Promessas exageradas e simplificação excessiva estão entre os principais riscos apontados
O avanço acelerado de novas tecnologias, terapias e dispositivos
médicos tem ampliado o papel do marketing na área da saúde. Nesse contexto, a
comunicação tornou-se uma ferramenta essencial para difundir conhecimento,
estimular a adoção de inovações e aproximar profissionais, pacientes e
instituições. Ao mesmo tempo, cresce um debate cada vez mais necessário: até
onde o marketing pode ir sem comprometer a ética, a ciência e a segurança do
paciente?
Segundo Christine Vieira Garrido, enfermeira especialista em saúde e marketing estratégico, o limite ético está diretamente ligado à forma como as descobertas são apresentadas ao mercado. “Na saúde, marketing não pode ser tratado como ferramenta de convencimento. Ele precisa funcionar como um instrumento de tradução responsável da ciência, respeitando indicações e limitações”, afirma.
Christine destaca que o risco aumenta quando estratégias comerciais
se sobrepõem ao rigor científico. Promessas exageradas, linguagem absolutista e
comparações fazem parte desse problema. “Quando a comunicação cria expectativas
irreais, ela pressiona profissionais de saúde, influencia decisões clínicas e
pode comprometer a confiança do paciente”, alerta.
O cenário digital intensifica ainda mais esse desafio. Redes
sociais, influenciadores e conteúdos patrocinados ampliaram o alcance das
mensagens, muitas vezes sem o devido contexto técnico ou regulatório. “O
problema não está na divulgação da inovação, mas na simplificação excessiva.
Saúde não é um produto de consumo comum”, explica a especialista.
Christine também chama atenção para algumas das principais
proibições que regem a comunicação na área da saúde. Entre as principais
restrições estão:
- Promessa de resultados: é proibido garantir, prometer ou insinuar bons resultados de
tratamentos médicos;
- Propaganda em consultórios: médicos não podem realizar propagandas ou divulgar materiais
publicitários em consultórios ou em estabelecimentos de saúde onde atuam
como investidores;
- Divulgação de preços: não é
autorizada a divulgação de valores, condições de pagamento ou descontos
para consultas e tratamentos;
- Propaganda de equipamentos: é proibido anunciar aparelhagens de forma que atribuam
vantagem ou capacidade privilegiada aos médicos.
Respeitar esses limites é parte fundamental de um marketing verdadeiramente ético. A atuação responsável deve se apoiar em evidências científicas validadas e conformidade regulatória, com comunicação transparente sobre benefícios, riscos e indicações clínicas.
“A longo prazo, a ética não freia a inovação, ela dá sustentação a
ela. Quando o marketing respeita seus limites, protege o paciente, fortalece o
profissional de saúde e preserva a credibilidade”, conclui.

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