Especialista explica como o climatério
impacta corpo e mente e destaca que manter a vida sexual ativa contribui para a
saúde física e emocional
Um estudo
publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (RBGO), periódico
científico da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia
(Febrasgo), aponta que cerca de 60% das mulheres relatam redução da atividade
sexual após a menopausa. O dado evidencia como o climatério, período de
transição da fase reprodutiva, pode impactar diretamente a sexualidade e a
qualidade de vida feminina.
Segundo a
ginecologista Dra. Vanessa Apfel, que atua no Hospital da Mulher Mariska
Ribeiro, na zona oeste do Rio de Janeiro, essa redução não está ligada apenas
ao avanço da idade, mas a alterações hormonais específicas desse período.
“O climatério é
marcado pela queda progressiva dos níveis de estrogênio e progesterona,
hormônios que exercem papel fundamental na lubrificação vaginal, na
elasticidade dos tecidos genitais, na resposta sexual e também no equilíbrio
emocional”, destaca.
Ela explica que
quando esses hormônios diminuem, é comum que a mulher perceba mudanças que
afetam o desejo e o conforto durante a relação sexual.
Na prática
clínica, a médica observa que sintomas como ressecamento vaginal, dor durante a
relação, diminuição da libido, alterações do sono, ondas de calor e oscilações
de humor costumam se sobrepor.
“Esses fatores
muitas vezes se retroalimentam. O desconforto físico leva à evitação da
relação, o que pode gerar frustração, insegurança e queda da autoestima. Sem
orientação adequada, muitas mulheres passam a acreditar que perder o interesse
sexual é algo inevitável nessa fase”, pontua Dra. Vanessa.
No entanto,
evidências científicas recentes indicam que essa perda não é uma regra. Um
estudo publicado em 2023 na revista científica oficial da The Menopause
Society, uma das principais entidades médicas globais dedicadas ao estudo
da menopausa, mostrou que mulheres que mantêm atividade sexual regular durante
o climatério e a pós-menopausa apresentam melhor função sexual, com resultados
mais favoráveis em domínios como excitação, lubrificação, orgasmo e satisfação,
quando comparadas àquelas com vida sexual infrequente.
“Esses achados
reforçam algo que observamos no consultório: a sexualidade também é uma função
que responde ao estímulo e ao cuidado”, afirma a médica.
“Manter a
intimidade ativa contribui para a saúde da mucosa vaginal, para a resposta do
corpo ao estímulo sexual e para o fortalecimento do vínculo emocional, além de
impactar positivamente o bem-estar psicológico”, completa.
Para a
especialista, o acompanhamento médico individualizado é essencial para
atravessar o climatério com mais qualidade de vida.
“Existem
diferentes estratégias terapêuticas, que vão desde o uso de hidratantes
vaginais e mudanças no estilo de vida até, em casos bem indicados, a terapia
hormonal”, salienta.
O mais importante,
segundo ela, é que a mulher saiba que não precisa conviver com dor, desconforto
ou perda do desejo como se isso fosse parte obrigatória do envelhecimento.
De acordo com a
ginecologista, é fundamental ressaltar que o climatério não representa o fim da
sexualidade, mas uma fase de transformação. “Com informação de qualidade,
escuta qualificada e cuidado integral, é possível viver essa etapa com prazer,
autonomia e saúde emocional”, finaliza.
Hospital da Mulher Mariska Ribeiro
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial)
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