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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Pesquisadores se unem para melhoria do tratamento de chikungunya


II Encontro da Rede Replick apresentou avanços no conhecimento sobre a doença para melhoria do diagnóstico e tratamentos que poderão ser incorporados pelo Sistema Único de Saúde (SUS)


Pesquisadores e autoridades em saúde pública, inclusive do Ministério da Saúde, se reuniram nesta semana para compartilhar e aprofundar os conhecimentos sobre a ocorrência da doença chikungunya no Brasil. A reunião ocorreu durante o Encontro de Investigadores da Rede de Pesquisa Clínica Aplicada a Chikungunya (Replick), promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), no Rio de Janeiro (RJ), entre os dias 8, 9 e 10 de janeiro. O objetivo foi prover evidências de qualidade para guiar estratégias e políticas de atenção à saúde para a doença em todo território nacional.

A infecção pelo chikungunya, um dos vírus transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti, impõe muitos desafios ao sistema de saúde, como a sobrecarga dos serviços de saúde. Essa é uma doença relativamente nova já que os primeiros casos no país foram registrados em 2014. A doença apresenta elevado número de pacientes com dor persistente e incapacitantes nas articulações e pouco conhecimento dos fatores relacionados ao óbito. Por isso, o foco do encontro foi apresentar os avanços no conhecimento sobre o tema e as propostas para melhor a condução e o tratamento dos casos, com a perspectiva de reduzir o sofrimento da população afetada.

"Nessa gestão temos buscado investir em projetos de pesquisa estruturantes e inovadores para a saúde do Brasil. Em 2019, o Ministério da Saúde fez o maior investimento em pesquisas para doenças negligenciadas.  A Rede Replick também faz parte dessas iniciativas e tem por objetivos buscar as melhores repostas, a partir de evidências científicas, para o tratamento e acompanhamento dos pacientes com chikungunya", destacou o secretário substituto da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Júlio Croda, durante a abertura do evento. 

A Rede Replick é um consórcio de estudos clínicos aplicados à chikungunya que envolve 11 centros de pesquisa de nove estados brasileiros (RJ, BA, MS, SP, CE, PE, PR, AM e RR). A Rede é coordenada pela Fiocruz, no Rio de Janeiro, e conta com o apoio do Ministério da Saúde, por meio das Secretárias de Vigilância em Saúde (SVS) e de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE).


INVESTIMENTO EM PESQUISAS 

Em julho de 2019, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou três chamadas públicas de pesquisa em doenças transmissíveis e negligenciadas, no valor total de R$ 50 milhões. Esse foi o maior investimento já feito pela pasta nesta temática em um mesmo ano. Foram investidos R$ 24 milhões para pesquisas sobre doenças transmissíveis e negligenciadas; R$ 10 milhões exclusivamente para pesquisas sobre malária; e R$ 16 milhões para estudos destinados à tuberculose. 

Além desses recursos, em novembro, o Ministério da Saúde lançou edital US$ 20 milhões, em parceria com a com a Unitaid, para financiar pesquisas em doença de Chagas. Para a Rede Replick foram investidos 9,5 milhões para a pesquisa e 1,8 milhão para estruturação do Biobanco. 


SOBRE A CHIKUNGUNYA

Desde a sua introdução, no ano de 2014, os casos e óbitos da doença se concentraram na região Nordeste, com destaque para o Ceará, em 2017. Em 2018 e 2019, os casos se concentraram no estado do Rio de Janeiro e, pela primeira vez, uma epidemia importante foi registrada na região sudeste do país.

Os sintomas da infecção por Chikungunya começam com febre, dor de cabeça, mal-estar, dores pelo corpo e muita dor nas juntas (joelhos, cotovelos, tornozelos, etc), em geral, dos dois lados, podendo também apresentar, em alguns casos, manchas vermelhas ou bolhas pelo corpo. O quadro agudo dura até 15 dias e cura espontaneamente. Algumas pessoas podem desenvolver um quadro pós-agudo e crônico com dores nas juntas que duram meses ou anos.

Em 2019, até 18 de dezembro, foram registrados 130,8 mil casos de chikungunya no país, com uma incidência de 62,3 casos/100 mil hab. Em 2018, foram 84,2 mil casos – uma redução de 55%.




Jessica Cerilo e Aedê Gomes 


Agência Saúde


Nova droga aprovada nos EUA traz esperança para o tratamento do câncer de mama



O FDA, agência dos Estados Unidos que controla alimentos e medicamentos, aprovou esta semana uma nova terapia biológica para o tratamento do câncer de mama HER2 positivo. A droga chamada trastuzumabe deruxtecan está sendo testada em pacientes americanos e também em nove pacientes tratados no Hospital Conceição, em Porto Alegre (RS), todos acompanhados por pesquisador da Sociedade Brasileira de Mastologia. Em breve, a droga deverá ser aprovada pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) e poderá ser utilizada em pacientes brasileiras.

De acordo com o coordenador do Serviço de Mastologia e da Pesquisa Clínica do Hospital Conceição e diretor da Sociedade Brasileira de Mastologia, José Luiz Pedrini, trata-se de uma nova esperança na ajuda daquelas mulheres que têm o retorno da doença após esgotar vários tratamentos sem sucesso em câncer de mama HER2 positivo metastático.

“Esta é uma terapia biológica, que combina um anticorpo – espécie de vacina- com um quimioterápico dirigido à célula tumoral e com efeitos colaterais bem controlados, deixando uma qualidade de vida mais aceitável”, explica o pesquisador, completando que a droga possibilita que as mulheres fiquem em condições físicas e psíquicas para manter um relacionamento social estabilizado.

O médico explica que na maioria das pacientes não houve grande perda dos cabelos e os sintomas foram amenizados. “Algumas já tinham feito mais de oito tipos diferentes de tratamentos químicos com recaídas e agora com esse medicamento houve redução de até 60% da doença. Os resultados mostram que esse tratamento respondeu melhor e é menos tóxico”, completa Pedrini.

Nesta fase do estudo, estão sendo colocados pacientes que tiveram progressão da doença mesmo após esgotados os tratamentos iniciais para câncer de mama metastático HER2 positivo, um tipo de tumor que costuma ser mais agressivo, ou seja, crescem e se disseminam mais rapidamente do que outros tipos de câncer e devem ser tratados com medicamentos específicos. Atualmente, são tratados através da terapia-alvo, que atinge somente a célula tumoral, minimizando os efeitos tóxicos ao restante do organismo.

A nova cara do Autismo


Uma das maiores dificuldades das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), de seus familiares e dos demais responsáveis legais é exercer os direitos previstos em lei, principalmente aqueles inerentes a atendimentos preferenciais e meias entradas nos estabelecimentos públicos, em razão da não característica física aparente, pelo menos nos autistas leves e moderados num primeiro momento. Para tanto, algumas pessoas carregam os laudos médicos, outras, carteirinhas de associações. Mas existem algumas cidades que já evoluíram nesse quesito, elaborando legislações regionais de identificação.

Com a sanção presidencial do PL 2573 de 2019 e a entrada em vigor da Lei batizada como Romeo Mion, esse deixará de ser um problema em todo o país e passaremos a contar com um documento de identificação oficial de âmbito nacional, o que permitirá mais autenticidade e legitimidade para o exercício das garantias legais. Com certeza, um importante avanço na nossa legislação!

Além disso, o projeto prevê conteúdos obrigatórios nessa identificação, como endereço, tipo sanguíneo, telefone e e-mail do portador e de seu responsável, que com absoluta certeza auxiliará a todos em situações de emergência tão comuns e aflitantes, tendo em vista que muitos autistas que se perdem mal se comunicam.

O projeto ainda prevê proteções no tocante a identificação para os estrangeiros autistas que, por alguma razão, estão em nosso país, não importando o motivo.
Como função secundária, mas não menos importante, o projeto ratifica a ideia e a necessidade de termos números oficiais a respeito da quantidade de autistas vivendo no Brasil.

Por fim, vale destacar que todos esses avanços legislativos decorrem de tratados de direito internacional que o Brasil foi signatário e de esforços significativos de familiares e associações de autistas que visam com as leis uma mudança comportamental e cultural da sociedade.

Como diretor do Instituto de Educação e Análise do Comportamento (IEAC), advogado especialista em Direitos Sociais e também pai de uma criança autista, espero ansiosamente para que essa lei passe a vigorar. Assim, não terei mais de apresentar laudos médicos e passar por situações desagradáveis e constrangedoras em diferentes estabelecimentos.




Diogo Freitas - advogado especialista em Direitos Sociais, professor pós-graduado em Docência do Ensino Superior, Mestre em Direito Público, autor de livro e diretor do IEAC (Instituto de Educação e Análise do Comportamento), além de pai de um menino autista.  


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