Direito da Família esclarece dúvidas comuns entre cônjuges que são vítimas de infidelidade

 

Fidelidade é um dever previsto em lei. Mas, será que infidelidade pode ser considerada crime? Ser traído permite à vítima algum tipo de indenização? Essas são dúvidas comuns no escritório de Lucas Costa, advogado especialista em Direito da Família. "Existe sim um contexto no qual é possível que o cônjuge traído possa pedir indenização ao parceiro infiel", explica. 

 

De acordo com a Lei do Divórcio (Lei 6.515/77), ele pode ser motivado por vários fatores, que geralmente tem raiz comportamental (conflitos de ideias, gênios, atitudes, etc.). A infidelidade, sem outros agravantes, não é considerada uma causa para o divórcio, de acordo com a legislação vigente. Por isso, a traição não é necessariamente uma justificativa para um pedido de indenização. Porém, existem exceções.  

 

“Quando o cônjuge traído é vítima de danos emocionais ou psicológicos, é possível sim pedir indenização. Exemplos como uma exposição pública desta traição, que exponha a vítima a uma situação humilhante ou vexatória, que ofenda a honra, imagem ou integridade física ou psíquica, pode permitir que o juiz entenda que houve dano moral, e condenar o cônjuge adúltero ao pagamento de uma indenização para reparar os prejuízos”, explica Costa. De acordo com o especialista, esse tipo de situação é mais comum entre pessoas públicas. 

 

 

Divorciar-se no Brasil está mais fácil e rápido 

 

A última estatística oficial de divórcios no Brasil, feita pelo IBGE em 2021, apontou quase 390 mil divórcios no País, e uma tendência de alta de 16,8% em relação ao ano anterior. Por conta do volume crescente dos divórcios em território nacional, foi criado um serviço de divórcio extrajudicial, ou seja, por meio de serviços de cartório, sem a necessidade de um processo na Justiça. Serviço que, em 2020, passou a funcionar de forma on-line, após liberação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante a pandemia - que foi uma fase de aumento de divórcios no País.  

 

Até junho de 2023, o Brasil já somava mais de 1.025.205 processos dessa natureza. “A lei determina que o divórcio extrajudicial seja possível para casais sem filhos menores ou incapazes. Além disso, não pode haver litígio entre as partes. E, embora seja extrajudicial, é obrigatório um advogado assinar a escritura pública de divórcio”, explica o advogado. 

 

 

Como ficam os bens do casal? 

 

O adultério não afeta a partilha dos bens do ex-casal. A divisão será feita seguindo o regime de casamento adotado entre os cônjuges, que pode ser comunhão universal (todos os bens, inclusive conquistados antes do casamento, serão divididos igualmente entre o casal), comunhão parcial dos bens (a divisão será feita somente entre os bens conquistados após o casamento) ou separação de bens (os bens não serão partilhados. A parte que os conquistou se manterá como única dona).  

 

Lucas Costa - Advogado, formado pelo Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA), com pós-graduação em direito processual civil pela Academia Brasileira de Direito Constitucional (ABDCONST). Por dois anos foi membro do grupo de pesquisa em Direito de Família da UNICURITIBA. Foi membro do Grupo Permanente de Discussão da OAB/PR na área de Planejamento Sucessório. É membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Tem nove anos de experiência na defesa de mulheres em ações envolvendo violência doméstica e nas áreas de família e sucessões. Possui escritório físico há seis anos na cidade de Curitiba/PR, atendendo em todo o Brasil.


Lei 14.478/22 é o novo guia para o mercado de criptomoedas

Nos últimos anos, as criptomoedas têm conquistado um espaço considerável no mundo financeiro, desafiando as normas estabelecidas e expandindo as fronteiras do sistema econômico tradicional. Por essa razão, a presença de leis que ofereçam direcionamento e regulamentação se torna crucial. 

A Lei 14.478/22, fruto do Projeto de Lei 4401/2021 (anteriormente conhecido como 2303/2015), marcou um avanço significativo na legislação brasileira, especialmente no que diz respeito ao mercado de moedas virtuais. Esse marco legal buscou preencher lacunas regulatórias tanto no âmbito nacional quanto no internacional, trazendo luz à complexa dinâmica desses ativos digitais.

O intuito fundamental desta legislação foi conter possíveis usos indevidos das moedas virtuais, como facilitadores da lavagem de dinheiro e fonte de financiamento para atividades ilícitas, como o tráfico de drogas. No entanto, a preocupação não se restringe apenas às práticas criminosas, mas também se estende à compreensão do que são os ativos virtuais em si. 

A definição legal de ativos virtuais, como proposta pela Lei 14.478/2022, visa limitar esses ativos às moedas digitais, excluindo assim instrumentos digitais que não se enquadram nesse critério de representação de valor.

Agora, o desafio reside na aplicação prática dessas leis e na fiscalização eficaz do mercado de ativos virtuais. A regulamentação exige autorização específica para a compra e venda desses ativos, concedida por órgãos competentes do governo federal.

A fim de garantir a transparência e proteger os investidores, as empresas autorizadas a operar nesse mercado devem seguir diretrizes rigorosas. Isso inclui a observância de boas práticas de governança, prevenção à lavagem de dinheiro, proteção dos dados pessoais dos clientes e a defesa dos consumidores, seguindo normas similares ao Código de Defesa do Consumidor.

Além disso, a legislação aborda aspectos criminais, estabelecendo penas para práticas ilegais envolvendo ativos virtuais, como esquemas de pirâmide e golpes financeiros, buscando desestimular condutas que possam afetar a estabilidade do mercado e lesar investidores.

A adaptação do direito brasileiro às moedas virtuais é um passo necessário, porém desafiador. A regulamentação busca proteger os investidores, coibir práticas criminosas e proporcionar um ambiente mais seguro para o desenvolvimento desse mercado em constante evolução. 



Fábio F. Chaim atua na esfera criminal, representando os interesses de seus clientes, sejam eles investigados, acusados, vítimas, ou terceiros interessados. Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP (2011), é pós-graduado em Direito Penal Econômico – Fundação Getúlio Vargas – FGV (2018) e em Direito Penal Econômico pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. IBCCrim (2016). Possui também mestrado em Direito Penal – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP (2015).
Para mais informações, acesse o site, Instagram, Facebook, Linkedin ou canal no Youtube.

 

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