Da Páscoa ao
calendário completo de datas comemorativas, o setor amplia caminhos para quem
quer empreender
Durante muito tempo, a Páscoa foi tratada como o
principal momento de oportunidade para a confeitaria. Embora siga como uma das
datas mais relevantes do calendário, em 2026 o cenário se amplia: o doce deixa
de ser apenas um produto sazonal e passa a integrar a economia criativa, o
empreendedorismo individual e novas formas de consumo afetivo.
Nesse contexto, a confeitaria se mostra menos
dependente de uma única data e mais conectada a movimentos culturais,
econômicos e comportamentais. Páscoa, Copa do Mundo, Festas Juninas e Natal
passam a compor um ecossistema contínuo de oportunidades ao longo do ano, sem
esgotar o potencial do calendário.
“Quando a confeitaria passa a ser vista como um
negócio, e não apenas como uma renda pontual, o calendário deixa de girar em torno
de uma única data. O desafio é ajudar as pessoas a enxergarem essas
oportunidades e se prepararem para elas”, afirma Jonatas Fróes, gerente de
comunicação da Harald, empresa líder nacional em
chocolates e coberturas para o mercado profissional.
Páscoa: mais do que ovos, um
motor de profissionalização
A Páscoa continua a ocupar a principal porta de
entrada dos brasileiros no universo da confeitaria. O aumento no consumo de
chocolate, a tradição dos presentes e a alta demanda por produtos artesanais
criam um ambiente favorável para geração de renda extra e se consolidam como
um motor de profissionalização.
“Nos últimos anos, a Páscoa passou a funcionar como
um momento de aprendizado acelerado. Pessoas que nunca produziram doces começam
a desenvolver técnicas, testar preços, entender logística, embalagem, canais de
venda e estratégias. O que antes era uma produção pontual passou a ser encarado
como uma operação, ainda que temporária, e esse contato inicial com a lógica
empreendedora é decisivo para a continuidade do negócio”, explica Fróes.
Ovos recheados, versões autorais e kits
presenteáveis ganham espaço, enquanto a pré-venda se consolida como estratégia
para organizar a produção e antecipar vendas. Nesse contexto, surgem também
propostas, como ovos acompanhados de acessórios para finalização em casa, que
ampliam o valor percebido e posicionam o produto como opção de presente.
“O que temos observado é que a Páscoa funciona como
um grande laboratório. Quem entra neste período entende rapidamente o
funcionamento da operação, aprende a precificar, organizar a produção e vender
com mais eficiência. Quando essa dinâmica gera boa lucratividade, fica claro
que dá para ir muito além e transformar um negócio pensado apenas para essa
sazonalidade em algo rentável ao longo de todo o ano”, complementa o executivo.
Copa do Mundo, “Brazilian
Core” e o doce como elo cultural
Em 2026, a Copa do Mundo amplia o calendário da
confeitaria e reforça a valorização da cultura brasileira, impulsionada pela
estética “Brazilian Core”. Durante o evento, os doces passam a integrar
encontros para assistir aos jogos e confraternizações, enquanto produtos com
cores, sabores e narrativas nacionais ganham relevância como elementos de
identidade e conexão cultural.
“Eventos como este amplificam comportamentos que já
estão em curso. O brasileiro consome mais do que um produto; ele consome
significado, pertencimento e experiência. Quando a confeitaria entende esse
contexto, ela deixa de trabalhar apenas com itens temáticos e passa a criar
soluções que dialogam com momentos de convivência. É aí que o doce se torna um
catalisador social, com alta recorrência e enorme potencial de adaptação”,
analisa Fróes.
Nesse cenário, a oportunidade para a confeitaria
está em doces como, brigadeiros, sobremesas individuais, kits compartilháveis e
doces pensados para consumo imediato, permitindo volumes menores de venda, mas com
alta rotatividade e relevância simbólica ao longo de todo o período do evento.
Festas Juninas: tradição que
se expande e se reinventa
Historicamente associadas ao Nordeste, as Festas
Juninas passam por um processo de expansão e ressignificação e, em 2026, se
consolidam como um dos ciclos culturais mais relevantes do calendário
brasileiro. Esse movimento amplia o espaço da confeitaria, que deixa de atuar
apenas com receitas tradicionais e passa a incorporar releituras contemporâneas
e produtos desenvolvidos para venda unitária ou em kits.
Ingredientes clássicos como milho, amendoim, coco e
chocolate seguem como base, aplicados em propostas que priorizam praticidade e
apelo visual. A duração prolongada das Festas Juninas, que se estendem por
semanas e frequentemente ocupam junho e parte de julho em algumas regiões do
país, favorece o planejamento e a escalabilidade da produção, especialmente
para pequenos e médios produtores.
“As Festas Juninas são um exemplo claro de como a
tradição pode se transformar em oportunidade de negócio quando é lida com
profundidade. Não se trata apenas de repetir receitas típicas, mas de entender
o contexto cultural, o tempo estendido da celebração e o comportamento de
consumo associado a ela. Se apropriando desse ciclo, a confeitaria deixa de
operar por pico e passa a trabalhar com constância, recorrência e
planejamento”, aponta o executivo.
Natal: o doce como presente
possível em um novo contexto de consumo
No Natal, a confeitaria ocupa um espaço cada vez
mais estratégico no consumo brasileiro. Em um cenário de poder de compra
pressionado, doces e sobremesas artesanais passam a ocupar o lugar de presente.
Kits, porções individuais e produtos personalizados, atendem a uma necessidade
prática: presentear mais pessoas com orçamento limitado, sem abrir mão do
significado da data. Esses formatos também se adaptam a diferentes contextos
sociais, ampliando o alcance e a circulação dos produtos.
“O Natal é um retrato muito claro de como o consumo
no Brasil vem se transformando. Mesmo quando o orçamento aperta, as pessoas não
deixam de celebrar, mas passam a buscar soluções que carreguem afeto e o doce
artesanal atende exatamente a isso. Para a confeitaria, isso significa um
reposicionamento importante, sair da lógica do excedente e entrar no território
do presente pensado”, afirma Jonatas.
Nesse contexto, o planejamento ganha protagonismo.
A antecipação da produção, a definição de portfólio e a comunicação das ofertas
permitem que a confeitaria transforme o Natal em um período de alta relevância
não apenas em volume, mas em construção de relacionamento com o
consumidor.
O calendário da confeitaria
Datas como Dia das Mães e Dia dos Namorados seguem
relevantes por mobilizarem consumo afetivo e presentes personalizados, enquanto
celebrações como o Halloween, já incorporado de forma consistente ao varejo e
às redes sociais, abrem espaço para criações autorais, apelo visual e alto
engajamento. Além disso, eventos, como formaturas, festas temáticas, ativações
de marca e encontros informais, ampliam as possibilidades de atuação da
confeitaria ao longo de todo o ano, mesmo fora das datas tradicionais.
“O brasileiro sempre foi extremamente criativo e
adaptativo. Quando esse repertório se alia ao planejamento e à leitura de longo
prazo, o resultado é um negócio mais consistente. Quem consegue se antecipar,
entender o calendário como um fluxo contínuo e criar soluções para diferentes
momentos do ano passa a aproveitar oportunidades que vão muito além das grandes
sazonalidades”, conclui Jonatas.
Harald
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