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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Ondas de calor – como ela afeta a saúde humana, de plantas e animais

7% das internações SUS estão relacionadas à onda de calor


As mudanças climáticas são a maior preocupação na área de Saúde do século 21. O corpo humano tem um limite para aguentar altas temperaturas, podendo sofrer consequências como estresse, insuficiência cardíaca e lesão renal aguda por desidratação. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma onda de calor tem relação direta com o aumento de mortes. Altas temperaturas respondem por 7% das internações do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Dr. Raphael Coelho Figueredo, membro da Comissão de Biodiversidade, Poluição e Clima da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), explica que as ondas de calor provocam um aumento de mediadores inflamatórios no organismo humano, afetando, principalmente, os extremos de idade, gestantes, obesos e pessoas com doenças crônicas, agravando as doenças alérgicas, prioritariamente as alergias respiratórias, como asma e rinite, e de pele, como dermatite atópica.

 

“Ao contrário de outros eventos climáticos extremos, como tornados e enchentes, o calor passa a sensação de ser menos agressivo ou mais tolerável pelas pessoas. É essa falsa percepção que faz com que ondas de calor sejam extremamente perigosas para a saúde humana”, explica Dr. Figueredo.

 

Segundo o especialista, há um aumento no risco de mortalidade cardiovascular e respiratória em dias de ondas de calor em comparação com dias quando a temperatura está mais amena. Há risco também de causar estresse térmico significativo em todos os organismos vivos como em plantas, afetando a fotossíntese, a respiração, o crescimento, o desenvolvimento e a reprodução. Também afeta os animais, levando a alterações fisiológicas e comportamentais, como redução da ingestão calórica, aumento da ingestão de água e diminuição da reprodução e do crescimento. 

 

“Cinco mecanismos fisiológicos podem ser deflagrados pela temperatura elevada: isquemia, citotoxicidade, inflamação, coagulação intravascular disseminada e rabdomiólise”, alerta Dr. Raphael.

 

Acima de 39°C, 40°C, enzimas fundamentais para o metabolismo sofrem uma queda abrupta na velocidade das reações químicas necessárias à vida. O corpo começa a parar de quebrar proteínas e açúcares para obter nutrientes e energia.

 

Dr. Raphael conta que o ser humano controla sua temperatura de duas formas. A primeira é por meio dos vasos sanguíneos que se dilatam para levar mais sangue até a pele, para que o calor possa ser irradiado para fora do corpo. O segundo é por meio do suor, que refresca a pele por evaporação. O calor pode impactar gravemente sete órgãos: cérebro, coração, intestinos, fígado, rins, pulmões e pâncreas.

 

O corpo também perde muito líquido na tentativa de se aliviar pelo suor, o que leva à desidratação e torna o sangue viscoso, afetando os rins e o coração, que são mais exigidos. A desidratação também causa vasoconstrição, que eleva o risco de trombose e de acidente vascular cerebral. 

“O calor extremo mergulha o corpo no caos. Compreender os efeitos dos eventos extremos na saúde é uma questão central para o desenvolvimento de políticas climáticas focadas na saúde da população”, comenta o especialista da ASBAI.

 

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A evolução do cuidado multidisciplinar com a acondroplasia

s alternativas que abrem um futuro de possibilidades mais igualitárias e melhor qualidade de vida para pessoas com a forma mais comum de nanismo

 

O gene FGFR3 exerce um papel importante no corpo humano: ele produz uma proteína que é essencial para o adequado crescimento dos ossos. Mas, quando ele sofre uma mutação, ainda na formação do gameta, pode fazer com que o indivíduo desenvolva uma doença chamada acondroplasia, a forma mais comum de nanismo[1,2]. “A acondroplasia não se caracteriza apenas por causar uma baixa estatura muito grave. Ela leva a várias outras disfunções do corpo e interfere profundamente na saúde física, mental e social do indivíduo. Por isso, as pessoas com acondroplasia requerem cuidados especiais de profissionais das diferentes áreas da saúde”, afirma Luiz Cláudio Castro, endocrinologista, pediatra e professor da Universidade de Brasília (UNB).

A baixa estatura na acondroplasia é chamada de desproporcionada por haver um importante encurtamento dos braços e pernas do indivíduo, sem comprometimento significativo do tronco. A média de estatura final nas mulheres desse grupo é de 124 cm e nos homens, 130 cm.[2] Isso provoca uma série de restrições físicas e gera um grande impacto na qualidade de vida, como necessidade de escadas para alcançar o vaso sanitário, a pia e as torneiras nos banheiros e em outros ambientes, necessidade de dispositivos para fazer a própria higiene pessoal, para alcançar botões dos elevadores, dificuldade para subir os degraus de escadas, de abrir portas com maçanetas redondas e até no lazer, sendo preciso, por exemplo, adaptação de bicicletas.[3]

Os indivíduos com acondroplasia ainda estão sujeitos a uma série de problemas de saúde. Segundo o pediatra o estreitamento de uma parte importante da base do crânio, por onde passa a medula espinhal, pode levar à hidrocefalia, ou seja, o acúmulo excessivo de líquido no cérebro. Ou ainda à apneia obstrutiva e ao aumento do risco de morte súbita, especialmente nos primeiros dois anos de vida.[1]

Outras alterações nos ossos do crânio, coluna vertebral e demais segmentos do corpo podem levar a otites de repetição, perda da acuidade auditiva, cefaleias crônicas, deformidades graves na coluna e nas pernas, problemas respiratórios por restrição de volume da caixa torácica e dificuldade para andar.[1] “Além de ser preciso enfrentar diariamente uma estrutura social nem sempre preparada e apta a aceitar e se adaptar às diferenças. Mas é importante frisar que apesar de todos esses aspectos, a capacidade cognitiva está preservada, assim como a autopercepção de todas essas limitações pelo paciente”, lembra o especialista.

O Lifetime Impact Study for Achondroplasia (LISA - NCT03872531)[4], estudo realizado de forma observacional entre janeiro de 2018 e julho de 2021, com 172 pessoas com acondroplasia a partir de 3 anos de idade, residentes na Argentina, Brasil e Colômbia, em 4 centros de pesquisa, revelou que entre os pacientes de 8 a 17 anos o principal impacto à qualidade de vida é a dor. Cerca de 74% dos participantes dessa faixa etária relatam alguma espécie de desconforto em pelo menos uma área do corpo. Entre os adultos, 73,4% sentem dor diariamente.

“Muitas vezes pode ser preciso intervenção neurocirúrgica para assegurar inclusive a sobrevivência do paciente. Indivíduos com deformidades dos membros inferiores que limitam suas atividades, são submetidos a delicadas cirurgias ortopédicas corretivas”, explica o especialista. “Essas cirurgias são complexas e apresentam riscos. A anatomia dos pacientes com acondroplasia torna esses procedimentos mais desafiadores, aumentando o tempo de recuperação e o risco de complicações. Mas são ferramentas importantes para promover a qualidade de vida para os casos de alguns pacientes”, completa Luiz Claudio Castro.



Cuidado Multidisciplinar [5]

Em agosto de 2022, o primeiro guia de recomendações de cuidados multidisciplinares para acondroplasia foi publicado.3 Elaborado por especialistas da Argentina, Brasil, Chile e Colômbia, o estudo orienta uma abordagem abrangente no cuidado desse grupo de pacientes nas várias etapas da vida. Ele ressalta a importância da abordagem multidisciplinar aos pacientes para assegurar, resgatar e/ou minimizar o impacto da doença sobre a qualidade de vida, envolvendo as áreas da pediatria, genética, neurologia, neurocirurgia, ortopedia, otorrinolaringologia, nutrição, fisioterapia, fonoaudiologia, odontologia, enfermagem, entre tantas outras.

Um outro pilar para o cuidado adequado para crianças e adolescentes em fase de crescimento com acondroplasia é o tratamento medicamentoso. Em 2021, autoridades regulatórias da Europa (EMA), dos Estados Unidos (FDA), do Brasil (ANVISA), e do Japão (MHLW), aprovaram uma terapia que tem como resultado um aumento importante da velocidade de crescimento anual, dos pacientes tratados, com melhora significativa do ganho de estatura ao longo do tratamento comparados aos pacientes não tratados.[6,7]

“Essa conquista representa uma esperança renovada para os pacientes e suas famílias. Ao mesmo tempo, devemos reorganizar nossas estruturas sociais para oferecer a todos uma sociedade realmente inclusiva, ética, justa e acolhedora, respeitando e promovendo adaptações às limitações de quem as apresenta e estimulando a igualdade de oportunidades para todos”, finaliza Luiz Claudio Castro.

 



[1] Horton, W.A., J.G. Hall, and J.T. Hecht, Achondroplasia. The Lancet, 2007. 370(9582): p. 162-172. Available from: link.
[2]Pauli RM. Achondroplasia: a comprehensive clinical review. Orphanet J Rare Dis. 2019;14(1):1.
[3]Fano, V., Kim, CA, Rosselli, P. et al. Impacto da acondroplasia em pacientes latino-americanos: uma revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais. Orphanet J Raro Dis 17, 4 (2022). Link
[4]Lifetime Impact Study for Achondroplasia (LISA). NCT03872531. Link. Acesso em: outubro de 2023
[5]Llerena, J., Kim, CA, Fano, V. et al. Acondroplasia na América Latina: recomendações práticas para o atendimento multidisciplinar de pacientes pediátricos. BMC Pediatr 22, 492 (2022).
[6] Link. Acesso: agosto de 2023
[7] ANVISA: Link. Último acesso: outubro de 2023


13 de Dezembro

Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual


O que fazer quanto a fatores evitáveis para não ser incluído pessoalmente na lembrança da data  


Com a proximidade do Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual, celebrado em 13 de dezembro, é importante ressaltar a necessidade premente de conscientização sobre a prevenção para evitar condições que possam levar à perda de visão. De acordo com o Ministério da Saúde, 75% dos casos de cegueira são evitáveis ou curáveis.
 

Com o objetivo de alertar para a saúde dos olhos, a Dra. Ana Cristina Holanda de Freitas, diretora da Holanda Oftalmologia, em Campinas-SP, traça alguns cuidados que contribuem para que a pessoa se mantenha enxergando até o fim da vida.

 

Diabetes 

“Foi diagnosticado com diabetes, procure um oftalmologista”. A frase assertiva e urgente da Dra. Ana Cristina indica a relação entre diabetes e a saúde ocular. Ana Cristina explica que a diabetes afeta o modo como o organismo processa a glicose e é fundamental que os diabéticos saibam como prevenir danos oculares. 

A complicação ocular mais comum é a Retinopatia Diabética, que danifica os vasos sanguíneos da retina, o tecido sensível à luz no fundo do olho. À medida que progride, leva à perda de visão de forma acelerada e é irreversível. Por ser assintomática em seus estágios iniciais, o paciente pode não perceber. Por isso é crucial realizar exames oftalmológicos regulares, conforme prescrição médica, para diagnosticar precocemente e tratar a retinopatia diabética a tempo. “O diabético deve manter os níveis de açúcar no sangue sob controle, monitorar a pressão arterial e seguir uma dieta saudável", destaca.

 

Glaucoma 

O glaucoma é a perda de fibras do nervo óptico e causa a redução do campo de visão periférica, isto é, de fora para dentro, de forma lenta e irreversível. Pessoas com histórico familiar dessa condição devem estar especialmente atentas e realizar exames oftalmológicos regulares para detecção precoce e tratamento adequado. A recomendação é que a partir dos 40 anos o exame que analisa se há o aumento da pressão do olho – um dos sintomas mais comuns do glaucoma – deva ser feito nas consultas ao oftalmologista. 

Um cuidado bastante importante é quanto ao uso de colírios com corticoide, que infelizmente, pela legislação atual não necessitam de receita médica para ser adquirido nas farmácias. Procurado ingenuamente por pessoas que buscam tirar a vermelhidão da vista, o uso desse tipo de medicação por tempo prolongado pode gerar glaucoma.

 

Traumas 

A Dra. Ana Cristina Holanda chama a atenção para a prevenção de acidentes domésticos e no local de trabalho. “Não ignore o uso de equipamentos de segurança para precaução de lesões oculares. Na idade adulta, os traumas na vista causados por distração e falta de cuidado são importantes fatores que causam cegueira irreversível”, salienta.

 

Degeneração macular 

A degeneração macular ocorre em idosos. Caracterizada pela perda da visão funcional, a doença atinge a visibilidade do centro do olho, restando a visão apenas no entorno da vista. A ida periódica ao oftalmologista pra quem tem a partir de 60 anos é recomendada para que não se atinja o estágio em que o tratamento não faça mais efeito. 

Entre os fatores causadores e de risco da degeneração macular estão o consumo de cigarro, exposição ao sol cumulativa ao longo da vida, doenças cardiovasculares, obesidade, ingestão de alimentos ultraprocessados, hipertensão e algumas anormalidades genéticas.

 

Catarata 

Se não tratada com cirurgia, a catarata gera cegueira. No entanto, por meio da cirurgia a visão é facilmente reversível quando o paciente não tem outras patologias. “Quando o paciente tem acesso à cirurgia, a chance de sucesso é grande, a recuperação da visão é rápida e com pouco sofrimento”, frisa.

 

Avanços na tecnologia 

Há de se destacar que o mercado disponibiliza materiais e acessórios projetados para melhorar a qualidade de vida das pessoas com baixa visão. "Existem diversos recursos e tecnologias inovadoras que podem auxiliar na vida diária, desde lupas e sistemas de iluminação especial, dispositivos de realidade aumentada, plataformas de Inteligência Artificial etc que facilitam a realização de tarefas cotidianas para aqueles com visão reduzida", conclui.

 

Ana Cristina Lavor Holanda de Freitas - Oftalmologista há 30 anos pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, com doutorado na USP de Ribeirão Preto-SP, a médica Ana Cristina Lavor Holanda de Freitas especializou-se em retina e Retinopatia da Prematuridade. Diretora e oftalmologista na Holanda Oftalmologia e oftalmologista na Maternidade de Campinas.

 

Dezembro Laranja: conheça os principais sinais para ficar em alerta sobre o câncer de pele

Além de causar o envelhecimento precoce, a exposição desprotegida e prolongada ao sol aumenta em até 10x o risco da doença. Especialista explica como identificar e maneiras de prevenir o câncer de pele

 

Os cuidados no verão devem ir muito além do uso do protetor solar, afinal, informação também é fundamental para prevenir possíveis riscos à saúde, como o câncer de pele. Durante todo o mês, a campanha Dezembro Laranja vem para alertar sobre a doença, tipo de tumor maligno que mais afeta a população brasileira. 

A exposição prolongada ao sol sem proteção necessária, além de causar o envelhecimento precoce, aumenta em até 10x o risco de câncer de pele - justamente pelo contato direto com os raios nocivos. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença ultrapassa no Brasil a marca de 229 mil novos casos todos os anos - representando cerca de 31,3% dos tumores malignos registrados.
 

Sinais para ficar de olho 

A Dra. Sheila Ferreira, oncologista da Oncoclínicas em São Paulo, explica que os primeiros sinais podem ser alterações na pele, bastante semelhantes a pintas ou manchas escurecidas, sejam elas novas ou de nascença, que se modificam com o tempo. "Essas alterações podem ser identificadas a partir da regra do 'ABCDE' - Assimetria, Bordas irregulares, Cor, Diâmetro e Evolução", diz. 

  • Assimetria: quando metade da lesão é diferente da outra parte
     
  • Bordas: se a pinta, sinal ou mancha apresenta um contorno irregular
     
  • Cor: quando a lesão possui cores diferentes, podendo ser entre vermelho, marrom e preto
     
  • Diâmetro: caso a lesão apresente um diâmetro maior do que 6 mm
     
  • Evolução: mudanças nas características da lesão ao longo do tempo (tamanho, forma, cor)
     

"Geralmente, essas alterações são percebidas pelo próprio paciente e são fundamentais para a identificação de possíveis lesões malignas. Caso algum dos sinais seja notado, é importante procurar um especialista de modo que seja possível o diagnóstico e tratamento correto", acrescenta Sheila Ferreira.
 

Tipos de câncer de pele 

De modo geral, o câncer de pele pode ser dividido em dois subtipos: o câncer de pele não melanoma (carcinoma basocelular e espinocelular), mais frequente, e o melanoma, mais raro, porém, mais agressivo. 

  • Carcinoma basocelular (CBC) - aparece nas células basais, que ficam na camada superior da pele. As regiões afetadas com maior frequência são: rosto, couro cabeludo, pescoço, costas e ombros. Pode se parecer com lesões não cancerígenas, como a psoríase ou eczema. É considerado o tipo mais prevalente de câncer de pele;
     
  • Carcinoma espinocelular (CEC) - costuma se manifestar nas células escamosas, presentes na camada superior da pele. Geralmente, aparece em áreas com sinais de dano solar, como rosto, orelhas, pescoço, couro cabeludo, entre outros, e tem aparência avermelhada - como se fosse uma ferida ou machucado. É o segundo tipo de câncer de pele mais comum;
     
  • Melanoma - tipo mais raro e com maior índice de mortalidade. Possui a aparência de "pinta" ou "sinal" em tons acastanhados. Embora seja mais comum o surgimento em áreas expostas ao Sol, o melanoma pode surgir em qualquer região do corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés. Estes casos ocorrem mais comumente em pessoas de pele negra.
     

Apesar de um diagnóstico assustador, vale lembrar que quando é descoberto precocemente, as chances de cura podem chegar a mais de 90%.
 

Existem fatores que aumentam a incidência do câncer de pele? 

Os principais fatores relacionados ao aumento da incidência do câncer de pele são: 

  • Ter pele, cabelos e olhos claros, ou pele que se queima com facilidade;
     
  • Ter história familiar ou antecedente pessoal de câncer de pele;
     
  • Exposição excessiva ao Sol de forma desprotegida, principalmente durante a infância e adolescência;
     
  • Exposição a câmaras de bronzeamento artificial;
     
  • Imunossupressão (pessoas com sistema imunológico deficiente).
     

"No caso de crianças e pessoas negras, o câncer de pele é considerado raro, mas pode ocorrer em qualquer indivíduo. Além disso, é necessário ficar de olho também se houver histórico familiar da doença. Caso o paciente note sinais ou pintas que mudam de cor, formato, ou tamanho, ou ainda feridas que não cicatrizam, sangram com facilidade, é fundamental procurar um especialista para a avaliação adequada", alerta a Dra. Sheila Ferreira.
 

Prevenção é tudo! 

Alguns cuidados podem ser adotados na prevenção do câncer de pele. A principal medida é a utilização do protetor solar. Ele deve ser usado diariamente, mesmo em dias nublados, com fator de proteção solar (FPS) de no mínimo 30. É importante também reaplicar o produto a cada 2 horas, principalmente em atividades ao ar livre. "O hábito de usar o protetor solar deve ser tão comum como o hábito de escovar os dentes todas as manhãs e deve ser estimulado desde a infância!", ressalta. Devemos nos proteger durante todo o ano, com atenção especial ao período do verão, em que a incidência dos raios ultravioleta (UV), nocivos à saúde, é mais prevalente. 

Além disso, outras medidas adicionais podem ser utilizadas, como uso de bonés, chapéus de aba larga, roupas e acessórios com fator de proteção solar contra os raios (UV), assim como evitar a exposição excessiva nos horários em que a incidência solar é mais intensa- entre às 10h e às 16h.
 

Diagnóstico e tratamento 

Uma coisa é fato: assim como para outros tipos de câncer, quanto antes o câncer de pele for diagnosticado maiores são as chances de sucesso no tratamento e cura. O diagnóstico é feito a partir do exame clínico em consultório, podendo ser necessários exames complementares que visualizem as camadas da pele e alterações suspeitas, além de biópsia. 

Segundo a oncologista da Oncoclínicas São Paulo, o tratamento vai depender do estágio da doença. "Na maioria dos casos, apenas a cirurgia é suficiente. A avaliação de um especialista é primordial, pois, em alguns casos, pode ser também necessário algum tratamento complementar como radioterapia, imunoterapia ou terapia alvo", explica. 

"Trazer informações sobre o assunto é fundamental para que cada vez mais pessoas conheçam os sinais do seu próprio corpo e consigam identificar alguma anormalidade da pele. Além disso, deve-se sempre destacar sobre a necessidade do uso do protetor solar diariamente, sendo ele uma das principais alternativas para a prevenção da doença que atinge milhares de pessoas todos os anos. A boa notícia é que, atualmente, temos diversas opções de tratamento e que as chances de cura aumentam muito quando o diagnóstico é feito em estágios iniciais, daí a importância de procurar precocemente auxílio médico na identificação de uma lesão suspeita", finaliza Sheila Ferreira.
  

Oncoclínicas&Co
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Combatendo a sarcopenia: a importância da massa muscular na saúde e longevidade

Médico ressalta a preocupação com sarcopenia precoce em adolescentes


A sarcopenia, caracterizada pela redução da força e massa muscular, é um desafio crescente, especialmente entre idosos. O Dr. André Camara de Oliveira, endocrinologista da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo – SBEM-SP, destaca a grande importância de manter uma boa massa muscular para promover a saúde e prevenir complicações associadas.

 

A massa muscular desempenha papéis cruciais no organismo, não se limitando à função motora, mas também influenciando a saúde óssea e hormonal. Atividades físicas regulares, combinadas com uma dieta equilibrada, são fundamentais para preservar a massa muscular e minimizar os riscos associados à sarcopenia.

 

“A perda de massa muscular não está ligada apenas ao envelhecimento; há preocupações crescentes sobre o estilo de vida sedentário em crianças e adolescentes, contribuindo para a sarcopenia precoce. A detecção precoce é essencial, e métodos de avaliação como DEXA (um tipo de densitometria com avaliação da massa corporal) e outros métodos de composição corporal ajudam a identificar alterações na massa muscular”, explica o médico.

 

Dr. Camara enfatiza a abordagem multidisciplinar no tratamento da sarcopenia. A nutrição desempenha um papel crucial, com uma dieta balanceada contendo proteínas, carboidratos e outros nutrientes essenciais. Suplementos como whey protein e albumina podem ser considerados quando a ingestão adequada não é alcançada. A creatinina não tem função de reposição e sim de diminuir o intervalo de recuperação entre séries na atividade física anaeróbica e aumentar desempenho físico.

 

A atividade física, tanto aeróbica quanto anaeróbica, é um componente-chave na prevenção da sarcopenia. “A variedade de exercícios, incluindo opções para aqueles que não gostam de musculação, é essencial. Reduzir o tempo sedentário é crucial para manter a saúde muscular e prevenir complicações relacionadas à inatividade”, diz o endocrinologista.

 

O especialista ressalta que, para maximizar os resultados em pacientes idosos, uma abordagem multidisciplinar, envolvendo orientação nutricional e treinamento adequado com profissionais qualificados, é crucial. O objetivo é envelhecer com saúde e qualidade de vida, e a atividade física desempenha um papel central nesse processo. 



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Diagnosticada com transtorno bipolar, artista formada na Unicamp fala sobre doença: “Existem armadilhas pelas quais tenho que navegar”

 Lucia Castelo Branco é formada em Artes Cênicas pela Unicamp e passou grande parte da sua vida entre idas e vindas em hospitais psiquiátricos; hoje, a artista vive na SIG - Residência Terapêutica e organiza sua vida entre lazer, trabalho artístico e saúde mental

 

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Transtorno Bipolar afeta mais de 140 milhões de pessoas em todo o mundo. A psicopatologia é muito associada à oscilação de humor, mas vai muito além: trata-se de um transtorno mental grave e com sintomas que diminuem consideravelmente a qualidade de vida do paciente. 

“Sintomas como irritabilidade, insônia, impulsividade e hiperatividade também são bastante comuns nos pacientes com esse tipo de transtorno. A euforia é comum nas pessoas que apresentam quadro de bipolaridade e, mais do que isso, elas podem tornar-se mais desinibidas e falar, por exemplo, sobre questões íntimas na frente de pessoas que não conhecem", explica o Dr. Ariel Lipman, médico psiquiatra e diretor da SIG - Residência Terapêutica. 

Aos 55 anos e diagnosticada com bipolaridade há três, Lúcia Castelo Branco, moradora da SIG, tem uma outra definição: “Sinto que, às vezes, quero dançar na chuva e, em outras, tudo que quero é sumir. A mudança é muito repentina, não é de um dia para o outro, é de um segundo para o outro. Existem gatilhos, armadilhas pelas quais tenho que sempre navegar, isso é a minha vida”, comenta. 

Apesar do recente diagnóstico, Lúcia já sabia que tinha algum transtorno mental há muito tempo. “Fui diagnosticada aos quarenta anos, durante um período de pré-depressão. Eu já tinha passado por depressão antes, quando minha mãe ainda estava viva. Comecei a tomar remédios cedo, mas demorou para entender exatamente o que eu tinha”, explica.

No início das experiências nas crises e dificuldades decorrentes, a moradora da SIG conta que foi rotulada como "louca", o que segundo ela, a revoltava e machucava muito. “Sabia que alguma coisa não estava bem, mas não conseguia entender o que acontecia comigo. Tinha tantos sonhos. Mais tarde, descobri sobre o transtorno bipolar e as consequências de não ser devidamente tratado, mas levou um tempo para eu aceitar”, relembra. “Eu amo a vida, mas lido com várias dificuldades causadas pelo transtorno”.
 

Amor pela arte 

Formada em Artes Cênicas pela Unicamp, Lucia é apaixonada pela área artística, já trabalhou como assistente cultural e já esteve envolvida com cinema, teatro e televisão. “Trabalhei na área artística por mais de 15 anos e gosto muito de escrever livros, principalmente poemas” , explica ela. 

O livro, no entanto, não é sua única paixão. “Eu gosto da dramaturgia, seja por meio de roteiro ou peças teatrais. Aliás, tenho duas peças escritas, uma chamada “ A menina Leila (Feia nos Calcanhares), Mudanças que fazem a diferença, e outra que se chama “Paz Mundial envolve a Terra em Arco Íris”, complementa. 

Nenhuma foi apresentada ainda, mas a artista também planeja fazer um podcast sobre ‘Leila’, que parece ser seu xodó e já está nas mãos de uma revisora. “Também estou escrevendo um livro sobre a SIG, com histórias dos moradores e entrevistas”, conta. 

Para seguir com os planos e continuar escrevendo, Lucia está planejando montar um estúdio em seu próprio quarto dentro da SIG, isso envolve estantes e uma mesa que facilite entrevistas, criando um “ambiente agradável”.

 

Além da arte 

Acima da mesa que fica no quarto de Lúcia, há um cronograma com o que ela faz cada dia da semana de manhã, de tarde e de noite, tudo muito organizado. “Faço educação física de manhã e relaxamento à tarde. Às quintas-feiras, tenho terapia online com uma profissional daqui. Na parte da noite assisto a vídeos, gosto de ouvir música e ler. Às vezes, faço arte também”, relata. 

Apesar da vida em uma residência terapêutica, a artista é uma moradora “exemplar”, como disse uma enfermeira que bateu na porta do quarto de Lúcia para entregar um de seus remédios, tanto, que ela tem total liberdade de sair da SIG sozinha. “Adoro ir ao cabeleireiro e fazer as unhas”, conta. 

Nessa agenda cheia, ela também encontra um tempo para fazer um curso online de francês para visitar a irmã, que mora em Paris. “O mundo é muito complicado, mas eu amo minha vida”, finaliza.


Dezembro Laranja: calor intenso reforça importância dos cuidados com a pele

 

Campanha inicia no início do próximo mês e chama atenção para a prevenção do Câncer de Pele, responsável por 185 mil novos casos no Brasil anualmente

 

Este ano, o calor intenso chegou em meados de novembro, antes da abertura oficial do verão, levando os termômetros no Brasil a marcar a temperatura média de 40º. Um motivo a mais para investir nos cuidados com a saúde, incluindo a da pele. No início do mês, a campanha Dezembro Laranja, da Sociedade Brasileira de Dermatologia,  reforça essas orientações e chama a atenção da população sobre a importância de prevenir o Câncer de Pele. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, a cada ano são registrados no país cerca de 185 mil novos casos de câncer não melanoma, o mais comum no Brasil, responsável por 33% dos diagnósticos. 

Segundo a dermatologista da Rede Mater Dei de Saúde, Natália de Paiva Sobreira, o principal fator de risco para a doença é, justamente, a exposição à radiação ultravioleta. Há outros, como história pessoal ou familiar deste câncer; pessoas de pele clara e suscetíveis a queimaduras solares; uso de medicamentos que podem comprometer a imunidade e presença de uma grande quantidade de pintas pelo corpo. Segundo ela, deve-se evitar a exposição solar, especialmente nos horários em que os raios solares são mais intensos, entre 10h e 16h. 

Outro hábito fundamental é o uso protetor solar, que deve ter fator de proteção igual ou superior a 30. “É crucial ressaltar que o uso diário de filtros solares é essencial ao se expor ao sol, não devendo ser limitado apenas aos momentos de lazer ou diversão. Recomenda-se reaplicar o produto a cada duas horas durante atividades ao ar livre. Para o uso cotidiano, é aconselhável aplicar uma quantidade adequada pela manhã e fazer uma reaplicação no horário do almoço”, explica. Além disso, sempre que possível, é recomendável o uso de roupas adequadas que cubram toda a pele, bem como o uso de chapéus/bonés de abas largas, sombrinhas e guarda-sol”, explica. 

Ainda entre as ações preventivas, a médica alerta que é importante agendar consultas anuais com um dermatologista para exames completos, manter uma dieta saudável, parar de fumar e evitar o uso de câmaras de bronzeamento artificial. Também é necessário observar regularmente a própria pele. “Essa prática regular possibilita uma identificação precoce de possíveis sintomas, aumentando as chances de um diagnóstico em estágios iniciais da doença. Mas apenas um exame clínico realizado por um médico especializado ou uma biópsia podem confirmar o diagnóstico do câncer de pele”, recomenda.

O ideal é buscar orientação médica quando surgirem sinais como: lesões na pele com aparência elevada e brilhante, podendo apresentar coloração avermelhada, castanha, rósea ou multicolorida, e que sangra facilmente. Lesões de pele que apresentam cor (pigmento) que são Assimétricas, possuem Bordas irregulares, mais de uma Cor, Diâmetro maior que 6mm (regra do ABCD) e modificaram/cresceram também devem ser acompanhadas.

 

Tipos de câncer e tratamentos 

Existem três tipos principais de câncer de pele. O carcinoma basocelular (CBC) é o mais comum e o menos agressivo e se apresenta como lesões que se assemelham a feridas que não cicatrizam ou até, mesmo, nódulos com uma evolução lenta. Geralmente, esses tumores surgem em áreas frequentemente expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. Também comum, o carcinoma espinocelular (CEC) aparece em áreas expostas ao sol e, em alguns casos, está associado a feridas crônicas e cicatrizes na pele. Esses carcinomas geralmente apresentam coloração avermelhada e se manifestam na forma de machucados ou feridas persistentes, que podem ocasionalmente sangrar. 

Já o melanoma é o tipo mais grave de câncer de pele, pode surgir em qualquer parte do corpo, manifestando-se como manchas, pintas ou sinais de tons acastanhados ou enegrecidos, com formato irregular e propensos a sangramento. Essas lesões podem ocorrer em áreas de difícil visualização pelo paciente, sendo mais comuns nas pernas das mulheres e no tronco dos homens. 

O tratamento do câncer de pele varia de acordo com o tipo, extensão, agressividade, localização do tumor, bem como a idade e o estado geral de saúde do paciente. As modalidades mais utilizadas incluem a cirurgia excisional e a Cirurgia Micrográfica de Mohs, na qual o cirurgião retira o tumor e analisa o material ao microscópio, preservando boa parte dos tecidos saudáveis. Além das abordagens cirúrgicas, a radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e medicamentos orais e tópicos são opções adicionais de tratamento. Se não diagnosticados e tratados corretamente os Carcinomas espinocelulares e os melanomas podem se desenvolver e gerar metástases (acometimento de outro órgão), podendo ser fatal. 

 

Rede Mater Dei de Saúde

 

Dezembro Laranja

No mês em que a estação mais quente do ano começa, SBMN chama a atenção para o diagnóstico do câncer de pele 

Entidade aconselha evitar excesso de exposição solar, mesmo com proteção, e procurar um médico em caso de manchas suspeitas

 

No mês em que a estação mais quente do ano começa no Brasil e o hábito de se expor ao sol aumenta, a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) reforça a importância da campanha ‘Dezembro Laranja’, que se propõe a incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele. 

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2023-2025, há cerca de 704 mil novos casos de tumores no Brasil. A exposição prolongada à radiação ultravioleta (UVA) faz com que os tumores de pele sejam os mais frequentes no país, correspondendo a 30% das neoplasias malignas registradas. 

Os melanomas são um tipo de câncer de pele que, apesar de serem menos frequentes, têm um potencial de malignidade dos mais severos e exigem maior atenção ao diagnóstico, além de demandarem tratamento intensificado. Já os chamados não melanoma são os tumores de pele mais comuns, que apresentam baixa letalidade. A faixa etária mais acometida é a de 50 a 69 anos, seguida pela de 70 anos ou mais. 

A Dra. Adelina Sanches, diretora da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), afirma que o primeiro diagnóstico pode ser feito a olho nu: “De modo geral, para prevenção e detecção de neoplasias de pele, existem os parâmetros de assimetria, borda, cor e evolução. Ou seja, uma mancha passa a ser suspeita quando é assimétrica, com bordas irregulares, coloração mais escura em diferentes tons e apresentando crescimento rápido ou sangramento”. 

Além disso, a Dra. Adelina destaca a medicina nuclear como uma aliada no diagnóstico e monitoramento dos tratamentos da doença, apontando várias técnicas que avaliam o grau de disseminação, ou identificam as metástases, bem como se as terapias aplicadas estão sendo efetivas. "O exame PET-CT rastreia a doença com muita precisão em todo o corpo e avalia a eventual redução da doença após terapias revolucionárias como a imunoterapia". A Diretora da SBMN ainda reforça: "se antes, o melanoma matava pessoas em um horizonte temporal de cerca de seis meses, agora, as especialidades (dermatologia, cirurgia oncológica, oncologia e medicina nuclear) unem esforços para que o paciente viva muitos e muitos anos" 

Por fim, a Dra. Adelina reforça que o câncer de pele possui cura, mas são necessárias medidas para preveni-lo: “Utilizar, diariamente, o protetor solar, com fator de proteção (FPS) 30 ou superior é um fator essencial. Ele deve ser reaplicado a cada três horas, ou mais vezes, se você estiver se molhando ou transpirando. Usar roupas protetoras, como chapéus, óculos escuros e camisetas de manga comprida e evitar exposição prolongada ao sol, especialmente entre as 10h e às 16h, quando a radiação ultravioleta é mais intensa”. A diretora da SBMN finaliza mandando uma mensagem de suma importância: “Hoje o câncer de pele tem cura, portanto, se desconfiar de alguma mancha, procure um médico imediatamente”.

 

Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear - SBMN



Médico de família pode resolver 85% das queixas mais comuns dos pacientes

 

Com proximidade dos moradores, médico de família e
comunidade atende 85% das demandas dos pacientes 
Pavel Danilyuk-Pexels 

Especialista cuida das pessoas ao longo da vida, em vez de apenas tratar doenças; Dia Nacional do Médico de Família e Comunidade é celebrado em 05/12

 

Cerca de 85% das queixas dos pacientes que chegam às Unidades Básicas de Saúde e aos hospitais públicos brasileiros podem ser resolvidas pelo médico de família e comunidade, que costuma ter uma relação mais próxima e vínculo de confiança com os moradores locais. A informação é da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, órgão ligado ao Ministério da Saúde. 

Dados semelhantes também são compartilhados pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). Segundo a entidade, a atenção primária cuida das pessoas e pode atender de 80% a 90% das necessidades de saúde de um indivíduo ao longo de sua vida. 

Para lembrar a importância e o trabalho desses profissionais, existe o Dia Nacional do Médico de Família e Comunidade, celebrado em 05 de dezembro. A data valoriza quem atua na atenção primária nos sistemas de saúde em todo Brasil.

 

O que faz o médico de família?

“Ainda tem uma confusão entre médico de família e clínico geral, mas são funções diferentes. Enquanto o segundo trata especificamente da doença, o primeiro tem o foco na pessoa e na raiz do que pode estar causando o problema”, explica a coordenadora adjunta do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), Taísa Navasconi Berbert. 

Além dos sintomas, o estilo de vida, os hábitos, as emoções, as condições de trabalho e a moradia são levados em conta para que o médico de família e comunidade aponte um diagnóstico. 

“O indivíduo é analisado de forma integral, em uma abordagem biopsicossocial, justamente porque todos esses fatores podem estar relacionados à saúde e nem sempre as pessoas estão conscientes disso”, destaca Taísa.

 

Onde atua?

Segundo a OPAS, o médico de família e comunidade pode atuar em unidades de atenção primária à saúde, consultórios privados, serviços de emergência, hospitais, serviços de medicina paliativa e atender equipes de população de rua. 

Os atendimentos mais comuns estão relacionados às consultas de rotina, check-ups, queixas ginecológicas, doenças crônicas, questões de saúde mental, uso de substâncias químicas, dores crônicas, falta de ar e taquicardia. Quando o problema exige cirurgia, tratamento oncológico ou se revela uma doença rara, é preciso encaminhar para outros especialistas.

 

O que precisa para ser médico de família?

Para atuar como médico de família e comunidade é preciso concluir os seis anos de estudos em medicina e ainda fazer uma residência de dois anos na área. Durante esse período, o profissional vai aprofundar seus conhecimentos em temas como saúde coletiva, medicina preventiva e epidemiologia. 

“Escolhi essa área por ver o paciente de forma integral e ficar próximo da realidade onde ele vive. Assim, criamos um vínculo para que seja tomado decisões centradas no paciente e não na doença”, explica Alan Eduardo Tavares Martin, que atua como médico de família e comunidade na Prefeitura Municipal de Campo Mourão, no curso de Medicina do Integrado e numa empresa de plano de saúde. 

“Nesta profissão, vínculo significa confiança. Assim, compreendemos a dimensão dos problemas individuais e coletivos e buscamos as melhores estratégias de intervenção”, destaca Camila Gomes Braga, que é responsável pela Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura de Campo Mourão, supervisora do Programa de Residência Médica da Santa Casa de Misericórdia do mesmo município e docente no Integrado.

 

Prática desde cedo

Para que os estudantes de Medicina do Centro Universitário Integrado se familiarizem com essa prática de trabalho, eles realizam diferentes atendimentos – sob monitoria dos professores – ao longo da graduação. Só no ambulatório da instituição de ensino, foram 21.635 atendimentos desde 2020. 

Dos 53 acadêmicos que vão fazer a Colação de Grau em Medicina, no dia 1º de dezembro, todos já realizaram esses atendimentos à população durante o período de internato.                                       

Outra atividade como essa é feita para os moradores do Lar de Idosos São Joaquim e Sant’Ana de Campo Mourão. Toda semana, um médico geriatra e os acadêmicos visitam os idosos e fazem atendimentos gratuitos no próprio local. 

A instituição de ensino patrocina a mão de obra do profissional geriatra, custeia os insumos utilizados nos atendimentos, proporciona acesso à saúde de qualidade e promove o bem-estar aos residentes do local. 

“Outro bom motivo para atuar como médico de família e comunidade é a expansão do mercado de trabalho, que tem boas oportunidades de emprego”, complementa Taísa Navasconi Berbert.

 

 Centro Universitário Integrado

 

Quando o ganho de peso durante a gravidez passa a ser excessivo

Problemas, como diabetes, hipertensão e pré-eclâmpsia podem surgir caso a mulher esteja com um peso acima do que o recomendado na gestação 

 

Muitas mulheres têm o receio de ganhar peso durante a gravidez. O que é totalmente comum, já que existe o peso do feto, um aumento da reserva de gordura no corpo, que é utilizada em momentos de jejum, aumento de peso do útero e também das mamas, além da retenção de líquidos. Ganhar alguns quilos a mais faz parte do processo, o problema surge quando há um ganho excessivo de peso, que pode trazer malefícios à saúde da mãe e do bebê, ainda mais se estiverem associados a outras comorbidades.

No primeiro mês de gestação, o ganho de peso é quase discreto, no segundo fica mais aparente e a partir do terceiro mês é quando a maior parte dos quilos começam a ser adquiridos. “Por meio do IMC - Índice de Massa Corporal, podemos ter uma noção se o peso que a mãe está ganhando, está dentro do esperado ou não. Para se ter uma ideia, quem está com o peso corporal adequado, deve ganhar entre 11 a 14 kg até o parto”, comentou a Dra. Ana Carolina Romanini, ginecologista especializada em saúde da mulher na Clínica Ginelife.

Quando o aumento dos quilos neste período passa a ser fora do recomendado, não só a saúde da mãe pode ficar comprometida como também a do feto. Quando este problema está associado a outras doenças, como diabetes e hipertensão, a preocupação fica ainda maior, porque a mulher corre o risco de desenvolver pré-eclâmpsia, que pode gerar convulsões e picos de pressão alta, podendo até mesmo levar à morte materna.  

“O hipotálamo, que fica localizado no cérebro, atua na regulação de sede e apetite, além de ser um dos locais em que opera a progesterona, um dos principais hormônios femininos. Durante a gestação, a progesterona fica ainda mais abundante, sendo um dos fatores que estimula o ganho de peso. Por isso, é sempre importante o acompanhamento médico para manter e cuidar da saúde da mãe e do bebê", explicou a ginecologista.


Alimentação durante a gravidez

Durante a gestação é comum que as mulheres tenham desejos alimentares incomuns e às vezes até diferente do paladar que era de costume. É muito importante ter um acompanhamento nutricional, pois muitas vezes ignorar esses desejos ou comê-los sem equilíbrio pode desencadear deficiências nutricionais e até doenças, prejudicando a mãe e o bebe. 

“Numa dieta equilibrada, podemos liberar alimentos mais calóricos, gordurosos e adoçados desde que sejam consumidos moderadamente e na mesma refeição que alimentos saudáveis, que contenham proteínas, fibras e gordura boa, entregando nutricionalmente o que a grávida e o bebê precisam”, comentou Gaby Esteves, nutricionista na Clínica Ginelife.

Para evitar o excesso de peso durante a gravidez e preservar a sua própria saúde e a do feto, as mamães devem optar por uma alimentação rica em fibras e proteínas, que ajudam na digestão e também a deixam saciada por um período maior. Evitando consumir alimentos industrializados e doces, que prejudicam a saúde até mesmo em pequenas quantidades.

O exercício físico deve ser praticado durante a gravidez: caminhada, natação, ioga e musculação são algumas atividades leves indicadas, exceto em casos que haja proibição médica. Caso sinta náusea, fadiga e qualquer outro sintoma durante o exercício físico, pare o exercício e comunique o seu médico. Alguns desconfortos podem ser amenizados com uma alimentação correta antes dos treinos, que deve sempre ter orientação de um educador físico. 

“Os suplementos alimentares também podem ajudar alguns sintomas ruins da gestação, mas devem ser utilizados com orientação e segurança, portanto o acompanhamento nutricional nesta fase importante da vida da mulher é bastante indicado”, finalizou a nutricionista. 



Dra. Ana Carolina Romanini - ginecologista na Clínica Ginelife. Formada em Medicina, residência em Ginecologia e Obstetrícia e especialização em Videoendoscopia Ginecológica pela Faculdade de Medicina do ABC. Título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Título de especialista em Endoscopia Ginecológica pela Associação Médica Brasileira e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Médica preceptora do setor de Videoendoscopia Ginecológica no Hospital Estadual Mário Covas.


Gaby Esteves - nutricionista na Clínica Ginelife. Formada no Centro Universitário São Camilo em 2003. Pós-graduada em Nutrição Clínica pelo Centro Universitário São Camilo em 2006. Especialista em Suplementação Nutricional pelo Centro VP em 2008. Atendimento em consultório com ênfase em cirurgia bariátrica, doenças intestinais e cardiologia desde 2004. Atendimento em consultório com ênfase em endometriose, menopausa, gestação e SOP desde 2021. Nutricionista do ambulatório de dor pélvica crônica e endometriose da Ginecologia da Faculdade de Medicina da Fundação ABC. Nutricionista Parceira da TV Gazeta em programas televisivos desde 2003.

 

Nove dicas para aumentar as chances de engravidar

De acordo com especialistas, é comum que casais saudáveis demorem até um ano para engravidar, porém, alguns cuidados e atitudes podem dar um empurrãozinho no processo


Fim de ano chegando e muitas pessoas já começam a fazer planos para 2024. Trocar de emprego, comprar um carro, viajar, e, para alguns, ter um bebê!

Mas, esse momento de expectativa pela chegada do novo membro da família pode dar lugar à frustração com o passar do tempo, principalmente para aqueles que estão mais ansiosos.

Estimativas apontam que cerca de um terço dos casais engravide já no primeiro mês de tentativas, porém, para alguns esse período de espera pode se prolongar por meses – e até anos.

De acordo com Marcelo Nunes dos Santos, gerente Médico da Maternidade São Luiz Star, em São Paulo, são vários os fatores que podem interferir nesse período de espera, como por exemplo, estilo de vida, hábitos diários, fatores psicológicos e doenças (hormonais, anatômicas, autoimunes, genéticas e infecciosas).

Cuidadosamente projetada para atender pacientes e familiares em um dos momentos mais especiais de suas vidas, a Maternidade Star reúne toda a expertise do Hospital São Luiz, um dos mais tradicionais de São Paulo, com o serviço premium da Rede D’Or.

“Apesar de ser comum que casais saudáveis e com menos de 35 anos demorem até um ano para engravidar, dependendo da ansiedade e idade, é indicado iniciar uma investigação mais específica em busca de alguma alteração”, destaca o especialista.


Confira nove dicas para aumentar as chances de gravidez:



- Check-up geral

É importante que os exames clínicos e ginecológicos estejam em dia. Entre os pontos de atenção para as “tentantes” (mulheres tentando engravidar), estão também os exames hormonais e de imagem.

Com eles é possível avaliar, por exemplo, patologias como a Síndrome do Ovário Policístico (SOP), que aumenta a incidência de diabetes gestacional, ou alguma alteração anatômica que dificulte ou impeça a gestação, tais como miomas ou endometriose.



- Saúde do homem


É essencial que o homem entenda que está diretamente relacionado com esse processo e procure um urologista para avaliação. Com exames simples, é possível identificar possíveis infecções que afetam a fertilidade.

“Um dos exames indicados nessa fase é a coleta do espermograma, que detecta qualquer anormalidade na qualidade ou na quantidade do sêmen”, exemplifica o médico.



- Apoio psicológico

Com o passar dos meses é comum que o ciclo de expectativa e frustração traga um desgaste psicológico. De acordo com Dr. Marcelo, “em torno de 10% dos quadros de Infertilidade são Sem Causa Aparente (ISCA), e muitas vezes envolvem fatores psicológicos que podem dificultar a gestação”.

Por isso, conversar com um especialista sobre as dificuldades enfrentadas, os sentimentos e a atual fase do relacionamento pode ajudar.



- Atenção com a vacinação


Outro ponto importante é manter a vacinação atualizada, para proteger o organismo da mulher, e o bebê, durante a gravidez.

Atenção especial para as vacinas que não podem ser aplicadas durante o período gestacional, como por exemplo, da rubéola.



- Uso de medicamentos:


O uso de medicamentos durante o processo de tentativa e de gestação merece atenção, já que todas as substâncias que a mulher ingere terão contato com o bebê por meio da placenta.

Além disso, o uso de algumas substâncias pode levar, em casos mais extremos, a malformações e abortos. Por isso, o uso, troca ou adaptação de medicamentos deve ser avaliado por um especialista.



- Hábitos saudáveis

Manter uma boa alimentação, com variedade e qualidade, e a realização de exercícios físicos são ações essenciais para o bom funcionamento do organismo de forma geral, deixando o corpo mais saudável e forte para o processo gestacional.

Essas atitudes também são essenciais para evitar doenças comuns, mas de alto risco nas gestações, como hipertensão e diabetes, e ajudam a preparar o corpo para o momento do parto. Por isso, atenção com seus hábitos!



- Suplementação


Gerar uma nova vida exige muito do organismo da mulher. Em alguns casos, além da alimentação, pode ser necessário o uso de suplementos, como o metil folato, ácido fólico em sua forma ativa.

Esse elemento é fundamental para a formação da estrutura embrionária que dá origem ao cérebro, medula espinhal e sistema nervoso do bebê, e seu consumo deve se iniciar de preferência antes do período gestacional.

Mas atenção, o uso desta, e outras substâncias, deve ser realizado apenas com orientação médica.



- Atenção à saúde


É comum focar, ao menos inicialmente, apenas em questões relacionadas ao sistema reprodutivo. No entanto, diversas condições clínicas podem afetar a fertilidade ou processo de desenvolvimento do bebê.


Caso tenha doenças pré-existentes, é importante manter o acompanhamento em dia.

“Pesquisar sobre outras situações de risco, como casos de trombofilia na família, tratar anemias ou infecções são alguns pontos importantes. Também sempre avise seu médico sobre cirurgias anteriores no útero para traçar o melhor caminho na gestação", completa Marcelo Nunes.



- Informação e preparação

Aproveite esse período de “preparação” para aprender sobre todas as mudanças que podem ocorrer durante a gravidez e as opções de parto. Informação é essencial para a tomada de decisões sobre o esse momento tão aguardado.

Conversar com profissionais e esclarecer as dúvidas pode aliviar a sensação de insegurança e ansiedade. Cuidado também com mitos e crenças populares, que atrapalham o processo.

“São muitas informações equivocadas que circulam como afirmar que o uso de anticoncepcional retarda a gestação, que não pode ter relação sexual todos os dias, ou que determinada posição aumenta as chances de fecundação. São mitos que pressionam ainda mais o psicológico de quem está tentando engravidar, por isso, busque sempre informação com especialistas”, finaliza o especialista.


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