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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Comércio e Serviços paulistas criaram 336 mil novas vagas formais em dez meses

Números mais recentes já refletem a preparação de ambos os setores para o fim do ano 



Entre os meses de janeiro e outubro, os Serviços e o Comércio do Estado de São Paulo abriram cerca de 336 mil novas vagas de trabalho com carteira assinada. Dados elaborados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, no primeiro caso, o saldo foi de 288,3 mil postos de trabalho. No segundo, esse número foi de 47,8 mil [tabelas 1 e 2].

Um aumento na geração de empregos nesta época do ano era esperado pela FecomercioSP, principalmente por causa da preparação dos estabelecimentos para uma demanda mais elevada, com a injeção do décimo terceiro salário na economia, nos últimos dois meses. Não à toa, em outubro, o comércio paulista registrou o melhor resultado do 2023, com 13,9 mil vagas criadas, mais que o dobro do apontado em setembro. Já o setor de Serviços obteve o segundo melhor número ao ano, criando 44,1 mil postos celetistas.

Segundo a Federação, os Serviços devem manter essa tendência para o próximo levantamento, de novembro, com exceção do segmento educacional, que, ao contrário, costuma apresentar resultados negativos em períodos próximos ao fim do ano letivo. Por outro lado, o aquecimento nas vendas deve fazer o Comércio experimentar o melhor mês, em especial na divisão varejista, uma vez que é nesse período que a renda familiar está mais fortalecida — e consequentemente, o consumo aumenta.


[TABELA 1]
SALDO E ESTOQUE DO EMPREGO CELETISTA NOS SERVIÇOS NO ESTADO DE SÃO PAULO
JANEIRO A OUTUBRO DE 2023



[TABELA 2]
SALDO E ESTOQUE DO EMPREGO CELETISTA NO COMÉRCIO DO ESTADO DE SÃO PAULO
JANEIRO A OUTUBRO DE 2023



SERVIÇOS

No acumulado do ano, o setor de Serviços registrou 3,3 milhões de admissões e pouco mais de 3 milhões de desligamentos, conformando um estoque de mais de 7 milhões de vínculos ativos hoje no Estado. Dos 14 grupos de atividades analisados, 13 apontam saldo positivo de janeiro a outubro. O destaque ficou por conta dos serviços administrativos e complementares, com 78,6 mil vagas, e os de transporte, armazenagem e correio, com 44,8 mil postos, em dez meses. Na contramão, empresas de informação e comunicação fecharam 3.749 empregos no período.

Na capital paulista, onde mais de 3 milhões de empregos celetistas estão ativos no setor, foram criados 93,4 mil novos postos de trabalho formais.



COMÉRCIO

Já o setor de Comércio registrou 1,25 milhão de admissões e 1,202 milhão de desligamentos, considerando um estoque de mais de 2,8 milhões vínculos ativos. Nesse caso, o destaque ficou por conta do atacado, que continua influenciando positivamente o setor: 21.438 novas vagas no acumulado do ano. O varejo, por sua vez, criou 15.686 empregos novos entre janeiro e outubro.

Na capital paulista, foram criadas 14.254 novas vagas no setor comercial no mês. A divisão atacadista continua impulsionando o setor, após atingir a marca de 7.572 postos de trabalho criados.



Nota metodológica

A Pesquisa de Emprego no Estado de São Paulo (PESP) passou por reformulação em sua metodologia e, agora, analisa o nível de emprego celetista do comércio e serviços do Estado de São Paulo a partir de dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), elaborado pelo Ministério do Trabalho – passando a se chamar PESP de Comércio e Serviços.



FecomercioSP



Retrospectiva: o que podemos aprender com as mulheres para 2024?

Apesar de avanços em tópicos importantes, o ano foi marcado por machismo, manterrupting e gaslighting contra mulheres; Mayra Cardozo, advogada com perspectiva de gênero, mentora de Feminismo e Inclusão e líder de empoderamento, explica as melhorias e retrocessos


 

O ano de 2023 foi mais um período de avanços e desafios nos direitos femininos. Aconteceu a Copa do Mundo Feminina, as Delegacias da Mulher passaram a operar 24 horas por dia e, de forma geral, se passou a falar mais sobre a liberdade das mulheres e elas estão cada vez mais em papéis de liderança. 

 

Os números comprovam que ainda existem muitos avanços que são necessários para alcançar completamente a equidade de gênero. Para se ter uma ideia, uma pesquisa feita pelo Talenses Group e o Insper descobriu que a porcentagem de mulheres CEOs no Brasil cresceu de 13% para 17% entre 2019 e 2023.

 

De acordo com a advogada e sócia do Martins Cardozo Advogados, especialista em Direitos Humanos e Penal, mentora de Feminismo e Inclusão e líder de empoderamento, Mayra Cardozo, o próximo ano é o momento para mulheres alcançarem posições de liderança. “Muitas vezes, essa busca pela liderança autêntica é permeada por pressões sociais, estereótipos de gênero e um sistema que tradicionalmente priorizou a masculinidade no ambiente de trabalho. No entanto, as mulheres têm demonstrado sua capacidade de liderar de forma autêntica, abraçando sua verdadeira essência e inspirando mudanças positivas ao longo do caminho”, explica.

 

Abaixo, a especialista mostra quais são os principais aprendizados para as mulheres em 2024. Confira:

 

1. Reconheça seus atributos - Para mulheres serem líderes, é necessário que elas se conheçam primeiro e valorizem suas lideranças. “O primeiro passo crucial para alcançar uma liderança autêntica é o autodescobrimento. Isso implica em um mergulho profundo dentro de si mesma, visando entender a sua verdadeira essência, paixões, forças, talentos e propósito na vida. Desde novas, as mulheres são frequentemente desestimuladas a explorar a sua singularidade. Pressões sociais as forçam a se adaptar a padrões pré-determinados, muitas vezes resultando em uma desconexão com a sua essência. É, portanto, imperativo que as mulheres resistam a essas expectativas e se comprometam a iniciar o processo de autoconhecimento”, mostra.

 

2. Quebre com padrões - Depois, é importante quebrar com os padrões vigentes do patriarcado. “O segundo passo envolve a desconstrução de crenças socialmente construídas sobre o papel da mulher na sociedade. A ideia central é superar a noção arcaica de que as mulheres precisam adotar características tradicionalmente masculinas para ocupar espaços de poder. Chegou o momento de derrubar as barreiras que nos forçaram a negar a nossa autenticidade feminina ao longo dos anos. Ao destruir esses estereótipos, abrimos caminho para liderar de maneira genuína e verdadeira, alinhada com a nossa essência”, revela Mayra.

 

3. Seja você mesma - É essencial lembrar que as mulheres em posições de liderança não precisam ser masculinizadas para liderarem. “O terceiro passo é abraçar a ideia de que as mulheres podem ser criativas e apaixonadas por diversas áreas, sem que isso represente um obstáculo. Muitas vezes, somos pressionadas a acreditar que precisamos nos encaixar em um único padrão, concentrando todos os nossos interesses em uma única direção. No entanto, ser apaixonada por várias coisas pode ser uma força, não uma fraqueza. Liderar de forma autêntica significa aproveitar ao máximo todas as nossas paixões e habilidades, permitindo que elas se complementem”, indica.

 

4. Coloque limites - Para isso, também deve-se colocar limites no trabalho e se colocar em primeiro lugar sempre, “Para alcançar uma liderança autêntica é necessário aprender a estabelecer limites. Isso envolve a habilidade de dizer não quando necessário, ser assertiva e priorizar suas próprias necessidades. Muitas mulheres sentem a pressão de fazer o dobro para serem valorizadas, o que pode levar a uma exaustão física e mental. Colocar-se em primeiro lugar é essencial para construir uma liderança sólida e não se perder no processo”, finaliza Mayra Cardozo. 

 

Mayra Martins Cardozo - advogada com perspectiva de gênero, sócia do escritório Martins Cardozo Advogados. Membro permanente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB - CNDH. Educadora, ministra aulas na Escola Paulista de Direito, na Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM e no Centro Universitário de Brasília. É colaboradora executiva da revista suíça Brainz Magazine. Palestrante sobre diversidade e inclusão. É líder de empoderamento feminino, desenvolve sessões 1:1 na sua "Mentoria para Mulheres Mal Comportadas" na qual integra suas pesquisas sobre gênero, sua formação em Feminist Coach e sua perspectiva psicanalítica em um trabalho que visa questionar crenças internalizadas que sustentam a sociedade patriarcal e impedem que mulheres tenham relacionamentos saudáveis, ocupem espaços de poder e tenham uma boa relação com seu corpo.

 

Estudo da Kantar aponta como diferentes gerações consomem produtos de beleza

Geração X é a que mais compra unidades da cesta, com média de 69 itens até setembro de 2023

 

O mercado de beleza segue em ascensão no Brasil. Entre 2021 e 2023, o setor apresentou alta de 8% em unidades vendidas – o que posiciona o país como principal comprador da América Latina. Nos últimos 12 meses terminados em setembro, foram gastos R 38 milhões com produtos do segmento, com os maiores crescimentos em sabonete (32%), pós-shampoo (30%) e shampoo (25%) 

Os números fazem parte do estudo “Beleza em Foco”, produzido pela divisão Worldpanel da Kantar, líder em dados, insights e consultoria. A pesquisa traz uma visão em 360 graus da jornada de compra e uso de itens de higiene e beleza pessoal. A amostra contempla 11.300 lares para desvendar hábitos offline e 4 mil indivíduos para o comportamento digital. 

O estudo também identifica que as preferências dentro do setor mudam de acordo com a idade. Os Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964), por exemplo, apresentaram a menor cesta de beleza, com 62 unidades até setembro de 2023. Por outro lado, são os que mais intensificaram o consumo de produtos diários no longo prazo (alta de 27,2% entre 2019 e 2023) e os que mais buscaram por manicures (31%). 

A Geração X (nascidos entre 1965 e 1980), por sua vez, é a que mais usou a combinação de secador e chapinha (11,2%) Também se trata do grupo que apresentou a maior cesta de beleza, com 69 unidades até setembro de 2023. Enquanto isso, os Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) se destacaram pelo maior número de preocupações com sua pele e cabelo (7,8) e compraram, em média, 66 unidades no ano. 

Dentro da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010), despontou a busca por serviços estéticos, a exemplo de laser e limpeza facial (53%). Eles compraram cerca de 64 unidades de beleza no ano e, apesar de serem os que menos consumiram a cesta de indulgência, com nove unidades por lar, são os únicos a incrementá-la no longo prazo: alta de 5,3% entre 2019 e 2023. 

Por fim, a Geração Alpha (nascidos a partir de 2011). Mesmo com menos poder aquisitivo, uma vez que ainda dependem dos pais ou responsáveis, os lares com integrantes desse grupo compraram, em média, cinco produtos a mais em 2023, essencialmente os de uso diário. Vale ressaltar que esta também é a geração que mais utilizou secador e modelador de cachos (8,4%). 

“Independentemente da geração, a rotina e a cesta dos consumidores se tornam mais simples e práticas, porém com valor agregado. Em um mercado cada vez mais dinâmico, agilidade em comunicar e executar são essenciais para obter sucesso”, comenta Matheus de Macedo, Gerente de Novos Negócios da Kantar.

 

Inovação em pauta 

Com o olhar voltado para a inovação e em suprir as necessidades do consumidor, a Kantar identificou 2.700 novos produtos no mercado de beleza até setembro de 2023. Desses, 81% estavam concentrados em cinco categorias: pós-shampoo, sabonete, cremes facial e corporal, perfumaria e maquiagem. 

Nesse contexto, as mídias digitais e o e-commerce têm papel fundamental, uma vez que 50% dos novos consumidores das categorias de inovação buscaram recomendações por meio de consumer review, blogs e vlogs. 

Vale destacar também que 32% dos novos consumidores em categorias de inovação fizeram compras via e-commerce em 2023 e que a Geração Z é a que mais buscou por produtos de beleza por meio de lojas virtuais (28%).


Kantar
Link


Redução no teto de juros do crédito consignado pode aumentar portabilidades e reduzir oferta da linha no mercado

 

Por decisão do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), foi reduzido o teto dos juros dos empréstimos consignados para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O valor máximo dos juros para empréstimos debitados em folha caiu de 1,84% ao mês para 1,80%. A medida vai entrar em vigor nos próximos dias, após publicação no Diário Oficial da União e a expetativa é que aumentem os pedidos de portabilidade e sejam reduzidas as ofertas dessa linha de crédito no mercado. 

De acordo com Rafael Sousa, CEO da Segue, fintech especializada em crédito consignado, a medida traz instabilidade para as pessoas que precisam de crédito. “O grande desafio do aposentado que recorre ao empréstimo consignado está na gestão dos recursos e não na parcela mensal ou no valor liberado. O perfil dos aposentados e pensionistas que tomam o crédito consignado é de muitas vezes pegar o empréstimo para quitar dívidas ou pagar contas essenciais. O Brasil concentra mais de 72 milhões de pessoas endividadas, exatamente pela ausência de educação financeira. O foco precisa ser esse”, afirma. 

A oferta de linhas de crédito consignado no mercado também pode reduzir, já que o valor de 1,80% de juros não é suficiente para cobrir os gastos que envolvem toda a operação de concessão, fazendo com que as instituições sejam mais rigorosas na oferta. Outro alerta é para a busca de outras linhas de crédito pelos aposentados e pensionistas que podem elevar seus níveis de endividamento. A Febraban chama atenção para a queda na média mensal de concessão do consignado que reduziu de R$ 7,2 bilhões para R$ 5,9 bilhões. 

A Segue disponibiliza porta-voz para repercutir o assunto. Alguns pontos que podem ser abordados na pauta: 

- Aumento da portabilidade nos contratos de crédito consignado;

-Insegurança nos processos de mudança de instituições financeiras que aumentam as chances de golpes ou ofertas desvantajosas;

- Redução da oferta de crédito consignado;

- Necessidade de medidas de educação financeira para reduzir o número de endividados.


Especialista revela quais os melhores negócios para abrir em 2024

 Simone Resende destaca oportunidades para investir no próximo ano


O cenário empreendedor para 2024 promete oportunidades vibrantes e lucrativas em diversas áreas, com destaque para setores que abraçam a inovação e a inclusividade. A empresária  Simone Resende destaca os segmentos mais promissores para empreender no próximo ano.


1. Comidas Inclusivas: O mercado de alimentos voltados para veganos, intolerantes a glúten e lactose continua a crescer exponencialmente. Segundo Simone, empreendedores visionários estão capitalizando essa tendência, oferecendo opções saborosas e inclusivas que atendem às necessidades de um público cada vez mais consciente da sua alimentação.


2. Tecnologia e Programação: Com a constante evolução tecnológica, negócios relacionados à programação e desenvolvimento de software mantêm-se como protagonistas, “A demanda por soluções digitais inovadoras e eficientes continua a impulsionar oportunidades para empreendedores no setor de tecnologia. E isso só tende a crescer na próxima década”, acrescenta a especialista.


3. Consultorias de Marketing e Inovação: À medida que as empresas buscam se destacar em um mercado competitivo, a busca por orientação em marketing e inovação se intensifica, “Consultorias especializadas nesses campos têm se mostrado essenciais para auxiliar organizações a desenvolverem estratégias eficazes e se manterem relevantes no cenário atual. Cada vez é mais necessário também se posicionar nas redes sociais, e diversas empresas não têm time de marketing e acabam buscando figuras externas para a produção de planos e ações de comunicação”, afirma Resende.


4. Sustentabilidade: A conscientização ambiental impulsionou nos últimos anos negócios sustentáveis e voltados para energias renováveis, com ações de reciclagem, reaproveitamento de recursos e economia circular, “Empreendedores que investem em soluções eco-friendly estão encontrando espaço no mercado e contribuindo para um futuro mais sustentável”, ressalta a profissional.


5. Consultoria de finanças: A busca por consultoria financeira está em ascensão, refletindo a crescente necessidade de gerenciamento eficiente de recursos, “Empresas buscam orientação estratégica para otimizar seus recursos financeiros, entender como lidar com desafios econômicos e alcançar crescimento sustentável, “Pessoas físicas também estão procurando soluções de gestão financeira sólida para atingir metas pessoais e enfrentar complexidades do mercado. Os consultores atuam oferecendo insights, estratégias personalizadas e auxiliando na tomada de decisões fundamentadas”, destaca.


6. Saúde Mental e Bem-Estar: Com o aumento do estresse na vida moderna, empreendimentos focados em saúde mental e bem-estar estão ganhando destaque. Simone ressalta serviços que oferecem apoio psicológico, práticas de mindfulness e produtos relacionados à promoção do equilíbrio emocional.

O empreendedorismo em 2024 será marcado pela diversidade de oportunidades, desde a inovação tecnológica até a promoção de um estilo de vida saudável e inclusivo. Empreendedores que souberem identificar as demandas do mercado e oferecer soluções criativas têm grandes chances de prosperar no próximo ano.

 

 

 

Simone Resende - Profissional com formações em Ciências Econômicas e Direito. Ao longo de 31 anos no Tribunal de Justiça do DF, se destacou como Diretora-Geral Administrativa da Vara da Infância e Juventude. Com certificações em Mastercoach pela Federação Brasileira de Coach Integral Sistêmico, é Treinadora Comportamental, PNL e Mastercoach pelo Instituto Marcelo Lyouman. Participou de um curso de Oratória com Samer Agi.

 

Estudo conduzido no Brasil traz novo alerta sobre impactos ambientais ligados às bitucas de cigarro

 Instituto Global para o Controle do Tabaco e ACT Promoção da Saúde se juntam em pesquisa que determina densidade de bitucas em vias urbanas, seu impacto ambiental e a presença do mercado ilegal de cigarros

 

Pesquisadores vinculados à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com o apoio do Instituto para o Controle Global do Tabaco (IGTC) da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, Instituto Nacional do Câncer (INCA) e da ACT Promoção de Saúde, acabam de divulgar um relatório abordando o impacto ambiental do descarte inadequado de bitucas de cigarro e uma estimativa do mercado ilegal com base em um estudo realizado em áreas urbanas do município de Guarujá, no estado de São Paulo.

Como parte do estudo, foram coletadas mais de 4,3 mil bitucas de cigarro em vias públicas, entre março e abril de 2023. As bitucas de cigarro, que normalmente consistem em uma pequena porção do cigarro que não foi queimada e plástico não-biodegradável, contêm milhares de substâncias potencialmente tóxicas, como metais, hidrocarbonetos, compostos nitrogenados, aminas aromáticas, entre outras. As bitucas são o principal resíduo gerado pelo ser humano e estima-se que, dos 5,5 trilhões de cigarros produzidos anualmente em todo o mundo, 4,5 trilhões de bitucas sejam descartadas de forma inadequada.[1]
 

Ao coletar as bitucas de cigarro, os pesquisadores realizaram experimentos para estimar a taxa de poluição das bitucas com base no Índice de Poluição das bitucas de cigarro (CBPI), contendo seis classes de poluição que variam de "muito baixa" a "severa". Depois de considerar outras influências ambientais, como o tipo de solo e a precipitação anual, verificou-se que os contaminantes resultantes das bitucas de cigarro geraram um nível "severo" de poluição ambiental, com estimativas de vazamento de contaminantes atingindo proporções alarmantes. 

"Além de tudo o que sabemos sobre os efeitos tóxicos do uso do tabaco entre os seres humanos e os impactos ambientais da cadeia produtiva do tabaco, como a degradação do solo e o desmatamento, este estudo demonstra que a poluição do cigarro ocorre também em uma taxa severa depois que os produtos são consumidos e descartados indevidamente", disse Graziele Grilo, Coordenadora Sênior do Programa de Pesquisa e Líder Regional para a América Latina do IGTC. 

De acordo com o IGTC, esses resultados também enfatizam a importância de proibir o uso de filtros nos cigarros, o que não apenas reduziria o impacto ambiental do lixo de bituca de cigarro (já que os filtros não são biodegradáveis), mas também poria fim às falsas alegações de menor risco associadas aos filtros que são usadas pela indústria do tabaco há décadas: 

"Já temos pesquisas indicando que os filtros não trazem benefícios à saúde para as pessoas que usam cigarros, e sua utilização pelas empresas e alegações enganosas a seu respeito realmente ajudam a tornar o produto ainda mais atraente para os adolescentes[2] – o efeito dessas alegações apenas serve aos interesses da indústria do tabaco. As descobertas do nosso estudo sobre seu impacto ambiental podem apoiar os esforços existentes para banir os filtros de cigarros por meio de políticas destinadas a reduzir a poluição plástica", explicou Graziele. 

A identificação da marca (que não é comum em monitoramentos deste tipo) foi outra consideração singular deste estudo. As marcas de cigarros foram identificadas por meio de logotipos ou nomes em mais de 80% das bitucas coletadas, sendo que mais de 57% foram identificadas como tendo sido fabricadas pela BAT Brasil ou Philip Morris Brasil. A identificação da marca também possibilitou estimar o status de legalidade dos produtos encontrados nas áreas pesquisadas, com base na lista de marcas aprovadas pela Anvisa. Os resultados indicaram semelhanças entre a presença de bitucas de cigarro ilícitas nas áreas pesquisadas da cidade de Guarujá e da cidade vizinha de Santos (com base em estimativas anteriores utilizando a mesma metodologia). 

"Embora a existência de marcas e logotipos nas bitucas de cigarro represente valor de marketing pós-consumo para as empresas de tabaco, o fato de termos conseguido identificar as marcas nas bitucas dos cigarros descartados neste estudo também é um passo essencial para responsabilizar as empresas. Isso é especialmente importante para embasar ações que busquem indenização das empresas fumadoras pelos danos à saúde", comentou Mariana Pinho, Coordenadora de Projetos do Projeto Tabaco da ACT Promoção de Saúde. "Dessa forma, também poderíamos considerar a adoção de mecanismos de compensação ambiental pelas autoridades competentes para reparar os impactos causados pelas bitucas de cigarro, tais como a criação de um fundo de protecção ambiental, taxas de impacto ambiental, entre outros", acrescentou.  

Para mais informações sobre o estudo: Link.

 

Instituto para o Controle Global do Tabaco
ACT Promoção da Saúde



[1] Organização Mundial da Saúde: link para acesso.
[2] British Medical Journal: link para acesso.

 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Candidíase e infecções fúngicas nas férias, saiba como evitar


A chegada das férias é o momento esperado para realizar viagens ou até mesmo relaxar em casa, porém existe uma preocupação que normalmente é deixada de lado: o risco de candidíase e infecções fúngicas. 

Enquanto nos entregamos ao merecido descanso, ambientes úmidos e tropicais podem se tornar terrenos férteis para o crescimento de fungos, aumentando o risco de infecções. A candidíase, em particular, torna-se uma sombra indesejada para alguns, podendo afetar não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional durante esse período de relaxamento. 

As mulheres são mais suscetíveis, pois a Candida albicans é um fungo que faz parte da microbiota vaginal sem causar nenhuma doença, mas alguns fatores podem causar a proliferação deste patógeno, causando a infecção chamada candidíase. 

É preciso estar atenta a alguns fatores importantes, como estresse, uso de antibióticos, dieta rica em açúcares, alterações hormonais e ambiente vaginal quente e úmido, que podem causar o desenvolvimento do fungo, o que se torna muito comum em período de férias, principalmente por conta de uma alimentação menos regrada e pelo uso frequente de roupas úmidas e apertadas, como o biquíni. 

Suzana Lessa (@drasuzanalessa_), ginecologista e nutróloga, sócia afiliada do Instituto Nutrindo Ideias (@nutrindoideais) de Niterói/RJ, diz que o ambiente quente e úmido proporcionado pela roupa de praia pode ser um fator desencadeante da infecção. “Mas não é por isso que a mulher deve deixar de aproveitar o período de férias na praia e na piscina, portanto, alguns cuidados podem ser tomados para evitar, como não exagerar no consumo de açúcares e bebidas alcoólicas, evitar ficar com o biquíni molhado por muito tempo e procurar usar roupas íntimas com tecidos respiráveis, como os tecidos 100% algodão”. 

Os sintomas da infecção fúngica vaginal incluem: 

·         Coceira;

·         Ardência; 

·         Vermelhidão e inchaço;

·         Dor durante o ato sexual;

·         Corrimento vaginal grumoso.  

Os sintomas são bem desconfortáveis e assim que a mulher sentir deve procurar orientação médica para o tratamento adequado.   

Ana Niederauer, atuante em dermatologia e mestre em farmacologia do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais) de Campinas/SP, fala que as áreas mais comuns afetadas são a virilha, axilas, dobras da pele, sob os seios, entre os dedos das mãos e pés e prepúcio do pênis. “É importante secar muito bem estas áreas após contato com água e utilizar roupas de tecidos naturais e mais leves, como algodão, por exemplo, e também optar por calçados menos fechados e mais ventilados”. 

Como citado anteriormente, é comum no verão que os locais fiquem mais abafados, assim como as pessoas também suam mais, e o tempo de férias e descanso também pode levar ao relaxamento dos cuidados, deixando-nos mais expostos. Erros como utilizar roupas úmidas, calçados fechados em contato com o corpo por tempo mais prolongado estão entre os mais comuns.

 

Prevenção

 

Misael do Nascimento – médico atuante em dermatologia e tricologia com ênfase ao público masculino do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais)/RJ, aponta que as medidas preventivas os viajantes podem adotar para reduzir o risco de infecções fúngicas, especialmente em locais turísticos com alta umidade envolvem: 

·         Optar por roupas que mantenham a temperatura do corpo estável e diminuem a umidade - além do algodão existem muitas marcas que usam nanotecnologia para diminuir a transpiração em camisas, bermudas e roupas íntimas;  

·         Investir na manutenção da integridade da pele com um bom sabonete hidratante (que não seja bactericida)

·         Hidratar o corpo de forma oral e tópica;

·         Não compartilhar objetos de uso pessoal, como roupas, calçados, toalhas, pentes, e chapéus;

·         Evitar andar descalço em espaços públicos ou constantemente úmidos, como saunas, vestiários e beira de piscinas.

 

Tratamento

 

De acordo com Ana, o tratamento convencional está sujeito ao tipo de micose, local atingido e a intensidade do quadro, e isto será determinado pelo seu médico. O tratamento das micoses é mais prolongado, podendo variar em cerca de 30 dias até meses, e inclui a administração de medicações via oral, e/ou tópicos, como cremes e shampoos, por exemplo.

 

Suzana explica que existem alguns alimentos conhecidos por suas propriedades antifúngicas, como o alho, o orégano, a semente de abóbora e o ácido caprílico presente no óleo de coco. E existem alimentos que podem sim agravar, como o consumo excessivo de alimentos açucarados e ricos em carboidratos refinados que favorecem o crescimento do fungo.

 

Para manter a saúde íntima em boas condições durante as férias, cuidar da imunidade é sempre importante, porque por si só, já é um fator que pode favorecer infecções. Então, manter uma alimentação variada e rica em nutrientes como frutas e vegetais e evitar alimentos com excesso de carboidrato refinado e açúcar; cuidar da qualidade do sono, pois noites mal dormidas podem afetar o sistema imunológico; ter bons níveis de vitamina D e zinco, evitar roupas coladas e molhadas na região íntima por muito tempo.

 



FONTES:

Suzana Lessa (@drasuzanalessa_), ginecologista e nutróloga, sócia afiliada do Instituto Nutrindo Ideias (@nutrindoideais) de Niterói. CRM:916315. RQE N°: 40719.

Ana Julia Niederauer, atuante em dermatologia e mestre em farmacologia do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais) de Campinas.

Pesquisadora e médica, pós-graduada em Dermatologia Clínica e Cosmiátrica, Mestre em Farmacologia pela Faculdade de Ciências Médicas/UNICAMP, especialista em Medicina de Família e Comunidade. Referência Bioestimuladores e Skincare. CRM: 209614 RQE Nº:114078.

Misael do Nascimento – médico atuante em dermatologia e tricologia com ênfase ao público masculino do Instituto Nutrindo Ideais (@nutrindoideais)/RJ.





REFERÊNCIAS:

R AN, Rafiq NB. Candidiasis. 2023 May 29. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan–. PMID: 32809459.

Bhattacharya S, Sae-Tia S, Fries BC. Candidiasis and Mechanisms of Antifungal Resistance. Antibiotics (Basel). 2020 Jun 9;9(6):312. doi: 10.3390/antibiotics9060312. PMID: 32526921; PMCID: PMC7345657.

LUZ, B. do N. .; SOUZA, R. P. de .; FRANCO , J. V. V. .; CRUZ , G. U. de S. .; FONSECA, J. B. .; SANTANA, V. L. . Profile of women most vulnerable to developing candidiasis and its pharmacological treatment. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 10, p. e35111032477, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i10.32477.

 


GSH Banco de Sangue de São Paulo alerta para a importância das doações no mês de dezembro

 

 

Dezembro é um mês que remete a festas de confraternização, encerramento de ciclos, férias, Natal e Ano Novo chegando, em que os ânimos das pessoas estão acelerados e empolgados diante de tantos compromissos. Porém, é justamente nesse período que o GSH Banco de Sangue de São Paulo faz um apelo para que os doadores e a população em geral se lembrem da importância da doação em meio aos acontecimentos festivos. 

A instituição informa que os estoques das bolsas de sangue estão 70% abaixo do ideal, o que proporciona uma cobertura de apenas 6 dias, quando o ideal são 18 para que se possa atender com conforto às demandas dos hospitais. 

De acordo com Janaína Ferreira, líder de captação do GSH Banco de Sangue de São Paulo, essa situação é preocupante, pois tende a se agravar com as férias escolares e as festas de final de ano. 

“É um período em que há uma queda acentuada nos estoques sanguíneos, pois muitas pessoas se esquecem de doar sangue. Ao mesmo tempo, aumentam as demandas por transfusões, principalmente em razão dos acidentes de trânsito nas estradas, sem contar os pacientes que já estão internados, em tratamento, e que precisam de bolsas de sangue para sobreviver”, enfatiza a líder de captação. 

Atualmente, todos os tipos sanguíneos são bem-vindos, por isso, o apelo da instituição é para que os doadores compareçam ao Banco de Sangue para praticar esse gesto solidário que pode salvar até quatro vidas. 

“É um momento de confraternização e solidariedade e, por isso mesmo, é importante nos lembrarmos também dos pacientes que estão internados e precisam dos hemocomponentes para seus tratamentos”, conclui Janaína. 

O GSH Banco de Sangue de São Paulo atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos domingos e feriados, na Rua Tomás Carvalhal, 711, no bairro Paraíso. Para doar, basta comparecer à unidade, ou agendar previamente, observando os requisitos abaixo.

 

Requisitos básicos para doação de sangue:

  • Apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH etc.) em bom estado de conservação;
  • Ter idade entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal no momento da doação);
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Pesar a partir de 50 kg;
  • Não ter feito uso de bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
  • Após o almoço ou ingestão de alimentos gordurosos, aguardar 3 horas.
  • Não é necessário estar em jejum, evitar alimentos gordurosos
  • Se fez tatuagem e/ou piercing, aguardar 12 meses. Exceto para região genital e boca (12 meses após a retirada);
  • Se passou por endoscopia ou procedimento endoscópico, aguardar 6 meses;
  • Não ter tido Doença de Chagas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST);
  • Em caso de diabetes, deverá estar controlada e não fazer uso de insulina
  • Candidatos que apresentaram sintomas de gripe e/ou resfriado devem aguardar 7 dias após cessarem os sintomas e o uso das medicações;
  • Aguardar 48h para doar caso tenha tomado a vacina da gripe, desde que não esteja com nenhum sintoma.

Consulte a equipe do banco de sangue em casos de hipertensão, uso de medicamentos e cirurgias.

 

Serviço:

GSH Banco de Sangue de São Paulo
Endereço: Rua Tomas Carvalhal, 711 – Paraíso
Tel.: (11) 3373-2000 / 3373-2001 e pelo WhatsApp (11) 99704-6527
Atendimento: Diariamente, inclusive aos finais de semana, das 7h às 18h. Estacionamento gratuito no local.

 

Sentiu dor de dente? Dentista explica o que fazer de imediato

Dores de dente têm suas causas variadas, mas cirurgiã-dentista ensina truques para amenizar a situação quando elas chegam

 

Algumas geram notificações, outras chegam de surpresa e para ficar! Ela mesma, a temida dor de dente. Até conseguir uma consulta com dentista, o sofrimento pode ser intenso, por isso a Dra. Diana Fernandes, cirurgiã-dentista listou algumas práticas para a busca de um conforto imediato, enquanto se persegue o motivo daquela dor. 

1. Higiene oral: Escove os dentes suavemente para remover resíduos de alimentos e evite pressionar áreas sensíveis. Use o fio dental para limpar entre os dentes; 

2. Enxaguante bucal: Faça bochechos com água morna e sal para reduzir a inflamação e ajudar a controlar as bactérias na área afetada; 

3. Compressa fria: Aplique uma compressa fria na área externa da bochecha para aliviar a inflamação e reduzir a dor; 

4. Analgésicos: Utilize analgésico, seguindo as instruções do rótulo, para ajudar a controlar a dor. Evite aplicar medicamentos diretamente nos dentes sem orientação profissional. 

5. Consulta odontológica: Marque uma consulta com um dentista para identificar a causa da dor e receber o tratamento adequado. 

"Não ignore dores persistentes, pois podem indicar problemas mais sérios", recomenda a especialista. No geral, segundo ela, a origem das dores de dentes pode vir de 4 situações, basicamente. 

A começar pela cárie dentária, uma das principais causas de dor de dente, a Dra. Diana explica que ela resulta da deterioração do esmalte dentário devido à ação de bactérias, que são favorecidas por um alto consumo de açúcares e carboidratos associado a uma higienização precária. "O tratamento da cárie foca na restauração do dente afetado, com a limpeza de todo tecido e a colocação de uma resina para cobrir o que foi perdido por causa da cárie", detalha a cirurgiã. 

Um outro motivo comum de dor nos dentes é a sensibilidade dentária, que reflete a exposição da dentina, uma camada sensível abaixo do esmalte, que, segundo a Dra. Diana, pode causar dor ao entrar em contato com alimentos quentes, frios, doces ou ácidos. O tratamento da sensibilidade, explica a dentista, pode ser feito com cremes dentais para sensibilidade, escovas mais macias para não machucar as gengivas e "até a restauração para cobrir as partes do dente que estão expostas", sugere. 

As mais que temidas infecções de canal radicular (endodontite) também estão entre as causas comuns de dor de dente. "Essa inflamação do nervo e dos tecidos internos do dente é, geralmente, causada por uma cárie avançada e resulta em uma dor intensa", lembra a Dra. Diana, ao explicar que o tratamento de canal consiste em limpar a cárie, remover o nervo afetado e colocar uma obturação entre os canais para mantê-los limpos e livres de bactérias. 

Por fim, a Dra. Diana, lista os problemas na gengiva como outra causa basal das dores de dentes. As doenças gengivais, segundo ela, como a gengivite, podem levar a dores devido à inflamação e à infecção na gengiva ao redor dos dentes. "Tratar a gengiva é sobre controlar a placa bacteriana com técnicas de higiene e limpezas profundas no consultório, com remoção de tártaro e uso específico de enxaguantes bucais", detalha a especialista.

 

Dra. Diana Fernandes - • Cirurgiã Dentista UNIP 2013. • Especialista em Gestão de Mercados Odontológicos UNIP 2014. • Ortodontista ESO 2015. • Invisalign Doctor Desde 2015. • Atualização em Implantodontia ABO 2018. • Imersão em Harmonização MANDIC 2018.


Estudo comprova maior sobrevida e melhor controle de sintomas com novo medicamento para câncer de tireoide avançado

Pesquisa clínica multicêntrica de fase 3 com participação do IDOR, braço científico da Rede D’Or, comparou pacientes tratados com Selpercatinibe em relação a outras medicações aprovadas no mercado; trabalho foi publicado no The New England Journal of Medicine no último dia 21/10 



Um estudo multicêntrico global conduzido com participação do IDOR (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino), braço acadêmico e científico da Rede D’Or, e de outras instituições de saúde brasileiras, demonstrou maior eficácia do Selpercatinibe no tratamento de câncer medular de tireoide avançado com mutação do gene RET, na comparação com outros medicamentos inibidores de multiquinase já aprovados no mercado.

A pesquisa, publicada no último dia 21 de outubro no The New England Journal Of Medicine (NEJM), comparou, em ensaio clínico randomizado de fase 3, o Selpercatinibe como terapêutica de primeira linha em relação ao uso de Cabozantinibe ou Vandetanibe.

Foram selecionados para o estudo 291 pacientes com câncer medular progressivo da tireoide com mutação do gene RET que não haviam recebido anteriormente nenhum outro inibidor de quinase para tratamento de doença avançada ou metastática.

Os doentes foram selecionados em 176 centros de pesquisa de 19 países e divididos aleatoriamente entre o grupo que receberia Selpercatinibe (193 pessoas) e o grupo-controle, que seria tratado com Cabozantinibe ou Vandetanibe (98 pessoas).

Entre os participantes do estudo que receberam Selpercatinibe a sobrevida livre de progressão da doença após 12 meses, em uma avaliação “cega” e “independente”, foi de 86,8%, enquanto entre aqueles que tomaram Cabozantinibe ou Vandetanibe essa taxa foi de 65,7%. A maior sobrevida livre de progressão entre os pacientes que receberam Selpercatinibe foi observada em todos os subgrupos pré-especificados na pesquisa.

Outros resultados foram constatados. A resposta completa ou parcial ao tratamento foi de 69,4% entre os que usaram o Selpercatinibe, ante 38,8% no grupo tratado com as outras duas medicações. Eventos adversos levaram a redução de dose em 38,9% dos doentes do grupo do Selpercatinibe, enquanto no grupo controle esse índice foi de 77,3%. Houve redução de 72% no risco de progressão tumoral nos pacientes tratados com Selpercatinibe.

Todo o trabalho da pesquisa foi realizado entre fevereiro de 2020 e março de 2023. A maioria dos doentes eram do sexo masculino, de cor branca e com menos de 65 anos de idade. Apenas um dos participantes tinha 12 anos de idade, e os demais, acima de 18 anos.

“Os dados obtidos nessa pesquisa reforçam os resultados do estudo fundamental de fase 1-2 do Selpercatinibe. E, quando comparado aos dois outros dois medicamentos, o Selpercatinibe se mostra mais eficaz e seguro, proporcionando maior sobrevida livre de progressão dos pacientes com câncer de tireoide avançado ou metastático após um ano de tratamento”, destaca Ana Hoff, pesquisadora do IDOR, chefe da área de endocronologia do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e uma das autoras da pesquisa publicada no NEJM.

Segundo ela, os pacientes tratados com Selpercatinibe, além de melhor redução tumoral, se sentem bem pois possuem melhor controle dos sintomas da doença e menos sintomas decorrentes de efeitos colaterais.



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